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História The Owl House: Sozinha com você - Capítulo 2


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Notas do Autor


Então... O segundo capítulo está finalmente! Demorou um pouco, mas finalmente acabei ele. Não é o trabalho do qual mais me orgulho, mas ainda estou aprendendo a ver o ponto de vista de Luz sobre as coisas, então estou tentando não ser muito dura comigo mesmo...

Ah, e adorei seus comentários no capítulo anterior! Sério, obrigada por tudo, vê-los me deixa muito feliz🥺🥺💙

De qualquer forma, não vou tomar muito mais do seu tempo ... Boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo 2- Memórias


Fanfic / Fanfiction The Owl House: Sozinha com você - Capítulo 2 - Capítulo 2- Memórias

Já era tarde da noite, e as estrelas brilhavam lá fora.  A brisa do vento à noite era fria e aconchegante, e o ar tinha um tom leve e calmo.  A noite parecia surreal, como um sonho, e era o tipo de noite em que a pessoa poderia se perder nos pensamentos por horas sem perceber, ou talvez ter o sonho mais vívido de sua vida.

 Luz só precisava fazer uma coisa antes de dormir.

 Ela se levantou da cama um pouco para pegar o telefone, mas suas costas falharam na tarefa. Ela caiu de volta no colchão, seu corpo todo um pouco rígido por ter ficado na cama por tanto tempo.

 Bem, fazia sentido. 

Ela estava lá desde que seus amigos saíram, apenas pensando na vida e tentando encontrar algo para fazer que não precisasse de muito movimento.

 

 É, aquele não tinha sido um bom dia, ao menos não desde que eles foram embora.

 

 Pelo menos a noite foi um pouco melhor.

 

 Quer saber de algo estranho?

 Luz era uma pessoa noturna.

Loucura, não é?  Ela também achava.  Ela realmente parecia uma pessoa mais diurna. Alguém que gostava de longas caminhadas ao sol, praia e acordar cedo... E ela gostava dessas coisas, era tudo verdade. Mas havia algo sobre a noite... As vezes uma brisa calma e agradável que fazia os dias ruins parecerem melhores, e um ar emocionante e cativante naqueles dias incríveis e cheios de diversão, algo que fazia Luz se sentir tão viva, tão ansiosa para sair e brincar nos braços acolhedores da noite, iluminados pela bela lua…

 

 Ela amava a noite.

 A humana continuou olhando para a janela, observando a calmante e bela lua lá fora enquanto pensava naquele estranho fato. Era possível ouvir pequenas criaturas que curiosamente faziam o mesmo som de gafanhotos lá fora e o silêncio que a natureza trazia era confortante. Por um segundo ela quase esqueceu o que precisava fazer.

 

 Nossa, hoje realmente estava sendo um dia dispersante, não estava?

 Ela esticou o corpo todo, ouvindo alguns estalos aqui e ali, e tentou pegar o telefone novamente.

 

 Missão bem-sucedida!

 

 

 Ela se deitou de bruços assim que o pegou, sentindo o conforto do travesseiro nos cotovelos. Em seguida apertou o botão de gravação e abriu um sorriso.

 

 –Hola, mami! ¿Como estás?–Ela começou, com uma voz animada. Só falar com ela, mesmo que não pessoalmente, já deixava Luz feliz. Fazia ela sentir falta dela.

 

 

 –Eu só queria te dar uma atualização do que está acontecendo.  Acho que já te disse que Lilith veio morar com a gente há algumas semanas.–A menina disse para o telefone, olhando direto para a câmera para que quando sua mãe visse isso ela pudesse olhá-la nos olhos.

 Ah, a quem ela estava tentando enganar? Ela sabia que sua mãe provavelmente nunca veria isso.

 

Ela queria acreditar. Ela queria acreditar que tudo daria certo e que ela e sua mãe se veriam novamente logo, mas ela sabia que não fazia sentido.  Que não era possível.  Pelo menos não tão cedo.

 

 Um suspiro saiu de sua boca.

 Por enquanto, fingir era o suficiente.

 

 Ela respirou fundo, preparando-se para contar à sua mãe as milhões de coisas que passavam por sua mente naquele momento.

 

 Como ela poderia começar?

 

 

 –Ter Lilith aqui foi... difícil, no início.– Ela começou, apenas dizendo o que lhe vinha à mente, como se na verdade estivesse falando sozinha. Era... estranho, mas reconfortante ao mesmo tempo.

 

–Eu não sabia se poderia confiar nela, se poderia perdoá-la... Nenhum de nós sabia.–As palavras simplesmente saíam de sua boca sem esforço enquanto ela se lembrava dos primeiros dias de Lilith lá.

 

 Era verdade.

 Mesmo que Luz e ela tenham dado uma trégua para ajudar e salvar Eda, isso não significava que Luz gostasse dela.  Na época, ela ainda tinha muitas dúvidas em relação à bruxa.

 –Lilith provou ser uma pessoa ruim.

 Ela amaldiçoou sua própria irmã;  preferia se juntar a seu querido clã do que cuidar de seu irmão necessitado;  deixe essa maldição durar anos sem nem mesmo fazer nada para impedi-la ...

 Sim, ela tomou muitas decisões ruins.

 –Mas ela não tinha para onde ir, nenhum lugar para dormir... E ela é irmã de Eda, afinal..." Ela ponderou. Seus pensamentos e palavras que saíram de sua boca estavam se fundindo sem mesmo que ela percebesse.

 Lilith sentia muito.  Era possível ver em seus olhos.  Ela se arrependia da decisão que tinha tomado.  E ela já viveria com isso pelo resto de sua vida.  Quanto mais ficava na Casa da Coruja, mais Luz via que ela estava tentando melhorar, se redimir.

 E era isso que importava.

 

 –Não me arrependo da decisão que tomamos, ainda assim.–Ela deu de ombros. –Todo o tempo que Lilith passou aqui, ela tem tentado provar que se lamenta e que merece nossa confiança. E tenho que admitir, ter sua irmã aqui com ela está deixando Eda muito mais feliz. Além disso, as lutas de seus irmãos são as melhores de assistir.

Ela riu um pouco lembrando disso.  Em seguida, respirou fundo novamente e deu um sorriso suave.

–A cada dia que passa, ela parece mais e mais como parte da família.

 

 Família.

 

 Sua mãe também era sua família.  Mas infelizmente ela não podia vê-la.  Ou falar com ela.  Provavelmente nunca mais.

 Ela sacudiu a cabeça, tentando tirar os pensamentos ruins de sua mente.

 –Hã... Hoje alguns amigos vieram aqui em casa– Ela mudou de assunto.–Só Gus, Willow e Amity...–Então ela parou para pensar, e percebeu algo bastante estranho.

 –Ah, espera... Eu acho que ainda não te falei sobre a Amity.–Luz se lembrou.  Ela ajustou o telefone e a si mesma para ficar mais confortável, preparando-se para contar uma grande história.

 –Amity também é uma amiga minha.

Ela começou.

 

 Hm… O que há para dizer sobre a Amity?

 Ela se perguntou.

 

 –Sabe, ela e eu  realmente começamos com o pé errado...–Luz afirmou, procurando lá no fundo de sua mente o início de tudo, para pesquisar a origem de sua história juntas. –Ela era... meio má, e eu quase estraguei a vida dela várias vezes por acidente.

Ela não pôde deixar de sorrir ao se lembrar disso.

 Aquelas memórias que antes eram coisas que ela provavelmente teria medo ou vergonha, agora eram engraçadas de se pensar.

 

 –Mas, na verdade, acabamos descobrindo que nos damos muito bem–Seu sorriso crescia enquanto ela se lembrava de todos os seus momentos juntas.  Sua mente começou a voltar àqueles tempos.

 A história delas era estranha.  Elas nunca foram rivais de verdade, mas Luz tinha que admitir que elas não se deram muito bem no início.  Bem, para ser justa, Luz quase arruinou sua reputação perfeita na primeira vez que elas se encontraram...

 Amity reeealmente queria aquela estrela dourada.

 Ela lembrou, feliz com a memória

 

 Mas Luz com certeza se redimiu quando elas se encontraram novamente, certo?

 A briga delas na convenção veio à sua cabeça.

 Bem... depois disso!

 Uma imagem dela mostrando seu feitiço para Amity apareceu na sua mente.  A bruxa foi a primeira pessoa para quem ela mostrou seu feitiço de luz, além de Eda e King.  Depois disso, Amity desfez o feitiço que havia jogado nela, e foi nesse momento que Luz percebeu que Amity não era uma pessoa má.  Era tudo só uma máscara.  Havia muito mais nela do que apenas isso, e depois daquele dia Luz estava determinada a descobrir o quê.

 Eles se encontraram na biblioteca depois, não é?

Um flash de Amity encontrando Luz com seu diário se revelou na cabeça da garota.

 Ah, sim... péssimo momento...

 Amity ficou furiosa quando encontrou Luz daquele jeito.  Na verdade, não só isso, ela também ficou desapontada.  Isso doeu muito na humana.  Ela estava tentando fazer a coisa certa na hora, mas acabou fazendo de tudo pior do que antes.  Ela realmente se arrependeu de cruzar os limites da bruxa assim.

 Luz ficou feliz que eles tiveram tempo para conversar depois disso, porque se não tivessem, eles nunca estariam onde estão agora.  Se não fosse por aquele dia na biblioteca, elas provavelmente nunca seriam amigas.

 

 Oh, Deus, as duas eram tão ruins em falar uma com a outra no começo... Ai ai...

 

 

 Ah, e aquele dia No Joelho(The Knee)?

 

 

 Ou quando elas entraram na cabeça de Willow...

 É... Esse dia foi um marco na amizade delas.  Foi o dia em que ela realmente começou a entender Amity.  Ela sentiu como se a bruxa estivesse se abrindo para ela, abaixando suas paredes... ela finalmente a estava deixando entrar.

 

E Grom...

Como ela poderia esquecer o Grom?  Foi a melhor noite de sua vida! Sem contar com o dia em que ela encontrou o Reino dos Demônios, é claro. Mas ela tinha que admitir que aqueles dois estavam quase empatados.

 Ela não sabia que Amity podia dançar assim.  Ou que ela podia dançar assim!  Eles realmente eram o par perfeito para aquela dança.  Parecia que elas estavam... conectadas, de alguma forma.

 Ah, e ê crush da Amity!  Luz não conseguia acreditar que ainda não tinha descoberto quem era!

 

 Mas não era preciso se preocupar, a busca ainda não tinha acabado!

 

 Então algo veio a sua mente:

 Grudgby!  Ela quase deixou escapar!

 Eles formavam um time tão bom...

 

 –Nunca imaginei que seríamos tão próximas quanto somos agora–disse em voz alta.  E só aí ela percebeu a câmera à sua frente. Havia se esquecido completamente da gravação.

 

 –Desculpa, mãe, eu meio que me perdi um pouco nos meus pensamentos.–Ela admitiu, instantaneamente esfregando a nuca como um instinto, um pouco envergonhada.

 

 –Amity é ...–Ela tentou continuar de onde havia parado, mas não conseguia encontrar as palavras certas.  Nesse momento se lembrou daqueles personagens de filmes e séries que sempre foram seus favoritos.

 

 –Sabe aquelas pessoas que são super duronas por fora, mas tem um coração mole por dentro?–Ela abriu um pequeno sorriso pensando em como aquele ditado combinava perfeitamente com a descrição de sua amiga.

 

 –É, essa é Amity.  Ela tem que manter sua aparência na escola e na frente das pessoas por causa de seus pais--- eles são pessoas muito importantes e são bem exigentes...idiotas totais, também, você iria odiá-los--- mas... quando você começar a  conhecer ela, você vai perceber que ela é na verdade uma pessoa muito gentil.

 

 Isso a fez se lembrar de mais cedo naquele dia na biblioteca, quando viu Amity lendo para aquelas criancinhas.

 

 Ela estava se sentindo tão nostálgica agora ...

 

 –Ela também é muito inteligente, a melhor da nossa classe... sempre dá o seu melhor. E ela é muito protetora com seus amigos–Todas as suas memórias de Amity estavam apenas tocando em sua mente agora, e ela simplesmente recitava o que vinha à sua cabeça. A garota podia evitar de sorrir por todos aqueles momentos que ela de alguma forma tinha esquecido.

 

 E então ela percebeu.

 

 –Ai meu Deus! Estou esquecendo a melhor coisa!–Luz de repente ficou animada e entusiasmada, assim que ela se lembrou:

 –Ela gosta dos livros da Boa Bruxa Azura, assim como eu!"  Seus olhos brilhavam enquanto ela dizia, e seu sorriso ficou ainda maior de alguma forma. –Não é ótimo?

 Luz leu os livros Azura desde o começo, quando foram lançados.  Ela tinha todos os livros da coleção até o 5. E em todos esses anos, ela não encontrou uma única pessoa que gostasse deles também.  Talvez seja por causa do ambiente em que ela se estava, mas ninguém lia esse tipo de coisa.  Então quando ela veio para as Ilhas Ferventes e descobriu que Amity gostava delas também... Luz ficou em êxtase! 

Ela finalmente tinha alguém com quem conversar sobre essas coisas.  E agora que o 6° livro foi lançado, elas finalmente poderiam criar aquele clube do livro Azura e ler ele juntas!

 Ela estava tão feliz por ter alguém com quem compartilhar isso...

 Para compartilhar coisas, no geral.

 Lentamente, sua animação se transformou em gratidão.

 

 Era tão bom só... ter amigos.  Amigos reais.  Pessoas com quem ela poderia contar o tempo todo.  Ela sabia que se ligasse para Amity agora mesmo pedindo sua ajuda, a bruxa largaria tudo o que estava fazendo e viria ajudá-la, não importando as consequências.  Porque é isso que amigos fazem.

 –É... Ela é ótima.– Ela falou, sem nem olhar mais para a câmera.

 Ela estava tão grata por ter Amity ali por ela. Ter Willow e Gus ali por ela.  Por ter pessoas com quem ela pudesse contar.

 

Luz não poderia pedir por nada melhor.

 

 –Todos eles são...– Ela acrescentou, sorrindo suavemente.

 –Amity, Willow, Gus–Luz começou a recitar seus nomes. –Eda, King, Hooty, e agora até Lilith... Não sei como sobreviveria aqui sem eles– Ela admitiu.

 –Eles são tudo que eu tenho aqui.

 Ela então balançou a cabeça, tentando esquecer tudo isso.

 Isso a estava deixando emocional demais.

 

 –Okay, já deu.–Ela sorriu, tentando acalmar todas esses sentimentos dentro de si.–Já me desviei demais do assunto.

 

 Tudo isso era... estranho.  Ela normalmente não era tão emocional assim.  Era tão estranho para ela ter esses sentimentos...

 Uma estranha vibração percorreu todo o seu corpo.

 Brrr, sensação estranha.

 Ela pensou, e então afastou tudo isso da sua cabeça mudando de assunto.

 

 –Como eu disse antes, eles vieram hoje–Ela recomeçou, novamente exibindo aquele mesmo sorriso feliz, tentando ser positiva, pensar nas coisas boas.

 

 –Foi tão divertido! Eu juro mãe, eu simplesmente não conseguia parar de rir! Jogamos um monte de jogos e assistimos filmes o dia todo.

 

 Essa memória desencadeou outra, que estava muito perto do coração de Luz.  Uma memória que a fez dar um sorriso mhito mais honesto do que estava sendo nas últimas semanas.

 

 Ela se lembrou de estar com sua mãe.

 

 –Assim como você e eu fazíamos, lá na Terra –Ela disse em voz alta.

 Eles sempre faziam a mesma coisa naquela época, mas era divertido toda vez.  Passar um tempo com sua mãe, falar sobre suas problemas com ela, rirem de coisas malucas... era a melhor coisa do mundo.

 Luz compartilhava todos os segredos com ela.  Ela confiava nela mais do que em qualquer outra pessoa.

Rir dos programas bobos que assistiam;  sempre ganhar no xadrez;  Fofocar em espanhol... Aqueles momentos de união entre mãe e filha eram tudo para Luz.  Ela podia até sentir o cheiro de pizza e pipoca agora, e podia imaginar a posição exata e o lugar do sofá que ambas estariam se estivessem juntas em sua casa naquele momento.

Pensar nisso a deixou nostálgica e, na verdade, até um pouco triste.  Ela parou por um momento, pensando naqueles dias.

 –Filmes e pipoca, vários tipos de brincadeiras para fazermos, todo sábado... Você sabe, Noite de Jogos? Ela recitou o que veio à sua mente, e de repente sua garganta ficou seca.

 

 –É, eu sinto falta disso–Sua voz começou a falhar, e ela podia sentir as lágrimas quentes se formando em seus olhos.  Não importava o quão feliz seu sorriso parecia na câmera, ele não conseguia esconder sua tristeza ou o quanto sentia falta da mãe.

 E ela tinha uma razão para isso.

 

Todas as formas de Luz de entrar em contato com a mãe desapareceram.  Tudo o que ela tinha era esperança de um dia resolver isso e um telefone sem sinal do mundo humano.

 Ela estava se sentindo como se o mundo estivesse desaparecendo, deixando-a em um poço de escuridão e solidão, sozinha.  Seu peito começou a apertar e ela estava lutando contra o desejo de deixar aquelas lágrimas quentes caírem.  Tudo estava dando errado.  Ela não queria se sentir sozinha... Ela queria alguém ali com ela,  queria ela ali com ela.

 A garota respirou fundo.

 Mas ela precisava olhar as coisas pelo o lado bom.

 

 Ela não podia ficar triste agora, ela tinha uma vida para continuar vivendo, ela tinha que permanecer forte por seus amigos... por sua mãe.

 Luz novamente abriu um sorriso e enxugou as lágrimas antes que caíssem.  Ela piscou repetidamente para impedi-las de se formar e fungou para impedir que escorressem de seu nariz, porque ela sabia que segurar as lágrimas só pioraria as coisas.  Seu rosto estava começando a ficar um pouco vermelho, uma reação de conter as lágrimas.

 De repente, a noite já não parecia maus calma e e acolhedora, ela tinha um ar mais triste e pesado.

 

 –De qualquer forma– ela soltou uma risadinha, uma mistura de tentar esconder sua dor e zombar de suas próprias emoções.  Sua voz ainda estava embargada e, assim que percebeu, tentou controlá-la.  Ela se sentou na cama, esperando que isso tornasse a conversa mais fácil.

 

 –Hã... Pois é, é... é assim que foi o meu dia–Impedir que suas lágrimas caíssem estava ficando mais difícil do que ela previa, e estava tirando mais de seu foco do que ela pensava.

 –Estou muito cansada agora, acho que eu provavelmente deveria dormir um pouco. –Ela deu uma desculpa, se ajeitando no travesseiro, sentindo-se estranha por mentir para uma câmera.

 

 –Estou com saudades... Te quiero, mami.–Ela apertou o botão de sua câmera, terminando a gravação.

 

 Eu te amo, mãe.

 Ela repetiu em sua cabeça.

 

Toda esse... "problema do Imperador" deixou Luz realmente mal.  Ela queria se manter positiva para todos, mas ela não sabia quanto mais daquela sensação agonizante, aquele medo de nunca mais ver sua mãe... quanto mais daquilo ela poderia aguentar.

 Assim que acabou, as lágrimas rolaram por seu rosto com todo o poder, sem mesmo que ela fosse capaz de controlar. Mas ela não se importava, ela só queria deixar tudo sair.  Nem mesmo a lua estúpida poderia ajudar em nada neste momento. Ela se sentou de joelhos, cobrindo o rosto com as mãos.

 Estava tudo errado. Não era para ser assim.  Ela deveria estar em casa agora, contando para sua mãe de como ela encontrou um novo mundo maravilhoso, cheio de criaturas incríveis e pessoas que mudaram sua vida completamente, não chorando em um sótão porque ela destruiu sua única maneira de ir para casa e agora estava completamente sozinha!

 

 A vontade de chorar foi ficando cada vez mais forte, e logo ela estava simplesmente soluçando incontrolavelmente em seu próprio lugar, com seu corpo inteiro tremendo e ela não sendo nem capaz de se mover.  Sua respiração estava instável e seus dentes batiam. Tudo estava doendo.  Tudo doía por dentro.

 Era como se ela estivesse afundando cada vez mais na escuridão, entrando em um lugar onde não havia luz e tudo estava vazio.  Ela fez isso consigo mesma, e sabia disso.

 

 

 Luz estava chorando tanto que precisava procurar por ar de vez em quando.  Ela não conseguia se controlar, o desespero simplesmente tomou conta dela, e os piores pensamentos vieram à sua cabeça.

 

 Sua mãe se foi.  Para sempre.

 Ela não tinha ninguém para falar sobre isso. Ela estava sozinha.  Ela não tinha nada.

 

 Esses pensamentos sombrios tomaram conta de sua mente e seu coração doeu mais do que nunca.  

Vazia.  Ela nunca, nunca se sentiu assim antes.  Foi a pior sensação que ela já experimentou, e ela faria qualquer coisa para para-la.  Ela só queria que isso acabasse.

 

 Por favor, para.

 

 

 Ela ficou ali por alguns minutos, apenas chorando paralisada, até que ouviu um barulho vindo de fora.  Provavelmente era apenas um galho caindo, mas a trouxe de volta à realidade de qualquer maneira.

 

Ela abriu os olhos.  O quarto estava escuro como breu, mas já seus olhos já estavam usados ​​com a falta de luz.  Ela podia ver tudo claramente.  Ela tentou se concentrar no presente, tentando desviar sua mente daquele lugar horrível que estava apenas alguns minutos atrás.

 

 Estava tudo bem. Ela estava apenas em seu quarto.

 Ela não estava sozinha.  Ela simplesmente precisava se acalmar.

 

 

 Se acalma.

 

 

 Ela pensou consigo mesma, repetindo isso um monte de vezes para reforçar, enquanto tentava regular sua respiração.

Está tudo bem.

 Ela repetia.

 

 Todos estavam seguros. Sua mãe estava segura.  Isso era o que importava.

 Esse pensamento veio à sua cabeça, dando-lhe um pouco de clareza.  Ela se agarrou a ele, tentando fazer dele uma âncora para se acalmar ainda mais.  Aos poucos, ela conseguiu controlar totalmente a respiração e os soluços incontroláveis ​​se transformaram em choro normal.

 

 Ela nem se importava mais com as lágrimas.  Elas marcaram seu rosto, que estava completamente vermelho naquele ponto.  Ela sentiu que seus olhos estavam inchados e vermelhos também, mas esse pensamento não ficou em sua mente nem por um segundo.

 

 Sua mãe não iria querer que ela ficasse assim.  Ela precisava tirar esses pensamentos ruins de sua cabeça.

 Luz respirou fundo e se sentou de pernas cruzadas, relaxando um pouco.  Ela viu o telefone ao lado da cama e o pegou, procurando uma distração, alguém com quem conversar.

 A tela brilhante de quando ela o ligou quase a deixou cega por causa dos olhos inchados e não acostumados a luz, mas ela não desistiria tão facilmente.

 Seus amigos a ajudaram a conectar o sinal de seu telefone com o das Ilhas Ferventes para que ela pudesse falar com eles fora da escola, então conversar com eles não seria tão difícil.

 Talvez alguém estivesse online?

 Não.

 

 Claro que não! Olha as horas! Ninguém estaria acordado a esta hora...

 Luz pensou consigo mesma, frustrada.  Ela estava se sentindo um lixo, e a única coisa que queria era alguém com quem conversar, para manter sua mente longe de coisas ruins.  A pequena esperança que ela tinha de talvez se sentir um pouco melhor naquela noite desapareceu com o conhecimento de que ninguém estava online.

 

 Bem, era melhor assim, de qualquer forma.  Ela realmente não queria incomodar nenhum de seus amigos com seus problemas. Não valia a pena.

 

 

 Ela pensou muito sobre isso.  Ela não deveria incomodar as pessoas com seus fardos, afinal, de que adiantaria?  Ela estaria apenas fazendo as pessoas se sentirem mal por ela...

 Além disso, ela tinha que se manter positiva! Sabe, ver o bom de tudo e animar as pessoas, como sempre...

 

 Às vezes era difícil.  Alguns dias ela só queria se enrolar em uma bola e chorar, mas ela sabia que tinha que ser forte para os outros.  Era assim que ela era.

 Luz poderia lidar com isso sozinha.  Ela sempre lidou.

 

 Então ela percebeu que algo mudou em sua tela.  A imagem anteriormente cheia de branco em sua frente agora tinha uma pequena mancha verde nela.

 

 Amity estava online.

 

 Ela parou em seu lugar por um momento.

 O que ela devia fazer?

 Ela não queria incomodá-la, talvez ela estivesse ocupada com alguma coisa.

 O rosto de sua mãe apareceu em sua mente e ela imediatamente começou a digitar.  A dor no coração venceu a discussão.

 

 Luz: Oii! Vc tá acordada?

 

 Ela tentou falar o mais normal que podia após a linda demonstração completa de um ataque que ela tinha tido apenas alguns minutos atrás.  Suas mãos ainda estavam um pouco trêmulas e ela mal conseguia digitar sem erros de digitação.

 

 Amity digitou por muito tempo.  Quase parecia que ela estava reescrevendo sua mensagem de novo e de novo.  Ela estava demorando tanto que Luz começava a suspeitar que ela estava enviando uma toda uma carta para ela.

 Pensar em quanto tempo a bruxa demorava para escrever uma resposta a fez abrir um pequeno sorriso.

 Amity era engraçada.

 

 Amity: Oi, Luz!  Sim, eu estava estudando um pouco mais para o teste de amanhã.

 

 Tem um teste amanhã?

 Luz não estava prestando muita atenção aos horários. Ela estava faltando à escola desde toda a "Situação do Imperador", e realmente não se preocupou em ver o que estava perdendo. Isso não significa que ela não estava aprendendo, no entanto.  Eda e Lilith ensinaram muito a ela juntas.  Mas elas brigavam bastante enquanto o faziam...

 Luz se lembrou daqueles dias divertidos em que as duas bruxas mais velhas se importunavam como duas irmãs pequenas.  As brincadeiras que Eda fazia com Lilith foram as coisas mais engraçadas...

 

 Ela se deitou de costas para ficar mais confortável e colocou a tela do telefone bem na frente do rosto para ver melhor.  O conforto que a cama fofa trazia para suas costas um pouco doloridas era incrível.

 Seu telefone vibrou.  Uma nova mensagem.

 

 Amity: E você?  Por que tá acordada tão tarde?

 

 Eu?

 Ah, eu estou só tendo uma crise agora, porque posso talvez nunca mais ver ou falar com minha mãe de novo... mas estou ótima!

 

 Ela pensou na ironia. Claro que ela não poderia dizer isso para a garota...

 

 Luz: Eu só não tava conseguindo dormir.

 

 Foi o que saiu no lugar.

 Ela só... não deveria se abrir agora.  Não era o melhor momento.  E é como ela disse, não ajudaria em nada.

 

 Mas mesmo que ela continuasse repetindo isso para si mesma, uma sensação ruim correu por seu corpo, dizendo-lhe que ela não seria capaz de guardar essa montanha de sentimentos para si mesma por muito mais tempo.

 Ela a afastou, ignorando-a.

 

 Amity: Bem, talvez a gente possa se fazer companhia. O que você acha?

 

 Um sorriso instantâneo se abriu no rosto da garota sem que ela percebesse, e seus dedos já estavam digitando uma resposta sem que ela percebesse.

 

 Luz: É, isso seria ótimo :)

 

 Ela enxugou as lágrimas do rosto, tentando ver o telefone com mais clareza, ainda com um grande sorriso.  Lágrimas finalmente pararam de se cair.

 

 Obrigada.

 Ela disse mentalmente para Amity.  A bruxa era sua salvadora naquele momento.

 

 Luz sabia que ficar acordada até tão tarde e manter o telefone tão perto do rosto provavelmente teria consequências muito ruins para ela no dia seguinte, mas ela realmente não se importava. Ela só queria conversar.

 E elas conversaram. Muito.  Luz passou horas apenas mandando mensagens para ela, falando sobre os filmes que viram com os amigos naquele dia;  enviando memes;  rindo alto (e se repreendendo por fazer isso no meio da noite);  respondendo quizzes;  contando algumas coisas sobre si mesma...

 

 Foi bom esquecer toda aquela situação ruim por um momento.  Ela não sabia como estaria agora se Amity não tivesse mandado uma mensagem para ela.  A bruxa realmente iluminou seu humor.  Falar com ela fez tudo parecer... mais fácil.

 Essa acabou sendo uma das melhores noites da Luz depois de... você sabe, daquilo.

 

 O tempo passou muito rápido.  Quando Luz percebeu, já era quase madrugada e ela não conseguia mais manter os olhos abertos.  Eles estavam pesados ​​e tudo estava começando a ficar um pouco embaçado e difícil de focar em.  Ela se despediu de Amity e se ajeitou na cama, se preparando para aproveitar suas últimas horas antes de ir para a aula.

 Ah, que bom finalmente relaxar.

 

 Infelizmente, depois de algumas horas seus doces sonhos foram abruptamente interrompidos pelo alarme, que a acordou de repente.

 Luz esfregou os olhos e esticou os braços, tentando se forçar a acordar de verdade.

 O sol brilhante vindo da janela quase cegou seus olhos, atingindo-os com toda a força.  Estava uma manhã absolutamente linda lá fora, e ela podia ouvir o piar dos pássaros tornando a manhã ainda mais agradável.  Todo o quarto estava iluminado pela luz do sol e Luz sentia uma mistura de sensações.  Ela estava se sentindo bem, pronta para um novo dia, mas, ao mesmo tempo, ainda com um pouco de ressaca dos sentimentos ruins que a noite anterior trouxe.  Uma mistura de animação e um aperto no peito.

 Era estranho.

 Luz tentou se lembrar do que havia sonhado, mas o alarme repentino tirou muito de seu foco e agora ela havia esquecido completamente.

 Bem, seja lá o que for, foi bom, porque como como ela disse, ela acordou de muito bom humor.  A humana ficou muito surpresa ao se sentir bem descansada, especialmente depois de ficar acordada até tão tarde na noite anterior.  Parecia que ela havia dormido exatamente o tanto que precisava.

 E aí ela verificou a hora em seu celular.

 

 É, fazia sentido.

 

 Ela estava atrasada.

 Ela estava muito, muito atrasada.


Notas Finais


E é isso. Quer dizer, ainda tem muito pra fazer, mas... é, por enquanto, é isso.

Aqui está a tradução para as partes espanholas:
"Oi mãe! Como você está?"

"Estou com saudades... te amo mãe"

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Tem uma coisa importante que quero falar sobre:
Não estava me sentindo bem postando a história enquanto a fazia, então decidi fazer uma pausa para escrever a história toda para vocês. Pode demorar um mês, as vezes um pouco menos ou um pouco mais, mas por favor, não desistam de mim ainda. Minha pausa não é de escrever, é de postar.

Não se esqueça de mim, pleeaasee🥺🥺
Amo vocês💖
Vejo vocês em breve.


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