História The Perfect Sin (Camren) - Capítulo 23


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags 1000hands, Allybrooke, Amor, Avisodegatilho, Beijo, Camilacabello, Camren, Dinahjane, Fanfiction, Fifthharmony, Jaureguis, Laurenjauregui, Mikejauregui, Normanikordei, Religião, Sinucabello, Soficabello, Taylorjauregui
Visualizações 142
Palavras 2.316
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Slash
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 23 - Cap 20 - Eu Não Sou Estúpida


Fanfic / Fanfiction The Perfect Sin (Camren) - Capítulo 23 - Cap 20 - Eu Não Sou Estúpida

Mais um dia e Camila volta para casa.

Uma parte de mim está preocupada já que ela não responde minhas mensagens, mas eu estou realmente torcendo para que eles tenham tirado os celulares deles.

“Você tá bem?” Javi pergunta.

Eles geralmente fazem isso, certo? Pegam os telefones deles? Quer dizer, isso faz sentido, mas eu não me lembro se eles fizeram isso quando eu participei há alguns anos atrás.

Depois de alguns momentos, eu finalmente registro que alguém tinha feito uma pergunta. Eu me viro e vejo meu primo entrar em seu quarto. Eu estive dando socos no saco de pancada que ele tem pendurado aqui de vez em quando. Desde que ele me mostrou pela primeira vez, se tornou uma forma de terapia e deus sabe que certamente tem sido mais útil que qualquer uma das sessões que eu tive com a Dra. Hernandez.

“Eu escutei você parar,” ele disse gesticulando para o saco de pancadas, o qual eu estava parada na frente.

Meus olhos voltaram para o saco na minha frente e eu tento lembrar, mas não tenho certeza de quando eu parei de bater nele. O que eu sabia agora era que eu estava parada lá encarando a parede por deus sabe lá quanto tempo pensando em Camila.

“Eu estou bem,” eu lhe disse.

Ele soltou um escárnio, nem sequer me dando a cortesia de fingir que acredita em mim.

“Uhum, é por isso que você precisava vir aqui e socar alguma coisa,” ele disse, “Porque você está bem.”

O sarcasmo que pingou de sua voz era descarado, mas eu não tinha vontade de conversar. Se eu quisesse conversar eu teria ido até Normani mas eu não fui, eu estou aqui para socar.

Porque no momento eu não posso falar sobre como o meu irmão engravidou a filha do co-pastor. Eu não posso falar sobre como ele aparentemente estava lidando com um vício em drogas por cerca de um ano e ninguém notou nessa porra! Eu não posso falar sobre como a garota por quem eu estou apaixonada está me ignorando, como meu pai me odeia e como minha irmã mais nova não confia em mim o suficiente para conversar comigo. E eu certamente não posso falar sobre o que me trouxe até aqui, eu não posso falar sobre a conversa que eu tive com a minha mãe hoje mais cedo porque isso talvez possa ser demais.

Tá vendo, porque eu pensei que mamãe estava mudando ou talvez que ela tivesse mudado e estava finalmente acordando, eu pensei que ela estava se tornando a mulher que eu precisava que ela fosse quando eu era uma criança.

Mas eu pensei errado.

Porque quando eu tentei conversa com mamãe sobre o quanto eu sentia falta de Camila ela se tornou a pessoa que eu sabia que ela era. A pessoa que diz coisas do tipo

“Lauren, eu te amo mas o que você está fazendo com aquela garota é abominável.”

A pessoa que diz que embora ela sempre vá me amar, ela nunca vai aceitar eu sendo gay, a pessoa que diz que a bíblia me condena como uma “abominação”.

Eu não posso falar sobre como eu elevei minhas esperanças apenas para tê-las esmagadas.

Eu não posso falar sobre o quanto isso machuca porque se eu fizer isso, no momento eu sinto como se pudesse ter um colapso mental então em vez disso eu repito

“Eu estou bem.”

Dessa vez, com um tom mais definitivo e ele parece entender a mensagem e me oferece uma cerveja ao invés disso.

Eu aceito sua oferta e em um segundo estou sentando no sofá com uma cerveja na mão e um primo atencioso me encarando.

Ele não vai me quebrar, eu penso. Então em vez disso eu encaro a tela preta da TV e o pergunto se ele planeja ligá-la alguma hora.

Nada.

Eu encontro silêncio e escuto um suspiro dramático escapar dos lábios dele quando ele diz

“Você pode me falar agora, ou você pode me falar depois de mais 3 dessas,” ele diz gesticulando para a cerveja na minha mão, “De um jeito ou de outro vai acontecer.”

O comentário me faz rir e eu quase sinto uma parede cair, mas eu ainda não quero me permitir sentir tudo.

“Em quem eu preciso bater por você?” ele complementa, fazendo eu me sentir ainda mais confortável.

“Melhor ainda, eu vou segurar eles e te dar as luvas de boxe,” ele adiciona divertidamente subindo e descendo as sobrancelhas. Eu sorriu e balanço a cabeça pelo quão besta ele está sendo.

Enquanto ele toma um gole da garrafa, eu viro para ele sabendo que ele já ganhou.

“Eu não sou estúpida,” eu falo.

Javier ri, “Oh confie em mim, eu sei, eu sempre tentei colar de você nas provas quando nós fomos para a escola juntos até o idiota do Sr. Alwright sempre pegar a gente.”

“A gente?” eu perguntei imediatamente.

Ele hesitou antes de suspirar derrotado.

“Eu,” ele disse revirando os olhos, “Ele sempre me pegava.”

Eu sorri e continuei com o tópico original da conversa, “Eu falo sério,” eu lhe digo, “Eu não sou estúpida.”

As palavras saem dos meus lábios mais uma vez e eu posso visualizá-lo tentar decifrar o que eu estou tentando dizer em suas feições.

“Não me entenda mal,” eu completo, “Eu não acho que sou um gênio ou algo do tipo, mas houve circunstâncias em que eu tive que analisar meu jeito de entendendimento sobre como as coisas funcionam e porque elas são assim,” eu falo para ele.

“Tipo, quando eu estava no ensino fundamental,” eu falo, dando um exemplo, “Eu tive um entendimento de que eu era diferente da menina loira de olhos azuis que sentava perto de mim em ciências. Não porque ninguém apontou isso ou disse qualquer coisa, mas porque o último nome dela era O’Malley e o meu era Jauregui Morgado,” eu falo.

“E embora eu tivesse cada uma das minhas aulas com ela eu sabia que eu era diferente porque no quinto período ela ia para sua aula de inglês e eu ia para ESOL,” eu dei de ombros, lembrando do programa, “Com as outras crianças que tinham vários sobrenomes ou falavam alguma coisa diferente em casa.”

Javi olhou para mim com o cenho franzido ainda sem saber o que eu queria dizer, e eu senti como se estivesse me perdendo, mas continuei a falar independentemente.

“Eles me falaram que era para me ajudar com o meu inglês, mas eu cresci sabendo as duas linguagens, eu nunca tive problema com inglês e eu passei naquele programa incontáveis vezes apenas para ser colocada nele de novo no ano seguinte,” eu continuei, “Não por causa do meu inglês, mas porque hispânicos são colocados na ESOL independente deles terem um nível de linguagem suficiente,” eu falo novamente.

“Ninguém diz isso, e está longe de ser justo mas é assim que é,” eu concordo com a cabeça, “E eu entendi isso.”

Eu vejo meu primo assentir e eu sei que isso é uma experiência que ele teve.

“Eu entendi isso porque eu podia ver o que estava acontecendo ao meu redor, ninguém teve que explicar isso para mim,” eu falo, “E assim que eu percebi que eu era gay, eu tive um entendimento.”

Eu falo, finalmente começando a direcionar a conversa para a ideia original.

“Eu entendi que minha vida ia ser diferente. Que as pessoas na TV não vão amar como eu, que eu provavelmente vou ser encarada na rua, mas mais do que tudo eu entendi que minha família não ia estar de boa com isso,” eu assenti, “Ninguém teve que me contar, eu sabia disso.”

Um caroço começou a se formar na minha garganta com o pensamento do que eu estava prestes a dizer.

“E embora nos últimos anos eu estava me acostumando com a ideia de que eles não vão para o meu casamento,” eu falo com um dar de ombros derrotado, “E meu pai não vai me levar pelo corredor, minha mãe não vai me ajudar a me arrumar no dia do meu casamento ou chorar quando meu pai me entregar,” eu falo com lágrimas começando a escorrer pelas minhas bochechas.

“Laur,” Javi diz complacentemente.

“Eu não vou ter uma dança de pai-e-filha nesse dia e quando eu engravidar…” eu estico com um dar de ombros, “Mamãe não vai me ajudar a escolher as roupas do bebê ou me acalmar quando alguma coisa de errado acontecer com o bebê,” eu falo, “E eu sei disso porque eu não sou burra, eu estou ciente da minha realidade, mas então…” eu começo a dizer com um suspiro derrotado.

“Então, mamãe começou a mudar e eu me permiti ter esperanças,” eu assenti, “Eu me permiti imaginar um futuro onde talvez, apenas talvez, ela me ajudaria a me preparar para o meu dia do casamento e me irritar sobre fazer o pré natal e irritar minha esposa sobre fazer isso também,” eu ri apesar das lágrimas, “Eu me deixei imaginar esse mundo apenas para ele ser tirado de mim por algumas frases,” eu falo, lembrando da conversa que eu tive com minha mãe.

“Simples assim.”

Sem nenhuma palavra, Javier se aproxima e me puxa em sua direção. Seus braços me envolvem enquanto ele guia minha cabeça na direção de seu peito e é depois disso que as lágrimas que estavam esperando para serem liberadas fazem uma aparição.

Uma parte mim se sentiu mal por sempre desmoronar na frente dele, mas que não posso fazer isso com ninguém mais na minha família.

“Eu vou te levar até o altar,” ele diz suavemente, depois de alguns minutos, “Eu vou dançar com você no seu casamento.”

--

Eu sabia.

No segundo em que meus olhos pousaram nela, eu sabia que tinha acabado.

“Hey Lauren,” Camila disse suavemente.

Foi bom enquanto durou, eu pensei. Talvez o dinheiro que eu guardei para o piano dela possa ir para a minha mudança, ou talvez eu devesse dar pra ela de qualquer forma.

Uma pianista precisa de um piano, afinal de contas.

“Como você está?”

A voz dela era suave, calma. A paz era quase perturbadora, ela estava agindo como se ela não fosse quebrar o coração de alguém.

Eu me pergunto o que aconteceu. Foi o sermão? Uma oração que alguém fez na frente dela? Ou ela simplesmente teve um entendimento geral de que isso é o que deve acontecer depois do acampamento da igreja? Eu imagino que seja isso que eles teriam dito para ela, tirar qualquer coisa de sua vida que a separa de Deus e Seu propósito para ela. Era isso que eles costumavam me dizer.

Meus olhos pousaram nela e eu sabia que ela não ia subir para a casa da árvore, nós íamos ficar no estacionamento dessa igreja abandonada enquanto ela parte o meu coração.

“Eu estive bem,” eu menti, “Mas eu senti sua falta.”

A maneira que ela ficou tensa com as minhas palavras foi toda a confirmação que eu precisava.

Dois meses de progresso, quebrado em um final de semana.

“Escuta,” ela diz suavemente, “Lauren eu-”

“Por quê?” eu disse interrompendo-a.

Ela me encara sem expressão por um segundo antes de eu terminar meu pensamento.

“Você está prestes a acabar comigo certo? Ou parar o que quer que seja que isso fosse?” eu pergunto, “Bem, eu estou deixando mais fácil,” eu lhe digo, tentando meu melhor passar uma imagem de forte, “Você não precisa dizer, tudo que eu quero saber é o porquê?”

Ela suspira, seus olhos varrem ao redor do estacionamento vazio e eu simplesmente fico parada, apoiada no capô do meu Mustang, silenciosamente torcendo para que eu sobreviva ao que quer que seja que ela vá falar.

“Não é certo,” ela murmura depois de alguns segundos.

Isso parece quase como se eu entrasse numa máquina do tempo e estivesse de repente falando com a garota que eu conheci meses atrás.

“Quer dizer, eu acho que no fundo das nossas mentes nós duas sabíamos disso,” ela continuou.

Algumas vezes até parece que eu estou simplesmente conversando com a versão de quinze anos de mim mesma, ainda amedrontada até a morte de sair do armário.

“É hora de nós duas nos acertarmos com Deus,” ela completou.

Com medo de perder minha família, e tudo que eu sempre conheci.

“Lauren, nós-”

Antes dela falar outra palavra eu levantei e andei até ela.

“Que parte pareceu errado?” eu perguntei enquanto a assistia dar um passo para trás, “Os últimos meses, me diga qual parte pareceu errada?” eu continuo falando mesmo assim, fingindo que o afastamento dela de mim não parecia com uma adaga perfurando o meu peito, “Os beijos? Os toques? Dormir nos braços uma da outra?” eu perguntei, “Qual parte?”

Ela continuou olhando para todo lugar exceto para mim e eu estava desesperadamente esperando que seus olhos travassem nos meus porque então talvez, apenas talvez, eu teria uma chance de mudar a cabeça dela. Talvez se ela olhasse para mim, talvez ela visse o que estava fazendo comigo, então apenas talvez.

“É isso mesmo,” ela deu de ombros, “Não parece errado mas é,” ela diz, “Eles não querem que pareça errado para que você esteja bem com o seu pecado.”

“Eles?” eu pergunto, “Camila, quem são eles?”

Ela cruza os braços ao redor do torso como se estivesse se protegendo das minhas palavras.

“Camz, você está repetindo o que quer que seja que eles te falaram naquele acampamento, mas não existe “eles” aqui. Não existem pessoas más atrás da gente, é só você e eu.”

“Não,” ela disse firmemente, “Não existe você e eu mais.”

E lá estava, a sentença que acabou de esmagar até mesmo o menor pedaço de esperança que restava.

Eu pausei, e apenas me levou alguns segundos para me recompor o suficiente para entrar no meu carro e partir.

N/A: ESOL significa tipo um programa de aulas de inglês para pessoas de outras línguas e culturas.

 



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