História The Night Dancer - Capítulo 35


Escrita por:

Postado
Categorias Grey's Anatomy
Visualizações 169
Palavras 5.804
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 35 - Negociações


Fanfic / Fanfiction The Night Dancer - Capítulo 35 - Negociações

Pov Arizona

Porque a vida tem o prazer de mudar constantemente? Quando você pensa em se acostumar com a situação, ela muda totalmente quando menos esperamos, deixando nosso mundo perdidamente revirado. Em um dia, Callie destilava ódio e rancor, e agora ela simplesmente estava deitada em minha cama em um sono profundo.

Louca...

Eu neguei mentalmente e sorri ao fitar sua expressão serena enquanto dormia. Acariciei suas madeixas escuras em um carinho calmo, sentindo a mulher suspirar confortavelmente.

- Onde eu estava com a cabeça quando me envolvi com você?

Sussurrei para Callie que nem sequer ouviu. Deslizei o polegar sobre a pele macia de seu rosto, constatando o quão bela ela poderia ser até dormindo. Com toda certeza, Callie Torres foi uma das obras mais belas já feitas.

"Você está sendo besta demais, Arizona"

Disse a mim mesma em pensamentos, mas era em vão, eu não conseguia diminuir a frequência do que sentia por aquela mulher, era alucinante como, a cada instante, ela ganhava mais um pedacinho de mim. Isso poderia ser normal? Se era normal, eu não podia dizer. Eu simplesmente sentia.

Sentia uma necessidade de estar perto, de senti-la comigo. De ouvir sua voz, de receber seu olhar penetrante, e seu beijo carinhoso. Gostar de Callie era como um labirinto sem fim, você nunca poderia saber como parar. Uma espécie de frenesi em sentimentos. Eu estava perdida, pois o destino tratou de unir duas pessoas no qual provavelmente nunca dariam certo, ou até poderiam dar. Sorri e continuei com os carinhos quando ela se remexeu devagar, se aconchegando em meus braços em busca de calor. No instante que seu corpo se juntou ao meu, eu parei com os carinhos, recebendo uma reclamação quase inconsciente.

- Não para não... – Sussurrou ela sonolenta me fazendo sorrir.

- Pensei que estivesse dormindo.

Callie sorriu fraco, suspirando forte.

- Se eu ficar acordada, você para.

Mordi os lábios e sorri. Sua embriaguez a deixava manhosa e mansa, mostrando uma Callie totalmente rendida. Muito diferente do que estava acostumada.

- Paro mesmo.

- Então já vou dormir, Ari. Apenas continue...

Callie sussurrou juntando mais meu corpo no seu, colocando seu rosto na curva de meu pescoço. Não demorou muito para sentir seus lábios irem de encontro a minha pele em um beijo calmo. Eu fechei os olhos sentindo sua mão escorregar devagar sobre meu abdômen em um carinho com uma pitada de malícia.

- Callie...

- Shiii, fica quieta, Ari... São só carinhos.

Sussurrou ela subindo com a mão até meu seio, por cima do tecido da roupa no qual usava. Ela ficou com a mão parada por alguns instantes, até que devagar começou a massagear.

- Você está bêbada. Pare.

Ela sorriu e mordeu os lábios.

- Só um pouquinho. Deixe-me continuar, você ama meus carinhos.

Eu semicerrei os olhos em sua direção e sorri. O que deu apenas mais gás para ela continuar com seus carinhos. Callie deixou suas mãos adentrarem o moletom que eu usava, deslizando os dedos por toda extensão de meu abdômen calmamente. Seus lábios deslizavam calmos por meu pescoço, obrigando meu corpo a pedir por mais.

- Porque você não consegue ficar quieta?

- Não dá pra ficar quieta com uma mulher como você do meu lado, Arizona.

- É claro que dá...

Mordi os lábios quando senti seus dedos pressionando meus seios de forma gostosa, Deus! Callie era uma mistura adocicada de agressividade e delicadeza. Com a palma da mão ela passou a apertar mais, enquanto sua língua se movia frenética em meu pescoço. Enviando informações rápidas demais ao centro que começava a ficar úmido.

- Os adoro sabia? Apertá-los assim, chupá-los então...nossa...

Porra, ter aquela mulher com o corpo praticamente sobre o seu, sussurrando tais tipo de coisa em seu ouvido era no mínimo enlouquecedor. Com o fio de sanidade que me restava, levei a mão sobre a dela, parando seus atos no mesmo instante.

- Acho que vou ter que dormir na cama com Maura. – Falei me levantando.

- Nem sonhando!

Callie falou alto puxando-me de volta para a cama.

- Shiiu, quer que nos escutem?

- Não, me desculpe, Ari. Eu fico quieta, eu prometo!

- Você não vai ficar quieta! Tem algum ímã pra sexo em você!

Callie abafou o riso que teimou em sair de seus lábios.

- Eu tenho um ímã com você, Ari!

- Callie, eu já disse, quero conversar com você primeiro.

- Podemos fazer amor e depois conversar?

- Não, vamos dormir. E amanhã vamos conversar. Você está num estado alcoólico deplorável.

- Tudo bem, mas me deixe ficar assim contigo? Não vou fazer nada.

Droga, droga! Porque ela tinha que pedir daquele jeito? Porque tinha que ser tão convincente? Eu neguei com a cabeça, e Callie se deu conta que já havia ganhado a batalha, pois rapidamente me envolveu com os braços.

- Sem gracinhas, Torres.

- Ok, Sra. Robbins, sem gracinhas.

Eu sorri me aconcheguei em seu corpo quente. Eu não iria desperdiçar a oportunidade de tê-la daquele jeito essa noite, eu não sabia como seria o dia seguinte. Com Callie, o futuro sempre era incerto.

[...]

Acordei sentindo um frio sobre todo meu corpo. Muito diferente do calor no qual Callie me ofereceu durante toda madruga. Ao deitarmos, fizemos o acordo de que não haveria nenhum tipo de contato físico entre nós, o que foi em vão, é claro. Passamos a madrugada quase nos unindo em uma só.

Espreguicei-me devagar, sentindo todos os músculos do meu corpo relaxados. Deslizei os braços sobre a cama, sentindo o vazio ao meu lado. Não! Eu neguei mentalmente pedindo a Deus que não estivesse acontecendo o que eu estava imaginando. Ao abrir os olhos e encarei o vazio, Callie já não estava mais ali.

Eu neguei com a cabeça praguejando Deus e o mundo por ter deixado a mulher ficar na noite anterior. Levantei da cama em um solavanco, caminhando em direção ao banheiro onde só pude ver o moletom que ela havia usado na noite anterior.

Maldita, Maldita!

Eu não tinha como explicar a raiva que me consumiu ao notar sua ausência ali. Se Callie estava pensando que poderia brincar comigo de tal maneira, estava muito enganada. Uma espécie de magoa e ressentimento tomou conta de meu interior, por mais que no fundo eu soubesse que havia uma grande possibilidade daquilo acontecer, eu tinha esperança que ela fizesse diferente, que ela me surpreendesse.

Bufei descontente pegando o moletom que ela havia vestido aquela noite, seu cheiro tão bom permanecia no pano macio me fazendo viajar em sensações, que rapidamente cuidei de interromper. Callie iria aprender a me da valor.

Tomei um banho morno demorado, deixando que a água quente fizesse todos os músculos tensionados do meu corpo relaxar. Eu estava como um vulcão a ponto de explodir em lavas de raiva. Vesti-me rapidamente optando por um terninho preto, e blusa de botão branca. Saltos da mesma cor com detalhes dourados. Deixei meus cabelos soltos, levemente ondulados. Uma maquiagem mediana, ressaltando olhos e boca. Eu entraria impecável naquela empresa, mostrando à mulher a falsa aparência de que tudo estava perfeitamente bem para mim.

- Bom dia para você também, Ari!

Maura falou sentando ao meu lado a mesa no café da manhã.

- Bom dia. – Soltei mal humorada.

- O que houve? – Jô perguntou afagando meus cabelos ao se aproximar.

- Nada, Jô, só mau humor mesmo. – Desconversei para não dar explicações.

- Mau humor que tem nome e sobrenome, não é?

Fitei Maura enquanto a mesma tomava um gole de seu café quente.

- O quê?

- Seu mau humor, se chama Callie Torres.

- Como sabe?

Semicerrei os olhos em sua direção.

- Eu vi vocês duas entrando de madrugada, Srta. Barulho!

- Callie dormiu aqui? – Jô perguntou com os olhos arregalados.

- Sim, e vejo que não fez o serviço direito pela cara de Arizona.

- Sem gracinhas, Maura! – Esbravejei me levantando.

Terminamos de tomar o café da manhã em silêncio, ou melhor, comigo em silêncio. Jô e Maura conversavam hora ou outra sobre assuntos de trabalho que estavam as deixando loucas. No caminho até a

Torres Industry, eu continuei em silêncio, sendo alfinetada por Maura que criticava meu mau humor. Mas nem sequer liguei, eu realmente estava insuportável aquela manhã.

Entramos no elevador da empresa quando Maura desembestou a falar.

- Pode me dizer o que aconteceu? Seu mau humor está me contagiando! O que Callie fez?

Eu fechei os olhos, respirando fundo.

- Eu não quero falar sobre isso, Maura! – Soltei de forma seria.

- Somos suas amigas, Arizona! E você está distribuindo patadas feito uma égua desde que saímos de casa. E não sabemos nem sequer o motivo!

Maura tinha razão, eu não tinha o menor direito de descontar minha raiva de Callie nas únicas pessoas que faziam meus dias melhores.

- Ela simplesmente foi embora, Maura, depois de me pedir pra dormir lá com todo carinho, ela saiu sem nem sequer dar uma explicação. – Falei acuada, ressentida.

- Você não a viu sair?

Seu tom de voz se acalmou.

- Não, eu acordei e ela já não estava mais lá.

- Realmente isso foi uma sacanagem.

- Agora você consegue entender meu mau humor?

- Sim, Ari, é claro que entendo.

- Eu disse que ela tinha motivos, Maura – Jô falou me abraçando devagar.

- Ok, mas não custava nada nos contar! Eu só não consigo entender porquê ela fez isso.

- Porque ela é uma otária, covarde e arrogante...- Comecei a listar todos os adjetivos negativos no qual eu encaixaria Callie.

- Arizona...- Maura falou.

- Que só pensa nela o tempo inteiro, idiota! Estúpida! – Continuei a falar sem parar.

- Ari...

- Eu não sei o que tive na cabeça sinceramente, sabe?

- Brooke! - Maura quase gritou.

Eu fitei a mulher sem entender, seus olhos estavam arregalados em minha direção, mas não estavam olhando diretamente para mim, e sim para algo atrás de mim. Eu me virei devagar notando Callie parada na porta do elevador que agora estava aberta. A mulher me fitava com os olhos semicerrados.

- Posso saber de quem está falando com tanta fúria, Srta. Robbins?

Engoli em seco e Callie adentrou o lugar, seu tom de voz rouco e superior invadiu a pequena caixa de metal no qual estávamos. Trinquei a mandíbula e fechei as mãos em punhos afastando a enorme vontade de matá-la ali dentro mesmo. Jô e Maura encostaram-se à parede do elevador, desviando os olhos de ambas.

- Quer mesmo saber, Torres? – Soltei as palavras com cinismo evidente.

- Sim, quero.

Callie respondeu rapidamente, quando as portas do elevador se fecharam atrás de si.

- Então, não vai dizer?

- Falo de você, sua idiota! – Esbravejei furiosa peitando a mulher que curvou os lábios em um pequeno sorriso.

Maldita.

- Ari, se acalma. – Ouvi a voz de Jô atrás de mim, e suas pequenas mãos segurando meu braço.

Callie me olhava séria, com aquele par de olhos castanhos tão fodidamente penetrantes e envolventes.

- Eu não vou me acalmar, Wilson! Callie pensa que é dona do mundo e que pode fazer o que bem entender.

- Srta. Robbins você não deveria falar sem...

- Cala essa boca que eu estou falando! – Gritei furiosa.

- Arizona... - Foi a vez de Maura se aproximar.

Pov Callie

Arizona estava simplesmente furiosa, cuspindo fogo pela boca. Eu confesso que estava me segurando por dentro para não rir de sua fúria animalesca. Segurei o riso que quase saiu ao encarar seus olhos flamejantes de raiva contra mim enquanto a mulher falava sem parar. As veias de seu pescoço saltitavam grossas pela forma exaltada como falava. Eu apenas me calei, ouvindo cada palavra que ela tinha a dizer. Aprendi, em algum documentário de canal fechado, que o melhor a se fazer nesses momentos é deixar a mulher extravasar toda sua raiva para depois se explicar. Ou a possibilidade de ela voar em cima de você era quase mil.

- Ari...

- Não vem com "Ari" não, você me largou lá sozinha e saiu. E agora vem como se nada tivesse acontecido!

- Arizona tenta se acalmar.

Wilson falou tentando segurar no braço de Arizona novamente.

Eu fitei as duas mulheres que pareciam estar um tanto temerosa com os atos de Arizona.

- Você é uma idiota, arrogante... Mas eu sou bem pior por cair na sua, por deixar você ficar.

Arizona não parou um só minuto de falar, eu não conseguia entender de onde saía tanto fôlego de dentro de uma mulher tão delicada.

- Sinceramente, você é uma filh...

Em um ato desesperado de fazê-la parar com os insultos eu rapidamente levei as duas mãos a sua nuca, puxando seu rosto em direção ao meu. Tomando seus lábios em um beijo furioso.

Eu fechei os olhos sentindo os lábios da loira colidir contra os meus com força, suas mãos em repleto desespero se debateram em meus ombros na tentativa falha de me fazer parar. Mas aquilo só me impulsionou mais a continuar. Entrelacei os dedos em suas madeixas escuras impedindo que sua boca desgrudasse da minha. A loira mordeu meus lábios devagar, e deixou-se render, descansando as mãos sobre meus ombros. Arizona abriu a boca dando-me passagem para deslizar a língua sobre a sua em uma forma carinhosa de acalmá-la. Beijamo-nos por sei lá quanto tempo, quando soltei a loira percebemos que o elevador se fechava novamente, mas dessa vez estávamos completamente sozinhas.

Arizona recuou alguns passos com a respiração ofegante, seus lábios estavam vermelhos e tão desejáveis. E eu apenas a fitei com a respiração pesada. A loira se segurou na barra que havia dentro do elevador, e me fitou um pouco inerte ainda.

- Eu não quero falar com você Callie, saia.

Neguei com a cabeça e me aproximei da mulher, segurando carinhosamente em seu rosto no qual fiquei próxima demais. Eu olhei no fundo daqueles azuis tão profundos e misteriosos por alguns segundos.

- Desculpa ter saído sem te avisar, amor, Elena me ligou de manhã cedo pedindo que eu a buscasse no aeroporto. Você estava tão linda dormindo que simplesmente não quis lhe acordar.

Falei calmamente enquanto fazia um carinho calmo no rosto da loira que me fitou confusa.

- Você esta brincando comigo? Para, me deixa.

Eu sorri calmamente.

- Não, eu juro que não, vem aqui. – Puxei a loira novamente.

Arizona meneou com a cabeça negativamente, e eu a puxei para um beijo novamente. Eu não sabia por quanto tempo ficamos dentro daquele elevador, mas finalmente saímos e agora com Arizona bem mais calma do que quando entrou. A loira caminhou ao meu lado calada, e eu apenas segurei em sua mão por breves segundos.

- Para provar que não estou mentindo, venha até minha sala.

- Você não tem que me provar nada.

- Deixe me lhe mostrar. Eu sei que temos que conversar muito ainda.

- Sim, nós temos.

- E vamos, mas antes, venha comigo.

Ela assentiu e caminhamos rumo a meu escritório. Quando entramos, Arizona deu de cara com Elena que não poderia ter ficado mais animada em vê-la ali.

- Zona! Finalmente! Callie disse que iria lhe buscar para me ver.

- Oi, Lena! Nossa que saudade!

Eu sorri ao vê-las juntas. Arizona tinha a enorme facilidade fazer as pessoas amá-la rapidamente. E Elena havia se dado bem demais com a mesma, poderia até parecer que a irmã era Arizona e não eu.

- Eu já estava morrendo de saudade de você que sumiu! Você tem que convencer Callie ir mais vezes em casa. Assim você pode ir junto, mas se ela não quiser, vá assim mesmo!

- Deixe comigo, eu vou convencer ela a ir.

Eu sorri e neguei com a cabeça.

- Cheguei cedo demais, o voo foi mais  rápido do que pensei. E liguei para a Srta. ali me buscar. Não sei onde ela estava, mas acordou com uma voz de bêbada.

Arizona sorriu vendo Elena andar de um lado para o outro falando sem parar de meu estado ao acordar.

- Venho de México e ela me atende mal humorada por acordá-la cedo! Acredita?

- Imagino, a Sra. Torres me parece acordar de mau humor mesmo.

- Depende de quem me acorda, Srta. Robbins.

Falei rapidamente olhando em sua direção, a loira rapidamente desviou o olhar.

- Se fosse uma de suas namoradinhas, você iria acordar feliz!

- Uma de suas namoradinhas? – Perguntou Arizona com uma sobrancelha arqueada.

- Sim!

- Não!

Elena e eu falamos ao mesmo tempo.

- Bom, quer dizer...antes Callie era bem louca sabe? Pegava muitas. Hoje em dia que ela anda mais solitária.

- Quem lhe garante?

- Ninguém, mas saiba que só aprovo uma pessoa para esse cargo na sua vida, não é, Srta. Robbins?

- Lena...

Entreolhamo-nos rapidamente, e a menina sorriu.

- Enfim, eu vim para comprar algumas coisas. E, Callie, eu queria que você liberasse Arizona essa noite.

- Você quer a minha secretária?

- Sim, quero.

- Mas que abuso!

- Você vive grudada nela o tempo todo que eu sei! Não custa nada dividir, não se preocupe que não tenho as mesmas intenções com ela.

Arizona que bebia um copo de água engasgou-se assim que ouviu Elena falar.

- Ótimo. Por mim tudo bem, só não se atrase Arizona, temos uma reunião importante às quatro com os donos da Issartel.

- Não se preocupe ,Sra. Torres, estarei aqui.

- Bom dia, meninas.

Arizona saiu na frente e Elena me fitou pela última vez para então dizer:

- Está me devendo essa, Torres!

Eu sorri. Elena sabia muito bem disfarçar toda a situação. Eu não havia saído da casa de Arizona tão cedo para buscar Elena no aeroporto. Eu havia saído sem motivo algum, por apenas ter medo do que viria daqui pra frente. O maldito ressentimento, às vezes, falava mais alto. Mas como se o destino tivesse a plena intenção de não me fazer errar, Elena apareceu.

"- Estou na frente do seu prédio, pode por favor me dar autorização de entrar? Acabei de chegar do aeroporto. – Ouvi a voz de Elena no interfone.

- O que está fazendo aqui a essa hora?

Perguntei confusa, olhando para o relógio, não eram nem seis da manhã.

- Céus, Torres, deixe-me entrar e eu explico!

Não demorou muito para ver Elena adentrando meu apartamento com a pequena mala. Eu semicerrei os olhos em sua direção, e ela sorriu animada caminhando em minha direção.

- Meu Deus, que cara de ressaca é essa, Callie? Você está horrível!

- Bom dia para você também, maninha!

Falei de forma sarcástica que a fez rir.

- Bom dia! Mas agora me diga o porquê de estar parecendo uma mendiga toda amassada e com cara de quem virou a noite enchendo a cara. – Elena falou sentando ao meu lado no sofá.

Eu fechei os olhos sentindo a forte dor de cabeça tomar conta de mim. Massageei as têmporas devagar, franzindo o cenho em cada pontada de dor.

- Não quero falar disso..

- Calliope Iphegenia Torres o que você aprontou?

Levantei a cabeça que estava inclinada para trás e fitei os olhos claros e acusativos de Elena em minha direção.

- Acabei de sair da casa de Arizona.

A menina sorriu como se eu tivesse contado a melhor notícia do dia.

- Não fique tão animada, eu sai de lá. E isso não é nada bom, ela vai me odiar.

- Odiar? Mas por quê? Explique-me.

Olhei para Elena por alguns segundos, pensando que ela seria uma das melhores pessoas para me aconselhar agora. Apesar de mais nova, Lena era muito madura e responsável. Aproximei-me mais dela, contanto tudo que havia acontecido do começo ao fim, sem tirar sequer uma vírgula de toda confusão em que eu me encontrava.

- Nossa! – foram as palavras dela quando terminei de contar tudo. 

- O que eu faço, Lena?

A menina levantou com os olhos semicerrados, andou de um lado para o outro meio que processando todas as informações que eu havia acabado de dar. Como eu, Elena parecia ter ficado um tanto perdida. Ela ficou uns bons minutos pensando, quando num estalo falou:

- O que você não devia ter feito era ter saído de lá! Ela vai querer matar você e com razão! Porque você é tão complicada, Callie?

- Depois de tudo você ainda me chama de complicada? E a parte que eu fui enganada? Não conta?

Elena revirou os olhos impaciente.

- Não, ela só é uma...- Elena deu uma pausa demorada para então falar com a maior naturalidade do mundo – Uma stripper!

- "Só", não é? – Soltei irônica.

- Deixe de ser idiota. Pelo que entendi você se apaixonou pelas duas versões de Arizona, não é?

Dei de ombros e assenti.

- Então qual o problema de tudo? Callie você é uma mulher de sorte! Se apaixonou pela mesma mulher. Isso, com toda certeza, evitou um problema muito grande de infidelidade.

A garota falou rindo, enquanto caminhava em direção à cozinha.

- Elena qual a parte que ela mentiu pra mim que você não entendeu?

Elena abriu a geladeira servindo-se de um copo de suco, tomando o mesmo calmamente enquanto eu a fitava.

- Qual a parte que ela não te contou porque não queria te perder que não entendeu?

Eu nada falei, apenas me encostei no balcão negando com a cabeça.

- Callie, é nítido que você a ama! Eu nunca em toda minha vida vi você assim por mulher nenhuma.

- Assim como? – Perguntei confusa.

- Assim: idiota!

Bufei e saí andando. E Elena rapidamente correu atrás de mim.

- Em minha pouca experiência amorosa, eu acho que você deveria deixar esse seu orgulho idiota de lado. Arizona é uma mulher que vale a pena, e pelo que me disse ela não se envolveu com mais ninguém dentro dessa tal boate. Eu acredito que você seria uma tremenda burra de deixar ela ir.

- Gostou tanto dela assim? – Sorri ao perguntar.

- Claro, ela é linda e muito inteligente, carinhosa. E amou nossa família. O contrário de todas as suas ex namoradas, é claro.

- Ei! Eu já tive outras namoradas bem bonitas!

- Sim, mas elas eram burras ou interesseiras!

Eu sorri ao lembrar todas as vezes que Elena bateu de frente com minhas ex-namoradas.

- Escute a voz da razão Callie, eu estou certa.

- Elena...

- Shiiu, vá tomar um banho, vista roupas boas. E vá buscar aquela mulher agora. Ela vai querer pular no seu pescoço!

Eu soltei uma risada, sentindo a dor novamente pulsar em minha cabeça.

- Ela vai me matar.- Resmunguei.

- Eu mataria também, imagina! Você pede pra dormir com ela e de manhã vai embora sem sequer dar explicação? ! Não, não! Arizona está sendo paciente demais com você.

- Eu acho incrível sua capacidade de sempre ficar do lado dela. – Resmunguei caminhando para o meu quarto.

- Minha cunhadinha precisa ser apoiada! – Elena gritou se jogando em minha cama, enquanto eu seguia para o banheiro.

- E eu que sou sua irmã?

- Você está errada, Callie, aceite que dói menos! Agora seja rápida, eu ainda quero ser madrinha do casamento de vocês!"

Eu abri os olhos assim que ouvi algumas batidas na porta.

- Entre.

Não demorou muito para que a porta abrisse dando espaço para alguém entrar, Maura.

- Com licença, Sra. Torres, queria falar com você.

- Claro, Maura, sente-se.

A mulher caminhou calmamente, sentando-se a minha frente com um olhar sério.

- Posso saber do que se trata a conversa?

Maura respirou fundo e assentiu.

- Primeiro gostaria de falar que aqui quem fala é Maura amiga de Arizona, e não sua funcionária.

- Certo, sou toda ouvidos.

- Bom, Callie eu sei que não devia estar me metendo na relação de vocês duas. Mas Arizona é como minha filha, e me sinto no dever de protegê-la. E eu queria pedir que você tomasse cuidado, Ari é uma mulher muito forte, mas eu sei o quanto ela já sofreu. E sofrer novamente não está em seus planos.

- Maura... – Tentei falar.

- Deixe-me terminar, por favor.

Eu assenti.

- Eu sei o quão difícil deve ser para você toda essa situação, eu realmente lhe entendo. Mas Arizona é uma mulher maravilhosa, ela nunca agiu de má fé ao se envolver com você. Eu sei porque eu presenciei cada momento. Você pode não acreditar, já que sou a melhor amiga dela, mas eu garanto, com minha palavra, que a intenção dela nunca foi negativa, ela não é o tipo de mulher interesseira que correria atrás do seu dinheiro, se é o que está pensando.

- Eu nunca pensei que ela fosse, nem no momento de pura raiva. Maura, eu acho muito bonito de sua parte vir até aqui para proteger Arizona, mas eu quero lhe dizer que fique tranquila, eu não tenho a menor intenção de me vingar ou algo do gênero. Apesar de toda confusão, eu nunca duvidei do caráter da Srta. Robbins, se eu tivesse pensando algo diferente, com toda certeza, ela não continuaria aqui.

- Eu só não quero ver ela sofrer, Callie.

- Nem eu. Eu a amo Srta. Isles. Amo aquela mulher como jamais pude imaginar. Eu só ando um pouco confusa demais, eu realmente espero que me entenda. Pois a situação em me encontro não é fácil.

- Eu sei, eu imagino. – Seu tom de voz foi calmo.

- Não se preocupe, ok? Eu tomei a decisão de que não quero ficar sem ela, e vou provar isso para ela.

- Isso me deixa mais tranquila, Callie. Porque, sinceramente, se você fizer a minha Ari sofrer eu acabo com sua vida, com todo respeito Sra. – Ela terminou a frase com educação.

Eu soltei uma risada baixa.

- Posso lhe demitir por me ameaçar, você sabe, não é?

Perguntei em tom de brincadeira.

- Eu não iria me importar ,Sra.,eu defendo aquela garota com unhas e dentes.

- Continue assim, Srta. Isles.

Ela assentiu com um sorriso.

- Bom, era apenas isso. Obrigada por me ouvir.

- Não tem que agradecer, obrigada por me entender.

Ela sorriu se retirando da sala rapidamente. Era bom ver como Arizona poderia ser protegida por tantas pessoas. Com aquele jeito meigo e carinhoso, ela havia conquistado muitos por ela e isso, com toda certeza, me deixava mais tranquila.

Pov Arizona

Dei três leves batidas na porta amadeirada esperando sinal de alguém. Eu estava em frente à minha antiga casa, ou melhor, casa de Bárbara. Depois de longas horas de compras para a enorme festa que Elena faria esse final de semana para seu aniversário, a garota tomou a decisão que queria conhecer minha irmã mais nova, e como Callie, Elena não aceitava um "não" como resposta. Durante todo o tempo, a garota me fazia perguntas sobre família, amigos, passado. Na tentativa de me conhecer mais, o que particularmente eu preferia deixar para trás, mas não recuei. A menina era sempre muito simpática e me transmitia uma confiança muito grande.

Bati novamente quando dei de cara com a baixinha a minha frente.

- Zona! – Ela falou me abraçando.

Envolvi a menor em um abraço apertado carregado de saudade. Era sempre bom visitar Alice, a mesma sempre me recebia de braços abertos, o contrário dos outros, é claro.

- Estava com saudades, pequena! – Sussurrei para a menina que sorriu.

- Eu também, Zona!

- Trouxe uma amiga para conhecer você. – Falei apontando para o carro onde Elena estava.

- Callie está lá dentro? - A menina perguntou animada.

- Não, Ali, Callie está trabalhando agora.

Ali mudou expressão de forma tristonha, era incrível ver como as duas, em poucos dias, criaram um laço de amizade forte. Callie havia me surpreendido ao se dar tão bem com a menor.

- Não faça essa cara, quem está lá é a irmã de Callie e ela quer muito conhecer você.

- Estou com saudade da Cal, Zona! 

"Ali? Quem está ai?"

Ouvi a voz de Bárbara, e rapidamente me levantei. A mulher apareceu na porta enquanto limpava as mãos em um pano fino.

- Entre agora, Alice! – Ela ordenou.

- Mas mama...- Alice resmungou.

- Entre garota! Estou mandando! – Bárbara puxou a pequena pelo braço a colocando para dentro.

- O que pensa que está fazendo? – Falei furiosa na tentativa de pegar

Alice de volta.

Bárbara me olhou séria, fechando a porta atrás de si, trancando Alice dentro de casa.

- Ora, ora. Quem está aqui... sua cafetina lhe deu tempo para visitar a família?

Eu revirei os olhos em pura fúria.

- Vim apenas visitar minha irmã, que por sinal é a única família que eu tenho.

- Claro, imagino. Por isso está querendo tomá-la de mim, não é?

Eu fitei a mulher com um olhar confuso. Bárbara permanecia séria, me fitando de forma que transmitia nojo.

- Do que está falando?

- Não seja cínica, Brooke. A notificação chegou essa semana, como você ousa querer tomar sua irmã de mim?!

- Eu só quero o melhor para ela! E, com toda certeza, não é você.

- Você é uma abusada! Eu sou a mãe dela, entendeu?!

Eu respirei fundo, pedindo a Deus, internamente, que me desse a paciência que eu já não tinha mais.

- Você é tudo, menos uma mãe!

- O que quer dizer com isso, Arizona? – A mulher perguntou brava.

- Que uma mulher tão suja e mal amada feito você não pode ser chamada de mãe.

Eu podia sentir o clima pesado entre nós, a mulher me fitava com tanta raiva que eu poderia até me sentir mal se não estivesse preparada a cada vez que a encontrasse.

- Quem é você para falar de mim? Hum? Uma puta! Está dando o golpe na empresária agora? – Seu tom de voz foi de puro sarcasmo, fitando o carro importado de Callie estacionado a frente.

Deus, eu me sentia enjoada.

- Não fale besteira!

- Muito esperta, não é, Arizona?! Agarrou logo a oportunidade. Agora vive no meio do dinheiro e do poder. Quanto ela lhe paga por noite? Você tem mais outra?

Eu fechei os olhos com força, afastando aquelas palavras de meu pensamento. Mas as mesmas entravam em minha cabeça com uma frequência rápida e forte demais, eu estava enlouquecendo. Recuei alguns passos, mas a mulher se aproximou e continuou a falar.

- Não esperava nada diferente de você. Uma prostituta de primeira, e ainda quer ter a moral de pedir a guarda de sua irmã. Vamos ver o que o juiz vai falar quando eu disser que uma puta de boate está querendo tomar minha filha.

- Eu sou muito melhor do que você! Você é um ser desprezível! – Esbravejei para ela.

Bárbara sorriu sarcástica.

- Ele não vai acreditar em nada. Vou dizer que você saiu de casa para se prostituir por aí, e que agora está se deitando com uma mulher rica por dinheiro e quer levar sua irmã junto! – Ela praticamente gritou.

E eu não suportei, num impulso soltei uma das mãos no rosto da mulher com força. Deus!

- Como ousa me bater?

A mulher falou virando o rosto em minha direção com a mão sobre a face. Eu neguei mentalmente segurando a enorme vontade que eu tinha de chorar. Eu nunca havia feito aquilo antes.

- Saia da minha casa agora! E não apareça aqui nunca mais, Brooke! Eu não quero olhar para essa sua cara nojenta!

Eu recuei respirando fundo.

- Eu vou tirar Alice de você, Bárbara, eu vou dar o melhor futuro à ela!

A mulher soltou algumas palavras pesadas às minhas costas, e eu simplesmente caminhei de volta para o carro à minha espera. Ao entrar, Elena me fitou assusta a me ver chorando, mas eu nada falei, apenas deixei que a menor me consolasse. Ao chegarmos em frente à Torres Industry, eu já estava normal. Taylor, rapidamente, saiu de seu lugar para abrir a porta do carro para Elena e eu.

- Lena?

Segurei no braço da garota que me fitou.

- Sim?

- Não conte nada à Calliope.

- Por quê?

- Não quero que ela se preocupe, já temos confusão demais na nossa vida.

Elena me fitou por breves segundos e assentiu.

Pov Callie.

Revisei alguns relatórios durante todo esse tempo. Elena e Arizona chegaram quase em cima da reunião que estava prestes a acontecer. Os donos de uma grande multinacional, que por sinal, eram a concorrência, estavam à minha espera para uma tal proposta. Tomei um gole de uísque para relaxar, as reuniões de negócios eram sempre cansativas demais. Então, caminhei para sala de reunião, sendo cumprimentada pelos acionistas interesseiros de sorrisos falsos assim que entrei.

- Boa tarde, senhores.

- Boa tarde, Sra. Torres, é um prazer lhe ver. – Pietro falou galante.

Eu sorri cordial, e olhei para Arizona ao fundo que distribuía as papeladas à mesa. A mulher sorriu me dando tranquilidade de que já não estava mais com raiva. Quando a porta da sala se abriu.

- Boa tarde a todos!

Eu, sinceramente, não podia acreditar: Carina entrou na sala com um largo e arrogante sorriso, caminhando em nossa direção como se fosse dona do mundo.

- Desculpe o atraso, o trânsito em Las Vegas não é dos mais fáceis.

Carina DeLucca era, ninguém menos, que uma das melhores empresárias em Las Vegas, só ficava atrás de mim, é claro. Nossas empresas eram marcadas pela enorme concorrência no campo comercial e econômico dos Estados Unidos. Eu nem precisava dizer o quanto aquela mulher me dava nos nervos, não é? Seu ar arrogante e prepotente me fazia ter vontade de voar em seu pescoço. Sempre nos esbarrávamos nas premiações e congressos mais importantes, deixando claro, a todos, que não nos suportávamos. Mas ela simplesmente sorria cínica. Será que ela sentia a mesma repulsa por mim? Pelo seu olhar, com toda certeza, sim.

- Imagino. Boa tarde, Srta. DeLucca. – Falei estendendo a mão para a mulher.

- Boa tarde, Torres! – Ela sorriu me cumprimentando.

- Sra. Torres, os relatórios já estão prontos. – Ouvi a voz seria de  Arizona ao se aproximar.

- Arizona Robbins? – Carina perguntou curiosa.

Arizona virou-se na direção da mulher e sorriu abertamente.

- Oh Deus, Carina! – Arizona falou animada. O que eu tinha perdido?

- Nossa... pensei que nunca mais veria você. Me dê um abraço!

Arizona foi puxada rapidamente em um abraço apertado.

- Você está maravilhosa, como sempre. – Falou ela com segundas intenções.

A mulher fitou Arizona de forma admirada, provocando um sentimento, que por sinal, me incomodava bastante.

- Você também está. – Arizona recuou tímida, trocando um rápido olhar comigo.

- Não sabia que estava trabalhando aqui. Mas agora que sei, já estou pensando na maneira de levar você para ser minha assistente pessoal.

Eu sorri cínica.

- Srta. Robbins já tem um ótimo emprego, não creio que vá precisar de outro. – Falei de forma seria.

- Vai que a minha proposta pra ela seja melhor, Callie?! Tudo pode acontecer no mundo dos negócios, ainda mais que já a conheço há um tempo...

- Tempos que já passaram. Agora ela trabalha exclusivamente para mim.

Eu semicerrei os olhos em direção à Arizona, que engoliu em seco. Por algum motivo, aquilo não havia me agrado em nada.

- Vamos começar a reunião, não é? – Arizona falou rapidamente mudando de assunto.

Carina sorriu e assentiu. Caminhando até sua cadeira que ficava do outro lado da mesa, à minha frente. Sentei em meu lugar com Arizona ao meu lado, trocando um olhar quase mortal com a moça do outro lado. Ela me encarava de forma prepotente e eu fiz o mesmo.

- Então, Srta. DeLucca, qual é a sua proposta? – Fui direta.

A mulher respirou fundo e sorriu cínica.

- Eu quero comprar a Torres Industry.




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...