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História The Obsessive Devotion - Capítulo 44


Escrita por:


Notas do Autor


E aí gente :D

Voltei com mais um capítulo.

Sem muito o que dizer aqui, só que tenham uma boa leitura e que gostem do capítulo.
Depois me contem o que acharam. <3

Capítulo 44 - Ain't it fun?


Fanfic / Fanfiction The Obsessive Devotion - Capítulo 44 - Ain't it fun?

Levi


    - Como é que é?! - perguntei, incrédulo. Farlan nos olhava convencido de onde estava. A grande mesa da sua sala na gravadora nos dividia hierarquicamente e isso sempre fora um desconforto. Não importava quantos anos eu o conhecia, quem ele era e se era uma pessoa confiável, aquela maldita mesa sempre o protegia metaforicamente.
Olhei os demais e as expressões nos rostos eram variáveis. Jean e Connie haviam gostado da idea e sorriam esperançosos. Eren expunha o desconforto em cada pupila, mas aquele desgraçado sorria. Ele queria ver no que isso tudo iria dar, ainda que lhe custasse um braço ou uma perna.
Erwin tinha o semblante preocupado e não parecia nem um pouco confortável, e eu não sabia o que sentir ou pensar. Eu estava incrédulo, somente.

    - É isso mesmo, meninos. - continuou Farlan.
    - Tá, não me parece ruim. Mas ainda não entendi o porque teríamos que fazer isso. - perguntou Eren. Farlan suspirou, provavelmente entediado de ter que explicar tudo de novo.
    - Já fazem cinco anos que vocês estão produzindo músicas. No início foi um grande estouro e o público recebeu muito bem. Vocês se acomodaram rápido ao sucesso, e o gráfico só subiu.

Eu caminhei até a grande janela e encarei o jardim do lado de fora. Meu reflexo no vidro revelava uma parte de mim que estava extremamente desconfortável. Eren olhava Farlan sem piscar e prestava atenção em tudo o que ele dizia. Farlan continuou:

    - Depois do surgimento da Energy Inside a vendas deram uma leve estagnada, ainda que os grandes boatos sustentassem um pouco as vendas. Quando descobri que trabalhavam com Isabel eu entendi o porquê dessa ascensão rápida. A minha proposta é recuperar esses números, ainda é cedo demais para a Twilight Demons estagnar.
    - E é por isso que você sugere.. - começou Eren.
    - Sim. Pensando na banda eu sugiro que retomemos o contato com a Energy Inside e que produzam um álbum em conjunto, isso é, se vocês concordarem. Eu sei que tem muito em jogo. - deu de ombros - Pensem na proposta e me retornem.


(...)


Saímos da gravadora com aquele mesmo turbilhão de emoções do início da conversa. Era óbvio que os nossos números não era os mesmos que no início, mas retomar o contato com a Energy Inside e trabalharmos juntos em prol da Twilight Demons era exagero. Ridículo.
Fizemos uma reunião na minha casa, por ser mais próximo da gravadora, pra discutirmos estratégias e o que iríamos fazer. Depois que todos estavam acomodados na sala, busquei o chá e o café na cozinha e cada um se serviu. Nem uma palavra foi dita e parecia que tínhamos medo de olhar nos olhos.

    - Er.. então. - começou Connie - O que vamos fazer? Eu não acho uma má ideia.
    - Nem eu. - falou Jean e depois bebeu um gole do café - Estou com saudades, aliás. Eu voto que sim.
    - Eu também. - continuou Connie.

Erwin, eu e Eren nos encarávamos. Era óbvio que Jean e Connie não tinha objeções, não foram eles que saíram de Berlim com a treta nas costas. Por mais que agora esteja "tudo resolvido", uma coisa era pedir desculpas, outra completamente diferente era trabalharmos juntos.

    - Você também quer, né Eren? - perguntou Jean.
    - E-eu não sei..
    - Como assim?! Achei que estivesse louco pra rever Mikasa. - protestou
    - E estou! Mas tinha planejado visitá-la, retomar o contato aos poucos, de repente voltarmos a namorar... - engoliu em seco. - O cenário que se apresenta na nossa frente é totalmente diferente do que eu esperava.
    - Diferente como, porra?!
    - Se aceitarmos, seremos forçados a trabalhar juntos por alguns anos. Você sabe que produzir um álbum não é algo rápido, e eu tenho certeza que nos farão entrar em turnê juntos se estourarmos as vendas. Sem contar que isso é totalmente garantido, já que a união da TD com a EI é prato cheio pra mídia. Se Mikasa me rejeitar, ou, se elas nos rejeitarem, vamos perder o que sobrou dessa amizade que vocês dois tanto querem recuperar.

Eren tinha toda a razão. Não importavam o que havíamos sido no passado, hoje as nossas relações eram totalmente diferentes. Alguns, incluso eu, saíram dessa história bastante machucados, e mesmo anos depois, eu sabia que ainda tínhamos resquícios de rancor ou tristeza. Mesmo que tenhamos nos resolvido, já não era, e não seria mais, a mesma coisa.

    - Mas.. - Eren continuou - eu não consigo explicar tamanha saudade que eu sinto delas e do Armin. Sinto falta das conversas, dos rolês, das zoeiras, da companhia.. - Jean e Connie se entre olharam.
    - Vocês me cansam - falou Jean. - Eu lembro da história toda, eu tava lá. Tanto eu quanto Connie havíamos avisado vocês três para fazerem as coisas direito, e não quiseram nos ouvir. - engoli em seco e tive a impressão de Erwin fazer o mesmo.
    - Não é tão simples assim. - finalmente falei.
    - A não? Já se passaram anos, Levi. - falou Connie.
    - Por mim tudo bem - Erwin se pronunciou. - Vai ser desconfortável, mas acho que tá tudo bem. - ele encarava o chão, com certeza não estava 100% certo disso, mas esse filho da puta adorava apostar. Eren me olhou apreensivo, eram 3 contra 2 agora.
    - Se não querem fazer isso pela consideração de que um dia fomos grandes amigos, façam pelos negócios - disse Jean, de forma ríspida. -Sejam egoístas então e pensem na banda, nos nossos trabalhos. Se assinarmos um contrato com a Energy Inside significa que a Twilight Demons vai voltar ao auge, então que façamos pensando por esse ponto de vista. Da minha parte, são as duas coisas. - Jean voltou a tomar seu café e Connie nos olhava apreensivo.

Eu queria vê-la de novo e conversar direito, queria deixar de receber notícias dela através da Annie, queria ver minhas amigas de novo. Isso tudo era mais do que óbvio. Ela me ignorava constantemente e nunca prolongava um assunto sequer quando finalmente me respondia.
As palavras do Eren ecoavam na minha cabeça. E se topássemos e no fim tudo isso fosse tão desgastante que estragasse o resquício de respeito que ainda sobrava?

    - É a sua oportunidade de consertar a cagada que você fez. - falou Jean, me olhando nos olhos. Maldito cara de cavalo.
    - Vamos votar. - rapidamente falou Erwin.
    - Meu voto é sim. - disse Jean.
    - O meu também. - Connie continuou. - Eren suspirou, ele ainda parecia bastante em dúvida.
    - Tá bom, vai - acatou. -Não quero nem ver no que isso vai dar - apoiou a cabeça nas mãos, que estavam apoiadas nos joelhos.
    - Bom, meu voto é sim também. Quero ver no que isso vai dar - foi a vez do cabeça de girassol. - E aí, Levi?

Soltei um riso irônico diante daquela situação. Me encurralaram direitinho.

    - E adianta eu votar? São 4 contra 1 - bufei. -Ligue logo para o Farlan - virei minha xícara, na tentativa de fazer meu desconforto ser engolido junto com o chá preto.

Connie e Jean comemoraram como adolescentes. Eren puxou o celular no bolso e discou os números, colocou no viva-voz e logo Farlan atendeu.

    - Fala, cabeludo.
    - Já temos uma resposta.
    - Mas já? Achei que fossem demorar mais.
    - É, pois é. Mas enfim..
    - E aí, o que me dizem?
    - Vamos topar. Pode fazer contato com elas.
    - NÃO ACREDITO! - ele ria satisfeito. Filho da puta. - Que notícia maravilhosa! Estava crente de que não iria conseguir convencê-los.
    - Nem foi tão difícil assim. - se intrometeu Jean, todo convencido. Farlan riu.
    - Vou entrar em contato com Isabel então. Assim que tiver uma resposta do lado de lá, retorno para vocês.
    - Certo. - falamos juntos.
    - Beijos na bunda. - desligou.

Esse giro que a nossa história deu foi, no mínimo, irônico. Se eu acreditasse nessas coisas, diria que era karma.

(...)


Thabata


    - Como foram de viagem? - disse Isabel, assim que nos cumprimentou com abraços caloroso.
    - Tudo tranquilo como sempre. - Hange respondeu sorrindo
    - Que bom. Vamos, então? O carro já está a espera.

Era bizarro a diferença de alguns países com relação aos outros em termos de assédio dos fãs. Em todo lugar, sem sombra de dúvida, as pessoas se aglomeravam pra nos ver, mas a Holanda sempre fora um outro nível. As pessoas eram curiosas, claro, mas em nenhum momento nosso espaço pessoal foi invadido. Era quase como se não estivéssemos ali.

Nos acomodamos no carro e partimos para a gravadora. Ao chegarmos lá, Isabel nos guiou para uma outra sala de reuniões e ficamos surpresos de ainda haverem partes daquele lugar que não conhecíamos. Cada uma sentou numa cadeira e ela começou a falar assim que o chá e o café foram servidos.

    - Bem, o que eu tenho para falar não é fácil. Porém, presumo que isso aconteceria cedo ou tarde. - suspirou, com um olhar um pouco sério.
    - Nossa, mas o que aconteceu? - Sasha e Christa falaram praticamente juntas. Nos entre olhamos, e senti o ar da preocupação preencher aquele espaço.
    - O que aconteceu, Isabel? - perguntou Armin.
    - Farlan, da Twilight Demons, entrou em contato comigo semana passada. Querem produzir um álbum em conjunto com a Energy Inside. - acho que ninguém ali ficou normal diante do que acabamos de ouvir. Alguns até levaram as mãos à boca, em choque. Isabel continuou:
    - Não tenho muito o que dizer a respeito. Disse a ele que conversaria com vocês e retornaria assim que tivesse uma resposta.
    - Pra que isso agora? - perguntei - Cederam à pressão da mídia, por acaso?
    - Não sei dizer, Thabata. O motivo não me foi dito. - disse, com um ar de derrota - Independente da decisão que vocês irão tomar, quero que pensem com cuidado nessa proposta. Aceitar trabalhar juntos pode significar colher ótimos frutos no futuro.
    - Quais são os termos do contrato? - perguntou Annie.
    - Ainda não temos isso definido. Eles querem saber primeiro se há interesse da nossa parte. Caso sim, Farlan, eu, Hange e Christa elaboraremos o contrato juntos para que fique confortável para ambos os lados. Afinal, sabemos da história... ou grande parte dela. - me olhou ao dizer a última parte da sua fala.
    - Caralho.. - Sasha estava em choque
    - Enfim, vou deixar vocês pensarem. Tomem o tempo que sentir que precisam e, claro, não precisam ficar aqui esse tempo todo, podem ir para o hotel se quiserem. Quando tiverem um posicionamento, voltem, ok? - disse sorrindo e se levantou da cadeira. Caminhou até a porta, acenou e se retirou do recinto.

Ouvimos a porta fechar e os passos de Isabel sumirem no corredor. Eu nem sabia por onde começar essa discussão.

    - Eu quero. - Mikasa foi a primeira a falar, e disse prontamente.
    - Claro que quer, né. - falou Sasha.
    - Ué, você não?!
    - E-eu não sei. Talvez? - respondeu, meio corada.
    - Que tal a gente não pensar com os sentimentos, e sim com a razão? - sugeriu Armin. -Vamos entender melhor essa proposta e estabelecer os prós e contras.
    - Ok. - disse Mikasa, rendida.
    - Vamos pensar no porquê não aceitaríamos essa proposta. - começou Armin.
    - Bom, devido ao histórico... - começou Hange. -Penso que pode ser difícil de conviver, né? - Hange me olhou com ternura e um pouco de vergonha. Ela se referia a nós duas e isso tinha ficado bastante claro.
    - Mas pensei que vocês duas tivessem se resolvido. - falou Mikasa
    - Sim, mas é bem diferente, não acha? Nos resolvemos um tempo atrás e, embora tenhamos dividido o mesmo espaço e trocado conversas, não convivemos mais juntos desde então. Aceitar produzir um álbum em conjunto leva tempo, e com certeza nos veríamos todos os dias. É um clima bastante estranho, não acham? - sua voz era calma e honesta. Hange falava por nós duas nesse momento, eu não conseguia pensar.
    - Acho que produzir um álbum com eles nesse momento pode ser bastante positivo - começou Armin. - entendo as circunstâncias, mas acredito que o momento agora é pensar coletivamente em prol da banda e do nosso futuro na indústria da música.
    - A decisão é de vocês, afinal de contas - falou Hange, suspirando.
    - Não acho que seria uma má ideia, mas já faz tanto tempo.. sei lá - comentou Sasha. - O que você acha, Annie?

Olhei-a de canto de olho e percebi ela fazia o mesmo pra mim. Tomou um gole do café e respondeu:

    - Por mim, tudo bem.

Christa e Hange se abstiveram da discussão. Sasha, Mikasa, Armin e Annie aguardavam meu posicionamento, me encarando com uma certa expectativa. Poderia continuar a vida sem que isso estivesse acontecendo, estava super desconfortável com a situação.

    - Isso não me agrada. Porém, pensando na banda, eu aceito - me limitei a responder, torcendo para que eu não viesse a me arrepender depois.

Eles continuavam conversando sobre algumas coisas, e Christa e Hange já aproveitaram para dar dicas sobre o contrato e como lidar com certas cláusulas que poderiam aparecer eventualmente. No meio dessa discussão toda, senti uma leve tontura. Me levantei da cadeira arrastando os olhares para mim.

    - Preciso tomar um pouco de água, podem continuar. - caminhei até a porta e me retirei da sala ouvindo um pedaço da conversa ainda.

Cheguei no bebedouro e puxei um copo plástico. Enquanto o olhava se encher de água, suspirei pensando em tudo o que já tinha rolado e no que esse "maravilhoso" futuro estava nos reservando. Justamente quando eu estava indo bem em ignorá-lo, e estava funcionando, o destino me vem com uma dessas. Não sabia que meu destino se chamava Farlan.

Ouvi passos atrás de mim e logo depois, alguém tocar meu ombro gentilmente. Me virei e encontrei Annie, me olhando com um semblante que não consegui decifrar. Ela parecia calma, mas apreensiva ao mesmo tempo.

    - Você tá bem?
    - Acho que sim.
    - O que acha disso tudo? - se encostou na parede ao meu lado
    - Não acho nada. Karma é uma desgraça mesmo. - ela riu um pouco, tomei um gole de água.
    - Já que isso tudo tá acontecendo, preciso te contar uma coisa.
    - Pode falar.. - era daí que vinha a apreensão, então. Ela hesitou bastante e encarou o chão o tempo todo. Suspirou e por um momento pensei que ela estivesse tomando coragem pra dizer.
    - Eu não ia te contar isso, porque na minha opinião não traria nada de bom pra você...
    - Fala logo que você tá me assustando.
    - Certo. - respirou fundo de novo. - Levi e eu ainda conversamos. Na verdade, nunca deixamos de nos comunicar desde o dia em que eles foram embora. Era através de mim que ele tinha notícias suas e... é por minha causa que ele voltou a falar com você.

Suspirei.

    -Bom, isso explica seu interesse em querer saber o que diabos ele andava conversando comigo.
    - Talvez.
    - Então foi você quem passou meu número. - conclui, lembrando que naquele dia Levi desconversou quando eu perguntei.
    - Sim.

Ficamos um pouco em silêncio, mas mesmo assim senti meus pensamentos gritarem dentro de mim.

    - Me responde uma coisa. - voltei a falar
    - Manda.
    - Por que ele manteve contato com você esse tempo todo, enquanto sequer respondia uma mensagem minha? - senti meus olhos marejarem um pouco. Me surpreendi de perceber que isso ainda não era uma página virada pra mim. Ela ficou em silêncio, me olhando nos olhos, e pegou minha mão.
    - Porque, naquela época, ele te amava. Não sei quais são os sentimentos dele agora, mas ele estava apaixonado por você. Na verdade, se eu soubesse que todo esse lance da Bélgica iria acontecer, eu jamais teria te encorajado a contar pra ele o que sente, mesmo que você não tenha chegado a fazer isso de fato.
    - Que jeito bizarro de amar alguém. - falei, me desencostando da parede e caminhando de volta para a sala de reuniões.
    - Thabata, espera. - ela me chamou de volta e eu virei o rosto para vê-la - Tá tudo bem pra você, isso tudo? Não está brava?
    - Claro que eu tô brava, mas não contigo. - ela riu aliviada e caminhou até mim, passou o braço ao redor do meu pescoço e falou: -Quando o vir, você soca a cara dele, que tal? - piscou.
    - Vou me certificar que essa cláusula esteja no contrato. - rangi os dentes, mas ri em seguida.


Parte de mim ainda não acreditava que voltaríamos a nos ver, ainda mais que trabalharíamos juntos. Antes eu provavelmente diria que não saberia onde enfiar a minha cara quando chegasse o momento de vê-lo, levando em consideração que mal sabia como reagir quando ele insistia em falar comigo. Agora, com essa informação, eu sabia exatamente onde eu queria enfiar a cara dele.

Levi já tinha me irritado o suficiente.
~

I don't mind
Letting you down easy but just give it time
If it don't hurt now, but just wait, just wait a while
You're not the big fish in the pond no more
You are what they're feeding on

So what are you gonna do
When the world don't orbit around you?
So what are you gonna do
When the world don't orbit around you?

Ain't it fun
Living in the real world?
Ain't it good
Being all alone?

~

 


Notas Finais




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