1. Spirit Fanfics >
  2. The One >
  3. Emboscada

História The One - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Olha eu aqui de novo ~ Dessa vez não demorei a aparecer hahahh 🥺

Bom, eu comecei a escrever esse capítulo três dias após postar o último, todavia acabei por ficar doente, com amidalite, não tinha forças pra nada e só agora dei uma melhorada

Muito obrigada pelos 266 favoritos ❤🥺

Como sempre digo, betei, porém pode ter passado algo, desculpas qualquer erro de português/pontuação

Nos vemos nas notas finais ~ 💞

Capítulo 8 - Emboscada


Fanfic / Fanfiction The One - Capítulo 8 - Emboscada

Desde que eu fui infectado conseguia contar nos dedos as noites em que eu tive uma boa noite de sono. Mas desta vez, ao contrário das outras noites, não era a doença ou o medo de ser pego pelos militares que tiravam o meu sono. Meu pai e todos esses anos em que mentiu para mim é o que estava me deixando inquieto. Para piorar tudo, Mark me contou tantas coisas do seu mundo que em meus dezesseis anos de vida a única certeza que eu tinha agora era o fato de eu ser adotado. Se fosse qualquer outra pessoa me contando, talvez eu tivesse rido de tudo e confirmaria que não passava de um grande delírio, mas aquele garoto com aquele jeito de que odeia ser contrariado sempre dava um jeito de mostrar que ele estava certo. Eu sempre soube que os militares não contavam tudo para nós da zona, mas o que eu não sabia é que eles literalmente controlavam as nossas vidas. Esconder que na ilha tem outras pequenas cidades do outro lado no litoral, que por lá eles também tem seus próprios esquadrões de proteção e vigilância, que muitos lugares ainda são infestados de infectados, que quanto mais velhos eles ficavam mais perigosos também, que música ainda existe...Tantas coisas do nosso antigo mundo ainda existiam e nós erámos privados de tudo apenas porque dessa forma é mais fácil de sermos controlados. Acho que o que me deixou ainda mais frustrado foi pensar que tanto meu pai quanto Jonghyun sabiam de tudo e também esconderam de mim. Eu até entendia meu pai em partes, talvez o seu medo de me contar sobre seu vínculo com as cigarras fosse por aumentar a possibilidade de eu me juntar a eles, que era o que eu estava cogitando em fazer agora. Mas nada justificava esconder todas essas coisas de mim, é como se meu pai quisesse me controlar, escolher o mundo em que eu deveria viver, como devo ou não continuar minha vida.

Mark havia me emprestado um objeto que ele chamava de MP3, ele disse que antes pertencia ao seu pai, e que ele tinha desde o início dos anos 2000, época em que as músicas começaram a migrar para os aparelhos de telefone móvel mais conhecidos como celulares. Ele ficou rindo durante uns vinte minutos quando lhe confessei nunca ter ouvido uma música na minha vida. O garoto acabou por me deixar ouvir música nesse tal de MP3 e começou a me explicar as origens das bandas e dos cantores conforme nós escutávamos as melodias pelo fone de ouvido. Ainda me disse que antes de morrer, seu pai o havia ensinado a tocar violão e que adorava tocar as músicas favoritas dele quando a saudade apertava. De todas as músicas e estilos que me mostrara, o que mais me encantou foi as de um cantor que foi conhecido mundialmente como o “Rei do Pop” chamado de Michael Jackson, e era uma música dele que eu ouvia agora, Thriller, que de acordo com Mark significava terror em inglês.

Passei toda a madrugada me virando de um lado para outro na cama na tentativa de conseguir uma posição confortável o bastante para me fazer dormir, mas a ansiedade que me consumia mal deixava eu manter meus olhos fechados. Encarei Mark esticado no sofá do outro lado do quarto com uma certa inveja, ele tinha uma vida aparentemente mil vezes mais perigosa que a minha, mas conseguia dormir de forma tão serena, como se nada pudesse tirar o seu sono. Pelas frestas da velha e surrada cortina dava para ver que o dia já tinha amanhecido. Respirei fundo tentando conseguir forças para levantar, já que não conseguia dormir, não fazia sentido continuar tentando agora, uma vez que poderiam bater na porta a qualquer momento dizendo que já estava na hora de levantar. Pensei muito durante esta madrugada, levando em consideração o que Mark havia me falado “só tente aceitar tudo e pense onde quer estar enquanto coloca sua cabeça no lugar”. Não vou dizer que a decisão foi fácil, mas no momento era exatamente do que eu precisava, ou pelo menos é o que eu achava que precisava.

— Vamos lá Hyuck, eu sei que você consegue. — Encorajei a mim mesmo enquanto levantava da cama. Deixei o MP3 na mesa ao lado da cama, e em passos curtos lentamente fui me aproximando da porta de entrada do quarto. Enquanto descia as escadas pude sentir um cheiro de café invadir minhas narinas, despertando meu estômago que protestou de fome. Podia ouvir vozes não muito distante, uma eu conseguia reconhecer como a de Baekhyun, mas a outra era totalmente desconhecida para mim. Mesmo ainda um pouco envergonhado fui me aproximando das vozes que pareciam falar sobre algum assunto sério.

—  Olha só quem levantou. —  Baekhyun falou em um sorriso ao me ver adentrar a sala de jantar. — Sente-se, venha tomar café com a gente.

—  Onde está o meu pai e Jonghyun? —  Questionei ao passar meus olhos pela saleta e perceber que eles não estavam presentes.

— Bom você conhece o seu pai. —  Suspirou. —  Não quis tomar café conosco, então Jonghyun levou café pra ele no quarto.

—  É a cara dele fazer este tipo de coisa mesmo. —  Continuei em pé na entrada da sala, como se algo me impedisse de dar um passo à diante. Observei o líder das cigarras sentado à mesa na presença daquele cara de penteado estranho ao seu lado esquerdo, e outro homem que nunca tinha visto ao seu lado direito, enquanto tomava um gole da sua caneca de cor escura.

—  Não vai se sentar? —  Me encarou.

— Ahm... Eu posso conversar em particular com você?

—  Mas é claro! — Falou antes de colocar o restante do sanduíche que comia em sua boca. Os homens ao seu lado não moveram um músculo, continuaram sentados mesmo depois de limpar os seus pratos, então limpei a garganta antes de continuar.

—  Pode ser.. agora?

— Como quiser, Minseok e Jongin já terminaram de comer e já estão de saída, não é mesmo rapazes? —  Os encarou rapidamente com aquele olhar que passava a mensagem de “nos deixe à sós”.

—  Vou até a antiga praça ver se já trouxeram os cavalos. —  O moreno falou ao se levantar e terminar de beber o líquido de sua caneca branca de porcelana.

—  Eu acho melhor eu ver como nossos outros convidados estão e depois ir acordar aquele dorminhoco, sabemos o quanto Mark pode ser preguiçoso. —  O homem de estatura baixa falou enquanto acompanhava o outro cigarra. Ele parecia ser extremamente educado, ao contrário do outro que passou por mim parecendo que passava por uma parede ou algo do tipo.

— Bom apetite! —  Falou ao dar leves batidas em meu ombro esquerdo.

— Sente-se, podemos conversar enquanto você come. —  O homem de corte curto na frente e longo atrás estendeu a sua mão para o assento à sua frente.

— Certo. —  Me aproximei devagar e me sentei no local indicado.

— Café? Suco? Panquecas? Pão? — Questionou ao colocar uma caneca limpa à minha frente.

— Só um suco tá bom.

—  Você não está mais com eles, não precisa comer pouco como os militares. —  Comentou enquanto enchia a caneca a minha frente com um líquido roxo que eu deduzia ser suco de uva.

— Na verdade os militares comem muito pela manhã, só os recrutas que não possuem o mesmo privilégio.

— Os mais importantes com mais e os irrelevantes com menos, já vi esse filme antes. —  Riu. — Mas o que você queria conversar comigo? Aposto que não tem nada a ver com seus antigos colegas.

— Eu quero ser um cigarra. —  Fui direto ao ponto, de qualquer forma nunca fui bom em começar uma conversa. O líder das cigarras ficou em silêncio por longos segundos e eu prendi a minha respiração como se ela fosse atrapalhar.

— Uau, por essa eu não esperava. —  Respirou fundo. — Seu pai com certeza...

—  Não me importo se ele não aprovar. — O interrompi. —  Ele não está em posição de me impedir em nada.

—  Certo. —  Suspirou. —  Vejo que está com a decisão tomada. —  Tomou mais um gole de sua caneca. — Não vou dizer que eu não fico feliz porque estaria mentindo se eu dissesse que não, não posso ter casado com a sua tia, mas me sinto de certa forma um tio pra você, e ver que quer entrar para o nosso grupo me enche de orgulho.

— Olha, eu serei bem sincero. — O encarei. — Eu sei que provavelmente não foi só o fato de eu quase ser o seu sobrinho que faz com que vocês me protejam, mas seja lá qual for os seus planos quero me tornar um de vocês. Mark me contou a verdadeira causa das cigarras e desejo fazer parte, quero me sentir útil, pelo menos esse sempre foi meu objetivo.

— Você tem a personalidade muito forte, assim como seu pai e sua tia. É bom, porém pode vir a ser um problema também. —  Deixou a caneca de lado e cruzou as mãos sobre a mesma. —  Se você for realmente se tornar um de nós será tratado como qualquer outro membro, não é por ser quase meu sobrinho que terá privilégios.

— Não espero menos que isso.  

— Você entende que está sendo procurado pelos militares por ter saído sem autorização, por saberem que você está infectado e que querem te localizar para saber o porquê de ainda não estar por aí rasgando qualquer um que apareça pela sua frente, certo? Que se você se juntar aos cigarras será mais um motivo para te caçarem.

— Eu sei.

—  Mesmo sabendo de tudo isso ainda deseja se juntar a nós? Antes de ontem você parecia nos odiar, como mudou de ideia tão rápido?

— Como eu disse, Mark me contou sobre os seus objetivos, que vocês estão à procura de uma vacina e que desejam ajudar as pessoas a viverem da melhor forma que puderem. — Comecei a girar a caneca de um lado para outro devagar. — Eu não tinha ódio de vocês, só deixei que o que meu pai disse sobre vocês me subisse à cabeça, inclusive eu até peço desculpas por isso. — Tomei dois goles do suco.

— Vejo que és um garoto muito esperto. —  Riu. — Sim, a maioria das pessoas tem mesmo essa visão negativa de nós, mas não é culpa exclusivamente de Kibum, sei que nossa fama entre os militares não é boa também.

— Acusam vocês de coisas horríveis.

— Sei que sim. — Olhou meio chateado para baixo, encarando as panquecas quentes que ainda soltavam um fio de fumaça. — Não vou dizer que nunca fizemos coisas erradas, mas não somos esses demônios que tanto dizem que somos, principalmente porque na maioria das vezes nos culpam por crimes de outras facções. Mas mudando de assunto, porque acha que aceitamos cuidar de você? — Ele tirou um isqueiro e um maço de maconha do bolso da calça e o acendeu antes de levar à boca e tragar.

— Porque Jonghyun está convicto que eu sou imune. —  O vi soltar a fumaça devagar para o lado, deixando exposta a tatuagem verde de folhas que desciam pelo seu pescoço.

— E você não concorda com ele? — Questionou antes de dar mais uma tragada.

— Para ser bem sincero ainda não sei dizer se acredito ou não. — Suspirei. — Sei que tudo leva a dizer que sim, mas.. não sei, talvez só o tempo possa revelar a verdade, mas até lá eu tenho a certeza de que enquanto eu estiver vivo quero ajudar o maior número de pessoas que eu puder.

— Um pensamento nobre. — Disse enquanto soltava lentamente a fumaça pelo nariz. —  Mas se tu for mesmo imune como Joghyun diz, podemos leva-lo a um especialista em vacinas que poderá lhe estudar e fazer uma cura.

— Você realmente acredita? — O questionei antes de dar o último gole de suco.

— Que você é imune? Por que não? Seria tão ruim assim imaginar que uma pessoa pudesse livrar todos nós desse pesadelo que vivemos todos os dias?

— Em vinte anos nunca aconteceu algo assim, e as pessoas que se diziam imune sempre acabaram piorando de uma só vez.

— Para tudo existe uma primeira vez, garoto. — Se encostou na cadeira, relaxando o corpo sobre a mesma. — O mundo sempre foi vítima de inúmeras doenças, pode demorar, mas sempre conseguimos encontrar uma cura ou algum tratamento. Tenha um pouco mais de fé na humanidade, ela nunca foi perfeita, mas há milhares de pessoas que ainda valem a luta.

— Eu só... acho meio difícil de acreditar.

— Sim, eu sei. —  Respirou fundo. —  Olha, não fique pilhado com isso agora, okay? Você passou por muita coisa, ainda está bem magro, precisa cortar um pouco essa cabeleira e treinar duramente para ser um de nós. — Levantou-se e parou atrás de mim. —  Taeyeon me dizia que você sempre a admirou muito por ser quem ela era e você é bem mais parecido com ela do que imagina. —  Sorriu. — Coma alguma coisa, a viagem até nosso alojamento é longa e você ainda está repondo todos os nutrientes perdidos. — Bagunçou os fios de meu cabelo. — Enquanto termina de tomar café pense em um novo nome.

— Isso faz parte de algum tipo de inicialização dentro das cigarras?

— Não. Só não acho seguro sair por aí te chamando pelo nome quando uma zona inteira está atrás de você e porque a partir de hoje também terá uma nova família.

— Uma nova família? — Questionei curioso me virando para o encará-lo.

— Sim, você também não poderá ser meu quase sobrinho. Quatro cigarras além de mim sabendo a verdade já é bem perigoso, porém são meus homens de confiança e irão lhe proteger quando eu não puder.

— Eu não preciso ser protegido.

— Garoto... Mark e Jongin me disseram o que você fez contra os outlaw. Você precisará melhorar muito até dizer que pode se cuidar sozinho. Nós não somos os militares, nossa vida é um pouco mais hard core que a deles.

— Hard o quê?

— Hard core. É um termo antigo de gamer, quer dizer, de pessoas que curtiam jogar videogame. Significa muito difícil, mas hard core é mais legal de se dizer.

— É, pelo visto tenho muito a aprender.

— Você nem imagina o quanto, garoto. — Estendeu a mão para mim. — Parceiros?

— Parceiros. — Confirmei ao apertar sua mão.

— Então sua primeira missão como novo recruta das cigarras é conversar com o seu pai e informar a sua decisão, e isto não é um pedido, é uma ordem direta do seu líder. Assim que Jongin voltar iremos para casa, então é melhorar se preparar o quanto antes, qualquer coisa eu estarei em meu escritório.

Só consegui assentir com a cabeça diante daquela primeira ordem. Ele levou a sério quando disse que eu seria tratado como um igual, por isso mesmo sabendo que no momento não queria ver meu pai nem pintado de ouro, me mandou ir falar com ele. Meu quase tio estava agindo com imparcialidade e eu gostava disso, não iria sentir a pressão de ser ou não perfeito ao seu lado, seria apenas eu, Kim Donghyuck, ou melhor, Haechan alguma coisa, acho que esse é um bom nome para uma nova vida.

Enquanto tomava coragem para enfrentar o meu pai, segui o conselho de comer reforçado pelo longo caminho que teria pela frente. Comi dois sanduíches e duas panquecas acompanhados de leite com café. Fui desfrutando lentamente da comida, sem pressa para finalizar a refeição e ir à encontro de Kibum. Mas como não podia fugir para sempre, resolvi encarar ele e Jonghyun antes de me preparar para dizer adeus à Jeju-ssi. Fiquei parado por uns cinco minutos em frente a porta do quarto antes de tomar coragem para bater, e quando fiz não demorou muito para Jonghyun ser revelado atrás da porta.

— Hey. —  Ele disse ainda com receio.

— Preciso falar com vocês. Eu posso entrar? —  Não conseguia o encarar, então olhava para baixo.

— Claro, seu pai ficará contente. — Meu padrasto me deu espaço e eu entrei. Meu pai que estava deitado de forma desleixada sobre a cama, levantou e sentou com a postura reta sobre o colchão quando me viu.

— Não fale nada.. pai. —  Coloquei as mãos no bolso da jaqueta jeans que vestia. —  Serei breve. —  Respirei fundo antes de prosseguir. — Eu vou me tornar uma cigarra você querendo ou não. Eu também só quero que você ou Jonghyun só apareçam no alojamento quando eu disser que estou pronto para conviver novamente com vocês. Estou magoado e processando as coisas, então respeite a minha decisão pelo menos uma vez. Por enquanto volte pra casa e não coloque mais as crianças do orfanato em perigo por minha causa. Até um dia. — Meu pai realmente não pode dizer nada e depois de falar tudo eu simplesmente dei as costas a ele e a Jonghyun. Não esperei uma resposta, não queria uma resposta, só queria me distanciar dali e depois dessa cidade.

— E é aqui que a gente se separa. — Baekhyun falou ao testar a corda que ele acabara de amarrar em algum móvel da casa acima de nós. — Se vocês seguirem mais umas quadras à frente, chegarão em um corredor que dará na casa ao lado do orfanato, a casa não é habitada, então podem a usar sem serem percebidos.

— Cuide-se meu amigo. — Jonghyun disse ao abrir os braços antes de o líder das cigarras retribuir o abraço.

Nós tínhamos caminhado por volta de uma hora e meia no meio daquele esgoto, tudo para desviar de possíveis perseguições indesejadas. Depois de eu ter comunicado ao meu pai que eu entraria para as cigarras, permaneci ao lado de Mark, que já estava acordado quando voltei para o quarto. Aquele homem baixo e educado que foi me apresentado como Minseok, era um grande amigo daquele garoto magrelo e havia cuidado dele quando o pai do mesmo faleceu. Ele estava ajudando a arrumar o quarto quando cheguei. Ficamos conversando, nós três, sobre música enquanto arrumávamos o cômodo e nos preparávamos pra sair. Eu não tinha muito o que arrumar, já que minha mochila havia ficado no carro com os Outlaw. Segui Mark quando ele foi tomar café e continuei ao seu lado quando ele foi designado a fechar todo o casarão. Meu pai que ficou todo o tempo esperando por uma brecha para falar comigo desde que saímos da mansão, acabou por desistir ao perceber que eu não sairia do lado da cigarra tão cedo. Ele teria que respeitar o meu desejo e faria isso por bem ou por mal.

— Você também. —  O líder da cigarra falou ao desfazer o abraço. — Podem ficar tranquilos que irei cuidar muito bem dele. — Ele olhou para o meu pai, mas logo desviou seu olhar para o ex cigarra. O silêncio acabou por se instalar no ambiente e acredito eu que estavam esperando eu me despedir de meus pais.

— Tomem cuidado para não serem visto e fiquem bem. —  Foi tudo o que disse antes de subir a corda. Mark subiu logo atrás de mim.

— Mas que porra foi aquela? —  Perguntou ao me seguir.

— Não sei do que está falando.

— Sabe sim. E a saída não é por aí. — Falou ao ver eu andar em direção a porta de entrada da casa. — É por aqui, vem, eu te mostro.

A casa antes dessa pandemia com certeza era muito gostosa de se morar, a sala era bem espaçosa, os móveis antes de serem tomados pelo mofo e pela poeira deveriam ser luxuosos e bem confortáveis, já que alguns utensílios da casa e alguns quadros pendurados na parede remetiam a uma família de posses. Hoje a casa estava toda revirada, provavelmente muitos a saquearam procurando por algo que valia algum cartão de comida. A parte de cima da casa não estava tão diferente, mas havia menos trepadeiras nas paredes, já que os raios de Sol mal conseguiam chegar naquela parte. Mark me conduziu a um dos quartos do primeiro andar, parecia ser a suíte de casal, mas não fiquei prestando muita atenção aos detalhes, apenas deduzi pela enorme cama de casal que tinha ali.

— Me ajuda a empurrar isso aqui. — Ele me pediu ao se posicionar ao lado de um guarda roupas. Me pus ao seu lado e empurrei junto com ele, e vi que atrás daquele armário tinha uma passagem que dava para a casa ao lado. — Você deveria ver sua cara agora.

— Por que?

— Porque parece que nunca andou por esses lugares.

— Para ser bem sincero, tirando o shopping e o parque não fui a nenhum lugar, tudo está sendo novo pra mim.

— Por isso eu pedi para ficar ao lado dele, Mark, você é ótimo em fugas, além saber agir muito bem sorrateiramente. — A voz de Baekhyun se fez presente. Ele entrava no quarto acompanhado dos outros dois cigarras. — Sei que talvez não queira saber, mas seus pais disseram para você se cuidar e que ama muito você. —  Falou ao me encarar.

— Eu não os odeio, só preciso de um tempo pra mim.

— Eu sei, tenho certeza que eles lhe darão esse espaço. — Ele riu e deu tapinhas nas minhas costas ao passar por mim.

Baekhyun como o líder das cigarras gostava de ir à frente do grupo, sempre verificando se as passagens estavam seguras e se não havia nenhum sinal de inimigos, doentes ou não. As outras cigarras, assim como o líder, usavam uma pistola automática e cuidavam da retaguarda, e eu que era péssimo com armas de fogo só tentava não os atrapalhar. Seguimos andando dentro de construções abandonadas e cobertas de vegetação por mais ou menos meia hora, antes de irmos para a rua e caminhar até um pequeno parque florestal que nunca vira antes. Não sei se poderia chama-lo de parque, já que assim como todos os outros lugares estava coberto pela natureza. As trilhas tinham desaparecido naquele mar verde de grama, as árvores imensas me faziam me sentir em uma floresta. O local parecia calmo demais para mim, mas como eu não andava muito por fora da zona, talvez fosse apenas a estranheza de não estar acostumado a ambientes assim. Mark de uma hora para outra começou a andar muito perto de mim, de vez em quando nossos ombros e braços se chocavam. Todos estavam bastante alertas, e por não entender acabei somente por franzir o cenho tentando adivinhar o que se passava. Foi aí que então entendi o que estava acontecendo, poderia ter algum inimigo na área. Jongin fez um sinal, com a mão livre que não segurava a pistola, informando que ia na frente e todos nós nos abaixamos, sendo encobertos pelo gramado. Ele assobiou de uma forma muito estranha, como se fosse algum espécie de chamada e para a minha surpresa, ele foi correspondido com um outro assobio.

— Limpo! — Gritou à frente perto de uma ponte de madeira. Quando viu que nos movíamos, ele começou a andar em direção a uma enorme construção que ficava no meio daquela selva.

—  Você sabe cavalgar? — Mark questionou.

— Na verdade eu nunca andei em um cavalo.

— Você era do exercito e nunca tinha andado a cavalo? — Parecia chocado.

— Os recrutas não têm direito a muitas coisas, Jaemin nunca disse nada a você?

— Ele não curte falar muito, só quando está com meu irmão, aí ele vira um tagarela.

— Ele.. —  Verifiquei se os dois homens a nossa frente prestavam atenção em nossa conversa. — Ele é um espião ou algo assim?

— Isso, ele é um espião, mas na maioria das vezes só reporta tudo ao Chanyeol, desde um incidente ele meio que se fechou pra todo mundo.

— Hmm... E quem seria esse Chanyeol?

— Você já vai conhece-lo, ele é o melhor amigo de Baek e também é o segundo no comando. Ele que está trazendo nossos cavalos.

— Como assim trazendo cavalos?

— A gente vai cavalgando até nossa cidade, não achou que fosse fazer uma trilha à pé até lá, né? — Gargalhou.

— É tão longe assim? — Estava impressionado.

— Um pouco, a gente não curte muito ficar próximo a moradia dos caras que querem nos matar.

— Não querer ficar perto dos militares é obvio. —  Ri. —  Você... —  O papo estava extremante agradável, mas quando vi os dois homens sentados no banco à frente segurando as rédeas de cinco cavalos parados defronte deles, minha voz falhou. Eu lembrava do cara alto, ele causou uma confusão no açougue uma vez, ele alegava que a carne vendida estava podre e disse que não pagaria por elas. Lembro de ele quase ser preso, mas acabou por ir embora depois que prometeu nunca mais chegar perto daquele estabelecimento. O pior de tudo é que ele tinha razão, um mês depois o dono foi preso por vender carne estragada e carne de qualquer bicho morto, isso mesmo, se o cachorro dele morresse ele não iria enterrar, mas iria transformar seu amado defunto em mercadoria.

— Cinco cavalos? Sério? — Jongin cruzou os braços diante dos homens. —  Não sei se percebeu, mas somos sete.

— Depois reclame com a Yoona, ela que liberou dizendo que o estábulo não poderia ficar vazio. — O homem menor de pele mais clara respondeu.

— Só por reclamar não será você a ir sozinho em um cavalo. — O mais alto informou ao se levantar. — Junmyeon vai na frente.

— Seus putos! — Eu achei que eles iriam começar uma briga infantil e desnecessária, mas pelo contrário, começaram a rir e a se cumprimentar. — Que sua voz seja ouvida!

—  Para que imortal seja o seu legado! — Todos eles se cumprimentaram com a mesma fraseologia, e foi aí que eu entendi que aquela era a tão famosa frase que estava pichada em alguns muros em Jeju “que sua voz seja ouvida para que imortal seja o seu legado”. As facções adoravam este tipo de coisa. Cada uma tinha o seu “grito de guerra”.

— Chany esse é nosso mais novo integrante do grupo. — Baekhyun falou ao me aproximar do homem mais alto. — Ele é você sabe né, como primo dos Lee, ele ficará hospedado lá. — Pelo visto o homem mais baixo que veio com ele não sabia quem eu era. — Junmyeon, como você é ótimo com cavalos ele vai com você, tudo bem?

— Claro! Prazer em conhece-lo...

— Haechan. Lee Haechan, muito prazer.

— Lee Haechan, um belo nome. —  Ele apertou minha mão. —  Vejo que se machucou feio né. —  Ele falava sobre a faixa que escondia a mordida em meu braço.

— Pois é, acabei me metendo em encrenca ao vir para cá e no meio da fuga me machuquei. — Ri tentando mostrar naturalidade.

— Já montou antes? —  Questionou me levando até um dos cavalos.

— Não, mas sempre tive vontade.

— Será um grande prazer te mostrar como cavalga, se importa se ficar na frente mas eu conduzir as rédeas?

— Não, sem problemas.

—  Então vamos lá. — Ele juntou as mãos e me guiou para cima do cavalo. Quando foi a sua vez, ele subiu com tanta graciosidade que parecia ter voado até o cavalo. — Não se preocupe muito com o balançar, ele é normal. — Assenti positivamente com a cabeça enquanto via os outros fazerem o mesmo que nós. Baekhyun, Chanyeol e Jongin iam sozinhos em um cavalo, enquanto Mark e Minseok iam em outro.

Conforme nos distanciávamos de Jeju-ssi, o frio na minha barriga aumentava. Eu não tinha raiva da cidade, mas no momento só de vê-la encolher no horizonte me sentia calmo e animado, e eu não me sentia assim há um bom tempo. A paisagem que percorríamos era belíssima, não havia muitas habitações, uma vez ou outra aparecia algumas casas e alguns carros enferrujados que eram engolidos pela mata. Junmyeon assim como Minseok era bastante gentil e educado, me ensinava como segurar nas rédeas e como cavalgar com destreza, durante uma conversa e outra, ele me contou que desde os quatro anos ele cuidava de cavalos com sua mãe e sua irmã mais velha, então ser um cavaleiro meio que estava no seu sangue, pois mesmo antes da pandemia sua família se sustentava cuidando de cavalos. Pouco a pouco me sentia mais à vontade com eles, como se fossemos colegas de longa data, em todo assunto que surgia eu falava abertamente, porque sentia que nenhum dos seis iria me criticar. Em alguns momentos, Jongin e Chanyeol disputaram uma curta corrida apostando quem iria acordar cedo e preparar o café da manhã de amanhã. O cigarra mais alto, começou a se gabar por ganhar a corrida, me disse que ele seria um melhor professor que o homem de pele alva que estava comigo no cavalo e que eu ainda poderia aprender a dar tiros de longa distância com ele, já que de acordo com o mesmo, ele era expert.

— Chanyel é um ótimo sniper, só perde pro próprio ego inflado dele. — Baekhyun debochou.

— A é? Digas quem tu acha que seja melhor que eu?

— Você não aguentaria trinta minutos em uma disputa com Johnny ou Ten.

— Quem são esses? —  Questionei curioso.

— Meus dois melhores atiradores. — Baekhyun respondeu.

— Ei! E eu? Não sou? —  Mark parecia meio ofendido.

— Relaxa garoto, você está quase lá, mas Johnny precisa te ensinar mais algumas coisas.

— Eu nunca erro um alvo de perto!

— Mas ainda não é mestre em recarregar armas, precisa ser um pouco mais veloz.

— Um dia eu serei o melhor atirador das cigarras. — Mark fez um bico de birra enquanto cruzava os braços.

— Vai ter que comer muito feijão com arroz, Markitos. — Jongin debochou. — Johnny é o nosso melhor sniper e Ten o segundo melhor. Não lembro a última vez que os vi errando um tiro.

— Eu já vi o Ten errar. — Minseok que estava quieto até o momento falou.

— Quando? — Até Junmyeon parecia não acreditar.

— Se não me engano foi naquela missão que precisamos ir até a base militar recuperar nossos armamentos.

— Ah Minseok! Ele era tão jovem! Pior ainda, ele tava com um dedo machucado, se não me engano ele tinha quebrado não sei como. — Jongin negou com a cabeça e riu. — Recentemente os dois são os melhores, já que nosso Yixing morreu. Ele ensinou os dois muito bem, ele teria orgulho dos garotos. — A conversa mudou para um clima mais sério e pesado. Mas antes que qualquer um pudesse falar mais alguma coisa, um disparo de arma de fogo fez o cavalo em que eu galopava relinchar alto e correr sem rumo.

— Pare o cavalo! — Supliquei a Junmyeon. — Por favor! — O homem as minhas costas nada disse. — Ei! Por que você... Ah merda! — Falei ao me virar para trás e ver que o lugar que antes era o olho esquerdo, tinha se transformado em buraco enorme de bala de uma arma de calibre 12. O sangue descia pelo buraco junto com alguns pedaços de carne queimada. Eu queria vomitar ao ver aquela cena. Não era possível. Quantas pessoas morreriam na minha frente assim? O outro lado da face de Junmyeon estava pálida e com uma expressão de surpresa, tenho certeza que morreu antes de descobrir o que tinha lhe atingido.

— Emboscada! Emboscada! — Jongin gritava ao fundo.

— Hey! — Ouvi uma voz próxima falar, mas estava tão atônito que não sabia para onde olhar ou o que fazer. — HEY! —  Senti uma batida em meu ombro. — Baekhyun cavalgava ao meu lado enquanto estendia o braço direito em minha direção. —  Pule! — Eu o encarava, mas meu corpo parecia não ter nenhuma reação. —  Vamos garoto, não tenho o dia todo! — Em algum momento despertei do transe, quando percebi já estava nos braços do meu quase tio. Olhando para trás, vi Mark atirando e derrubando dois caras, cada um com um tiro certeiro no meio da cabeça. Minseok o segurava para não cair, mas tinha dificuldades em conduzir o cavalo apenas com uma mão. Do outro lado Chanyeol parecia um louco com duas pistolas em cada mão, ele cavalgava de costas enquanto atirava para todos os lados sem um alvo em específico. Jongin já não estava em seu cavalo, vi sua silhueta já distante, o reconhecendo pelo par de óculos amarelos que usava sobre a cabeça. O ouvia xingar enquanto atirava em um carro que tentava nos acompanhar. — Mas que merda! Que merda! — O líder das cigarras parecia extremamente bravo, e foi ao olhar para a frente que eu pude constatar de onde vinha a sua fúria. Um grupo de mais ou menos 15 infectados ouviram os tiros, e agora estavam correndo loucamente em nossa direção. — Esqueçam esses babacas! Acabem com esses infectados! —  Ordenou. Fui empurrado do cavalo e caí com força na lama. — Corra para aquela casa! Feche ela e só saia de lá quando eu mandar! — Ele sacou a arma e começou a atirar nos infectados.

Naquele momento eu queria poder ajudar, mas ainda estava fraco e eu tinha perdido todas as minhas armas, nesse momento, eu só iria atrapalhar se eu ficasse ali. A única ajuda que eu posso dar agora é ficar em segurança e ser uma preocupação a menos, assim todos poderiam se concentrar no combate. Eu corri até meus pulmões arderem, mas cheguei à casa abandona. Alguns infectados me seguiram, mas mesmo com a dúvida de ser ou não ser imune, entrei na casa e bloqueei a entrada com o primeiro móvel que vi. Corri desesperadamente pela casa a procura da cozinha, lá deveria ter ao menos algo cortante que eu pudesse usar como arma. Mas a casa estava completamente revirada, muitas pessoas já deviam ter passado aqui e levado tudo aquilo que acharam que valia alguma coisa.

— Merda, merda, merda, merda... —  Repetia enquanto tentava bloquear a porta com mais móveis. Depois de ter empilhado os sofás da casa sobre a porta de entrada, corri para um dos quartos a procura de qualquer coisa que fosse me ajudar agora. — Não é possível! Só uma tesoura, é tudo que eu peço! — Protestei ao ver em que nenhum dos quartos havia nada que eu pudesse usar como arma. Estava Ferrado. — É Sicheng, parece que vou me juntar a você mais cedo do que esperava. — Tentei pensar em uma maneira de sair da casa sem ser pego, mas havia muitos obstáculos a serem ultrapassados. As janelas estavam travadas com toras de madeira, a porta da cozinha estava emperrada e a porta da frente bloqueada. Tudo parecia conspirar para o meu fim, mas os tiros do lado de fora cessaram.Olhei pela janela  tentando descobrir quem ganhou a disputa, mas não consegui ver nada mais que corpos de infectados. Ouvi duas batidas na porta, logo em seguida uma sequência de cinco tiros. Achei que fossem arrumar um jeito de arrombar a porta, mas eu só ouvi uma grande explosão e senti o chão tremer quando a porta e tudo próximo a ela foi pelos ares. 


Notas Finais


Meu deus que capítulo foi esse??? Será que é agora que a ação começa?

O que estão achando da história?

Donghyuck, quero dizer Haechan hahaha, está se aventurando ~~ E ai qual a opinião de vocês sobre ele?

Markinhos é tão gente boa, né? Esse menino é um anjo

Quero agradecer a todos que leram até aqui e que os comentários são sempre bem vindo e me enchem de inspiração e felicidade 💞

Obrigada novamente por não desistirem de mim, espero voltar com essa frequência hahaha

Sem mais delongas

Xoxo

Vejo vocês no prox capítulo ♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...