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História The one she comes back to - Capítulo 11


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Capítulo 11 - 11. You can't always get what you want


24 de junho de 1994

20h45

Casa dos Forman

Led observou Martin sentado no sofá. Ele usava um blazer com uma blusa lisa por baixo, ele transmitia elegância e sofisticação. Led o odiava.

—Você não deveria estar aqui. - ela disse. Martin sorriu para ela de maneira presunçosa.

—Você também não. - Martin retrucou. - Você deveria estar em um internato logo daqui.

—Mamãe nunca vai me mandar para um internato. Ela não consegue viver sem mim.

—Bem, é o que veremos. Tenho certeza que Jackie irá reconsiderar essa opção quando eu lhe disser como essa cidade e essas pessoas afetam seu comportamento.

—Isso é mentira.

—E em que você acha que Jackie vai acreditar? Em seu noivo ou na garota que tentou de tudo para acabar com o casamento dela?

Led abriu a boca indignada e então se levantou saindo apressada pela porta da cozinha. Ela parou se encostando no fogão enquanto observava Kitty remexer na caixa de medicamentos, de repente uma ideia lhe veio à mente.

—Vovó? Você pode ajudar em uma coisa? - ela indagou tentando soar doce.

—Depende, querida. Vou ter que matar alguém? Minha arma ainda não voltou da limpeza. - Kitty disse soltando uma risada no final. Led riu por educação.

—Mamãe vai sair hoje à noite com gangue, mas papai não vai porque Martin vai estar lá e eles estão se evitando desde a briga. Mas é a oportunidade perfeita para poder aproximar os dois. Eu apenas preciso me livrar de Martin.

—E qual seria o seu plano? - Kitty indagou. Led sorriu e então começou a explicar o seu amável plano para tirar Martin da jogada. Um plano um pouco sujo.

20h55

Jackie se sentia deslumbrante em seu vestido vermelho, seu cabelo estava solto e seus lábios pintados de vinho. Uma artista de cinema desfilando pela passarela, ou melhor, descendo a escada da casa dos Forman. Ela tentou pôr um sorriso enquanto caminhava até Martin que estava sentado no sofá com uma xícara na mão.

—A sra. Forman me deu um pouco de café para me manter acordado enquanto estivermos no bar. - ele disse enquanto bebericava o café. Jackie se sentou ao seu lado, Martin não gostava quando ela se sentava em seu colo sem um aviso prévio, mesmo ela gostando muito disso. - Eu tentei dizer não, mas ela é bem insistente.

—Ela é mesmo. Acho que estamos um pouco adiantados, nenhum dos meus amigos chegou?

—Acho que aquela morena já chegou. Ela está na cozinha. - ele disse sem dar muita importância. Jackie se sentiu um tanto incomodada com o fato dele não querer aprender o nome dos amigos dela.

—Ok. - ela murmurou se levantando e seguindo até a cozinha. Brooke, ou aquela morena, estava sentada na mesa conversando Led e Kitty, ela usava um vestido verde que batia em seus joelhos, mas com os saltos altos ela ficava linda. - Onde está Michael?

—Deixando as crianças com os meus pais ou tentando engolir joaninhas por achar que são M&M’s. Quem sabe? - ela suspirou dando de ombros. Jackie acabava incrível como uma mulher adulta e tão inteligente como Brooke havia se tornado uma Kelso.

—Mamãe, por que papai não vai mesmo? - Led indagou remexendo o suco que tomava.

—Porque o clima entre Steven e Martin não está o melhor. Acho que eles devem se manter afastado por um tempo.

—Então se Martin não for, papai vai?

Jackie franziu a testa e encarou confusa.

—E por que Martin não iria?

Led deu de ombros, um pequeno sorriso bailava em seus lábios. Jackie rapidamente se sentiu alerta e saiu da cozinha para sala. Martin havia deixado o café sobre a mesinha de centro e agora estava com uma das mãos sobre a barriga.

—Jackie, querida. Acho que terei que deixar essa saída para depois. Eu não me sinto bem. Sinto muito. - Martin não lhe deu um chance de resposta apenas correu para fora da casa, a deixando plantada na sala. Jackie respirou fundo e voltou novamente para a cozinha.

—Você! - seu olhar foi direto para Led, porém antes que pudesse dizer algo a porta de correr foi aberta e Michael entrou sendo seguido por Steven.

—Eba! O papai vai! - Led comemorou batendo palmas. Jackie bufou.

—Você é o diabo. - ela acusou, mas a garota apenas sorriu e negou com a cabeça.

—Não mamãe. Eu sou a filha dele.

21h27

Hyde olhou ao redor observando como seus amigos eram idiotas. Eles mal tinham chegado ao bar de Charlie quando Hyde perceberá que ir até ali haviam sido uma má ideia. Não! Uma péssima ideia. Olhando ao redor, passando pelas mesas separadas com apenas um casal em cada, pelo palco montado onde Charlie sorria para todos enquanto revirava uma tigela cheia de papéis e chegando até Jackie que estava sentada à sua frente. Hyde percebeu que o sinônimo de pior, era aquilo.

—Então vamos para a nossa primeira pergunta nesse quiz de casais. - Charlie disse abrindo o maior sorriso que ele conseguia.

—Desde quando Charlie faz esses jogos de casais? - Jackie indagou sugando pelo canudo a bebida que havia pedido. Hyde deu de ombros.

—Não faço a mínima ideia e nem sei porque estamos aqui. Não somos um casal.

—Mas poderíamos ganhar facilmente desses protótipos de casais. - ela murmurou e ele assentiu.

—Primeira questão. Normalmente, quantos litros de sangue uma pessoa tem? - Charlie indagou dobrando o papel e o deixando de lado. Várias cabeças se encostavam uma na outra enquanto os cérebros trabalhavam em conjunto.

Hyde esticou o braço de maneira preguiçosa, pegou o lápis solto em cima da mesa e rapidamente rabiscou o bloco que havia sido dado a eles para anotar suas respostas.

—Entre 4 a 6 litros. - Jackie leu. - Como você sabe disso?

—A uma vantagem em levar Kelso ao hospital. - ele sorriu minimamente.

—Próxima pergunta. - Charlie anunciou. - De quem é a famosa frase “Penso, logo existo”?

—Descartes. - Jackie afirmou roubando o lápis dele e escrevendo no bloco. Hyde a olhou impressionado. - Papai usava muito essa frase em seus discursos.

—Terceira pergunta. Qual a nacionalidade de Che Guevara?

—Puff! Fácil! Argentina. - Hyde disse e Jackie escreveu no papel.

—Se continuarmos assim vamos ganhar deles. - ela afirmou sorrindo. - Eu definitivamente sou boa em tudo que faço.

Hyde reprimiu o sorriso enquanto a sessão interminável de perguntas continuava. Muitos casais pareciam frustrado por não acertar nada, como Donna e Eric, já outros não pareciam realmente se importar em estar ali, como Lauren e Fez. Hyde também não queria estar ali, porém quando olhava para Jackie ao seu lado e a via sorrir animadamente, as coisas mudavam de figura. Talvez aquilo não fosse tão ruim.

Quando a primeira rodado terminou e a garçonete passou recolhendo os blocos com as respostas, Hyde se levantou e estendeu a mão para Jackie.

—O quê? - ela o olhou confusa, então virou o rosto para ver se alguém estava olhando para eles.

—Preciso que venha comigo.

—Para onde?

—Preciso de um conselho e você é a única pessoa que pode me dar ele. - Hyde disse sério, Jackie colocou a mão sobre a dele e eles seguiram para fora do bar. Ele agradeceu mentalmente pelos seus amigos não perceberem a saída deles.

Hyde a puxou pela calçada da rua movimentada onde o bar de Charlie ficava, as pessoas iam e viam parecendo perdidas em suas próprias vidas.

—Então, o que quer falar comigo? - Jackie indagou mais próxima dele do que o necessário.

—Led me pediu para ter o meu sobrenome. - ele disse sem rodeios, com Jackie, ele sempre decidia ser sincero e verdadeiro.

—E o que você disse?

—Não.

—Por que não?

—É complicado, boneca. - ele murmurou.

—Mas é só um sobrenome, Steven. Bem, se Bennett eu até aceitaria essa sua recusa, já que assim minha filha herdaria aquilo tudo. Imagine Led herdando a empresa de WB e chutando Angie para fora. - Jackie sorriu ao imaginar isso, o que fez Hyde rir.

—Um sobrenome é uma história, Jackie. Um legado. E definitivamente os Hyde não tem um bom legado para passar.

—Você tem e é isso que importa. - Jackie assegurou dando um passo e parando à frente dele. - Você não é o Bud ou a Edna, você é Steven Hyde, você é ótimo sendo você e é isso que Led quer. Não é apenas pelo sobrenome, é por fazer parte de sua vida.

—Eu não sei Jackie. Eu não sei se consigo fazer isso. - ele revelou soltando um suspiro.

—Você tá com medo. - Jackie afirmou sem fazer um estardalhaço ou um escândalo. Ela apenas o encarou com compaixão. - Você não precisa ter medo, Stev. Você não é como eles, você se parece mais com Red. Ele é um bom pai e você também. Acredite, Led não ficaria tanto tempo ao seu lado se você não fosse interessante para ela. Você tem um coração bom. - ela moveu a mão colocando sobre o peitoral dele em cima de seu coração. - Você é uma boa pessoa. Por isso que ela te ama. Que eu te amo.

Hyde desviou os olhos dos dela. Jackie estava certa, ele não era como Bud ou Edna, mas não podia deixar de sentir isso. Por muitos anos Hyde não se importou com isso, se tornar seus pais já fazia parte do seu destino, mesmo que tentasse mudar um pouco, as coisas sempre seguiam esse caminho. Porém a partir do momento em que Led e Jackie apareceram em sua vida tudo pareceu mudar, como se novos caminhos se abrissem e assim ele se deixou ter um pouco de esperança. Mas só um pouquinho.

—Tive uma ideia! - Jackie exclamou fazendo-o se voltar para ela. - Já sei como decidir isso. - Hyde franziu a testa, mas não se opôs quando ela o puxou pela calçada seguindo de volta para o bar, ou foi isso que ele pensou até que eles cruzaram a rua até o que parecia ser um estúdio de tatuagem.

—Jackie, o que você tem em mente?

—Eu vou fazer uma tatuagem, se eu chorar, você não precisa fazer isso, mas se eu não chorar, você terá que da seu sobrenome a Led.

Hyde moveu a cabeça para o lado um tanto cético.

—Boneca, você já fez alguma tatuagem na vida?

—Claro que não. Meu corpo é meu templo. Não seria capaz de obstruí-lo.

—Então por que diabos você quer fazer uma tatuagem?

—Porque eu estou levemente bêbada e agitada.

E também tendenciosa. Hyde pensou enquanto deixava que ela o guiasse para dentro do estúdio. Todas as paredes estavam cobertas de desenhos e pôsteres. A luz esverdeada deixava o clima ainda mais noturno. Só havia um homem musculoso e barbudo sentado em um banco ao lado de uma cadeira. Ele ergueu a cabeça assim que eles entraram.

—Boa noite, em que posso ajudar?

—Eu quero fazer uma tatuagem. - Jackie disse sorrindo. Hyde sorriu também se lembrando de como, algumas vezes, a animação de Jackie era contagiosa. Talvez, naquela noite, aquilo fosse tudo o que ele precisava.

22h48

Jackie se mexeu desconfortável na cadeira acolchoada. Ela podia fazer aquilo. Ela havia dado a luz a uma pequena melancia, já havia suportado uma dor pior do que agulhas. Ela podia fazer aquilo de olhos fechados. E era exatamente assim que ela iria fazer.

—Aí! - ela gritou encolhendo o corpo.

—Boneca, ele só colocou o decalque. - Steven disse parecendo entediado. - Você não precisa fazer isso se não quiser.

—Mas eu quero. Eu sempre quis tatuar algo, mas nunca consegui achar algo que eu amasse o suficiente para ficar gravado para sempre na minha pele. - Jackie olhou para cima, havia um enorme espelho no teto e pelo seu reflexo ela podia ver a tatuagem que havia escolhido, o nome de Led em letra cursiva delicada, algo com menos de cinco centímetros de comprimento que ficaria em sua costela, um pouco abaixo do seio esquerdo.

—Sério Jackie, você não precisa seguir com isso. Eu já tomei minha decisão, segunda vamos ao cartório para poder acertar as coisas.

Ela se voltou para ele e sorriu. Estava feliz pela escolha dele, mas nada mudaria sua decisão de ir em frente com a tatuagem.

—Burkhart-Hyde. Isso soa tão bem. - ela murmurou e ele riu concordando com a cabeça, porém em seus olhos ela ainda podia ver a preocupação e ansiedade pelo o que ela estava fazendo. - Steven, por que o celular não telefona para a sra. Forman e pergunta como Led está? Vance, Steven pode usar seu telefone?

O tatuador assentiu indicando o aparelho em cima do balcão. Steven se levantou e caminhou até o telefone. Jackie se remexeu buscando uma posição melhor.

—Você tem sorte de ter um marido tão atencioso como ele. - Vance disse puxando a  bandeja com a tinta para perto dela.

—Ele não é meu marido. Apenas o pai da minha filha.

—Bem, parece que ele é bem mais do que isso pela maneira como você o olha. - Vance sorriu para ela. - É quase como se todo o mundo fosse esquecido e só restasse vocês dois. Isso é uma bela forma de amor.

Jackie mordeu o lábio e se voltou para Steven, ele estava apoiado no balcão sorrindo como um bobo, ele sempre fazia isso quando falava com Led. Jackie sabia que ele estava errado quando dizia que não era um bom pai. Steven não era como Bud ou Edna, ele teria ficado ao lado dela caso ela tivesse contado sobre Led desde o início, ela sabia que ele teria largado tudo para ir com ela para onde quer que fosse, apenas para ter a chance de ficar ao seu lado durante todo o processo.

—Hey, ela está alimentada, banhada e agora vai descansar. - Steven disse assim que voltou a se sentar ao lado dela. - Mamãe disse que ela, Colin e Kiki estavam se preparando para dormir.

—Adoro quando você chama a sra. Forman de mamãe. - Jackie fez beicinho enquanto falava com a voz adocicada. Steven riu.

—Às vezes sai sem querer, mas ela é como uma mãe para mim. Ela e Red são os pais que eu nunca tive.

—Eles são os melhores idosos que eu conheço. - ela afirmou e ele riu novamente.

—Acho que seja melhor você segurar a mão dela. - Vance disse a Steven, ele então estendeu a mão para ela. Jackie hesitou um pouco antes de segurar a mão dele. - Vai doer um pouco, está bem? Mas certas dores valem a pena.

Jackie assentiu sem tirar os olhos de Steven. Alguma música tocava pelos alto-falantes da loja, ela tentou se concentrar na letra enquanto sentia a primeira picada da agulha.

“You can't always get what you want
But if you try sometimes, you might find
You get what you need!”



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