História The Other Gods - Capítulo 3


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Ecchi, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Terceiro capítulo!
Aproveitem.

Capítulo 3 - Welcome to the camp Pt.2


—Não tenha pensamentos divertidos. Meu trabalho é recepcionar os novatos, e eu odeio. Escuta, odeio ter que repetir “ah, aqui é a arena” ou, “ah, aqui é a quadra de esportes” todo santo dia. Se lembra que Quíron disse que ia te mostrar o acampamento amanhã? Isso significa que eu tenho que te mostrar o acampamento amanhã, e eu estou afim de uma folga, então vamos fazer isso hoje. Não é como se eu te achasse o gostosão do pedaço.

Eu aponto pra trás, ela olha e dá um pulo ao ver Quíron com uma feição divertida.

—Q-Quíron? Tá fazendo o que aqui?

—Eu ouvi uma gritaria e vim checar. Bem, Rachel, já que você odeia tanto o trabalho, eu posso arranjar pra te trocar.

Os olhos delas brilharam de animação.

—Sério?

—Sim, o Noah também pediu pra sair da limpeza dos estábulos, então caso queira, é só me... —Ela empalideceu e pegou minha mão, me arrastando pra fora do quarto.

 

—Droga de estábulos, mas nem fodendo que eu vou pra lá. — Rachel disse pra ela mesma, mas eu ainda consegui escutar. Digo, não podia ser tão ruim, né? Pelo menos a ideia de andar comigo era melhor.

Nós descemos as escadas e ela abriu a porta, e eu fiquei boquiaberto ao ver o cenário de fora. Acampamento uma ova, o lugar era parecido com uma cidade de tão grande. Isso é, se você ignorasse as pessoas correndo com armaduras e espadas pra lá e pra cá. Tinha um corredor de chalés enormes um do lado do outro, separado em dois lados, cerca de 20 deles. Todos eles eram do tamanho de casas, a maioria com dois andares, além de um que era um prédio enorme e ficava mais afastado. Tinha tanta gente assim pra encher todos eles? Os deuses deviam estar ocupados.

Nós fomos andando até a linha de chalés, e dizer que eles eram incríveis não era o suficiente. Eu não era especialista em arquitetura, mas podia ver que tudo aquilo era bem trabalhado, mantendo algo que lembrava o grego como uma tela, mas pintando um estilo diferente em cada um. Nenhum deles era iguais uns aos outros, e eu podia até imaginar o motivo.

—Então nosso pai ou mãe divino dita em qual chalé ficamos?

—Exato. Aquele lugar que você estava era a casa grande. Funciona como uma enfermaria e um dormitório de emergência, mas nenhum campista fica lá normalmente. Nós também temos um chalé separado e mais recente onde os campistas que não foram reclamados ficam, no caso, você.

—Entendi. E quanto a isso de “reclamar”, quanto tempo vai levar? —Pergunto, naturalmente curioso sobre quem meu pai podia ser, mas com uma pontada de esperança de conseguir com que ele me leve a minha mãe e possa me esclarecer algumas coisas.

Mas, eu tinha uma sensação estranha, como se eu já tivesse visto um lugar parecido antes.

Rachel pôs a mão no queixo, pensativa.

—Você chegou em um bom tempo. Antigamente ser reclamado era bem mais demorado e complicado. Os deuses exigiam um ato de bravura, ou que completássemos uma missão, mas isso mudou há uns 5 anos, quando eu fiz um acordo com eles. Agora eles têm que reclamar os novatos em poucos dias, então você não vai ficar separado por muito tempo.

—E você está aqui a quanto tempo?

—Daqui a dois meses eu estarei aqui por uma década. Cheguei aqui bem nova, com uns seis ou sete anos. — Ela parou um momento, como se tivesse tido uma epifania. —Caramba, isso faz muito tempo. O tempo voa. —Ela deu um sorriso bobo, como se tivesse lembrado algo engraçado. —Sim, o tempo voa mesmo.

— O que você fez pra ser reclamada?

—Meu querido pai achou que eu tivesse que fazer algo grande pra ser reconhecida, então eu tive que matar um titã.

Eu fiz uma expressão surpresa, sem saber se tinha ouvido direito, e ela percebeu.

—Sim, é sério. Longa história, quem sabe um dia eu te conto.

­­­­­­­­­­­—Uau. Tá, e quem é seu pai?

Ela apontou pra o ultimo chalé, que ficava no meio do corredor. Ele não era o maior, mas transmitia uma sensação de poder. Era parecido com uma caixa de mármore, com colunas grandes na frente, sustentando uma parte do teto. Era azulado, e tinha grandes portas de bronze, com raios estampados.

Azul como o céu, raios? Então ela era filha de Zeus? Se ela era filha de Zeus, então talvez... Olhando bem pra Rachel, ela realmente parecia familiar. Ela tinha uma pele branca e cabelos loiros, quase dourados, presos pra um lado da cabeça e com algumas mechas soltas e uma franja caindo em meio aos olhos e olhos azuis com um tom escuro, lembrando a cor do chalé. Se eu me esforçasse, eu podia ver a feição preocupada dela quando me salvou, o que me deu certeza. Mas, curiosamente, ela não tinha citado o fato de ter me salvo ontem.

—Ainda não adivinhou? Sou fil...

—Valeu por ontem, Rachel. Belo raio. —Ela pareceu surpresa com minha fala, mas sorriu depois, meio sem jeito.

—Ah, é verdade. De nada, espero que um dia possa me retribuir o favor. —Diz ela, piscando um dos olhos, mas depois ela pareceu pensar no que disse e balançou a cabeça. —Na verdade, não espero não, espero não ficar em situações que eu precise ter minha vida salva. Mas sim, você acertou, sou filha de Zeus, deus dos deuses, céu e raios e etc.

—Então você é tipo uma pilha humana?

Ela me deu um olhar meio torto, sem acreditar no que eu tinha dito. Então, apontou um dedo pro meu peito, do qual saiu uma luz azul e me eletrocutou. Fiquei com um gosto metálico e com todos os pelos do meu corpo em pé, além de tremer um pouco.

—Sim, uma pilha humana. Se sentindo carregado? —Diz ela, sorrindo de forma cínica.

—D-Desculpa.

Ela soltou um “humpf”, um “porque sempre fazem piadas” e um “odeio esse trabalho”.

Seguimos o caminho com o clima estranho, mas foi útil pra eu ver quase todo o acampamento. Havia de tudo. Áreas de treino de diversos tipos, indo de esportes até armas e arcos. Lagos extensos e, se eu tivesse vendo direito, lindas garotas dentro dele, que riram e acenaram quando eu passei, uma academia com equipamentos e pesos o bastante pra uns 100 marombados, um grande prédio de madeira, que Rachel disse que eram realizados trabalhos manuais, aulas de mitologia e que continha uma biblioteca.

Tinham também grandes plantações de uvas, que davam um aroma interessante ao resto do acampamento e que eram a fonte de renda do acampamento, uma gigantesca parede de escalada com lava (fiz uma nota mental de nunca chegar perto daquilo se eu tivesse a chance) e uma floresta onde eram realizados “jogos de recreação”.

Chegamos ao pavilhão de refeições, onde pessoas lanchavam. Tinham mesas longas e prateleiras com copos e pratos, além de duas fogueiras posicionadas em um lado, mas, estranhamente, não tinha nenhuma cozinha por perto.

—Quer comer alguma coisa? O jantar é só daqui à uma hora e meia, e eu estou morrendo de fome. —Pergunta Rachel, com um humor aparentemente melhorado, e eu concordo.

Ela pega dois pratos e dois copos, e a gente se senta em uma mesa, atraindo olhares de algumas pessoas.

—Então... —Falo, olhando os pratos vazios e uma luz de esclarecimento passa pelos olhos dela.

—Ah sim, esqueci de dizer. Na hora do almoço e do jantar a gente tem que sentar com nossos irmãos e irmãs, é uma tradição bem antiga. —Ela baixou o tom de voz antes de continuar— Na verdade, se você comer antes ou depois da hora exata, pode se sentar com quem quiser, tecnicamente não é contra as regras.

Ela voltou ao tom normal, mas eu continuava confuso sobre o que exatamente a gente ia comer.

—Mas tem uma regra bem importante, e não dá pra burlar isso. Tudo que você come aqui tem que ser oferecido ao seu pai ou mãe divino. Nós queimamos uma parte de tudo naquelas fogueiras ali como uma oferenda.

—Isso é estranho. Eles comem comida queimada?     

—Não, claro que não. Digo... —Ela se perde, talvez por que não tinha pensado naquilo antes. —Na verdade, eu ouvi um boato, mas não tenho certeza. Aparentemente a comida vai pra um lugar especial dos deuses, um santuário. Lá eles comem.

—Então, o fogo é um teletransporte? Isso faz menos sentido ainda.

—Ah, fica quieto, ninguém liga pra isso.

—Tudo bem. Mas vamos queimar o que? Não tem nada aqui.

—Isso é legal. Pode pensar em qualquer comida e bebida, contanto que não seja alcoólica, e elas aparecem no prato. E nem pense em néctar ou ambrosia. Você deu sorte antes, mas é melhor não abusar.

Eu ia perguntar o porquê de eu querer aquilo, mas, do nada, aparece um sanduíche de presunto e queijo e uma bebida parecida com aquela que eu tomei no quarto, néctar. Penso na melhor coisa que eu tinha comido naqueles 6 meses, um sanduiche que eu tinha achado no lixo e suco de laranja, um banquete.

Rachel se levanta e leva o lanche dela pra fogueira e joga um pedaço do sanduíche e um pouco do néctar na fogueira, e o cheiro que sai é delicioso. Era uma combinação perfeita de café e presunto. Ela sussurra algo como “pra você, Zeus” e faz sinal pra eu repetir.

—Pra quem eu jogo isso? —Pergunto, e ela dá de ombros.

—Jogue pro seu pai. Quando você souber quem ele é, você inclui o nome dele nas preces.

Fico na frente da fogueira e faço o mesmo que ela, sussurrando “pra você, pai”, e jogo um pouco dentro do fogo. No entanto, sobe uma fumaça preta e fedorenta, parecido com o cheiro do noitesguio queimado.

Rachel deu um passo pra trás, e ficou com uma expressão preocupada no rosto.

—Talvez ele não curta amendoim? —Digo, dando uma pequena risada depois.

—É... Claro.

Voltamos à mesa, e comemos em silencio, até que ela me faz uma pergunta.

— Qual o gosto que teve pra você? O néctar e a ambrosia. —Faço uma feição confusa, e ela continua. —Tem um gosto diferente pra cada pessoa, é sempre o gosto de algo especial pra você.

Pensei que dizer que não tinha gosto de nada soaria estranho. O que seria uma comida especial? Eu sempre tinha comido o que eu achava por ai, nunca tive um apego pra comida. Talvez eu tivesse esquecido minha comida especial.

—Pizza... De chocolate.

Eu nunca tinha comido pizza, muito menos de chocolate, mas, por algum motivo, foi o que passou na minha cabeça no momento.

—Ah, bacana. Eu acho pizza doce algo estranho, mas gosto não se discute.

—E você?

—Tem gosto de refrigerante, Coca-Cola pra ser mais exato. Eu sei, é estranho, mas é especial pra mim. — O olha dela ficou triste por um momento, como se ela tivesse lembrado algo, mas logo voltou ao normal.

Decido mudar de assunto, antes que ficasse estranho novamente.

—E então, você disse que já está aqui a 10 anos, então deve saber bem as características de cada grupo de campistas né? —Pergunto, e ela faz uma expressão curiosa, sem entender. —Quem você acha que é meu pai? Dá um palpite.

Ela se aproxima de mim de repente, ficando com o rosto próximo do meu, me olhando com os seus intensos olhos azuis, o que me deixou nervoso.

—Bem, você é bom em deduzir, o que indica que você é esperto e parece ser bem ágil por conseguir fugir por tanto tempo. Eu chutaria Hermes. Mas... Você não se parece com os caras de Hermes, eles ficam bem confortáveis perto de garotas. —Eu devo ter corado, já que ela se afastou rindo de mim. — Que fofo.

—É, eu não tive a melhor experiencia com garotas. Tinha uma que não largava do meu pé por meio ano. — Digo, com os olhos semicerrados e terminando de comer meu sanduíche, ela, claro, continuou rindo.

—Sim, sim, foi mal.

Esperei ela terminar de comer e ela me acompanhou até o chalé provisório, que, de todos os outros, era o mais parecido com um chalé de acampamento. Era grande e feito de madeira, mas era charmoso e parecia novo.

—Fim da jornada, você vai ficar aqui. Esteja no refeitório na hora. Ah, eu sei que você não tem muita experiencia, mas amanhã você vai participar do seu primeiro jogo recreativo.

—Ótimo. Poderia me dizer o que é um jogo recreativo?

Ela colocou a mão na boca pra tentar disfarçar um sorriso.

—Ah, isso ia estragar a surpresa. Você vai gostar, a primeira vez é inesquecível. Além disso... —Ela tirou uma prancheta de algum lugar e uma caneta do bolso. —De um a cinco, que nota você daria pra sua guia?

—Bem, tirando o choque foi bem divertido e explicativo, acho que um quatro. —Ela me olhou com uma expressão irritada e um trovão soou ao longe, e eu logo me corrijo. — M-Mas eu tenho que admitir que seu carisma me conquistou, então é um sólido cinco. —Digo, soltando um “hehe” depois, e ela sorri novamente.

—Valeu. Sendo sincera, foi mais divertido do que eu pensava. Pelo menos você não ficou me fazendo perguntas idiotas a cada 5 segundos. Isso é bem comum e irritante. —Ela dá um suspiro, e pensa um pouco antes de falar— Sabe, eu não digo isso pra todo mundo, mas espero que possamos ser amigos. Até.

Ela se virou e saiu andando. Amigos, né? Parece uma boa.

Entro no chalé e não tinha ninguém, talvez todos ainda estivessem em suas atividades. Escolho uma cama no canto e que aparentemente não tinha ninguém e procuro o banheiro, onde tomo um banho longo. Olho-me no espelho, e checo o lugar onde estava ferido, mas que agora estava normal, e foi aí que a ficha caiu. Eu não estava sonhando, aquilo era real. Visto a mesma roupa de antes e me deito na cama. Tão confortável...

Olho o relógio e, segundo o tempo que Rachel tinha me dito, faltavam meia hora pra o jantar. Dou de ombros e decido dar uma volta pra matar o tempo.

Levanto-me e vou até a porta, mas ela abre de repente, e eu me vejo no chão, com uma garota em cima de mim.


Notas Finais


Se gostaram,deixem comentários aqui em baixo dizendo do que gostaram, se não gostaram, digam aqui embaixo também. Feedback é bem importante pra eu conseguir melhorar!
Eu sei que esse capítulo e o anterior foram meio parados, mas eu achei importante dar uma ideia de como esse acampamento é comparado ao dos livros. Essa não é a unica mudança que eu vou fazer aos elementos originais.
Próximo capítulo vai ser maior e com bastante ação!
Obrigado e até a semana que vem!


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