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História The midnight sun - Capítulo 7


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Notas do Autor


chegamos ao último capítulo de the midnight sun. muito obrigada a todos que acompanharam até aqui e, principalmente obrigada pela paciência KKKKK e pra quem vai sentir saudades dessa fanfic não se preocupe. em breve trago novidades 🦋

boa leitura...

Capítulo 7 - Para sempre


Fanfic / Fanfiction The midnight sun - Capítulo 7 - Para sempre


Não acredito que ele realmente vai me mandar embora. Qual a droga do problema dele? Sinto-me usada, como se ele tivesse feito tudo que desejava e agora simplesmente enjoou e está se livrando de mim. Como eu pude ser idiota de pensar que poderíamos ter algo? Ele não me ama, nunca vai amar. Eu não deveria ter me deixado levar tão facilmente. Sempre fui forte, mas quando chego perto dele, algo muda, sempre fraquejo e revejo meus conceitos. 

- Apenas arrume suas coisas, amanhã mandarei alguém te acompanhar até sua casa, ainda no primeiro horário do dia. - Murmura baixo, percebo sua voz falhando um pouco. 

Meu coração grita que Sérgio não quer me mandar embora, mas meu cérebro diz que a voz dele está falhando apenas por talvez ter dado ordens o dia todo. 

- Você tem plena certeza disso? - Não quero implorar e parecer uma idiota, mas não posso simplesmente virar as costas e ir embora, as coisas  não são simples assim. 

- Sim. - Sussurra e abaixa a cabeça, colocando as mãos nos bolsos da calça. 

- Se eu passar por aquela porta, não voltarei mais. Seja lá o que temos ou tivemos, acaba aqui e agora! - Digo firme, mas sinto meu coração bater cada vez mais rápido. 

Ele apenas assente, vejo seu pomo de adão subir e descer, como se estivesse engolindo em seco. 

- Certo, quero ir embora hoje, avise aos soldados. Apenas me dê um tempo para fazer minhas malas. - Murmuro.

- O quê? Está tarde, você não sairá daqui a esta hora.

- Não ficarei mais um minuto aqui! - Grito. - Se você quer me mandar embora, irei agora.

- Não comece. - Diz com irritação. - Apenas suba e durma, não torne as coisas mais difíceis. 

- Mais difíceis? - Sorrio irônica. - Minha vida ficou difícil a partir do momento que eu te conheci. Você estragou tudo Sérgio, tudo! -  Sinto uma lágrima escorrer por meu rosto, mas limpo rapidamente, não darei esse gostinho de chorar. 

Estou cansada. Foi um longo mês onde tudo tem sido cansativo desde o maldito dia em que atirei no capo, mas agora chega, cansei! 

- Raquel, você não... - Interrompo.

- Chega! Mande-me embora agora. Estou cansada Sérgio. - Minha voz falha. - Eu tentei, juro que tentei.

- Você não entende, não é? - Ele se aproxima, estende e passa a mão no meu rosto. 

Me seguro para não fechar os olhos e inclinar a cabeça em direção ao seu toque, apenas me afasto, respirando fundo para tentar controlar as batidas do meu coração. 

- O que eu deveria entender? Que você é um completo idiota Sr. Capo? 

- Eu não posso... - balbucia angustiado. - Não posso sentir isso, não posso ser fraco e me deixar levar por sentimentos. 

Isso soa como se ele estivesse confessando que não me ama e não quer me amar. Assinto, mordendo o lábio inferior, afastando a vontade insana de chorar. 

- Algum problema? - Ouço a voz de Sole, e a vejo na entrada da sala, com uma carinha de sono. 

- Não, Sole, não tem problema algum, estou apenas indo arrumar minhas malas, o capo já fez a escolha dele. 

- O que você está falando, menina?

- Sole, volte para o seu quarto. - Ordena Sergio.

- Você vai mandá-la embora? - Pergunta Sole, franzindo o cenho. 

- Porra, apenas façam o que eu estou mandando, as duas. - Esbraveja. 

- Irei embora hoje Sérgio, quanto mais cedo, melhor. - Continuo firme. - Então, apenas avise aos soldados. - Giro em meus calcanhares e subo as escadas. 

Sinto alguém atrás de mim assim que passo pela porta, Sole entra, me enchendo de perguntas. 

[...]

Uma hora se passou desde então. Dois soldados vieram buscar minhas malas, o que me fez suspirar aliviada por Sérgio não ter ido contra a minha vontade de ir embora hoje. 

Ainda não acredito que ele realmente está me mandando de volta para o meu pai. Acho que a ficha não caiu. Sinto um aperto no coração.

Perdi as contas de quantas vezes segurei o choro enquanto arrumava minhas malas, cada peça de roupa colocada ali, era como uma lembrança jogada fora, o primeiro beijo, o seu cheiro, suas mãos que pareciam saber exatamente onde me tocar. Suspiro.

A pergunta que não sai da minha cabeça é: ele escolheu a Ágata?

Não sei se quero saber a resposta para essa pergunta, sei que vai doer quando os vir juntos. Vai doer ainda mais quando ele anunciar a grande escolha do capo.

Talvez isso nunca fosse dar certo. Como uma coisa que começou tão bagunçada poderia se encaixar perfeitamente? Aquela história de "os opostos se atraem" é apenas uma grande de uma mentira, a realidade seria "os opostos se distraem", por que talvez para ele tenha sido apenas isso, uma distração.

Desço as escadas quando percebo que não tem mais nada que eu possa levar, vejo Sole descendo logo atrás de mim, seu rosto me indica que ela andou chorando escondido.

- Soledade, por favor, não chore. - Abraço firme a pequena senhora de cabelos acinzentados. Meu coração se aperta ainda mais quando sinto lágrimas molharem meu ombro.

- Minha menina, eu sinto tanto... - sussurra ainda com a cabeça inclinada em meu ombro.

- Não sinta, não é o fim do mundo.

Quem eu estou querendo enganar?

Ela olha em meus olhos, e permito que uma lágrima escorra por meu rosto quando a vejo com o rostinho molhado. Sole se tornou uma mãe, eu a amo. Tê-la aqui comigo durante esse tempo me ajudou muito.

- Venha me visitar, não me deixa no escuro sem notícias suas. - Pede aos prantos.

- Farei isso, e não se preocupe, ficarei bem. - Tento sorrir, mas sei que meu sorriso não chegou aos olhos.

Suspiro alto assim que o carro entra em movimento, passando rápido pelos imensos portões da mansão. Sérgio não veio até mim para dizer adeus, achei melhor assim. Talvez agora eu consiga entender que isso nunca iria dar certo. Apenas fico ainda mais triste por lembrar que não consegui me despedir da Alícia, amanhã quando ela acordar e vir que não estou mais lá, com certeza ficará chateada por eu não ter ido dizer adeus. 

A única coisa que me faz abrir um pequeno sorriso é saber que voltarei para os braços quentinhos da minha mãe. Mamma deve está me esperando de braços abertos, guardando as palavras certas para me confortar. 

O carro freia bruscamente, me tirando dos meus devaneios e jogando meu corpo para frente, agradeço mentalmente por estar usando o cinto de segurança. 

- O que houve? - Pergunto para um dos soldados.

- Não saia do carro. - Murmura e abre a porta ao seu lado.

Percebo que o soldado que estava dirigindo já saiu do carro. Olho para trás, tentando entender o que droga está acontecendo. Porra, eu só quero chegar em casa e sentir o cheiro de lar.

Vejo dois carros parados logo atrás do SUV em que estou, arregalo os olhos quando percebo que os soldados estão apontando suas armas em direção ao outro veículo. Conto cinco homens saindo dos carros, com suas armas também em punho. Merda, estamos cercados. Por que os soldados não tentaram fugir ao invés de descer apenas os dois? Burros, burros...

Papà sempre me ensinou que se você não pode com eles, não se junte a eles, mas sim, corra deles. “Até ter reforço suficiente para voltar e matar os fodidos”.

Desespero-me quando os cinco atiram na direção dos dois soldados que deveriam estar fazendo minha segurança, os transformando em pequenas peneiras insignificantes.

Solto rapidamente o cinto e tento ir até o banco do motorista, para tentar sair dessa merda na qual acabei de me meter. Mas falho totalmente, antes de chegar ao meu alvo sinto alguém me puxando pelos cabelos, tirando meu corpo do carro e me jogando bruscamente no chão.

- Seu filho da puta, desgraçado, seu pedaço de merda! - Esbravejo, me levantando. 

- Olha só o que temos aqui, que coisa mais gostosinha. - Seu sotaque não me engana, sei que são os fodidos russos.

- Me deixem em paz! - Aponto meu dedo indicador na direção deles. Mas obviamente não coloco medo algum naqueles brutamontes armados.

- Nós esperávamos que fosse o capo saindo sem proteção, mas tenho certeza que uma delícia como você serve para alguma coisa. - Um deles dá um passo em minha direção.

Sem pensar duas vezes, acerto um soco em seu nariz, ele urra de dor. 

- A vadia é esquentadinha, que delícia. Vou adorar meter meu pau nela com força. - Ele sorri de forma nociva. - Peguem-na.

- Não! - Grito, quando quatro deles tentam me segurar, chacoalhando meu corpo freneticamente. Sinto alguém segurar minha cabeça e bater contra a porta do carro.

A única coisa que consigo pensar é se meu pai virá me resgatar.

Choramingo e apago totalmente.

[...]

Escuto uma música irritante tocando várias vezes seguidas, tento abrir meus olhos, mas minha cabeça dói, meu corpo dói. Só quando toca novamente a mesma música, consigo abrir os olhos. Uma luz em cima da minha cabeça me impede de mantê-los abertos, tenho que piscar repetidas vezes para finalmente conseguir acostumar minha visão. 

E mais uma maldita vez a música repete. Reconheço como sendo a melodia de "Za Chto Vy Brosili Menya", e só aí me dou conta de onde estou. 

Porra, fui sequestrada pelos russos. Essa droga de música que tanto toca, é o que eles costumam chamar de "hino da máfia Rússia".

Busco me mover e percebo estar acorrentada a uma cadeira de ferro velha. Olho o local, estou em um imenso galpão, com caixas de possíveis carregamentos ao meu redor. 

Tento mais uma vez me mexer, mas estou com correntes em volta dos meus pulsos e tornozelos, o que me faz sorrir, afinal, sou uma pobre menina indefesa, por que me acorrentar? Jamais reagiria contra eles. Sorrio novamente, fazendo força nos pulsos. 

- Não irá conseguir se soltar. - Uma voz rouca chama minha atenção. Olho para cima e vejo um homem parado há alguns passos de distância, suas mãos estão dentro dos bolsos, ele me olha com uma expressão neutra, seu sotaque é extremamente irritante. 

- Por que as correntes? Não é como se eu fosse sair matando todos vocês, então apenas me solte, isso aqui está me machucando. - Arrisco fazer uma carinha de inocente. 

- Sabe... - murmura e anda alguns passos em minha direção antes de prosseguir. - Quando meus homens a trouxeram, achei que era apenas mais uma vadia patética que o fodido Sérgio costuma chamar de "mulheres da famiglia". - Ele sorri com ironia. - Mas quando meus homens disseram que você esmurrou um deles, fiquei instigado, então apenas alguns minutos depois, consegui descobrir que você atirou naquele merda que vocês chamam de capo, e ironicamente você é uma das que ele chama de escolhidas do capo. - Ele estava falando sem parar, seu sotaque estava me irritando cada vez mais. 

E a droga da música não parava de tocar.

- Apenas por precaução, mandei prendê-la aí, não queria ter que sujar minhas mãos com esse rostinho bonito. - Murmura. 

Quem esse filho da puta pensa que é?

- Vai se foder! - Grito.

- Sempre soube que as vadias da Cosa Nostra tinham a boca suja, o que é uma pena, afinal vocês são tão aproveitáveis. - Se aproxima um pouco mais. 

- Não ouse chegar perto de mim. Papà virá me tirar daqui, e acabar com toda essa merdinha que vocês chamam de Bratva. - Rosno. 

- Esperando por isso, já até mandei uma foto sua para o seu capo. Estou ansioso para a visita dele e do seu pai, inclusive preparei algo especial para vingar meus homens que foram mortos há um mês. 

Sérgio já sabe que estou aqui? Será que ele virá me buscar? Talvez ele esteja com tanta raiva de mim que não terá a decência de vir pessoalmente. Suspiro e tento arrastar esses pensamentos para longe.

- Foram vocês que nos atacaram, seus doentes! Nunca ouviu dizer que se não aguenta com a brincadeira, não desce para play? - Murmuro.

É minha vez de sorrir. 

- Estou realmente tentado a meter meu pau nessa sua boquinha, só aí conseguirei te manter calada de uma forma deliciosa. 

Nojento, nojento, mil vezes nojento...

- Mantenha isso que você chama de pau longe de mim, seu cretino! - Urro. 

- Tão linda. Aquele filho da puta é sortudo em poder escolher você, pena que no fim do dia não restará nenhum de vocês para contar a história. - Ele tira algo do bolso, vejo ser um cigarro, leva aos lábios, acende e dá uma longa tragada. 

- Quem é você afinal? - O encaro séria, minha vontade é de me soltar e queimar os dois olhos dele com a ponta do cigarro. 

- Sou Suárez, chefe da maior máfia do mundo!

- Mudaram o capo da Cosa Nostra e ninguém me avisou? - Ironizo. 

Não consigo manter minha boca fechada, até mesmo em situações como essa, que eu deveria estar desesperada e chorando. 

- Escute aqui sua vadia, não teste minha paciência. - Sinto algo ser pressionado contra minha perna, me fazendo urrar de dor. Esse cretino me queimou com o cigarro.

- Desgraçado! - Grito.

- Cale a boca! - Ordena me acertando uma tapa. Sinto meu rosto queimar, e fecho os olhos com força. 

- Solte-me e então poderemos resolver a questão! - Grito cada vez mais alto. 

Ele tira uma pistola Taurus da cintura e aponta para minha cabeça.

- Ou podemos resolver assim. - Murmura calmamente.

Sinto minha respiração acelerar, meu coração bate tão forte que talvez possa sair do meu peito a qualquer momento. Tento manter minha boca fechada dessa vez. 

- Olhe só, a vadia ficou caladinha. Adoro quando se calam.

Olho ao meu redor e vejo que vários homens se aproximaram, alguns com semiautomáticas em mãos, outros até mesmo com fuzis e algum outro tipo de armamento pesado que não consigo identificar por conta da luz fraca. 

- Você vai pagar por isso! - Digo, tentando parecer indiferente.

A queimadura na minha perna parece que arde cada vez mais, como se ainda tivesse cinzas me queimando. 

- Acho que me enganei, não se importam com você, afinal já faz uma hora e vinte e dois minutos que mandei sua foto. - Ele dá de ombros. 

- Até agora nada. Talvez eu devesse deixar meus homens brincar um pouco com você, e depois mandar cada pedacinho seu para o seu pai. O que acha querida? 

- Vai se ferrar! - Cuspo em sua direção.

- Soltem-na! - Ordena, me fazendo franzir o cenho.

O que droga ele quer dizer com "soltem-na?". Dois homens se aproximam, abrem as correntes dos meus pulsos e depois dos meus tornozelos. Levanto da cadeira imediatamente, isso faz com que minha vista escureça, respiro fundo e pisco os olhos. 

Olho para os lados. Sei que não tem para onde correr, mas não custa nada tentar, não é? Então eu faço o que uma pessoa adulta faria, mostro meu dedo do meio e corro em direção o que eu presumo ser a saída. Menos de cinco passos depois, alguém me segura pela cintura. Chacoalho o corpo tentando me soltar. 

- Me larga!

- Fique quieta ou eu atiro. - Só quando sinto o cano gelado em minha cabeça, me acalmo e deixo meu corpo mole, me dando por vencida. 

- Vamos lá querida, meus homens estão felizes por que vão brincar um pouco com você. - Sussurra em meu ouvido. Sinto vontade de vomitar. 

- Desgraçado, espero uma morte lenta e dolorosa para você Agora me solte! - Rosno entredentes. 

- Talvez eu devesse brincar com você, por que esse seu jeito ordinário está me deixando louco de tesão. - Sussurra, mordendo minha orelha em seguida. A vontade de vomitar apenas aumenta.

Esses desgraçados não vão tocar em mim, não me importo de morrer tentando, mas vou me livrar deles. 

Levanto um pouco meu braço e acerto uma cotovelada na barriga do desgraçado, aproveito um segundo que ele afrouxou seu aperto e me solto tentando correr novamente. 

Sinto meu braço esquentar, olho e vejo sangue escorrendo, não acredito que ele acabou de atirar em mim. Alguém puxa meus cabelos me jogando no chão, levo a mão até o braço sangrando e tento pressionar o ferimento, sei que foi de raspão, mas isso não impede de uma quantidade considerável de sangue jorrar. 

- Você atirou em mim, filho da puta! - Esbravejo lutando para me levantar do chão, o desgraçado continua segurando meus cabelos com força. 

Antes que ele consiga dizer ou fazer algo, um barulho alto é ouvido, presumo ser uma bomba. E então tudo vira uma guerra, vários tiros são ouvidos, gritos e mais gritos. 

Procuro me acalmar e não entrar em pânico. Fico repassando na minha mente todo o treinamento do meu pai, sei que estou bem no meio do fogo cruzado, mas entrar em pânico apenas iria piorar as coisas.

Suárez solta meus cabelos e caminha em direção a alguns dos seus homens, dando ordens sem parar, vários deles abrem as caixas que estavam esquecidas ao meu redor, tirando delas armas de grande porte. Sei que a Cosa Nostra está preparada para enfrentá-los, mas isso não quer dizer que não terá baixa do nosso lado. 

O que me faz choramingar por imaginar alguma coisa acontecendo com o meu pai ou com Sérgio. 

Sérgio, será que ele veio?

Levanto e tento correr para trás de algumas caixas.

- Você fica aqui vadia. - Suárez me segura pelo braço machucado, me fazendo urrar com a dor cortante que me atinge. 

Fecho os olhos e peço aos céus que alguém tenha vindo me tirar daqui. 

O s tiros estão cada vez mais altos, rajadas e mais rajadas são ouvidas, a adrenalina no meu corpo só aumenta. 

Sei como esses ataques funcionam, é como uma guerra, mas a maioria deles estão todos vestidos perfeitamente alinhados em seus ternos caros. O que os fazem ainda piores, afinal soldados normais em uma guerra civil estão sempre usando proteção, e repensam duas vezes antes de atacar o seu inimigo. Aqui as coisas são diferentes, aquilo de "matar ou morrer" não existe no meu mundo, aqui é matar ou matar, os soldados aprendem isso desde muito cedo, os capos são instruídos a darem esse tipo de ordem aos seus homens. 

Claro que tem muitos desses homens que morrem, mas eles morrem como homens de honra, homens que morreram defendendo a famiglia.

Pessoas de fora do ciclo jamais entenderam esse nosso jeito de viver, mas é assim que somos, fomos criados assim, e nada nem ninguém pode mudar isso. 

Sinto meu braço queimar, o que me faz voltar à realidade. Olho para Suárez que ainda está me segurando pelo braço machucado, e percebo que ele está tremendo um pouco, mordo meu lábio inferior para não rir daquela cena patética. Os russos tentam há anos acabar com a Cosa Nostra, mas isso é impossível, somos a maior máfia do mundo, e pelo que posso perceber,  Suárez sabe muito bem disso, apenas não consegue aceitar.

- Está com frio? - Não consigo segurar minha língua.

- Não me provoque vadia. - Aperta ainda mais o meu braço, gemo de dor. 

- Pelo jeito estamos apenas nós aqui, seus homens foram todos lá fora. Será que ainda estão vivos? Tadinhos! - Digo mordaz. - Estava até começando a gostar deles. - Tenho certeza que o meu sarcasmo pode ser sentido a quilômetros de distância. 

- Sua vadia, por que você não cala a porra da boca, quer levar outro tiro? Talvez dessa vez eu mire na sua cabeça!

Um barulho estrondoso é ouvido do lado de fora do galpão, meu corpo estremece, sinto meu coração acelerar, todos os meus pelos se arrepiam. Não posso morrer hoje, não vou morrer hoje! 

- Precisamos sair daqui, vamos! - Rosna Suárez, puxando meu braço, me forçando a segui-lo. 

Não posso sair daqui com ele, estaria assinando minha sentença de morte. Estou cansada dessa merda, ou eu reajo agora, ou não terei outra oportunidade. 

Viro meu corpo totalmente em direção do corpo dele, ficamos cara a cara, o que o faz apertar ainda mais o meu braço ferido, me fazendo respirar  fundo e empurrar a dor cortante para longe. 

- Suárez, por favor, me solte! - Finjo uma voz manhosa, apenas para distraí-lo, afinal meu pai costuma dizer que o que torna seu inimigo fraco, é a distração. 

Sinto seus dedos diminuírem a pressão no meu braço. É agora ou nunca! 

- Não vou soltar vo... - Não espero que ele termine a frase, forço minha cabeça para trás, pegando alguma distância, para logo depois acertar o seu nariz com uma cabeçada. 

Ele solta meu braço bruscamente e leva a mão em direção ao seu nariz ensanguentado. Não espero uma reação, impulsiono minha perna direita para cima, chutando a mão dele que segura à arma. Só quando vejo a mesma cair no chão e se afastar alguns metros de onde estamos, parto para cima dele.

Acerto o primeiro soco em seu olho esquerdo, quando tento acertar o segundo golpe, Serguei segura meu pulso e me empurra para longe.

- Sua vagabunda, vou matar você! - Ele tenta caminhar em direção à arma caída no chão, mas sou mais rápida quando corro na direção dele, subindo em suas costas e aplicando um mata leão. Estou fraca por conta do tiro em meu braço, mas tenho que tentar e resistir.

Suárez joga seu corpo para trás, fazendo com que minhas costas se choquem contra a parede mais próxima. 

- Desgraçado! - Esbravejo ainda com meus braços apertando o pescoço dele. Mais uma vez ele joga o corpo para trás, e quando sinto minhas costas se chocarem contra a parede pela segunda vez, não resisto e o solto do meu aperto. 

Minha respiração está descontrolada, e antes que eu consiga fazer algo, ele acerta um soco embaixo do meu peito, grito de dor e caio no chão. 

Posso ter certeza que ouvir algo quebrando dentro de mim.

- Levante! - Ordena me acertando um chute no mesmo local do soco, sinto algo saindo da minha boca e percebo estar tossindo sangue.

Tento impulsionar meu corpo para cima, mas falho, caindo novamente no chão. A dor cortante embaixo do meu peito parece não ter fim, como se estivesse algo me furando por dentro, tenho quase certeza que quebrei uma costela. 

- Eu mandei você levantar! - Olho para cima e o vejo apontando a arma em minha direção. Meu pai estava certo, a distração nos torna fracos, estava tão distraída com a dor em meu corpo, que não percebi Suárez indo pegar a arma. 

Sinto dedos em volta dos meus cabelos, me puxando para cima. Grito desesperada, a dor abaixo do meu peito parece estar cada vez mais forte. Lágrimas e mais lágrimas saem dos meus olhos. 

- Me solte seu desgraçado. - Tento gritar, mas minha voz sai como um sussurro. 

- Você quebrou o meu nariz, vou acabar com você e toda essa merda que vocês chamam de fami... - A porta da frente se abre bruscamente. 

Vejo papà, Andrés, Sergio e mais três soldados correndo em nossa direção, todos com armas em punho, não sei se respiro aliviada ou se fico com mais medo do que pode acontecer daqui para frente. 

Suárez solta meus cabelos rapidamente, puxando meu braço, fazendo meu corpo ficar na frente do seu, como um escudo humano. 

- Achei que não viriam nunca. - Murmura apontando a arma para minha cabeça. 

- Solte minha filha seu desgraçado. - Esbraveja papà dando um passo para tentar nos alcançar, mas Andrés o para. 

- Solte-a e lhe darei uma morte rápida. - A voz de Sérgio preenche meus ouvidos. Ele parece está controlado, mas vejo algo diferente em seus olhos. Medo? Dor? Não sei.

- Não teste minha inteligência Marquina, conheço muito bem os seus métodos de tortura. - Retruca Suárez, me apertando ainda mais contra seu corpo. 

Fecho os olhos e respiro fundo, tentando a todo custo afastar a dor em minha costela. 

- Podemos fazer um acordo. - Finalmente Andrés fala, ele parece o mais calmo de todos. 

- Com toda certeza faremos um acordo! Sairei daqui e Raquel irá comigo! 

- Ela não sairá daqui com você! - Grita Sérgio.

Quando ele começa a andar em nossa direção, Suárez pressiona ainda mais a arma contra minha cabeça, Sérgio para no mesmo instante.

- Solte-a, ficarei no lugar dela. - Diz decidido.

Pisco várias vezes tentando assimilar aquelas palavras. Ele quer ficar no meu lugar? Depois de tudo que ele fez? Depois de me mandar embora como um cachorro velho e abandonado? Qual a droga do problema dele?

Eu achei que ficaria feliz em ver que Sérgio veio me resgatar, mas agora o vendo aqui fingindo que se importa comigo, estou com ódio, ódio por ele ter escolhido a Ágata, por culpa dele eu estou aqui.

- As coisas não funcionam assim meu caro Marquina, você sabe por quanto tempo eu esperei por esse encontro? 

- Seu pai sabe que você arquitetou esse confronto ridículo? - Rosna Sérgio.

- Meu pai não precisa saber de nada, eu serei o chefe muito em breve, não vejo a hora daquele velho morrer para que eu assuma o lugar dele.

O quê? Então Suárez mentiu quando disse que era o chefe? Isso explica muita coisa, como, por exemplo, ele não ter se preparado melhor para isso, ou por ele estar tremendo. Ele não comanda a Bratva, e pelo que posso perceber, não está preparado para comandar. 

- Chega! Estou cansado dessa merda, solte-a ou queimarei você vivo! - A expressão séria no rosto de Sérgio me indica que ele não está para brincadeira. 

- Sabe Marquina, essa delicinha aqui me deu dor de cabeça desde que chegou. Consegue acreditar que ela quebrou a porra do meu nariz? Depois de todo o esforço para mantê-la quieta, acha mesmo que irei libertá-la tão facilmente? 

Olho para papà, ele parece estar tentando se controlar. Sorrio para que ele fique calmo. 

- Seu filho da puta, já matei todos os seus merdas de homens lá fora, você não sairá dessa, meus homens estão por toda parte, se você encostou um dedo nela, vou fazer você comer os seus próprios órgãos. - Esbraveja Sérgio, apontando ainda mais sua arma em nossa direção.

- Cala a boca Sérgio, sua voz está começando a me irritar. - Suárez tira a arma da minha cabeça e aponta para Sérgio, enquanto afrouxa o seu aperto. 

Ora... ora, outro momento de distração, agora tenho certeza que ele não está preparado para comandar absolutamente nada! Ele se distrai muito  facilmente, isso o torna fraco. 

Essa talvez seja minha chance de sair de perto dele para que consigam matar logo esse desgraçado. 

Olho para papà mais uma vez, dessa vez como se estivesse pedindo permissão, ele parece entender muito bem o que eu quero fazer, quando o vejo acenar levemente com a cabeça, e segurar firme sua arma, entendo que ele confia em mim e tomo isso como um sinal de que estou liberada a fazer o que pretendo fazer. 

Fito a arma na mão de Suárez, que agora está apontada para Sérgio. Seu pulso está próximo ao meu rosto, levanto devagar minhas duas mãos, para que ele não perceba meus movimentos, olho mais uma vez para papà, apenas para ter certeza que eu posso mesmo fazer aquilo. 

Vejo o pomo de adão do meu pai subir e descer antes dele assentir levemente, no momento seguinte estou agarrando forte o pulso do Suárez, fazendo ele arregalar os olhos em surpresa, tento desarmá-lo, mas ele é forte e resiste bem. Trago seu pulso para mais próximo de mim. Sei que posso levar um tiro a qualquer momento, mas não paro, a arma acaba ficando entre mim e ele, tento mais uma vez tirar a arma da sua mão, o que o faz puxar o gatilho, me impulsionando para trás, caímos os dois no chão logo depois de um tiro alto ser ouvido. 

- Raquel! - Ouço a voz de Sérgio gritando por mim, mas a dor em minha costela parece voltar mais forte dessa vez, talvez por conta da queda. Minha respiração está acelerada. 

- Por favor, por favor! - Vejo Sérgio se jogar ao meu lado, segurando meu rosto com as duas mãos, a dor em seus olhos faz meu coração parar uma batida para logo depois voltar freneticamente. 

Papà também se ajoelha ao meu lado, vejo seus olhos cheios de lágrimas. 

- Principessa, você está bem? - Pergunta em um sussurro.

A dor abaixo do meu peito só aumenta, agora não tenho dúvidas que quebrei uma costela, ou talvez duas. Me sinto fraca. Tento respirar fundo. 

- Por favor, não me deixe, e-eu...eu te...

- O tiro pegou nele. - A voz do Andrés impede Sérgio de terminar o que ele começou a falar. 

O que o Sérgio ia dizer? Será que ele...

Respiro fundo mais uma vez, acho que a costela está perfurando o meu pulmão, sinto meus olhos pesarem, como se meu corpo estivesse pedindo um pouco de descanso, fecho os olhos e me perco na escuridão.

[...]

Sinto-me estranha, como se tivesse toneladas em cima do meu corpo, muito mais pesada que o normal. Tento abrir os olhos, duas tentativas e nada,  respiro fundo e tento pela terceira vez, mas me arrependo na mesma hora que uma claridade forte me atinge. Pisco algumas vezes para me acostumar com a luz, encaro o teto e percebo estar em um lugar conhecido, meu quarto. 

- Ela acordou! - Franzo o cenho, minha cabeça parece que vai explodir. Conheço muita bem a voz dessa louca que acabou de gritar, numa tentativa de danificar meus tímpanos, Alícia.

- Querida? - Ouço a voz doce da minha mãe próximo a mim.

Forço minha cabeça em direção àquela voz. Mamma, Alícia e Sole me encaram, vejo algo como preocupação e cansaço no rosto delas. 

- Mamma... - Tento responder, mas minha voz sai estranha, nem ao menos reconheço esse som que acabou de sair da minha boca.

- Oh meu amor, fiquei tão preocupada. - Mamma afaga meus cabelos com os seus dedos macios. 

- Você quase nos matou do coração, sua louca! - Balbucia Alicia, apontando seu dedo indicador em minha direção. 

- Não fale assim com ela, menina. - Finalmente Sole fala algo.

Sorrio com a cena das três próximas a minha cama, brigando para ver quem tem minha atenção. Eu as amo, amo muito. 

- Eu estou bem. - Tento confortá-las, dessa vez minha voz sai como um sussurro, melhor do que antes. 

- Vou fazer uma sopa para você comer. - Diz mamma, fazendo menção de sair. 

- Eu te ajudo, precisamos deixá-la forte. - Replica Sole acompanhando mamma até que as duas estejam fora do quarto.

Reviro os olhos, por que todos sempre têm a mesma ideia de fazer sopa para doentes? Aquilo não é bom, só vai me fazer ficar ainda pior.

- Fiquei realmente preocupada com você. - Alícia diz, sentando-se na ponta da cama. 

- Eu estou ótima. - Tento sentar, mas algo arde em minha mão, e só então percebo estar com uma agulha enfiada no dorso da mão, conectada a um cano fino e longo. Olho para cima e... merda, isso é um soro?

- Que porra é essa? - Digo quando tento puxar minha mão para longe daquilo. Eu odeio agulhas, odeio ter que tomar soro direto na veia e odeio médicos. 

- Isso é um soro, não reconhece quando vê um? - Pergunta irônica.

- Vai à merda Alícia. Tira isso de mim agora. Eu já disse que estou bem! - Esbravejo. 

- Você não está nada bem! Foi sequestrada, levou um tiro no braço e fraturou uma costela, fora os hematomas em seu rosto. 

Coloco a mão em meu peito e sinto algo como uma faixa em volta dele, eu sabia que tinha quebrado algo dentro de mim.

Respiro fundo e digo:

- Será que pode pedir para alguém tirar isso da minha mão?

- Dr. Harold disse que você deveria tomar o soro até o fim, ele veio te examinar. Sérgio e seu pai não queriam que te levassem ao hospital, então o Dr. Harold e duas enfermeiras cuidaram de você, fizeram alguns exames e aplicaram medicamentos enquanto você estava desacordada. Ele nos assegurou que você ficaria bem, houve apenas uma pequena fratura em uma das suas costelas do lado direito. Também disse que o tiro em seu braço foi apenas de raspão, cicatrizará em breve, você só precisa ficar em repouso absoluto e daqui a alguns dias estará pronta para outra. - Alícia faz uma pequena pausa e sorriu, retribuo o seu sorriso antes dela prosseguir. - Precisará fazer mais alguns exames em breve, apenas para confirmar que sua costela está se curando adequadamente. 

Suspiro aliviada, afinal estou feliz em saber que foi apenas uma fratura simples em minha costela, naquele galpão a dor fora tanta que pensei em ter fraturado mais de uma. 

Isso me faz lembrar tudo que aconteceu, aquela cadeira gelada com várias correntes, homens apontando suas armas em minha direção, o tiro em meu braço, Serguei me chutando enquanto estava caída no chão. Aquele desgraçado, covarde de merda... O tiro! O tiro acertou-o. O que será que aconteceu? Espero que aquele cretino esteja no inferno neste exato momento.

- Suárez morreu?

- Sim, Sérgio terminou o que você começou. - Murmura em resposta. Franzo o cenho. - Andrés me contou que na hora que você perdeu os sentidos, Sérgio caminhou em direção ao homem caído e descarregou a arma nele, o transformando em uma peneira insignificante de merda. Palavras do Andrés. - Dá de ombros. 

- Oh... - Não consigo achar palavras para comentar sobre aquilo.

Sérgio descarregou toda sua arma em Serguei que já estava caído no chão. Aquele desgraçado me sequestrou e queria me dar para aqueles homens nojentos. Eu que deveria tê-lo matado, usando todos os métodos de tortura que meu pai me ensinou. 

- Vou te deixar descansar, afinal eu também preciso dormir, ainda não preguei o olho desde que soube toda a merda que estava acontecendo. 

Assinto. Ainda estou tentando assimilar o fato de que Sérgio descarregou sua arma em Suárez. Isso significa que ele se importa comigo ou será que foi questão de honra? 

Quem eu estou querendo enganar? Ele me mandou embora apenas por ter esfaqueado a perna da Ágata vadiazete, ele nunca se importou comigo, mas eu continuei empurrando tudo isso com a barriga. Deveria ter me afastado desde o dia que eu disse que o amava e ele simplesmente virou as costas e me deixou falando sozinha. Ele me deixa fraca, sinto-me vulnerável perto dele, uma merda de menina boba apaixonada. Que droga de homem para me tirar dos eixos. 

- Qualquer coisa é só me chamar. Estou no quarto de hóspedes aqui ao lado. - A voz da Alícia me tira dos meus devaneios.

Ela levanta e segue em direção à porta.

- Alícia. - Chamo.

- Sim? - Ela me olha e franze o cenho.

- Queria apenas agradecer por estar sempre ao meu lado, desde que tudo isso começou você sempre esteve lá quando eu precisei, até mesmo desafiou seu irmão quando me ajudou a sair daquele porão imundo. Não sei se eu já te disse isso, mas quero que saiba que entre todas dessa máfia maldita, eu escolheria você para ser minha amiga, minha irmã. Obrigada por tudo. - Quando termino de falar, percebo os olhos dela marejados. Ela caminha em minha direção e me aperta em um abraço, resmungo de dor, mas a abraço de volta. 

- Eu amo você Quel. - Sussurra em meu ouvido.

- Ok, agora sai daqui, isso já está ficando estranho demais. 

Empurro-a um pouco, mas não tiro o sorriso do rosto.

- Estava me falando palavras bonitas demais para ser verdade, idiota. - Esbraveja e segue em direção a porta.

Solto uma gargalhada alta e grito o suficiente para que ela escute:

- Eu também amo você, chorona!

[...]

Não aguento mais esse soro.

Faz uma hora desde que Alícia saiu do meu quarto, e estou agradecendo aos céus por mamma ainda não ter vindo me obrigar a comer a maldita sopa que ela e Sole estão fazendo. 

Encaro a agulha em minha mão e respiro fundo antes de puxá-la, uma dor fina me atinge, pequenas gotas de sangue escorrem pela minha mão. 

Resmungo e me esforço para levantar, preciso ir até o banheiro limpar esse sangue. 

Assim que ponho meus pés no chão, ouço a porta ser aberta. Por favor, não seja a sopa, por favor... 

Sérgio

Meu coração acelera na mesma hora que o vejo passar pela porta.

Como eu posso ser tão fraca? Nunca consigo me controlar, que saco.

- O que droga está fazendo fora da cama?

- Não ouse alterar a voz comigo. - Digo no mesmo tom. Ele não pode entrar aqui gritando comigo. 

Sérgio fecha os olhos, respira fundo e diz:

- Me dê um bom motivo para você está fora da cama.

- Estou indo ao banheiro e não estou inválida, posso muito bem sair da maledetta cama. - O encaro séria. 

- Harold disse para você ficar em repouso. Por que é sempre tão teimosa?

- Saia do meu quarto Sérgio. Aliás, o que você está fazendo aqui mesmo? - Ele não tem o direito de fazer o que fez e depois aparecer aqui, não me importo se ele é o capo, quem manda nesse quarto sou eu, e não o quero aqui. 

- Vim ver como você está. - Sua voz sai baixa.

Tenho vontade rir. Como ele ousa?

- Qual o seu problema? Você me mandou embora, fui sequestrada por culpa sua! 

- Eu sei, droga! Você não imagina como eu fiquei quando recebi a notícia que tinham matado meus soldados e, o pior, levado você. Pensei que iria ficar louco, eu só pensava em te trazer de volta. 

- Pensa-se nisso antes. - Um nó se forma em minha garganta, mas não vou chorar, chega de chorar por quem não merece. 

- Eu estava de cabeça quente, você tinha esfaqueado a Ágata. Como o capo eu deveria te punir por ter ferido um membro da famiglia, mas como eu poderia punir você? - A última parte sai como um sussurro. 

- Você escolheu a Ágata, depois de tudo. Eu tinha dito que te amava, me entreguei a você e mesmo assim você a escolheu! 

- Eu não escolhi a Ágata, eu a mandei embora antes de falar com você naquela noite, o pai dela veio buscá-la. 

- O quê?

- Eu nunca quis me casar, nunca concordei com essa maldita regra de ter que escolher duas mulheres da famiglia para conviver comigo. Eu só pensava em foder todas pela frente, até... - Ele respira fundo e coloca as mãos no bolso. 

- Até? - Minha curiosidade fala mais alto.

- Até conhecer você. - Responde.

Sinto que meu coração pode sair pela boca a qualquer momento. O que ele está falando? Não posso cair no papo dele novamente, ele não se importa comigo, não me ama. 

- Eu mandei a Ágata embora por que eu já tinha feito minha escolha há muito tempo, não poderia deixá-la naquela casa, não com você lá. Vocês poderiam se matar a qualquer momento, ela tinha que ir embora, não era ela quem eu queria, ela nunca foi suficiente, nenhuma dessas mimadas da famiglia são. Mas eu também não poderia te deixar lá, pelas malditas regras, eu deveria te punir por ter ferido um membro sem a minha permissão. No entanto, não conseguiria puni-la, sou incapaz de machucar você, fisicamente pelo menos. E, porra, eu não consigo mais resistir ao que sinto, eu juro que tentei, mas essa droga é mais forte que eu. - Ele anda um passo em minha direção, seu rosto está tão perto do meu, eu poderia me esforçar um pouco para cima e já conseguiria beijá-lo. Mas preciso resistir, não posso me deixar levar apenas por pequenas palavras. 

- Acho melhor você ir embora. - Suspiro, tentando me convencer das minhas próprias palavras. Afinal não sei se quero que ele vá.

Esse negócio de amor é uma merda. Como posso ficar tão dependente dele? Do seu cheiro, toque, beijo... Tudo fica perfeito quando ele está por perto, até mesmo nossas brigas. 

- Raquel, por favor. - Ele tira as mãos dos bolsos e segura meu rosto. 

Resista, resista, seja forte Raquel...

- Eu disse que não tinha mais volta. Você escolheu me mandar embora. - Disse firme. 

- Isso era o que eu tinha que fazer, mas não era o que eu realmente queria naquele momento. - Sussurra e encosta sua testa na minha. Não resisto e fecho os olhos para aproveitar aquele momento, talvez seja o último. 

- Por favor, me deixe. - Imploro, mas sei que não é realmente isso que eu quero. 

- Não posso te deixar. - Retruca, consigo sentir seu hálito tão perto.

- E por que não? - Pergunto em voz baixa.

- Por que eu precisei ver você nas mãos daquele filho da puta, com uma arma apontada para a sua cabeça, para perceber que... - Ele suspira e engole em seco. 

- Que? - Minha pulsação está descontrolada, eu não sei o que ele vai dizer, e tenho medo de que não seja o que eu quero que ele diga. 

- Que eu não posso te perder. Eu te amo, e ficar longe de você seria como morrer a cada segundo. Eu preciso tanto de você Raquel. 

[...]

DOIS DIAS ANTES...

- O que você pretende fazer? - Pergunta Andrés sentado em frente a mesa do meu escritório. 

Passo a mão pelos cabelos enquanto tomo todo o líquido que estava em meu copo. Porra, o que eu devo fazer? Eu não sei. 

Tudo que envolve aquela mulher me deixa louco, eu nunca sei o que malditamente fazer. 

- Eu não sei. - Retruco, respirando fundo e jogando todo meu peso na cadeira atrás da minha mesa. 

- Você sabe que pelas regras...

- Eu conheço as fodidas regras, Andrés, você não está me ajudando . - Esbravejo. Levanto e começo a andar por meu escritório.

Ainda estou fodidamente irritado com ele pela merda toda com a minha irmã, mas não tenho ninguém além dele para desabafar. 

Mais uma vez lembro de Raquel.

Eu não posso... Não posso fazer algo contra ela, mesmo sabendo que deveria, eu simplesmente não posso... Ou não consigo.

Suspiro.

Raquel não tinha a merda do direito de esfaquear a Ágata. Pelas malditas regras da famiglia, nenhum membro pode ferir ou matar um membro da mesma famiglia sem a permissão do capo, que no caso, sou eu.

A quebra dessa regra é punida com tortura ou outros meios escolhidos pelo capo. Porra, como vou torturá-la ou fazer qualquer merda contra ela? Só de pensar nisto, sinto como se estivesse me punindo, o pensamento de vê-la sofrendo me causa uma sensação estranha, como se estivessem querendo arrancar um pedaço meu. 

Não sei quando ou como isso tudo começou, esses sentimentos loucos e incontroláveis que me atingem. Nem mesmo esse maldito mês longe dela fez com que isso diminuísse, parece só aumentar a cada dia. Maledetta, eu quero tanto fodê-la e depois fazer amor com ela, quero ouvir todos aqueles gemidos que saem daquela boquinha perfeita todas as vezes que estou dentro dela. Nem mesmo as várias mulheres que eu fodi durante esse último mês me fizeram esquecer o corpo e o cheiro de Raquel. Não posso me deixar levar por esses sentimentos, não posso amá-la... 

Sirvo-me de mais um copo do meu uísque favorito.

- Vou mandar as duas embora. - Digo por fim.

- O quê? Você sabe que não pode fazer isso, você precisa de uma esposa! 

- Posso argumentar que Ágata está correndo riscos e dizer que não a quero mais aqui. 

- E sobre Raquel? Você não pode simplesmente mandá-la embora depois do que ela fez. - Murmura. 

- Eu tenho que escolher entre machucá-la ou tê-la longe de mim. - Suspiro com o pensamento de não tê-la mais por perto. - Então a prefiro longe. - Concluo. 

- Eu sabia. - Andrés diz com um sorrisinho de merda no rosto.

- O quê? - Franzo o cenho, sem entender sua reação.

- Você está apaixonado por ela, porra. Quem diria que você iria se apaixonar logo pela garota que atirou em você a sangue frio, seria até engraçado se não fosse tão irônico. 

- Vai se foder! Eu não estou apaixonado por ninguém. Saia daqui antes que eu arranque a sua língua. - Aponto meu dedo indicador em sua direção. 

Eu não estou apaixonado. Apenas sinto algo diferente quando estou perto dela. Talvez seja a forma que ela me desafia, aquilo me excita muito.

[...]

Não acredito que realmente a mandei embora. Só faz duas horas e já sinto tanto por não tê-la aqui. Sei que nesse último mês não nos falamos, mas era reconfortante saber que ela estava debaixo do mesmo teto que o meu, mesmo que estivéssemos afastados. 

De repente vejo meu mundo e minhas estruturas desmoronando.

Sempre fui conhecido por ser frio e impiedoso, mas quando recebi a ligação de que Raquel havia sido levada, seguido de uma foto dela acorrentada em uma cadeira, eu não sei o que houve. 

Eu poderia sentir meus músculos parando de funcionar, meu coração batendo como nunca havia batido antes, a sensação de perda e a dor estava me corroendo por dentro. Se algo acontecer com ela, jamais me perdoarei, jamais serei o mesmo homem. Merda! É tudo culpa minha, eu a mandei embora. Sinto como se a tivesse entregado para eles tão facilmente. 

Vê-la nas mãos daquele filho da puta, foi a pior coisa que eu já senti.

Talvez tenha sido naquele momento que eu percebi que a amava, e não poderia perdê-la. Me oferecer para ficar no lugar dela pareceu a coisa certa a se fazer naquele momento, eu sabia que poderia dar minha vida por ela e valeria a pena. 

Mas não seria Raquel se ela não tivesse tentado escapar sozinha.

Ela poderia ter morrido, é tão teimosa que não percebe isso. Dor, tanta dor... Foi o que eu senti quando a vi caindo naquele chão frio, logo após ouvir um tiro. Minha Raquel, minha Quel, ela não poderia me deixar. 

Eu não me importei de parecer um completo idiota para meus homens por estar jogado ao lado dela, implorando para que ela não me deixe. E quando vi o brilho em seus olhos se apagarem e suas pálpebras se fecharem, não me controlei, apenas queria acabar com aquele miserável que causou isso nela. 

Conseguia ouvir o som dos meus passos em direção a ele, estava completamente no automático, então apontei minha arma em direção à cabeça do maldito e descarreguei sem pensar duas vezes, eu queria que ele tivesse sofrido mais, queria que ele sentisse a mesma dor que eu estava sentindo por ver minha mulher daquele jeito. Sim... Minha. Apenas minha! E a partir daquele segundo eu sabia que nada nem ninguém poderia tirá-la de perto de mim. 

[...]

DIA ATUAL

“Que eu não posso te perder. Eu te amo, e ficar longe de você seria como morrer a cada segundo. Eu preciso tanto de você Raquel”. 

Aqui estou eu, o homem que comanda a maior estrutura criminosa do mundo, confessando meus sentimentos por uma pequena mulher teimosa que me provoca de todos os jeitos possíveis. 

- Por favor, diga algo. - Peço. 

- Você me ama? - Sua rouca faz todo meu corpo se arrepiar.

- Como nunca imaginei amar alguém. - Murmuro e afasto minha testa, que estava encostada na dela, apenas para ter o prazer de olhar no fundo daqueles lindos olhos. 

- Qual o seu problema? Você não me ama. - Vocifera. - Quando eu disse que te amava, você apenas me virou as costas e fingiu que aquilo não havia acontecido, depois ficou um mês sem falar comigo, e você era o errado da história... Você estava praticamente beijando a Ágata em seu escritório! E por último, mas não menos importante, você me mandou embora e fui sequestrada por conta disso. - Joga todas as verdades em minha cara. 

Eu sou um completo idiota por ter feito todas essas coisas com ela, mas Raquel está errada em dizer que não a amo, eu venho a amando há muito tempo, talvez desde o nosso primeiro beijo, mas era orgulhoso demais para assumir isso em voz alta. 

- Foi o pior mês da minha vida. - Murmuro, é a única coisa que consigo dizer. 

- E como você acha que eu me senti durante esse tempo? - Replica.

A última vez que senti algum tipo de medo antes de conhecer a Raquel, tinha aproximadamente sete anos de idade, apanhei como um animal qualquer, apenas por ter medo do escuro. Meu pai dizia que homens de verdade não tem a merda do direito de sentir medo.

Mas nesses últimos tempos algo mudou, o medo vem me consumindo constantemente quando Raquel está envolvida. Tive medo de perdê-la, tive medo de nunca mais poder tocá-la novamente. Eu sou tão egoísta que me pego com medo de que em algum momento dessa conversa ela diga que me odeia por todas as coisas que eu causei, tenho medo de que ela diga que não me quer nunca mais. 

O que devo fazer em relação a isso? Demorei tanto para perceber que a amava e não conseguia viver longe, e agora simplesmente não sei o que fazer se ela disser que não me ama mais. 

Eu não vou deixar ela me abandonar...

- Eu sei como você se sentiu, talvez eu tenha me sentido pior. Você não imagina quantas vezes eu abri a porta do seu quarto e fiquei te olhando dormir, pensando no quanto eu queria estar deitado com você, dormindo abraçado. 

Confesso. 

Eu realmente fiz isso, e agora dizendo em voz alta, parece algo tão idiota. Ela deve me achar um completo sem noção.

- Sérgio, por que você está me dizendo todas essas coisas?

- Por que estou com medo Raquel. - Revelo.

- Medo? - Franze o cenho.

- Sim, medo. Estou com medo de te perder, estou com tanto medo de acordar amanhã e não te ter ao meu lado. Por favor, acredita em mim quando digo que eu amo você. Venho te amando há tanto tempo. Seja minha, para sempre. - Coloco minhas duas mãos naquele pequeno rosto, olhando no fundo daqueles lindos olhos que eu tanto amo. Eu preciso que ela acredite em mim, preciso tanto... 

- Eu esperei tanto para ouvir isso Sérgio. - Sua voz sai como um sussurro. 

- Me desculpa por demorar tanto, mas agora não pretendo mais ficar longe de você. Por favor, seja minha. 

- Sua?

- Sim, minha. Casa comigo? - Pedi sorridente.

Quando dei por mim, já estava com um joelho no chão, olhando-a suplicante. Merda, eu nem mesmo havia comprado um anel. 

Será que dar meu coração para ela seria suficiente? Talvez eu possa comprar um anel amanhã. 

- O que você está fazendo? - Vejo uma lágrima escorrer pelo seu rosto. Estico minha mão em sua direção, tirando a lágrima do seu lindo rosto.

- Por favor, casa comigo, seja a mãe dos meus filhos? Ninguém nessa máfia serve para mim, apenas você. Vem sendo você há um bom tempo.  

- Sérgio, eu não... 

- Por favor, diga sim. Eu não sei o que fazer se você disser que... 

- Sim! - Olho para cima, não acredito que realmente ouvir aquilo.

- Sim? Você disse sim? - Arregalo os olhos.

- Eu disse sim, agora levanta daí, nunca imaginei que poderia ver o tão poderoso Sr. Dono do mundo ajoelhado aos meus pés. - Abre um lindo sorriso. Sou tão sortudo, ela é perfeita.

Levanto-me rápido e a seguro pela cintura, puxando-a em minha direção, pressionando nossos lábios. Senti tanta falta disso.

- O que meu pai vai dizer sobre isso? - Pergunta assim que nossas bocas se separam, me fazendo sentir falta daquele contato imediatamente.

- Não sei, darei um jeito, por você eu faço qualquer coisa baby. - Cochicho e pressiono nossos lábios juntos novamente, tomando cuidado para não machucar sua costela fraturada.

- Eu te amo Sérgio. - Sorrio ao ouvir aquilo.

Ah, se alguém me dissesse que eu estaria aqui pedindo à mulher que atirou em mim em casamento, eu com certeza iria rir e dizer o quanto isso soa patético. Mas agora percebo ser a coisa mais certa que já fiz na vida, somos perfeitos um para o outro, e agora é para sempre.

- Eu te amo tanto Raquel. Eu escolhi te amar, e escolheria você todas as vezes que fosse preciso! Para sempre minha.

[...]

Epílogo

DOIS ANOS DEPOIS

Planos e objetivos mudam, pessoas mudam constantemente. Sonhos de infância não são parecidos com os da adolescência, e muito menos com os da tão temida fase adulta. Novas expectativas surgem em nossas vidas, novas pessoas aparecem e, transformam aquilo que parecia algo tão importante, em uma coisa simples e insignificante. 

Minha vida mudou, meus planos não são e nunca mais serão os mesmos. Isso não quer dizer que ainda não tenho os mesmos sonhos de dois anos atrás, eles existem, mas estão guardados em algo que costumo chamar de baú dos sonhos. 

Antes eu só conseguia pensar em mim e em como eu queria que minha vida fosse daqui há alguns anos, hoje algo mudou, mudou para melhor. 

Eu sou feliz, e se alguém há dois anos me dissesse que eu iria ser feliz com a vida que tenho hoje, eu apenas mostraria meu dedo do meio e diria o quanto isso soa patético. 

Tudo começou dois dias depois do pedido de casamento, Dr. Harold foi até a casa dos meus pais me procurar, disse para mamma que gostaria de falar comigo a sós, estranhei, afinal jamais tive amizade com o velho homem.

Quando estávamos sozinhos em meu quarto, ele foi educado e perguntou como estava minha costela fraturada, confirmei que estava tudo bem, me sentia impaciente por aquele homem não falar logo o que droga ele poderia querer comigo. E a partir daquele momento minha vida mudou por completo. 

Sem mais delongas, Dr. Harold me explicou que havia feito alguns exames enquanto eu estava desacordada, disse que um deles tinha indicado algo inesperado, e antes que eu pudesse perguntar onde merda ele queria chegar, ele simplesmente disse que eu estava grávida. 

Explicou-me que eu poderia ter perdido o bebê naquele ataque da máfia russa, mas por um milagre isso não aconteceu. Dr. Harold falava sem parar, minha mente não conseguia focar em nada. Era como se meu mundo tivesse desmoronando lentamente diante dos meus olhos. Grávida? Como eu poderia estar grávida se eu não sabia o que era ser mãe, não havia nascido para cuidar de uma criança, aquilo não poderia estar acontecendo, não comigo. 

Papà ficou devastado quando soube. Afirmou que não esperava que eu fosse fazer tal coisa. Mamma chorava enquanto me abraçava, afagando meus cabelos, me assegurando que tudo ficaria bem. 

Então Sérgio chegou, e ao contrário do que eu pensei que seria sua reação, ele apenas me beijou na frente da minha família, disse que me amava, e que tudo daria certo. Eu o amei ainda mais naquele momento.

Como se isso fosse possível.

Apenas três meses depois, nos casamos. Eu já estava com cinco meses de gestação, e toda a famiglia já sabia sobre minha gravidez, mas ninguém tinha coragem de fazer comentários desagradáveis sobre o assunto. Talvez por medo de como Sérgio poderia reagir. Apenas no sexto mês veio a grande notícia, eram gêmeos. Desmaiei no momento que as palavras saíram da boca do médico, eu ainda estava me acostumando com a ideia de cuidar de uma criança, como cuidaria de duas? 

O tempo passou e aqui estou eu, mãe de duas criaturinhas perfeitas, Salvador e Paula Marquina, hoje com um ano e três meses, herdeiros de toda a Cosa Nostra. 

Salvador tinha os mesmos olhos do pai, mas seus cabelos eram loiros como os meus. Paula, com seus cabelos longos para sua idade, e com olhos castanhos claro, era o xodó da família com o seu jeitinho meigo.

Até hoje me pergunto de quem ela puxou esse jeito carinho e meigo, de mim com certeza não foi. Sorrio ao lembrar-me das duas pessoinhas mais importantes da minha vida, que neste momento devem estar dando dor de cabeça para a pobre Sole. 

Não me tornei uma soldado, mas conseguir convencer Sérgio a me devolver minha Glock e me deixar trabalhar em um dos clubes da famiglia. 

Hoje sou gerente financeira do clube Flamenn, o maior de toda a máfia.

Trabalho diretamente para o capo, o que me permite fazer uma visitinha na hora do expediente. Saio da minha sala, indo em direção ao escritório já conhecido. Lugar que costumo visitar todos os dias, às vezes mais de uma vez por dia. Mordo o lábio inferior com o pensamento do que virá a seguir. 

Entro sem bater, a visão de Sérgio concentrado em alguns papéis sobre sua mesa faz meu coração bater freneticamente. Não importa quanto tempo passe, ele sempre terá esse feito sobre mim. Segundos após minha entrada, Sérgio nota minha presença, me lançando um sorrisinho de lado. 

Droga de homem gostoso, meu homem gostoso.

- Ei, baby. - Murmura e levanta, vindo em minha direção, nunca desviando seus olhos dos meus. 

- Apenas vim verificar se o Sr. Capo precisa de alguma coisa. - Provoco assim que ele chega perto. 

- Não sei se preciso Sra. Marquina, pode me sugerir algo? - Sua voz rouca tem uma conexão direta com o meu pontinho inchado. 

- Talvez eu possa. - Passo a língua sobre meus lábios. Vejo Sérgio encarar meu movimento, soltando uma respiração pesada.

- Tenho certeza que você pode. - Ele pressiona seus lábios contra os meus, gemo quando sinto sua língua brincar com a minha. 

Entrelaço minhas pernas em sua cintura enquanto ele caminha comigo em direção a sua mesa, abro bem as pernas para que ele se encaixe entre elas.

Sinto seus dedos pressionarem meu clitóris por cima da calcinha.

- Sempre tão molhada amor, tão preparada. - Sussurra próximo ao meu ouvido. 

- Por favor, Sérgio... - imploro. 

- Eu amo quando você implora, baby. - Com isso ele puxa minha calcinha de lado, e abre seu zíper. No momento seguinte gemidos altos são ouvidos, seguidos de estocadas fortes e brutas.

- Mais rápido... - peço revirando os olhos.

- Goza para mim meu amor. - Sua voz rouca me faz gozar de uma forma avassaladora. - Raquel... - Ele geme baixinho antes de se derramar por completo dentro de mim.

Estamos deitados no sofá do seu escritório. Tenho tanta coisa para resolver em minha sala, mas pode esperar, não trocaria esse momento por nada. São momentos como este que me faz pensar no quanto minha vida se tornou perfeita. Tenho uma família linda, com filhos lindos, um marido maravilhoso, que apesar de ser um idiota ciumento às vezes, ainda sim é perfeito.

Eu achava que ser uma mulher nomeada dentro da máfia seria a melhor coisa que poderia me acontecer, mas nada jamais vai ser melhor do que ter as pessoas que eu amo ao meu redor. Pequenas coisas se tornam perfeitas quando estou com eles, como quando eu vi Sérgio fazendo Paula dormir pela primeira vez, ele tentava cantar uma canção de ninar, e aquilo me fez chorar durante a noite quase toda, ou quando Salvador me chamou de mamma pela primeira vez enquanto corria com os braços abertos em minha direção. Nada jamais será melhor e mais perfeito que isso.

Hoje tenho orgulho de dizer que sou a escolha do capo, sou sua mulher, a mãe dos seus filhos e ele é meu, apenas meu. Eu o amo a cada dia mais.

- No que você está pensando? - Sérgio pergunta enquanto afaga meus cabelos.

- Estou pensando no quanto nossa família é perfeita, o quanto nossos filhos são perfeitos.

- Você e eles foram as melhores coisas que já me aconteceu. - Sussurra.

Meu coração bate forte enquanto meus olhos ficam marejados. Droga, quando eu virei uma bobona chorona?

- Eu te amo Sérgio, e amo os frutos desse amor.

- Não sei o que seria da minha vida sem você. Eu era um homem ruim, que só pensava em coisas negativas, um homem frio, mas então uma resmungona resolveu atirar em mim e a minha vida mudou completamente. Acho que eu nunca agradeci tanto por levar um tiro, na verdade eu aceitaria levar quantos tiros fossem precisos para ter você e nossos filhos comigo. Eu te amo tanto Raquel. Eu te escolhi para ser minha e para me doar à você.

- Para sempre sua. - Digo levantando minha cabeça e pressionando um beijo suave em seus lábios. 

- Para sempre, sempre amor. - Nos encaramos por alguns segundos enquanto ele me lança mais um daqueles sorrisinhos de lado que eu tanto amo. 

Cretino gostoso que me deixa louca.



Notas Finais


até mais vê 💙


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