História The Misfits - Capítulo 1


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Categorias Stranger Things
Personagens Chefe Jim Hopper, Dr. Martin Brenner, Dustin Henderson, Eleven (Onze), Jonathan Byers, Joyce Byers, Karen Wheeler, Lucas Sinclair, Mike Wheeler, Nancy Wheeler, Steve Harrington, Will Byers
Tags Finnwolfhard, Mileven, Milliebobbybrown, Sadiesink, Strangerthings
Visualizações 188
Palavras 3.201
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, de novo!!! Essa história é totalmente diferente de todas as outras que escrevi e estou muito feliz em escrevê-la. Talvez seja um pouco pesada para alguns, por isso coloquei +18. Sou nova nesse gênero, apesar de amá-lo muuuuito, então pode ser que não dê certo, mas prometo me esforçar. 💜

Capítulo 1 - She


Fanfic / Fanfiction The Misfits - Capítulo 1 - She

“She is good and she is bad
No one understands”

 

 

Era 1987. Uma neblina fina rasgava o céu escuro. A noite já se esgueirava pela cidade há algumas horas. O outono e o halloween se aproximavam daquela pequena cidade interiorana de Indiana. Poucos habitantes, muitas florestas preservadas e quase nenhuma diversão, segundo as crianças. Tudo o que acontecia naquela cidade era facilmente espalhado, de boca em boca e a história só tendia a piorar. E é por isso que com sol ou com chuva, você tinha que estar em casa as sete em dia de semana. Era melhor que estivesse. Principalmente se você fosse uma menina. Ou a filha do xerife.

Ela andava despreocupadamente pela rua, mesmo sabendo que tinha ultrapassado o horário para chegar-se em casa. Afinal, podia inventar que ajudou uma velhinha ou um cego a atravessar a rua. Será que seu pai acreditaria nisso? “Quem se importa?” Se conformou, puxando a jaqueta jeans puída contra o corpo suado. Já eram nove horas da noite de quarta feira, no dia seguinte teria aula pela manhã cedo e nem ao menos havia feito a lição de casa que o professor Clarke havia passado.  “Algumas coisas são mais importantes que outras.” Afirmou. Mas pergunte a essa garota o que ela havia feito esse tempo todo? Nada.

Quando trocou de calçada, parou de chutar as pequenas pedrinhas aglomeradas e olhou para frente. A rua estava escura, principalmente a floresta do outro lado. Sentiu um arrepio na espinha quando a brisa fria tocou repentinamente em seu rosto e escorregou por todo sua pele como algo pegajoso. Ao levantar o olhar, viu o carro de seu pai estacionado em frente a casa. Ensaiou mentalmente uma desculpa e respirou fundo antes de aproximar.

 

- Isso são horas? São horas de se chegar em casa? – A voz grossa surgiu assim que ela abriu a porta. O xerife estava ainda fardado, o que não era comum naquele horário. Apagou o cigarro rapidamente no seu cinzeiro de pedra ao ver a filha entrar.

 

- Eu estava estudando... – Tentou passar pela barreira humana que era aquele homem de quase dois metros. Não conseguiu. Finalmente soltou um sorrisinho como um bebê que é pego fugindo do cercadinho. – Ops! Acho que o senhor me pegou.

 

- Está mentindo para mim outra vez, Jane?

 

 - Não, pai. Na verdade, eu só estava com Max. Fazendo coisas de garotas, se é que me entende...

 

- Falando de garotos? – Ele havia baixado um pouco a guarda. Não estava pronto para que sua garotinha começasse a se relacionar com aqueles garotos, eles jamais seriam bons para ela. Podia estar furioso como fosse, mas isso sempre o desarmava.

 

- Ew! Não mesmo. Os garotos são... os garotos são... Nojentos!

 

Jane reparou que ele suspirou fundo, de alivio. Aquilo fez com que ela risse, disfarçadamente, colocando a mão na boca e fingindo rir da televisão, que estava ligada desde que ela chegou.

 

- Não tem problema sair com Max, mas veja bem. Qual é o nosso combinado?

 

- Estar em casa as sete em dias de semana. – Ela repetiu, desviando se dele, e indo até a cozinha, abrindo a geladeira. Avistou uma embalagem aberta de waffles e puxou para si.

 

- Ei, ei, ei! Nada disso! Suas ervilhas estão em cima da mesa. Fiz até um bife! – Reclamou, indo atrás da filha.

 

“Aqui é Dhebra O’Donell, do jornal noturno de Hawkins. Lamentamos informar que mais um adolescente  some em Hawkins, sendo a  terceira apenas esse mês. A vitima é Jennifer Hayes, uma jovem de dezesseis anos, estudante da Hawkins High School. Ela foi vista pela última vez perto da estrada Cherry, as duas horas da tarde e não voltou para casa desde então. Ela usava calças jeans e um suéter cor de rosa...”

 

- Jennifer? – Jane soltou a caixa de eggo’s no chão, fazendo com que seus waffles rolassem como rodinhas pelo chão de azulejo.

 

- Droga! – Hopper desviou o olhar da filha para televisão da sala - Estou indo até a delegacia. E você, mocinha, coma as suas ervilhas! – Ele gritou, enquanto saía porta a fora e deixava uma Jane chocada e rodeada de incertezas.

 

Jane sabia muito bem o que estava acontecendo. Ou ela achava que sabia. Existia alguém, uma energia ruim, sempre que ela olhava adiante, nas florestas de Hawkins, onde seu pai a dizia para nunca, nunca ir. Existia uma névoa fria, e quando se colocava o pé perto dela, não se conseguia mais sair. Era isso que diziam na escola. O primeiro a sumir, foi Rick, um garoto mais velho, desses insuportáveis e chatos. Do tipo que grudava chiclete no cabelo de todas as meninas da sala. Na primeira semana em que Rick desapareceu, ninguém se importou, afinal foi um alívio. Ele era irmão de três outras crianças e morava com os pais num trailer velho que ficava próximo a uma usina abandonada. Era costume que ele sumisse, então ninguém ligou. Mas quando o pobre Rick não apareceu na segunda, a cidade pareceu virar do avesso.

Primeiro, todos acusaram os motoristas de caminhão, que ficavam hospedados numa pousada barata perto da saída da cidade. Talvez Rick tivesse chateado algum deles com suas brincadeiras imbecis e tivesse sido morto. Ou Rick poderia ter ido embora, certo? Não, Rick não iria embora deixando sua perna para trás. Acharam a perna de Rick severamente amputada, jogada na floresta, como lixo, três dias depois. Dizem que ainda estava envolvida por um pedaço de jeans e calçada com aquele tênis que provavelmente ele teria roubado.

Depois, Samantha. Uma bebê de apenas dois anos. Sumiu enquanto sua mãe a levou para o parque. A mãe diz ter deixado Samantha sozinha por uns bons dois minutos, enquanto procurava uma maçã no fundo da bolsa. Samantha nunca mais foi vista, mas seus ossos, sim. Encontrados uma semana depois, ainda envolvidos em nacos grandes de carnes, todos amontoados em pilha, pertinho da floresta que fica do lado da escola. E não há pistas. Em lugar nenhum. Só sabemos da névoa, é o que os estudantes dizem. Sarah disse a Jane uma vez, que viu a névoa e fugiu. “Sabe, Jane. Há uma névoa em Hawkins. Mais cedo ou mais tarde, você a verá também. E minha cara, você deve fugir como se o amanhã não existisse.”

Talvez fosse uma piada. Ou uma pegadinha para lhe dar um susto, talvez? Mas Jane não sentiu, agora há pouco, como se o vento tivesse soprado em seu rosto, a respiração de alguma coisa? Talvez não seja nada.

 

 

- É isso que dá ficar vadiando na rua, está vendo, Maxine?! – O padrasto de Max apontava para a televisão, enquanto falava enfaticamente.

 

- Ouça o seu pai, querida. – Sua mãe sorriu amarelo, olhando em sua direção.

 

“Ele não é meu pai!” – Max pensou em gritar. Mas jamais faria isso. Ela sabia do que aquele homem vil era capaz, o que a fazia pensar: “Porque mamãe o escolheu? Porque destruiu nossa incrível vida na Califórnia para me trazer para cá?”.

Max estava em Hawkins há apenas dez meses. Seus pais tiveram muitas brigas, que ocasionaram num término e ela não entendia muito bem como tudo aquilo aconteceu, mas num piscar de olhos, sua mãe arranjou um novo marido, alguém do seu trabalho, começou a ir em sua casa, todos os sábados. Depois ele já dormia lá, e pasmem, andava de calção. Logo, Max conheceu Billy, que viria a ser seu meio-irmão e a quem Max tinha uma enorme repulsa.

Quando decidiram se mudar, foi como uma bomba. A vida para ela, já não era lá essas coisas, mas tudo decaía numa escala maior. Sem mencionar que o padrasto interferia em tudo sobre ela, de sua educação até em suas roupas. Agora Max, que amava calças jeans, era obrigada a usar vestidinhos na maior parte do tempo. Poucas eram as exceções em que podia ficar a vontade e se portar como uma criança normal. As vezes tentava dormir, mas ouvia os gritos de Billy, as surras que ele levava. Tudo era motivo de “porrada”. Um copo fora do lugar, uma mancha na televisão, um atraso de quinze minutos. Ela se controlava na maior parte do tempo. Max sabia que não vivia mais, ela sobrevivia.

 

 

- Sim. Estou vendo. – Respondeu, com as mãos cruzadas sobre o colo.

 

Depois do jantar, os Hargrove e os Mayfields se sentavam no sofá grande para ver televisão, como uma verdadeira família, era o que o padrasto de Max dizia. Mas eram mais momentos tortuosos para Max e Billy. Billy era um jovem popular, extremamente sociável e bonito, já Max, era uma garotinha sardenta, nem tão “Inha” assim, já tinha seus dezesseis anos e usava sutiã, mas ainda se sentia como alguém que não tinha muito o que acrescentar. Sua única amiga, Jane Hopper, filha do xerife Hopper, era a que fazia esquecer de sua vida abusiva e triste. Jane era cheia de cores, experiências e aventuras. Contava-lhe todo o tipo de histórias, apresentava-lhe livros, emprestava-lhe vinis e até ouviam músicas da moda num walkmanzinho de segunda mão que compraram juntas no brechó, por acredite, dois dólares!

Billy era invasivo, abusivo, possessivo e todas as palavras ruins que Max sabia desde quando se entendia por gente. Ela nunca o desafiava, não por medo dele, isso ela jamais sentiu, mas por medo do que ele poderia provocar os outros ao seu redor. Billy era um jovem que nunca recebeu amor, nem carinho de ninguém, apenas socos e ameaças de seu velho pai, afinal, abraços e beijos eram para “veados”.

 

-  Billy! Pegue uma cerveja pra mim. – Ele pediu, sem tirar os olhos da tevê.

 

- Posso ir dormir agora? – Max perguntou, com a voz mais mansa que conseguia fazer.

 

- Pode. – Seu padrasto respondeu esperando que Billy voltasse. – Boa noite, querida.

 

- Boa noite, querida! – Sua mãe repetiu.

 

- Boa noite. – Respondeu, indo em direção ao quarto que ficava no fim do corredor. As coisas melhorariam de manhã, ela teria de ir a escola. O único lugar onde conseguia ficar em paz.

 

 

Na manhã seguinte, não se falava em outra coisa a não ser sobre o sumiço da Hayes. Ela era representante de turma e era conhecida por todos. Tudo bem que já deviam estar assustados desde o primeiro desaparecimento, Hayes era a terceira! Mas com alguém sumindo assim, tão perto, fez com que aqueles garotos perceberem que podia ter sido com qualquer um deles. Na cabeça deles, talvez Rick tivesse irritado demais alguém. Talvez Rick tivesse arrancado a própria perna para fazer gracinhas, não é o tipo de coisa que ele faria? Absolutamente. Agora, Jennifer? Digo, Jennifer Hayes?

Jane e Max estavam no pátio, antes da aula começar, dividindo um pacote de skittles. Max vestia um vestido florido e rodado, e Jane, estava com jeans e uma jaqueta esgarçada, que Max a havia ajudado a customizar. Seu cabelo havia crescido bastante durante o verão, tanto que já chegava aos ombros. Estavam sentadas numa pequena base de concreto vermelho, qual os meninos usavam pra andar de skate no intervalo.

 

- Não acredito que a Hayes sumiu... – Jane finalmente se pronunciou sobre algo que elas haviam evitado até aquele momento.

 

- Eu ainda não sei bem o que pensar disso. O que deve ter acontecido?

 

- Acho que existe alguém muito ruim, sabe? Alguém que anda fazendo maldades em Hawkins.

 

- Você acha? – Max separava apenas os skittles vermelhos na palma de sua mão. Eram os favoritos dela. – Que, tipo, alguém faz essas coisas? Propositalmente?

 

- Meu pai disse que sim. Parece que é algo como um serial killer. Comete crimes semelhantes. Primeiro a perna de Rick. E depois os ossos daquela garotinha... A que passou no jornal.

 

- Mas ainda existe a possibilidade da Jennifer estar bem...

 

- Ela é uma garota esperta. Espero que esteja bem. – Disse, pondo uma mecha de cabelo atrás da orelha cheia de pequenas argolas.

 

Não demorou muito para que o sinal tocasse e as duas fossem praguejando lentamente até a sala. Estava tudo muito esquisito. Jane percebeu, que pela primeira vez, as pessoas realmente estavam com medo. Não era como quando viam filme de terror escondido dos pais, e não conseguiam dormir a noite. O filme de terror era mentira. Era uma piada, uma brincadeira. Se tratava de ganhar dinheiro entretendo os outros. Na verdade, os atores, os monstros e os mocinhos almoçavam juntos nos intervalos. Mas aquilo... aquilo era real. E foi algo que eles nunca sentiram. Olhar para a cadeira da Hayes e ver que estava vazia... E provavelmente ficaria vazia por um longo tempo.

O diretor Brenner entrou em sala. Era um cinquentão divorciado e muito bem aparentado. Em geral, as crianças gostavam dele, por ser calmo e não dar advertências por pequenas molecagens. Ele usava sempre anéis no dedo, junto com uma aliança de sua falecida esposa, Michelle. Dessa vez, não foi preciso pedir silêncio para eles. Estavam todos em um silêncio que parecia ter sido combinado telepaticamente.

 

- É com grande pesar que informo que não temos nenhuma notícia sobre Jennifer Hayes, a amiga de vocês. Mas a polícia continua insistindo nas buscas e vamos rezar para que ela volte sã e salva para casa.

 

- Insistindo? Não fazem nem ao menos vinte e quatro horas! Esse é o trabalho deles! Não me diga que querem interromper as buscas, Jennifer pode estar sofrendo! – Michael Wheeler gritou de sua carteira. Todos ao redor se assustaram, já que ele fazia o tipo quieto.

 

Jane o conhecia desde a pré-escola, mas eles não eram amigos, e mal se falavam. Michael, para ela, era o típico “filhinho de papai”, como sua amiga Kali dizia. Morava numa boa casa com seus pais e irmãs, sempre ganhava os jogos mais legais no natal, tinha festas de aniversário com cama elástica e balões de gás hélio, e sempre tirava as notas mais altas da turma.

 

- É claro, Michael... Sei que estão todos apreensivos, mas temos que nos acalmar...

 

- Acalmar? Estamos pagando a polícia para cuidarem da nossa cidade e já é a terceira criança que some, apenas esse mês! O que diabos eles fazem, então? Só comem rosquinhas o dia inteiro?

 

- Cale sua boca! – Ela tinha aguentado demais. Jane já estava de pé, apontando o indicador para ele, como se fosse uma arma. Não era do tipo briguenta, mas brigaria se fosse preciso, pode apostar que sim. – Veja bem como fala do meu pai.

 

Michael a olhou nos olhos. Não parecia que aquilo era pessoal. O olhar dele parecia confuso, aflito. Eles ficaram em silêncio por alguns segundos antes do diretor voltar a se manifestar.

 

- Então eu vou em outras salas, para...

 

- A culpa é toda dele! – Michael gritou, furioso. – É tudo culpa do pedaço de merda do seu pai!

 

- O que disse, imbecil? – Jane foi de sua carteira até a dele, o que não era tão longe e avançou em cima dele. Um soco certeiro no olho do Wheeler, que não se defendeu nenhuma vez sequer.

 

As pessoas podiam falar muita coisa de Jane. Absolutamente, tudo o que elas queriam. Ela não se importava, não dava a mínima. Agora jamais deveriam falar mal do homem que fez de tudo por ela. Do homem que lhe adotou, lhe deu moradia, comida, roupas limpas. Jane o amava como se ele fosse parte dela e ver qualquer um o ofender, não era permitido. Ela perdia o controle e avançava como um pitbull. Michael segurou o olho roxo, se afastando de Jane. Ele parecia não se importar, enquanto o diretor e o professor Clarke a puxavam de cima dele.

 

- Você sabe, sabe aquela garotinha? Samantha? Ela é amiga da minha irmã... – Michael começou. Todos olhavam para os dois, anestesiados com toda aquela informação. – Ela tem a idade da minha irmã... Aquele parque é o que a minha irmã brincava todos os dias... Você sabe que podia ter sido... podia ter sido... a minha irmã?

 

Escorriam lágrimas densas pelas bochechas vermelhas do garoto. Ele estava inteiramente vermelho, como se fosse explodir. Mesmo com aquele suéter caro, não parecia mais um garoto riquinho. Jane se compadeceu ao ver ele sofrer por alguém que nem era de sua família. Quando Michael finalmente soltou o choro, ele veio alto, suplicante, desesperador e cheio de gemidos. Clarke e Brenner o ampararam e deixaram Jane sozinha, olhando aquela cena. Todos os outros da classe, anteriormente em transe, estavam tremendo ou chorando. Eles estavam com medo. Até mesmo Max, parecia aflita. Torcia as duas mãos, coisa que sempre fazia quando se sentia nervosa. Antes que Jane pudesse retomar seu equilíbrio, Michael disse em alto e bom tom:

 

- Poderia ter sido você.

 

“Pedimos que todos os alunos da Hawkins High School se retirem imediatamente do prédio. Repito, pedimos que todos os alunos da Hawkins High School se retirem imediatamente do prédio.”

 

- Em fila crianças, rápido! – O Sr Brenner ordenou.

 

Todos os jovens, com nariz escorrendo ou não, formaram uma fila torta, como todas as outras salas. Todos pareciam ter algo em comum. Medo. Era visível e quase físico que estavam com medo, afinal até um dia desses, Hawkins era uma cidade na qual você podia deixar a porta de casa aberta por um ano inteiro e ninguém entraria lá. Agora um serial killer sequestrava crianças para matá-las e jogar seus pedaços por aí. Qualquer um podia ser o próximo. Eu disse: Qualquer um.

 

As crianças desciam as escadas deslizando a mão no corrimão amarelo descascado, num nervosismo compreensível. Até todos evacuarem o prédio, demorou uns bons quinze minutos. E no pátio, tinham várias viaturas da polícia e uma ambulância. A multidão que cercava os carros era grande, como se toda a cidade tivesse se reunido para um festival ao ar livre. Jane finalmente localizou Max, pela cabeleira ruiva e a puxou pela mão. As duas foram se esgueirando, empurrando uns e outros para chegar ao centro. De quatro, com os joelhos e as mãos na terra úmida, sujando suas roupas de barro, elas viram o porque de tudo aquilo.

 

Perto do xerife Hopper, haviam vários homens fardados, falando em walkie talkies, andando de um lado para o outro e uma mulher loira caída, como se tivesse sido jogada ao chão. Vestia roupas em tons pasteis e parecia rica, a não ser por aquelas recém adquiridas manchas de barro. Senhora Hayes. Ela chorava compulsivamente, como se alguém não parasse de bater nela. Max olhou para o colo daquela mulher e viu algo que nunca queria ter visto.

A mão de Jennifer Hayes estava no colo de sua mãe, unhas curtas em rosa bebê, com dois anéis de ouro, dos quais ela sempre se gabava de ter ganho de sua avó estrangeira. A mão parecia ter sido severamente mastigada e lhe faltavam dois dedos. Max pode ver nacos de carne pendurados, o sangue mais vivo escorrer e tingir a saia da loira... e um branco inegável, que era nada mais do que osso. A ruiva rapidamente se sentou e levou a mão suja de terra até a boca, para conter o vômito. Infelizmente, ela não pode deixar de escutar Hopper falar:

 

- Eu tenho quase certeza de que ele ainda está por aqui.

 

 

É, meus amigos. Talvez Jennifer Hayes nunca mais se sente naquela carteira.


Notas Finais


Espero que tenham gostado ❤


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