História The Monster - Capítulo 25


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Palavras 3.760
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 25 - Capítulo 24


Fanfic / Fanfiction The Monster - Capítulo 25 - Capítulo 24

O barulho da chuva de certa forma me acalmava. Era bom reviver antigos hábitos apagados pelo tempo. Os anos tinham sido tão cruéis comigo, demônios se voltaram contra mim, sonhos se tornaram terríveis pesadelos. A noite ainda era fria, mas meu coração se aquecia uma vez ou outra, momentos breves que mereciam minha total atenção.

Dei mais um gole no meu chocolate quente sem tirar meus olhos do livro.

Era difícil me identificar tanto com um personagem, tínhamos medos semelhantes e o mesmo tipo de sofrimento. Não temos culpa se somos incapazes de manusear algo que parece ser tão fácil para as pessoas. Tantos erros cometidos por causa de um sentimento inútil, ainda sim posso senti-lo vivo dentro de mim, fraco, mas ainda vivo.

Christopher já conseguia andar sozinho pelo quarto e às vezes gostava de se aventurar pelo corredor. Meus olhos sempre estavam nele quando se levantava, não posso deixa-lo sentir falta do maldito diário. Ainda não pensei em um jeito de coloca-lo de volta no porão, depois dos últimos acontecimentos um medo desconhecido aflorou dentro de mim. Ainda me pergunto se aquilo era uma alucinação.

É normal que vitimas mantidas em cativeiro tenham esse tipo de alucinação, isso explicaria os sonhos.

Quem estou tentando enganar? Está claro que tudo aquilo é verdade, só preciso de algo que me faça acreditar. Uma situação capaz de fazer qualquer cientista questionar a ciência.

— Não entendo porque odeia o Mark – Christopher sussurrou sentando-se na cama.

Fechei meu livro mantendo meu dedo na pagina onde parei. Seus cabelos estavam maiores, aos poucos a sua antiga aparência voltava junto com a minha insanidade. Seu ferimento estava perfeito, sempre o mantenho limpo com curativos novos. Nunca gostei de fazer um trabalho mau feito, esse foi um dos motivos que recusei trabalhar como médica, eu seria perfeccionista demais.

— Ele me irrita.

— Ele é meu único amigo – confessou com a voz fraca.

— O seu jeito de viver lhe obriga não ter ninguém.

— Está certa, mas é uma opção minha lutar por isso ou não – revirei meus olhos.

— Não é uma opção sua, assim que tudo se resolver você vai pra cadeia. Se conseguir enxergar a luz do sol será muita coisa.

— Eu não vou pra lugar nenhuma Sara, nem você. Para de se agarrar nesse plano ridículo, aceite seu destino.

— Quem liga pra essa merda de destino Christopher, não me venha com suas palavras bonitas cheias de efeito, você não é o que diz ser.

— Nunca lhe prometi uma vida perfeita.

— Não coloque a culpa em mim seu cretino, você mentiu pra mim por um bom tempo e me fez acredita em muita merda. Tentar amenizar o peso na sua consciência me culpando não dará certo, melhor aceitar seu destino – cuspi a última parte com nojo, ele suspirou parecendo cansado.

Não havia mais salvação para nós, não existia esperança quando se tratava de Sara Dillon e Christopher Walker. Éramos destrutivos quando estávamos perto um do outro, no passado poderíamos fingir que estava tudo bem, mas não agora, não com a morte do meu filho e de Louis.

— Estou cansado de brigar com você – murmurou.

Um silêncio intenso se formou entre nós, era quase que um velho amigo. Nunca nos importamos com ele, sempre fomos tão parecidos, mas agora esse hábito tão familiar se tornou a prova de que estávamos nos acabando tentando empurrar uma convivência impossível goela abaixo. Era isso que pessoas comuns fazia com casamentos fracassados? Isso aconteceria comigo e com Louis?

O barulho que eu mais amava se tornou o pior de todos. As gotas grossas de chuvas batiam na enorme janela do seu quarto fazendo um barulho doloroso. Olhei para a floresta vendo as arvores balançarem com hostilidade, era quase como se sentissem minha raiva.

Os Walkers têm muitas terras em Nova Orleans, como ninguém de fora percebe isso?

— Vou deixar que descanse, preciso fazer o mesmo não é?

Não esperei sua resposta, eu o deixei sozinho. O chocolate quente se tornou amargo na minha boca e o livro desinteressante. Christopher deveria ter ficado de boca fechada para não estragar o meu dia, será que é tão difícil termos um momento em silêncio como sempre fazíamos?

Entrei no quarto podendo soltar um suspiro de alivio, tudo estava como deixei. Peguei o diário no seu esconderijo bobo e sentei-me na cama pronta para começar a ler.

Como o esperado, depois do ocorrido da casa pegando fogo, um novo Christopher renasceu. Esse não parecia nem um pouco bondoso, ele queria provar ser imune a sentimentos e seu pai aprovava essa mudança. Christopher tinha se envolvido com vícios comuns na adolescência, ele fugia com frequência de casa, seu pai não era mais capaz de segura-lo como antes, não havia ameaças que o fizesse parar. Agora ele tinha um belo carro vermelho e pensamentos um pouco perturbadores. Sua vida sexual era agitada, em quatro paredes ele se tornava um pouco selvagem demais, Christopher diz sentir um imenso prazer em torturar meninas inocentes.

Ele se tornou um típico bad boy.  Ou como preferirem, ele era uma versão loira do famoso Danny de Grease. Não tinha como as meninas não se apaixonarem, até mesmo eu que sempre repudiei clichês, me apaixonaria. Não é como se eu nunca tivesse me derretido por um garoto de jaqueta de couro e um sorriso misterioso.

Eu era uma adolescente muito difícil, ele não conseguiria muita coisa comigo.

Já estava de noite, talvez eu tenha um tempo para os meus delírios.

Escondi o diário embaixo da cama e me enrolei no cobertor quentinho, estava frio lá fora. Tinha chovido o dia inteiro. Com toda certeza esse era meu tempo favorito, eu amaria viver em um lugar frio, o problema era sair da cama.

Suspirei sentindo o sono vim aos poucos.

Estiquei meus braços ouvindo a música invadi meus ouvidos.

Christopher engraxava suas botas cantarolando Smooth Criminal, seu cabelo estava com aquele penteado tão familiar, a franja grande às vezes caia no seu rosto o obrigando parar para afasta-la. A roupa preta dava mais contraste no seu tom de pele, ele parecia ter saído de um filme clichê.

Notei alguns pôsteres espalhados pela sua parede, os livros de medicina foram substituídos por folhas rabiscadas, ele possuía muito mais discos de vinis, seu cantor favorito parecia ser Michael Jackson. Algumas roupas estavam espalhadas pelo chão, junto com embalagens de lanches. O lugar parecia desorganizado demais pra ser de Christopher.

Ele parecia muito mais familiar pra mim agora, talvez esse tenha sido seu último estagio de mudança. Mas o que fez com que ele se tornasse um homem sério? Talvez a faculdade. Como ele foi parar em Oxford? Christopher não parecia gostar verdadeiramente de medicina.

Ele calçou os sapatos e desligou o som.

Levantei da cama sentindo-me completamente descansada. Será divertido entender essa parte da vida dele, com certeza será a melhor.

Eu o segui para fora da casa e entrei no seu carro sem consegui parar de olha-lo. Pra minha surpresa não vi Emmett, pode ser que esteja fora fazendo algo. No diário Christopher não fala muito do seu pai nessa parte, é como se ele passasse a maior parte do tempo fora, como se os dois se evitassem dia após dia. Havia muitos atritos entre os dois, e depois da morte da Scarlett, o convivo deve ter ficado insuportável.

A ida até a cidade foi barulhenta, o som muito alto e o barulho do carro me incomodou um pouco. Nunca fui muito fã desses adolescentes barulhentos, nem mesmo Christopher, me surpreende ele ter sido um no passado. Eu imaginei qualquer versão problemática, menos essa. Fiz uma careta de reprovação quando ele freou bruscamente na frente de uma mercearia.

Todos os olhares estavam direcionados a ele. Isso explica porque o Christopher do presente odeia chamar atenção.

Não demorou muito para sairmos da loja com um whisky e duas caixas de cigarro. Seriamos melhores amigos se nos encontrássemos por aí. O que aconteceu pra ele repudiar tanto uma boa bebida? Christopher só saia comigo pra beber porcarias rosadas com gosto de morango, ele dizia que bebidas fortes lhe causavam náuseas.

— E pensar que você odeia cigarros nos dias de hoje – sussurrei.

Um caminhão de mudança passou por nós sendo seguido por um carro meio esverdeado. Christopher os seguiu com o olhar sem esconder seu pequeno sorriso, molhou os lábios lentamente como se saboreasse seu prato favorito. Eu o observei atentamente enquanto colocava um cigarro entre os lábios, pegou o isqueiro e acendeu. Deu uma longa tragada, tombou a cabeça para trás soltando a fumaça. Tudo era feito lentamente, era a coisa mais sexy do mundo.

— Agora eu sei o motivo da sua vida sexual estar tão agitada.

Christopher deu uma volta pela cidade de carro mantendo o cigarro entre os dedos e a garrafa no seu colo. Não havia uma só pessoa que não o encarasse com medo e raiva, mas ainda sim nada parecia lhe afetar. Ele construiu uma muralha impenetrável para que nenhum sentimento pudesse lhe causar alguma dor.

O sofrimento de perda que ele sentiu com a morte de Angelina foi imensa, ainda pode se sentir a dor em alguns parágrafos escritos no seu diário. Quando Scarlett surgiu ele estava no processo de aceitação, é um caminho muito perigoso, qualquer recaída é mortal. Com a morte absurda e completamente grotesca de Scarlett, ele se titulou incapaz de amar. Seu pai era mais que um inimigo dentro daquela casa, Christopher sentia nojo por viver debaixo do mesmo teto que ele.

É normal que adolescentes criem barreiras depois de passar por traumas tão grandes como aqueles, mas o pior era que as duas morreram do mesmo jeito. Não demorou muito para a sua forma de tortura mais venerada se tornasse o fogo, ele ficava horas de longe encarando uma pequena chama em uma vela, algumas vezes queimava sua pele e descrevia o alivio que sentia.

A automutilação se tornou sua melhor amiga nas noites frias e solitárias, tínhamos muitas coisas em comum.

Seu medo era que Emmett descobrisse, Christopher sabia que ele faria algo muito pior que algumas queimaduras leves no braço. Dor e prazer eram repudiados nos treinamentos, ele precisava se tornar uma arma letal incapaz de sentir, o problema era que seu coração sentia demais, desejava demais e principalmente, sonhava demais. Não importava o que fazia, podia passar semanas ensolaradas sem sentir o próprio coração, mas quando a noite era chuvosa, o que ele acreditava estar morto revivia dolorosamente.

Seus dias se resumiam vagarosamente em estudar, tocar piano e ouvir música de vários estilos. Raramente saia de casa, apenas se o cigarro acabasse. Emmett passava seus dias na varanda passando seu canivete entre os dedos, ou então sumia sem dizer para onde ia. Tudo passava muito rápido como se quisesse pular para uma parte mais importante, as situações se tornavam confusas e difíceis de acompanhar. Tentei ao máximo fazer com que meu cérebro voltasse ao normal, mas as tentativas me deixavam ainda mais tonta.

Encarei Christopher sentindo meus olhos pesados. Molhei meus lábios soltando um longo suspiro. O pôr do sol iluminava seu rosto, seus olhos pareciam vazios e melancólicos, mas ainda se podia ver quem um dia eu amei. Um curativo havia sido enrolado na sua mão denunciando o que eu mais temia, estava mais frequente.

— They let your dream. Just a' watch 'em shatter – cantarolou batendo os dedos no volante.

O céu tomava um tom alaranjado muito lindo, o enorme rio que circulava a cidade se iluminava com se invejasse a belíssima coloração. Os pássaros atravessavam o céu, as arvores balançavam lentamente, a brisa quente que nos cercava era acolhedora. A mãe natureza parecia querer abraçar Christopher para conforta-lo. Fechei meus olhos aproveitando aquela sensação tão aconchegante, 9 to 5 tocava sendo seguido pela voz suave de Christopher. Era bom demais para ser apenas um sonho.

Um carro esverdeado parou próximo de nós assim que a música chegou ao fim. Christopher olhou pelo canto do olho tentando não transparecer sua curiosidade. Logo atrás chegou outro dois carros, sendo um deles cheios de adolescentes histéricos. Eles olharam rapidamente para Christopher, cochicharam algo entre si e correram para próximo do rio.

— Ainda bem que eu não fui à única excluída na adolescente – rir.

No meio de toda aquela gente escandalosa apenas uma chamou atenção de Christopher. Ela estava um pouco mais afastada do grupo, encarando um garoto bêbado com desaprovação. Seus longos cabelos cacheados caiam lindamente pelo seu rosto, sua blusa vermelha de mangas destacava a cor da sua pele, o short mantinha suas longas pernas a mostra. Ela não parecia ser daqui, até eu notei. Os adolescentes daqui eram todos muito sombrios, seja quem for, a menina tinha um brilho próprio como se viesse de um lugar caloroso. Seus olhos escuros brilhantes encontraram os dourados vazios de Christopher.

Foi dessa forma que ela destruiu sua barreira impenetrável de Christopher Walker.

Hallie Blake era linda, tinha um sorriso lindo que nunca ousava esconder. Christopher entrou em um sonho sem fim. Ela era a exceção do seu coração, eu sabia, sentia, estava em seu diário. Christopher parou todo seu pesadelo por ela, enfiou Emmett no famoso ‘canto das mulheres’, obrigou seu pai a tirar cada corpo escondido ali. Seus demônios voltaram contra o real acusador, e nada mais foi dito a partir dai.

Dias ensolarados se tornaram seus preferidos, os chuvosos não estava mais solitários. O fogo não era mais atrativo como sempre foi, e Hallie não ousava fazer sua mente lembrar-se de Angelina e Scarlett, ela era a luz que nunca havia existido na sua vida. Passavam horas juntos, conversando sobre todos os tipos de assuntos, ou só aproveitando a companhia um do outro. Christopher passou a descrever o prazer com mais intensidade, ele ainda gostava da dor, mas não como antes, o sofrimento havia se tornado uma opção na sua vida sexual.

Seu único amor foi ela, todas nós apenas tentamos apagar Hallie Blake de seus pensamentos. Suas poesias eram pra ela, seus desenhos pra ela, e seus sonhos só existiam a voz doce de Hallie lhe fazendo juras de amor. Christopher foi muito mais além, ele começou a criar planos para ter uma vida perfeita sem toda aquela merda que Emmett lhe deu de cortesia. Esse foi último estagio, sua última perda.

Hallie Blake levou todo o seu coração assim que partiu.

Christopher tentou, mas ele nunca foi bom com palavras amorosas. Hallie ainda não o conhecia bem para entender que seus olhos diziam muito mais que sua boca. Com a morte horrível de Emmett, ele levou até ela uma noticia maravilhosa. Sua passagem para longe de Nova Orleans estavam em suas mãos, mas apenas ela poderia manda-lo embora. Christopher não disse tudo, e ela acabou partindo o deixando sozinho observando o rio junto comigo.

Se ela ficasse e escutasse, ele a teria levado consigo. Hallie sonhava em ser veterinária, trabalhar fora do país para ajudar sua família que não tinha uma condição muito boa, Christopher queria ir para a Inglaterra para conhecer melhor o passado da sua família e se redescobri. Tudo sairia nos conformes se ele tivesse dito, e não esperado ela adivinhar. Eles se casariam, ele comprou a aliança e faria a proposta no mesmo lugar que se encontraram pela primeira vez. Seriam os dois contra o mundo, mas ele partiu sozinho. Hallie ficou em Nova Orleans com o resto do seu coração.

Esse foi o último estagio de Christopher Walker.

Acordei com o corpo completamente imóvel, lagrimas encheram meus olhos. Eu não queria chorar por causa de um amor adolescente, ainda mais quando não era o meu.

— Você mexeu nas minhas coisas – engoli em seco, olhei para o lado sem consegui mexer meu corpo por completo ainda. Os movimentos vinham aos poucos, eu ainda não sabia o motivo.

— Christopher, deveria ter me dito tudo – ele bufou.

— Sabe como eu aprecio a privacidade Sara, você não tinha o direito de fazer isso – notei a garrafinha na sua mão, o conteúdo era meio avermelhado, parecia nojento. Espero que não seja o que estou pensando – Eu não esperava isso de você.

— Eu estou cansada de viver nas sombras quando se trata de você – sentei-me com um pouco de dificuldade – Foram anos dormindo com um estranho.

— Até onde chegou?

— Isso importa?

— Pra mim sim, esse sou eu – levantou o diário.

— Deveria ter me dito que não me amava, deveria ter me dito que nunca me amaria. Que eu fui só uma pessoa para ocupar um espaço vazio – ele me olhou confuso.

— Você foi longe demais no meu diário – se levantou furioso.

— Agora eu sei por que todas acabam queimadas – sussurrei, ele segurou o diário com força.

— Você não sabe de nada, está sendo muito precipitada pra quem só leu a metade dos meus anos de vida. Quem eu era na adolescência não existe mais.

— Claro que não, você mudou de personalidade depois da Hallie não é? Eu sei Christopher, eu criei um perfil, finalmente eu tenho um perfil de Canibal, e pretendo levar até as autoridades – ele abriu um pequeno sorriso como se eu fosse uma criança burra.

— Sara, você não vai sair daqui e se tentar, eu te acharei – seu tom era cheio de ameaças, meu estômago embrulhou ao me imaginar morrendo dentro dessa casa.

— Não tem problema, pretendo me queimar junto com você – me levantei sentindo meu corpo inteiro doer como nunca doeu antes.

— Ótimo, irá fazer companhia ao seu noivo esfaqueado no inferno – cuspiu as palavra com tamanha raiva que por um instante eu quase vi Emmett.

— O único que vai para o inferno aqui é você Christopher, você gosta de queimar todas as suas mulheres não é? Lisa é um exemplo disso.

— Nunca quis matar Lisa, fiz por você. Não seja ingrata.

— Ingrata? Devo lhe agradecer por ter matado as pessoas que eram apenas seus fantoches? Mandou matar Louis, e o meu filho. Tem certeza que devo agradecer a você? – ele suspirou.

— A vida não é perfeita, o que queria? Um príncipe encantado?

— Eu queria alguém que falasse a verdade! – gritei.

— O que queria que eu dissesse? Oi meu nome é Christopher, fui treinado para matar pessoas, e as como algumas vezes. Podemos ser amigos? – eu o encarei incrédula – Você me odiaria da mesma forma, então resolvi omiti algumas questões. Não foi como se eu nunca tivesse sido verdadeiro com você. Nem tudo foi uma mentira.

— Tudo foi uma mentira, você quer o mesmo de todas as pessoas que se relacionam com você, depois que a frustração vem você nos mata.

— Essa foi à conclusão que você teve? Admira-me ter sido uma das principais alunas de Harvard, você é péssima em criar perfis. Se for sobre a Hallie, tenho que alerta-la o óbvio, nenhuma foi ou será como ela. Você menos ainda Sara, as duas são completamente diferentes. Era isso que queria ouvir?

Dei as costas pra ele sem consegui encara-lo. Não era assim que eu imaginei essa conversa.

Esse não foi o perfil que eu criei de Christopher, ele estava mais pra uma vitima que acabou sendo prejudicada pelo real acusado. Emmett era o psicopata e nada me faria mudar de ideia, estava em seus olhos. Ele parecia ter um passa tempo incomum, gostava de mulheres mortas no seu porão e amava jogar seu filho lá como lixo. Alguém assim não merecia a morte, é um fim muito brando.

— Sara? – ignorei seu chamado.

— Seu maior erro deve ter sido desistir dela, poderia ter tido uma vida normal.

— Eu não sou do tipo que preza a normalidade monótona. Não sou o mesmo de antes, por isso não consigo me imaginar com Hallie. Sinto muito se isso estranhamente te decepciona, sei que gosta de fugir de mim quando tento manter nosso relacionamento – sua voz era calma mas repleta de pequenas facadas que entravam no meu peito.

Ele não sabia de nada.

Meu passado durante minha faculdade foi um pouco obscura, tentei seguir conselhos, mas acabei me afundando em sentimentos confusos que quase me levaram a morte. Meu foco se tornou estudar e aprender cada dia mais como não permitir que isso acontecesse com outras garotas. No fim eu falhei e vi muitas morrerem diante dos meus olhos. Tornei-me um fracasso evidente.

— Nunca saberemos se seria assim, talvez ela pudesse te curar sei lá – dei de ombros indiferente, tantas mulheres diziam ser capazes de curar Christopher, talvez Hallie conseguisse.

— Você nunca muda não é Sara? – ele riu tristemente – Eu não me agradaria se alguém tentasse me mudar, por isso não tento fazer o mesmo com você. Porem a sua mania de ficar botando mulheres indesejadas ao meu redor me irrita. Sempre pensa o pior de si mesma.

— Só tenho isso a oferecer – voltei a encara-lo notando o quão vazio estavam seus olhos, Christopher parecia sua versão adolescente, era melancólico pois eu tinha certeza que estava do mesmo jeito.

— Nem tudo foi uma mentira, não sou incapaz de amar como diz nos seus relatórios.

— Eu sei Christopher. Não haverá mais isso em meus relatórios. Irei especificar o verdadeiro agressor, mesmo que ele esteja morto. Odeio homens que abusam do seu poder por serem homens.

Nada mais foi dito, o silêncio se tornou presente trazendo um pouco de conforto. Eu tinha esperança que Hallie aparecesse e tirasse Christopher do meu pé para que eu recomeçasse minha vida na Florida, mas algo assim não aconteceria. Minha vida começou a girar ao redor dele assim que nos vimos pela primeira vez, fiquei tão estática ao encara-lo que a única opção que tive foi fugir, tentei ir o mais longe que pude, mas ele já tinha se alojado dentro de mim e nunca mais foi embora.

O sentimento era difícil de suportar, intrigava-me ainda poder sentir algo florescer dentro de mim, sempre achei que meu coração era pequeno demais pra ser morada de um sentimento tão grande e devastador. Não consegui negar o que era me oferecido, fui muito fraca e burra. Era fácil ama-lo, reconfortante ter alguém ao seu lado lhe apoiando, passávamos o dia inteiro juntos, mesmo que não houvesse conversa, estar ali era o que bastava para nós dois. Mesmo que eu tentasse fugir, meu coração era de uma só pessoa.

Louis fez com que o indesejável adormecesse, tive meus momentos de paz. Durou o suficiente para que eu entendesse tantos sentimentos ocultos.

Não era o amor que curava e apagava antigas feridas, era o tempo. 


Notas Finais


eles vão se resolver pois eu não aguento mais!!!


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