História The Maze Runner - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction The Maze Runner - Capítulo 2 - Capítulo 2



Tenha cuidado, não morras."


            "The Maze Runner-Correr ou morrer."


As mãos que o puxaram só pararam de se agitar ao seu redor quando Jungkook se levantou e sacudiu a poeira da camisa e das calças. Ainda atordoado pela claridade, hesitou um pouco.
Estava morrendo de curiosidade, mas sentia- se muito enjoado para observar o local mais atentamente. Seus novos companheiros não disseram nada quando gritou a cabeça de um lado para o outro, tentando assimilar tudo.


Enquantoo dava uma volta em torno de si mesmo, os outros garotos riam-se dele e o encaravam; alguns estenderam a mão e cutucaram-lhe com o dedo. Deviam ser pelo menos uns cinquenta ao todo, as roupas sujas e amassadas, como se tivessem interrompido um trabalho pesado, um garoto diferente do outro, de vários tamanhos e raças, o cabelo de comprimentos variados. De repente, Jungkook sentiu-se atordoado, os olhos indo e voltando dos garotos para aquele lugar bizarro em que se encontrava.


Estavam em um vasto pátio, várias vezes maior que um campo de futebol, cercado com quatro muros enormes de pedra cinzenta, cobertos por uma hera espessa que se espalhava em manchas desiguais. As paredes pareciam ter mais de com metros de altura e formavam um quadrado perfeito ao redor daquele espaço. Cada lado era divido exatamente ao meio por uma abertura mais alta que os próprios muros e que, até onde Jungkook ver, levava a passagens e corredores compridos que se estendiam a perder de vista.


- Olhem só o Novato - zombou uma voz fanhosa, que Jungkook não conseguiu distinguir de onde vinha. - Vai quebrar seu pescoço de mértila inscepcionando seu novo cafofo.


Vários garotos riram.


- Feche essa matacra, Jooheon - interveio uma voz mais grave.


Jungkook tentou identificar alguém em meio a dezenas de estranhos ao seu redor. Sabia que devia parecer muito deslocado - sentia -se como se tivesse drogado. Um garoto alto, de cabelo loiro, franziu o nariz na sua direção, o rosto inexpressivo. Um outro, baixo e reconchudo, inquietava-se, oscilando para frente e para trás em pé, fixando Jungkook com os olhos arregalados. Um jovem, corpulento e musculoso, cruzou os braços enquanto analisava Jungkook, a camisa justa e arregaçadas exibindo o bíceps. Um rapaz de pele morena franziu as sobrancelhas - o mesmo que lhe dera boas vindas. Vários outros o observavam.


- Onde estou? - quis saber Jungkook.


- Um lugar nada bom. - A resposta partiu do rapaz de pele morena. - Agora procure relaxar e acalmar-se.


- Que tipo de Encarregado ele vai dar? - gritou alguém atrás do grupo.


- Já disse, cara de mértila. - uma voz estridente respondeu. - Ele é um plong, logo será um Aguadeiro.... Não tenho a menor dúvida quanto a isso. - O garoto riu como se tivesse contado a piada mais engraçada do mundo.


Mais uma vez, Jungkook sentiu uma pressão de ansiedade no peito - eram tantas palavras e expressões que não fazíam sentindo. Trolho, Mértila, Encarregado, Aguadeiro. Elas saiam tão naturalmente da boca dos garotos que parecia estranho ele não entender. Como se sua perda de memória tivesse roubado um pedaço da sua compreensão - não entendia nada.


Diferentes emoções se chocavam em sua cabeça, atordoando sua mente e sufocando seu coração. Confusão. Curiosidade. Pânico. Medo. Mas todas essa emoções eram permeadas por uma sombria sensação de desamparo absoluto, como se o mundo tivesse acabado para ele, como se tivesse arrancado de sua memória e substituído por algo sinistro. A sua vontade era sair correndo e se esconder daquela gente.


O garoto da voz fanhosa voltara falar.


- ....ou nem mesmo isso; aposto meu fígado. - Jungkook ainda não conseguiu ver o rosto dele.


- Eu disse, calem a matacra! - gritou o rapaz de pele morena. - Continuem tagarelando e ficarão sem recreio!


Aquele devia ser o líder, concluiu Jungkook. Detestando a maneira como caçoavam dele, procurou se concentrar em avaliar o lugar que o rapaz chamara de "Clareira".


Adiante havia um pátio cujo chão era composto de enormes blocos de pedra, muitos deles rachados e entranhados de grama e erva daninhas crescidas. Perto de um dos cantos do quadrado, uma estranha construção de madeira, meio decadente, contrastava completamente com as pedras acinzentadas. Era cercado por algumas árvores, em outro canto do conjunto via-se uma espécie de plantação - de onde se encontrava, Jungkook reconheceu alguns pés de milho, alguns tomateiros, árvores frutíferas.


Do outro lado do pátio, alinhavam-se currais de madeira, em que eram guardados ovelhas, porcos e vacas. Um bosque amplo ocupava todo o último canto; as árvores mais próximas parecendo um tanto enrugadas e à beira da morte. O céu acima deles não tinha nuvens, era muito azul, mas Jungkook não viu nem sinal do sol, apesar da claridade do dia. Ele respirou fundo, numa tentativa de acalmar os nervos, e uma mistura de cheiros o invadiu. Lixo recente, estrume, perfume de pinheiros, um aroma podre e adocicado. De algum modo sabia que aqueles eram os cheiros de uma fazenda.


Jungkook voltou-se para seus captores, sentindo-se pouco à vontade, mas ao mesmo tempo desesperado para fazer perguntas. "Captores", pensou. Depois refletiu: "Por que essa palavra apareceu na minha cabeça?". Correu os olhos pelos rostos, apreendendo cada expressão, avaliando-os. Os olhos de um garoto, faiscando de ódio, o gelaram. O menino parecia tão cheio de raiva que  Jungkook não se surpreenderia se ele avançasse na sua direção com uma
faca. Tinha o cabelo preto, e, quando os seus olhares se encontraram, o garoto abanou a cabeça e virou-se, aproximando-se de um poste de ferro todo besuntado, com um banco de
madeira ao lado. Uma bandeira multicolorida pendia inerte do alto do poste, sem vento que revelasse o seu desenho.


Assustado, Jungkook ficou mirando as costas do garoto até ele se virar para sentar-se no banco. Jungkook rapidamente desviou o olhar.
De repente, o líder do grupo - talvez tivesse uns vinte anos - deu um passo à frente. Usava roupas comuns: camiseta preta, jeans, tênis, relógio. Por alguma razão, Jungkook surpreendia-se com as roupas que via; era como se cada um devesse estar usando algo mais ameaçador - como um uniforme de prisão. O rapaz moreno tinha o cabelo cortado. Mas além das sobrancelhas sempre franzidas, não aparentava nada que
causasse medo.


- É uma longa história, trolho - disse o rapaz. - Pouco a pouco, você vai descobrir... Vou conversar com você amanhã, no Passeio. Até lá, procure não quebrar nada. - Estendeu a mão.
- Meu nome é KyuHyun. - Ficou esperando, sem dúvida, para apertarem as mãos.


Mas Jungkook não apertou a mão dele, os movimentos inibidos por um instinto desconhecido. Sem dizer nada, deu as costas a KyuHyun e encaminhou-se até a árvore mais
próxima, onde deixou-se afundar no chão, apoiando as costas de encontro à casca rugosa. Voltou a ser dominado por uma onda de pânico, forte quase a ponto de parecer insuportável.
Mas respirou fundo e fez um esforço para aceitar a situação. "Deixa rolar", pensou. "Não vai adiantar nada me entregar ao medo."


- Então me conte - gritou depois, lutando para não entrecortar a voz. - Conte a longa história.


KyuHyun olhou de relance para os amigos mais próximos e rolou os olhos para o alto. Jungkook examinou o grupo outra vez. Quase acertara na primeira estimativa - devia haver,
provavelmente, uns cinquenta a sessenta deles, variando de meninos entrando na adolescência
a jovens adultos, como KyuHyun, que parecia ser um dos mais velhos.


Naquele instante, com um
frio na barriga, Jungkook percebeu que não fazia a menor ideia de quantos anos ele próprio tinha. Sentiu um aperto no coração ao pensar nisso  estava tão perdido que nem sequer se
l


embrava da própria idade.

- Falando sério - insistiu, abandonando a pose de valente. - Onde é que eu estou?

KyuHyun aproximou-se e sentou, cruzando as pernas; o bando de garotos o acompanhou e se
aglomerou atrás. As cabeças se destacavam aqui e ali, os garotos inclinando-se em todas as direções para enxergar melhor.

- Se não estiver com medo - falou KyuHyun -, então não é humano. Aja de maneira diferente e vou atirá-lo do Penhasco, porque isso significaria que é um louco.

- Penhasco? - repetiu Jungkook, o sangue fugindo-lhe da face.

- Mértila - disse KyuHyun, esfregando os olhos. - Agora não dá pra gente conversar sobre isso, está entendendo? Não matamos trolhos como você aqui, eu garanto. Só tente evitar ser morto, dê um jeito de sobreviver, sei lá.

Ele fez uma pausa e Jungkook concluiu que o seu rosto devia ter empalidecido ainda mais ao ouvir a última parte.

- Cara - recomeçou KyuHyun, depois passando as mãos pelo cabelo curto e soltando um longo suspiro.

- Não sou muito bom pra essas coisas... você é o primeiro Novato desde que Nick foi morto.

Jungkook arregalou os olhos enquanto outro jovem se aproximou e deu um tapinha de brincadeira na cabeça de KyuHyun.

- Espere pelo maldito Passeio, KyuHyun - sugeriu ele, a voz grossa com um sotaque estranho.

- O garoto vai ter um ataque do coração, e nem ouviu toda a história ainda. - Ele inclinou-se e estendeu a mão para Jungkook. - Meu nome é Yoongi, Fedelho, e seria bem legal pra todo mundo se desculpasse o nosso novo líder inteligência de plong aqui.

Jungkook estendeu a mão e apertou a do rapaz - ele parecia muito mais amigável do que KyuHyun. Yoongi era mais alto do que KyuHyun também, mas devia ser cerca de um ano mais novo. Seu cabelo era preto e comprido, caindo em ondas sobre a camiseta. As veias se dilatavam nos
braços musculosos.

- Engula essa língua, cara de mértila - grunhiu KyuHyun, puxando Yoongi para sentar-se ao seu lado.

- Pelo menos ele consegue entender metade das minhas palavras. - Ouviram-se risinhos esparsos.

Depois todos se juntaram atrás de KyuHyun e Yoongi para ouvir o que eles estavam dizendo, diminuindo ainda mais o espaço.
KyuHyun abriu os braços com as mãos espalmadas para o alto.

- Este lugar se chama Clareira, certo? É onde moramos, onde comemos, onde dormimos...chamamos a nós mesmos de Clareanos. Isso é tudo o que você...

- Quem me mandou para cá? - Jungkook o interrompeu, o medo cedendo à raiva. - Como...?

Mas KyuHyun foi mais rápido e, antes que Jungkook pudesse terminar, agarrou-o pela gola à medida que se inclinava para a frente, apoiado sobre os joelhos.

- Levante-se, trolho, levante-se! - KyuHyun ficou de pé, levando Jungkook consigo.

Jungkook finalmente conseguiu se levantar, de novo totalmente assustado. Encostou-se na
árvore, tentando livrar-se de KyuHyun, mais ele permaneceu na sua frente.

- Sem interrupções, garoto - bradou. - Seu mocorongo, se eu lhe contasse tudo, você morreria de medo, bem depois de se plongar nas calças. Os Embaladores o levariam e você
não serviria mais de nada pra gente!

- Eu nem sei do que você está falando - respondeu Jungkook devagar, impressionado ao perceber como sua voz soava serena.

Yoongi estendeu os braços e segurou KyuHyun pelos ombros.

- KyuHyun, pega leve. Está mais assustando do que ajudando, sabia?

KyuHyun soltou a gola de Jungkook e deu um passo para trás, o peito arfando, a respiração tensa.

- Não tenho tempo para ser legal, Novato. A vida anterior acabou, uma nova começa. Aprenda logo as regras, ouça, não fale. Está me entendendo?

Jungkook olhou para Yoongi, buscando ajuda. Tudo dentro dele se remexia e doía; as lágrimas, querendo brotar, faziam os olhos arder.

Yoongi acenou com a cabeça.

- Fedelho, você entendeu o que ele
disse, certo? - Acenou de novo.

Jungkook fungou, querendo esmurrar alguém. Mas simplesmente cedeu.

- Entendi.

- Bom isso - admitiu KyuHyun. - Primeiro Dia. Isso é o que hoje é para você, trolho. A noite está chegando, os Corredores voltarão logo. A Caixa veio tarde hoje, não temos tempo para o
Passeio. Amanhã de manhã, logo depois de acordar... - Ele se virou para Yolngi. - Arranje uma cama para ele, faça com que durma.

- Bom isso - concordou Yoongi.

KyuHyun olhou mais uma vez para Jungkook, os olhos semicerrados.

- Em poucas semanas, você estará feliz, trolho. Estará feliz e ajudando. Nenhum de nós tinha noção de nada no Primeiro Dia, assim como você. A nova vida começa amanhã.

KyuHyun voltou-se e abriu caminho pelo meio do grupinho, depois se encaminhou para a decadente construção de madeira no canto. A maioria dos garotos se dispersou, cada um lançando a Jungkook um olhar demorado antes de se afastar.
Jungkook cruzou os braços, fechou os olhos e respirou fundo. O vazio que tomara conta do seu ser rapidamente foi substituído por uma tristeza aguda. Aquilo era demais - onde estava? Que lugar era aquele? Seria algum tipo de prisão? Nesse caso, por que fora mandado para lá,e por quanto tempo? Os garotos falavam de um jeito estranho, e nenhum deles parecia se importar se ia viver ou morrer. Outra vez, as lágrimas ameaçaram encher-lhe os olhos, mas ele se recusou a deixar que viessem.

- O que foi que eu fiz? - sussurrou, ainda que suas palavras não se dirigissem a ninguém.

- O que foi que eu fiz... por que me mandaram para cá?

Yoongi deu-lhe um tapinha no ombro.

- Fedelho, isso que está sentindo todos nós já sentimos. Todos tivemos o Primeiro Dia, ao sair daquela caixa escura. As coisas são ruins, são mesmo, e ficarão muito piores para você em breve, essa é a verdade. Mas, depois de algum tempo, vai se sentir mais conformado e satisfeito. Posso garantir que você não é um maldito maricas.

- Isto aqui é uma prisão? - quis saber Jungkook; vasculhou na escuridão dos seus pensamentos, procurando uma falha cometida no passado.

- Já terminou com as perguntas? - replicou Yoongi. - De qualquer maneira, as respostas não
são boas para você, ainda não. O melhor é se acalmar agora, aceitar a mudança... Amanhã vai ser outro dia.

Jungkook não disse nada, baixou a cabeça, os olhos pregados no chão rochoso, rachado.

Uma fileira de ervas de folhas miúdas corria pela borda de um dos blocos de pedra, com florzinhas amarelas abertas conto se buscassem o sol que há muito desaparecera atrás dos
muros enormes da Clareira.

- O Jimin vai ser bom para você - disse Yoongi. - Ele é um trolho um pouco baixo, mas no fundo é legal. Espere aqui, volto logo.

Yoongi mal acabara de falar quando um grito lancinante atravessou o ar de repente. Sonoro e arrepiante, um gemido que mal parecia humano ecoou pelo pátio de pedras; todos os garotos em seu campo de visão voltaram-se para olhar na direção de onde partira. Jungkook sentiu o
sangue gelar nas veias ao perceber que o som horrível viera da construção de madeira.
Até mesmo Yoongi parara assustado, a testa franzida de apreensão.

- Mértila - disse ele. - Será que os malditos Socorristas não conseguem controlar aquele garoto por dez minutos sem a minha ajuda? - Abanou a cabeça e deu um chutinho no pé de
Jungkook. - Encontre o Jimin, diga que ele está incumbido de arranjar um lugar para vocêdormir. - Então voltou-se e saiu correndo rumo à construção.

Jungkook escorregou de encontro ao tronco rugoso da árvore até sentar-se novamente no chão. Encolheu-se, apoiando as costas contra a madeira. Fechou os olhos, só querendo
acordar daquele pesadelo horrível.

○●○


Notas Finais


Desculpa a demora e os erros ortográficos.
Até o próximo!!


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