História The Observer - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Agatha, Alexy, Ambre, Armin, Bia, Boris, Castiel, Charlotte, Dajan, Dakota, Debrah, Iris, Jade, Kentin, Kim, Leigh, Letícia, Li, Lysandre, Melody, Nathaniel, Nina, Peggy, Personagens Originais, Priya, Rosalya, Senhora Shermansky, Viktor Chavalier, Violette
Tags Armintorry, Castlin, Dakath, Fanficsaleatórias
Visualizações 12
Palavras 4.676
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aloha! Sei que demorei, mas tive bons motivos!
Boa leitura :D

Capítulo 11 - Six - Part 3


I get ready, I get all dressed up

To go nowhere in particular

It doesn't matter if I'm not enough

For the future or the things to come

 

As portas do elevador abriram, revelando uma Melanie de cabeça baixa e com as mãos juntas na frente. Apesar de estar usando um casaco verde escuro, eu ainda pude ver a faixa em torno de seu pulso.

Eu pisquei os olhos uma vez e respirei fundo, entrando no elevador com cuidado para não bater a sacola com dois copos e uma garrafa de Blue Label em algum lugar (era dos meus pais. Como eu disse, era, pois peguei). Melanie olhou de soslaio para mim, mas não falou nada. Olhei para o painel de botões e vi que nós duas iremos para o térreo.

As portas deslizaram para fechar.

- Obrigada, Merlin. - murmurou Melanie sem me encarar - Rosalya me contou que foi você que alertou sobre o meu comportamento depois de me salvar do terraço. Pensei que não tinha dado a mínima... Obrigada, de verdade. Eu me sinto bastante envergonhada agora...

- Por quê? - perguntei, olhando para ela de lado.

Melanie abriu um sorriso fraco.

- Eu tentei lidar com tudo sozinha... - respondeu ela com a voz trêmula - Achei que ignorando tudo isso, todo mundo esqueceria e não ficariam mais me cercando... Mas aconteceu o contrário. O que eles diziam na internet, o que diziam para mim pessoalmente... A minha família inteira dizendo que eu sou uma aberração vergonhosa para eles... Eu apenas queria que todos morressem. Eu queria morrer...

Sua voz falhou. A garota esfregou os olhos com as costas da mão não machucada. Eu não desviei o olhar dela, prestando atenção no que dizia. Se eu dissesse algo naquele momento apenas serviria para aumentar sua dor.

Afinal, palavras sempre machucaram.

- Rosalya e Priya me contaram sobre os seus pulsos. - falou Melanie com a voz rouca - Por quê?

- Eu não sei. - respondi com indiferença.

Melanie ergueu os seus olhos verdes como esmeraldas lapidadas para mim.

- Você nem pensou... - percebeu ela - Por que, Merlin? Por que algumas vezes parece que você não quer pensar em si? Não quer pensar sobre nada?

O elevador anunciou o andar em que estávamos antes de abrir as portas, deslizando para os lados opostos.

- Se eu começar a pensar nessas coisas, - murmurei. Não havia nenhuma emoção em minha voz, parecia sem vida - eu temo nunca mais conseguir seguir em frente.

Saí do elevador quando a passagem foi totalmente liberada e segui para fora do prédio, passando pelo hall com nenhum universitário a vista.

Não era como se eu não pensasse, eu simplesmente não queria pensar. Se eu começasse a ter uma linha de raciocínio começando por qualquer ponto sempre terminaria no mesmo final. Não queria mais pensar no final ou jamais conseguiria dar um passo sequer.

Assim como dormir tranquilamente sem medo algum, levantar da cama e ir para a rua exigia uma grande dosagem de coragem. Nunca se saberia o que aconteceria no próximo segundo. Viver tinha os seus riscos também.

 Respirei fundo o ar fresco da noite e olhei para o céu escuro com alguns pontos brilhantes e distantes do meu alcance. Mesmo que eu começasse com esses pensamentos, logo os interromperia com “Bem, fazer o quê. A vida é engraçada. Ela azeda para depois adoçar”.

E quem disse que eu realmente acreditava nisso?

- Você é forte. - falou Melanie, parando do meu lado - Eu a invejo.

Eu voltei os olhos para a garota. Havia uma sombra cobrindo a bela coloração de seus olhos, e não era porque estava de noite.

- Eu não sou, então não me inveje. - respondi com sinceridade - Apenas concluí sobre o caminho que escolhi para acabar com tudo.

- E qual seria sua conclusão? - perguntou num murmúrio, olhando para o chão.

Voltei os olhos para o céu. Pontos brilhantes e distantes para qualquer um terráqueo e chamados de estrelas. Tão belas e tão inalcançáveis...

- Não vale a pena.

Seria horrível não poder mais vê-las.

Olhei de soslaio para Melanie, que olhava para o céu com uma expressão levemente surpresa. Então os seus lábios se abriram num sorriso sereno, tornando sua expressão suave como estivesse aliviada.

- Você está certa. - murmurou ela parecendo dizer para si mesma - O céu ainda é bonito.

Fiquei por mais cinco segundos antes de virar às costas para ela e seguir em direção aos dormitórios masculinos. No meio do caminho, acabei sendo avisada com o toque de uma notificação no meu celular. Chequei a mensagem de quem me enviou:

[Armin: Câmeras desligadas, senhorita Cara de Bunda!]

[Armin:: Algo a mais que deseja pedir?]

Mais cedo, eu havia mandado por mensagem o rapaz desligar as câmeras (bem, travar em uma imagem) e ele aceitou. Óbvio que não contei o motivo.

[Eu: Mais nada.]

[Armin: Me pergunto quem você vai atacar...]

[Eu: Por que não aproveita esta oportunidade para chamar a Torria e cuidar da sua própria vida amorosa enquanto eu cuido da minha?]

[Armin: Wow! Entendi, novata.]

[Armin: Espera. Como sabe disso?]

[Eu: Valeu por tudo. Tchau.]

[Armin: Conta aí!]

[Armin: Merlin!]

E eu o bloqueei.

Block era a melhor ferramenta útil já criada para conversas virtuais.

Entrei na recepção e não havia ninguém presente. Fui apressadamente para os elevadores e mal toquei no botão de chamada que um já se abriu. Não esperei muito tempo para andar e acionar o botão para o último andar - que, seguindo por uma escada, me levaria para o local do encontro. Fiquei esperando, tendo a sensação de que o elevador era mais lento do que os outros.

Ergui os meus pulsos a minha frente e as mangas da minha blusa xadrez deslizaram até a metade dos antebraços. Havia um corte médio e fino, quase invisível, em cada pulso e também havia outros corte horizontais, mas estes eram pequenos e mal eram vistos. Eu não me importava mais com essas cicatrizes, já me arrependera demais.

Me arrependera disso por várias razões, mas uma delas continuava a me assombrar através de sonhos ou até mesmo quando estava acordada. Como poderia resolver esse maldito mistério sobre ela estando morta? Eu não acreditava que havia vida após a morte.

E também não queria mais sentir o que havia sentido antes.

"Por quê?". Uma voz pareceu se pronunciar dentro da minha cabeça.

Porque...

As portas do elevador se abriram, o que me fez sobressaltar de susto. Estava tão concentrada nos meus pensamentos que me esqueci na realidade. Saí rapidamente e fui em direção das escadas, subindo para o terraço. A minha sorte era que a porta estava entreaberta, então apenas tive que empurrá-la.

Os meus olhos foram imediatamente para uma única coisa, como se o meu subconsciente soubesse exatamente sua localização. Mal reparei no céu pouco estrelado, na paisagem com prédios das faculdades e o clima levemente refrescante. O que reparei foi no rapaz em pé no meio do terraço e sozinho, que virou-se em minha direção com um sorriso torto e sarcástico.

Ele estava usando uma blusa preta e pouco colada no corpo, demonstrando as linhas e as curvas em seu peito musculoso. As mechas de seu cabelo balançavam levemente para o lado por conta do vento frio da noite. Os seus olhos cinzas estavam fixos em mim e pareciam dizer “me convida para esse lugar e ainda chega atrasada? Espero não ter causado problemas para mim, garota”.

Não duvidava em nada que ele estivesse pensando isso.

- Eu tive que fazer um negócio antes. - eu pensei em contar a ele sobre a conversa com Priya, mas hesitei por alguma razão - Trouxe bebida. - retirei a garrafa e os dois copos plásticos enquanto me aproximava - Desculpe por não ser grande coisa, mas é tudo que posso te dar por agora.

Castiel ergueu uma sobrancelha, mas continuou a sorrir.

- Como se eu me importasse com isso. - ele semicerrou os olhos e os arregalou logo em seguida - Uau! Essa bebida é muito cara! Como você comprou isso?

- Peguei dos meus pais sem eles saberem. - revelei.

O rapaz riu.

- Isso é roubar. - falou ele - Que filha santa você é.

- Não. - discordei - É pegar emprestado.

- Como se fosse possível devolver isso. Você é insana.

Por algum motivo, não me senti ofendida com seu comentário. Se fosse vindo de outra pessoa, talvez me sentiria ofendida ou ignoraria. Metade das coisas que Castiel falava não era a sério, mas algumas das suas “brincadeirinhas” podiam machucar.

Eu e o rapaz nos sentamos no chão e ele abriu a garrafa, se servindo e me servindo também. Peguei o meu copo e bebi um gole, dessa vez tomando cuidado para não ficar bêbada e pagar mico. Ergui os joelhos na altura do peito e os abracei, segurando o copo com uma mão. Fiquei observando o céu noturno com algumas poucas estrelas, lembrando da minha segunda vez bêbada nessa vida e o beijo que roubei do Castiel.

O que fiz naquela festa de noite não vai sair da minha cabeça tão cedo.

Como fui tão fácil, caramba...

- Vi que curtiu bem o seu presente. - falou Castiel quebrando o silêncio entre nós e tomando um gole da bebida. Ele exibia um meio sorriso no rosto; esse sorriso que combinava tanto com ele e me hipnotizava por alguns segundos - Não imaginava que fosse fazer uma cara igual de uma criança feliz ao receber o presente que queria no Natal. Essa ideia foi bem idiota também.

Ergui as sobrancelhas, sem acreditar no que estava ouvindo. Claro que não iria acreditar em suas palavras, pois eu já sabia a verdade e também conhecia muito bem o rapaz para saber quando estava mentindo e não queria revelar algo diretamente.

Ele usava esse truque de inverter o que realmente gostaria de dizer. Ele me lembrava um tsundere menos bipolar.

Eu avacalhando Castiel? Eu? Magina!

- Oh, sério? - respondi com cinismo e voltei a olhar para o céu, brincando de balançar levemente o copo para o nada - Que engraçado... - fiz uma pausa dramática - Um passarinho qualquer me contou que foi um certo guitarrista famoso de cabelo da cor de tomate que teve essa ideia "idiota".

Finalizei fazendo aspas com os dedos. Escutei o rapaz engasgar com sua bebida ao meu lado.

- Q-Quem te contou isso?! - guaguejou Castiel, irritado.

- Um passarinho. - respondi.

- Diga o nome... - insistiu ele num tom ríspido.

- Do passarinho? - me fiz de desentendida - Eu não sei. Passarinhos deveriam ter nomes?

- Você entendeu muito bem!

- Não entendi, não.

- O nome da pessoa que te contou!

- Ué, mas não estou falando de pessoas, eu estou falando de passarinhos.

- Diga logo o nome!

- Como você quer que eu diga o nome de algo que não tem nome? Que insanidade!

- Céus... Você é impossível.

- Mas foi você mesmo que teve essa ideia?

- Confirmo ou deixo na dúvida?

- Castiel...

- Só revelo se você me dizer quem te disse isso.

- Ah, está bem! A Priya me contou.

- Como ela descobriu isso?

- Isso não está no acordo. É verdade?

- É...

- Por que fez isso?

Castiel ficou em silêncio. Retomando a conversa na minha mente, eu percebi que a um certo ponto despercebido, nós dois estávamos falando em português.

- Nada em especial. - ele respondeu, neutro.

- Castiel fazendo coisas desse tipo sem intenção alguma? - falei com cinismo e bebi todo o conteúdo do meu copo - Uau! E eu achando que você tinha me recompensado por não chamá-lo de "Cassy" e muito menos revelar esse apelido.

Castiel revirou os olhos e bufou, voltando a se concentrar na sua bebida enquanto exibia uma expressão emburrada. Suas bochechas estavam vermelhas e eu conseguia ver muito bem apesar da pouca luminosidade.

Eu deveria parar de provocá-lo, mas... Sei lá. Eu sempre fui meio sádica nessa parte e o rapaz fazia a mesma coisa comigo várias vezes. Era como uma troca de insultos e provocações entre a gente.

Era uma boa relação, até.

Fui forçada a sair dos meus devaneios quando percebi que Castiel voltara a me olhar, mas dessa vez estava inexpressivo como boa parte do tempo. Eu não entendi bem o porquê ele decidira me encarar sem dizer nada, mas fiquei parada, o observando.

Antigamente, entre eu e ele, havia uma "conexão" forte e profunda que nos entendíamos apenas por olhares e pequenos gestos corporais, sem dizer absolutamente nada. Era incrível como isso acontecia, pois parecia como se soubéssemos o que o outro estava pensando.

Mas agora estava diferente. Eu não conseguia entender e muito menos adivinhar o que passava pela sua cabeça. Os seus olhos se tornaram frios ao ponto de parecerem que criaram uma espécie de muro de gelo. Volte e meia entendia o que passava por esses olhos, mas era muito superficial e simples em comparação a antes.

Eu me perguntava em que ponto ele se fechou? Na verdade, pensando melhor, em que ponto nos fechamos até para nós dois, que antes confiávamos um ao outro sobre qualquer coisa?

Por que não consegui contar a minha conversa com a Priya? E por que eu faria uma coisa dessas? Desabafar ou procurar algo ou ajuda no outro não resolveriam em nada. Afinal, era só um assunto entre nós duas e com ninguém para interferir. Era apenas eu que deveria acabar com esse mistério, mesmo que sofresse mais por conta disso e acabasse por fazer algo que prometi aos meus pais nunca mais fazer, e eu não queria mais fazer.

Então, por quê?

Desviei os olhos para o céu, sem dizer nada. Não queria que Castiel lesse as minhas emoções e descobrisse o que eu estava pensando ou até mesmo o que eu não estava pensando. O que ele poderia fazer se descobrir? Não havia nada que pudesse mudar no presente.

O que era do passado sempre pertencerá ao passado.

Eu queria acreditar nisso...

Mas como faria isso, se eu ainda era apaixonada por ele?

- Que cara de cachorro abandonado na sarjeta em dia de chuva é essa? - essas comparações zombadeiras do Castiel... - Você está mais quieta que o habitual. É sinistro.

Não disse estranho e nem esquisito, mas sinistro como se não fosse o meu "normal".

- Não é nada. - murmurei.

- Parece resposta de quem tem alguma coisa escondendo. - falou o rapaz - A Ambre ainda continua te cercando?

- Não. - respondi num murmúrio - Não tem nada a ver com ela, eu espero.

- Então, é o quê?

Eu encarei Castiel, que exibia nenhuma emoção em seu rosto. Sua voz estava calma e neutra, mas os seus ombros estavam tensos. Parecia que ele estava pensando no que dizer corretamente, como se suspeitasse do que eu iria falar.

- Quer mesmo saber? - perguntei num tom baixo.

Castiel abriu um sorriso torto, que me tranquilizou um pouco por dentro.

- Se estou perguntando é porque quero saber. Cada pergunta que você faz...

Não consegui deixar de abrir um sorrisinho nos meus lábios. Por que eu estava hesitando? Por que eu estava com medo? Mesmo que ele não sentisse mais nada de forma amorosa por mim, eu já sabia que ele se preocupava comigo mesmo se não dissesse.

Que anta eu fui.

Eu contei para ele sobre a conversa com a Priya de mais cedo, sem esconder nenhum detalhe. Até contei o nome do caso que estava escrito na pasta, o caso da garota da maldição. Castiel me ouviu sem me interromper por nenhum momento e, quando eu terminei, sua expressão se tornou sombria.

Ficamos em silêncio, um olhando para o outro.

- Nunca mais suba para aquele terraço. - falou Castiel num tom sombrio - Mesmo que esteja com um cadeado, não suba. Também você não resolverá esse mistério da maldição sozinha de jeito nenhum.

- Mas isso é apenas um problema meu com ela! - protestei - Se você está insinuando para eu não investigar esse caso, saiba que vou seguir sim!

Castiel não disse nada. Eu soltei um suspiro.

- Por que você não quer que eu faça isso? - perguntei.

- Primeiro, para que não se mate. - voltei os olhos para o rapaz - Segundo, já parou para pensar que pode acabar descobrindo algo que não queira?

Franzi a testa, confusa. Castiel respirou fundo, como estivesse se contendo para não revirar os olhos.

- Acabar descobrindo um lado dela que ela nunca mostrou. - respondeu - Só para te deixar claro, ela era meio "duas-caras".

- E você acha que vou me abalar com isso? - questionei com indignação.

- Merlin, ela era sua irmã mais velha.

Senti como tivesse levado um chute no peito e me abracei com mais força, mordendo o lábio inferior.

"Droga...".

- Você não precisava ter falado isso. - murmurei com a voz falhando - Como eu poderia esquecer?

- Estou apenas relembrando algo que parece que você esqueceu desde que entrou aqui. - disse Castiel e revirou os olhos - A Ly...

- Lunática individualista anônima na nobre avareza. - falei rapidamente, interrompendo-o.

Castiel arregalou os olhos de surpresa e murmurou o que eu disse sem emitir som. Ao perceber o truque que havia criado, sua expressão se tornou meio abatida.

- Nem consegue dizer o nome da sua irmã...?

Estremeci, mas assenti com a cabeça. Se já ler o nome dela naquela pasta me deixou num estado de pânico, dizer ou ouvir o seu nome me deixava atormentada.

Pior que isso eram os meus sonhos. De vez em quando, eu tinha sonhos em que a minha irmã estava na beirada de um prédio alto e acenava para que a seguisse, antes de se virar para a queda e tudo ficar escuro por um segundo. Logo depois, ela não estava mais lá.

Esses sonhos se repetiam algumas vezes. No começo, eu não os suportava e tiveram noites em que não conseguia mais dormir, o que me levou a faltar na escola e os meus pais me manderem para o psiquiatra. Mesmo com os remédios, não me livrava desses sonhos e cada vez me isolava a um ponto que o peso dessa solidão misturada com depressão foi sufocante para mim.

Eu não queria mais isso, não desejava mais, por conta disso eu estava atrás desse caso misterioso da minha irmã, em que a polícia tratou com tanta indiferença como se fosse mais uma adolescente querendo chamar atenção e decidiu se matar por isso.

Ela não era assim.

Talvez seja por isso que Castiel não queria que eu continuasse com o caso da minha irmã. Ele estava me impedindo que eu acabasse por seguir com o mesmo final que ela.

- Eu não vou seguir com o caso dela por agora. - falei ao rapaz, que estava olhando para o céu e voltou os olhos em minha direção - Pelo menos... - hesitei, escolhendo as próximas palavras - Pelo menos, irá me acompanhar e não contará a ninguém?

Castiel abriu um meio sorriso e voltou a olhar para o céu, bebendo a sua vez de sei lá quantos copos já tomara, assim como eu. A garrafa já estava abaixo da metade.

- Fazer o quê. Você vai ficar enchendo os meus ouvidos se eu recusar. - respondeu ele - Mas também não pense que vou aceitar como se eu gostasse de você, pois não é verdade.

Senti como tivesse levado outro chute no peito. Realmente, ele não precisava dizer algumas coisas. Eu estava feliz por ele aceitar, mas ainda machucava a última parte que disse.

- Você acha que sou o quê? - resmunguei - Uma máquina que vive se iludindo?

- Não sei. - respondeu o rapaz - Depois do beijo que você me deu, eu não duvido de nada.

Revirei os olhos, apoiando o copo vazio no chão. Ele não esqueceria daquilo tão cedo também...

Voltei a olhar para o céu. Parecia que não importava o que fizesse ou dissesse, eu não pararia de me iludir quanto a ele. Assim como eu desejava terminar esse mistério da minha irmã, eu desejava malditamente ter Castiel de volta. Mas eu não podia obrigá-lo a ficar comigo se ele não sentia mais nada por mim, eu não deveria insistir.

Era o certo, não? Ele não tinha culpa.

Eu deveria desistir logo desse sentimento e seguir em frente, como estava fazendo com alguns pequenos rolos que tive com alguns garotos durante o meu ensino médio, mas dessa vez, sem lembrar do meu sentimento pelo Castiel.

Já passou da hora...

Uma sombra pairou sobre mim, me interrompendo dos meus devaneios e fazendo eu fechar os olhos. Alguém segurou os meus dois pulsos e me empurrou para trás, as minhas costas contra o chão e os meus braços dos meus lados acima da minha cabeça. Soltei um pequeno gemido porque as minhas costas bateram com força no chão, mas também não foi muito forte. Abri os olhos e olhei para quem estava me prendendo no chão, me deixando completamente em choque ao ver Castiel em cima de mim e com o rosto bem perto do meu, sorrindo de lado enquanto me olhava fixamente.

O meu coração pareceu falhar uma batida.

- Ei, garotinha. - falou Castiel sem tom de deboche - Não deveria acreditar tudo no que digo.

Esse lado dele... Como me tirava do sério em tudo.

- Você realmente está brincando comigo... - murmurei com a voz um pouco trêmula - Sempre esteve fazendo isso...

Castiel apertou levemente os meus pulsos e depois deslizou os seus dedos para cima até nossas mãos se entrelaçarem. Ele desmanchara o sorriso e agora me encarava com seriedade, mas os seus olhos brilhavam vorazes. Ele estava tão próximo de mim ao ponto das pontas das mechas de seu cabelo roçarem levemente na minha bochecha.

- Você ainda acha isso, Merlinda? - sussurrou ele.

Eu não deixaria barato...

- Prove o contrário, então. - desafiei num sussurro.

O canto da sua boca ergueu levemente para cima, como tivesse aceito o desafio. Eu não sabia quem estava mais alterado pelo álcool, eu ou ele, pois não era possível acabarmos assim enquanto sóbrios.

Mas talvez fosse possível e estávamos completamente sóbrios.

Ele se aproximou de mim e os nosso lábios se tocaram. Eu não resisti, deixei que ele me beijasse ardentemente e ele também não mostrou resistência alguma. As suas mãos se afrouxaram do aperto e, quando os nossos rostos se separaram a poucos milímetros, eu agarrei na sua blusa e empurrei o rapaz para o lado, passando as pernas para cada lado de seu corpo quando ele ficou esparramado no chão.

Pensei que ficaria um pouco irritado, mas Castiel soltou uma risada baixinha e se sentou, agarrando com um braço a minha cintura e aproximando o meu corpo para mais perto de si. Ele estava exibindo aquele sorriso sarcástico de lado, os olhos brilhando de desejos. Apoeei os meus braços em seus ombros e abracei o seu pescoço, um pouco ofegante.

Já eu? Eu tentava ignorar a onde de calor percorrer por todo o meu corpo.

Aproximei o meu rosto do Castiel para mais uma troca de beijos no exato momento em que o toque de um celular nos interrompe. Nos afastamos e olhamos um para o outro, xingando ao mesmo tempo "merda" e depois rimos um pouco.

Castiel pegou o seu celular e atendeu a chamada enquanto eu deitava a minha cabeça em seu peito, sendo abraçada pelo rapaz. Eu conseguia escutar o seu coração batendo acelerado... Não ruim.

- Não, não esqueci. - falou Castiel voltando a falar em francês ao telefone - Já avisei os outros caras... Partiremos amanhã, está tudo certo... Já resolvi isso na diretoria, fica frio. - uma pausa um pouco longa - Não, Ambre não virá, terminamos... - um revirar de olhos - É definitivamente. Mais alguma coisa ou não? Estou ocupada agora.

Ergui os olhos para Castiel, tentando passar uma pergunta por olhar, mas o rapaz apenas me encarou inexpressivo. Eu conseguia escutar uns sussurros vindo do celular, mas não as palavras e muito menos identificar se era uma voz masculina ou feminina.

Então o rapaz franziu a testa, intrigado.

- Cinco horas da manhã? - falou ele como tivesse repetido algo já dito - Não tem como ser mais tarde? Tipo, meio dia? Tenho algo para fazer antes.

Preguiçoso.

Espera...

Castiel exibiu uma expressão decepcionada no rosto.

- No máximo até oito horas? Certo. Até.

Ele desligou a chamada. Continuei a observá-lo, questionadora. Decidi ignorar a parte da insinuação indireta que ele fizera.

- É o meu empresário. - respondeu ele - Irei partir para alguns shows pela França a partir de amanhã e só voltarei lá para o começo de setembro.

Senti como se o meu sangue tivesse congelado.

- Tanto tempo?

Castiel riu.

- Você diz como se eu fosse te abandonar no meio de um campo de guerra. - comentou com um sorriso de lado - Você sobrevive até quando eu voltar. Como eu disse antes, não estamos no estúdio do The Walking Dead.

Abaixei o olhar. Castiel acariciou a minha bochecha com uma mão e ergueu o meu rosto, me deixando sem alternativas além de olhá-lo nos olhos. Seus olhos ainda brilhavam como antes, mas dessa vez havia uma suavidade neles.

- A gente aproveita mais desses momentos quando eu voltar. - ele beijou o canto da minha boca - Se cuida, garotinha.

Assenti levemente com a cabeça e ficamos nos beijando por um tempo antes de dar meia-noite.

xxx

Desci para o térreo por volta das sete e meia da manhã e correndo, pois esqueci de botar o despertador no horário certo para me acordar.

Sim, eu fiz essa burrada de novo e em dois dias seguidos. Ainda bem que acordei sozinha dessa vez.

O motivo de eu estar com pressa? Castiel iria embora hoje para os seus shows por algumas cidades da França e ficaria sem vê-lo por menos de um mês. Eu gostaria de me despedir dele de forma decente e sem nos beijando a cada segundo como ontem a noite - depois daquilo, o rapaz me acompanhou até os dormitórios femininos.

Saí do elevador e andei apressadamente até as portas de saída, mas parei bruscamente ao encontrar duas pessoas no meio do caminho. A cena me fez congelar no lugar.

Castiel e Melanie estavam conversando naturalmente, a garota sorrindo com as bochechas coradas e o rapaz com um pouco de tédio. O que me deixou espantada foi que Castiel acabou passando a mão na cabeça da garota, o que a deixou sem graça, mas não parava de sorrir. Ela disse algo, que fez ele rir sem forçar e voltaram a conversar calmamente antes do rapaz ir embora.

Fiquei observando os dois, notando que ambos não brigavam e nem discutiam, ao contrário quando era comigo e com ele. Aquela cena me deixou incomodada, ou melhor, com ciúmes ao ver os dois se darem bem, mas não me permiti ficar com raiva de Melanie.

Acabei por compreender um lado de Ambre. Melanie parecia como uma dama perfeita; uma moça delicada e frágil sem nenhum traço de rudeza ou má compostura. Qualquer um se daria bem com ela, pois se simpatizaria com o seu jeito meigo e delicado que apenas pertencia a ela. Por conta disso, muitos caras passariam a gostar dela. Mesmo não parecendo, Melanie podia fazer isso sem perceber.

Não era certo pensar nisso, então apenas ignorarei.

Mas eu não era uma pessoa feliz, eu era triste. Pessoas tristes cansavam, certo? Melanie não era assim. Mesmo depois de todos os seus problemas e por tudo que passou, a garota continuava a sorrir normalmente e sem esforço algum.

"Melanie, você que é forte", pensei ao lembrar do que ela me dissera ontem a noite. Sim, era ela que era forte. Eu era apenas fraca e vazia.

Ele merecia alguém melhor...

 

[Dia(s): 12 e 13/08]

[Registro 6: Finalizado]


Notas Finais


Espero que tenha gostado :3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...