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História The old guard: guerreiros perdidos - Capítulo 5


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Notas do Autor


Boa tarde!
Capítulo novinho para vocês!
Boa leitura!

Capítulo 5 - Capítulo 5


Fanfic / Fanfiction The old guard: guerreiros perdidos - Capítulo 5 - Capítulo 5

Paris, 1943.

Na madrugada de 1º de setembro de 1939, a invasão da Polônia pelas tropas de Hitler marcou o começo da Segunda Guerra Mundial. A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, havia perdido seus territórios ultramarinos, a Alsácia Lorena e parte da Prússia. As altas indenizações impostas pelos Aliados causaram o colapso da moeda e desemprego em massa, fatores que, explorados pelos nazistas, contribuíram para o fortalecimento de Hitler no poder (assumido em 1933).

As relações entre a Alemanha e a Polônia já eram tensas desde a República de Weimar. Desde 1940, a capital francesa estava ocupada pelos alemães.

O ano era 1943, haviam revoltosos entre os franceses. Os parisienses estavam insatisfeitos com a ocupação nazista e preferiam morrer lutando do que ver os seguidores de Hitler sobre seu território. A grande guerra não parecia ter fim.

Jasper, Raoni e Esmeralda eram os revoltosos perfeitos. Os três imortais eram especialistas em lutas contra regimes abusivos e injustiças.

_ Então, esse é o plano? _ Jasper perguntou a Raoni, que mantinha seus olhos fixos ao mapa.

_ É o melhor que temos._ Raoni assentiu.

_ Temos que falar com os outros. Saquear esse armamento é nossa melhor opção e só assim veremos uma mudança real do nosso lado._ Esmeralda confirmou.

_ E também, não é como se tivéssemos algo a perder._ A Marquesa completou.

Jasper a olhou e voltou-se para os mapas. Não era bem verdade essa última afirmação. Mesmo que não pudessem morrer, o medo de serem capturados aumentava a cada década e inovação tecnológica. Antes podiam passar despercebidos, mas não naquele momento.

Esmeralda percebeu estar sendo observada, mas não devolveu o olhar. Ela achava Jasper muito protetor, como um perfeito cavalheiro inglês. Mas não era daquilo que precisavam. Ela muito menos. A marquesa só queria buscar, incessantemente, a sua redenção. Ela aprendeu a amar o peregrino naquelas décadas que passaram juntos, mas não podia se deixar levar pelos delírios românticos do puritano.

_ Então é isso. Devem ir até o nosso contato. _ Raoni disse recolhendo os mapas.

_ É uma boa ideia, parceiro._ Jasper disse colocando seu paletó e chapéu. Ele gostava da moda dos anos 40.

_ Nos encontraremos naquele restaurante que o Pierre falou. Se algo acontecer, continue com o plano._ A marquesa disse ao grande guerreiro.

Se abraçaram uma última vez enquanto Jones separava os papéis e lançava-os ao fogo da lareira. Não podiam deixar rastros. Esmeralda colocou seu sobretudo e seguiram para as ruas parisienses. Estavam como um verdadeiro casal. A espanhola mantinha a mão ao redor do braço do inglês enquanto ambos seguiam com o seu plano rebelde.

_ Vai ficar tudo bem. Eles nunca desconfiariam de um casal._ A marquesa disse com naturalidade. Ela sabia que Jasper estava preocupado.

_ Sempre diz isso. É boa com esses planos revoltosos, mas se arrisca demais._ Jasper sussurrou.

_ Acabei com muitos desses planos no meu tempo na coroa. _ Esmeralda afirmou.

_ Não estamos em 1600. As coisas mudaram. Eles estão ficando mais espertos. Todo cuidado é pouco._ Jasper continuou.

Caminhavam observando as pessoas. As famílias visivelmente assustadas. Um caso em especial chamava a atenção dos imortais: uma garotinha e sua mãe paradas do lado de fora de uma loja de doces. O inglês olhava de uma maneira empática para a cena, mas a espanhola evitava olhar. Ela não conseguia fazer seu serviço se imaginasse o que aconteceria aos inocentes se falhasse. Jasper sabia que ela se cobrava demais.

_ Apesar de tudo, faremos nosso melhor. Por eles. Sempre por eles._ O inglês afirmou.

_ Sempre por eles._ Ela concordou baixo.

Andaram um pouco mais e chegaram a um banco de praça. Viram dois homens parados próximo às árvores. Jasper colocou a mão no bolso e conferiu rapidamente que o papel com as informações simplificadas e codificadas estava seguro. Esmeralda apertou a mão ao redor do seu braço quando viu alguns soldados nazistas passando do outro lado da rua. Estavam tranquilos e seguros. Não imaginavam que os parisienses estavam tão insatisfeitos. Talvez imaginassem. Mas não se importavam.

Jasper olhou para o primeiro homem. O mais próximo. E percebeu que o olhar dele demostrava nervosismo. Ninguém podia culpa-lo por aquilo. Esmeralda fez o que sabia fazer de melhor: chamar atenção. Separou-se de Jasper e seguiu em direção aos soldados. Aquilo era a distração que Jasper precisava. O inglês se aproximou rapidamente do homem e sorriu. Cumprimentavam um ao outro, fingindo total normalidade.

_ Como vai a família?_ O homem perguntou.

_ Vai bem. Mandaram lembranças. _ Jasper disse sorrindo e apertando a mão do homem.

_ O almoço está de pé no domingo?_ O homem perguntou enquanto envolvia o papel em sua mão.

_ Tudo em perfeita ordem. _ O inglês continuou sorrindo._ Bom, eu tenho que ir... Não posso deixá-la sozinha com tantos homens à solta, certo?_ Ele disse indicando Esmeralda com o olhar. A marquesa atraia muitos olhares e comentários libidinosos.

_ Faz bem._ O homem afirmou._ Ela é muito bonita.

Se despediram ainda em uma maneira falsa, mas convincente. Jasper caminhou até parar ao lado da mulher. Esmeralda estava em frente a uma boutique de jóias. Olhava os anéis, colares e brincos com aparente tranquilidade. Ela percebia os olhares libidinosos dos soldados e sua vontade mais profunda era cortar a garganta dos homens com suas adagas afiadas. Mas ela não podia fazer isso em 1943. Não ali, pelo menos.

Jasper colocou a mão ao redor de sua cintura e ela depositou sua cabeça no ombro do inglês. Pareciam um jovem casal à procura de uma aliança perfeita.

_ Então, tudo certo para domingo?_ A mulher cochichou.

_ Em perfeita ordem. _ O inglês disse sério.

_ É um colar bonito, não acha? Tinha um parecido. Mas se perdeu depois dos ataques à Guernica, como muitos de meus pertences..._ A mulher disse com certo pesar. Os objetos pessoais que colecionavam pelos séculos eram as únicas coisas que eles tinham para se lembrar de quem havia sido importante para eles.

_ Isso é um jeito melodramático de me convencer a comprá-lo?_ Jasper ironizou. Um jeito de tornar a situação menos trágica.

_ Não tem como ser mais direta que isso._ Ela retrucou com um sorriso tímido.

Voltaram a caminhar pelas ruas parisienses. Eram a resistência. Tardaria até meados de agosto de 1944 para que as tropas aliadas conseguissem avançar em direção a Paris.

~~~

1953, Moscou.

Yelena Egorov acordou mais uma vez depois de sonhos incessantes com aquelas figuras desconhecidas. Era assim desde 1919. Havia sempre os três homens e a mulher. O sonho mudava. Os ambientes ficavam cada vez mais diferentes, mas eles continuavam iguais. No início pensou estar enlouquecendo. Todavia, depois ela percebeu que se tratava de pessoas como ela.

Yelena era uma sobrevivente. Não era diferente de Jasper, Raoni e Esmeralda. Fazia o que tinha de ser feito. Era boa seguindo ordens e as suas habilidades a tornavam única. Ela não podia reclamar, podia ser pior.

A russa se levantou e seguiu em direção ao espelho. Repetia aquele ato todos os dias. Procurava por algum sinal de que havia acabado. Uma ruga ou um fio branco. Mas estava sempre igual: os mesmos cabelos ruivos e olhos azuis vibrantes. Tinha 64 anos com aparência de 30.

A ruiva não tinha com quem se preocupar, exceto ela. Yelena achava melhor assim, mesmo antes de sua condição. Mesmo durante a revolução russa, ela entendia que ter pessoas era o mesmo que deixá-las em perigo. E ela não podia fazer isso de novo.

Ela passou as mãos pelos cabelos e arrumou seus fios em um coque. Sentiu um frio estranho no pescoço, como se pressentisse que algo aconteceria. Ela também era boa nisso. Colocou o chá no fogão enquanto arrumava alguns papéis. Trabalhar para Nikita Khrushchov não era uma tarefa fácil. Não que Stálin fosse. Na verdade ninguém era. Nada era comum, fácil ou tranquilo para Yelena Egorov.

Yelena escutou o barulho da chaleira simultaneamente a barulhos na porta. Visitas? Ela nunca recebia visitas. Estavam tramando contra ela? Possivelmente. Ninguém era de confiança. Nem mesmo ela.

A ruiva pegou sua arma e a deixou pronta para o ataque. Abriu a porta devagar, mas com um sorriso falso e tímido. Aquilo costumava funcionar. Nem alegre demais. Nem desconfiada demais. O que viu foi um homem. Ele era alto, forte e loiro. Parecia diferente. Não era como outros.

_ Yelena Egorov, certo?_ O homem perguntou.

_ Depende de quem pergunta._ Ela respondeu.

_ Me chamam de Horik. _ O homem falou.

_ Então, Horik, o que posso fazer por você?_ Ela disse com os dedos ao redor da porta, se preparando para a possibilidade de fecha-la a qualquer sinal de perigo.

_ Na verdade é mais o contrário. Não que não esteja fazendo um bom trabalho sozinha._ O homem disse sorrindo de maneira afetada.

Yelena espremeu os olhos, observando cada detalhe do rosto de Horik. Ela o conhecia. Por um instante, ficou sem ação. Depois de tanto tempo, o que estava acontecendo?

_ Acredito que o chá esteja pronto._ Ele disse ainda sorrindo.

Yelena cedeu espaço para que ele entrasse. Ele não era mais perigoso que ela. Estavam no mesmo nível. Horik olhava atentamente o lugar. Não era da natureza do viking estar desprevenido. Ele tinha um objetivo ali e faria de tudo para alcança-lo.

_ Então, Horik, o que acha que pode fazer por mim?_ Yelena perguntou em um tom arrogante. Ela não deixaria que ninguém a colocasse em uma situação de submissão. Já bastava os mandos e desmandos de Khrushchov.

_ Companhia. E um objetivo mais enriquecedor que servir ao governo._ Ele disse sério.

_ Eu gosto do que faço._ Ela mentiu.

Horik riu de uma maneira irônica. Seria divertido trazê-la para o seu lado.

_ Não me parece muito satisfeita._ Ele falou.

_ Bom, se quer fazer algo por mim. Me diga como acabar com isso._ Ela disse ríspida.

_ Ah querida, isso não acaba. É irremediável._ Ele assentiu. _ Mas não precisa ser tão solitário.

_ Quantos anos você tem?_ Ela perguntou curiosa.

_ Bom... Depois do primeiro milênio isso deixa de ser importante._ Ele disse com desdém. Yelena sentiu-se como se estivesse se afogando. Um milênio? Como alguém poderia viver tanto tempo. Ela até duvidaria de Horik se o bárbaro não falasse com tanta naturalidade.

_ E quanto aos outros?_ Ela disse.

_ Os outros? Bom, eu os conheci._ Ele disse com desprezo.

_ E porque não está com eles?_ A mulher perguntou desconfiada.

_ Divergências de opiniões._ Ele disse ríspido.

_ Também sonha com eles? _ Ela perguntou enquanto servia o chá.

_ Não mais. Sonhamos até que nos encontramos. Para sua infelicidade, não vai mais sonhar comigo._ Horik disse irônico e Yelena revirou os olhos.

_ E como eles são?_ Ela perguntava curiosa.

_ Tem o Raoni. Guerreiro nativo-americano. É o mais esperto. Tem ótimos planos. O Jasper, o inglês, é o mais comunicativo e sistemático. Um peregrino._ Horik explicava.

_ Ele é inglês. São todos sistemáticos. E a mulher?_ Yelena disse.

_ Esmeralda. A “Marquesa”. Morta no império Asteca. Temperamento difícil. É boa com adagas._ Horik acrescentou.

_ Sei. Ela foi sua divergência de opinião?_ Yelena perguntou irônica. Horik não era um homem difícil de ler.

_ Podemos dizer que sim. Eles fazem o que ela quer, principalmente o inglês. É patético._ O viking disse.

_ Faz sentido. Pelo menos nos sonhos, eles parecem próximos. _ Yelena se lembrava de vê-los juntos. Era algo bonito. Fútil, mas bonito.

_ Depois de séculos, parece que ele finalmente conseguiu._ Horik acrescentou.

Yelena pensava sobre essas pessoas desconhecidas, mas que compartilhavam a mesma sina que a sua. Ela sabia o que o viking queria com ela. “ Os sonhos param quando se encontram.” Ele precisava dela para acha-los.

_ Então, voltamos ao ponto inicial. O que acha que posso fazer por você?_ Yelena perguntou séria, desafiando-o com o olhar.

_ Acredito que já tenha sua resposta._ Horik sorriu enquanto tomava seu chá.

Yelena não tinha uma visão sentimental sobre ter amigos. Mas ela queria, pelo menos, conhecer seus companheiros imortais. Aquela era sua oportunidade.


Notas Finais


Fala pessoal!
Bom, agora vocês já sabem quem são todos imortais: Jasper, Raoni, Esmeralda, Horik e Yelena.
Qual o preferido de vocês?
Qual momento histórico que gostaram até aqui?
O que vai acontecer quando eles se encontrarem?
Temos crise dos mísseis, guerra fria, queda do muro de Berlim, Vietnã...
Digam o que esperam do futuro rsrs

Daqui a pouco estamos nos dias atuais...

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