História The Perfect Weekend - Capítulo 1


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Categorias Wanna One
Personagens Kang Daniel
Tags Comedia, Kang Daniel, Romance, Temqueservocê, Wannaone
Visualizações 133
Palavras 4.117
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, tem alguém ai?
Gente, volteeeeeeeeeeeei!! shuashuahsua
Como vocês estão? Cara, que saudades de escrever aqui nesta caixinha, sério. Fiquei um bom tempo longe, disse que ia voltar, tive problemas de novo, e agora estou aqui, cheeeia de projetinhos novos e ansiando para finalizar os antigos.
Este especial já estava praticamente pronto desde o ano passado, inclusive quando eu o peguei para retomar a escrita, vi que fui muito vidente em alguns pontos do que aconteceu com o Dan kkkkkk acho que vocês vão notar.
Bom, pessoal, é isso. Eu estou de volta, espero que eu não precise me ausentar por muito tempo novamente, e sei que o apoio de vocês vai me ajudar muito quanto a isso. Eu vou começar um projeto novo, original, la no Wattpad, vou postar somente lá e gostaria muito que vocês dessem uma opinião. Vou avisar quando eu der inicio.
E muuuuito obrigada a todos que esperaram, pediram, tiveram muita paciência kkkk Eu agradeço de verdade! E espero que gostem dessa pequena aventura do casal!
Miiil beijoooos!

P.S: Eu dividi em algumas partes pra vocês aproveitarem bem a história kkkk

Capítulo 1 - Parte I


“Eu tô pensando em você

Eu tô querendo te ver

Todo dia, todo dia”

Todo Dia – Roberta Campos

 

Parte I

 

Namorar Kang Daniel não é nada fácil. Melhor dizendo, namorar um idol não é nada fácil.

Mas acho que isso você já deve saber.

Depois da separação do Wanna One, eu imaginei que Daniel ficaria um tempinho quieto, curtindo a mãe, as gatinhas, me curtindo, mas isso não aconteceu. O presidente da empresa que gerenciava o grupo tirou Daniel de sua antiga agência e o lançou como artista solo. Não preciso nem dizer que foi o maior sucesso, não é? Além disso, ele se tornou apresentador de um programa de entretenimento, o The Kang Daniel Show, o que resultava em uma agenda sempre lotada. E então eram concertos atrás de concertos, premiações, gravações de programas, do Kang Daniel Show, festivais de fim de ano... Até participação em dramas ele fez! E essa turbulência toda o deixava sem tempo para nada.

E quando digo nada, é nada mesmo. Comigo inclusa.

O celular era o que nos mantinha próximos. Ligações e mensagens no fim do dia, um “bom dia” ou “estou com saudades” em momentos aleatórios, e um “eu te amo” sempre que sentíamos a necessidade. Às vezes eu conseguia dar um pulo na YMC só para dar uns beijinhos nele ou ele dava um pulo da KBS para me ver. Mas era tudo muito rápido. E falando em KBS, eu estou trabalhando lá. Como diretora. Eu dirigi alguns filmes coreanos, mas eu me vi mesmo na direção de dramas, acredita? Dramas históricos ainda por cima, com todas aquelas roupas de luxo e cenários incríveis. Acabei descobrindo que essa é a minha verdadeira paixão.

E foi por conta de toda essa dificuldade em passarmos um tempo junto que eu surtei enlouquecidamente quando Daniel me ligou e disse que teria um tempo livre no último final de semana do mês. Não sei como ele conseguiu esse feito extraordinário. Na verdade, eu não dava a mínima. Ter um momento para nós dois era só o que me interessava.

- Isso vai também – enfiei um suéter cor-de-vinho na minha mochila. Estava fazendo um frio terrível e era mais do que óbvio que as peças mais quentinhas tinham prioridade.

E por fim, sobre a cama, alcancei a minha lingerie preta adornada com rendas e alguns toques de vermelho, quase vinho. Alissa havia me ajudado com elas. Não que eu não soubesse como comprar uma calcinha e um sutiã com rendas bobas, mas uma segunda opinião sempre estaria valendo.

Sorrindo alegremente, levantei a peça na altura dos olhos, admirando os detalhes bem feitos sobre o bojo do sutiã. Eu mal podia esperar para usá-lo.

- Filha! – dei um pulo quando escutei a voz da minha mãe. Rapidamente enfiei a lingerie na mochila e puxei o zíper.

- Caramba, mãe! Por que a senhora não pode ba... – parei com o resmungo no meio do caminho. Observei mamãe de cima a baixo e comecei a rir. Ela estava fantasiada de mamãe Noel. O vestidinho vermelho, de saia rodada, pairava sobre os joelhos; a barra era toda enfeitada com um tipo de tecido branco, que parecia algodão. O mesmo tecido branco aparecia ao redor do decote e das cavas dos braços. Mamãe ainda usava um cinto preto e botas de cano longo. E um gorrinho para finalizar. – mas o que é isso, mãe?

- Gostou? – sorrindo orgulhosa, ela deu uma voltinha para que eu a admirasse.

Continuei rindo.

- Sinto informá-la, mas acho que a senhora errou de datas. O Natal ainda está longe. Quer dizer, o Halloween está longe. Acabou de passar – impliquei.

Ela fez uma careta e estapeou de leve o meu ombro.

- Engraçadinha – sibilou. – O Natal já é mês que vem.

Se minha mãe não existisse ela teria que ser inventada. Sério.

- Ô, mãe, por que está vestida desse jeito?

- Meu amor, não lembra que hoje a sua tia Glória chega aqui? Combinamos de fazer fotos em família. Fazemos umas agora, somente nós, e depois todos juntos quando a Glória estiver conosco – e arreganhou os lábios mostrando todos aqueles dentes não tão alinhados, mas que formavam um lindo sorriso.

Eu fiquei olhando para ela. Era incrível como mamãe ainda conseguia me surpreender com suas esquisitices. Ela era tão sem noção que muitas vezes eu chegava a pensar que, na verdade, ela era um ET vindo do planeta Sem Noção, onde toda a população sem noção faz coisas sem noção.

Eu já disse isso alguma vez pra vocês? Talvez sim. Não me lembro.

Mas pensando bem, fazer fotos de Natal não era tão sem noção assim. Mamãe estar vestida daquele jeito é que era.

Suspirei.

- Mãe, por que não deixamos isso para o mês que vem? Para a véspera de natal. A tia Glória vai ficar aqui, né?

- Ah, não, filha. Eu gosto de fazer tudo com muita antecedência – ela se admirava na frente do espelho de um jeito todo emplumado. Olhou para mim. – segunda, quando você estiver de volta, tiramos mais fotos!

Eba...

- E o papai? Está de quê? De papai Noel é que não é, né, dona Suzanna? Porque com a senhora tem que ser diferente, nada clichê. Ele está de quê? De Grinch? – brinquei.

A sua expressão se iluminou do mesmo jeito com que a lua ilumina um ponto escuro. Ela estava radiante e de uma hora para outra se mostrou animada demais. Aproximou-se da porta e com o rosto para fora do quarto berrou:

- Victor! Vem aqui!

Aí eu fiquei bem séria, totalmente desacreditada no que eu estava prestes a ver. Mamãe não tinha feito isso...

- Ah, fala sério. Está zoando, né? – murmurei.

Esperei agoniada até que papai chegasse ao meu quarto. Ele apareceu minutos depois com a expressão carrancuda, irritada. Foi impossível não gargalhar. Papai estava mesmo de Grinch. A roupinha toda verde e peluda, a barrigona, sapatinhos vermelhos bicudos, e adivinha só, uma máscara pendendo na cabeça! Eu ri tanto.

- Pai! Você... ai, eu não aguento! Pai, você tem que usar a máscara – tentei trazer o acessório para o seu rosto sisudo. Ele recuou rápido, me lançando um olhar mortal.

- Não preciso usar nada! – reclamou ajeitando a barriga falsa.

Mamãe o olhou docemente.

- Victor, para a nossa foto você vai usar sim. Pelo menos, para uma delas.

É isso o que chamo de amor verdadeiro. Papai é bem o oposto da mamãe em certos casos. Ele é mais quieto, na dele, não suporta chamar atenção e ela vocês já sabem, né? Adora uma exposição. Ele aceita e faz cada maluquice que sua esposa pede que é quase impossível não imaginar quanto amor há entre os dois.

Papai bufou ao mesmo tempo em que sua esposa estalou uma palma na outra.

- Está na hora da foto em família! Vamos mandar para os nossos parentes no Brasil. Então se arrume e desça logo, xuxu – beliscou minha bochecha e saiu cantarolando Jingle Bell pelo corredor.

Dei de ombros.

- Foto. Legal.

- Vai tirando o seu cavalinho da chuva, tá? Tem roupinha para você também – papai riu com desdém e saiu segurando a barriga falsa.

Foi o bastante para eu começar a sentir náuseas.

- Roupinha? Como assim?

Corri atrás dele pelas escadas. Eu necessitava de mais informações; era um caso de vida ou morte quando havia roupinhas e mamãe na mesma frase. Não era nada seguro. Nada seguro!

Quando desci o último degrau me deparei com papai de um lado, na sala, acabando de se esparrar no sofá, e do outro, na cozinha, mamãe pondo alguma coisa aparentemente suculenta sobre a mesa. Optei por ir atrás de informações diretamente na fonte.

- Mãe... – pousei o olhar sobre uma salada tão colorida e bonita que deu vontade de comer, em seguida ergui o olhar para ela. - O papai disse que tem roupa para mim... Como assim?

- Ah, é! – ela estalou a língua. - Está aqui! – pegou de cima do armário duas peças vermelhas e me entregou. Eu arregalei os olhos. - Alissa já foi vestir a dela.

- Ah, mãe! Fala sério! Eu não vou vestir essa coisa! – choraminguei.

- Meu amor, é uma roupinha linda. Sabe aquelas meninas que dançam Jingle Bell, naquele filme que você sempre assiste, que tem aquela menina que se envolveu com drogas... Como é mesmo o nome dela...?

Revirei os olhos.

- Lindsey Lohan, mãe. Meninas Malvadas. O que tem?

- Isso! A roupinha é igual a dela. Mandei fazer para você e Alissa. Vão ficar um espetáculo! – ela piscou.

- Mãe, por que não podemos tirar fotos com roupas normais, hein?

Ou como pessoas normais.

- Porque assim fica mais bonito, agora suba e vá se vestir.

E naquela frase eu senti que havia um ponto final na conversa. Mais um pio meu e ela me calaria somente com seu olhar poderoso de mãe, daqueles que descrevem o perigo se não houver obediência. Portanto, tudo o que fiz foi bater o pé, resmungar baixinho e por fim, muito contrariada, vesti a roupa. E mamãe estava certa. Era idêntica à das meninas do filme. Era até bonita, mas achei o decote exagerado demais. A saia era tão curta... Até aí tudo bem, mas... Nossa, estava tão frio! Eu ia virar um picolé de Natal!

- Hum... Acho que estou sexy – analisei o meu reflexo no espelho. – Daniel ia morrer se me visse assim – sorri.

Então tive a ideia diabólica de mandar uma foto para ele. Arrumei o cabelo e esbocei um minúsculo sorriso. Tirei umas seis fotos antes de conseguir uma do meu agrado. Enviei com a legenda: micos que a dona Suzanna me faz pagar. Nem cinco minutos depois ele respondeu. Estava na escada, a caminho da sala, quando o celular anunciou a nova mensagem. Parei no penúltimo degrau e li sua resposta.

Uau! Q mamãe Noel mais gata! O q vc vai me dar de presente? Eu fui um bom menino...

Emojis com olhinhos de coração e carinha safada preenchiam a mensagem. Achei graça.

Ñ vou dar nada porque ainda ñ estamos no Natal!

Ele respondeu imediatamente.

Ahhh... Mas é Novembro, o Natal é praticamente amanhã!

Ñ insista.

Poxa... Ei, eu posso ver a parte de baixo?

Oq?? Não!

Pq não? Quero ver a obra de arte por completo! A saia é curtinha?

Kkkk Para, Daniel! Nos vemos mais tarde. Tô morrendo d saudades!

Kkkk Eu tbm, amor. N vejo a hora d ver vc.

E enviou um coração. Soltei um longo suspiro enquanto ainda observava a tela do celular.

- Sonhando acordada?

Alissa passou por mim vestida exatamente como eu.

Suspirando outra vez, assenti. Minha prima riu, provavelmente, da minha cara de boba.

- O fim de semana promete, hein! – disse alto sumindo do meu campo de visão.

Passamos praticamente a tarde inteira tirando as benditas fotos da mamãe. Ela até contratou um fotógrafo profissional; o coitadinho tentava se manter sério toda vez que mamãe brigava com papai para ele pôr a máscara de Grinch e deixar a barriga no lugar. Aquela sessão de fotos foi cansativa, mas muito divertida, confesso.

Quando, enfim, tudo terminou já era umas seis e meia. Daniel estava quase para chegar. Por isso, troquei de roupa bem rápido após ter tomado outro banho; peguei minha mochila e corri para a sala. Eu esperava ansiosamente por sua ligação quando visitantes inesperados chegaram primeiro que meu namorado. Quer dizer, não eram inesperados. Tia Glória e seu filho Alan viriam passar algumas semanas conosco.

 Não contei que Alissa tem um irmão, não é? Pois tem. Um rapaz de dezessete anos.

- Irmã! Que saudade! – ouvi mamãe exclamar assim que abriu a porta.

Ela e tia Glória sempre foram muito próximas e cúmplices quando o assunto era roubar doces da geladeira durante a madrugada quando ainda eram crianças. As duas eram unha e carne, como dizem, o que tornou tudo muito difícil pra elas quando mamãe resolveu ir embora do Brasil. Era uma festa só quando a tia vinha nos visitar, ou quando nós conseguíamos ir até ela.

Levantei do sofá indo em direção a porta da frente. As duas irmãs estavam abraçadas enquanto choravam sem parar. Procurei por Alissa, não havia sinal dela.

 De relance, notei meu primo se aproximar.

- Prima! Não vai me dar um abraço? – Alan sorriu, os braços abertos na minha direção.

- Claro! – fui ao seu encontro.

Alan era realmente muito alto. Uns dez ou quinze centímetros mais alto que Daniel. E era muito parecido com a irmã. Grande parte das pessoas pensava que eles eram gêmeos. Os cabelos escuros, cheios e volumosos estavam bem curtos agora, e emolduravam com harmonia o seu rosto quadrado. O nariz pequeno e arrebitado era idêntico o de Alissa; ele também tinha os mesmos cílios longos e a boca bem desenhada; o maxilar marcado o deixava quase irresistível. Ao todo, Alan era um rapaz bem bonito.

- Nossa, você está tão linda! – ele elogiou ao me soltar. Pegou uma mecha do meu cabelo entre os dedos, e exibiu um sorriso torto.

E era atrevido.

- Já vai começar? – dei dois passos para longe.

E esse era o maior defeito do Alan. Ele vivia dando em cima de mim (e de Deus e o mundo) inclusive por telefone ou chamada de vídeo, devido a esse seu comportamento extremamente inapropriado eu tentava ao máximo não ter contato com ele.

Eu odeio adolescentes.

- Foi apenas um elogio! – se defendeu na maior cara de pau. – você sabe que fica ainda mais linda quando está irritadinha, né? – aquele sorriso torto em conjunto com a piscadela que veio em seguida, seria a morte para qualquer garota. Menos para mim.

 Caramba, somos da mesma família! O que esse moleque tem na cabeça?

- S/N! – graças a Deus fui salva pela tia Glória, que, vestida de roxo dos pés a cabeça igual uma berinjela, berrou como se eu estivesse em outro cômodo. Desmanchando minha carranca, olhei para ela, me aproximando. Ainda pude ouvir uma risadinha debochada de Alan.– vem dar um abraço na tia!

- Oi, tia – disse enquanto era esmagada.

- Você está tão linda! Olha essa pele! – passou a pontinha dos dedos sobre a minha bochecha. – já sei. Passou a noite com o namorado, não foi?

Meu rosto ferveu.

Eu disse que ela era a cópia da minha mãe, não disse?

- Tia! – a repreendi enquanto ela soltava uma de suas risadas escandalosas.

- Vem, Glória. Vem falar com o Victor e a Alissa. Estão na cozinha – mamãe a arrastou para longe.

Tadinha da Alissa. Na certa estava adiando aquele momento o quanto podia, tanto que nem tinha dado as caras ainda. Tia Glória amava encher a filha de perguntas constrangedoras relacionadas ao seu namoro com Seongwu, exatamente do mesmo modo que sua irmã.

- Ô, prima – Alan chamou minha atenção antes que eu conseguisse sumir. Quase tinha esquecido que aquela peste estava ali. – só queria dizer que se nada der certo com esse tal de... Kang Daniel – pronunciou o nome com muito desprezo, o que só me deixou irritada. – saiba que eu vou estar aqui, esperando por você – e piscou.

Revirei os olhos.

- Alan, você é meu primo, caramba! Quantas vezes vou ter que repetir isso?!

- Ué, primo não é irmão.

Bufando, virei-me para ir embora. No meio do caminho parei de repente e olhei para trás. Queria muito não ter feito isso porque o peguei no flagra, olhando para a minha bunda e exibindo um sorriso diabolicamente safado. Voltei para perto dele, pisando duro. Alan nem se abalou. Continuou me olhando com seu sorriso torto e irritante.

- Olha aqui, o Daniel está chegando e quero que se comporte, entendeu? – usei meu tom mais autoritário.

Ele deu de ombros.

- Tanto faz.

Grunhi, irritada. Aquele moleque me tirava do sério. Às vezes eu tinha muita, mas muita vontade de quebrar o nariz dele. Ele sempre dizia coisas idiotas, flertava comigo sempre que dava na telha e, pior, adorava zoar o meu gosto musical dizendo que eu me parecia com uma senhora de oitenta anos.

Qual o problema das pessoas com MPB? Melhor dizendo, por que as pessoas se incomodam tanto quando alguém desvia do usual, do comum? Sinceramente, preguiça de tentar compreender.

Durante os vinte e cinco minutos que se passaram, fiquei o tempo todo na sala, esperando que Daniel me ligasse para avisar que estava vindo ou que já estava chegando (para me resgatar). Tive que aturar as cantadas idiotas do meu primo, as perguntas salientes da minha tia Glória, mamãe dando detalhes do meu namoro. Papai e Alissa eram os únicos que estavam do meu lado naquele momento de tortura. Se bem que minha prima estava sofrendo junto comigo já que quando o assunto mudava de foco ela se tornava a protagonista da vez.

- Acho que alguém te deu um bolo, hein.

Cravei meus olhos em Alan e quando estava a ponto de bater com a almofada na cara dele, meu celular tocou. Dei um pulo. O nome do meu namorado piscou na tela.

- Daniel? Amor, eu já estava enlouquecendo! Onde você está? – perguntei. De canto de olho, vi meu primo revirar os olhos. Mostrei a língua pra ele.

Muito maduro da minha parte. Eu sei.

- Oi, amor. Está tudo bem por aí?

- Está sim – confirmei.

Ele ficou um segundo calado.

- Er... então, acho que eu não tenho uma boa notícia.

Meu coração acelerou. Calmamente saí da sala para não levantar suspeitas e instigar a curiosidade alheia, e entrei no corredor que dividia a sala e a cozinha. Comecei a perambular de um lado para o outro.

- Como... assim?

- Amor, eu sinto muito mesmo, mas é que apareceu um evento de última hora. Eu não pude recusar.

De uma hora para outra um bolo sufocante se formou na minha garganta.

-Mas, Daniel... – fiz força para engolir e evitar chorar. - Você tinha prometido! Estava tudo certo!

- Eu sei, mas... Eu sinto muito mesmo.

Pude ouvir Daniel suspirar pesadamente.

 Eu não sabia o que dizer. Estava tão chateada que tive vontade de berrar. Eu sabia que não era culpa dele, mas isso não foi o bastante para minimizar a raiva que eu sentia naquele momento.

- Amor? – ele chamou.

Funguei.

- Oi...

- Eu... mandei um presente pra você, como forma de desculpas. Já deve ter chegado ai. Abra a porta e veja.

- Tá.

Eu queria mandar ele e o presente para o inferno, mas me contive. E emburrada segui para a porta. Quando a abri, tomei o maior susto ao ver Daniel diante de mim com um sorriso divertido, usando uma touca vermelha e casaco preto. Aí que eu comecei a chorar de verdade.

- Seu bobo! – cobri o rosto.

Ele achou graça e veio me rodear com seus braços.

- Você estava chorando? Estava chorando, amor?  Foi só uma brincadeira! – ele me chacoalhava delicadamente enquanto me enchia de beijinhos. Eu queria matá-lo.

- Odeio você! Sai! – tentei empurrá-lo para longe, mas era quase o mesmo do que tirar uma árvore do lugar.

Daniel se atreveu a avançar em mim e me roubar um beijo. Eu virei o rosto para o lado oposto. Nesse mesmo segundo, mamãe, papai, tia Glória, Alissa e Alan apareceram de uma só vez.

- Danzinho, você chegou! – mamãe foi a primeira a cumprimentá-lo.

- Olá! – ele sorriu de orelha a orelha.

- Essa aqui é a Glória. Minha irmã. Vem aqui, Glória! – titia se aproximou cheia de risinhos, os olhos habilidosos examinavam descaradamente o meu namorado, de cima a baixo.

- Oi! Então você é o famoso Daniel? Tirou a sorte grande, hein sobrinha. Ele é um pitéu! – elogiou.

Daniel achava graça como se não houvesse amanhã. Novidade? Óbvio que não.

Eu revirei os olhos.

- E esse aqui é o Alan. Irmão da Alissa.

Alan se aproximou com uma expressão de tédio. Cumprimentou Daniel com um aperto de mão e só.

- Alan! Como você cresceu! A última vez em que te vi você ainda era garotinho! – Dan se admirou.

- Eu não me lembro de ter visto você na minha vida – o moleque retrucou com indiscrição. Vi Alissa beliscando o seu braço e ele resmungando logo em seguida.

- Bom, vi você em uma foto – Daniel riu.

- Não liga, Dan. Alan cresceu e se tornou um babaca – ela passou pelo irmão indo abraçar o amigo.

- Ei! – Alan tentou protestar, mas ninguém lhe deu atenção. Quando Kang Daniel estava no pedaço, era difícil as pessoas olharem para outra coisa a não ser ele.

Depois que papai o cumprimentou, todos, menos nós dois, seguiram para a cozinha em uma falação incompreensível. Eu permanecia emburrada, ou pelo menos fingia, com os braços cruzados sobre o peito. Daniel olhou para mim, e inclinando a cabeça e fez um biquinho muito fofo com os lábios.

- Você ainda está com raiva? Foi só uma brincadeira, meu amor! – e passou os braços ao meu redor.

- Sai! Não quero! – simulei minha chateação. Ele começou a me encher de beijos outra vez. Eu protestava, e aí que ele me beijava ainda mais.

Um fato sobre o nosso relacionamento: Temos briguinhas bobas o tempo inteiro. E na maioria delas gosto de me fazer de difícil e fingir que estou com raiva pelo simples fato de que Daniel adora me mimar quando acha que estou chateada. Quanto maior o meu bico, maior é a sua vontade de me atacar com beijos e abraços. É uma delícia.

Meia hora tinha se passado quando Daniel disse que já estava na hora de ir. Eu me controlei para não sair saltitando de felicidade.

- Você leva camisinhas, filha? – foi o que a Dona Suzanna perguntou ao se despedir de mim. Meu rosto ficou tão quente quanto o deserto do Saara.

Eu posso estar velha como for, cheia de rugas e cabelos brancos, mas sempre vou morrer de vergonha de falar qualquer coisa relacionada a sexo com meus pais.

- Mãe! – censurei, dando uma espiada em Daniel que ria de alguma coisa que tia Glória falava.

Meu pai do céu, quero nem saber o que está saindo da boca da titia.

- Filha, eu quero muito ser avó, mas não agora. Então você deve se proteger.

Consertei a garganta.

- Mãe, só vamos passar o final de semana juntos. Para de pensar coisas!

Ela me deu um olhar cético e debochado.

- Vocês vão passar a noite juntos, filha. O que acha que vão fazer? Ler gibis e comer pipoca?

- Provavelmente – respondi com sinceridade.

Mamãe contemplou o cômodo inteiro com sua risada, o que chamou a atenção do pessoal por poucos segundos.

- Juízo, meu amor! – e me deu mais um abraço antes de se distanciar.

Papai veio logo em seguida e murmurou um se cuida que eu fiquei em dúvida se possuía o mesmo significado de usar camisinha. Talvez sim. Depois das despedidas e de mais algumas piadinhas sem graça do meu querido e amado primo, finalmente deixamos minha casa. E enquanto dávamos alguns passos para longe dela, meu namorado murmurou:

- O Alan ficou bem engraçadinho, né?

- Inconveniente você quer dizer.

Ele riu.

Do outro lado da rua paramos em frente a um carro preto. Um modelo relativamente novo de um SUV. Fui pega de surpresa. Observei Daniel destravar o veículo.

- Vamos de carro? – perguntei.

- Sim.

- Achei que a viagem fosse longa.

- E é – ele afirmou olhando para mim.

- Então por que não vamos de metrô? Para ser mais rápido?

Esboçando um sorriso doce, ele passou os braços ao redor da minha cintura dizendo:

- Quero curtir esse momento com você. Quero que seja uma experiência inesquecível, nós dois viajando de carro por aí, podendo conversar sobre tudo e qualquer coisa, não tendo que nos preocupar com os olhares de outras pessoas quando resolvermos nos beijar incontrolavelmente...

Entendi. O que ele queria era privacidade. Eu gostei disso.

- Tudo bem – sorri para ele sentindo que a cada segundo eu me apaixonava ainda mais, sem querer saber se isso era possível. – e para onde é que nós vamos mesmo?

- Segredo – beijou meus lábios de modo estalado e abriu a porta para que eu entrasse.

- Daniel... – implorei.

- Não vou contar.

Frustrada, entrei de uma vez. Mas assim que ele se acomodou ao meu lado no banco do motorista, abri a boca a fim de conseguir mais informações.

- Me dá algumas dicas, pelo menos.

Daniel olhou para o retrovisor, ajeitando a franja.

- É um lugar lindo. E você vai amar, tenho certeza – se virou para mim e piscou. – e vamos lá!

Eu tinha sensações sobre isso, e uma certeza de que tudo seria maravilhoso.

Ou nem tanto.

 


Notas Finais


Até mais!


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