História The Night Dancer - Capítulo 36


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Categorias Grey's Anatomy
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Palavras 5.086
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 36 - Coisas do passado


Pov Callie

- Então, Srta. DeLucca, qual é a sua proposta? - Fui direta.

A mulher respirou fundo e sorriu cínica.

- Eu quero comprar a Torres Industry.

Por alguns instantes eu imaginei ter ouvido errado, ou fantasiado aquelas palavras vindas de sua boca. Mas não, Carina DeLucca havia mesmo me feito aquela proposta. Eu respirei fundo, ainda fitando a mulher e pensando na situação de poucos minutos atrás. Olhei para Arizona que sabia o que aquela proposta havia causado em mim. Com delicadeza, seus dedos finos repousaram sobre minha mão em um carinho rápido, quase imperceptível, de quem pedisse calma.

- E então, Sra. Torres? O que nos diz?

Brian, um dos acionistas da Issartel, perguntou nitidamente empolgado. Em sua pose de empresário importante, no qual verdadeiramente ele não era,apenas mais um encostado.

- Deixe ela pensar, Brian. Não precisamos de uma resposta imediata, Callie.

Carina falou calmamente com um triunfante sorriso no rosto, que estava direcionado à Arizona.

- Posso lhe fazer uma pergunta, Srta. DeLucca? - Soltei quase cortante.

- Sim, claro.

Eu sorri de forma sarcástica, sobre os olhos temerosos de Arizona.

- Ao passar em frente à minha empresa, ou ao entrar aqui, você viu algum tipo de placa ou documento de que queremos vender?

- Não, não vi nenhum. Mas apenas...

- Certo. - Interrompi. - Não consigo entender então. De onde a Srta. tirou uma ideia tão absurda? Acha mesmo que venderia a melhor empresa do ramo imobiliário para você?

Os acionistas presentes se entreolharam exaltados. Carina arqueou uma das sobrancelhas e sorriu cínica em minha direção.

- Desculpe, mas não vejo a ideia como tão absurda. Issartel está subindo nas pesquisas e praticamente se equiparando à Torres Industry. Tenho dinheiro suficiente para comprar sua empresa, Sra. Torres. E fazê-la um império bem maior.

Arrogante e prepotente, como sempre. Eu ri de sua resposta, sem um pingo de humor, causando certa surpresa em todos ali. O clima não estava dos melhores, todos perceberam rapidamente os olhares fuzilantes entre nós.

- Ah, Srta. DeLucca, nessas ocasiões, vejo sua imaturidade no campo dos negócios. Issartel ainda não chegou ao nível de minha empresa, que é uma multinacional das mais bem sucedidas atualmente, dinheiro não compra nome e experiência, que por sinal, tenho bastante. Mas não se preocupe, eu tenho dinheiro suficiente também, para comprar a sua e a de qualquer um que vier aqui.

- Cheia de si, não é, Callie? Não tem medo que tudo dê errado?

Provocou descaradamente.

- Tenho as pessoas certas comigo. Não vai dar nada errado.

Falei rapidamente, segurando na pequena mão de Arizona que me fitou um tanto nervosa. Carina olhou nosso contato e sorriu.

- Vamos ver até quando as pessoas certas vão estar com você.

Eu estava contando internamente de um até cem, controlando todos os impulsos animalescos que gritavam para que eu tirasse aquela mulher provocadora de minha empresa pelos cabelos. Mas eu não agiria assim, eu aprendi muito bem como sair sempre por cima. O único problema é que nesse quesito, Carina também era experiente.

- Parcerias boas nunca dão errado.

- Sim, claro. Mas, tem certeza que não quer um tempo para pensar melhor? Temos uma maravilhosa proposta, não é, Brian?

- Sim, senhora, avaliamos tudo e...

Eu já estava impaciente, eu não suportava nenhuma daquelas pessoas ali. Tirando Arizona, é claro, a única que me transmitia calma. Eu respirei fundo para então dizer.

- Chega! - Soltei forte, fazendo minha voz ecoar em toda sala.

Os olhares pousaram sobre mim assustados.

- Ninguém avalia a Torres Industry. Ela não está à venda hoje, nem amanhã e nem nunca. Entenderam?

- Callie...

Ouvi a voz suave de Arizona perto de mim.

- Não precisa se alterar, Callie. São apenas negócios. - Carina falou.

- Negócios que não me interessam nenhum pouco. Eu não vou deixar o nível de minha empresa cair ao vendê-la para você. Isso aqui é muito mais que dinheiro, Srta. DeLucca. Agora peço licença a todos. A reunião está encerrada.

- Callie... - Brian interrompeu.

- Eu disse que a reunião está encerrada, Brian!

Os integrantes da mesa começaram a se levantar rapidamente, todos muito exaltados devido às minhas palavras durante toda a reunião. Arizona soltou falsos sorrisos recepcionando aos acionistas da Issartel, que começaram a esvaziar a sala de reunião.

"Arizona?"

Eu fechei os olhos ouvindo a voz de Carina ainda na sala.

- Venho aqui de novo para lhe ver, temos que conversar!

Eu me virei na direção da mulher que escancarava um enorme sorriso em direção a loira ao meu lado. Arizona apenas assentiu com um breve sorriso. E, então, Carina soltou uma piscada de canto para então se retirar. Deixando-nos sozinhas.

- Vou arrumar os relatórios para passar ao financeiro.

- Tudo bem, não vá embora sem antes falar comigo. Temos uma coisa séria pra conversar, Srta. Robbins.

Arizona respirou fundo e assentiu.

Pov Arizona

Depois da reunião com a Issartel, Callie ficou o tempo todo trancafiada em sua sala. Não saía e não falava com ninguém. A irritação e o mau humor eram notados a quilômetros de distância. Eu só ainda não sabia o real motivo. Será que a proposta de compra para sua empresa havia a irritado tanto assim? Talvez sim. A Torres Industry tinha um valor muito mais do que comercial para Callie. Comandar algo que foi construído por seu pai, era um dever que a mesma jamais poderia abandonar.

- Arizona você está no mundo da lua? Será que o beijo de Callie no elevador hoje cedo ainda está fazendo efeito? - Maura falou enquanto batia palmas em minha frente.

- Não seja idiota, moon. Estava só pensando.

- Sério? Eu não esperava por aquela reação.

Maura falou sentando na cadeira ao meu lado. Estávamos todas na sala de Jô revisando alguns documentos importantes que Callie havia solicitado.

- Nem eu. Nunca imaginei que Callie beijaria você na nossa frente. - A menor falou enquanto escrevia em sua agenda.

- Ela fez aquilo pra fazer a Arizona calar a boca. Você precisava ter visto a cara de espanto da Jô quando Callie te agarrou.

Eu ri.

- Foi?

- Sim, nossa ela ficou aterrorizada. - Maura falou gargalhando.

- Maura! Eu só não esperava! A Sra. Torres não é de fazer essas coisas. Elas quase se engoliram em nossa frente.

Eu não conseguia não rir da maneira exaltada que Jô falava.

- Parem as duas, eu estava muito brava.

- Mas se acalmou rapidinho, não é? O que será que aquela mulher tem meu Deus?

- Ela ao menos explicou o fato de ter te deixado sozinha, Ari? - Perguntou a menor ignorando a pergunta de Maura.

Eu assenti enquanto digitava os relatórios no computador de Jô.

- Elena ligou bem cedo para ela, pedindo que a buscasse no aeroporto. Callie disse que não quis me acordar.

- Own! Veja, Maura, que fofo as duas!

- Wilson...

- Sério, Ari, isso foi bem fofo da parte dela.

- Pelo menos vocês estão bem! Hoje à noite tem sexo selvagem!

- Jesus... não escute isso! - Exclamou Jô rapidamente.

- O quê? Jô não se faça de virgem. Você também transa!

- Maura! - Jô e eu falamos de uma só vez.

- Estou mentindo?

- Não vou ficar falando de minhas intimidades. - Wilson falou séria.

- Você precisa se soltar mais, Karev vai querer diversificar. Já experimentou alguns acessórios?

- Deus! Você está louca? Anda lendo demais aqueles seus livros eróticos! Cheio de situações pecaminosas.

- Cinquenta Tons de Cinza é a moda agora... espera! Como sabe as situações Wilson?

Jô piscou algumas vezes em nervosismo.

- Você estava lendo!

- O quê? Óbvio que não!

Eu não podia aguentar! Jô e Maura eram minha diversão diária.

- Estava sim, por isso encontrei no seu quarto! Você está lendo livros eróticos! Na sua igreja permitem isso?

A menor andou de um lado para o outro agoniada.

- Eu não estava lendo a porcaria de seu livro, apenas estava aberto e por pura curiosidade, vi uma parte muito forte.

- Mentir também é pecado, Wilson! Melhor assumir que estava lendo o livro. Me diz, você gostou? Christian Grey é maravilhoso, não é? Nossa, ia amar aquele homem.

- Misericórdia, ele bate na moça!

- Viu? Eu disse que ela estava lendo!

- Eu n-não, não vou discutir com você! - Jô falou virando-se, provocando uma boa risada em nós duas.

- Acho que vou emprestar para Burk.

- Ele ia gostar! - Falei rindo.

- Claro que iria. Não quer emprestar à Callie?

- Ela não precisa disso amiga.

- Imagino, depois da última vez que você chegou em casa com cara de quem foi estuprada...

- Aquilo foi apenas uma discussão.

- Quero minhas discussões terminando assim.

"Arizona?"

Virei-me em direção da porta vendo Elena entrar.

- Olá, Lena!

- Srta. Torres. - Maura falou sorrindo.

- Ah! Essas aqui são minhas melhores amigas, Maura e Jô.

Falei apresentando ambas que Elena cuidou de tratar perfeitamente bem.

- Muito prazer, meninas.

- Está precisando de alguma coisa, Lena?

- Não, só vim lhe perguntar se sabe o que houve com Callie. Ela está bufando e com um mau humor contagiante.

- A reunião não foi muito legal para ela.

- O que houve?

- Vieram com uma proposta de comprar a Torres Industry.

- Oh, céus, Callie tem o mesmo temperamento de meu pai. Eu já o vi muito irritado quando fizeram a mesma proposta para ele!

- Imagino, Callie não gostou nada.

- Quem veio com essa proposta, Ari? - Maura perguntou sentando novamente ao meu lado, cedendo o outro espaço para Elena.

- Issartel Enterprise.

- Agora entendo. Concorrência! Muita ousadia deles virem até aqui com isso. - Resmungou Maura.

- Eles sempre quiseram isso! Desde muito tempo. - Elena falou rapidamente - Mas enfim, já que são amigas de Arizona, gostaria de convidá-las para minha festa de aniversário em Las Vegas esse final de semana. Não aceito "não" como resposta desde já.

- Oh, Srta. Torres, eu não sei... - Jô começou a falar.

- Sem "não", Srta! Amigas de Arizona são minhas amigas também.

- Festa sempre é bem-vinda! - Maura falou animada.

- Não deixe elas faltarem, ok, Zona? - Elena falou levantando-se da cadeira onde estava.

- Deixe comigo, Lena, não vou deixar.

- Bom meninas, vou indo. Tenho que avisar a Burk para ir também. Aquele chato me mata se eu não chamá-lo.

- Veja que maravilha, Maura! - Falei me virando para Isles que para minha surpresa corou.

Elena sorriu maliciosa.

- Perdi algo?

- Maura e Burk têm um rolo.

- Melhor ainda, quero os dois em minha festa! Pegue mais um convite, Jô, para um acompanhante. Imagino que Arizona nem precisa de um convite extra.

A garota falou me fitando diretamente.

- Você acha?

- Claro, sua acompanhante já vai estar lá. E, falando nela, está te esperando nesse exato momento.

Elena falou soltando uma rápida piscada para sair da sala.

- Volte para casa com as roupas no corpo.

Eu ri ao ouvir o comentário malicioso de Maura, e segui em direção a sala de Callie.

Pov Callie

- Mandou me chamar, Sra. Torres?

Ouvi a voz suave de Arizona inundar o ambiente. Eu tomei mais um gole do uísque e assenti.

- Sim, entre e feche a porta com a chave, Srta. Robbins.

Arizona me olhou por alguns segundos ainda processando minha ordem, mas logo tratou de obedecer entrando em minha sala, fechando a porta para caminhar em minha direção.

- Sente-se. Precisamos conversar.

A loira rapidamente se acomodou em uma das poltronas à minha frente, me fitando com a pura curiosidade de saber o que eu queria. Eu não me apressei, terminei meu copo de uísque que me acompanhou desde o fim da reunião.

- Acho que sabe o que vamos conversar, não é?

A mulher respirou fundo, cruzando as longas pernas que estavam apertadinhas dentro de sua calça social preta.

- Não exatamente...

Eu sorri de canto, sentindo meu corpo vibrar de raiva.

- Vou ser bem direta com você, Srta. Robbins:o que tem com a Carina DeLucca?

A loira franziu o cenho em confusão e sorriu.

- Eu não tenho nada com ela.

- De onde a conhece?

- Pra quê tantas perguntas?

- Apenas responda.

Arizona levantou de seu lugar.

- Não vejo necessidade. - Falou ela em desafio.

Eu rapidamente me levantei de minha cadeira, caminhando em sua direção, deixando nossos corpos a poucos centímetros um do outro. Eu podia sentir o corpo da loira à minha frente, tenso, sem nem sequer tocá-lo.

- Responda-me.

Falei olhando no fundo daqueles olhos azuis.

- A conheço há muito tempo, o que não vem ao caso. Sei que está irritada com a proposta que ela fez a você, mas...

- Não é exatamente com a proposta que estou irritada.

Interrompi Arizona que se calou, segurando a respiração.

- Quero saber o que aconteceu entre vocês, aquela abusada só faltou lhe engolir com os olhos! - Soltei brava.

- Está com ciúmes, Callie? - A loira falou com um sorriso perverso de canto, tentando recuar.

Eu segurei firme em seu braço e puxei para perto novamente.

- Não me provoque, Srta. Robbins. Responda.

O olhar de Arizona desceu de meus olhos, até minha mão que segurava seu braço com força.

- Quer mesmo saber?

Eu fiquei calada, deixando que a mesma apenas encontrasse a resposta em meu olhar furioso.

- Carina foi minha primeira namorada, Callie. Satisfeita?

Semicerrei os olhos em direção à mulher processando aquela informação que me deixou completamente surpresa, confesso que aquilo me inundou com uma sensação incômoda. Imaginar Arizona e Carina não havia sido nada agradável. Issartel sempre bateu de frente comigo no campo dos negócios, e pensar que a mesma agora queria entrar numa batalha no campo emocional era difícil. Eu controlei minha raiva naquele instante, eu sabia que não devia me irritar com Arizona. Afinal, o que a mulher fez antes de mim, não era problema meu. Mas daqui para frente seria.

- Está brincando comigo, não é?

- Não, namoramos no tempo do colégio, mas nada muito forte.

- Como? -disse da maneira mais surpresa que pude.

- Isso mesmo que você ouviu, Callie: Carina DeLucca foi minha primeira namorada. Nem sei se podemos chamar isso de namoro, éramos apenas curiosas em relação às mulheres. -ela disse de forma cínica repetindo as mesmas palavras.

- Porque nunca me disse que já tinha namorado uma Issartel?

- Não vi motivos para isso. Apenas histórias do passado, que não teve a menor importância para mim.

Eu neguei com a cabeça em pura frustração.

- Histórias do passado que veio à tona agora, não é? Ela parece ter gostado muito do que viu. Ela te chamou de Arizona Brooke, ela sabe sobre sua vida? - Soltei de forma sarcástica.

- Sim! Carina sabe, há um tempo atrás nos encontramos e acabamos relembrando os velhos tempos, contando como tudo estava. Mas já faz uns bons anos.

- Eu não gostei disso, Srta. Robbins. Eu não quero você perto daquela mulher!

- Você me excita com esses ciúmes, sabia? - A mulher perguntou provocadora.

Eu bufei raivosa.

- Eu não estou com ciúmes. Faça-me o favor!

Arizona sorriu, mordendo os lábios, fazendo uma carinha de santa, no qual ela não tinha nada.

- Não? Nem um pouco?

- Não, Arizona! Não tenho ciúmes. Eu só não gosto daquela mulher, é arrogante, prepotente e cínica.

- Ah, Callie, vamos lá, né? Pense! Faz anos que não vejo a menina...bom, menina ela já não é faz tempo. Arizona falava com a mesma admiração que tinha percebido hoje cedo.

- Vejo que reparou muito bem na ''menina''. -se ela queria cinismo, ela teria.

- Sim, Callie. Eu reparei muito bem. Carina está maravilhosa, não é mesmo? Fica mais bela a cada dia -ela disse tão perto dos meus lábios.

- Se ela é tão maravilhosa, porque não vai atrás dela?! - falei séria.

- Quer que eu vá?

Perguntou fingindo inocência. Eu olhei no fundo de seus olhos azuis flamejantes, sentindo um leve tremor tomar conta de meu corpo. Arizona tinha o poder indescritível sobre mim. Com poucas palavras e ações, a  acionava todos meus sentidos e instintos, quase me fazendo perder o controle.

- Não, quero você sem roupa na minha mesa agora.

Puxei a loira pela cintura mais para perto com a minha mão livre e colei nossos corpos, tirando minha mão do braço dela para prosseguir para seus sedosos cabelos claros.

- Porque tenho a impressão que estar perto dessa mesa te deixa mais safada, Callie?

Suas palavras saíram ousadas por aqueles lábios molhados e macios. Nossas respirações se misturavam e eu me sentia atraída por aquela mulher de uma forma inimaginável.

- Porque nessa mesa eu posso fazer o que eu quiser com você... -puxei seus cabelos para trás de maneira que seu pescoço ficasse à mostra pra mim.

Comecei a distribuir beijos molhados e pequenas mordidas pela região e fui subindo ate chegar a sua orelha.

-... E aqui dentro, sou a Sra. Torres, sua chefe. Trate-me como tal, e faça o que eu mando. Fui clara, Srta Robbins? -terminei dando uma pequena mordida em seu lóbulo, fazendo a loira arfar. - Tire minha blusa.

-Oh! Sim... Sra. Torres. - Arizona disse entre uma respiração descompassada, passando suas mãos pela minha blusa, abrindo os botões de forma rápida e desajeitada.

Fui guiando Arizona até sentir ela encostar na mesa. Desci minha mão da cintura dela até à coxa, onde a levantei fazendo sentar-se à mesa. Não parando os beijos por seu pescoço, minha língua se movia audaciosa por seu ponto de pulso, fazendo a loira soltar gemidos baixos.

-Você não sabe o quão maravilhosa fica gemendo desse jeito pra mim.

Parei os beijos apenas para olhar Arizona daquele jeito sexy e com o olhar cheio de desejo apenas com alguns beijos e provocações.

- Minha vontade é de te fazer gemer a noite toda bem aqui nessa mesa...

Poderia sentir Arizona aos pouco se entregando, enquanto suas mãos adentravam minha blusa já sem nenhum botão impedindo indo de encontro ao meu seio ainda coberto pelo sutiã de renda preta.

-... Te fazer minha quantas vezes forem necessárias para você entender de uma vez por todas quem manda nesse império.

E, como que num surto, Arizona colocou suas mãos no meu ombro me parando.

-Oh! Que pena. Vai ter que ficar pra outro dia isso. -ela disse se desvencilhando de meus braços e descendo da mesa.

-O quê? Aonde você vai, Arizona? - perguntei confusa e excitada.

-Não, não, não, não, Sra. Aqui você é minha chefe. É, Srta Robbins para você. Então me trate como tal. -Ela disse de uma maneira única, eu conhecia aquele jeito, era Brooke.

-Pois então, Srta Robbins, posso saber aonde vai? Ainda não acabamos nossa conversa.

-Sim, Sra. Torres acredito que realmente não acabamos nada do que chegamos a começar. E não será aqui que vamos terminar.

Arizona ia se aproximando de mim enquanto dizia as palavras. Ela parou à minha frente e subiu suas mãos por minha camisa aberta e completamente amarrotada. E foi fechando-os a cada palavra com um olhar cínico.

-E onde iremos terminar? - Sussurrei.

-No mesmo lugar que começamos. -cinismo, puro cinismo.

-Que... -ia terminar mais ela me cortou.

-Hoje é dia da Brooke. -a maldita soltou uma piscadela pra mim. Quanta ousadia. E ia saindo, quando peguei em seu braço novamente.

-E você acha que eu irei permitir que você volte àquele lugar?

-Eu não acho, Callie. E nem tenho que depender de sua "permissão". -Ela puxou seu braço de maneira rude.

-Sim, você precisa. Sabe que sem mim naquele lugar não é a mesma coisa. E eu me recuso a te deixar entrar lá. Com, ou sem mim, você não vai.

Nos olhos da loira eu via o fogo. E não era um fogo bom. Ou talvez fosse.

-Escuta aqui, Callie, eu não preciso de você e nem de ninguém. Se você não quiser ir, ótimo. Tenho muitas pessoas que matariam para estar no seu lugar. Posso muito bem arrumar alguém que irá saber apreciar muito bem o que você está negando. - sabia que ela estava se referindo à Alana. Ela dizia cada palavra de maneira raivosa e firme.

-Eu vou e acabou. Você não é minha dona, não pode me tratar como se eu fosse um cachorro teu que você manda e desmanda. No meu império mando eu. Se aqui é você quem manda, lá nem tente dar uma de rainha. Sua coroa fica aqui. Passar bem.

- Arizona...

Tarde demais. Ela já fechava a porta atrás de si, me deixando completamente sozinha.

-Mas que porra... -soltei repassando tudo que tinha acabado de acontecer.

Me apoiei na mesa, respirando fundo. Pedindo que meu corpo voltasse ao normal. Eu não sabia exatamente o que estava sentindo. Uma mistura de raiva, ciúmes, amor e tesão. Seja lá que mais havia, aquilo estava me enlouquecendo. As imagens de Alana abraçando Arizona se recriavam em minha cabeça cada vez mais forte. Pensar que, a qualquer momento, eu poderia perder a loira para Issartel, me agoniava. Mas eu não perderia, se eu estava acostumada a alguma coisa nessa vida, isso seria ganhar.

Pov Arizona

Saí do prédio querendo matar Callie. Mas que diabos ela tinha que ser tão complicada? Que ódio! É claro que Brooke não dançaria hoje, mas eu precisava falar com Nicole e não consegui evitar de provocar Callie.

Parei em frente à calçada pegando o primeiro táxi que vi pela frente. 

- Para na Imperium. -foi tudo que disse, e bastou para aquele homem saber pra onde estava indo. Conhecia aquelas ruas como a palma da mão.

Tentei não pensar o caminho todo em Callie e na sua ausência hoje à noite. Aquela maldita iria me pagar se não aparecesse lá hoje. Será que ela resistiria à Brooke? Pensava enquanto já chegava à grande rua movimentada como sempre.

Pedi para ele me deixar na porta dos fundos, e assim o homem o fez.

-Obrigada. -Disse entregando o dinheiro.

Saí do carro debaixo de um forte vento. Parecia que ia chover, e talvez realmente chovesse. Droga!

Bati na porta e logo o segurança abriu pra mim.

-Srta Wheleer, irá dançar hoje? -O homem gigante perguntou me cumprimentando de maneira educada.

-Não, Max. Estou aqui apenas para falar com Nicole. -O homem assentiu e me deu passagem.

Entrei passando por todas as portas, inclusive pela minha, e subi o lance de escadas onde eu sabia exatamente onde me levaria. Já se podia ouvir a batida forte que vinha do andar de baixo.

Parei de frente para a porta que me separava da mulher... Mas porque eu não conseguia entrar? Resolvi ignorar meus sinais e bati na porta.

''Entra!'' - a voz da mulher ecoou por meus ouvidos e empurrei a porta.

-Ora, ora... O bom filho à casa torna! Cansou de ser cachorrinha da empresária, Brooke? O que veio fazer aqui, não é dia de Brooke hoje. - Seu tom de voz era puro sarcasmo.

-Vamos lá, Nicole! Pare de implicância.

-Espera. ''Implicância''? Não entendi. -Se fez de desentendida.

-Sim, Nicole. É nítido que você não gosta de Callie, mas não precisa ficar falando dela desse jeito.

- Brooke, por acaso ela te jogou algum feitiço? Ou ela é realmente boa no que faz? -podia sentir certo nojo na voz dela.

-Nicole, não vim aqui para falar de minha vida pessoal.

-Desde...

-Ainda não acabei. -Disse cortando a mulher, que me olhou com certa raiva.

-Certo.

-Eu vim aqui para lhe pedir desculpas pela última vez. Eu creio que isso não acontecerá novamente.

-Ah, claro que você iria vir aqui pedir desculpas pela sua amada. Me fez passar um papel ridículo na frente do cliente.

-Escuta, eu vim pedir desculpas por ter saído daquele jeito, mas não pela atitude dela. Sei bem que ela exagerou, mas você pediu por isso.

-Como é que é? Eu pedi por isso? Você deve estar brincando! -Ela disse se levantando de sua cadeira, indo até o bar de seu escritório.

-Sim, Nicole. Você sabe muito bem do que eu estou falando! Estou falando do seu amigo italiano. O que queria com aquilo?

Ela se virou em minha direção me fitando como se eu tivesse falado alguma besteira. Seus olhos acusativos quase me fizeram recuar.

-Por Deus, era só um amigo. Queria apenas que vocês se conhecessem. -a morena tomou um gole de sua bebida e voltou sua atenção para a grande janela de vidro atrás dela.

-Não foi o que pareceu. -eu disse indo até ela, e parando ao seu lado, o movimento lá embaixo só crescia.

Ficamos alguns minutos apenas observando as pessoas que transitavam pelo local, como se estivessem em seu próprio paraíso.

Ela se virou pra mim e segurou minha mão.

- Arizona... -Ela era uma das únicas que sabia meu verdadeiro nome ali dentro. -Você sabe que não foi minha intenção. Eu jamais iria te comparar a uma puta. Não queria que achasse que eu estava te vendendo. Sabe que você é minha jóia neste lugar, e nunca lhe faria algum mal.

Seus olhos me transmitiam sinceridade, o mesmo olhar que ela estava na primeira vez que nos encontramos.

-Eu sei, Nicole. Só não faça mais isso! Eu não me sinto bem com essas situações. -Segurei sua mão de volta. -Tenta lembrar que agora eu estou tentando começar algo com Callie, já é difícil o suficiente pra ela aceitar que eu trabalho aqui. Não me apresente mais ninguém. Facilita pra mim. -Soltei uma piscadela pra ela, e logo um sorriso nasceu em seus lábios.

-O que eu não faço por você, Brooke? Só se certifique de que ela não te tire de seu império. Eu ficaria muito magoada com a sua saída, sabe que você é como se fosse uma filha para mim.

-Ela não faria isso, posso te garantir. Brooke Wheleer, não deixará seu império tão cedo. Fique tranquila. Eu não posso ser ingrata com você depois de tudo. -soltei sua mão pegando o copo da sua outra mão e dei um último gole em sua bebida.

-Com certeza não faria. -ela disse, mais pra ela do que pra mim, voltando seu olhar para a grande vidraça. -Muito bem, Brooke, bem que você poderia me dar um belo pedido de desculpas dançando hoje a noite. O que acha?

-Hoje não, Nicole.

-Ela virá hoje?

-Eu não sei.

-Boa sorte. -Ela disse levantando seu copo em minha direção.

Saí de sua sala, descendo as escadas indo até meu camarim, queria pegar minhas roupas que esqueci ali noite passada. Entrei e fechei a porta atrás de mim. Olhei-me no espelho e vi Brooke. Sim, ali era o meu império. Ali era o meu lugar. Callie não poderia simplesmente negar uma parte minha.

Falando em Callie, será que ela viria? Minha mente se recusava a parar de pensar nisso. Eu preciso que ela venha, preciso dos toques dela hoje à noite.

Virei para o espelho e peguei minha máscara que estava na bancada. Meus dedos tocavam seus detalhes e eu não via minha vida sem aquela máscara.

Resolvi esperar ali mesmo, enquanto Callie não apareceria. Se meus sentidos estivessem certo, ela apareceria ali logo que soubesse que Brooke não dançaria.

[...]

40 minutos se passaram e eu não podia acreditar. Ela não veio. Onde eu estava com a cabeça quando coloquei esperanças?

Meus pensamentos foram cortados por um trovão. E eu dei um pulo do sofá no qual estava.

-Ahh, essa não, não acredito que está chovendo! Puta que pariu... eu nem trouxe nada para me proteger da chuva. Maldita hora!

O céu parecia desabar lá fora, e eu certamente estava encrencada.

Mas não poderia ficar ali pra sempre. Eu teria que encarar a chuva e abusar de minha pouca sorte. Resolvi que ia embora assim mesmo. Peguei minha bolsa, deixei a máscara na bancada e fui em direção à porta e antes de fechar olhei pra trás.

Definitivamente, ali era meu lugar.

O segurança já não se encontrava mais ali e eu já estava vendo que minha sorte se esgotou naquele momento. Abri e a porta vendo só a chuva do lado de fora. Tomei coragem e a fechei atrás de mim. Não tinha volta, tinha que ir agora.

Peguei impulso e saí andando rápido. Meu corpo se chocou com uma pessoa que vinha na direção contrária a mim. Só não cai porque seus braços me seguraram. Quando levantei meus olhos dei de cara com ela. Ela estava ali, esperando por mim. Eu sabia que ela viria.

Ficamos nos encarando por alguns minutos, debaixo daquela chuva forte.

- O que está fazendo aqui? - Engoli em seco.

- Eu não deixaria você sozinha aqui, Arizona. - Callie falou de forma protetora.

- Obrigada por ter vindo.

-Não quer sair da chuva? -Ela, por fim, disse, apenas assenti e a deixei me guiar.

Ela nos levou até o carro dela e destravou as portas. Eu entrei e me acomodei no banco, esperando a morena entrar. Assim que ela entrou, eu ia começar a falar quando ela falou primeiro.

-Quero saber onde você pretende chegar com esse seu joguinho, Arizona... - ela disse tirando seu terninho.

-Callie, eu... -A morena me cortou.

-Imagine minha frustração quando soube que você não dançaria. Ou que simplesmente tinha aparecido aqui hoje? - seu jeito prepotente e arrogante me causava arrepios, e ela sabia. Maldita! Ela me fitou com seu olhar que indicava perigo.

Ela estava tão sexy. Sua blusa branca estava completamente molhada e transparente, me dando uma vista perfeita de seus seios apertados pelo sutiã de renda, o sutiã que eu estava louca pra tirar mais cedo. Sua calça preta estava justa em seu corpo, e seu terninho ensopado já estava bem longe de atrapalhar minha visão.

Eu queria ter forças para recusar ela, eu queria poder ficar longe. Mas ela não me deixava escolha. Então decidi que iria provocá-la, da mesma maneira que eu sabia que ela estava me provocando.

-Eu sabia que não iria resistir a vir aqui hoje, Callie. -Eu disse me livrando de meu sobretudo, o jogando no banco de trás.

-Sabia? -Ela disse ficando de frente pra mim no banco, olhando para cada movimento que eu fazia.

-Sim, eu sabia, Callie.

-Então porque mesmo assim, decidiu me provocar?

-Porque eu gosto de testar seus limites. -terminei a frase como que num sussurro, mordendo meu lábio em seguida.

O olhar de Callie pousou em meus lábios e eu sabia que eu a tinha fisgado. Fiquei de frente pra ela também e me aproximei levando minha mão por seu braço, sentindo ela se arrepiar aos meus toques.

-Callie, eu preciso de você...-disse bem próxima de seus lábios e, quase que encostando, terminei a frase. - Eu não quero que tudo termine mal.

E quase que num estalo, senti suas mãos no meu pescoço, nos aproximando mais. Ela me colocou no seu colo com uma perna de cada lado e uma de suas mãos foi pra minha cintura. Enquanto nossas testas estavam encostadas.

-Eu não queria me apaixonar...não queria precisar de ninguém, na verdade eu não queria nada. Mas aí você apareceu... e olha só: eu quis tudo. -ela sussurrou contra meus lábios, para logo tomá-los em um beijo apaixonado.

Callie estava ali, ela mesmo depois de tudo, foi atrás de Brooke...foi atrás de mim.

- Eu te amo, Torres.

- Eu também te amo, Robbins.

A chuva caia lá fora, e todas as incertezas estavam caindo com ela.



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