História The Prelude - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Adolescência, Amizade, Bts, Colegial, College Era, Conflitos, Escolar, Hoseok, Jimin, Jin, Jungkook, Love Yourself, Namjoon, Taehyung, Yoongi
Visualizações 10
Palavras 4.577
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Aviso: os nomes em negrito não são "pov's" e sim o relato do narrador sobre e o personagem com nome em negrito.

Capítulo 1 - Dezembro, ano 18


 

 

JUNGKOOK 

O garoto dá um suspiro melancólico com a visão de seu quarto. O cômodo estava vazio e sem vida, sem o que caracterizava como o quarto de um garoto passando pela típica fase da puberdade, sem o que o caracterizava como o quarto do seu (antigo) dono, sem seus pôsteres de filmes, bandas, séries e jogos preferidos, seus bonecos de live action que eram de seu pai quando mais novo, seus sapatos espalhados pelo chão, sua mesa bagunçada com seus desenhos no lado direito da cama desarrumada com suas roupas em cima e os preciosos HQ's e jogos que seu irmão mais velho deixou para ele na pequena estante em frente a cama. 

 

Não era mais o quarto de Jeon Jungkook, não era mais seu refúgio. 

 

Olhou atentamente o que tinha restado do seu esconderijo do mundo: um armário que ocupava quase que completamente a parede direita, vazio, em sua frente uma cama com um colchão sem lençóis, duas estantes vazias na parede ao lado da cama e uma janela sem cortinas.  

 

Suspirou entristecido, agora estava caindo a ficha de que iria se mudar. O dia em que soube da notícia fora um dia terrível e o que menos precisava era chegar em casa e ver sua mãe preparando caixas e mais caixas de papelão no meio da sala e pedindo-o para pegar algumas e guardar suas coisas. 

 

"Por que eu vou guardar minhas coisas nessas caixas?" perguntou desentendido. 

"Vamos nos mudar, Jeon, seu pai arranjou um emprego em Seul." ela parou o que estava fazendo depois que viu que o garoto não saia do lugar. "Você sabe que seu pai precisava de um emprego novo e ele conseguiu, agora vamos nos mudar em algumas semanas. Agora, pegue algumas caixas e comece a separar suas coisas, depois desça para jantar."  

 

Jungkook lembrou da raiva, confusão e indignação que sentiu na hora, tudo ao mesmo tempo depois que ouviu aquilo e que sentiu vontade de chorar, mas se segurou para não falar nada que gerasse briga. Queria ter respondido, mas aqueles sentimentos misturados não permitiram pensar em algo. 

 

Jungkook foi tirado da lembrança quando ouviu a voz de sua mãe chamando do primeiro andar. Respondeu com um "Já ‘tô descendo, mãe!" enquanto fechava a porta. Pegou a mochila preta que estava jogada ao lado da porta junto com sua touca e luvas, colocou a alça da mochila no ombro direito e segurou os acessórios de frio na mão esquerda e então caminhou para o final do corredor descendo as escadas. 

 

Assim que colocou os pés no último degrau, viu o irmão postiço passar com uma caixa média de papelão nas mãos e seguiu-o com o olhar até vê-lo passar pela porta da frente e ir para o carro. Sua mãe estava na varanda falando ao telefone e acenando o chamando para fora.  

 

Respirou fundo, ajeitou o casaco grosso que usava, colocando sua touca e luvas, estavam no meio do inverno, mas particularmente hoje desde que começou a estação o clima estava mais frio que o normal para o mês de dezembro.  

 

— É, vamos lá. Um lugar novo me espera. - sussurrou sozinho — E acho que uma vida também... só espero que seja melhor que essa. 

 

Jungkook caminhou até a porta da frente, passou por sua mãe na varanda e seguiu até o carro preto se preparando entrar, mas parou para observar a casa uma última vez antes de abrir a porta traseira direita.  

 

Queria que não fosse verdade, sua vontade era ficar em sua casa, queria ficar e esperar seu irmão voltar — mesmo que no fundo sentisse que este não voltaria mais —, queria cuidar do lugar que mais o confortava mesmo tendo momentos ruins ali depois que cresceu ainda se apegava as lembranças boas. Não era qualquer casa e sua mãe estava simplesmente esquecendo do quanto ela era importante para eles.  

 

Tinha lembranças da infância em cada canto dela, da época em que realmente eram uma família de verdade, seu irmão, ele e seus pais. Sentia tantas saudades de seu pai, não lembrava quase nada de como o homem se parecia, mas lembrava de com ele cuidava e dava carinho e atenção para os filhos. Ele sentia tanta falta dele, se sentia sozinho e solitário e a única coisa que o ajudava a esquecer essa solidão eram as lembranças do pai e daquela época. Eram lembranças vagas, mas as vezes eram seu único refúgio quando sentia falta de uma presença paterna. 

 

Sentiu a brisa fria de inverno no rosto, balançou a cabeça levemente para afastar pensamentos triste e entrou no veículo. 

 

Logo, Jo Sejoon tomou o lugar do motorista e o banco ao lado foi ocupado pela senhora Jo Jaesook. Os dois tinham expressões cansadas, as coisas tinham ficado difíceis para a família durante o ano e a saída que encontraram fora aceitar a mudança para Seoul. 

 

— Vamos, Taekwon! Temos que sair daqui antes das 11 horas — o pai falou pela janela. 

 

Taekwon logo ocupou o lugar ao lado de Jungkook. O irmão postiço de Jungkook era alguns meses mais velho que ele e era muito parecido com o pai, tanto na aparência como em personalidade. Aparentava ser quieto e calmo, mas seu comportamento era completamente o oposto da aparência e isso rendia dores de cabeça na escola e com vizinhos. 

 

Junghyuk, o irmão biológico mais velho de Jungkook, já tinha saído de casa faziam dois anos e ele não o viu depois que o mais velho se despediu enquanto estava meio acordado em sua cama e saiu porta a fora numa madrugada chuvosa. O mais novo se sentiu traído e abandonado, seu irmão o largou naquela casa para lidar sozinho com o padastro. Tentava não se magoar demais com aquilo e tentava lembrar da promessa que o mais velho lhe tinha feito. 

 

Assim que teve certeza que todos estavam acomodados, Sejoon deu a partida no carro.  

 

O início da viagem foi barulhento, Taekwon falava alto e ria do desenho que passava no celular da mãe em suas mãos, Jaesook tentava o acalmar e Sejoon se concentrava no trânsito. Jungkook estava calado como sempre, seus fones num volume razoável e de olhos fechados tentando se concentrar, mas carro foi silenciando na medida que o sono tomava conta do outro ao seu lado. 

 

Nada muito diferente ocorreu e a família chegou em Seul depois de 4 horas de viagem já quase no final da tarde devido ao trânsito.  

 

 

YOONGI 

A sala de estar era relativamente apertada e pequena, tinha um sofá de dois lugares e uma estante em frente com uma TV um pouco antiga. Poderia ser considerada uma sala comum como qualquer outra, mas se destacava por um detalhe: um piano vertical clássico de madeira marrom polida no canto da parede em frente a porta de entrada do lado do sofá, não era novo mas era bem cuidado pelo dono.  

 

Desde de que Yoongi e seu pai se mudaram para Seul, o garoto pegou o costume de ir a loja de antiguidades que ficava no caminho entre a escola e sua casa para admirar o pequeno piano armário depois das aulas e o dono do local, depois de descobrir o talento do garoto, sempre o deixava tocar um pouco e passar o tempo ali. Até que um dia o homem perguntou se ele não gostaria de trabalhar ali para pagar o piano, obviamente isso empolgou o mais novo que aceitou a proposta prontamente.  

 

Demorou alguns meses para Yoongi conseguir juntar dinheiro o suficiente para pagar o preço do piano com o trabalho de meio período, o senhor fez um preço mais baixo em comparação a média de preço, porque gostava do menino novo da cidade e queria ver mais vezes o sorriso contagiante dele. Levou-o para casa na caminhonete do chefe o caminho todo e lá estava ele no canto da sala dando um ar diferente na arrumação simples do cômodo. 

 

Aquele dia Yoongi manteve uma expressão leve no rosto, era uma expressão que quem conhecia o menino ficaria espantado de vê-la pois ele era fechado demais, era raro até mesmo sorrir verdadeiramente. O que causou isso não foi apenas aquele piano velho e sim o que tinha por trás dele.  

 

O piano antigo e não tinha valor monetário nenhum, porém para o garoto valia muito, era um valor emocional, pois lembrava-o de sua mãe. Sempre que o tocava ou pensava em tocar, vinha em sua memória sua mãe ensinando-o a tocar de modo paciente quando era pequeno e ainda não conseguia nem andar direito, fora acostumado desde sempre a ouvir notas musicais tocadas pela mãe em seu piano tão divinamente.    

 

 Agora aquela era uma lembrança quase apagada de sua memória e, se não fosse as fotos da mulher que guardava escondido, o rosto dela também o seria para si.   

 

O garoto de cabelos pretos um pouco maiores que o normal está sentado no banco a frente das teclas de seu piano armário com uma postura caída e com a cabeça baixa encarando um objeto na sua mão direita aberta em sua frente.  

 

Respirou fundo, fechou a mão, colocou o que segurava no bolso de seu casaco preto e ajeitou a postura fazendo com que seu rosto pálido escondido pela franja aparecesse. Pousou as mãos em cima da teclas brancas. 

 

 O som de uma das teclas soa pela sala vazia e pouco iluminada. E, logo, o som de uma música é ouvida e ecoa pelo cômodo com uma melodia suave e um pouco melancólica. 

 

 

NAMJOON 

O trailer estava quente devido ao aquecedor e Namjoon agradecia por tê-lo já que o frio cada dia que passava ficava mais rigoroso. Para compra-lo lhe custou parte de suas economias e um trabalho de meio período durante as férias, não reclamaria já que estava terminando de pagar e suas economias seriam restauradas, além de ter como se distrair de ficar sozinho no pequeno trailer. 

 

Respirou fundo e pegou seu cachecol junto com suas luvas e touca, teria mais uma tarde de trabalho e não queria se atrasar. Conferiu a bolsa uma última vez e saiu sentindo o vento frio em seu rosto. 

 

Começou a caminhar calmamente, indo para o ponto de ônibus que logo chegou e Namjoon entrou. Sentou perto da porta de saída para facilitar na hora de descer. Olhou pela janela e observou o contraste ao seu redor mudar gradativamente, de um local antigo e pouco movimentado para outro moderno e movimentado, cheio de lojas e prédios. 

 

Chegando em seu ponto, desceu e atravessou a avenida indo para o outro lado, começando a caminhar pela calçada enquanto desviava de pessoas apressadas indo e vindo. Dezembro era um mês agitado demais e Namjoon não gostava disso, adultos pareciam esquecer da vida de verdade e só focar em trabalho, era frustrante. 

 

Passou por uma loja de brinquedos cheia de criança e pais e, logo ao lado, seu destino: a loja de doces colorida que chamava atenção de quem quer que passasse. Era um loja nova que abriu a pouco tempo, era pequena comparada a outras mais conhecidas, mas seus doces tinham algo que conquistava os clientes, logo se tornaria uma loja conhecida.  

 

Por sorte, Namjoon conseguiu ser contratado. 

 

Entrou, acenou para a garota do caixa que também estava trabalhando no período de férias e foi para a área dos funcionários nos fundos. Vestiu seu uniforme e saiu.  

 

Seu trabalho era cuidar da organização das prateleira e ajudar os clientes se precisassem e, como estava vazio, decidiu ir repor a mercadoria em algumas prateleira. O garoto secretamente admitia gostava de organizar os doces, era como um exercício para si, ficou ali até terminar aquela prateleira.  

 

Quando se levantou com uma caixa nos braços para ir até a estante seguinte, um figura do lado de fora o chamou atenção. 

 

Viu um garoto completamente agasalhado parado em frente a vitrine, Namjoon achou engraçada a expressão surpresa do outro, seus olhos maravilhados com as cores que via e sua boca aberta.  

 

— Ei, Kim Namjoon, me ajuda aqui, por favor. — sua atenção saiu do garoto para a menina do caixa que estava atrapalhada com as compras que passava. 

 

Seria um longo dia e Namjoon desejava que passasse rápido mas ao mesmo tempo bem e sem problemas. 

 

 

JIMIN 

Sempre era a mesma coisa, as mesmas paredes e móveis monótonos típicos de quartos de hospital, tudo organizado e limpo demais, silencioso demais. O garoto não aguentava mais, estava farto daquele lugar mesmo que tivesse ficado pouco dessa vez, queria ir embora. 

 

Quase comemorou quando o médico lhe deu alta, finalmente iria ficar livre. Levantou da cama sendo ajudado por um enfermeira e saiu apressado para o banheiro para se trocar. Sua mãe não poderia leva-lo já que estava trabalhando então Jimin teria que ir sozinho para casa, mas ele não se importava pelo contrário estava aliviado por ter um tempo sozinho. 

 

Pegou sua mochila e saiu do quarto indo na direção do elevador no fim do corredor extenso, viu que o elevador já estava chegando no andar e se concentrou em ir rápido para não ter que esperar a caixa de aço voltar. Estava tão distraído na caminhada que não notou um garoto mais alto vindo na sua direção pelo corredor na sua esquerda o que resultou em um esbarrar que quase derrubou os dois.  

 

Mesmo levando um susto na hora, Jimin tratou de ajeitar a postura e pedir desculpas sem olhar para o rosto do outro garoto, este que aceitou e também pediu desculpas. Jimin não deu tempo para o outro iniciar uma conversa ou qualquer coisa pois notou que iria perder o elevador então correu acenando para a mulher lá dentro para que segurasse a porta, conseguindo chegar antes que a porta fechasse. 

 

O garoto estava impaciente, queria logo sair do prédio então ficou impaciente dentro da cabina fazendo a mulher ao seu lado o olhar de soslaio. Jimin disfarçou e se encostou na parede oposta soltando o ar. Não adiantava querer que tudo andasse rápido só para ter mais minutos do lado de fora se iria voltar para aquele lugar novamente. 

 

Saiu a passos largos assim que as portas abriram e passou pela recepção de cabeça baixa tentando não ser notado.  

 

Passou pelas grandes portas duplas do hospital e olhou para a vista a sua frente, o estacionamento estava com alguns carros e o branco da neve cobria tudo pela rua. Desceu os degraus de entrada, passando apressado pelos carros, indo direto para a rua. Iria a pé, não tinha idade para dirigir e mesmo se tivesse com certeza sua mãe não o deixaria dirigir seu precioso carro.  

 

Assim que chegou na portaria que dividia o lado de dentro do hospital com a rua, olhou para o céu nublado e fechou os olhos sorrindo levemente. 

 

Inverno era sua estação favorita e nada mudaria isso.  

 

Andou calmamente pelas ruas observando tudo o que podia até os pequenos detalhes, queria aproveitar a vista do lado de fora. Era final dezembro, então não tinha que se preocupar com a escola e nem em chegar cedo em casa já que a mãe sempre voltava tarde do trabalho. 

 

Parou em frente a uma loja de doces, era uma loja chamativa por ser muito colorida e enfeitada como uma loja mágica. Sua boca abriu em um formato de "o" enquanto chegava mais perto do vidro e observava os detalhes, estava encantado com aquela explosão de cores em meio a chocolates e doces.  

 

Sua admiração pela vitrine foi cortada com seu celular vibrando. Endireitou a postura e tirou o celular no bolso direito da calça, sorriu levemente assim que olhou a tela para conferir quem era. Atendeu a chamada e voltou o olhar para a vitrine. 

 

— Jimin? Está tudo bem? — assim que notou a voz preocupada do amigo do outro lado da linha rapidamente o sorriso do moreno sumiu dando lugar a uma expressão triste, mas continuou em silêncio. — Desculpe pelas ligações e mensagens... é que eu fiquei preocupado, você sumiu e não deu notícias. 

 

Hoseok tinha um tom nervoso e ansioso, ele realmente estava preocupado e Jimin percebeu isso.  

 

— Desculpe hyung, eu... — ele sabia o que poderia dizer, mas não tinha coragem de falar. E, ali, na hora, não conseguia pensar numa explicação. Tinha medo de como o mais velho iria reagir se soubesse. — eu... 

 

Tinha esquecido completamente de deixar uma mensagem para Hoseok. Se sentiu culpado por deixar alguém que se importava tanto preocupado, mas não era como se pudesse ter feito alguma coisa pois enquanto estava internado não pode pegar seu celular. 

 

— Não precisa explicar se não quiser, Jimin. Só quero saber se está bem.  

 

Jimin quis chorar ao ouvir a voz calma do amigo, quis agradecer por não força-lo a dizer alguma coisa.  

 

— Eu estou bem, Hoseok hyung. Não se preocupe.  

 

O outro apenas soltou o ar e respondeu que estava mais tranquilo de ouvir isso, mas logo mudou o assunto falando sobre as aulas de dança da semana que o mais novo perdeu o que foi um alívio para Jimin que não queria lembrar da semana naquele hospital. 

 

Para Jimin, Hoseok entrou em sua vida de paraquedas e sem ele se dar conta se tornou parte dela, amizade entre os dois fora algo que Jimin nem imaginava e surgiu de uma maneira inesperada.  

 

Era início de março, volta as aulas, o primeiro dia do ano letivo e Jimin estava no corredor em frente a entrada de sua sala de aula quieto no canto vendo os outros alunos passarem pela porta conversando e se cumprimentando felizes enquanto contavam as novidades. O garoto não tinha coragem de entrar e puxar assunto com ninguém, se sentia estranho e deslocado então apenas observando.  

 

O moreno tinha acabado de se mudar para Seul, não conhecia e queria que continuasse assim. Seu plano passar o Ensino Secundário despercebido, invisível, mas não esperava que alguém chegasse perto de si e puxasse papo de maneira descontraída e muito menos que resolvesse o acompanhar até em casa usando o caminho mais longo demorando duas horas a pé. Hoseok surpreendeu Jimin com seu sorriso gentil e conversa boa, desarmou completamente a barreira que Jimin ergueu e se tornou em pouco tempo seu único e melhor amigo. 

 

Terminou a ligação combinando de irem ensaiar durante o final de semana, olhou rapidamente a barra de notificações e franziu a testa, estava lotada de chamadas perdidas e mensagens apenas de Hoseok . Se sentiu feliz ao notar que não era da boca pra fora o que o outro dizia, ele notou seu sumiço e o procurou. 

 

Jimin olhou novamente para a loja de doces e achou que a visão combinava com Hoseok, alegre e divertida, para alguns só de olhar deixava feliz, mas quando se conhecia se sentiria não só feliz como também seria quente e confortável. Era assim que Hoseok era, um amigo de ouro.   

 

 

HOSEOK 

A silhueta se movia exatamente com o ritmo, era quase hipnotizante a forma como o corpo de Hoseok acompanhava a música que tocava no pequeno aparelho de som no canto daquela sala de dança escura dentro de um prédio antigo e inacabado que ficava perto da escola.  

 

O lugar seria uma escola de dança mas, por algum motivo, a construção foi abandonada na etapa final. Provavelmente o prédio foi deixado de lado por causa da localização que era considerada ruim para comércios já que a movimentação era fraca por causa daquela parte do bairro era considerada perigosa com índices de crimes e violência relativamente altos para um bairro como aquele. 

 

Porém, para Hoseok tinha sido um achado pois a sala era o único lugar em que ele conseguia dançar sem ser interrompido ou ter problemas. Dançar era a única coisa que o ajudava lidar com seus problemas e consigo mesmo, se sentia bem e feliz, por isso tirava todo seu tempo livre disponível depois da escola e do trabalho para praticar e se manter longe de tudo de ruim que o rodeava, ele podia se sentir ele mesmo.  

 

Como era final de dezembro e estava férias, só tinha que se preocupar com o trabalho durante a semana na parte da manhã e as aulas de dança durante a tarde. Seu trabalho era exatamente para pagar as aulas de dança, Hoseok queria investir em seus sonhos e não mediria esforços para isso, estava determinado a sair daquele lugar onde morava e realizá-los. 

 

A música parou e junto com ela os passos e movimentos de Hoseok. O garoto encarou seu reflexo no espelho, seu estado depois de uma tarde ensaiando com pausas apenas para tomar água definitivamente não seria o dos melhores.  

 

Seu corpo parado estava completamente suado e cansado, mas sua respiração e batimentos do coração acelerados o davam uma sensação boa. Ele se sentia bem. 

Ouviu o celular apitar indicando uma nova mensagem o que tirou sua atenção do espelho e o fez caminhar até sua mochila para pegar o aparelho. 

 

"Jimin: Hyung, eu acabei de chegar em casa, estou bem, não se preocupe. Amanhã a gente se encontra no ponto de ônibus no mesmo horário para irmos pra aula de dança :P

 

Aquela carinha no final arrancou um meio sorriso de Hoseok, desde que conheceu Jimin percebeu que ele era tímido e calado, mas aos poucos vencia sua insegurança e se deixava mostrar um garoto doce e divertido. 

 

Quando se conheceram, Hoseok não tinha a intenção de fazer uma amizade forte, na verdade, só queria deixar o novato se sentir bem, ele sabia como era se sentir deslocado e ignorado, precisava ajudar. Só não esperava que se apegaria ao garoto de bochechas cheinhas em pouco tempo, sentia como se o outro cada vez mais tomava o posto de melhor amigo e irmão mais novo que ele nunca teve.  

 

Depois que viu a mensagem e respondeu percebeu  quão tarde era, se demorasse mais um pouco perderia o última ônibus para casa então decidiu tomar banho quando chegasse. Guardou o celular e o pequeno som na mochila grande, colocou-a nas costas rapidamente e se pôs a correr. 

 

Não podia perder o horário do toque de recolher ou ficaria de castigo. 

 

 

TAEHYUNG 

A menina de cabelo castanho comprido bateu na porta a sua frente esperando que seu irmão estivesse ali, iria passar o restante das férias na casa da avó e queria se despedir. Ouviu um resmungo baixo em resposta pedindo para ela entrar. 

 

— Taetae, posso falar com você? — disse colocando metade do corpo para dentro do quarto vendo o irmão deitado de barriga para cima na horizontal da cama com a cabeça pendurada para fora enquanto lia um mangá. 

 

Taehyung olhou para irmã e assim que viu a hesitação no olhar dela, parou o que estava largou o mangá e se sentou na cama. Deu um meio sorriso e bateu no espaço ao seu lado num pedido silencioso para a garota se sentar ali. 

 

Nana entrou no quarto e colocou a mochila azul que segurava encostada na parede ao lado da porta, se aproximou com passos lentos e se sentou ao lado do irmão. Taehyung percebeu que ela tentava falar e fechava a boca depois, não conseguia dizer a ela. 

 

— Fale, eu vou ouvir, não precisa ficar receosa, estou aqui pra você. — disse colocando sua mão direita no cabelo da mais nova fazendo carinho ali e a olhando calmamente. 

 

Ela respirou fundo e olhou nos olhos do mais velho. 

 

— Tae, você sabe que eu 'tô indo para a casa da vovó hoje e que só volto durante as aulas. Eu estou indo porque você e ela insistiram demais nisso, mas isso não me impede de me preocupar com você. — tirou a mão do irmão de sua cabeça e segurou entre suas mãos — Por favor, me prometa que vai se cuidar enquanto eu não estiver aqui, que vai comer e dormir na hora certa e principalmente que vai evitar o papai. Eu não quero que você fique doente ou se machuque, promete 'pra mim, por favor. 

 

Nana podia ter apenas 14 anos, mas já tinha maturidade o suficiente para entender o que se passava naquela casa e com o irmão. Mesmo que dissessem que tinham um responsável e o chamavam de pai, a realidade era que eram apenas os dois um para o outro. O relacionamento dos dois irmão era admirável, Taehyung cuidava e protegia a irmão e ela retribuía. 

 

Taehyung viu a apreensão da garota em seu olhar e em suas palavras, não gostava de vê-la daquela forma e com aqueles sentimentos então decidiu fazer sua vontade. 

 

— Eu prometo, tampinha, vou me cuidar e não vou aprontar. — encarou a irmã esticando o dedo mindinho para selar uma promessa e deu um sorriso largo enquanto a abraçava. — Mas também vou sentir sua falta. 

 

 

JIN 

O garoto moreno deu um suspiro de alívio assim que foi indicado que os passageiros poderiam sair de seus assentos e se dirigir para a saída do avião, passar várias horas dentro de um avião era exaustivo. Destravou o cinto de segurança e se levantou, seguindo o fluxo de pessoas até o local onde iriam pegar suas malas. 

 

Jin não estava prestando atenção em nada, estava alheio a tudo ao seu redor apenas seguindo de modo automático. Seus fones de ouvido tocavam uma música alta, mas nem mesmo nisso prestava atenção. 

Pegou sua mochila e mala de rodinhas assim que as viu passando pela esteira, logo depois caminhou de cabeça baixa e lentamente para o saguão do aeroporto. Sabia que um motorista estava esperando-o com uma placa escrita com seu nome e foi exatamente isso que viu assim que saiu pelo portão de desembarque.  

 

Chegou perto do motorista que desfez a expressão seria e lhe ofereceu um sorriso terno. O homem trabalhava para a família Kim a anos, viu Seokjin nascer e crescer, sabia o que o garoto passava e sofria por isso sempre tentava ser amigável. E para Jin o homem era o único daquela casa que o compreendia ou pelo menos tentava. 

 

Jin levantou a cabeça, olhou para o homem e sorriu de volta, mas mais pareceu uma careta desanimada que um sorriso de verdade. Abaixou a cabeça novamente, nem tentar retribuir um sorriso conseguiu. 

 

— Ei, garoto. — o homem o chamou,  

 

Jin continuou de cabeça baixa, então decidiu se abaixar um pouco para conseguir olhar o rosto do menino. 

 

— Sabe, eu acho que você não é o Seokjin que eu conheço — ajeitou a postura e colocou a mão no queixo em um gesto pensativo — Se bem me lembro, o garoto que eu procuro era mais ou menos desse tamanho, — esticou a mão para indicar — tinha bochechas gordinhas e usava óculos.  

 

Era óbvio que o homem estava brincando, tentando o animar. Ele estava se referindo a como Jin se parecia quando saiu da Coréia do Sul três anos atrás para ir morar na Austrália, tinha sido uma ideia de seu pai para que Jin se acostumasse com a filial da empresa que cuidaria até assumir o posto do pai. 

 

— Ya, é claro que sou eu. — O rapaz se fez de ofendido, mas logo riu junto com o mais velho e o abraçou — Senti sua falta, ahjussi. 

 

— Eu também, garoto, eu também. — se soltou do menino e segurou seus ombros olhando em seus olhos — Você cresceu demais, está se tornando um homem bonito. 

 

Jin agradeceu o elogio envergonhado, mas logo tentou mudar o assunto para que não se tornasse sentimental demais. Depois mais algumas palavras, se dirigiram para o estacionamento para entrarem no carro enquanto tinham uma conversa animada sobre como tinha sido a estada do mais novo no outro país.  

 

“Talvez voltar não tenha sido tão ruim assim" pensou Jin. 


Notas Finais


Espero que tenha gostado :)


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