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História The New World - Season 3 (Final Season) - Capítulo 3


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Notas do Autor


Capitulo longo a frente! Prontos pra um pouco de ação?

Música recomendada pra esse capitulo: Rise Up Dead Man by Port Sulphur Band

Capítulo 3 - Potencial


Fanfic / Fanfiction The New World - Season 3 (Final Season) - Capítulo 3 - Potencial

PONTO DE VISTA – MARY

 

(315 dias desde a infecção.)

 

- Acho que ficarão confortáveis aqui, por enquanto! – Observo ao longe, Tara abrir a porta da casa numero 281, que ficava no fim da rua e estava desocupada. Se eles desejassem ficar, até poderiam ficar com essa residência mesmo.

Jaime é o primeiro a entrar e contemplar a nova moradia, seguido de Brienne e Juliet. Harry e Tara ficam por último, fechando a porta atrás deles. Não os segui o tempo todo para que não parece obvio demais minha observação, mas para isso, possuíamos um protocolo.

- Teremos nossos próprios quartos? – escuto a voz metálica de Juliet sair através de meu rádio, que no momento estava com um pequeno fone ligado a meu ouvido. O som da voz de Juliet fica levemente abafado, ela devia ter se afastado de Harry.

Desde que começamos a receber novos sobreviventes, havíamos adquiridos algumas novas manias de prevenção. No momento, Harry era uma escuta ambulante. Quando Carley me disse para “cuidar da horta”, obviamente meu namorado também havia entendido que era permitido que seu rádio estivesse com a captura de som ativa o tempo todo durante o pequeno tour. Eu nem sabia da existência dessa função, mas fora Spencer que aprendera primeiro, através de Kate, numa reunião em Alexandria.

Eles deveriam sair da casa em alguns minutos, e era melhor eu não estar à vista. Eu não podia simplesmente entrar em qualquer casa, então decido caminhar até o fim da rua, na direção do rio, que ficava oposto a onde meus alvos estavam agora. Adentro em nosso cemitério, que no inicio de tudo se tratava apenas de um local onde um monte de entulhos se instalava.

Ross, irmão de Carley, foi o primeiro corpo enterrado aqui. Sua cova fora cavada por Rey, que infelizmente acabou sendo o próximo a se deitar no sono eterno.

Suspiro pesadamente ao lembrar de meu amigo. Ele ficaria muito orgulhoso do que fizemos aqui...

E acima de tudo, ficaria orgulhoso de Carley. Pessoalmente, acho que é isso que a manteve firme todo esse tempo, mas ao mesmo tempo, sua ausência quase a destruiu. Ela não comenta sobre isso, mas sei o quanto sofre por tomar as decisões.

Havia mais covas do que gostaria que tivéssemos por aqui. Pessoas que eu mal conhecia, que deram suas vidas em patrulhas, construções, buscas, ou simplesmente, que foram desafortunadas em algum momento e também rostos infelizmente conhecidos. Hershel, Ezra, Beth, Rey...até mesmo uma cova simbólica para Aria.

A vida funciona assim agora. Basta um segundo. Apenas um. E toda sua vida, tudo que você foi ou o que se transformaria no futuro...está morto.

Se tem uma coisa que eu aprendera durante esse ano, é que a vida deve ser vivida. Não podemos viver com medo ou sentir vergonha de termos momentos felizes em meio a tanto sofrimento, este ultimo era um tópico presente em conversas de travesseiro entre Harry e eu. Às vezes, me sentia culpada por estar feliz, quando havia pessoas na mesma comunidade que eu que sentiam o pesar de uma perda.

“Devemos dar condolências e oferecer ajuda” ele dizia, ou voltava a parafrasear Carley dizendo que homenageamos os mortos ao permanecermos vivos. Eu sabia que ele estava certo, porém, algumas vezes era difícil me convencer do contrário. E agora, neste momento enquanto caminho no cemitério, tenho que me lembrar constantemente disto.

Vejo que não estou sozinha ali. Um corpo de costas depositava algo em uma das covas, a mulher se levantava sutilmente, colocando ambas as mãos para trás, apoiadas sobre o cóccix.

Maggie.

Me aproximo lentamente tentando não a assustar com minha presença repentina, ela percebe não estar sozinha e me encara por cima do ombro, lançando-me um sorriso fraco.

- Oi... – ela diz baixo e sorrio de volta.

- Oi. – Fico ao seu lado e leio a pequena inscrição feita na tábua de madeira acima do monte de terra que agora possuía uma pequena flor amarela em meio a coloração marrom. A pulseira de couro amarrada a um barbante e preso a tábua tornava a leitura desnecessária, mas as letras riscadas eram muito perceptíveis:

“ELIZABETH GREENE

HERSHEL GREENE”

- Sonhei com ela, ontem a noite. – Maggie me explica, seus olhos verdes fixos sobre a cova. Ela suspira pesadamente e eu apenas estico minhas mãos para trás, imitando sua pose e decidindo me atentar a seu desabafo.

Por mais que, em minha orelha direita, eu ouvia Tara dizer aos novos sobreviventes que pretendíamos construir uma biblioteca, mas que até lá, poderiam pegar alguns livros emprestados com ela caso quisessem um específico.

- Eu estava no meu quarto.  – Ela estica a sobrancelhas e inclina um pouco a cabeça para o lado, pra que pudesse me olhar rapidamente - Digo, o quarto da fazenda da minha família que era meu!

Sorrio tentando imaginar uma fazenda belíssima, e um sentimento doloroso cobre meu peito ao lembrar de como o mundo se parecia antes. Tão diferente, tão vivo.

- Beth estava com a pulseira dela... – o olhar de Maggie cai sobre a pulseira de couro sobre a cova – Mochila sobre as costas, livros na mão.

- Ela tinha interesse por medicina, sabia? – a morena me pergunta e eu nego com a cabeça.

- Não, eu não sabia. Ela queria cursar isso na faculdade? – pergunto.

­- Qualquer coisa que precisar, vá a Central. Nosso pessoal fica lá o tempo todo, o armazém fica lá caso queiram algo especial. – Escuto a voz de Harry em meus ouvidos. Logo estariam se despedindo e isso significava que ficariam completamente sozinhos com suas possíveis especulações próprias. Não sabia o que Carley havia identificado de perigoso em Jaime e seu grupo, mas eu faria o que me fora mandado.

- Queria...algo na área de saúde, sabe? – Maggie sorri de canto, vejo uma lágrima se formar no canto de seus olhos.

- Ela queria ajudar. Ser igual papai... – a mulher suspira e eu passo minha mão esquerda em suas costas. Ela sorri pra mim.

- No sonho, nós conversávamos sobre coisas rotineiras. Garotos na escola dela, seus deveres, provas, qualquer coisa. Tudo que nos mantivesse conversando! Mas eu...

Percebo uma hesitação em sua fala, a olho com atenção. No rádio, Harry deixava a casa dos novos sobreviventes.

- As vezes eu não dava atenção. Dizia que estava muito ocupada com o trabalho ou a faculdade, ela saía do quarto com seus livros e mais tarde naquela noite, eu saía com algumas amigas ou o cara que eu estivesse saindo. – A lágrima desce de sua bochecha e eu afago suas costas mais um pouco.

- Não se culpe. Eram tempos diferentes. – digo a ela que apenas balança a cabeça rapidamente.

- Eu sei... – ela fecha os olhos por um momento, e quando sua voz ressurge, está mais firme – Só gostaria de ter tido mais tempo.

Alguns segundos de silencio se formam entre nós, Maggie beija a ponta dos dedos e deposita sobre os nomes na madeira e eu a ouço sussurrar um “amo vocês”. Ela se levanta e põe seus olhos sobre mim.

- E você? Veio ver quem? – sua pergunta é rapidamente negada com o balançar de minha cabeça, ela franze o cenho após o feito.

- Estava de olho no grupo novo que chegou. Carley me pediu pra cuidar da horta. – Digo a verdade e Maggie se surpreende.

- Grupo novo? – ela pergunta, cruzando os braços. Nós duas começamos a caminhar para fora do cemitério, eu levo minhas mãos no bolso da calça.

- Um homem e duas mulheres. Jaime, Brienne e Juliet. – Explico rapidamente, Maggie parece processar a informação.

- Carley já falou com eles? – ela pergunta e eu nego com a cabeça.

- Ela saiu sem falar com eles. Disse o código e foi embora, e agora... – suspiro pesadamente e mesmo sem finalizar minha história, Maggie pareceu entender.

- Você está vigiando a horta. – Ela finaliza, e eu decido me direcionar até onde havíamos feito as plantações de fato. Caso fosse observada por eles, os novos sobreviventes precisariam ver que eu realmente havia ao menos chegado perto de um plantio real. Maggie apenas me acompanha.

- Posso vigiar com você, se quiser. – Ela diz, sorrindo falsamente para uma mulher de nossa comunidade chamada Nadia que passava por nós, indo em direção ao portão Norte, provavelmente numa troca de vigia. Eu imito o gesto de minha companheira.

Os únicos que sabiam dos reais perigos humanos do lado de fora eram aqueles que participaram da guerra, e, portanto, esses eram os únicos que sabiam de todos os códigos verbais de Carley e da real ameaça que Tanya apresentava. Seria bom ter uma ajuda extra, afinal eram três estranhos que poderiam ser metidos a espertos.

- Vou aceitar. Mas pra isso, você precisa conhece-los. – Quando estava prestes a entrar na área hortaliça, Maggie para de caminhar. Eu a olho curiosa.

- Já sei até como farei isso! – ela sorri levemente e eu levanto uma sobrancelha. Quando seus olhos verdes caem sobre a única porta vermelha da comunidade, finalmente acompanho seu raciocínio.

- Encontro você daqui a pouco. – Digo dando de ombros e ela abre mais o sorriso, balançando a cabeça em concordância.

- Acho que eles possam precisar de um check-up, não? – Maggie gira em seus calcanhares e caminha até a Enfermaria, onde encontraria David e sua mais recente aprendiz, Enid.

 

PONTO DE VISTA – CARLEY

 

(315 dias desde a infecção.)

 

Lá estava ele.

A construção me lembrava um mercado atacadista, ou então alguma versão mais acinzentada e sangrenta de um Walmart. As paredes semelhantes a cor do concreto estavam manchadas de sangue e algumas outras substancias que eu não podia identificar a distância. Em seu topo, havia um cercado coberto por algum tipo de pano, preso a algumas hastes, o que nos impossibilitava de ver seu teto. Rob, nosso motorista, parava o carro lentamente a alguns metros do local.

O mercado era cercado por um enorme gradeado, que corria em volta do estabelecimento, cobrindo todo o seu estacionamento lotado de coisas jogadas e reviradas. Havia carros destruídos, zumbis despedaçados, e, surpreendentemente, barracas montadas no interior do cercado.

Poderíamos até mesmo dar uma olhada nessas barracas, apesar de que tenho certeza que será inútil.

- Ok, vamos lá. – digo abrindo a porta do carro, pelo lado do passageiro. Puxo minha espada, cuja bainha estava entre minhas pernas, comigo. Dos bancos traseiros, Glenn, Regina, Lee e Matt saíram rapidamente, deixando Glenn fechar a porta por último. Prendo a bainha de minha lâmina em minhas costas e aperto um pouco mais a bandana amarrada em minha cabeça.

- Acho que podemos abrir uma viga ali! – o asiático aponta num ponto da cerca que ficava entre uma parede de tijolos e alguns latões de lixo, provavelmente o caixa do já não funcional Big Spot ficava nessa tal parede, suponho. – Se der errado, as paredes vão ser estreitas demais pros zumbis passarem!

- E podíamos jogar os latões também. – Rob puxa a trava de segurança de seu rifle, o deixando pronto para o disparo.

- Não tem muitos deles aqui fora. Temos que fazer isso de forma mais silenciosa possível! – alerto a todos – Esse lugar deve ter coisas boas demais para ser deixado para trás.

Com um giro no calcanhar, Glenn vai até o porta malas do carro após Rob jogar a chave em sua direção. Palavras não eram mais necessárias depois de tantas rondas juntos. Observo Lee de soslaio.

- Esquerda? – Matt ergue uma sobrancelha apontando em direção as costas de Regina, ela lhe lança uma piscadela e começa a caminhar alguns metros para longe de nós, pronta para ficar de vigia pelo flanco esquerdo enquanto Matthew tomava o flanco direito. Em questão de segundos, os dois estavam em lados opostos, contemplando as ruas e matas próximas, atentos a qualquer imprevisto.

- Tudo bem? – minha pergunta parece assustar Lee, que sorri rapidamente pra mim. Glenn e Rob já se encaminhavam até o cercado, nas mãos do asiático, era possível ver um quebra-cadeado de cabo vermelho.

- Tu-tudo! Só... – ele contempla o mercado a nossa frente, com algumas dúzias de zumbis a nossa espera – uau.

Lee parecia admirado. Não era de se esperar. O garoto sobreviveu sozinho por muito tempo, e essa era a primeira vez que saía para uma busca de suplementos conosco. Quero dizer, ele já havia feito algumas rondas e checagens de perímetro, mas nada de nível tão estratégico quanto a missão atual.

Se ele queria participar, não seria eu que reclamaria de um pouco de ajuda. Além do mais, era sempre bom conhecer os potenciais de cada membro do grupo.

- Só faça o que eu instruir, tudo bem? Logo você aprenderá a fazer as coisas tão rapidamente quanto nós, não se preocupe! – digo a ele, que me olhava atentamente. Ele sorri mais abertamente.

- Pode deixar, estou sob suas ordens senhori- digo, Carley! – Lee segura o fuzil em suas mãos com mais firmeza, e depois volta a encarar os mortos a nossa frente. Eu contenho um riso de sua empolgação, percebendo que ele parecia querer dizer algo mais, porém não o disse.

- Estamos prontos aqui! – Rob sinaliza com a mão em nossa direção, pedindo para que nos aproximasse. Eu assobio rapidamente para Matt, chamando sua atenção. Não foi necessário fazer o mesmo com Regina, já que quando me dei conta, ela já estava em meu encalço. Puxo a lâmina da bainha de minha espada, segurando firmemente em seu cabo, como de costume.

- Assim que fizermos barulho, provavelmente aqueles panacas vão ouvir... – instruo Lee sobre os zumbis enquanto todos os outros membros de meu grupo observavam as instruções com uma atenção, ao meu ver, desnecessária, considerando que todos eles já sabiam o que fazer.

- Não dispare a não ser que seja absolutamente necessário. Não queremos chamar atenção. – Digo olhando nos olhos do menino que balança a cabeça rapidamente.

- Entendi! Estou pronto! – ele tira um pequeno martelo do cinto, fico curiosa com o objeto ao me lembrar que ele chegara até nós da primeira vez, com isso em mãos. Desde então, sempre que saía do Forte, fazia questão de escolher a mesma arma branca.

- Fiquem atentos. – Digo para todos, e com um balançar de cabeça, a autorização para que Glenn e Rob começassem a cortar a cerca é dada.

Como previsto, assim que o primeiro balançar do gradeado é escutado, os zumbis próximos as barracas montadas no estacionamento se viram em nossa direção. O clicar do alicate chamava a atenção até dos mortos que não possuíam mais as forças para se levantarem, o que fazia seus corpos serem lentamente arrastados por suas próprias mãos, em uma ultima tentativa de participar de um banquete. Um zumbi que estava mais próximo se preparava para bater contra o gradeado ainda fechado, porém eu rapidamente ergo a ponta de minha espada e a ultrapasso nos espaços da cerca, fazendo a lâmina atravessar pela brecha e atingir o cadáver bem no meio de sua testa. Tiro a espada dali antes que seu corpo fizesse minha lâmina se prender.

- Quase lá! – Glenn avisa e eu me preparo para o próximo zumbi que se aproximava, aplicando a mesma estratégia anterior. A poucos metros de mim, Regina passava sua faca pelo gradeado, imitando meus movimentos e eliminando mais um morto.

- Atenção... – Rob diz, chamando nossa atenção. Vejo que a cerca estava prestes a ser aberta quando Glenn coloca o quebra-cadeado no meio das pernas e segura o lado direito do gradeado enquanto Rob segurava o esquerdo. Os dois aplicam força em cada direção, fazendo uma abertura grande o suficiente para que passássemos por ela encurvados. - Vai! Vai!

Sou a primeira a passar para o lado de dentro do estacionamento, dando de cara com um zumbi numa distancia perigosamente curta. Não havia espaço para que eu desferisse um movimento com minha espada, então apenas lhe empurro com meu ombro direito e mão esquerda, deixando minha lâmina erguida verticalmente, próxima ao meu rosto. O morto cai para trás, esbarrando-se em outro zumbi e o derrubando com seu peso.

Em questão de segundos, todos já estavam do lado de dentro do estacionamento após entrarem atrás um dos outros. Vou até ambos os zumbis caídos ao chão e os elimino rapidamente, apoiando meu pé no pescoço do mais próximo, o mantendo longe de mim, enquanto enfiava minha lâmina no queixo de seu companheiro, fazendo a espada atravessar-lhe o rosto, do queixo até o topo da cabeça. Tiro meu pé da garganta do cadáver que tentava em vão arranhar minha perna e pressiono minha bota fortemente contra o topo de sua cabeça, causando uma explosão decomposta em meu sapato, agora encharcado de sangue. Saio de perto de ambos puxando sutilmente minha espada de seu encaixe sangrento.

Matt segurava o pescoço de um dos zumbis, enquanto eliminava outro com sua machete. Após isso, meu amigo empurrou o cadáver restante e lhe desferiu um golpe diagonal, arrancando metade de sua cabeça. Glenn utilizava do quebra-cadeado em suas mãos como uma espécie de marreta, causando uma explosão de cabeças a poucos metros de nós. Um zumbi preso a uma barraca segurava com força a jaqueta jeans de Rob numa tentativa de arrancar um pouco de sua carne, já o moreno por sua vez apenas segurou a mulher cadavérica pelos cabelos, os puxando para cima e elevando seu rosto desfalecido, dando passagem para que a faca de Rob passasse por entre os olhos da zumbi. Outro grunhido é ouvido dentro da barraca.

- Vem me pegar, desgraçada! – Rob joga a cabeça de sua execução mais recente para o lado, afastando-se logo em seguida com alguns passos para trás. Uma pequena mão cadavérica surge aos grunhidos, ele segura seu pulso fraco, a puxando para fora da barraca com força. Vejo-o hesitar por um segundo, percebendo que sua próxima vítima se trataria de uma criança que não deveria ter um pouco mais de dez anos. Ele a encara por poucos segundos antes de finalmente atingi-la na cabeça.

Ouço um ruído atrás de mim, vendo que mais dois mortos se aproximavam. Ergo minha espada para o alto e me preparo para sua aproximação. Giro para a direita, desferindo um golpe diagonal contra a cabeça do homem morto, o eliminando rapidamente. Volto a erguer a espada para o alto e a giro na direção contrária, executando o mesmo movimento diagonal, dessa vez para a esquerda. Do outro lado do estacionamento, vejo Lee acertar seu martelo na mandíbula de um cadáver, e depois, acertando o topo de sua cabeça. Outro morto se aproxima, e o garoto apenas o empurra ao perceber que a ameaça viera com um companheiro.

Penso em ajuda-lo, mas Lee se mostra mais rápido do que eu pensara ao jogar seu corpo contra o zumbi mais próximo, o derrubando. Ele se levanta rapidamente, pressionando o pé contra a garganta de sua vítima, tal como eu fizera. Depois, ele gira o corpo, acertando a mandíbula do morto ainda de pé que o surpreendera inicialmente. Quando ambos cadáveres estão no chão, ele apenas os atinge múltiplas vezes na cabeça com seu martelo, como se seus crânios fossem pregos com a necessidade de serem fixados.

Vejo Regina dar passos para trás, cercada de três zumbis. Apresso meu passo em sua direção, mesmo que sua expressão fosse desafiadora. Ela empurra um carrinho de super mercado a sua frente, fazendo um dos mortos esbarrar no objeto. Um chute é desferido contra o zumbi mais próximo, o afastando rapidamente. Com a mão livre, ela agarra o pescoço do cadáver restante e enfia sua faca na lateral de sua cabeça, ele cai com um baque no chão. Ela pressiona o morto que chutara contra a parede, o eliminando da mesma forma que o anterior enquanto o zumbi restante finalmente se libertava do carrinho.

- Abaixa! – digo firmemente a ela, que apenas obedece ao meu comando bem a tempo que eu desferia um golpe vertical, cortando toda a extensão que corria do topo da cabeça do zumbi até seu queixo, o deixando como algo parecido a um bolo recém cortado, onde se podia ver o recheio de seu interior.

Definitivamente se foram os tempos que tínhamos que ter estômago pra essas coisas.

Ela me dá uma batidinha no ombro antes de passar por mim. Eu olho ao meu redor, a procura de mais mortos, encontrando apenas alguns que não possuíam forças para se levantar. Decido elimina-los por garantia, e todos começam a fazer o mesmo. Após alguns minutos, estamos novamente sozinhos.

- Chequem as barracas e os carros, peguem tudo que possa ser útil e deixe próximo ao cercado. Quando formos embora, podemos carregar tudo no carro. – Instruo, Lee levanta a mão timidamente. Eu levanto minha sobrancelha em sua direção e ele parece pensar se dizia ou não o que pensava.

- Alguma ideia, garoto? – Regina pergunta a ele, seu tom não estava ameaçador e sim instigador.

- Nã-não! É que... – ele me encara por alguns segundos antes de suspirar rapidamente – Não é melhor deixar as possíveis coisas num local menos visível? Quero dizer, vai que alguém passa na rua e...leva tudo?

Troco um olhar com Matt que dá de ombros com um riso nasal. Lee parecia desconfortável, como se não tivesse o direito a uma opinião ali. Ergo um dedo para cima, como se iniciasse uma contagem.

- Primeiro: Se tem algo a dizer, diga. É importante, principalmente quando estamos todos aqui fora. – Ergo mais um dedo – Segundo: Muito bem pensado. Não é à toa que fomos roubados pela sua namoradinha, certo?

Minha brincadeira arranca risos de Rob e um sorriso de Glenn e Regina. Matt começara a vasculhar um carro próximo, Lee sorri.

- Ela já te contou essa história, né? – me aproximo um pouco mais do menino, que possuía um certo brilho nos olhos.

- Já sim! Na verdade, quem me contou primeiro foi o pai dela. Ela teve que pedir pra ele parar e depois insisti pra que me contasse a história toda. Pareceu intenso! – Lee ri abertamente, o garoto hesitante não estava mais ali. Eu apenas sorrio de canto para ele.

- Onde colocamos as nossas tranqueiras, então? – Rob pergunta e eu penso por um momento, olhando em volta. Até que tenho uma ideia.

- E aí? – pergunto, apoiando a ponta de minha espada no chão, como uma bengala. Lee parece se surpreender com minha pergunta, seu nervosismo é aparente.

- Er... – o garoto começa a olhar em volta por alguns segundos, Matt parara de vasculhar seu carro, me olhando com um sorriso de lateral. Aparentemente, Glenn e Regina decidiram invadir algumas barracas próximas enquanto tudo era decidido.

- Que tal ali? – Lee aponta em direção a parede de tijolos, onde podia se ver uma cabine. Possivelmente, era onde o cobrador do estacionamento ficava.

Ali deveria ser uma espécie de sala de controle. Algo grande o suficiente, eu acho.

- Boa ideia! – começo a caminhar em direção a sala – Vamos por as coisas alí!

Todos respondem positivamente e continuam suas buscas, percebo que estava andando sozinha em direção a parede e paro, me virando a procura de Lee, que por sua vez parecia encarar um carro com curiosidade.

- Ei! – chamo sua atenção, sua expressão quase me faz rir. Me lembrava aquelas crianças levadas que eram pegas em flagrante roubando doces em festas. Esse garoto tem medo ou admiração?

- Você não vem? – pergunto a ele que parecia confuso. Ele olha para o carro e depois para mim.

É...talvez tenha um pouco dos dois sentimentos.

Ele sorri e apressa o passo em minha direção.

Ou...não?

- Depois, tiraremos os corpos daqui de dentro, certo? Não deve ter muitos. – informo a ele que balança a cabeça rapidamente, erguendo sutilmente seu martelo. Ergo minha espada no alto, a segurando com firmeza, enquanto levava minha mão livre até a maçaneta.

- No três. Um... – aperto a maçaneta, a girando devagar – dois...

- Três! – abro a porta com um solavanco e Lee puxa um cadáver parado a nossa frente para o lado de fora, eu apenas dou passagem a ele. Enquanto o menino martelava sua cabeça, eu adentro na sala mediana, cheia de apetrechos.

Um zumbi com uma das mãos algemadas a uma cadeira metálica começa a se esticar em minha direção, eu o ataco frontalmente, enfiando a ponta de minha lâmina em sua boca e depois puxo meu cabo para cima, abrindo sua cabeça completamente e o fazendo tombar para o lado. Uma mão agarra minha jaqueta, mas antes que eu possa reagir, vejo parte de um martelo surgir, prendendo uma das extremidades da ferramenta bem no topo da cabeça do morto, espirrando sangue em meu rosto. Ele, por sua vez, tomba no chão com um baque surdo.

- Valeu, garoto! – lhe dou um apertão no ombro e o menino sorri amplamente.

- Vou tirar eles daqui! – ele prende o martelo a sua cintura e começa a puxar um dos cadáveres para fora.

O potencial pode ser encontrado em todos, de fato. Só basta a oportunidade lhe ser lançada, que as pessoas mostram o que realmente são, e as vezes...

Elas podem ser boas.

Odeio quando Rey está certo.

Tiro o pensamento de minha cabeça com um leve chacoalhão, tirando um pequeno lenço do bolso de minha jaqueta e passando sobre meu rosto, retirando o sangue ali presente. Dou uma rápida olhada no local e encontro a visão aterrorizante de um homem que se suicidara. Ele estava sentado em sua cadeira de trabalho, a poucos metros de mim, um buraco no topo de sua cabeça, camiseta encharcada de sangue, bem como as paredes a suas costas. O revólver responsável a poucos centímetros do chão. Me abaixo e pego a arma de fogo, bem a tempo que Lee retornava a sala para recolher outro corpo.

Guardo minha espada na bainha e me agacho sutilmente, fazendo o corpo do suicida cair sobre minhas costas, e aplicando um pouco de força, consigo retira-lo dali com ele jogado sobre meus ombros. Vejo Lee saindo de meu caminho, abrindo espaço para que eu pudesse jogar o zumbi no chão do lado de fora.

- Queria ter força o suficiente pra isso! – ele brinca e eu balanço negativamente a cabeça.

- Não é força, é jeito! – digo a ele, que parece atento em minhas palavras – O segredo é saber dividir o peso dele!

- Certo! – ele ri nasalmente, olhando impressionado para o homem que não aparentava ser tão magro assim – Mas qual é! Já vi você se exercitando pelo forte, isso ajuda com certeza!

- Já disse, não é força! – rio nasalmente, balançando a cabeça e andando de volta ao nosso grupo. Agora que a sala já estava limpa, era só colocar os novos achados lá e esperar o momento de voltarmos. Rob é o primeiro a passar por nós com uma mochila em mãos, eu levanto meu dedão em sua direção, confirmando que a sala estava liberada.

- Enlatados! – Ele diz rapidamente, me lançando uma piscadela. Fico feliz em acharmos comida, nada de mãos vazias, ao menos.

E nem sequer havíamos entrado. Acho que se tudo desse certo, precisaríamos de mais gente pra transportar tudo. Poderíamos trancar tudo para que não roubassem o lugar.

- Posso te ensinar um dia desses. – Comento com Lee, que parece se empolgar com a ideia.

- Quero! Quando quiser! Só dizer! – seu entusiasmo me diverte por um momento, lhe dou dois tapinhas nas costas.

Ele me lembra Rey, de certa forma. Quando o conheci. Algo sobre seu entusiasmo ou sua sede de ajudar me é... familiar.

 Potenciais escondidos, huh? Talvez, Carley...talvez.

- Agora vá. – Digo a ele, que rapidamente se afasta de mim, ainda com um semblante feliz no rosto.

Me aproximo de uma caminhonete, retirando minha espada da bainha. Havia uma mulher ao volante, com o rosto apoiado em um airbag estourado. Abro a porta e vejo seu rosto se mover lentamente, antes que pudesse tentar qualquer coisa, pressiono a ponta de minha espada em sua testa e a empurro para o lado, passando meu corpo sobre o seu e esticando minhas mãos até o porta-luvas.

- Viu aquilo? – Regina comenta as minhas costas, eu não tiro meus olhos do porta luvas.

- O que foi? – pergunto.

- Acho que tentaram fazer alguma coisa aqui. – Ela diz, eu estico meu rosto até o vidro do para-brisa, a procura de algo incomum.

- Há barracas, então tentaram se fortificar por aí. Obviamente não deu certo. – Respondo a ela.

- Não me parece muito seguro mesmo...todas aquelas rachaduras, não sei! – Regina diz e eu fico curiosa, a encarando pela primeira vez. Percebo que ela segurava uma pequena caixa de madeira com ambas as mãos.

- Rachaduras? – pergunto mais uma vez, ela apenas aponta em direção ao Big Spot.

Estico minha cabeça mais novamente, retirando meu corpo de dentro do carro. Encaro as bases do Big Spot e percebo pela primeira vez longas rachaduras diagonais, vindas de cima para baixo. Partes da pintura e alguns adereços as haviam escondido na primeira vez que pus meus olhos em seu todo, seus rachados eram grossos no topo e iam se afinando à medida que desciam pela estrutura.

- Todos os prédios tem rachaduras, Regina. – Digo a ela que ergue uma sobrancelha em minha direção.

- Daquele tipo? – ela pressiona mais a caixa de madeira contra si, vejo que havia alguns antibióticos dentro da mesma. Mordo meu lábio sutilmente e volto a encarar a estrutura.

Preciso disto.

- E se aquilo cair, Carley? – ela fala quase como um sussurro, enquanto não tirávamos os olhos do grande mercado.

Você deve a eles. Tudo que puder encontrar, lembra? É seu trabalho. Seu papel.

- Nós vamos entrar. – Digo a ela, que troca um olhar preocupado comigo. Suspiro pesadamente e volto a adentrar o carro no qual estava próxima. Regina permanece imóvel, olhando hesitante para o Big Spot.

- E vamos sair inteiras.


Notas Finais


E aí? O que acharam? O que esperar?


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