História The Phantom Stalker - Capítulo 22


Escrita por:

Postado
Categorias Miraculous: Tales of Ladybug & Cat Noir (Miraculous Ladybug)
Personagens Adrien Agreste (Cat Noir), Alya, Chloé Bourgeois, Félix, Gabriel Agreste, Marinette Dupain-Cheng (Ladybug), Mestre Fu, Nino, Nooroo, Plagg, Tikki, Wayzz
Tags Adrinette, Agreste, Alyno, Carapaça, Chat Noir, Ladybug, Ladynoir, Miraculous, Mistério, Paris, Psicopatia, Queen Bee, Rena Rouge, Romance
Visualizações 133
Palavras 6.276
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Yeeeah, estou de voltaaa
Consegui tempo pra fazer esse capítulo, espero que gostem
Sim, tem treta!
Grandes bjss pra todos vcs! Agradeço de coração por acompanharem a fic!
Até a próxima, mores!

Capítulo 22 - Recado fatal


Fanfic / Fanfiction The Phantom Stalker - Capítulo 22 - Recado fatal

Visitou aquele apartamento durante tempo suficiente para reconhece-lo em qualquer época do ano. Seu coração acelerava confuso cada vez que se aproximava do prédio, uma inquietude anestésica gelando cada célula de seu corpo.

“Por favor, não seja, por favor, não seja!”. Repetia aquilo na mente, como em uma oração. Não soube ao certo dizer em qual momento sentiu o corpo estremecendo pelas suspeitas que fritavam seus neurônios, os olhos protegidos pelos óculos vez por outra se dirigiam à mancha laranja que acompanhava. Talvez a semente da ideia nasceu depois de avistar o prédio, e depois de ver Rena chorando copiosamente com a cabeça bem erguida na direção do arranha-céu.

Seu único conforto era julgar aquele medo como uma reação normal e adaptativa de seu cérebro, talvez por ter tido contato recente com ela. No entanto, uma gritaria mental lhe apavorava cada vez que encontrava alguma similaridade entre as duas. Não podia ser.

E o coração despencou quando viu a colega saltar, com a calda felpuda balançando junto ao vento. “Não.”. Choramingou em pensamento. E chegou a praguejar quando Rena Rouge atravessou a bendita janela.

- Alya. – murmurou para si mesmo antes de se jogar para a rua.

Um caminhão o recebeu, mas não passou muito tempo por lá, precisou pular antes que se afastasse. Os carros buzinavam alarmados, mas Carapaça pouco se importava, tinha a visão focalizada unicamente no buraco aberto por Rena. Não demorou a alcançar as paredes do prédio, escalando o mais rápido que conseguia, ainda descrente do que estava acontecendo. Era ela, era a casa da família dela, aquele era o trunfo do Fantasma para atacar Rena Rouge. Todo esse tempo, e era as Césaire quem estavam ameaçadas.

Quando finalmente atingiu o ponto desejado, esticou o pescoço com ansiedade, o corpo ainda trêmulo de choque. Encontrou-a saindo da cozinha com o rosto lavado em lágrimas, a máscara não conseguia esconder o pavor que tomava de conta do corpo dela.

- Elas não estão aqui... Não estão... Elas... – a raposa balbuciava com as pupilas desfocadas, o olhar perdido, os pés andando sem rumo.

Carapaça ficou estático após entrar, apenas a encarava. O sangue completamente frio, a respiração descompassada e o coração taquicárdico. Não soube dizer quanto tempo passou apenas observando toda aquela ansiedade, o clima não era nada bom, e a energia do lugar transparecia morbidez. Era de arrepiar. Nino, no entanto, só tentava falar, apenas buscava as palavras certas, por mais que desconfiasse da existência delas.

- Ele pegou elas... Ele pegou elas... – Rena ainda balbuciava, as mãos coladas às bochechas, completamente em choque.

- Alya... – chamou tímido, expondo ainda sua minúscula taxa de incerteza. Talvez no fim das contas não fosse ela... Ah, pelo amor de Deus! Estava querendo enganar o próprio cérebro. Bastou ser encarado por ela para confirmar as suspeitas.

Ela carregava pavor e surpresa por trás da máscara laranja, nada a entregaria mais que aquilo. E era óbvio que a mulher se preparava para responder, mas não foi possível que ela falasse. Não foi possível que Nino a ouvisse. Não foi possível que fizessem mais nada.

Um estrondo descomunal lhes espocou os ouvidos, o chão tremeu, bem como todo o resto da estrutura, e uma luz intensa e laranja vivo os cegou.

Era como em câmera lenta, semelhante aos seus filmes. Carapaça sentiu o impacto da explosão o acertando no tórax, perdeu o contato dos pés com o chão, e a consciência se esvaiu antes que sentisse qualquer outra coisa.

Alya perdeu o senso de orientação, já não sabia se estava de cabeça para baixo ou não, apenas tinha consciência de que estava voando pelos ares, como todos os móveis. Uma parede veio com tudo contra seu rosto, uma dor lancinante se espalhou por toda a sua cabeça, e logo nada mais existia ou fazia sentido.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

O detetive escalado para aquele caso tinha um semblante rígido e enigmático, fitava cada extensão do lugar. Marinette abria e fechava as mãos nervosamente, sob as vistas atenciosas daqueles policiais que vagavam por todo o apartamento. Félix estava sendo entrevistado por um dos oficiais, colhiam o depoimento dele.

Fazia mais de uma hora que estavam ali, os paramédicos apenas fizeram seus papeis como cidadãos, não poderia culpa-los. Na verdade, até já imaginava que aquilo poderia acontecer, por isso tomou o cuidado de destruir todo o mural de investigação feito por ela e Alya, não podia arriscar que o encontrassem. Respondeu à tantas perguntas que não lembrava sequer da metade, imagine o que fariam se vissem todo aquele esquema de perseguição colado à parede do quarto de Alya.

Agradeceu aos céus quando os viu indo embora, depois de coletarem as informações. Fitou Félix, deveria dispensa-lo também, não poderia contar com aquela companhia, não quando ia seguir pistas do Fantasma. É claro que sairia em busca do tal túmulo, até porque Alya não dava sinal de vida e, levando em conta os últimos tempos, aquele silêncio a perturbava assustadoramente.

- E então? Quando você vai? – ele perguntou vestindo o casaco.

Marinette franziu o cenho. – Quando eu vou pra onde?

Félix guardou as mãos nos bolsos da jaqueta. – Certo, até parece que você não vai até lá.

- Não vou, não! – mentiu fingindo estar estupefata.

- Marinette, se eu chegasse na minha casa e encontrasse uma foto do túmulo da sua avó no meu banheiro... É claro que eu iria tentar descobrir o motivo. Isso é macabro. – falou expondo toda a sua descrença. – Se você não vai, eu vou.

E a moça arregalou os olhos ao vê-lo sair do quarto. – O quê?! – se engasgou com a própria saliva antes de segui-lo em uma corrida desesperada. – Você não vai até lá! – rosnou ao puxa-lo pelo braço.

Félix fitou a mão que o segurava, depois fixou os olhos dela. – É claro que eu vou! Quem quer que tenha feito isso, é no mínimo maluco e doente. – retrucou como se fosse óbvio.

- Isso não é assunto seu. – ralhou sibilante, sem notar que fechava os dedos com mais força no braço do cunhado.

- Desculpa, mas, se você esqueceu, era o nome da minha avó que estava escrito ali... Então sim, é um assunto meu! – e arrancou o bíceps do alcance dela.

Ótimo! Era só o que lhe faltava para melhorar o dia! Félix se envolvendo naquele furacão. Adrien a mataria no momento em que soubesse. O fechamento da porta indicou a saída do loiro, o corpo dela se sobressaltou antes de correr desvairada para acompanha-lo. O quê poderia fazer? Nocauteá-lo? Essa ideia parecia bem atraente naquele instante.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

Agradecia aos céus pela invenção do computador. Bastou apenas digitar o nome Elliot e limitar a busca para partir de 1980. Mais de cinquenta mortos com esse nome foram catalogados, mas apenas um em abril de 98, período indicado por Alya.

- Elliot Smith. – leu com as pálpebras cerradas, uma sensação estranha de déjà vu o atormentando.

Checou o laudo do patologista, aparentemente a morte foi em decorrência de asfixia por intoxicação carbônica, comum em incêndios, mas aquela não era a parte interessante. O que chamou a atenção de Chat Noir foi o relatório de inspeção de 99, onde havia a queixa do roubo do corpo.

Surpreso, o loiro ergueu as sobrancelhas, as meninas estavam certas. Elliot era o Lapin e forjou a própria morte através dos clones... Era isso ou o Guiness Book deveria registrar o caso de maior coincidência da história. Ao menos tinha uma pista por onde seguir, não seria tão difícil encontrar os documentos de alguém com nome e sobrenome.

Estava prestes a ir embora quando algo piscou no fundo da mente. Que mal teria naquilo? Sentou novamente e voltou a digitar no banco de dados. Procurou pelos laudos de Xavier Gluthier, alguma coisa lhe dizia que não se arrependeria por ler as análises dos legistas.

E encontrou sem dificuldade: afogamento. Leu os comentários dos médicos sobre a causa da morte e os restos mortais encontrados, até visualizar a parte em que resquícios de luta foram achados nas unhas. Realmente, havia a declaração da presença de DNA de Adrien Agreste, mas a assinatura que lá constava era única. Por que o resto da equipe não assinou? Não estavam presentes?

Certo, aquilo era questionável sim. Teria bons argumentos contra o inspetor, ainda mais quando se levava em conta o fato de ele ter feito tanta questão para montar a própria equipe de patologistas. Nem mesmo Donier conseguiu impedi-lo, impondo tanta burocracia, o desgraçado, mesmo com muita demora, conseguiu pôr o grupo de legistas portugueses para assumir o estudo do corpo.

Franziu o cenho. – Portugueses... – murmurou ponderativo.

Não! Não era possível. Quer dizer, possível era, mas era difícil de acreditar. Kim atacado em Portugal, clone se matando na frente de Chloé em Portugal, Donderrion indo à Portugal em busca de uma equipe de legistas... Quais as chances de o Fantasma plantar um capacho na polícia? Quais as chances de o inspetor ser um clone?! Explicaria toda aquela obsessão.

Ergueu-se em um pulo, tomando o cuidado de apagar todo o histórico de busca, e saiu janela afora com uma pressa tensa. Marinette precisava saber daquilo. Para trás ficava o necrotério de Paris, sombrio e desconfortável, dono de segredos macabros.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

A lua já estava visível quando alcançaram o túmulo branco de Marie Anne Smith, mas algo estava errado, e Félix não guardou palavras para expor as mesmas dúvidas.

- Cadê a grama?! – indagou-se com o cenho franzido, atraindo o interesse da cunhada.

Marinette soltou um murmúrio concordante, sinalizando compartilhar dessa curiosidade. Afinal, depois de anos, era de se esperar que a grama já cobrisse o retângulo da cova. No entanto, o que viam era o monte de terra escura e fresca que limitava o espaço por onde deveria ter descido o caixão. Não havia dúvidas da violação daquela cova.

Félix olhou para os lados, em busca do coveiro, mal sonhando que a cunhada o imitava por motivos diferentes. Preparou-se para sair atrás do funcionário, mas cessou todos os movimentos quando viu a mulher ao seu lado se ajoelhando ao lado do túmulo.

- O que está fazendo?! – perguntou indignado ao se deparar com a cena da cunhada remexendo na terra da morte. – Marinette! – era insano, ela estava insana, escavando aquilo com as próprias mãos.

- Vamos, me ajude! – a moça pediu entredentes, pelo esforço, enquanto usava as mãos para cavar.

Tinha certeza de que ele esteve ali. Quem mais violaria aquela cova? Era óbvio que havia algo ali para ela, para quê mais teria deixado a mensagem? Arregalou os olhos ao alcançar uma textura sólida.

- O que foi? – o loiro murmurou desconfiado, teve a impressão de ver madeira aparecendo por entre a areia úmida.

- Encontrei uma coisa. – e se esforçou para cavar mais rápido, rezando para não ser o que estava pensando.

Félix, lentamente, se ajoelhou do outro lado, julgando-a menos louca. Os dois escavavam agora. Aquela sim era a coisa mais doida que já fizera na vida, perguntava-se se Marinette costumava fazer aquele tipo de coisa normalmente ou se aquilo era apenas reação pelos acontecimentos de mais cedo. Talvez as duas hipóteses estivessem certas.

- Puta merda! – e agora conseguia ver melhor, era uma caixa, de grande porte. – Marinette...

- Apenas cave! – era impressão, ou ela estava no meio de um choro estrangulado?

Era um caixão, notavelmente, um caixão, superficialmente enterrado. Metros e metros acima da profundidade indicada para se enterrar alguém. Estava se sentindo um arqueólogo, principalmente quando encontrou o cadeado de fechadura estranha que vedava o enorme caixote.

- Olha. – falou ao exibi-lo.

Marinette ergueu o rosto, completamente sujo de terra, e cerrou as pálpebras para a fechadura de três pontos afastados. Praticamente saltou sobre o achado, em um sobressalto trêmulo, até estar quase em cima de Félix.

- Jesus Cristo. – sussurrou chocada, levando a mão ao colo, primeiro tateou Tikki, pedindo desculpas com o olhar por machuca-la, e depois alcançou o enorme pingente que carregava no colar improvisado desde o dia anterior.

Esteve errada aquele tempo todo, pensava que a chave era do Mestre Fu, deixada para ela, mas agora essa ideia parecia absurda diante do que raciocinava. Afinal, quem consegue morrer queimado e manter metal preso na mucosa oral sem que ela se funda ao organismo? Nem mesmo o mestre seria capaz. Não, a chave foi plantada dentro do corpo já morto. E somente agora ela entendia.

- Onde conseguiu isso?! – o loiro ergueu as sobrancelhas ao vê-la encaixar uma chave estranha no cadeado. – Tirou isso do sutiã! Quem é você? O Máscara?! – expôs a incredulidade.

- Nem queira saber! – respondeu sibilante ao abrir a trava. – Vamos, me ajude com a tampa.

Juntos, os dois abriram o caixão, e também berraram juntos logo em seguida.

- É a...? – Marinette começou, mas a voz morreu na garganta.

Félix ainda tinha os olhos arregalados quando assentiu. – Santo Deus. – murmurou descrente e apático. – Não pode ser.

Marinette teria tentado consola-lo, se ele não tivesse curvado o corpo para vomitar. Por isso, apenas arriscou passos vacilantes para o caixão improvisado, aquilo mais se assemelhava a um caixote gigante do que a um guardador de defuntos. Fitou o corpo demoradamente, era a segunda morte que via em dois dias, seu cérebro não tinha estrutura para aquilo.

Nathalie estava ali, sem os óculos, cabelos soltos, e a mecha vermelha ainda no mesmo lugar. As roupas pretas como se ela estivesse apenas dormindo no meio da pausa do trabalho.

Podia ouvir o vômito de Félix quando checou o pulso da antiga funcionária de Gabriel, nada. Morta.

- Espera aí. – falou mais para si mesma do que para o cunhado. A cabeça chacoalhando por dentro. – Gabriel. – disse em um fio de voz. – Félix, quem est... – iniciou a pergunta, girando nos calcanhares, quando sentiu.

Um baque duro e forte explodindo em sua têmpora. O som metálico ecoando pelo ambiente.

Marinette cambaleou desorientada, mal sentindo quando despencou. Não demorou muito e já tinha o pescoço pressionado por um cabo de madeira grosso e pesado. Sentia alguém sobre si, asfixiando-a com brutalidade, enquanto o ambiente todo girava.

- Marinette! – a voz de Félix ecoava distante, ele parecia estar se esforçando com algo. – Hei! Ouch!

- Ti... Ti... – tentava falar, mas nada além de rouquidão e ofego escapava de sua garganta sufocada. Usava as duas mãos para diminuir a força que o inimigo empregava no cabo, mesmo assim morreria em questão de tempo. – Tikki! – chamou no auge da vontade pela vida, as cordas vocais praticamente explodindo. – Transformar!

E sua kwami foi rápida em interceder naquele momento. Bastou um piscar de olhos e ela já podia ver o traje vermelho da Ladybug cobrindo as mãos que freavam o cabo. A visão voltou ao normal, era Tikki agindo dentro de si. Cerrou as pálpebras por trás da máscara ao encarar o oponente, um homem de cabeça coberta por uma meia preta, certamente um clone.

Sentia a força do miraculous da joaninha agindo em seus músculos, um movimento para o lado foi suficiente para livrar-se daquela asfixia. Usou as pernas para prender o inimigo e golpeá-lo, e só conseguiu ter real noção do que acontecia depois de nocauteá-lo. Eram vários deles, uns oito ou nove, e quatro cercavam Félix, que já se debatia sem forças nos braços de um.

A aflição era tanta que seu cunhado nem ao menos notou a presença de Ladybug, ele só sabia se remexer e gritar na tentativa de escapar. Marinette chegou a dar três passos naquela direção, e três deles já se postavam à sua frente. Viu quando começaram a arrastar o Agreste, aquilo a apressou.

O primeiro foi fácil de derrubar, mas o segundo lhe rendeu um soco no queixo que a desequilibrou por alguns segundos. No terceiro, esquivou-se de um chute e carimbou o joelho na parte mais sensível de um homem. E logo tinha caminho livre para o cunhado, mas foi em vão, porque não havia mais ninguém por lá.

Girou nos calcanhares, pronta para extrair informações dos que jaziam no chão, mas já tinham canivetes lhes rasgando as gargantas. Okay, sua cota para corpos vistos subia para cinco em menos de dois dias. Estava agora no cemitério, com quatro pessoas mortas na superfície e somente ela de pé.

A cabeça zuniu no fundo do ouvido direito, uma tontura lhe causando náusea. Levou a mão à têmpora direita, sentindo-a pulsar dolorida, e não se surpreendeu ao identificar a textura do sangue quente que escorria de lá. Um dos malditos a acertara com alguma coisa. Puxou o celular, precisava contar que perdera Félix. E que em pouco tempo também estaria perdida, porque estava sentindo a consciência se esvaindo.

- Marinette! Cadê você?! Passei no seu apartamento e vi aquela...

- Adrien... – murmurou baixinho, mexer a boca lhe causava dor.

- O que houve?! Onde está?! – agora a voz dele estava preocupada e tensa.

- Félix... Pegaram... Cemitério. – balbuciou com os olhos pesando, mal sentiu quando os joelhos cederam. – Cemitério. – e teve a grama molhando a bochecha quando despencou de vez.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-==-=-=-=-=-

Kim tinha um olhar mortificado, segurando o próprio peito para checar se não estava tendo um delírio no meio de um coma ou coisa do tipo. Estava vendo Chat Noir e Ladybug ali, naquele quarto, a joaninha desacordada e com a cabeça sangrenta sobre a cama enquanto o gato trocava gritos com Chloé. Céus, sua namorada era amiga dos heróis e ele não fazia ideia.

A loira tinha as mãos unidas na frente da boca, sentada e debruçada sobre as próprias pernas, com os olhos azuis sem se desviarem da heroína desmaiada. Enquanto Chat perambulava inquieto com o celular grudado ao ouvido.

- É inútil! Eles simplesmente sumiram! – o gato humano reclamou no meio de um choro contido, parecia mais desesperado do que triste.

- Temos que ir procura-los. – Chloé declarou depois de momentos silenciosos em que o colega de trabalho tentava mais uma vez falar com o irmão.

- O quê?! – Kim se fez ouvir pela primeira vez.

Ficara calado desde que o Deus-nos-acuda começou. Estava tudo indo bem, jogava truco na cama com Chloé quando Chat Noir atravessou a janela com Ladybug em seus braços. Os vidros voaram por todo lado, uma gritaria começou, o sangue da joaninha pingava no carpete, o gato chorava descontrolado e Chloé berrava perguntas tão desesperadas quanto os gritos do rapaz de traje preto. Um perfeito inferno, se quer saber. E, claro, Kim saltou da cama, ignorando as próprias fraquezas, e cedeu total espaço para a heroína de Paris. Mas agora estavam falando de Chloé sair por aí com aquele cara transtornado em busca de Sabe-Deus-lá-quem!

- Preciso que fique aqui... – a loira pediu, ao que o namorado ergueu as sobrancelhas. – De olho nela.

- Enquanto você sai andando sem rumo por aí? – o jogador de futebol ironizou. – Nem pensar!

- Kim, por favor! – ela retrucou em um revirar de olhos, pouco antes de se aproximar e segura-lo pelo rosto. – Eu não demoro.

O homem negou. – Deixe que esses Super resolvam os problemas deles! – sibilou indignado, enviando um olhar nada contente para Chat Noir, que sentava ao lado de Ladybug.

A loira o encarou perdida, era notável a sua indecisão, mas, por fim, levou uma mão à base do pescoço dele. – Eu te amo. – murmurou embargada.

Kim franziu o cenho, ignorando o aperto que ela lhe empregava. – Eu tamb... – e os olhos se reviraram no momento em que perdeu a consciência.

Chloé o segurou para que não tombasse, e precisou chamar por Chat para que ele desviasse a concentração de Ladybug. Depositaram Kim na poltrona mais próxima e se encararam.

- Vou atrás do meu irmão. – informou incerto.

A loira franziu o cenho. – Como?

- Voltando ao cemitério, talvez encontre alguma coisa lá.

- E onde eu posso procurar por Carapaça e Rena?

Adrien deu de ombros. – Alya disse que voltaria à biblioteca.

E Bourgeois ergueu uma sobrancelha. – Ela foi à biblioteca e sumiu? Entrou em um livro, por acaso? – guinchou arisca. – É óbvio que ela não está lá!

- E como sabe disso? – o homem indagou ao vê-la chamar por Pollen.

Alguns segundos e Queen Bee se materializava ali. Fitou o colega por cima do ombro. – Já foi à uma biblioteca? É chato! Você não larga o celular quando está lá!

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=--=-=-=-=-=-=-=-=

Era difícil sustentar os olhos abertos, a pele do peito ardia e uma dor de cabeça dos diabos tornava tudo mais difícil. Como se não bastasse, o ambiente inteiro estava de cabeça para baixo e balançava em um vai e vem pendular e nauseante. A pressão ardida nos tornozelos denunciava as correntes que o seguravam pendurado pelos pés, nem precisou permanecer com as pálpebras abertas por muito tempo para entender.

Parecia ter assumido a forma de um pêndulo, e podia sentir o cabelo raspar no chão empoeirado e cheio de minúsculos pedregulhos. O primeiro pensamento foi achar que estava em algum tipo de pesadelo, mas as dores terríveis que o abatiam o traziam para aquela realidade podre e angustiante.

Abriu então os olhos, não demorou a notar que estava sem os óculos, pois precisou cerra-los para conseguir fitar a pessoa que se mantinha presa ao chão a poucos metros de si. O coração acelerou apertado, uma sensação de impotência e pânico o abateu. Estava diante de Alya Césaire, em sua forma mais vulnerável e civil, e podia vê-la com um olhar rendido e perdido, os membros esticados para conferi-la uma aparência de estrela. Um rastro de sangue saía da cabeleira escura, talvez aquele fosse o motivo do seu notável cansaço, era capaz de perceber tudo aquilo apenas por visualizar o perfil da cabeça inerte e amargurada dela.

- A... Alya. – chegou à triste conclusão de que deveria estar há muito tempo sem usar as cordas vocais.

A mulher não se mexeu, apenas fechou os olhos, deixando que densos rastros de lágrimas escorressem pelas pontas laterais das pálpebras. Aquilo o inquietou, algo que somente aumentou a frustração dos dois, visto que o máximo de efeito conseguido foi balançar amarrado e imobilizado na corda pendular. Alya ainda chorava sem economizar ofegos quando falou pela primeira vez.

- Era você. – sussurrou em um fio de voz, os músculos faciais contraídos em abatimento. – O tempo todo era você. – e ele franziu o cenho, sem entender aquelas lamentações. – Há quanto tempo sabia sobre mim? – ela virava o rosto para encara-lo por entre as lágrimas. – Quando descobriu, Nino? – insistiu sem esconder a lástima.

O rapaz ergueu as sobrancelhas, o estômago se embrulhou de imediato, e não era por causa do balanço. Só agora sentia falta do escudo que deveria estar carregando nas costas, não percebera a ausência da máscara em seu rosto. Céus, estava exposto, e diante dela. E chegara àquela situação da pior forma possível.

- Alya, eu... – balbuciou incapaz de formular uma frase inteligível.

- Não importa. – murmurou rouca e apática, passando a fitar o teto. – Estaremos mortos ao amanhecer mesmo.

Aquilo soou como um assombroso agouro, tão curto e dilacerante que causou arrepios nos dois. – Não vou deixar que nada te aconteça! – sibilou antes mesmo que conseguisse se conter, o corpo ainda se debatendo urgentemente.

A moça se limitou a rir irônica, era como se achasse a própria desgraça divertida. – Olhe em volta, Nino, já aconteceu.

O moreno tentou virar o rosto, mas uma dor ínfima no pescoço o impediu de realizar um movimento amplo. Tudo que conseguiu captar no meio daquelas penumbras não passou de escombros e ruínas, desconfiou de estarem em um local abandonado e há muito tempo destruído. Poderia afirmar estarem no tal Centro de Treinamento de Gabriel, se não o tivesse visitado previamente. Em resumo, não fazia ideia de onde se encontrava, apenas sabia que era um lugar abafado e quente o bastante para fazer o suor escorrer sofregamente até pingar das pontas de seus cabelos pendurados.

- Eles vão nos encontrar, Alya. – murmurou em uma luta interna para manter a esperança. – Não desista. – disse mesmo sem conseguir enxergar as amarras que a prendiam pelas articulações.

Agora, ela ria abertamente, no auge de sua crise sarcástica. – Você é sempre o último a cair na realidade.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

Marinette atacada, Félix sumido, Alya e Carapaça sem dar sinal de vida, três corpos e um caixão semiaberto muito acima dos sete palmos do chão no cemitério... Isso sem contar os eventos anteriores e recentes demais para se manterem bem frescos em sua memória embaralhada. O que vinha a seguir? A queda da Torre Eiffel?

Já podia ver a grama e as lápides distantes, era a segunda vez naquele dia em que tinha aquela vista aérea do cemitério. Deixou que o bastão derreasse para frente, impulsionando o corpo para saltar e retraí-lo antes da queda. Não sabia exatamente o que pensar mais fortemente, vez por outra a imagem de sua namorada inconsciente invadia suas preocupações pelo irmão. Sabia que algo acontecera com Félix, o GPS do celular não constava em lugar terrestre algum, e Nathalie não respondia suas mensagens. Era como correr por um beco escuro e sem saída.

Trotou pelo chão ao pousar sem muita delicadeza, sem cerimônia alguma para seguir até o ponto onde encontrara Ladybug desmaiada e sangrando. Estava tudo como antes, não que tivesse prestado muita atenção, seu cérebro anulou tudo que não era Marinette no momento em que a avistou. Só agora notava que todos os três corpos tinham as cabeças escondidas por meias de assalto. Apostaria toda a fortuna de sua família para afirmar que se tratavam de clones.

Fitou a grama, havia sangue e marcas de pegadas brutais, claros sinais de luta, e então avistou a lápide que contava com o caixão esquisito e semienterrado.

- Marie Anne. – leu murmurante, o cenho franzido ao assimilar o sobrenome. – Smith. – já tinha as sobrancelhas erguidas à essa altura.

O que diabos Marinette fora fazer no túmulo de sua avó? Será se ela tentou encontrar Félix por lá? O coração acelerou por encarar o caixão de aparência arcaica. Vacilou passos amedrontados na direção da cova escavada, temendo se arrepender daquela decisão. Engoliu em seco depois de ver o cadeado que jazia pendurado perto da trava, conhecia aquele objeto depois de ouvir o relato da namorada na noite passada.

Já conseguia ver parte do assoalho do caixote gigante, a pequena abertura da tampa entreaberta lhe dava uma visão limitada do corpo que havia ali. Sentiu as entranhas se revirarem em enjoo, era uma pessoa que jazia ali, morta, sem vida alguma, assassinada por aquele maldito. O coração chegava a querer saltar pela boca só de imaginar inúmeras variáveis para a identidade daquele defunto. Praticamente chutou a tampa, ansioso e apavorado demais para se demorar naquela ansiedade corrosiva.

Sabe a sensação de estar caindo em queda livre? Sem qualquer coisa onde se amparar, simplesmente abandonado e solto no vácuo, com todas as vísceras subindo e se revirando dentro de si.

Era isso que sentia diante do rosto pálido e sem vida de Nathalie. Perdeu a sensibilidade das extremidades por alguns segundos, passou a suar frio. Era terrível acreditar em tal realidade. Estava simplesmente encarando o corpo da mulher que praticamente o criou, que cuidou de toda a sua educação, a única pessoa que o acompanhara desde o início e sem qualquer interrupção.

Os joelhos cederam, de repente não conseguia sustentar o próprio peso, e tombou sentado na grama. Sua máscara já molhava pelas lágrimas. Qual o sentido daquilo? Por que? Era só isso que queria entender, ao menos. O que Elliot ganhava com tudo aquilo? Elliot... Smith... Bem como sua avó. E era assim que seu cérebro fritava em questão de milésimos. Balançou a cabeça, inquieto, perturbado, confuso, perdido, amedrontado.

Era doloroso fita-la. Seus olhos ardiam, sua garganta contava com um enorme bolo. Estava em choque, desesperado por uma saída que o tirasse daquele inferno mental que era assimilar a perda de Nathalie. Vagou o olhar por todo o corpo dela, reconhecendo as costumeiras roupas formais e pretas, mas estranhando o pedaço branco que sobressaía do bolso peitoral.

Enrugou a testa, Nathalie não tinha o costume de carregar nada nos bolsos do terninho. Olhou ao redor, incrédulo das próprias suspeitas, precisava ter certeza. Fungou com as costas da mão tirando o excesso de coriza do nariz congestionado, e curvou o tronco para se debruçar sobre o caixão. Esticou as garras do uniforme e apanhou o aparente bilhete cuidadosamente.

Leu, no auge de seu luto, a mensagem que brilhava em preto vivo ali. Definitivamente, era como se tudo ao seu redor estivesse desmoronando, e ele incapaz de salvar nem mesmo uma pulga. Levou as mãos à cabeça, os olhos arregalados, imóvel e catatônico. O papelzinho foi ao chão, virado para cima, deixando-se exposto o bastante para que até mesmo a lua previamente à postos pudesse lê-lo.

“O jogo é simples, querida: o garotão pela caixa.”.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-==-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

Chloé jamais sentira tanta agitação naquelas antenas, encontrar o prédio das Césaire foi fácil, mais simples ainda foi desvendar qual o apartamento. Seu estômago caiu dentro das entranhas no momento em que vislumbrou a fumaça e o movimento dos bombeiros. Depois de ver toda a bagunça no apartamento que Alya e Marinette dividiam, não esperava boas coisas na residência da família da Rena, mas ver aquele pandemônio chocou até mesmo suas expectativas.

O que estava acontecendo, afinal? Parecia que tudo ao redor estava caindo em cima de suas cabeças. Como se não passassem de meras marionetes controladas pelo Fantasma, fadados a sobreviver no meio de uma chuva de catástrofes.

Planou devagar até alcançar o enorme buraco, os flashes do dia anterior na casa do Mestre Fu piscando intensamente na mente. Os bombeiros que finalizavam as últimas chamas a encararam, assustados.

A loira engoliu em seco, estava com medo de perguntar, mas sabia que precisava. – Corpos? – e uma onda de alívio correu nas veias ao vê-los negando com as cabeças. – O que houve aqui?

Os bombeiros se entreolharam. – Explosão de gás.

Clássico! Ele não podia ter sido mais criativo! Saiu dali ironizando mentalmente. Seja o que for que aconteceu ali, não havia vítimas, ao menos não ainda no apartamento. Precisou crispar a boca para conter o embrulho no estômago só de imaginar mais reféns na posse do Fantasma.

- Obrigada. – agradeceu em um fio de voz antes de sair voando como uma bala.

Direcionou-se à calçada, arrancando gritos esperançosos e eufóricos dos curiosos que assistiam tudo à distância. Geralmente parava para aproveitar daquele assédio, engrandecer a própria vaidade sempre foi vital, mas as angústias que enfrentava a impediam de viver normalmente, por isso apenas zarpou veloz para dentro do edifício.

As pessoas do balcão se assustaram com o borrão que invadia o prédio pela porta da frente, e se chocaram mais ainda ao encontrarem uma Queen Bee atordoada e urgente. A loira pousou com veemência e marchou diretamente ao primeiro recepcionista, agarrando-o pela gola para aproxima-lo de si.

- As imagens das câmeras. – bastou rosnar isso para que o homem trêmulo apontasse para a portinha atrás do balcão.

Chloé enviou um olhar duro para os outros funcionários e voou por cima do atendimento. Abriu a porta sem bater e encontrou dois policiais já checando aquilo.

- Espero não atrapalhar. – declarou, dessa vez mais contida, a última coisa que o esquadrão precisava era de mais um queimado pela polícia.

- Essa é uma investigação sigil... – um deles tentou argumentar, mas recebeu um forte soco no meio do rosto.

- Hei! – o outro já se erguia com a arma em punho, sobressaltado.

A loira virou os olhos, amaldiçoando a própria impaciência. – Você pode até tentar me acertar... – ameaçou entredentes levando as mãos à cintura. – Quer mesmo terminar como ele? – era óbvia a indecisão e o medo daquele oficial. – Sabe que não vou fazer mal a ninguém.

- Eu... Não posso... – o homem balbuciou ainda com a pistola tremendo entre os dedos, diante dos olhos revirados da heroína. – Recebemos ordens para v... – tudo bem, talvez ele se acalmasse depois de uma soneca, foi esse o pensamento que Chloé usou para esquecer a culpa de nocautear dois policiais em serviço.

Pulou por cima dos dois desmaiados e se debruçou para mais perto da tela. O horário das imagens constava o fim da tarde. Acelerou a velocidade, os olhos bem treinados captando tudo que passava rapidamente pelo vídeo, até que visse a passagem de quatro pessoas juntas. Rebobinou um pouco e então deu play na velocidade normal. Perdeu a fala que já não tinha.

Aquelas sem dúvida eram a mãe e as irmãs de Alya... Sim, as três sorridentes e cheias de bolsas como se estivessem saindo para as compras. Mas aquilo não o problema. O que lhe chamava atenção era o rosto do homem que as acompanhava, sem falar dos cabelos claros, mesmo que em formato diferente. Chloé tinha todos os músculos tensos e os olhos vidrados na tela, estava frígida e dormente, ainda reconhecendo aquele ser humano. Sim, lembraria mesmo que se passassem anos.

E quem esqueceria o rosto de alguém que se mata diante de si?

Era ele. Sim, estava claro. E Carapaça nunca esteve tão certo na vida. Queen Bee ainda estava petrificada quando as imagens avançaram para o momento em que o pequeno quarteto saía do enquadramento da recepção. Depois disso, ela se deixou sentar em uma das cadeiras, chocada.

A família de Alya saíra com um homem que teoricamente deveria estar morto. Morto e enterrado em Portugal, onde acontecera seu suicídio, para começo de conversa.

-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Uma dor lancinante pulsava e fazia toda a sua caixa craniana vibrar. Deus, era terrível. Precisou apertar as pálpebras para conseguir lidar com aquele incômodo, as mãos indo automaticamente até a cabeça, um movimento instintivo e puramente animal. Encontrou um tecido quente e enrijecido, aparentemente uma compressa, e levou um demorado tempo até ser capaz de abrir os olhos.

Sua primeira visão foi um dorsel cor de rosa e um ambiente imerso em penumbra. Ergueu o tronco lentamente, respeitando os tremeliques dos próprios músculos, e ofegou ao reconhecer a mobília de Chloé. Pior ainda foi ver o corpo estatelado no carpete dela.

- Kim! – murmurou sobressaltada, saindo da cama mais rápido do que o aconselhável.

Precisou fechar os olhos por um instante, o necessário para se recuperar da vertigem, e se apoiar no móvel mais próximo. Só depois se encaminhou, dessa vez mais calmamente, ao rapaz que ressonava no chão. Ajoelhou-se cuidadosa para checar a pulsação e respirou aliviada por constatar que ele estava vivo e aparentemente bem.

Só então pôde analisar melhor o quarto. Uma sensação de esquecimento estava deixando-a nervosa, sentia que estava perdendo alguma coisa, que não deveria estar ali. Na verdade, nem sabia como fora parar lá. Sentou-se de bunda, atordoada, puxando na memória as últimas coisas que restavam vivas nas lembranças. Como, exatamente, conseguira chegar naquele quarto se estava com Félix no apartam...

- Meu Deus. – sussurrou com os olhos úmidos, as mãos automáticas indo à boca.

É claro! O cemitério, Félix, os clones, Nathalie! Eram flashes relâmpagos bombardeando seu cérebro. Lembrava agora, ligara para Adrien. Provavelmente ele a deixara por lá e...

- Félix! – esganiçou em um fio de voz, urgente e nervosa.

Tentou se levantar, palpando os bolsos em busca dos celulares. Bufou frustrada ao se ver incomunicável... Exceto pelo... Sim, deveria agir à moda antiga. Levou a mão até o ioiô e o abriu, exibindo uma telinha que não via há muito tempo. Os céus eram testemunhas de como ela sentiu o peito vibrar de emoção ao ter a chamada atendida.

- Marinette! – a voz dele carregava um tom assustado e tenso.

- Adrien! – devolveu animada por vê-lo. – Onde você está? – indagou com o cenho franzido por perceber a correria na qual ele aparentava estar.

- Estou indo até você. – respondeu ofegante, pouco preocupado em fitar a câmera que o captava. – Quase chegando!

Não levou mais de dois minutos para que um borrão preto invadisse o quarto já escurecido. Marinette sentiu o coração acelerar acalentado apenas por notar a saúde física do namorado, e correu para abraça-lo. Sorriu aliviada ao ser amparada pelos braços de Chat Noir, mas a respiração descompassada dele a alarmou.

- Você está bem?! – ele disparou antes mesmo que ela fosse capaz de perguntar. A mulher assentiu atordoada, ignorando ainda os pulsos doloridos da cabeça. – Precisei voltar lá. Tentar entender o que estava acontecendo. – a pressa com a qual o loiro falava apenas deixava o ambiente mais tenso.

A moça ergueu as sobrancelhas por cima da máscara. – Estive lá com Félix e... Adrien! Félix! Ele...

- Já sei de tudo. – a cortou em uma vã tentativa de tentar acalma-la, as mãos rápidas em acarinha-la. – Preciso da sua ajuda. – despejou para a testa enrugada da namorada.

Marinette sentiu o coração quase explodindo no tórax, as lágrimas nos olhos dele só deixavam tudo pior. – Adrien...

- Pegaram ele. – aquela não era um informação comum, não era um comentário notícia que você fofoca para o amigo. Era um desabafo, o embargue do tom deixava tudo escancarado.

A mulher teve a visão turva por questão de milésimos, o cérebro se recusando a aceitar aquilo. – O quê? – guinchou inconformada.

O loiro baixou a cabeça, talvez tentando conter as próprias angústias. – Ele pegou o Félix, Marinette. – e exibiu um pequeno bilhete amassado.

Pela pouca distância dos dois, ela precisou rebaixar o rosto, indisposta a apanhar o papelzinho. Por fim, o pegou, temendo as palavras que lá encontraria. Sim, pois sabia que seriam palavras, visto que o Fantasma certamente deixaria sua mensagem. O maldito.

Leu aquilo com os neurônios ainda adormecidos, incapaz de pensar qualquer coisa crítica a respeito. Entendia o que Adrien queria dizer quando pedia ajuda, e não poderia culpa-lo. Afinal, você se deixaria perder o próprio irmão, inocente, por causa de um bem maior que você aceitou sem o consentimento dele?

- Adrien... – murmurou desamparada, a voz trêmula denunciando todo o seu dilema moral.

- Eu preciso da caixa.


Notas Finais


Sem previsão pro próximo capítulo, mores, por enquanto só garanto att MP e SAED nesse fim de semana.
As minhas aulas voltaram, por isso as incertezas
Enfim, obrigada a vc que vem acompanhando a história!
Bjim de luz nos coras de vcs! Até mais!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...