1. Spirit Fanfics >
  2. The other side of Paradise >
  3. Desabafo de uma mulher

História The other side of Paradise - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Eu acho que é necessário dizer que, os personagens da Fanfic se referem à Alexy como “ela”, e a autora (eu) me refiro à Alexy como “ele”.🎠💨

Por quê?🎠💨
Porque na Fanfic ele é trans, mas o personagem, criado pela BEEMOOV, ChiNoMiko, é apenas gay. Então eu não acho errado seguir isso.🎠💨

(E convenhamos que ele não se importa em ser chamado pelo gênero masculino, uma hora ele vai dizer isso)🎠💨

Sem mais delongas: “desabafo de uma mulher”🎠💨

Capítulo 8 - Desabafo de uma mulher


                      𝙽 𝚘 𝚟 𝚊 𝚈 𝚘 𝚛 𝚔                                            ɴᴏᴠᴀ ʏᴏʀᴋ, ᴇsᴛᴀᴅᴏs ᴜɴɪᴅᴏs                       ᴀɢᴏsᴛᴏ ᴅᴇ 𝟸𝟶𝟷𝟽

— Sua assassina de peixes! — acusou.

— Eu não sou uma assassina de peixes! — impugnou, se defendendo.

— Como não? Você matou três peixes, Romínia, três! — arregalou os olhos, na segunda vez que disse “três”.

— Mas foi sem querer! — berrou.

Não aceitaria ser culpada por algo que não fez de propósito. Pobres peixes, mas a culpa, não foi toda dela. 

— Só se foi sem querer querendo! — Romínia revirou os olhos.

— Você precisa de provas para me acusar dessa forma, Viktor. — torceu o nariz. — São acusações muito graves.

— Silêncio no tribunal! — a garota bateu com o martelo de brinquedo de Thomas na ilha da cozinha.

— Era para fazer barulho? — Thomas perguntou. Aquilo era um mero brinquedo de plástico, e não fazia tanto barulho quanto achavam.

— Nós apenas deixamos você participar porquê você disse que ficaria quieto. Fica quieto! — Romínia reclamou.

Thomas revirou os olhos.

— Com todo o respeito, meritíssima, mas essa assassina de peixes merece apodrecer na cadeia! — Viktor se levantou, ajeitando o blazer do pai de Romínia, que mais parecia uma túnica nele.

— Objeção! — gritou.

— Cala a boca, Tiffany! Você nem sabe o que é isso! — a ruiva estreitou os olhos, encarando Viktor.

— Eu tenho testemunhas que provam a culpa da acusada! — Romínia revirou os olhos novamente. — Thomas Ma’callen!

Thomas se levantou da cadeira que estava atrás de Romínia e caminhou até a cadeira ao lado da ilha da cozinha.

— Meu próprio irmão depondo contra mim, lamentável... — se encolheu na cadeira, cruzando os braços.

— Miserável... — Tiffany fez cara feia, maneando a cabeça negativamente, achando aquilo um absurdo.

— Thomas Ma’callen — Viktor se aproximou da testemunha. —, jura dizer a verdade, somente a verda, apenas a verdade?

— Nada mais que a verdade! — Romínia se levantou para corrigir.

Viktor mostrou o dedo do meio para Romínia, que devolveu o ato.

— Juro. — assentiu com a cabeça.

— É verdade que Romínia Ma’callen é a sua irmã? — perguntou.

— Sim. — afirmou, franzindo o cenho.

Romínia estava achando aquela pergunta uma idiotice. Nunca viu nenhum filme ou série sobre isso que perguntasse algo assim. Pelo menos não que se lembrasse.

— E vocês são muito próximos, não? — ele andava de um lado para o outro, com as mãos juntas atrás das costas.

— Mais ou menos. — inclinou a cabeça um pouco para o lado, meio na dúvida. 

— Você acha que a acusada, seria capaz de matar um peixe? Ou melhor, três peixes?

— Sim! — Viktor correu até Thomas.

Romínia arregalou os olhos.

— E por que tem tanta certeza e convicção disso? — indagou, desesperado.

— Porque ela é agressiva! — exclamou.

— Agressiva? Agressiva como? — arqueou as sobrancelhas.

— Que mentira! Eu não sou agressiva! — se levantou, berrando.

Clara bateu com o martelo no balcão, mais uma vez.

— Calada, acusada! Continue, testemunha.

— Ela me dá cinco surras, por dia! E de vez em quando, com pedras! — foi arregalando os olhos ao decorrer do que contava.

— Objeção! A minha cliente não é agressiva! — Tiffany se levantou dessa vez.

Ela nem sabe o que significa e vive dizendo, Romínia pensou.

— Com licença, meritíssima. — se inclinou na ilha, na frente de Clara, se apoiando ali. — Há alguns minutos atrás, acusei a acusada de que ela havia assassinado pobres três peixes, correto?

— Correto. — concordou.

— E convenhamos que a acusada alegou ser inocente, correto?

— Correto.

— Então, voltei a acusá-la, correto?

— Correto.

— Logo em seguida as palavras da acusada foram “mas foi sem querer”, correto? 

— Correto.

Viktor bateu no balcão de mármore, se arrependendo logo em seguida. Sua mão estava latejando de dor, e estava vermelha.

— O que quer dizer que a própria acusada deu indícios de não ser inocente! — berrou. — Ela confessou o homicídio!

— Você também é burra, Romínia. — Tiffany se virou para Romínia, que estava boquiaberta.

— Romínia Ma’callen está condenada há quarenta e cinco anos de prisão por homicídio triplo de peixes, e, por um desses peixes ser o Blue, a ararinha azul mais amada por todos disfarçada de peixe! — Clara bateu o martelo de brinquedo no balcão.

Viktor passou a mão pelo cabelo.

— Advogado formado no Ropkins, me contratem. A justiça para o que der e vier, Viktor Chavalier! — sorriu.

— Isso foi, horrível! — Romínia se levantou, saindo da cozinha.

— Eu não achei. — Saory disse, dando mais um gole em seu café.


                        𝙿 𝙰 𝚁 𝙸 𝚂                                                              ᴘᴀʀɪs, ғʀᴀɴçᴀ                                ɴᴏs ᴅɪᴀs ᴅᴇ ʜᴏᴊᴇ 

— Triste que você não possa fazer o trabalho com o Nathzinho. — disse, devorando o seu hambúrguer.

— Vai ter que fazer com aquele insuportável. — Kim acrescentou.

— Ele não é tão ruim assim. — discordou.

— Não? — Violette ergueu o olhar para Romínia.

Se um dia ela fosse namorar com Zach, ela deveria conhecer melhor o seu cunhado.

— Nós até que nos entendemos. Ele gosta das músicas que eu gosto; temos assuntos para conversar, e não ficaremos em um silêncio sepulcral agoniante, ansiando para que chegue logo o fim desse trabalho. Acredito que iremos nos divertir bastante. — deu um gole em seu suco de morango, que havia feito escondida, como se estivesse colocando maconha dentro da água de sua garrafinha.

— Às vezes eu esqueço que você tem o poder de  se dar bem com todo mundo, guria, e fazer todo mundo gostar de você. — Kim riu.

— Não é verdade! — discordou mais uma vez de Kim. — Eu não sou assim com a Ambre!

— É claro que é verdade! — Rosalya opnou imediatamente, como se aquilo fosse precisamente necessário para a sua sobrevivência. — E em relação a Ambre, ela não gosta de você; e isso é um tanto estranho já que todos gostam de você, e não tem como não gostar de você, então, as probabilidades da Ambre ter um tipo de demência, ou esquizofrenia é grande!

— Me sinto mimada. — revirou os olhos.

— E, muito bem amada! — Kim concordava com o que Rosa dizia balançando a cabeça positivamente.

— Onde está a Alexy? — perguntou, percebendo que a pessoa a qual não sabia o paradeiro não estava ali.

Rosa e Kim apontaram para o mesmo lugar. Romínia se virou, vendo Alexy sentado na mesa de Lysandre e Castiel. Eles sempre costumavam sentar sozinhos, ou com alguns caras do time de basquete; mas hoje, estranhamente, eles estavam acompanhados por Suzy e Iris também.

— Eu vou trazer ela. — ergueu a sua bandeja com o seu lanche e se levantou.

— Fica por lá, com o seu novo crush! — Rosa pediu.

Segurar a bandeja não impedia Romínia de levantar o dedo do meio para Rosa e sair, sem deixá-la responder àquele ato.

Passou por algumas mesas até sentar ao lado de Lysandre, que estava de frente para Castiel.

— Então a senhorita decidiu mudar os hábitos, e abandonar as amigas? — indagou, pondo sua bandeja em cima da mesa.

— Essa história está mal contada, friend. — negou, sorrindo sem vergonha.

— Então, Cast, eu estava pensando em ir na sua casa hoje. Podemos ir embora juntos, o que acha? — perguntou.

Romínia arqueou as sobrancelhas e se inclinou um pouco em Lysandre.

— Ela sabe que ele está com fone e não está ouvindo nada o que ela está dizendo? — cochichou.

— Sei. Mas a Alexy disse que estava se divertindo e me mandou ficar de bico calado — Romínia voltou à sua posição inicial após soltar um murmuro.

Se surpreendeu  ao ver Castiel com um fone novo tão rápido assim, já que ele havia lhe dado o seu, não imaginaria que ele logo estivesse com outro. Um fone original não é tão fácil de achar assim, muito menos barato.

— Cast... — encostou os seus ombros, tentando chamar a atenção dele.

Alexy segurou a risada, virando o rosto para o outro lado.

— Iris, ele... — Suzy se pronunciou, querendo informar a amiga que acabara de fazer. — está de fone.

— Oh... — a ruiva suspirou, entendendo.

Alexy abaixou a cabeça e fechou o seu punho, batendo-o levemente contra a mesa, tentando não rir da cara de Iris.

Iris tirou o fone do ouvido de Castiel, fazendo-o se virar para ela, irritado. Romínia se inclinou mais uma vez até Lysandre.

— O que você quer, caralho?! — reclamou, desdenhando ela.

— Lys, ele odeia quando fazem isso, não é? — cochichou, indagando.

— Você nem imagina o quanto. — respondeu.

Romínia se recompôs na mesa.

— Eu... — suas bochechas começaram a ficar vermelhas. — queria saber se eu poderia ir com você, e, ir para a sua casa...

— Não. — negou, pegando a parte do fone que Iris tinha tirado. — Eu tenho mais o que fazer. 

Iris se encolheu na mesa, implorando para que alguém a chamasse. Ela só queria sair dali. Alexy estava se mordendo de rir, e os demais, estavam todos calados.

Romínia se levantou. Ela já havia comido todo o seu lanche, mesno não percebendo. 

Caminhou até Castiel e empurrou um pouco Iris que não se importou em sair do lugar para Romínia sentar. Deitou a cabeça no colo de Castiel, o fazendo abrir os olhos apenas e ver aquele rostinho ali, aqueles olhinhos verdes claros, as sardas, e as covinhas.

Ela sorria enquanto piscava os olhos freneticamente, como se estivesse implorando por algo. Não hesitou em tirar o fone para saber o que ela estava fazendo ali.

— O que você está fazendo aí, coisa? — franziu o cenho.

— The Crystals. — foi o que ela disse.

Castiel mal percebeu que algo se ergueu no canto de seus lábios.

— O quê? — perguntou.

— Aposto que você está ouvindo Then He Kissed Me, de The Crystals. — parou de piscar os olhos, os estreitando.

— Não estou. — negou.

— Está sim! — impugnou, erguendo um pouco a cabeça.

— Não estou. — negou mais uma vez.

— Prove! — mandou.

Castiel deu uma parte do fone para Romínia e logo o seu semblante, de sério e duvidoso se tornou um semblante sorridente e iluminado.

— Eu escutei essa música ontem! E eu não faço ideia de quem é Bob Dylan! — Castiel riu por um curto período com a alegria de Romínia em ouvir Hippie Sabotage.

— Com vocês dois eu me sinto excluída. — Alexy disse. — Agora você não só tem um crush no Nathzinho, como também tem no Castielzinho. Depois eu que sou a vadia.

— Eu não tenho um crush no Caatiel. Talvez no Cassiel... — Castiel se esqueceu completamente de pesquisar quem era “Cassiel” quando Romínia o mencionou naquela tarde.

— Onde estão aquelas duas? — perguntou.

— Foram embora. Você não viu porquê estava muito ocupada com o seu novo crush! — Romínia fez careta para Alexy.

— Novo crush? Quais são as novidades? — Rosa se sentou ao lado de Lysandre.

— A Rommí tem um crush no Castiel. — contou.

— Eu sabia! — exclamou animada, nem se importou em deixar Kim e Violette sozinhas.

— Eu não tenho não! — refutou.

— É claro que tem! — Romínia percebeu que não faria diferença refutar, já que Alexy e Rosalya insistiriam naquilo.

Castiel até sentiu vontade de perguntar como estava indo o namoro dela com Nathaniel, só para saber se era verdade mesmo; mas desistiu. Poderia parecer alguma coisa, e ele não queria que parecesse alguma coisa, de jeito nenhum.

— Isso é suco de morango? — Lysandre indaga, encarando a garrafa de Romínia.

— É cocaína rosa meio avermelhada com vodka. — corrigiu.

— Ah, cocaína... — uniu as sobrancelhas se perguntando de onde Romínia tinha tirado aquela ideia de cocaína rosa meio avermelhada.


— Sinto muito por eu gostar dela, Tony! — desceu a escadaria, um pouco rápido demais.

— Ela teve problemas com o namorado, por sua causa, Aline. — contou.

— Eu não tenho culpa por isso. Quem quis contar foi ela... — deu de ombros. — Aliás, se teve problemas, então, quer dizer que significou algo para ela, certo?

— Sim, claro: agora ela te odeia ainda mais. — disse, irônico.

Aline Cristina revirou os olhos.

— E a Romínia, hum? Por que beijou ela se é apaixonada pela Rosalya? — franziu o cenho.

— Ela é bonita. — deu de ombros mais uma vez.

— Sim, eu sei que ela é bonita, ela é perfeita. Mas o que beleza tem a ver com isso, Ali? — indagou.

— Tony, não tem nada a ver com beleza — tentou explicar. —, é só que... ela estava bem ali, na minha frente; e aqueles lábios carnudos e avermelhados, eram, tão lindos. Ela estava me encarando com aqueles olhinhos dela. E aquele sorrisinho, e as covinhas, e as sardas!

— Te entendo perfeitamente. — ele disse. — Romínia é realmente perfeita, e não estou dizendo isso apenas por ela ser a minha irmãzinha; mas confesso que já tive vontade de beijá-la algumas vezes.

— Então por que está brigando comigo, animal?! — reclamou.

— Porque isso não tem a ver com a Rommí, tem a ver com a Rosa! Com você, e com a Rosalya! — respondeu, colocando as mãos nos bolsos.

— O que ela tem contra mim, hum? — perguntou, meio triste. — Quero dizer, eu super adoraria ficar com ela, e os lábios dela também sãos macios, que nem os da Romínia. Aliás, ela beija bem. Muito bem. 

Tony revirou os olhos.

— Seria foda um ménage com aquelas duas. — na altura do campeonato, Aline Cristina já nem estava mais ligando para a presença de Tony ali. Estava encarando o chão, conversando consigo mesma. — Apertar aqueles peitinhos da Romínia, e fazer um oral nela... que sensação maravilhosa seria sentir ela gozando na minha boca... — mordeu o lábio inferior excitada.

— Pelo amor de Deus. — repreendeu, querendo não pensar naquilo.

— Será que ela e o Nathaniel já transaram? — se virou para Tony, com as sobrancelhas arqueadas.

— Não sei. Por que não pergunta para ele? — sugeriu, sarcástico.

— Boa ideia! — puxou Tony até o Grêmio.

— Eu estava sendo sarcástico! — berrou.

Aline Cristina empurrou a porta do Grêmio e entrou com Tony. Não só Nathaniel como também Melody e Courtney estavam lá, organizando papeladas.

— Nathaniel! — caminhou até ele, largando Tony atrás da porta, do lado de dentro do Grêmio.

— Sim, Aline? — sorriu para ela.

Tony andou um pouco para o lado, saindo detrás da porta. Não gostaria de levar uma pancada caso alguém decidisse abrir aquela porta.

— Você pode me responder uma coisa? — perguntou, educadamente em primeiro lugar.

Tony nasalou um riso curto que soltou; a reação de Nathaniel com a pergunta que Aline Cristina iria fazer, seria o auge!

— Se o conhecimento estiver ao meu alcance, farei de tudo para lhe responder. — era tão educado que quase deu ânsia de vômito em Aline Cristina. Educação cujo fez Courtney Crismen revirar os olhos; não por ele ser educado, mas sim por ela o achar ridículo. Tanto ele, quanto o que ele falava.

— Você e a Romínia já foderam? — era o que ela queria saber. — Como foi? Foi bom? Ela faz um oral bom? Você apertou e chupou os peitos dela? Você fez oral nela? Qual foi a sensação dela gozar na sua boca?

Tony pôs a mão na testa, maneando a cabeça negativamente.

As bochechas de Nathaniel estavam queimando, ficando cada vez mais vermelhas. Ele desviava os seus olhos para todos os lados, mas não conseguia mais olhar para Aline Cristina depois dela ter perguntado aquilo. Queria voltar no tempo e dizer que estava ocupado demais para responder perguntas. Courtney não queria segurar a risada, e não fazia questão de segurá-la, enquanto Melody encarava as costas de Nathaniel, com os olhos arregalados, esperando que ele negasse e dissesse que ele nunca na vida havia transado com Romínia, ela estava desesperada.

— Eu... ela... nós dois... nunca... — coçou a garganta, se recompondo. — Nós nunca, fodemos...

Disse a palavra com um pouco de insegurança. Nunca havia ultilizado ela. Era uma palavra totalmente estranha para ele, e nem tinha essa palavra em seu vocabulário.

— Ah, droga! — ela soltou um grunido violento e logo murmurou. — Tony — se virou para ele. —, conhece alguém nessa escola que transou com a Romínia?

Tony apenas maneou a cabeça, negando saber sobre essas coisas.

— Ela por acaso já transou alguma vez na vida? — bateu as mãos em suas coxas, impaciente.

Tony não conseguia abrir a boca; caso o fizesse, iria gargalhar pela reação de Nathaniel, e pela cara que ele fazia; afirmou balançando a cabeça também.

— Estuda aqui? — ele negou novamente. — Pelo amor de Deus, vai se foder! — caminhou até a porta em passos rápidos e firmes. — Vai tomar na broca do seu... — ela bateu a porta forte.

Tony logo saiu dali também, necessitando rir.


— A sua mãe vai te matar. — comentou, deitado na cama da menina com as pernas cruzadas e esticadas.

— Claro que não, eu fiquei linda! — fez pose na frente do espelho.

— Ficou sim. — concordou. — O  único problema é que você disse que cortaria até o queixo, e não inteiro. — se ajeitou ali, tirando o travesseiro da cabeça da Hello Kitty debaixo de seu corpo que insistia em o incomodar.

Encarou aquele travesseiro e o achou a coisinha mais feia do mundo, o abraçou, voltando a olhar Romínia, apoiando o cotovelo na almofada branca felpuda.

— Não cortei inteiro, foi só, um pouco mais... — se virou para ele. — Vai me dizer que você prefere o anterior: aquele cabelo escovado?

— Não. — negou, admirando o novo cabelo de Romínia. — Prefiro o seu cabelo cacheado, natural. Mas você provavelmente vai ficar de castigo por ter picotado todo o seu cabelo.

— Você não tinha um encontro para ir? — indagou, mudando de assunto.

— Ah, verdade — se lembrou. —, cancelei.

— O quê?! — Romínia arregalou os olhos, achando aquilo um absurdo. — Achei que tivesse gostado dele.

— E eu gostei, mas ele me lembrou o Caleb... — respirou fundo.

— Você diz que já superou esse cara, mas é  mentira. — o encarava pelo espelho.

— O que te fez mudar de ideia assim? — Romínia arqueou as sobrancelhas, sem entender. — O cabelo.

O olhar da menina se tornou sério, sem alma. Tony rapidamente se levantou, sabia que alguma coisa havia acontecido com ela.

— O que aconteceu, Romínia? — perguntou, impaciente e preocupado.

— Don’t warry, honey... — os olhos da menina estavam brilhando. Mesmo ela pedindo para que ele não se preocupasse, ele estava se preocupando, e muito.

— Romínia... me conta o que aconteceu. — ele mandou, mas seu mandado soou como um pedido.

— A sua turma iria sair mais tarde. A Rosa e a Alexy disseram que iriam para casa e depois viriam para a minha, então eu vim sozinha... — contou.

— Romínia... — ele foi cortado.

— Uma mulher começou a me criticar, dizia que mulheres não poderiam ter cabelo curto, e nem se vestir da maneira que eu estava vestida. — ela suspirou. — Mas eu não liguei. Você sabe que eu não ligo para essas coisas; mas depois, um... cara... ele... — uma lágrima solitária deslizou pela sua bochecha.

Tony não quis assistir aquela lágrima tão sozinha e solitária deslizar por sua bochecha e passar por suas sardas. Puxou Romínia e a abraçou, abafando o seu chôro em seu peito.

Isso sempre acontecia. Não era uma vez ou outra. Era sempre.

Por isso ele sempre hesitava deixar ela ir para casa, para escola, ou sair sozinha. Uma pessoa infeliz sempre a assediava. E isso não acontecia só com ela, e sim, com todas elas. Elas apenas querem respeito e igualdade, será que é pedir demais?

É pedir demais querer respeito e igualdade à todos?


— Por que estamos aqui mesmo? — Rosa perguntou.

— Eu estou preocupada! — Alexy disse, batendo os pés freneticamente no chão, sem parar. — Estamos no núcleo da Sweet Amoris, todos os alunos estão aqui, e até agora, eu não vi a Rommí.

— Ah, é verdade! — a platinada concordou. — Estou preocupada também!

— Será que vocês podem calar a porra da boca?! — Castiel reclamou, impaciente também.

— Estamos todos impacientes, e precisamos manter a calma. — Lysandre disse. — E também estamos todos preocupados com a Rommí...

— Eu não estou. — o rapaz impugnou, discordando daquilo.

— Admita que está no mínimo, curioso, Castiel. — Aline Cristina se virou para o rapaz, ela estava sentada na cadeira na frente dele.

O núcleo da Sweet Amoris era um lugar enorme, que mais parecia um teatro. Era onde os alunos se apresentavam quando tinha alguma comemoração, uma peça de teatro ou musical. 

— Bom dia. — ouviram a voz de Shermansky ecoar pelo lugar, e uma falha no microfone que provocou um estrondo agudo, irritante e ensurdecedor. — Testando, testando, ótimo. — todos assistiram a diretora entregar o microfone para Romínia.

Por algum motivo tinha uma cadeira no meio do palco, provavelmente, ela iria sentar ali.

— Bom dia. — cumprimentou, educadamente.

Os alunos não hesitaram em responder.

— O que ela está fazendo ali? — Castiel franziu o cenho, interessado.

— Boquete. Não está vendo um pau na mão dela não? Está até colocando na boca. — Alexy ironizou.

Castiel revirou os olhos.

— Eu, não quero tomar muito do tempo de vocês... — foi interrompida.

— Pode tomar o quanto quiser do meu tempo! — um gritou.

— E do meu também! — outro gritou.

Castiel revirou os olhos mais uma vez.

— Obrigada, meninos. — riu meio sem graça.

Castiel queria saber o motivo dela estar com uma touca na cabeça, ela era preta, e provavelmente era de Armin. Não tinha razão para ela estar com aquela coisa, mas estava bonitinha.

Romínia se sentou na cadeira e cruzou as pernas, como uma perfeita princesa.

— Ontem eu fui para casa sozinha, eu costumo ir e voltar com o Tony, desde o início do ano, mas ontem foi diferente. — contou. — Eu sempre atravesso o parque, é um atalho para a minha casa; ontem, o Tony não pôde me acompanhar. E quando eu estava passando por aquele parque, uma mulher criticou o meu cabelo, e as minhas roupas. Disse que mulheres não podiam ter cabelo curto, e não podiam se vestir, nas palavras dela, que nem homens. — comentários negativos ecoaram pelo lugar. — É. Eu sei. Eu iria cortar meu cabelo só um pouquinho, mas eu lembrei do que ela falou, e, eu cortei ele todo. — ela tirou a touca. Seu cabelo estava curto e cacheado. O corte Pixie, ela estava mais linda do que o normal. 

— Linda! — elogios e mais elogios foram escutados.

Ela colocou uma passadeira com dois pompons rosa e deu a touca para o cara do lado do som, que por acaso, era o professor Patrick.

— Eu fiquei linda, não foi? — fez o seu famoso biquinho e o seu gesto favorito. Os aplausos ecoaram ali também. Romínia colocou o microfone em cima da cadeira com cuidado e tirou o vestido moletom que cobria até os seus joelhos. Ela estava usando um short jeans branco e uma blusa totalmente decotada. Os aplausos aumentaram. Ela pegou o microfone de novo. — Então, quer dizer, se eu usar uma calça e um moletom sou criticada, e se eu usar roupas curtas, eu também sou criticada? Sou chamada de vadia? Sabe, eu acho tão injusto que os homens possam andar sem camisa pela rua e ninguém fale nada, mas se fosse as mulheres, as pessoas criticavam. Poxa, eu também sinto calor. — brincou. — Se eu sair assim na sua — deu uma voltinha fazendo os  saltos dos seus coturnos fazerem um barulho no palco de madeira. —, eu sou criticada, chamada de vadia, assediada, e provavelmente, estuprada. O que causa o estupro? Andar só? Não. Roupas sexy? Não. Bebidas? Não. O que causa o estupro é o estuprador! — ela ficou séria.

Sentou na cadeira de novo, cruzando as pernas.

— Ontem, enquanto eu ia para casa, um cara começou a me seguir. Eu corri, e ele correu atrás de mim. E foi preciso um outro cara me defender para o perseguidor sair correndo. — contou. — Eu agradeci, e ele disse que eu poderia agradecer de outra forma. E eu saí correndo. Ele me defendeu, e tentou me agarrar. Sabe, eu não quero precisar de alguém para me defender. Eu não quero andar na rua sozinha, com medo de ser perseguida, assediada e estuprada. Eu quero me sentir segura. “Desse jeito ela quer provocar”, porra, eu me visto para mim mesma, a minha vida não gira em torno do seu pau. E não é só porquê eu tenho uma boceta que eu sou uma vadia. — aplausos novamente. Romínia se levantou e virou de lado, colocando a mão em sua coxa. — Se a minha roupa estiver desse tamanho, não importa. Se eu me sinto bem, eu vou usar, e não quero provocar ninguém, eu quero me sentir maravilhosa, porquê é isso que eu sou. É isso que nós somos, maravilhosas! 

Os aplausos foram ficando cada vez mais altos. 

— O corpo não é seu, não toque. Não, é Não! Respeitem! Me chame de feminista, não vai me ofender, eu sou. E a culpa nunca é da vítima. O feminismo é a luta contra o machismo, não contra os machos. — sorriu. — “Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas”. — deu de ombros. — “Olha aquela lá, com aquelas roupas curtas, devia ser dar ao respeito”. — riu sarcásticamente. — Eu não me dou ao respeito porquê ele é meu por direito! Eu sei que sou linda, mas não sou só beleza. Elogie minha inteligência, jeito, ideias e defeitos. Se quer me elogiar, elogie o meu cérebro! 

Não só Castiel mas também todas as pessoas ali estava adorando o que Romínia estava falando, era simplesmente, lindo.

— O corpo é seu? Não? Pergunte ao dono se pode tocar. O dono está dançando de forma sensual? Pergunte ao dono se pode tocar. O dono está usando roupas curtas? Pergunte ao dono se pode tocar. O dono não tem certeza? Não toque. O dono está desacordado? Não toque. O dono negou? Não toque. O dono permitiu? Mas o dono está sob efeito de bebidas? Sim? Não toque. Mas o dono está sob efeito de bebidas? Não? Mas o dono está sob efeito de drogas? Sim? Não toque. Mas o dono está sob efeito de drogas? Não? Pode tocar. O corpo é seu? Sim? Pode tocar. — disse. — Simples. É difícil? Mulheres não vão voltar para cozinha, gays não vão voltar para o armário, e negros não vão voltar para a senzala. 

Ela respirou fundo, estava quase sem fôlego.

— Mulheres não precisam ser magras, se depilar, seguir os padrões, se maquiar, sorrir para qualquer um, ter um jeito certo de sentar, ter cabelo longo, ou gostar de homens. Porra, vocês são maravilhosas! — mais aplausos. — Ah, e antes que eu me esqueça. “Você veio da minha costela, tem que me obedecer”. — Romínia riu, sem humor algum. — Eu não vim da sua costela, você que veio do meu útero, caralho! — gritou.

Não só um, alguns, ou a maioria, mas sim todos, todos se levantaram para gritar, assobiar e aplaudir diante daquele discurso maravilhoso.

Diante daquele desabafo de uma mulher. 

— E isso foi, um desabafo de uma mulher. — ela disse, ofegante. 


Todos estavam comentando sobre o que acabara de acontecer. Todos adoraram aquilo. Adoraram muito, principalmente o lance da costela e do útero.

— Eu vim do útero de uma mulher, porra! — Monty gritou, eufórico.

— Aquieta, Monty... — Bryce segurou seus ombros mas o rapaz começou a pular.

— Vejam! Vejam o que a Peggy escreveu no jornal! — uma garota correu até as amigas.

Aquele corredor estava uma desordem. Uma amostra do próprio inferno.

— Eu vim do útero de uma mulher! — Montgomery não parava de berrar.

— Eu também! — Luck gritava, que nem ele.

— Hashtag respeita as minas! — outro gritou, gesticulando.

— I’m a wonan! Women in power! — outra também não parava de gritar, orgulhosa por ser uma mulher.

— Eu tenho uma vagina! — sorria Iris, enquanto gritava eufórica.

Castiel já não aguentava mais ficar ali. Puxou Lysandre e saiu daquele inferno, subindo a escadaria e dando de cara com Romínia ali, saindo do banheiro.

— Rommí! Parabéns, foi lindo aquilo que você disse. — Lysandre a elogiou.

— Ah, obrigada Lys. — agradeceu, com suas bochechas meio vermelhinhas.

— Não conseguimos falar direito com você depois daquilo porquê uma multidão foi atrás de você, mas aqui estamos nós! — sorriu. — E o Castiel também adorou, não é, Castiel?

— É... — colocou as mãos nos bolsos.

— “Thankiu”! — brincou, agradecendo.

— Escuta — coçou o nariz, coçou a garganta e desviou o olhar, o voltando para Romínia. — Ambre mostrou uma foto para nós dois, de você e o Nathaniel se beijando...

Romínia franziu o cenho, tentando se lembrar disso. Apenas havia beijado Aline Cristina, e ninguém mais naquele mês, ou no mês passado.

— E... — hesitou. — o Lys queria saber se vocês estão namorando. Porquê a Ambre disse que vocês estavam mas, o Lys é bastante desconfiado. Entende, né? — Lysandre arregalou os olhos.

Mentiroso, descarado. O xingou mentalmente.

— Ah, entendo, entendo... — mantinha seu olhar perdido enquanto balançava a cabeça positivamente, de forma lenta. Rapidamente olhou para Castiel, pronta para respondê-lo. — Não. Nós não estamos namorando — se virou para Lysandre, já que, nas palavras de Castiel, ele que queria saber. —, eu sou lésbica.


Notas Finais


Eeeeeeeehhhh, entããããoooooo🎠💨
Como a Rommí é e ficou após cortar o cabelo: https://pin.it/4rb5nB1 e https://pin.it/ZGCWQDe 🎠💨


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...