História The Prom Queen - Capítulo 4


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Categorias TWICE
Personagens Chaeyoung, Mina
Tags Colegial, Girlxgirl, Kpop, Michaeng
Visualizações 126
Palavras 4.828
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oooooola
Nem vou comentar sobre a demora kkjkkkkkj
Mas compensei no tamanho :)

Gente, hoje é aniversário de debut das rainhas. 11 anos de snsd bbs
Só queria dizer que, snsd não é meu grupo utt mas eu gosto mto delas e ainda sofro com ot9, sofro tmb com taeny o shipp da nação. E elas merecem tudo que alcançaram nesses 11 anos, e eu desejo cada vez mais sucesso para todas, inclusive à Jessica.

Agora, de volta a fic.

Boa leitura.

Capítulo 4 - Improviso também é arte


Mina


Não foi difícil conseguir as informações, teve sim uma resistência por parte da dançarina, mas nada que eu não resolvesse. Son Chaeyoung, 17 anos (o que me leva a pensar que: ou ela faz aniversário no final do ano, ou adiantou um ano acadêmico). Coreana. Tem um irmão mais novo: JeongHoon. Trabalha meio período em uma lanchonete. Esta no grupo de artes do Colégio. E é meio geek. E, estranhamente, parece normal. Tipo, sem um porão com experiências loucas de alquimia. Tá, viajei, desculpa. Mas fala serio, ela é toda estranha, dá sim para pensar coisas absurdas assim.

Dever de casa feito. Agora tenho que dar um jeito de me aproximar. Não me mexi muito desde a conversa com a Morena -vulgo Momo-, continuei jogada na cadeira, mas dessa vez pensando numa forma de abordar a baixinha. Foi em meio as ideias que surgiam (nenhuma parecia boa o suficiente) que percebi a sombra da cortina se alongando pelo quarto. Está ficando tarde, tenho que agir logo. Conferi as horas no celular, que ainda tocava música, levantei num pulo, consequentemente empurrando a cadeira até a extremidade contraria. Quase cinco horas. Droga!

Hoje a escola teve aula em período integral, o último ano é parcial, três dias da semana estudamos até as 3 horas, nos outros estudamos apenas no período da manhã. Isso é por conta do vestibular, a escola acha melhor não nos sobrecarregar, sendo assim nos deixam estudar por conta própria, ou fazer atividade dos clubes. O tempo passou rápido desde que cheguei em casa, nem vi as horas passarem. Praticamente corri até o banheiro, resultando numa batida quase fatal entre meu mindinho e o pé da cama. E meu dia está cada vez melhor! Obrigado, universo!

Durante o banho, minhas músicas continuaram a tocar (sem o fone, óbvio), com a intenção de me ajudar a marcar o tempo. Sei que fazem isso também, todo mundo sabe que 4 músicas é o tempo médio para um banho. De qualquer forma, eu demorei 5, poxa começou wonderwall do Oasis, eu tinha que ouvir até o final.

Sai do banheiro sentindo um arrepio pela mudança de temperatura. Vesti uma lingerie casual e comecei a escolher minha roupa enquanto meu cabelo secava na toalha. Sim, eu sei que posso ser ignorada de novo, mas pelo menos o motivo não vai ser minha aparência, e sim doideira dela. Eu hein, quem em sã consciência me ignoraria?! Não exagerei nas roupas, optei por algo casual; uma calça jeans preta com rasga discretos na coxa e no joelho, uma blusa branca simples e um pouco larga, e um tênis branco qualquer. Tirei a toalha do meu cabelo e conferi seu estado no espelho. Não tá ruim, tá como sempre. Eu poderia terminar de seca-lo com o secador mas depois de conferir as horas decido não enrolar mais.

Peguei meus fones em cima da cama, juntamente com a toalha molhada (não gosto de dar trabalho para as empregadas, e gosto da minha cama seca) e a pendurei no banheiro. Passei os fones por dentro da blusa e os deixei pendurado na gola. Eu provavelmente nem vou usa-los, mas eles estão sempre comigo como uma rota de escape, caso necessário. Conferi mais uma vez meu cabelo e roupas e sai do quarto a tempo de ver, pela porta do seu quarto (que é quase em frente ao meu), Somi entrando pela janela com um pouco de dificuldade. Corri até lá, não esquecendo de fechar a porta para evitar testemunhas.

– Mamãe tá na cozinha? – perguntei enquanto a ajudava subir.

– Não sei. – respondeu com dificuldade enquanto se sentava no parapeito logo pulando para dentro – valeu.

– E por que não entrou pelos fundos? – suspirei. Ela é louca.

– E correr o risco de encontrar os coroas? – perguntou retoricamente – Não, valeu. Sem falar que por aqui é bem mais emocionante.

– Idiota. – ri um pouco. A verdade é que ela ta numa fase rebelde e faz de tudo para contrariar nossos pais, principalmente o Matthew. – Da última vez, você quase caiu, essa calha ta meio solta. Quando for fazer isso, pode subir pelo meu, não me importo.

– Sorte a sua ter ficado com janela da árvore. – bufou e se jogou na cama.

– Você quem escolheu seu quarto. – ri pelo nariz, puxei sua cortina sem ela precisar pedi, eu sei que ela gosta do quarto penumbra. – Vou sair. Até mais tarde – me aproximei e baguncei seu cabelo fazendo-a virar de bruços enquanto resmunga

– Onde?

– Me esforçar. – ela pareceu não entender, suspirei – ferir meu orgulho, insistir, pagar mico, ir atrás da baixinha. – falei com tédio e ela riu.

– Isso é uma coisa inédita. Eu adoraria ir junto e te ver levar outro toco. – se alto convidou e sem me dar tempo ela continuou – MAS, eu tô morta, as aulas mal começaram e aquela vagab... digo, professora de sociologia já passou um trabalho para amanhã. – Não aguentei, tive que rir da sua careta e ela fechou mais cara – Você está feliz com a minha desgraça, é isso? Só porque eu sou de exatas? – se sentou e começou a me acertar com travesseiros, fazendo-me gargalhar mais.

– Não é isso, desculpa. – me acalmei e tomei os travesseiros dela. – Eu te ajudo quando eu chegar, se quiser. Me dou bem em sociologia.

– Me diga uma coisa que você não se dá bem. – falou bufando.

– Bom, isso é um fato, eu sou perfeita. – tentei brincar para o humor dela não cair. Ela sempre fica meio sensível quando nos comparam, ou algo assim, mas não é algo que ela demonstre, eu simplesmente sei. A menor revirou os olhos e riu.

– Tudo bem, Sra. Perfeição. Boa sorte com seu projeto e, por favor, não seja tão narcisista perto dela. – alertou com humor

– Yah! – É aquele ditado, né. A gente sai do oriente mas o oriente não sai da gente. – Me respeita, eu não sou narcisista, sou confiante. E vai por mim, elas adoram confiança. Você devia tentar, é sexy! – mandei uma piscadela e sai do seu quarto antes que ela voltasse a me atacar com travesseiros.

Pode parecer contraditório, quando eu disse que ela é rebelde e faz tudo para contrariar o Matthew, e agora esta preocupada com o trabalho de sociologia. Ela vai impecavelmente bem na escola, pelo menos nas notas, porque na disciplina... tsc, tsc. Mas isso é porque eu pedi á ela, pedi que ela não estragasse o próprio futuro apenas para contraria-los. Alcançar a própria independência vai ser o ponto alto da sua rebeldia. Graças a mim. Eu sei, sou uma irmã maravilhosa.

Desci apressada as escadas e peguei a chave do meu futuro carro em cima da mesa de centro da copa. É o pagamento adiantado do meu pai por me esforçar nas provas das faculdades, por enquanto ainda é dele, mas dependendo do resultado das provas vai ser meu mas até lá tenho passe livre para usa-lo. Ele nem usa esse direito, prefere os mais formais, mas eu estou mais que satisfeita com o modelo novo do Murano, é espaçoso. Olhei pelo portal da sala de jantar tentando localizar meus pais ou alguma empregada, porém não vi ninguém.

– VOU SAIR! – gritei para o vento

– Vai chover, querida! – a ahjumma gritou de volta, logo aparecendo no portal da sala de jantar secando as mãos em um pano de prato – Leve um guarda-chuva.

- Mas está um solzão, ahjumma. – rebati olhando pela janela.

– Mas vai chover mais tarde. – caminhou até o cabide perto da porta e tirou o casaco que eu uso normalmente. – Toma, leva pelo menos um casaco.

Peguei o casaco, me despedi e fui até a garagem.

[...]

Estacionei em frente a lanchonete, que mais parece um café. Assim que entrei, não demorei a localiza-la no caixa atendendo um senhor. Não é um lugar muito grande, mas é confortável e bem arejado. Algumas poucas mesas espalhadas pelo lado esquerdo enquanto o direito tem um balcão que alcança de uma extremidade até a outra com cadeiras ao longo do mesmo. Me aproximei dela vendo que ela discutia com o senhor sobre o tamanho do café. Eu queria muito rir, mas me segurei, até o momento que ela me olhou e arregalou os olhos em surpresa, deixei escapar um risinho soprado e a cumprimentei com um sorriso, que eu esperava ser retribuído. Mas ela fechou a cara e me ignorou. Sério, qual o problema dessa garota? Ela me odeia ou algo assim?!

Enquanto a discussão corria, avistei a japonesa com um lanche enorme na mão, ela trocava uns olhares com o lanche que eu fiquei até envergonhada, era um olhar quase apaixonado. Misericórdia, essas duas são loucas. Será que pega? Parecendo sentir que era observada seu olhar encontrou o meu, sorri e, dessa vez, fui retribuída, um sorriso sincero, meio bobo e até envergonhado (provavelmente por ser pega paquerando o sanduiche). Fofa. Entretanto, não durou muito e logo seus lábios se comprimiram em uma linha, ela olhou para a baixinha, olhou para mim, para minha alma, e sinalizou com os dois dedos que estava de olho em mim. Bipolaridade, meus amigos?! Confesso que senti um arrepio, mas não foi por medo, e sim porque eu achei aquela tentativa de intimidação extremamente sexy. Me julguem.

Maneei a cabeça, como quem diz “não se preocupe” e ela deu um sorrisinho discreto logo voltando sua atenção para o lanche em suas mãos. Eu já estava cansada da discussão sem fim que a baixinha e o senhor travavam.

– Son. – a chamei mas fui ignorado – Chaeyoung! – ela rolou os olhos e suspirou, se virou para mim e falou em um tom baixo mas firme:

– Perseguição é ilegal em todo os cinquenta estados. – decretou voltando a falar com o senhor. Pude ouvir um risinho que logo identifiquei ser da dançarina.

– Qual é, só quero conversar. – falei e me escorei no balcão. O senhor voltou a reclamar enquanto a baixinha tentava desconversar. – Você não pode fazer uma pausa? Não tem intervalo?

– Não agora. – ela nem me olhava.

– Tudo bem, eu tenho tempo. – me levantei, olhei ao redor procurando uma mesa para me acomodar mas eram todas mais afastadas do caixa, optei por um cadeira rente ao balcão mesmo.

Antes de puxar a cadeira uma mão alcançou meu braço e me arrastou para o canto.

– Não sou inteligente. – a baixinha disse, do nada.

– O que? – a encarei de cima a baixo. Sabe, talvez ela não seja um caso perdido, ela fica bem de uniforme, realça suas curvas, se é que me entende.

– Achou que eu poderia te ensinar alguma coisa? – minha expressão estava exatamente como meu pensamento: “what?” – Deve ter pensado: “oh, lá está, Son Chaeyoung...

– Olha, Chaeyoung- tentei me pronunciar mas ela continuou falando

–... ela é uma esquisita, deve ser inteligente...

– Chaeyoung.

– Pois fique sabendo, eu não sou.

– Chaeyoung! – ela parou – Tenho uma das médias mais altas da turma. – ela baixou os ombros e olhou para Momo esperando uma confirmação.

– uhum. – a morena tinha a boca cheia, apenas grunhiu e acenou em resposta.

– Esta fazendo algum tipo de caridade pelos excluídos ou algo assim? Porque eu não

– Não! – interrompi, mudando novamente minha opinião sobre ela não ser um caso perdido. – Você é sempre assim?

– Não.

– Sim. – as duas amigas falaram ao mesmo tempo. A baixinha fuzilou a morena que apenas deu de ombros.

– Vamos lá, me dê cinco minutos. – juntei as mãos.

– Senhorita... – o senhor a chamou, ela sorriu amarelo e pediu com um gesto para que ele aguardasse mais um pouco.

– cinco segundos. – falou entre dentes, para mim.

– Eu queria falar com você sobre... – qual é, Mina, pensa! Alguma coisa que ela goste sei lá, você sabe varias coisas sobre ela já. Droga, pensa!

Meus pensamentos voavam tentando achar algum assunto, meus olhos vagaram novamente de sua cabeça ao seus pés. Foi como um click, assim que eu vi seus sapatos sujos de tintas.

– Arte! – exclamei.

– Arte? – arqueou uma sobrancelha e trocou o peso de perna – Você não estuda Artes.

– Como você sabe?

– Como é que eu não te vejo em nenhuma aula?

– Porque estou ocupada com a dança, o vôlei e tal. – Não sei se eu disse, mas estou no time de vôlei, acho que falei alguma coisa sobre esportes né? Na verdade, eu também sou boa em vários outros mas foquei só em um. – Então, eles deixam que eu faça... os... – Travei, ótimo! Eu realmente não sei o que está acontecendo, sempre fui uma boa mentirosa.

– Estudos Independentes? Atividades de clubes? – sugeriu e eu acabei por concordar.

– Sim. Mas, escuta, eu vi seu trabalho na sala de aula. É muito bom. – mentira, eu nunca nem fui na sala de artes. Mas cada um usa as armas que têm, certo? Nem é uma mentira grande, eu só preciso de um álibi para me aproximar – Se pudesse me ajudar, eu agradeceria.

A baixinha abaixou a cabeça, depois olhou para esquerda (onda dava a porta da lanchonete), e por fim para mim. Respirou fundo e ponderou com a cabeça – Okay. Qualquer dia desses. Quem sabe?!

– Que tal essa noite? – a dançarina sugeriu. Fiquei surpresa, de verdade. E a baixinha tinha fogo nos olhos, confesso que deu um pouco de medo, embora a morena não havia se intimidado e continuou a falar levantando do banco e vindo até nós enquanto tirava algo do bolso – O show no Jester. Fique com meu ingresso. – me entrou um bilhete.

– Muito legal. Valeu. – sorri para a Momo

– Um momento, por favor. – a baixinha deu um sorriso mínimo (provavelmente forçado) e apertou de leve meu braço, seu toque macio e delicado me chamou um pouco de atenção, durou pouco mas foi muito confortável, diga-se de passagem.

Mas sua expressão mudou tão rápido quanto a forma em que ela pegou a amiga pelo ombro e empurrou até o balcão fazendo a morena andar de costas até cair novamente na cadeira.

– Bati em você na 3° série, posso bater de novo. – falou entre dentes puxando a camisa da japonesa. Ela provavelmente se afastou para eu não ouvir, entretanto não foram longe o bastante para tal.

– Primeiro...- se afastou do aperto da baixinha. – eu estava doente nesse dia. Segundo, você ficou louca? A garota mais atraente da escola está atrás de você... – confesso que sorri com essa parte. Meu ego, está bem hoje graças à você, Momo, valeu. –... e você não está nem um pouco curiosa?

– A mais atraente? Jura? Fala sério, ela não é tudo isso. Sou mais você. – falou com descaso, ela estava de costas para mim mas pelo sorriso da morena, ela já não estava tão brava. Gente, como assim? Como se não bastasse ter me rebaixado, ela me comparou. Eu odeio ser comparada.

– Você sabe que nosso relacionamento não dá certo, me sinto cometendo um crime, pedofilia! – Riu. Ok, aquilo aparentemente é uma piada interna. – Agora, sério, vai mesmo deixar a bonitona plantada ali? – Ah, obrigado por lembrarem que estou aqui.

– É só porque ela quer ajuda, okay? Pela arte. – será que ela acha que eu vou atacar ela ou, pior, que eu estou afim dela? Misericórdia.

– Aham, tanto faz, vai logo. – empurrou a baixinha para mim.

– Tudo bem. É o seguinte: o show começa às 8:30pm. Estacionar vai ser um problema. Esteja lá às 8. Não se atrase. – Falou tudo num fôlego só e me deu as costas voltando para o caixa.

– Às 8. Vamos jantar jun-

– Não.

– Vejo você às 8. – não posso exigir tanto logo de cara. Sorri para Momo e acenei ao passo que me dirigia a saída.

Mal me sentei no carro e senti meu celular vibrar.

Momo: Esse foi meu voto de confiança, agora é com você. Não seja uma babaca, to de olho.

[...]

Oito horas, e eu já estava, bem arrumada e pontualmente, parada em frente ao Teatro. Não é bem um teatro, quer dizer, por dentro é (bem simples, mas tem um palco), porém, por fora parece mais um pub. Observei o fluxo normal de pessoas que adentravam o pub/teatro procurando pela baixinha.

Estava tão concentrada na busca quem nem percebi a movimentação atrás de mim.

– Ei. – a voz meio rouca (mas sem perder sua feminilidade) soou perto do meu ouvido. O hálito quente fez um arrepio cortar-me a coluna. Meu pescoço é um lugar meio sensível, uma zona erógena.

Sobressaltei-me e virei para a figura atrás de mim. – Você me assustou! – repreendi, torcendo para que ela não notasse meus pelos eriçados, a baixinha me encarava divertida.

– Pensei que fosse mais corajosa, presidente do grêmio. – rolei os olhos pelo apelido.

– Fui pega de surpresa. – só então notei o que ela vestia, ou melhor, o que ela se cobria. Um sobretudo vermelho-vinho, abotoado e que vinha até o joelho. – Pensei que fosse mais pontual. – alfinetei e ela fez uma careta.

– Estava me trocando. – se trocando? – Sua mesa é a número 8, está mais para esquerda. – falou enquanto me empurrava pelos ombros até a entrada.

– Minha mesa? E você?

– Você não quer aprender sobre arte? – aquiesci e ela concluiu – Então! Eu vou te ensinar.

Jura?

Fui arrastada para entrada, a Son entregou meu ingresso para a moça e me impulsionou para dentro. Fui entrando receosa, pensando estar sendo seguida pela baixinha, no entanto, quando virei-me para entrada, a garota evadiu-se. Ela vai me abandonar? Que tipo de encontro é esse? Tá, que não é bem um encontro e ela acha que eu quero aprender arte, contudo, ela não devia me deixar sozinha. Faz parte da boa educação.

Segui pelo estabelecimento, sozinha, abandonada e perdida, procurando pela minha mesa. Olhando agora, por dentro também tem um pouco de um pub. Ao invés de cadeiras em fileiras como nos teatros tradicionais, aqui as cadeiras eram espalhadas junto com pequenas mesas, dando um ar mais despojado ao lugar. A pouca iluminação também deixava o ambiente mais confortável. Passado alguns minutos, nada significativos, que me acomodei, três telões foram ligados no palco, um maior no meio e outros dois nas laterais. As imagens não tinham um menor sentindo, eram filmagens de desastres naturais com as cores editadas, umas estavam completamente azul outra verdes, varias cores, depois foi trocado para imagens de tumultos, no trânsito, no metro, e afins. Os vídeos rodavam juntamente com uma música estranha que deixava tudo psicodélico. No meio do palco, um pano prata com reflexo dos vídeos se debatia, como se algo estivesse preso e quisesse sair. Estava assustadoramente artístico e metafórico até agora.

Mas daí, enquanto o negócio prata ia ganhando forma, um cara começou a recitar uma coisas. Me assustei quando ouvi uma pequena explosão e o pano rompido deu liberdade para um cara de cabelos meio cacheados e de cueca. Uma cueca pequena e cor-de-pele. Como se fosse um recém nascido, citando umas palavras e se contorcendo. Era muito estranho, mas o cara é bonito então eu aceito essa loucura toda. E tem um belo corpo, diga-se de passagem.

– Ele irrompe! Força sua passagem. Surge. Emerge. – proferia dramaticamente ainda se contorcendo.

De dentro do pano, saíram duas crianças vestidas de collant roxo, me lembrei de Teletubbies. E quando eu pensei que aquilo não poderia ficar mais estranho, os três começaram a contornar uma lata se lixo enquanto faziam uma dança estranha. Quando a musica (estranha) chegou no ápice, algo dentro da lixeira incendiou e eles caíram deitados no chão. Eu ia bater palmas notando o fim da música, mas antes de o fazer reparei que todo mundo ainda estava concentrado no palco.

Duas mulheres entraram, de maiô (não é bem um maio, visto que cobre seus braços) trazendo um manto branco esticado como uma faixa. Uma outra melodia, calma e constante, começou a tocar. Não escondi minha surpresa ao reconhecer uma das mulheres. Chaeyoung estava no palco, de maiô, andando com tanta delicadeza que pareciam passos de bailarina. Lembram quando falei que ela ficava ajeitadinha de uniforme? Ela fica bem melhor de maiô, tem um corpo ótimo. E por mais impossível que pareça, eu não estava a observando com “olhos sexuais”, por assim dizer, óbvio que não deixei de admira-la no primeiro momento, entretanto, ela se movimentava com tanta graciosidade, tão focada naquilo, tão dentro do personagem que eu estava a admirando artisticamente. Talvez Son chaeyoung não seja tão ruim. Só meio estranha, já que apesar de sua graciosidade, o espetáculo não deixava de ser perturbadoramente estranho. Ela e a outra mulher se cobriram com o manto, uma em cada ponta, e recitaram juntas:

– Fique quieto, fique parado. Fique quieto, fique parado. – se abaixaram perto do homem de cueca, este que se sentou entre elas as abraçando pela cintura, enquanto as crianças se juntavam pelas pontas. Ficando todos os cinco abraçados e envolvidos pelo manto, balançando de um lado para o outro ainda recitando “o mantra”. E então, finalmente, as luzes se apagaram e as palmas eclodiram. Ok, ela é muito estranha. Será que eu sou burra de mais para entender essa apresentação, ou ela não tem sentido?

Eles deram as mão e se curvaram. O cara bonito e de corpo legal tomou a frente e agradeceu.

– Muito obrigado por terem vindo. – a maioria das pessoas, assim como eu, já se levantavam. – Antes de saírem, - voltei a me sentar - nossa artista, Chaeyoung, acabou de me informar que temos uma nova e empolgante mente entre nós. Mina Myoui está aqui?

Arregalei os olhos, congelei. Ela não vai fazer isso comigo. Por favor, diz que ela não vai fazer isso comigo. Me encolhi na cadeira.

– Vamos lá, não seja tímida. Somos todos amigos aqui. – abaixei a cabeça e senti um toque no meu ombro, retrai-me no instante do toque.

– Não precisa ir se não estiver interessada. – ela se curvou para dizer. Se eu não estivesse tão nervosa, estaria admirando seu corpo agora mas minha mente ta travada.

– A arte é amor, pessoal. Arte é amor – o bonitão me chamou com a mão e bateu palmas fazendo todos baterem também. – Bem vinda, querida.

Me levantei respirando fundo para não ter um ataque de ansiedade no meio dessa gente toda. “Ah mas você já esta acostumada a ser o centro das atenções” Em coisas que eu sou boa! Eu não entendo nada de arte!

– Primeira lição, improviso também é uma arte – ela deu tapinhas no meu ombro e se afastou para o bar, tendo uma visão perfeita daquele desastre.

Não acredito que ela fez isso comigo. Son Chaeyoung, estou começando a ter um rancor profundo por sua pessoa.

Fiquei no centro do palco. Meus batimentos estavam à mil, eu consegui ouvi-los e minha visão tremia ao acompanha-los.

Silêncio.

– Como vão? – perguntei nervosa, pensando no que fazer.

Silêncio.

Okay. Pensa, mina. Faz alguma coisa. Qualquer coisa. Olhei ao redor e pude ver uma bola por trás das cortinas. Caminhei tímida até lá, peguei a bola e voltei de cabeça baixa para o centro. Girei a esfera pelos meus ombros fazendo movimentos de uma apresentação de ginástica rítmica que fiz na oitava série. Uma musica começou a tocar e eu fui tentando enquadrar movimentos que eu conheço no ritmo. Comecei a narrar os movimentos intercalados. A epinefrina tomava conta do meu corpo, logo comecei a me locomover pelo palco, intercalando balé com os movimentos.

– Não deixe cair. – falei enquanto jogava a bola para cima, fiz um giro e alcancei novamente a bola. Sorri aliviada – Nunca deixe cair. Vamos, Mina. Todos estão assistindo. Esperando. – a adrenalina era tanta que eu mal sabia o que falava, não tinha controle se falava somente para mim ou todos ouviam. – Não deixe cair. Todos estão esperam isso de você, Mina. – eu já falava inconscientemente, como um desabafo para focar na bola. Repeti mais algumas vezes o mantra de não deixar cair e me preparei para o final, que na teoria eu jogaria a bola para cima, giraria e sentaria no chão a tempo de pegar a bola na queda.

– Nunca...- joguei para cima - deixe – girei e me sentei enquanto via a bola cair, longe de mais para eu alcançar. -... cair. – a musica parou e tudo que se ouvia era a bola quicando até chegar na cortina. Abaixei a cabeça e me levantei, recuperando o fôlego. Eu falhei. Mas acontece, eu posso errar as vezes também. – Cedo ou tarde, ela tem que cair. – encarei a plateia e notei a baixinha começar uma salva de palmas. Sorri. Minha mente estava dormente, assim como todo meu corpo, de excitação.

[...]

– Nossa, não acredito que fiz isso! – exclamei animada enquanto saíamos do Jester.

– Bom, seria mentira se eu dissesse que não me surpreendi. – ela comentou, ajeitando a bolsa no ombro.

– Me diz, seja sincera, foi muito ruim? – perguntei meio receosa.

– Na verdade foi melhor do que esperava. Pensei que ia travar lá em cima.

– Qual é. Você foi ótima lá, eu só fiquei jogando uma bola para cima. – estou sendo modesta.

– Tudo bem. Muito. Você foi muito ruim. Nossa você foi péssima. – falou sarcástica. – Se sente melhor, presidente?

– Eu nem ligo – Ri e ela me acompanhou – mas, ligo de você me chamar de presidente.

– Tudo bem, Myoui. – bipolaridade com certeza é algo que eu vou ter que lidar. Hoje a tarde, ela estava grossa e na defensiva, agora ela já está amigável e rindo comigo. Vai entender...

– meh. – resmunguei e ela riu. – Sério, eu já falei em público e tal. Mas subir ali e não saber o que fazer foi...

– Eletrizante, né? – anui – É a adrenalina. – suspirei sentindo meu corpo finalmente se acalmar. Ficamos um pouco em silêncio esperando o sinal abrir, eu estava acompanhando ela, não sei porque, mas de todo modo, meu carro estava do outro lado da rua.

Inesperadamente (ou nem tanto, a ahjumma é vidente mesmo) começou a chover e o sinal abriu. Abri meu casaco, que estava apoiado no meu braço, sobre nossas cabeças, ficando bem próximas. Ela se assustou com a proximidade e fez menção de se afastar mas eu segurei seu ombro e nos impulsei.

– Vamos, abriu. – corri até o outro lado, rindo da baixinha me acompanhando desajeitadamente.

O casaco não impediu de nos molharmos, mas foi divertido. Do outro lado da rua, nos abrigamos na proteção do ponto de ônibus.

– A ahjumma ainda me avisou, droga. – resmunguei enquanto secava meus braços

– Ahjumma? Pensei que você fosse japonesa. – ouvi a baixinha perguntar.

– Eu sou. Ela é empregada da minha família. Veio com a gente do Japão mas é coreana, me acostumei a chamar ela assim. As vezes, quando estamos fazendo manha, chamamos ela de Omma. – respondi sem olha-la, ri um pouco lembrando de quando eu e Somi fazíamos manha.

– “Estamos”?

– É, eu e minha irmã.

– Não sabia que tinha irmã. Como ela é? – perguntou curiosa.

– Contraditoriamente madura e... – olhei para a baixinha, ela me encarava enquanto secava os óculos na blusa. Perdi um pouco a linha de raciocínio. – problemática. – completei meio atônita. Era a primeira vez que eu a via sem óculos, não que mudasse muito mas lhe dava uma feição meio infantil por conta da expressão de curiosidade.

– O que foi?

– Sempre usa óculos? – indaguei, desviando os olhos quando notei que estava encarando demais.

– Sim, por quê?

– Por nada. – me sentei no banco e encarei a rua – Nunca pensou em usar lentes?

– Eu tenho lentes. – se sentou virada para mim, me virei para ela também. – Mas nunca uso.

– Seus olhos são muito, muito, bonitos. – me aproximei mais. E toquei seus óculos, que já estavam de volta em seu rosto, e os abaixei um pouco. Aproveitei a oportunidade e toquei de leve seu rosto. Mas nada prolongado.

– Ah, por favor... – resmungou e se afastou

– O que? – dei de ombros.

– “Seus olhos são muito bonitos?” Você usou todas as suas armas dessa vez, não foi? – se levantou e olhou ao redor procurando uma rota de fuga, provavelmente.

– Chaeyoung, eu só... – me levantei e tentei toca-la mas ela se afastou.

– Não. Tive um instinto e o ignorei. A culpa é minha. – me deu as costas e começou a andar. Mas antes dela sair da cobertura do ponto de ônibus e segurei seu pulso. Ela é louca, como assim? O que eu fiz de mais?

– Chaeyoung, não estou entendendo. – elevei o tom por que a chuva abafava minha voz.

Ela se virou para mim – Quer saber sobre arte? Quando a presidente do grêmio mais galinha e player, toca meu rosto em uma rua escura e fala sobre meus olhos, isso tem um nome. É um movimento da década de 1920. É o surrealismo. – se soltou e saiu na chuva.

– Chaeyoung, espera. Tá chovendo. Eu te dou uma carona. – gritei.

– Pode ir. Vou pegar uma carona com o Daniel. – e atravessou a mesma rua de minutos atrás.

– o cara de cueca? – perguntei para mim mesma enquanto franzia o cenho.

Essa garota é muito bipolar. Eu não vou atrás dela. Corri até meu carro e entrei no mesmo, logo dei partida. Se ela não conseguir carona, vai ter que voltar de taxi. Cansei de levar chute, pelo menos por hoje. Fala sério, feri meu orgulho para ir atrás dela depois de ser ignorada no campus, assisti uma coisa estranha por causa dela, tomei chuva por causa dela, e a doida surta por causa de um elogio. Paciência tem limite, e hoje, Son Chaeyoung estourou todos eles.


Notas Finais


Será que esse "encontro" pode ser considerado um avanço?


XoXo <3


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