História The Prom Queen - Capítulo 6


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Categorias TWICE
Personagens Chaeyoung, Mina
Tags Colegial, Girlxgirl, Kpop, Michaeng
Visualizações 109
Palavras 5.356
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Atrasei para publicar, desculpa
Minha provas começaram, e agora ta tendo sexto horário para repor as greves, sem contar meus compromissos fora da escola; curso, estágio...

Mas enfim, capítulo não revisado.
O pouco de tempo que tenho to usando para escrever os outros capítulos, então por enquanto vão sair tudo sem revisão e com muitos erros, provavelmente. Não gosto de fazer as coisas na pressa por causa disso, mas eu já enrolei tanto com essa fic que me sinto culpada sempre que demoro a atualizar kkjkkk

Mas quando minha rotina voltar ao normal, prometo corrigir todos os erros. Mas aguentem um pouco até lá. Eu como leitora, sei o quanto alguns erros incomodam (pelo menos me incomodam). Tipo as vezes a historia é boa mas a pessoa não diferencia mas/mais, coisas assim me incomodam kkkkkj

Boa leitura e desculpe os erros

Capítulo 6 - Na trave!


Mina

Faz quase 3 horas que elas estão lá em cima. To quase subindo lá, mas que coisa.

Eu sei que falei que não tinha mais paciência para a baixinha. Mas, veja bem, isso foi no momento da raiva e eu não podia perder a aposta. Tive que aguentar o Jay me azucrinando durante dois dias enquanto a baixinha me evitava na escola, sempre que eu me aproximava ela me afastava, e aquilo já estava me irritando eu precisava fazer ela parar de me evitar. Recorri mais uma vez a dançarina e pedi seu endereço, dessa vez foi mais fácil. Depois de insistir um pouco consegui leva-la a praia. O jay apareceu lá também, não era o plano, mas não foi de todo ruim. Nos divertimos bastante, mais que o esperado. Tive medo que ela ficasse isolada e se sentisse deslocada mas ela se mostrou bem normal e socializável, simpatizou com a jeong e o Jimin, de início ela estranhou o Jay mas logo percebeu que ele só é meio idiota e não tem muita noção das coisas. Foi uma tarde que valeu a pena. E nem mencionei sobre como ela fica de maiô, é uma visão que vale a pena.

Agora, depois de um pouquinho de insistência, estou esperando ela para a festa do Minnie. Como eu dizia antes, faz três horas que ela e minha irmã subiram e o Hoon ficou me fazendo sala. De início, ele ficou tentando me cantar, foi engraçado, mas expliquei que tinha minhas preferências, ele questionou minha bissexualidade, falei que não me envolvia com garotos mais novos, daí ficou tudo bem. Conversamos, vimos o final de Ellen DeGeneres, e estamos aqui no sofá zapeando os canais enquanto as meninas não descem. Ele é divertido.

– Senhores, e Mina. – Minha irmã nos chamou ao pé da escada. – Posso lhe apresentar a nova, não melhorada, mas diferente... Son Chaeyoung. – apontou para escada mas ninguém desceu.

Me levantei e comecei a caminhei até o portal que separava a sala de jantar da sala, tendo a escada ao lado da sala de jantar de frente para porta de entrada. Ninguém desceu. Fiz a pergunta silenciosa para minha irmã e ela deu de ombros.

– Chae! – chamou mais uma vez e nada. Suspirei. – Son Chaeyoung! Traga seu lindo traseiro até aqui. – revirei os olhos e o Hoon riu.

A primeira coisa que vi foram seus pés surgindo pelos degraus, saltos pretos com amarradilhas. Meus olhos foram seguindo de baixo para cima conforme ela ia descendo, segui vagarosamente suas pernas desnudas, e que pernas! Até chegar ao meio de suas coxas onde o vestido preto terminava. Definia bem sua cintura, sendo menos justo para baixo, até meio rodado. Da cintura para cima, com um decote discreto, sendo esse em branco, destacando o volume de seus seios sem parecer vulgar, deixando seus ombros amostra com a alça única, também em branco. O cabelo, antes comprido e sempre amarrado em um rabo de cavalo baixo, agora estava mais curto e penteado de forma que metade dele estava por cima do ombro cobrindo a alça única. Ela parou na curva baixa da escada me dando a liberdade de observa-la com mais calma. A maquiagem simples e realçando os olhos que tanto admirei dias atrás, estes livres dos óculos. Sobrancelhas feitas. Batom meio salmão, eu acho. E brincos em detalhes de cascata vindo até a altura do queixo, deixando a região de sua clavícula ainda mais atraente. Ela está, inesperadamente linda. Por um momento cogitei a ideia de que poderia me apaixonar por ela. Mas só por um momento, visto que nos três últimos degraus ela se desequilibrou e quase cai. Mas eu avancei para segura-la. Ela se endireitou e deu um sorriso envergonhado.

– Quase. – ela disse. Seus olhos estavam tão pertos que me senti presa nela.

– É, quase. – murmurei, a risadinha da minha irmã fez-me sair daquele transe. Pigarrei. – Pronta?

Ela se afastou e ajeitou o cabelo. – Aham.

[...]

Ela parecia abismada com a casa do Jimin. Ajudei-a sair do carro, visto que ela não tenha muita confiança no salto.

– Obrigado. – agradeceu quando chegamos na passarela que levava até a entrada da casa.

– Por nada. – sorri de lado.

Ao passarmos pela porta de entrada, algumas pessoas nos olhavam, paramos em frente a escadaria que dava para a parte principal da casa. Estendi o braço para ela, vendo que ela hesitava.

– Pode segurar. Vai ser ruim se cair aqui. – dei uma risadinha e ela trocou a bolsa de mão logo enlaçando meu braço.

– É só até descermos. – ela afirmou meio envergonhada.

– Pode me usar o quanto quiser, baixinha. To feliz que tenha aceitado ser minha amiga. – falei sem notar o duplo sentido, juro. Mas ela notou, corou até.

– Espero não me arrepender. – murmurou para si mesma, não era para eu ouvir. E sinceramente, me magoou saber que ela ainda desconfia de mim, e me magoou mais ainda saber que ela está certa. Entretanto, fingi não ter ouvido.

Já descendo a escada Jimin surgiu do corredor da esquerda com dois copos nas mãos.

– Ei, ei. – chamou-nos – Sejam bem-vindos, amigos, à festa que nunca acaba. – nos serviu os corpos e nos acompanhou escada a baixo. – Pelo menos até meus pais voltarem de Seul.

Paramos na curva de centro da escada

– quem é toda essa gente? – a Chaeyoung perguntou.

– Eu não faço ideia! – Jimin abriu os braços e riu. – volto depois para ver como estão. Divirtam-se, está bem?

Anui e desci com a Son se apoiando no meu braço. Jungyeon se aproximou.

– Chaeyoung, por Deus, você está linda. Belo corte, aliás. – elogiou carismática. – Mina, escute. Posso pegá-la emprestada por um segundo? As gêmeas mais lindas que já vi estão bem ali. Acho que são da Costa Rica.

– ãn... – olhei para a baixinha numa confirmação silêncio e ela deu de ombros. – Claro.

A yoo nem esperou resposta por parte da baixinha e enlaçou seu braços a puxando festa a dentro. Olhei ao redor procurando conhecidos. Logo avistei o Jay que veio até mim com uma cerveja em mão.

– Damn! Veja só você. Está gostosa Myoui. – É, eu estava arrumadinha. Meu vestido também é preto, por coincidência, juro, só me lembrei que o meu era preto depois de comprar o dela. Moldava bem todas as curvas até a coxa, o decote um pouco maior que o da baixinha mas coberto com um tule preto com detalhes no colarinho e cobrindo os braços.

– Você não faz meu tipo, Jay. – brinquei bebericando o drink até então desconhecida, mas eu suspeitava. – hm, Martini. – concluí dando outro gole.

– Poxa, seríamos um belo casal. – brincou também, nos encaramos e logo rimos.

– Bleh. – falamos juntos causando mais risadas.

– Então, está tudo bem? Vieram juntos?

– Eu a trouxe aqui, se é o que quer dizer.saber. – dei de ombros

– “Eu a trouxe aqui, se é o que quer dizer.” – fez uma imitação escrota da minha voz, tive que rolar os olhos – Qual é. Caia na real. Você está com ela o tempo todo. Posso estar bêbado, mas não sou cego.

– O que é? Esta misturando negócios com prazer? – indagou olhando de relance para as costas da baixinha, que estava afastada.

– Detesto dizer isso para você, mas é só uma aposta. – sorri de canto e bati de leve com meu copo na garrafa em sua mão, em um brinde, logo passando por ele para cumprimentar outros conhecidos.

Cumprimentei alguns amigos, dispensei alguns caras, olhei ao redor mas nem sinal da Son. Fui ao bar e tomei uma dose de caipirinha, para esquentar, e pedi uma cerveja optando por ficar no mais casual para aproveitar a noite. Eu já me retirava do bar quando uma silhueta conhecida se aproximou.

– Jihyo. – cumprimentei naturalmente.

– Mina. – devolveu em um suspiro e pegou a garrafa da minha mão – Ei, Brock voltará em um minuto. Posso lhe apresentar para ele, ou arranjar um autógrafo. – conclui dando um goleiro na minha cerveja, olhei na direção em que ela apontou.

Sobre o autógrafo, o cara faz parte de um tipo de reality, ou algo assim, não entendi direito a proposta do show. De qualquer forma, o cara é um idiota sem educação que não sabe conviver socialmente. É ridículo.

– Não, não precisa não . – fiz uma careta. – Vi uma reprise dele ontem. Ele comeu as unhas do pé por dez dólares. Impressionante. – notem o sarcasmo.

– Beije meu traseiro, Mina. – Rebateu revirando os olhos.

– Já fiz isso antes. – dei de ombros vendo ela me fuzilar enquanto bebia mais da minha cerveja. Olhei para a pista. – Falando em bundas, aquele bundão não é o seu namorado? – indaguei vendo o cara abrir espaço no meio da pista começando uma dança estranha.

– Ai Deus, não. De novo não. Brock! – se lamentou e me devolveu a cerveja indo até a pista. – Brock!

– Agora não, querida. Esta tocando a minha música. Meu momento, segura isso. – jogou o casaco no rosto dela e dei um giro finalizando com uma mão para cima e uma perna esticada. Idiota. – WOW.

Começou a dançar por todo o salão. As vezes tentava interagir com alguém mas era ignorado. Que mico. Mas ele nem ligava, ficou lá curtindo seu momento ao som de Taylor Swift. Tá né...

Olhei ao redor tentando achar a baixinha. Suspirei pesadamente quando notei que a Jihyo tinha achado primeiro que eu. Deixei a garrafa numa mesa aleatória e me dirigi até elas.

– O que está fazendo aqui? – a Park perguntou rudemente.

– Eu fui convidada. – Respondeu calma e mantendo a boa educação, mas notei que tinha os punhos cerrados.

– Sério? Seu pai não limpava minha piscina? – franziu o cenho em cinismo enquanto destilava o veneno. Ué, pensei que ele fosse corretor.

– Não sei dizer. – gente, ela é muito calma. Se fosse eu, já tinha dado um tapa para ver se o veneno parava de escorrer.

Jihyo sorriu maléfica, apressei o passo temendo o que ela faria mas não fui rápida o suficiente.

– Opa...

A vaca, sendo maior que a Son, se jogou em cima dela em um falso tropeço derrubando sua bebida no colo dos seios da baixinha, foi virando o copo até que todo o líquido se fosse enquanto fingia uma expressão culpada. Eu fiquei parada, estática. Chocada.

– Você devia ter cuidado com a seda. – falou, cínica, se referindo ao tecido.

E quando pensei que a Baixinha desceria do salto e brigaria com Park, ela respirou fundo e foi abrindo seus punhos bem devagar.

– Obrigado. – a baixinha agradeceu deixando eu e todos ao redor que tinham parado para ver a cena surpresos, inclusive Jihyo.

– O que?

– Muito obrigado. Por um minuto, esqueci o porque evito lugares assim e pessoas como você. – Fuzilou a maior.

– Você nos evita? Querida, olhe ao redor. – Debochou – Para todos aqui que importam, você é vapor. Não é nada, um desperdício de espaço no livro anual. Nada vai mudar isso. – completou com uma expressão de pena quando a expressão da baixinha vacilou. – Acho que peguei pesado. Não vai chorar, vai?

Ficou um silêncio total, até a música tinha parado de tocar, a baixinha olhou ao redor, mas por sorte (ou não) seu olhar trêmulo não encontrou o meu. Ela abaixou a cabeça e correu para escada, e subiu correndo. E então, finalmente, meu corpo se mexeu. Não era para isso ter acontecido, não era para eu deixar isso acontecer. Que droga!

– Qual é a droga do seu problema? – gritei pra Jihyo mas sem esperar respostas corri atrás da baixinha.

Fui abrindo caminho por entre as pessoas até chegar na porta. Corri até o estacionamento a tempo de vê-la se desequilibrar em uma pedra solta e cair de joelhos. Me apressei e me ajoelhei ao seu lado tentei tocar seu ombro mas ela repudiou meu toque, sem me olhar.

– baixinha...

– Não toca em mim! – gritou com a voz trêmula denunciando seu choro.

– Chaeyoung. – chamei e ela fungou, se acalmando um pouco.

– Eu prometi a mim mesma que nunca... Nunca – suspirou tentando estabilizar sua voz. – Nunca... – torceu o lábio e voltar a chorar, abaixando a cabeça.

– Nunca o quê? – engoli em seco, preocupada.

– Nunca deixaria que eles me vissem chorar. – limpou o rosto com as costas da mão, tinha um bico no lábio tentando não chorar. Seria fofo se não cortasse meu coração.

Aí gente, não aguento ver gente chorando. Eu não sabia o que dizer ou fazer, sentia uma coisa estranha, como se esmagassem meu coração mas de uma forma diferente, além de empatia. Mas em meio a dúvida prefiro acreditar que é empatia.

– Está tudo bem. – sentei-me ao seu lado e tentei tranquilizara-la tendo meus próprios olhos ardendo também.

– Não... – riu soprado. – Não está tudo bem. Eu não deveria ter vindo. – olhou para mim secando as lágrimas em seu rosto, entretanto, outras que surgiam insistiam em molha-lo.

– Chaeyoung. – minha voz tremeu, em um misto de culpa e dor. Não sabia que podia sentir tanta empatia. Fechei os olhos e respirei fundo para continuar. – Olha, baixinha, nós nos divertimos hoje. Você se divertiu. – ela abaixou de novo a cabeça, impedindo que eu visse seu rosto. – Às vezes, quando se abre para as pessoas, você aceita a parte boa e a ruim, é só isso. – tentei consola-la. Sei lá gente, não sei fazer isso.

Ela respirou fundo, passou as mãos no cabelo tirando-os do rosto, secou novamente o rosto -sem novas lágrimas-. E me olhou da maneira mais fria que já vi, mais até do que quando ela era grossa.

– Eu quero ir para casa. – falou firme, me congelando com aqueles olhos tamanha era a frieza destes.

– Tudo bem.

Pensei em ajuda-la se levantar mas ela foi mais rápida. Mas vendo receio em seus olhos, dei-lhe meu braço de apoio para chegarmos até o carro, que não estava longe. Suas mãos estavam geladas e pelos arrepiados, não é para menos, já está tarde, frio e ela com o vestido molhado.

Chegando lá, abri a porta de trás e tirei meu casaco. Receosa de ser afastada, abri o casaco e pedi permissão.

– Posso? – perguntei até meio tímida e ela anuiu com a cabeça – Com sua licença. – murmurei enquanto passava o casaco por seus ombros e ajeitei ele na frente. – Seu pé dói?

Ela negou com a cabeça. Vendo que ela não estava querendo conversar, dei a volta no carro tendo ela se apoiando em mim e abri a porta do passageiro para ela.

O caminho fora feito em completo silêncio. Ela com a cabeça na janela, hora ou outra derrubava lágrimas silenciosas. Quando chegamos e ela fez menção de sair chamei sua atenção.

– Baixinha, escuta... – tendo sua atenção eu continuei. – Sinto muito por ter deixado aquilo acontecer. Eu não devia ter te deixado sozinha. Desculpe. – ela riu fraco.

– Você não é minha guarda costa, presidente. – revirei os olhos pelo apelido.

– Mesmo assim. Eu insisti que fosse. Deveria ter te acompanhado. – ela negou com a cabeça.

– Tudo bem, Mina, sério. Obrigado pela carona e pelo dia, eu me diverti na praia. Desculpe por estragar o vestido. – agradeceu me deixando surpresa.

– Não se desculpe, ele é seu. - ela ia saindo quando a chamei novamente.

– Seu pé está bem mesmo? Não quer ajuda para descer? – já ia tirando meu cinto quando ouvir a porta se fechar.

– Ta tudo bem, foi só um escorregão. Boa noite, Myoui. – se despediu e caminhou até sua porta, acenando antes de entrar.

Que noite...

Fiz meu caminho direto para casa. Tomei uma banho rápido, só para tirar o cheiro de bebida, e cai na cama só de calcinha.

Chaeyoung

– Finalmente deixou aqueles óculos de lado. Você fica bem melhor de lente, bebê. – falou sedutora fazendo-me rir – Mas fala sério, festa foi tão ruim assim? – Momo perguntou. Estávamos entrando no pátio principal.

– Podemos, por favor, falar de outra coisa? – falei cansada.

– Você não se divertiu nem um pouco? Nem um pouquinho? – insistiu fazendo-me rolar os olhos soltando um suspiro cansado.

– Sei lá, talvez um pouquinho. – teve uma parte legal. Reparei que por onde passávamos, alguns nos olhavam. – Momo, é impressão minha ou tem alguma coisa muito...

– Você é demais. – uma garota desconhecida comentou quando passou por mim. Tive que parar de andar.

–... errada... – completei atônita.

– Desde quando você é demais? – franziu o cenho.

Nisso um cara passou me entregando um folheto cor de rosa. Eu não tô acreditando nisso. Como isso aconteceu?

“Bom dia, pessoal.” O rádio da escola deu início aos avisos matinais “Escutem essa: A contagem acabou. Parece que Jihyo tem uma rival na forma de fada falafel.”

– Mas quem me indicou? – perguntei ainda meio atônita.

– Chaeyoung! – uma voz conhecida me chamou, olhei para trás vendo ela me alcançar. – Acabei de saber, parabéns! – Jeongyeon falou sorrindo.

–Obrigado... – cocei a nuca desconcertada.

– Você merece. A Park é uma cobra, não sei como Mina aguentou tanto. – riu e acenou seguindo seu caminho.

Mina

Eu estava na terminando minha ducha, depois do treino de volei. Todo mundo já deve ter saindo, não ouço outro chuveiro além do meu. Demorei mais que o normal, precisava me acalmar. Meu desempenho no treino foi péssimo, até levei bronca da treinadora. E o pior é que eu não sei onde está o problema, eu simplesmente não conseguia me concentrar e meus reflexos estavam lentos. Suspeito ser a bebida de ontem, mas sei lá, eu bebi tão pouco.

– Mina? Está aí? – ouvi a voz masculina abafada pela porta.

– Jay? – perguntei terminando de por o sutiã.

– Está sozinha?

– Sim, eu acho. – olhei ao redor mas não vi ninguém.

– E vestida? – perguntou já pondo a cabeça para dentro sem esperar respostas. Idiota.

– Para o seu azar, sim. – ri enquanto vestia minha calça.

– Cheguei atrasado. – lamentou brincando fazendo-me rir mais.

– Esse é o vestiário feminino, Jay. O que quer? – guardei meus objetos de higiene pessoal na bolsa, deixando o pete de fora.

– Sabe que isso nunca me impediu de entrar. – deu de ombros e se sentou no banco que tem no corredor entre os armários. – Assisti o treino. O que aconteceu?

– Não joguei bem. – vendo que ele encarava meu colo coberto apenas pelo sutiã, me apressei em vestir minha blusa. Diverti-me vendo ele grunhir frustrado.

– Talvez seja um sintoma da abstinência.

– Como? – tirei a toalha que secava meu cabelo e pendurei na porta do meu armário.

– Diga se eu tiver errado, mas faz um tempo desde que transou, certo? – ouvi enquanto penteava meu cabelo quase seco. – Você sabe, falta de sexo causa estresse.

– E veio aqui tirar meu atraso? – brinquei rolando os olhos, já me irritando com a conversa. Tem momentos que o Jay é realmente babaca.

– Não era o plano, mas se você-

– Não, valeu. – interrompi ríspida.

– Tudo bem. Talvez, agora que a Jihyo está livre de novo, ah ficou sabendo? Brock chutou ela.

– Não enche, Park. Eu e Jihyo. Não vai acontecer. – guardei o pente na bolsa depois de pentear o cabelo e guardei a bolsa no armário. Sentei no banco para causar meu tênis.

– Ou talvez seja a esquisitinha da Son que queria traçar. Ela é difícil?

Parei e respirei fundo. Calma, Mina. Ele é só um idiota com neurônios a menos.

– Olha, não a chame de esquisitinha, e eu não quero “traçar” ela. – fiz aspas com os dedos. Ele citar a baixinha me irritou em um nível que questionei estar de TPM por ter mudado bruscamente de humor – Não é assim.

– Eu não estou criticando. Quer dizer, só me avisa se você não for pegar. Por que ai eu tento. Ela é gostosinha. Será que é boa de cama. Ah, mas ela deve ser virgem. Melhor ainda, apertadinha. – gesticulou as mãos.

Foda-se a calma, Mina.

– EU JURO POR DEUS, JAY – avancei nele o derrubando do banco e segurando a gola da sua camisa. – Se tocar nela, eu acabo com você! – gritei pronta para soca-lo quando o vi sorrir. Babaca.

Mas antes de acerta-lo ele me empurrou.

– Vai se ferrar, Mina! – Jay gritou se levantando.

– É melhor você sair daqui. – rosnei o fuzilando.

– Há quarto anos, vejo você enganando as pessoas, fazendo-as pensar que você é uma tipo de Deusa. A garota perfeita. – riu

– É sério. Cala a boca e sai daqui. – falei entre dentes, de punho cerrado tentando me acalmar.

– Mas é melhor ficar atenta. – ignorou meu aviso e continuou. – Essa é uma competição que você vai perder.

– CALA A BOCA, JAY, CALA A BOCA. – avancei novamente, dessa vez o derrubando com um soco. Sentei no seu estômago possessa de raiva, na verdade nem eu sabia de onde vinha tanta raiva, e dei-lhe outro soco. Antes que pudesse dar outro braços rodearam minha cintura me puxando de cima dele. – ME SOLTA. EU VOU MATAR VOCÊ JAEBUM. ME LARGA, MAS QUE DROGA! – me debati tentando me soltar enquanto ele se levantava com a mão no queixo e um sorriso presunçoso nos lábios cortado.

– O QUE TA ACONTECENDO AQUI? – a treinadora gritou batendo a prancheta em um banco. Outras duas meninas me seguravam.

– Melhor se acalmar, Mina. – ouvi a voz da Jeong e parei de me debater, respirando descompassadamente.

– Senhor Park, acredito que esteja no vestiário errado. – falou friamente para ele que me olhava ainda sorrindo.

Ah mas que vou acabar com esse idiota. Forcei um avanço mais uma vez mas a Jeong reforçou o aperto.

– Acredito também que esses hematomas já são humilhação suficiente. Não vai querer que eu te arraste daqui pelas orelhas e leve essa caso ao diretor, imagino.

– Não, senhora. Já estou saindo.

– Acho bom. Mas saiba que o Treinador Gomez terá conhecimento disso. Certificarei que tenha sua punição. – completou no mesmo tom frio quando o rapaz caminhava até a saída.

Só depois dele ter saído as meninas me soltaram e a treinadora caminhou até mim.

– E quanto a você, Mina, está suspensa dos treinos da semana que vem. – arregalei os olhos e fiz menção de protestar mas ela continuou. – E é melhor se controlar daqui para frente se não quiser ser cortada da temporada e ter uma mancha no seu histórico. – concluiu, anui calada. Ela pegou sua prancheta e parou quando estava na porta. – Foi um belo soco, aliás. Mas que não se repita. – deu um sorriso discreto

– Sim, senhora. Desculpe. – abaixei a cabeça e suspirei quando ouvi a porta ser fechada.

Sentei no banco e encarei minha mão já meio roxa, começando a doer.

– O que foi isso? – Yeon se sentou do meu lado suspirando. A outra garota já tinha saído.

– Sinceramente... Não sei. – encarei seu semblante cauteloso e voltei a fitar minha mão. – Fiquei irritada... Perdi o controle. – murmurei abrindo e fechando a mão. – Talvez eu esteja de TMP.

Suspirei e fui até a pia lavar a minha mão que tinha um filete de sangue. Aproveitei para molhar o rosto.

– Tem certeza? Eu ouvi um pouco da discussão e...

– O que você ouviu? – a encarei pelo espelho, pegando papel toalha.

– Cheguei quando ele falava da Jihyo. Você me parecia bem calma até ai, foi só...

– E por que ficou escondida? Deu para ouvir conversas atrás da porta? – perguntei mais rude do que gostaria.

–Não foi isso. Desculpa, eu não queria ouvir. Eu ia te chamar, mas quando ele começou a falar da Son você simplesmente partiu para cima dele, não sabia o que fazer. – respondeu meio envergonhada.

Joguei o papel usado no lixo e caminhei até meu armário, pegando a toalha molhada e fechando a porta.

– Tudo bem Yeon. Desculpa, eu não quis ser rude. – passei o braço por seus ombros. – vamos logo, a primeira aula já deve ter começado.

Caminhamos até a porta, deixei a toalha no cesto pelo caminho.

– Não vamos ter aula no primeiro período, só depois do intervalo.

– Por quê? – saímos do vestuário.

– Coisas Baile. Como você sabe... – me deu um olhar cúmplice. – Jihyo tem uma concorrente agora. Estão organizando campanhas de votos.

– Nos dois pátios, eu acho. Vim atrás de você para ir ver os cartazes da Son.

– Então vamos. – sorri e apressei o passo.

– Deve ser tpm mesmo, hahaha. Já está de bom humor de novo. – dei de ombros.

[...]

– Quero que você pregue esse perto da lanchonete. – Momo distribuía tarefas para os que carregavam cartazes apoiando a baixinha.

– E aí, dançarina, você vem sempre aqui? – brinquei passando o braço por seu pescoço. Ela riu e rolou os olhos.

– Agora não, Mina. Tô meio ocupada. – resmungou alternando o olhar entre uma prancheta e os cartazes, não tirou meu braço. – Turma da limpeza, colem esse ali. – apontou para um pilar. – Ah, o meu cartaz favorito... Alunos do arco íris, colem esse no pátio principal.

Uma garota bem estereotipada, cabelo raspado de um lado, piercing no septo, anéis de coco e blusa xadrez. Sinto o cheiro de couro de longe. Junto com uma tomboy traziam um cartaz com a bandeira lgbt, passaram por nós rumando o pátio principal.

– Ela já tem fã clubes? – Jeongyeon perguntou rindo.

– Ãn digamos que os clubes menos conhecidos veem a Chae como um porta-voz dos excluídos. Até parece uma eleição para o grêmio. – ela olhou ao redor vendo mais cartazes.

– Clube dos prisioneiros... tudo bem. Coloquem do outro lado. – franziu o cenho vendo os dois alunos levarem o cartaz. – Espero que seja um nome metafórico. – ri.

– Você é a presidente do fã clube? – perguntei

– Aquela baixinha aproveitadora e oportunista me deixou aqui com os pepinos e se mandou. – resmungou dei uma gargalhada.

– É bem a cara dela fugir da atenção. – fiz uma pausa. – E aí? Você vai me dizer onde é a bat caverna ou vou ter que me aventurar nessas dependências?

– Bat caverna?

– Esqueci que você é lenta de manhã... AI! – choraminguei quando ela me deu uma cotovelada fazendo eu me encolher e tirar o braço de seu ombros. – Não precisa agredir...

– Vou mesmo ter que te aguentar aqui? – perguntou

– Bom, se você me dizer onde é o esconderijo da baixinha, talvez eu te de sossego. – sorri sugestiva.

– Não sei... Olha, eu já vi que você não é uma pessoa tão ruim – fiz uma careta pelo quase elogio. – Mas ela me contou o que aconteceu na festa e...

– Aquilo não era para ter acontecido. – falei séria, a espantando pela mudança repentina. – Eu não devia tê-la deixado sozinha. – só de lembra dela chorando meu coração já se aperta – Não deixar algo assim acontecer de novo.

Ela ponderou um pouco e anuiu – É o porão do deposito depois do campo.

– Mas aquele deposito é trancado.

– Por isso é a Bat Caverna. – piscou para mim, sorri.

– Jeong. – me virei para onde ela estava mas não tinha ninguém. – Ué...

– Faz alguns minutos que uma menina com uns dentes de coelho arrastou ela daqui. – Momo falou.

– Tá né... – dei de ombros e roubei um beijo da bochecha da morena que me encarou assustada. Sorri com sua expressão. – Valeu dançarina!

– YAH Myoui Mina!

Sai correndo para não apanhar.

[...]

Olhei para o deposito acabado hesitante. Será que ela tem a chave? Girei a maçaneta e empurrei a porta devagar vendo uma escada. Entrei e fechei a porta. Desci os degraus devagar, mas quando cheguei na curva de centro a escada rangeu, congelei no lugar.

– Ninguém pode entrar aqui. – ouvi a voz dela e soltei a respiração, descendo o resto da escada.

– Isso é incrível. – falei me referindo ao lugar, tinha algumas telas cobertas em um canto. Um sofá velho, um caixote como mesa. Algumas tranheiras amontoadas em baixo da curva da escada. E a baixinha em frente à um cavalete fazendo o acabamento do retrato de uma mulher.

Fui até ela, ficando na suas costas. Vendo a tela mais de perto posso notar centra semelhança entre a mulher da pintura e Chaeyoung.

– Essa é sua mãe?

– É... Ela também era artista. Fotógrafa.

– Ela é linda.

– Bem, nem tudo é hereditário. – deu mais algumas pinceladas.

Fiquei em silêncio. Ela é linda. Certo que sempre falei que ela é estranha e tal, mas nunca neguei sua beleza. Entretanto guardei o elogio para mim, por receio dela surtar novamente ou entender errado.

– Como ela morreu? – A Somi tinha me falado algo sobre isso.

– Câncer. – ela não me olhava, continuava focada nas pinceladas firmes e certeiras. – Leucemia.

– Sabe o que é mais estranho? – me olhou por alguns segundos, voltou para pintura e continuou: – Eu não me lembro de ter chorado. Eu lembro do funeral. Lembro que depois, todos fomos para a casa da minha vó. Eu sentei em uma cadeira verde com Hoonie no colo. E lembro de saber que as coisas nunca mais seriam as mesmas. – refletia olhando a pintura.

Talvez não tenha sido nesse momento que aconteceu, mas eu não tenho certeza. Mas tenho certeza que foi nesse momento que percebi que Son Chaeyoung, não se resume à “estranha da escola”. Son Chaeyoung, é uma garota incrível, porém, mal compreendida.

– Baixinha, você não pode continuar fazendo isso. – Falei quase alarmada. Cuidadosa, entretanto.

– Fazendo o quê? – abaixou a cabeça.

– Se fechando para todo mundo. Você vive aqui sentada com a porta trancada.

– Então, eu me fecho para as pessoas. – se levantou e caminhou até uma estante. – Pelo menos, eu tomo decisões, e isso é mais do que você faz.

Franzi o cenho em confusão.

– Eu tomo decisões.

– Ah, é? – sorriu sarcástica. – Para qual faculdade vai, Mina? – a encarei desconfiada, ela saberia? Ou é só uma pergunta aleatória?

– Eu fui na sala do orientador. Ao lado do seu nome estava constando: “indecisa”

– Escuta, há coisas que você não entende. Você não conhece meu pai.

– Explica para mim. – pediu de maneira calma, quase meiga. Estranho... eu deveria achar uma coisa tão simples fofa? A Tpm está me deixando sensível, só pode.

– Meu pai estudou em Dartmouth. Foram os melhores quatro anos da vida dele, ele diz. Então desde que meus pais se casaram... – lubrifiquei os lábios e fiz uma pausa – Há uma foto minha em seu escritório de quando eu tinha cinco anos. Estávamos no zoológico. Eu estou sentada nos seus ombros com uma camisa de Dartmouth.

– E daí? – franziu o cenho.

– Daí que é emblemático. Ouço isso todo santo dia. “Escolha uma faculdade. Escolha um futuro” Mas o que ele diz de verdade é “Escolha a minha faculdade. Escolha o meu futuro.” – esse assunto estava me irritando. Virei as costas e respirei fundo para me acalmar.

– Você ouve o que esta dizendo? – ela me rodeou ficando de frente e me encarando com aqueles olhos... penetrantes. Agora que deixou os óculos ficou mais difícil fugir desse olhar, é como um imã. –Será que não percebeu a sorte que tem? Você pode estudar em Dartmouth. Ou pode ir para Nova York. Ou para Bornéu estudar lulas. A questão é que você tem 18 anos e já tem idade suficiente para tomar decisões. – ralhou em um fôlego só, parecendo indignada. E ela parecia estar mais perto de mim a cada palavra.

– Certo. Tá legal, Tony Robbins. – sinalizei para que ela fizesse uma pausa no discurso motivacional. – E quanto a você? – indaguei suave – Não devia olhar no espelho quando diz essas coisas?

–Confia em mim. Estou trabalhando nisso. – desviou olhar.

– Você sempre foi inteligente?

– Bem, eu tenho meus momentos. – sorriu mostrando uma covinha.

Seria esse o sorriso mais bonito que ela me deu até agora? Isso não é bom. Estamos pertos demais. E ela esta sorrindo. Por favor se afasta, porque eu não consigo meu corpo esta congelado.

– Por que veio aqui, Mina? – perguntou mais séria.

– Eu... esqueci. – respondi aérea.

É sério, estamos muito perto, e eu estou me aproximando mais. É melhor se mexer, Chae.

Minhas pernas se moveram sozinhas em mais um passo em sua direção. Meu rosto foi se aproximando. Agora é a hora que você percebe o que está fazendo e se afasta, Myoui. Sinto sua respiração na minha pele. Droga, por que eu não consigo me afastar? Meu nariz toca sua bochecha e ela fecha os olhos. Droga. Droga. Droga.

– Não veio comprar meu voto para rainha do baile, certo? – Na trave! Me afastei e ela continuava de olho fechado. – Mina? – abriu os olhos, eu estava afastada, mas ainda estava perto. Perto demais. – Essa história do baile, eu...

– E-Eu t-tenho... que ir. – dei dois passos para trás meio desnorteada.

– Eu queria conversar com você sobre isso.

– É mas eu tenho que fazer uma coisa. – falei já na escada.

– Agora? – perguntou alheia a minha confusão.

– Posso te ligar mais tarde?

– Claro.

– Tá legal. Ótimo. Valeu. – agradeci subindo as escadas correndo.

 

Esfriar a cabeça. Você precisa esfriar a cabeça. A tpm e a falta de sexo estão te deixando carente. Não faça besteira, não estrague as coisas.


Notas Finais


Quanto progresso...



XoXo <3


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