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História The price of freedom - Capítulo 1


Escrita por: xGhostWriterx

Notas do Autor


Hey girls!

Eis-me aqui inventando moda de novo! haha
"The price of freedom" é um projetinho novo que surgiu na minha mente em um dia qualquer. Como a maioria de vocês sabem, eu gosto muito de escrever fics diferentes do habitual. Sei que vocês amam um mamão com açúcar, mas eu não resisto haha. Como uma mulher poliamorosa, estou sempre querendo escrever sob novas perspectivas, situações diferentes e temas pouco abordados/aceitos nesse nosso mundão.

Eu realmente não sei no que essa fic vai dar. Acho que é a primeira que eu, sinceramente, não sei como vai terminar. Por isso, a opinião de vocês ao longo da história será MUITO IMPORTANTE para o desenvolvimento dos acontecimentos. Eu vou considerar cada palpite e ler com muito carinho.

As que vão embarcar comigo nessa nova loucura, boa leitura!

SOBRE YOUNG LADY: Estou trabalhando no capítulo 5 e ele sai em breve. Alguns capítulos vão demorar mais do que outros, já que vai depender das mudanças em cada um. Mas tenham paciência comigo que tudo vai andar e está ficando bem legal!

SPOILER DE THE PRICE OF FREEDOM: Na one da Sarah e da Taylor (quem ainda não leu e tem interesse, dá uma olhadinha nas minhas fics, se chama "Crossing lines"), uma leitora pediu que eu fizesse uma one da Laura Prepon com a Cate blanchett. Bem, não vou garantir, mas pode ser que nessa aqui role um affair entre elas, ok? (É bem provável, na verdade hehe).

É isso! Beijinhos e até a próxima!

Capítulo 1 - The ring on the table


Fanfic / Fanfiction The price of freedom - Capítulo 1 - The ring on the table

Levanta, Laura!  

Vá a padaria, compre seus pães favoritos, converse com a atendente simpática que te enche de riso. Faz seu café favorito, senta na sua poltrona e lê um livro. Faz qualquer coisa que te tire desse limbo, dessa imensidão de sofrimento e vazio, antes que a escuridão dentro de você se torne tão densa que tome de vez o seu juízo.  

 

Apagou tudo, fechou o notebook e fez aquilo. Tão ruim quanto suas tentativas frustradas de escrever versos simples, havia sido sua noite.  

Andava pela rua molhada, o guarda-chuva sobre a cabeça aparando as poucas gotas de chuva que ainda caíam. Tentava tirar da mente a imagem de Taylor saindo por aquela porta - arrastando duas malas que tinham metade do seu tamanho - mas não conseguia. Ela estava ali, tatuada em sua memória, permanente, e ainda que fizesse poucas horas do ocorrido, ela sabia que jamais esqueceria aquela sensação. Aquele vazio. 

Nunca imaginou que Taylor a deixaria. 

Taylor era a sua pessoa. Pensavam muito parecido. Ainda se lembrava perfeitamente do dia em que haviam se conhecido, em um despretensioso churrasco na casa de sua amiga Sarah. Laura notou quase que de imediato, o riso engraçado, os fios de cabelo acompanhando a ventania que vinha da direção do mar, a forma divertida com que fazia drinks para todo mundo. Conversou com uma ou duas pessoas e descobriu que Taylor tinha namorada.  

Mas aquilo não era um problema. 

Laura, que nunca foi tímida, logo puxou assunto com a mulher. Conversaram sobre tudo um pouco. Livros, pandemia, família, até política. Riam conforme iam percebendo o quanto eram parecidas. Era engraçado, mas para Laura, era como se conhecesse aquela mulher a anos e aquele fosse um reencontro de amigas. Ao que parecia, Taylor se sentia igual. 

A noite foi caindo, seus amigos foram tomando seus rumos. Alguns foram embora, outros entraram no chalé de Sarah e se jogaram aonde encontravam espaço: uns nos sofás, outros nos quartos. As duas continuaram sentadas no chão da varanda, os risos se perdendo no ar fresco da noite, a cerveja entre elas, sendo compartilhada quando não devia.  

Conversa vai, conversa vem, e estavam se beijando, se perdendo nos braços uma da outra. Laura não conseguia acreditar naquela sincronia, naquela união perfeita de suas bocas. Sorria entre os beijos e de vez em quando parava para olhá-la como quem não acredita, sentindo uma alegria muito louca ao ver nos olhos da outra a mesma carga de sensações que fluíam nos seus, e então a beijava de novo, e Taylor sorria. 

Passava das quatro quando ela se lembrou de que ela era comprometida. 

— Te meti em algum problema? - perguntou, observando-a prender os cabelos. 

Taylor fez que não. 

— Relacionamento aberto – disse, despreocupada. 

— Garota de sorte, a sua – Laura riu e bebeu um gole de sua cerveja – a essa altura quente e esquecida. Taylor riu com a careta que ela fez. 

— Me dá isso aqui – pegou a long neck da mão de Laura e se levantou para trocá-la. — E você, tem alguém?  

— Não - respondeu, rindo. — Não acho que alguém um dia vá entender a minha forma de ser. 

Taylor se sentou ao lado dela, lhe entregando uma cerveja gelada. O sol já estava nascendo, desenhando faixas douradas e laranjas sobre o mar clarinho. 

— E qual seria sua forma de ser, Laura? - Taylor voltou a atenção para ela. Laura sorriu ainda mais ao perceber o quanto gostava de como seu nome soava em sua voz.  

— Algo parecido com o que você tem.  

— Hmm... - Taylor deu um gole em sua cerveja. — Sabe que isso se constrói, não é? 

— É? - Laura ergueu uma sobrancelha. — Eu já desisti. - Riu. 

— A Alicia não aceitava bem no início, até que conheceu uma garota por quem hoje é apaixonada – a olhou nos olhos. — Algumas pessoas só descobrem que é possível gostar de mais de uma pessoa quando acontece com elas.  

Laura assentiu, mal conseguindo acreditar em como pensavam parecido.  

— E como você se sente sobre isso? - testou. — Sobre ela ser apaixonada por outra pessoa? 

— Eu estaria mentindo se dissesse que não me senti um pouco insegura no início, mas hoje eu sei é possível amar cada pessoa de forma única - disse, segura. — Você tem irmãos? 

— Um irmão e duas irmãs. 

— Você os ama de forma igual? - Taylor deu um meio sorriso e Laura percebeu que ela gostava de pregar aquele tipo de peça. 

— Não - a surpreendeu, rindo ao ver a lição de moral preparada pela loira desmoronar. — São pessoas diferentes. Eu amo a cada um deles de forma diferente.  

Taylor balançou a cabeça, como quem não acredita no que está ouvindo. 

— O dia amanhecendo e você ainda consegue me surpreender – riu. — Você existe, garota? 

Laura caiu na risada. 

— Eu existo, sim – e entrelaçaram os dedos e a vidas. 

 

Um ano depois, se casaram. Muita coisa tinha mudado. Depois daquele churrasco, Laura e Taylor não deixaram de se falar por um só dia. Alicia não se importou no início, mas com a proximidade das duas aumentando – e também a intimidade –, a mulher começou a se incomodar. Questionava a Taylor o tempo todo sobre o que elas tinham, colocava empecilhos para que a namorada não fosse ao encontro da outra, até o dia em que disse abertamente a Taylor que queria que ela desse um fim aquele “relacionamento”. 

Taylor ficou em choque. 

Por um acaso ela já tinha pedido algum dia que ela deixasse de ver alguém? Mesmo a Carol? Questionou-a, ao que Alicia respondeu que era diferente, que ela não sentia por Carol o mesmo que sentia por ela, e Taylor disse que aquilo era óbvio, já que era impossível se sentir da mesma forma por duas pessoas diferentes, e pediu-a que por favor não a fizesse escolher entre ela e Laura, porque lhe doeria demais tomar tal decisão, e Alicia berrou "Pois então escolha!", e Taylor disse "Eu te amo muito, mas eu me escolho, Alicia. Eu escolho a liberdade de ser quem eu sou e de amar quem eu amo”. 

E Laura soube de tudo isso por ela, porque não escondiam nada uma da outra. 

E Laura a consolou por noites inteiras, enquanto Taylor sofria o fim do relacionamento de cinco anos e dizia entre lágrimas e risos amargurados que ninguém entenderia se as visse numa situação daquelas. Mas Laura entendia, e assegurou que estaria ao lado dela em qualquer circunstância. 

Brincavam, dizendo que se ninguém as entendesse nesse mundo, elas ainda teriam uma à outra. 

E assim foi, até o dia que Taylor a deixou por Alicia, o que era uma baita ironia. 

 

Saindo de seus devaneios, Laura cumprimentou Thalie, que não demorou a atender-lhe com um sorrisão.  

— Laura! - disse, animada. — O que vai ser hoje? - perguntou, mas já foi pegando os pães de que ela gostava. — Suas fotos estão um arraso, hein. Aquela da aurora boreal, onde tirou?  

Laura acabou sorrindo. Thalie, uma garota de cabelos castanhos, olhos cor de mel e voz suave, era uma das poucas pessoas que conseguia tirar um sorriso seu, não importa o quão ruim o seu dia estivesse sendo.  

— Em Fairbanks, no ano passado – disse. 

— Alaska? - embalou os pães em um saco de papel.  

— Isso.  

— Deve ser incrível! - Thalie se animou. 

— É bem bonito – Laura sorriu ainda mais. Adorava falar de seu trabalho, mas não estava conseguindo desenvolver um diálogo satisfatório. 

— Espero um dia conhecer essa cidadezinha. Dizem que é uma delícia e dá pra fazer umas fotos incríveis! 

— Eu volto lá no próximo fim de semana – Laura comentou, pegando seus pães e acertando o valor. — Quer vir comigo? 

Thalie travou, e só então Laura se deu conta do que havia acabado de fazer. 

— Quer dizer, me desculpe, eu... 

— Claro que eu quero! - A garota sorriu ainda mais. — Me fala seu número?  

Laura riu e passou o número para ela. Sabia que Thalie era estudante de fotografia e planejava se especializar em astrofotografia, assim como ela havia feito um dia. Apesar do convite impensado, oportunidades como aquelas eram raras, e Laura gostaria que tivessem feito o mesmo por ela quando ainda era uma aprendiz da área. 

 

A chuva desabou tão logo ela pôs os pés em casa; o martelar da água no telhado da varanda apertando ainda mais o seu peito. Afastar a dor se mostrava uma tarefa impossível. O silêncio era tão grande que a fazia querer gritar, só para ver se daquela forma ela conseguia afastar os pensamentos ruins, aqueles que insistiam em dizer que ela não viveria sem Taylor. 

Tentou se distrair por muito tempo em vão e o livro – Drácula, de Bram Stoker - acabou deixado de lado sobre a poltrona. Taylor estava em todos os lugares, em cada canto daquela casa. Na cor das paredes, na escolha dos móveis... Taylor estava em cada detalhe, mas não estava lá. 

Taylor também não estaria com ela em Fairbanks, como nos oito anos anteriores. Por isso – achava -, havia chamado Thalie para fazer-lhe companhia. Uma quase completa estranha. Riu um riso triste, que logo se transformou em lágrimas quando ela avistou a aliança de Taylor sobre a mesa de centro da sala. Sentou no sofá e deixou-se desabar. Precisava. 

O choro de Laura era doloroso, mas também transformador. Ela começava a entender o quanto era dependente de Taylor, do amor de Taylor. Durante aqueles oito anos de união e liberdade, Laura - que já tinha sido muito popular - deixou muito de si pelo caminho. Abdicou muito de si, tanto, ao ponto de não mais saber muito bem quem ela era. E aquele sentimento – o de não mais se conhecer – causava uma dor tão grande e a deixava perdida em um nível, que tudo o que ela conseguia fazer era transformar toda aquela confusão em lágrimas. Lágrimas de dor e alívio. 

O término não foi menos doloroso do que a noite passada em claro. Taylor tentava se explicar e se enrolava, os olhos marejados de angústia. Laura sentia que seu peito se apertava a cada tentativa da esposa de explicar o que ela já sabia: Taylor havia escolhido Alicia, mesmo depois de tudo o que viveram. 

— Tudo o que a gente viveu foi maravilhoso demais – Taylor disse. — Por favor, não esquece isso. 

Laura riu, amarga. A face um misto de incredulidade e dor. 

Por favor, para com isso – andou pela sala, sem rumo. — Não sou eu quem está te deixando. 

— Eu não quero que a gente fique mal, Lau. Não depois de tudo o que a gente viveu. Eu só quero que você fique bem. 

— Eu não estou bem, ok? - Laura a interrompeu. Apesar da fúria que sentia, seu tom de voz era, até onde era possível, calmo. — Não tem como ficar bem. Olha, eu já entendi. Alicia não está feliz com o nosso relacionamento, você a ama muito, quer ficar com ela. Ela não me aceita. Então vá em frente! - gesticulou. — Eu sabia que isso ia acontecer – murmurou de forma quase inaudível. 

— O que você disse?  

— Nada, Taylor – mas sabia que ela tinha entendido. 

— Laura – Taylor passou as mãos pelos olhos; também estava chorando. — Você sabe o quanto eu te amo, é só que... 

Porra, Taylor – Laura se sentou no sofá; agora estava realmente irritada. — Não torna isso mais difícil do que já está sendo, por favor. Só... vai embora logo. 

E Taylor foi, magoada, mas não mais do que Laura, que via uma parte de si deixar a aliança sobre a mesa de centro e cruzar a porta para não mais voltar. 


Notas Finais


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