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História The one that got away - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Olá olá, esse capítulo era pra ter saído uns 5 dias atrás mas eu estava meio ocupada, além de ter tido um pequeno impasse com o final.

Mas aqui estamos! Deixo avisado que a partir daqui as coisas vão se tornar um pouco mais tensas na fanfic.

Boa leitura!

Músicas: I Love You So - Junko Ohashi
Tasogare - Mai Yamane
Midnight Pretenders - Tomoko Aran

*não está revisado.

Capítulo 5 - Falling in love always have a consequence


11 de Janeiro 


– Ele disse o que?!


Renjun e Hyuck estavam deitados na cama do Huang, esparramados em meio às cobertas, cada um com uma xícara de chá nas mãos. O final de ano tinha sido corrido para eles, com as festas familiares e viagens os amigos quase não se viram pelo período; por isso estavam ali botando o papo em dia.


E o assunto principal da conversa entre eles era justamente sobre a última vez que se viram. No hospital. Quando Jeno disse que amava Renjun.


– É, ele disse que me ama. – Renjun suspirou, bebendo o chá branco com jasmim que tanto amava. Mas o gosto não estava o apetecendo como o costume.


– Você não parece muito feliz com isso...– Hyuck falou sério, observando como o rosto do amigo estava angustiado e preocupado. Conhecia Renjun como a palma da mão. – Me fala o que tá pegando.


– Se Jeno tivesse falado isso pra mim 6 meses atrás eu estaria pulando de alegria, como se eu fosse o cara mais sortudo do mundo. Mas…


– Mas tem o Jaemin. – Hyuck confirmou sua teoria ao amigo suspirar pelo que deveria ser a quarta vez em menos de um minuto. Colocou sua xícara quase vazia no gabinete ao lado da cama de Renjun e se aproximou do amigo, segurando em suas mãos. – Você está se sentindo balançado, dividido, não é?


Renjun suspirou de novo, mordendo os lábios num ato nervoso e angustiante.


– Eu amo o Jeno, isso é fato. Mas o Jaemin é um cara incrível e tem um espaço enorme no meu coração. Ele curou algumas feridas que Jeno deixou ali e isso é muita coisa, Hyuck.


Renjun disse com os olhos brilhantes e marejados. Odiava aquele sentimento de angústia que levava no peito. A vida toda sempre foi o que na relação sofreu e já estava acostumado com isso, não se imaginava sendo o que machucava outra pessoa. Principalmente se uma dessas pessoas fosse Jeno e Jaemin. 


– O Jaemin não te disse que o caminho estava aberto para você se decidir?


– Sim, ele disse. 


– Então, homem! Renjun, eu conheço Jeno muito bem, sei que ele deve concordar com isso também. Saía com os dois, pense bem no seu coração quem você quer pra estar ao seu lado. – Hyuck o abraçou de lado, acariciando seus cabelos enquanto sorria terno. Um sorriso morno naquela tarde fria. – Independente de quem você escolher, o outro vai aceitar bem. Eu sei disso. Pense em você em primeiro lugar uma vez na vida, cara.


Renjun sorriu, se agarrando com força ao amigo. 


– Por mais que às vezes eu queira socar sua cara, você é um ótimo amigo.


– É, eu te amo também, Renjun.  – O Lee sorriu fazendo carinho nos cabelos sedosos de Renjun . 


Esperava que o amigo escolhesse o que era melhor para si e que fosse feliz com a decisão que tomasse. Mas no fundo sabia que torcia mais do que deveria para que Jeno e Renjun ficassem finalmente juntos, porque depois de tanto tempo, os dois mereciam isso.



Renjun decidiu pôr o plano de "escolher o cara dono do seu coração" – segundo Hyuck – em prática. Por isso aceitou a proposta de Jaemin deles saírem em um encontro para irem juntos ao Brooklyn Museum Art, pois o Na queria tirar algumas fotos de Renjun no jardim botânico do museu.


A viagem de metrô foi boa. Foram em silêncio, sentados um do lado do outro dividindo um fone de ouvido e de mãos dadas. Em todo momento que os olhares se esbarravam um no outro, um sorriso tímido crescia em ambos lábios. 


Ao chegarem em frente ao grande museu, Jaemin fez questão de fazer Renjun posar para ele em frente da antiga estrutura. Renjun não gostava de tirar fotos, mas sabia que aquela era a forma do Na dizer o quanto o amava e apreciava. Ele colocava todo o seu sentimento nas fotos.


O passeio pelo museu foi tranquilo. Não estava lotado e eles puderam ver cada peça do acervo de antiguidade egípcia e gravuras japonesas com calma. Jaemin não entendia nada de arte, nunca foi muito fã disso. Mas amava ver como os olhos de Renjun brilhavam ao que ele explicava todo  excitado como a xilogravura no Japão funcionava. 


– As gravuras eram muito usadas para retratar o Ukiyo‐e, que é um estilo artístico que retrata a vida urbana. Foi muito usada no Período Edo, que é por volta de 1603 e 1867, antes do Japão começar a ter muita influência ocidental na sua arte. 


Jaemin não estava entendendo nada, apenas sorria todo bobo ao olhar como Renjun era a coisa mais preciosa e linda que já tinha posto os olhos. Se amar fosse um crime, Jaemin estaria cumprindo prisão perpétua por causa do chinês baixinho. 


– Jaemin? Você tá me ouvindo? – Renjun estava parado em sua frente, com as mãos na cintura e uma carinha de bravo. Adorável.


– Claro que sim, bebê. 


– Tá, fala aí qual o nome dessa gravura aqui. – Apontou para uma gravura onde havia alguns samurais atravessando um rio em cima de seus cavalos prontos para a guerra.


– Hmmm...Samurais atravessando o rio para uma batalha? – Jaemin perguntou sorrindo sem graça enquanto coçava a própria nuca.


– É a Batalha do Rio Uji, por Utagawa Toyonobu! Aish Jaemin, você e essa mania de não me escutar. – Jaemin pensou que poderia morrer de amores ali mesmo ao ver Renjun com um biquinho bravo nos lábios e com uma vontade imensa de o socar. 


– Eu só estava admirando o meu chameguinho sendo a coisa mais linda do mundo explicando sobre arte. Você é perfeito demais pra que eu não fique só te olhando que nem bobo.– Jaemin abraçou o Huang com força por trás, lhe direcionando um dos seus sorrisos enormes e amorosos que faziam o coração de Renjun errar algumas batidas. 


– Não fale besteiras. – Renjun se soltou dele fazendo birra, tirando algumas risadas de Jaemin que amava como ele era marrento. – Vem, vamos pro jardim botânico. 


Atrás do museu havia um grande jardim botânico com todo tipo de flores e plantas. Era lindo e amplo, uma grande estufa quente onde todas as flores não nativas estavam lindas e floridas, mesmo que a época não as favorecesse.


– Bebê, senta ali. – Jaemin apontou para um banco de pedra embaixo de uma árvore e em meio algumas flores vermelhas que o Na achava serem tulipas.


Renjun fez o que lhe foi pedido e fez as mais diversas poses que Jaemin o pedia, ouvindo o Na o elogiar exageradamente a cada foto. E durante todo o passeio dentro do jardim botânico Jaemin tirou outras milhares de fotos de Renjun distraído e sendo naturalmente lindo. Essas eram sempre as favoritas do Na.


Depois de saírem do museu decidiram que iriam até a Biblioteca Pública que era bem perto dali. E mais uma vez Jaemin fez com que Renjun pousasse para ele ao lado dos leões na frente da biblioteca. Quando entraram tiraram os casacos que usavam, o clima no interior do local era muito agradável e ele cheirava a livros e café recém passado – por causa da cafeteria que tinha no lugar. – Renjun foi andando pelos corredores extensos com prateleiras enormes de madeira abarrotadas de todos os livros possíveis.


Mas o corredor que mais chamava atenção era justamente o de romance e fantasia. Andava lentamente por ele, olhando admirado e com um brilho nos olhos cada livro ao seu redor. Mas um especial o chamou atenção. Tinha a lombada numa cor ocre e uma gravura de espinhos de roseira em flor.


O livro estava muito mais alto do que alcançava e na hora que estava se preparando para pular para pegar o livro, um peitoral firme encostou em suas costas. Jaemin esticou o braço o máximo que conseguia e pegou o livro sem muitos problemas, o dando para Renjun enquanto sorria. Sem se afastar um sequer centímetro os corpos colados.


– Obrigado. – Renjun sussurrou para ele, sorrindo pequeno. 


Jaemin apenas acenou para ele com a cabeça, igualmente sorrindo. Renjun passou os dedos pela capa do livro, vendo que deveria se tratar de um romance de estilo vitoriano. 


– O Luto da Marquesa. – Sussurrou passando os finos dedos pelas letras cursivas em preto na capa.


– Eu já li esse livro. Deixa eu te mostrar um negócio. – Jaemin tomou o livro em suas mãos, abrindo a capa e fazendo o movimento de quem iria folhear todas as folhas do livro. Ao esticar elas, aparecia ali uma pintura de um grande castelo e quando as folhas voltavam ao normal ela sumia. 


– Wow, isso é incrível! – Exclamou impressionado.


– Sim, dizem que é nesse castelo que a marquesa do livro morava. 


– Você poderia me contar a estória? Eu não ligo pra spoilers. – Mesmo que Jaemin quisesse ele não conseguiria negar o pedido de Renjun. Não com ele fazendo aquele biquinho adorável e aquela carinha de gato de botas que sabia que poderia tirar tudo do Na.


– A estória fala sobre uma dama, filha de um senhor feudal. Ela cresceu sendo criada junto de um garotinho que acabaria se tornando um dos maiores cavaleiros de seu pai. Ela o amava desde que se entendia por gente, mas tinha medo de falar para ele, pois ele era bem galinha, digamos assim. – Jaemin fez uma pausa ao perceber que os olhos de Renjun estavam fixos em si. Pigarreou, limpando a garganta antes de continuar. 


– Além disso, ela achava que ele nunca retribuiria o amor dela e que ele apenas os via como grandes amigos de infância. Foi por isso que ela acabou aceitando a proposta de casamento de um jovem vassalo de seu pai. O homem era uma boa pessoa e perdidamente apaixonado por ela, então era meio óbvio que ela acabaria gostando dele também. 


Renjun se sentia agoniado, um pequeno aperto no peito ao ouvir Jaemin falar sobre a estória do livro. Não sabia porque se sentia tão ansioso, as mãos juntas em frente ao corpo se esfregavam uma na outra sem parar. 


– Uma guerra iniciou-se no reino deles e como o cavaleiro mais habilidoso do senhor feudal, o amigo da dama iria para a batalha. No jardim do castelo ela chorou para que ele não fosse e num ato desesperado confessou seu amor por ele, mas o mais impressionante era que o cavaleiro também a amava desde que eles eram crianças correndo pelo castelo. Então ele prometeu para ela que quando voltasse da batalha os dois iriam fugir juntos. Mas…


– Mas? – Renjun se sentia ofegante, as mãos tremiam levemente e um aperto agonizante se fazia em seu peito. A vontade de chorar queimando no fundo de sua garganta e ele não sabia explicar o porquê. Jaemin o olhava preocupado, mas sabia que teria que continuar. 


– Mas o cavaleiro morreu em batalha. A marquesa ao saber do seu falecimento entra em uma profunda tristeza, mas acaba se casando com o vassalo de seu pai. Mas mesmo que ela o ame, nada apaga a dor da perda e o luto dela pelo grande amor da sua vida; por isso ela se veste apenas de preto para o resto de sua vida. Mas quando ela morre pede para que a enterrem num lindo vestido branco e com flores no cabelo, para que estivesse linda para encontrar seu amor no céu. 


Quando Jaemin terminou, Renjun estava em lágrimas, o rosto vermelho enquanto tremia e soluçava, realmente sentido com a estória. O Huang não sabia o porque estava daquele jeito tão abalado, era sim uma estória triste mas não ao ponto de o deixar daquele jeito. Algo no fundo do seu coração lhe sussurrava que aquilo era algum tipo de presságio e tinha tomado uma extrema empatia pela marquesa, como se sofresse da mesma dor que ela.


– Ei amor, calma. – Jaemin o abraçou com força e Renjun afundou seu rosto em lágrimas contra o peito dele. Na acariciava e beijava os cabelos alheios enquanto sentia sua camisa molhada pelas lágrimas quentes de Renjun. 


O Huang ia se acalmando pouco a pouco ao que Jaemin o balançava levemente, como uma mãe que nina um bebê. Mas no fundo de seu coração ainda existia aquela sensação de que já tinha vivido tamanha dor.



Renjun estava terminando de passar seu perfume quando escutou a buzina em frente de sua casa. Passou seu lip balm de morango e deu uma olhada em si mesmo no espelho. 


Jeno estava fazendo mistério a semana inteira de para onde eles iriam sair. Mas tinha pedido para que Renjun usasse uma roupa típica dos anos 80 e que estivesse lindo como sempre. Por isso, Renjun estava usando uma calça social, uma cacharrel vermelha por dentro da calça, seus vans pretos e uma corrente de ouro sobre a blusa; os cabelos castanhos longos repartidos de lado escorriam pelo rosto bonito. 


Pegou a carteira, o celular e as chaves de casa; passou na cozinha e deu tchau aos pais, falando que chegaria tarde e que não era pra eles se preocuparem. Na hora que pisou na varanda de sua casa, Jeno já estava ali em pé nos degraus da entrada da casa. E quando o Lee o viu, abriu um sorriso adorável que fazia seus olhos sumirem num perfeito eye smile.


– Você está lindo. – Ele se aproximou, segurando o rosto de Renjun entre as mãos cheias de anéis dourados e o beijou. Um beijo de tirar o fôlego, um beijo de quem já tinha esperado demais por aquilo. 


Não era o primeiro beijo que Jeno e Renjun davam desde o dia do hospital, mas toda vez parecia a primeira pro Huang que só faltava sair flutuando por aí. 


Quando se afastaram Renjun pode ver como Jeno estava bonito, saído direto de um anime dos anos 90. Ele vestia uma calça jeans mais folgada de lavagem clara, uma camiseta preta por dentro dela e uma jaqueta vermelha. Estava parecendo o Akira. 


– Você também está lindo. – Renjun respondeu um pouco tímido, envergonhado. Os dois entraram no carro e Jeno saiu dirigindo pelas ruas em direção à Mid Chinatown, o centro turístico do grande bairro. – Não vai me contar onde vamos? 


Jeno desviou os olhos por um segundo da rua e olhou para Renjun, o sorrisinho sem vergonha crescendo no canto dos lábios dele. Nada disse, apenas aumentou o volume do rádio assim que Treasure do Bruno Mars começou a tocar. 


– Vamo Injunnie, é uma das suas favoritas. – Jeno balançava o corpo de um lado para o outro enquanto cantava . 


Renjun o encarou chocado, caindo na risada logo depois. Jeno era uma peça, mas era impossível não se contagiar com ele e quando Renjun viu já estava cantando alto com o Lee, balançando o corpo ritmado com o dele. As pessoas pelas quais passavam pelas ruas agitadas de Mid Chinatown os encaravam como se fossem dois malucos, mas eles pouco se importavam. Estavam felizes juntos, isso que importava.



Jeno estacionou o carro na última vaga que restava em uma rua não muito movimentada do centro do bairro. Desceram juntos e foram andando de mãos dadas até um prédio que brilhava em cores neons azul turquesa e roxo. Quanto mais se aproximavam, mais Renjun reconhecia a música que tocava; era Bay City.


– Bem-vindo a Plastic Love, a única e maior boate de City Pop de Chinatown. – Jeno disse sorrindo assim que pararam na porta do prédio.


Os olhos de Renjun brilhavam como duas estrelas cadentes, a boca entreaberta em choque enquanto encarava o letreiro colorido da fachada do prédio. Jeno sabia da pequena obsessão de Renjun pela música dos anos 80 do Japão desde que eram crianças, o Huang era fascinado por aquela época e aquilo tinha até mesmo influenciado o gosto musical de Jeno também. 


Então o Lee não via outra ideia de encontro perfeito com o Huang que não fosse essa e algo na expressão de Renjun entregava que ele tinha acertado em cheio. Por sorte era amigo do dono da boate, Yuta, que o prometeu tocar todas as músicas favoritas de Renjun. 


– Você não...Você não fez isso!


– Eu fiz! Vem, vamos entrar. – Jeno riu e segurou a mão alheia novamente, o puxando para dentro do estabelecimento que estava lotado de pessoas.


O local era bem amplo com um grande bar na lateral direita do lugar, no centro havia uma enorme pista de dança onde os quadrados brancos do chão brilhavam em luzes coloridas assim como as luzes coloridas que refletiam no grande globo espelhado. Renjun pulou de felicidade, empolgado ao extremo assim que Dressdown começou a tocar. 


Puxou Jeno e correndo foram parar no meio da pista de dança. Ali um outro lado de Renjun era mostrado, o artístico e sensualmente misterioso. Ele dançava balançando o corpo na batida da música, mesmo que estivessem no meio de uma multidão de corpos ele chamava a atenção de todos ao redor com seu sorriso brilhante e áurea apaixonante. 


Jeno estava com o corpo bem próximo ao dele, mas aos poucos foi parando de dançar para poder apreciar o outro. O jeito que as luzes azuis, roxas e douradas brilhavam sobre a pele de Renjun depois de refletirem no globo espelhado era mágico. Ele parecia mágico, um anjo. Jeno poderia ficar olhando-o para sempre, com o coração errando as batidas no peito e as mãos trêmulas suando, um sorriso apaixonado nos lábios. Poderia ficar eternamente vendo o amor de sua vida sendo radiantemente feliz.


Quando a música acabou, Renjun abriu os olhos, dando de cara com Jeno o encarando com os olhos brilhantes e um sorrisinho bobo nos lábios. O Huang corou sem graça, mesmo que sob aquelas luzes não fosse perceptível. 


– O que foi?


– Nada, só estava vendo o meu amor dançar. – Jeno deu de ombros sorrindo, se aproximando mais de Renjun e envolvendo a cintura alheia com suas mãos. 


Renjun riu. Mas suas mãos puxaram Jeno para mais perto, envolvendo seus braços ao redor do pescoço alheio. 


– Você sabe mesmo como cortejar um homem, Jeno Lee. – Riu junto do outro, ambas as testas encostadas uma na outra. Jeno não demorou para beijar o Huang de novo, o agarrando com posse no meio da pista. 


Renjun sempre foi um garoto um tanto tímido, não gostava de contato físico em público. Mas naquela noite sua cabeça não estava ali e ele queria viver tudo ao extremo com Jeno. Depois que terminaram o beijo rindo, foram para o bar beberem alguma coisa que os soltasse mais ainda.


Claro que Jeno maneirou ao que Renjun o desafiou para uma competição de shots de saquê, tinha um carro para dirigir ainda, então preferiu beber um ou dois shots apenas e ficar apenas na água depois. Porém, Huang Renjun estava obstinado a encher a cara naquela noite. O garoto fez amizade com um outro garoto chinês no bar e juntos eles tomaram cerca de 13 shots cada um, sem contar as batidas de fruta com saquê que tomavam ao conversarem em meio a risadas. 


Ao lado do outro garoto baixinho – que Jeno descobriu se chamar Chenle –  estava o namorado gigante dele, que assim como Jeno estava apenas bebendo água e de olho no namorado.


– Seu namorado dá trabalho assim também? – Ele perguntou para Jeno assim que viu Renjun correr com Chenle para a pista de dança. 


– Ele não costuma dar trabalho assim. E também não é meu namorado, ainda não. – Disse sorrindo para o garoto alto. 


– Sério? Vocês combinam tanto que já achei que fossem casados.


Daí em diante os dois entraram em uma conversa de como conheceram os chineses. Jisung explicou que conhecia Chenle desde que tinham nascido – assim como Jeno e Renjun – mas que os dois só tinham ficado realmente próximos no ensino médio  e que estavam namorando desde que entraram na faculdade juntos, isso já fazia um ano.


De repente um Chenle pálido se aproximou sendo segurado por Renjun. Ele tinha uma carinha enjoada no rosto redondinho e Jisung suspirou fundo ao lado de Jeno, como se aquilo já fosse habitual. 


– Sungie, eu tô passando mal. – Chenle choramingou.


– Tá vendo por que eu tenho que ficar sóbrio, Jeno? – Jisung disse pegando o namorado dos braços de Renjun.  – A gente se vê por aí.  – Park se despediu apressado enquanto levava o chinês para o banheiro mais perto antes que ele vomitasse.


– E você? Está bem? – Jeno perguntou colocando uma mecha longa do cabelo de Renjun atrás da orelha.


– Sim, você sabe que sou mais forte que isso para bebidas. – Riu de um jeito descontraído e sedutor, embriagado. 


– Sei é? – As mãos de Jeno foram direto para a cintura fina novamente. 


– Sabe… – O sorriso nos lábios de Renjun aumentou mais ainda ao que sua música preferida começou a tocar. – Meu Deus! Vamos!


Ainda de mãos dadas, Renjun fez com que Jeno o girasse pela pista ao que I Love You So tocava, era a música favorita de Renjun e Jeno sabia de cor de tanto que eles já tinham ouvido durante a vida. Pulavam eufóricos pela pista enquanto cantavam alto num péssimo japonês juntos. 


Eles até mesmo tinham a própria coreografia de discoteca para a música e enquanto dançavam algumas pessoas ao redor tentavam os acompanhar nos passinhos. 


Eu vou correr para você e te abraçar forte

Ouça, eu preciso tanto de você

Com todo meu coração, eu quero você

Me virando, eu percebo

Ainda te amo tanto

Por favor, me dê outra chance

(I Love You So, Junko Ohashi)


– I love you so! – Jeno cantou apontando para Renjun que ria, explodindo de felicidade. 


O chinês não  pensou duas vezes em se jogar nos braços do homem que amava, sendo erguido por ele no ar e girado pela pista de dança. O olhar de Jeno e Renjun estavam fixados um no outro, os sorrisos enormes nos rostos e os olhos brilhando o mais puro sentimento de amor. E ali, presos naquele momento em câmera lenta, eles nunca se sentiram tão felizes e tão completos na vida.


Era como se tudo finalmente se encaixasse e fizesse sentido. 


Jeno o colocou no chão novamente e Renjun não perdeu tempo em puxar o outro pela nuca para mais um beijo completamente apaixonado. Ao fim do beijo Jeno sorriu agarrando uma das mãos do Huang e o olhando nos olhos como quem perguntava: "você confia em mim?". E Renjun apenas acenou positivamente, sorrindo de volta para ele.


Saíram correndo e rindo até em frente da boate, a lua enorme no céu iluminava tudo de maneira linda e mágica. Como se brilhasse em comemoração ao amor deles. De dentro da boate começou a tocar Midnight Pretenders e Jeno puxou com delicadeza a cintura de Renjun, abraçando o corpo menor contra si. 


– Você planejou tudo isso, não é?! – Renjun perguntou baixo, apoiando as mãos nos ombros de Jeno  e encostando seu rosto contra o pescoço dele.


– Digamos que sim. – Jeno sussurrou contra o ouvido do chinês, rindo baixo. 



Fingidores da meia noite, escondendo-se na escuridão

Por um momento, eles compartilham o calor, amor secreto

A manhã está chegando e os amantes se separam

No final, ainda com dor, eles dizem adeus

No fundo do mar profundo

Eles afundam as palavras que não podem dizer

E na solidão de deixar um ao outro para trás

Cada um deles apenas morde o lábio

Toda vez que eu desejo monopolizar seu amor

Sou uma viajante que não diz para onde será levada

Toda vez que eu desejo que você fosse meu

Eu quero você por inteiro

(Midnight Pretenders, Tomoko Aran)



Os corpos abraçados um no outro com tanto carinho balançavam de um lado para o outro devagar, numa valsa mansa e calma de quem tinha todo o tempo do mundo para amar e ser amado. As mãos de Jeno corriam pelas costas de Renjun num carinho leve e alguns castos beijos eram distribuídos pela pele amostra um do outro. 


Renjun sentia que seu coração poderia explodir de amor, mas também nunca tinha sentido tanta paz e serenidade com seus próprios sentimentos. Desencostou o rosto da lateral do pescoço de Jeno para poder olhá-lo nos olhos e ali estava, o brilho apaixonado dos seus olhos sendo refletido pelos dele. Ambos sorriram novamente, já com as bochechas doloridas de tantos sorrisos.


Renjun segurou o rosto de Jeno entre as mãos, olhando cada traço do rosto dele com tamanho amor e devoção. Seus dedos passavam pela pele com carinho e Renjun riu fraco ao circundar a pintinha solitária no rosto de Jeno. Simplesmente a amava, assim como qualquer traço em Jeno.


– Eu te amo. – Jeno sussurrou como se estivesse contando um segredo para o chinês que só ele podia saber. Era meigo. 


– Eu também te amo. – Renjun sorriu, sentindo seus olhos encherem de lágrimas de pura felicidade.


Jeno não esperou mais para o beijar com vontade, os corpos colados foram andando pela rua pouco movimentada até o carro de Jeno. As janelas foram minimamente abertas e o rádio ligado tocava Tasogare, dando um ar mais sensual ao que ocorria no banco traseiro daquele carro.


Não era a intenção de ambos que a noite acabasse daquele jeito, mas simplesmente não podiam ignorar o sentimento que puxava seus corpos um contra o outro, como um imã que os ligava. Jeno achava que nada no mundo poderia ser mais belo do que a visão de Renjun sobre si, o corpo suado e contorcido em prazer se esforçando para se movimentar sobre o colo do Lee. Os sons que escapavam da boca dele eram pura música e Jeno beijava a pele iluminada pela luz alaranjada do poste com devoção, seus dedos sentindo a maciez pura dela.


O cheiro de Renjun o enlouquecia e Jeno almejava sentir aquele cheiro de jasmim branco até o momento que morresse. Ao que Jeno forçava mais o corpo acima do seu em busca de prazer, mais Renjun gemia. O Huang apoiou uma de suas mãos no vidro embaçado do carro, os olhos fechados e os lábios presos entre os dentes em deleite. Era como uma obra de arte.


Jeno sorria para ele com aquele sorriso cafajeste nos lábios rosados, alguns fios de cabelo preto colados contra a testa suada. Renjun desejou ser olhado por ele com tamanha devoção e desejo todos os dias de sua vida. De mãos dadas tiveram seu prazer juntos, os lábios se entregando em mais um beijo despudorado e cheio de sentimentos. Pela primeira vez na vida fizeram amor.


Ficaram abraçados um no outro nus até que seus corpos esfriassem, trocando juras de amor sussurradas ao pé do ouvido. Quando se acalmaram, se vestiram novamente e saíram dirigindo pela madrugada quase deserta de South Chinatown. No rádio tocava Apocalypse e mesmo em silêncio era perceptível o clima amoroso entre eles. Se sentiam no céu. 


Quando chegaram na frente da casa do Huang, Jeno fez questão de descer e o levar até a porta. Só não esperava que enquanto subiam a escada da entrada sentisse um forte aperto no peito, pontadas agudas e uma falta de ar grande que o fez cair de joelhos na escada.


– Jeno! – Renjun disse desesperado, correndo para ajudar o outro a se levantar. 


– Calma amor, tô melhor já. – Falou ainda um tanto ofegante mas sorrindo para tentar afastar a carinha de preocupação alheia. 


– Você precisa ir ao médico para ver isso. Você disse que isso tem sido recorrente e não pode ser. Eu me preocupo… – Abraçou o corpo maior de lado enquanto estavam em pé no topo da escada. 


– Eu sei, amor. Já marquei alguns exames e irei entregar eles para o médico, okay?! Fique tranquilo. – Jeno sorriu, novamente beijando-o antes de se afastar. – Preciso ir agora, durma bem. Eu te amo. 


– Eu também te amo, Jeno. – Renjun retribuiu o sorriso alheio e assistiu com pesar o carro de Jeno desaparecer no final de sua rua.



Jaemin estava sentado na cafeteria da empresa, que ficava no quinto andar, tomando seu café expresso puro e sem açúcar. As memórias sobre o final do encontro com Renjun ainda povoam sua mente enquanto olhava a rua movimentada lá embaixo pela janela.


Estava tão distraído que nem reparou quando Jeno se sentou em sua frente, apenas se virando para o Lee quando esse pigarreou baixo.


– Precisamos conversar.


– Sobre o Renjun. – Jaemin confirmou, colocando sua xícara quase vazia sobre a mesa. – Pode falar. 


– Não quero criar um clima de competição entre nós, até porque não é uma, Jaemin. – Jeno apoio os braços sobre a mesa metálica. – Se Renjun me escolher ou te escolher eu estarei feliz, desde que ele esteja. 


– Eu entendo e quero que saiba que compartilho do mesmo pensamento que você, Jeno. Não ache que levo meu lado competitivo para este lado. – Jaemin olhou Jeno nos olhos, dando um sorriso de conforto. 


– Você melhorou desde a faculdade então. Era extremamente competitivo em tudo e um pouco ciumento também. – Jeno riu com uma pontinha de provocação. 


– Eu não era ciumento, você que era um galinha. Ainda não sei como fomos o casinho mais longo que você teve. – Jaemin riu, revirando os olhos só de lembrar da época conturbada. 


– Você era bem insistente. 


– E você continua um idiota. – Jeno riu com gosto. – Amigos então?


– Amigos. – Jaemin apertou firme a mão a qual lhe era estendida e sorriu para o outro. Sabia que Renjun ficaria muito feliz com aquilo. 


– Se ele me escolher, eu te chamo pra ser nosso padrinho de casamento. – Jeno disse se levantando, piscando um olho para Jaemin enquanto ria da cara de desgosto que o outro fazia.


– Digo o mesmo pra você, Lee!



Fazia algumas semanas que Jeno e Renjun estavam colados um no outro, feito carne e unha. Estavam saindo juntos todo final de semana e durante a semana viviam um na casa do outro. 


Era sexta-feira, Jeno tinha um encontro com Renjun mas teve que desmarcar por causa de sua consulta com o médico. Tinha feito alguns exames alguns dias atrás e estava ali para os entregar. As fortes dores no peito e a falta de ar estavam ficando mais fortes e mais frequentes, preocupando a todos ao redor de Jeno. Principalmente sua mãe e Renjun. 


Lee Jieun estava ao lado do filho na sala de espera do médico, tensa e preocupada enquanto segurava um terço entre as mãos. Jeno a abraçava de lado, sorrindo pequeno para passar calma para ela, mesmo que estivesse agoniado também. 


– Senhor Lee, vamos?! 


Assim que o médico abriu a porta do consultório, Jeno se levantou, sua mãe agarrada em seu braço esquerdo. Entraram no consultório e se sentaram em frente ao médico.


– Aqui estão os exames que o senhor pediu, doutor. – Jeno pegou das mãos da mãe os envelopes dos exames que fez e entregou ao médico. 


O médico pegou o grande envelope e abriu, pegando as imagens da angiografia adquiridas através do exame de ressonância magnética e as avaliou em silêncio. O olhar calmo do médico ficava cada vez mais severo ao encará-las, a mão cobrindo parte da boca e queixo.


Aquilo preocupou Jieun, que se remexeu desconfortável ao ver o jeito que o médico estava e como o silêncio perturbador enchia a sala. Jeno segurou as mãos da mãe, sorrindo de lado para passar conforto para ela, mesmo que estivesse nervoso tanto quanto. 


– E então doutor?


– Olhando as imagens da sua ressonância eu confirmei a suspeita que eu tinha...Você tem uma anomalia nas artérias coronárias, Jeno. – O médico largou os papéis sobre a mesa e entrelaçou suas próprias mãos enquanto encarava os dois à sua frente. – É uma espécie de cardiopatia que pode tanto ser benigna, como ter um potencial fatal. Como eu desconfiava desse diagnóstico por causa dos seus sintomas, pedi que fizesse esse exame para podermos ver se tem um potencial fatal e qual grau ele poderia ter.


Jeno sentiu sua mãe estremecer ao lado e apertar com mais força suas mãos. 


– O que torna essa condição fatal é a isquemia cardíaca que ela pode desenvolver, que é basicamente a falta de oxigênio no tecido, o que pode resultar num infarto e morte súbita. Eu estava com esperança de que o seu tipo fosse OACEP, que é a alteração na artéria coronária pulmonar, ela tem tratamento cirúrgico e pode ser resolvida; mesmo sendo uma operação muito delicada. 


O médico fez uma pausa, o olhar sobre Jeno tinha compaixão e empatia demais. Foi ali que Jeno soube que as coisas não estavam nenhum pouco boas para si.


– Você tem OACEA, artérias coronárias de origem anômala na orta. Ainda não existe um tratamento conclusivo para, além de que o seu quadro está muito avançado para alguém tão jovem. O seu quadro de atleta na juventude pode ter contribuído, já que é uma doença que acaba afetando e levando a óbito mais cedo jovens atletas. As artérias coronárias de classificação adulta podem levar o indivíduo a viver por bastante tempo, alguns casos pessoas tiveram morte súbita aos 72 anos. – O médico suspirou. Era uma lástima que uma pessoa tão jovem e cheia de vida pudesse ter tão pouco tempo para viver. 


– Mas olhando os exames o seu estado está bem avançado. Pode ser a qualquer hora, talvez o máximo de 4 ou 5 meses. Eu sinto muito, Jeno.


Um grito de dor encheu o consultório do Doutor Jung. Lee Jieun sempre quis ser mãe e enfrentou muita dificuldades até engravidar finalmente de Jeno, depois de 3  perdas espontâneas finalmente seu pequeno milagre veio. E 25 anos depois ele estava sendo tirado de si com tamanha dor.


A mulher chorava desesperada, agarrada em Jeno como se ele fosse desaparecer a qualquer momento. 


– Não, não...Não, meu filho não. Por que, Senhor? Por que? – Jeno estremeceu, estava tão chocado e com medo quanto sua mãe. Mas precisava estar forte por ela ali, mesmo que fosse a última vez.


– Calma mãe, olha pra mim. – Segurou o rosto bonito mesmo em lágrimas da mãe entre as mãos. Mesmo que estivesse chorando também, sorriu. – As coisas acontecem, hm? Nós vamos viver os nossos melhores 5 meses juntos, tá bom? Eu amo a senhora, muito. 


Jeno abraçou a mãe com força entre seus braços, apoiando o queixo no topo da cabeça da mãe. Mordeu os lábios com força, abafando o máximo que podia os soluços que queriam escapar de si enquanto chorava. 


E ali, pensando em todas as coisas e pessoas que iria perder, a que mais invadia sua cabeça era a vida que nunca poderia ter ao lado do homem que amava. Nunca poderia ter Renjun pra si.


Notas Finais


O qur acharam desse cap? Renjun tendo certos presságios do que vai acontecer com o Jeno? Talvez.
E a noite dos Noren? Admito que quase andei para trás de matar o Jeno, porque vai ser uma barra para os dois...

Bem, até o próximo capítulo 💖

Meu tt: @aestheteinjun


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