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História The Man of My Dreams - Capítulo 2


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Notas do Autor


Como vão essa semana? Tem algo que vcs gostem muuuuito de fazer, mas que deixam pra lá por medo de serem ruins nisso? As vezes me sinto assim com a minha escrita. Ao longo dos anos já comecei a abandonei várias fanfics por isso. Dessa vez não! E daí se eu for ruim? Pelo menos estou fazendo algo que amo e me divertindo.
Nunca desistam do que vcs amam!

Boa leitura <3

Capítulo 2 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction The Man of My Dreams - Capítulo 2 - Capítulo 2

Caro leitor, várias vezes durante minha vida ouvi minha mãe dizer que eu devia parar de reclamar, porque a reclamação é contagiosa. Gostaria de afirmar que infelizmente ela está errada. Como sei com tanta certeza? Fácil, depois de conviver três anos comigo, Carson continua um otimista incansável.

- Car, isso realmente é necessário?

- Claro! Nós vamos ser entrevistados!

- E você acha que vai ser necessária uma roupa muito espetacular? - perguntei, apontando para a bagunça que meu pequeno quarto havia se tornado.

Hoje era um dos dias em que Nora e Robin estavam mais felizes o possível, pois eu estava em casa e ainda por cima havia trazido Carson junto. Como você já poderia ter imaginado, Nora e Carson são irmãos perdidos na maternidade, o tipo de pessoa que evita-se como a praga antes das 10 horas da manhã, por seu bom humor sobrenatural. Já Robin ficava extremamente satisfeita em ter outras pessoas distraindo Nora, o que a permitia estudar em paz. Todos saem ganhando.

- Queridos, trouxe chá! - Nora habilmente empurrou a porta e passou por montanhas de calças jeans e agasalhos que Carson havia jogado no chão, enquanto carregava um prato com três canecas. Ela sentou-se na cama e colocou o prato no chão depois que todos nos servimos.

- Nora, por favor diga a Grace que ela precisa vestir alguma coisa menos… Grace.

- Vou fingir que não acabei de ouvir isso.

- Ok, acho que uma palavra melhor seria “desleixada”.

- Bom… - Nora desviou o olhar para sua caneca de chá fumegante, discretamente concordando com Carson mas fugindo da discussão.

Talvez em alguns dias eu não me preocupe muito em ter um visual muito… profissional? Ou na maioria dos dias. Mas qual o problema? Sinceramente, eu ainda não me formei e gosto de usar jeans rasgados e moletons.

- É um intercâmbio de um período na Coreia! Tudo pago! Vamos fazer um esforço, por favor? Você me prometeu que ia tentar.

Maldito Carson e maldita boca grande, que sempre fala coisas que fazem com que eu me arrependa depois. Quem sou eu para querer ensinar alguém sobre as maravilhas do silêncio se eu sempre abro a boca na maldita hora errada? Mas, se três anos de amizade e parceria com Carson me ensinaram alguma coisa, é que não vale a pena discutir. Ele é implacável e não vai desistir até conseguir o que quer. Então simplesmente me calei e deixei que ele escolhesse logo uma porcaria de uma roupa.

 

 

Haviam cerca de quarenta pessoas no corredor em frente a sala da coordenação. Todos aguardávamos, com fichas nas mãos, para ser chamados em ordem alfabética para a entrevista. Esse é um dos momentos no qual eu agradeço à vovó por não me chamar Agatha. Quase no final da fila, me concentrei na reação das pessoas que entravam e saiam da sala. Alguns pareciam arrogantes e seguros de si, outros decepcionados como se já soubessem que não seriam aprovados e alguns simplemente nervosos. Carson, como sempre, estava otimista e ao passar por mim segurou brevemente minha mão, enquanto sussurrava que me esperaria do lado de fora.

De qualquer modo, antes que eu estive totalmente preparada estavam chamando meu nome. Nunca havia estado na sala do coordenador. Me surpreendi com as amplas paredes de estantes embutidas com vários livros de couro que pareciam organizados de forma tão perfeita, que ninguém ousaria mexer em algum deles. A mesa do coordenador era de mogno escuro e havia um monitor preto fino, com um teclado e um mouse sobre ela. Duas cadeiras acolchoadas estavam dispostas de frente para a mesa.

- Bom dia! Me chamo Professor White, sou o coordenador do curso de História. Você já deve ter conhecido a Professora Gray, que está me auxiliando no processo seletivo do intercâmbio cultural. Pode se sentar, por favor.

- Obrigada. - respondi, entregando a ficha para a Professora Gray, que me sorriu de forma encorajadora.

- Bem, vamos começar. Srta Tremblay, posso ver que é uma aluna muito esforçada. Tem o índice de rendimento acima de 8,5 e já está estagiando. - o coordenador falou sem levantar o olhar da tela do computador.

- Sim…

- Este intercâmbio têm como intuito estreitar laços com a Universidade de Seoul, mas também gostaríamos que os alunos realizassem alguns trabalhos acadêmicos. Posso ver no currículo da senhorita que, apesar de ser uma grande aluna, nunca se integrou em nenhum programa de pesquisa. Por quê?

- Bom Professor… - ai meu Deus, Hazel, pense. Pense em qualquer coisa! Diga alguma coisa para esse homem! Não importa se você será aprovada ou não, só não deixe ele pensar que você é idiota! - Serei honesta com o senhor, sou filha de fazendeiros e tenho mais dois irmãos. A situação na minha família não é exatamente confortável, então quando precisei escolher entre os programas de pesquisa, que não oferecem bolsa, e os estágios remunerados, infelizmente a escolha foram os estágios.

Burra. Completamente burra. Eu devia ter pensado em alguma outra coisa para dizer. O coordenador finalmente dirigiu o olhar para mim, mas mantinha a expressão neutra e a Professora Gray parecia ultrajada com a minha sinceridade. Sinto muito, Carson.

- Então, por que devo escolher a senhorita?

OK, este é o momento em que eu compenso tudo que disse até agora e talvez (com certeza não) consigo ir para a Coreia.

- Porque sou uma pessoa extremamente esforçada e comprometida. Se o senhor me escolher, farei tudo que for necessário ser feito e cumprirei todas as ordens. Eu nunca abandono uma meta. - nossa, estou orgulhosa de mim! Mas antes que eu pudesse segurar minha língua, completei. - E será um programa de bolsa, jamais faria qualquer coisa que fosse comprometer minha bolsa.

Silêncio. O coordenador pegou a ficha com a Professora Gray, que deu um longo suspiro e agradeceu, informando que eu podia me levantar e sair. Agradeci a atenção deles e fui embora, tendo certeza que eu estava com cara de decepcionada, pois tinha certeza que não seria aprovada.

Do lado de fora do prédio, Carson estava sentado em um banco de concreto, com seu jeans perfeitamente azul e sua camisa de botões quadriculada. Como as entrevistas já haviam passado, parte de seu cabelo estava preso em um coque alto que o deixava fofo demais para seu próprio bem.

- Como foi? - perguntou ele, rapidamente se levantando do banco.

- Digamos que… Peculiar.

 

 

Caro leitor, não sei como é a sua família mas, caso você seja filho único, há algo que preciso esclarecer para você. O filho do meio sempre é o menos importante. Ele vive na sombra do irmão mais velho (primogênito, o modelo perfeito), e ignorado pela presença do irmão mais novo (o caçulinha, queridinho dos pais). No meu caso, vivo na sombra de Axl, que conseguiu uma grande bolsa de estudos para cursar Medicina, casou-se com uma grande psicóloga e se mudou para o Oregon; e ignorada pela presença de Ariel, noiva de um grande advogado. Aos olhos da minha mãe, Margot, eu era o prato sujo que ficava esquecido em uma pia limpa e imaculada. Nem fiquei em casa assumindo os negócios da família, nem entrei em uma carreira de sucesso e muito menos consegui fisgar um bom partido. A decepção dela até é compreensível.

- Pode me dizer de novo por que você não vai poder vir para o jantar de noivado da sua irmã? - mamãe fala tão alto ao telefone que eu poderia escutá-la facilmente mesmo com o celular apoiado na mesa. Infelizmente isso era algo que não se podia evitar pessoalmente.

- Já disse mamãe, estou muito ocupada com os últimos ajustes antes da viagem. Ainda nem recebi meu passaporte, preciso comprar algumas coisas, converter dinheiro…

- Ainda não acredito que você realmente vai me fazer pagar seis meses de aluguel para estar em outro país! E ainda por cima vai pegar dinheiro do seu irmão!

- O que a senhora quer que eu faça? Leve todas as minhas coisas para a Coreia dentro de uma mala? - acenei para Carson quando o entrar sorrindo na cafeteria e apontei para o telefone revirando os olhos, nossa maneira de sinalizara que era mamãe. - E Axl me ofereceu ajuda.

- Francamente, quando você vai arrumar um trabalho de verdade e parar de ser bancada por seus pais? Até sua irmã já saiu de casa e parou de…

- Mamãe, sinto muito mas infelizmente preciso ir para a aula. - interrompi, enquanto Carson se sentava à mesa, rindo baixinho. - Prometo que continuamos essa conversa construtiva em outro momento.

- Sua garotinha sarcástica e mal educada, tenho certeza que se fosse seu pai você jamais…

- Até mais! Beijo! - desliguei antes que ela pudesse continuar reclamando. Carson começou a rir alto, e eu só queria esganá-lo. É fácil rir da desgraça dos outros.

- Ai ai, como eu me divirto com a dona Margot.

- Se diverte porque não é sua mãe, então você só precisa aturá-la o tanto quanto quiser.

Fora a ligação de mamãe o dia estava correndo de maneira bem calma. Ainda me surpreendo em como, apesar da minha grande idiotice, consegui passar na seleção. Eu e Carson (não haviam dúvidas de que ele conseguiria) estamos há uma semana nos preparando para a viagem. Graças a minha inteligência consegui me livrar (pelo menos por enquanto) de ter que fazer compras com Carson dizendo lembrando-o que qualquer coisa que ele fosse comprar ia fazer peso na mala.

Robin tinha quase surtado com a notícia de que ficaria 6 meses morando sozinha com Nora, mas sei que em algum momento ela vai superar… Ou não. Nesse momento, o que importa é que eu não estarei morando com elas.

- Vamos precisar de cobertores elétricos, chinelos novos… Talvez umidificadores de ar. Ah, uma máquina de arroz!

Argh… Talvez seja melhor ficar por aqui.

 

 

Os dias voaram com tantas coisas para fazer e quando chegada a noite, eu estava tão exausta que caía em um sono profundo, sem sonhos. O que quer dizer que há dias não consigo sonhar com Mark. Me deitei na cama observando minha mala no chão do quarto. Amanhã será um longo dia, o voo até o Aeroporto de Incheon levará ao todo cerca de 20 horas, talvez seja melhor tentar descansar. Apaguei a luz e coloquei a máscara para dormir.

 

 

Senti a luz invadir o quarto mas permaneci com os olhos fechados. Não tinha dormido o suficiente, não é possível que já tenha amanhecido… Tive um sobressalto quando senti braços quentes em volta de mim. O arrepio em meu ouvido com sua respiração quente me indicou que ele havia dito alguma coisa, mas como sempre, não pude ouvir. Me virei em seus braços e abri os olhos, vendo seu rosto amassado por ter acabado de acordar e seus cabelos castanhos bagunçados grudados à testa. Por alguns momentos senti como se não pudesse respirar. A beleza de Mark sempre me pegava desprevenida. Sem pensar muito, passei as pontas dos dedos pela pele de seu rosto, fazendo o trajeto desde a maçã do rosto até o queixo. Afastei os fios de cabelo de sua testa, vendo-o sorrir com os olhos fechados.

Somente sentir sua respiração em meu rosto já me deixava tonta… Encostei minha testa na sua e fiquei por alguns segundos sentindo o calor de sua pele irradiando em meu rosto.

- Nós vamos nos atrasar…

- Hum? - vi o olhar questionador em seu rosto pelo afastamento repentino. Continuei com a mão em seus cabelos, encarando-o confusa.

- Nós vamos nos atrasar… - uma decepção tomou conta de mim ao perceber que seus lábios não se moviam. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, senti uma pancada no rosto.

 

 

- Nós. - pancada. - Vamos. - pancada. - Nos atrasar!. - mais uma.

Arranquei a maldita máscara do rosto e praticamente rosnei para Carson.

- Desculpa, mas você não acordava por nada. Se você não quiser perder o ônibus pro aeroporto é melhor levantar agora.

O resto do dia passou como um borrão para mim. Me levantei, dormi no trajeto até o aeroporto, acordei, fiz o check-in, embarquei no avião, dormi por várias horas, fui acordada por Carson para o jantar, comi, apaguei de novo. O mais decepcionante de tudo era dormir e acordar sem nem ao menos vislumbrar o rosto de Mark. Quando finalmente acordei, o avião todo estava escuro, com apenas algumas luzes no teto acessas.

Olhei para Carson que dormia pacificamente ao meu lado, com a boca aberta e me senti grata por tudo. Sempre estive acostumada a ser invisível, irrelevante, a viver na sombra de outras pessoas. Ele foi a primeira pessoa que realmente me enxergou. Me aconcheguei mais perto dele, pensando no que esses seis meses reservariam para nós. Antes que eu me perdesse demais em sonhos, acenderam as luzes do avião.


Notas Finais


Até a próxima :3


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