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História The Psychologist - Capítulo 5


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Notas do Autor


Olá, queridos leitores. Como estão lidando com a quarentena?
Gostaria de agradecer a todos os comentários e favoritos, sintam-se livres pra deixarem suas críticas e sugestões.

Vamos ao quarto capítulo então!
Boa leitura <3

Capítulo 5 - Capítulo 4


Ciel’s POV

 - Tem certeza que quer fazer isso? - Alois perguntou pela milésima vez

 - Tenho - respondi seco - Mas posso querer desistir se você me perguntar mais uma vez

- Ah, não seja tão ranzinza! -  O loiro me repreendeu – Tá parecendo um velhinho de 80 anos – Reclamou enquanto laçava minha gravata com uma destreza que eu jamais teria – Acho que estamos prontos – Finalizou o nó com perfeição – Lizzy ficou de chegar cedo para pegar lugares próximos para nós três...

 

Deixamos a mansão Phantomhive adentrando o luxuoso carro dos Trancy, afinal, Alois insistira em me acompanhar em meu retorno à rotina de estudos. Como éramos praticamente vizinhos não vi problema em aceitar a companhia de bom grado. Em poucos minutos de trajeto os portões majestosos entraram em nosso campo de visão. Os arabescos dourados contornavam o brasão imponente da Royal High School, idêntico ao que fora caprichosamente bordado nos paletós que compunham o uniforme dos alunos. O veículo estacionou e me senti congelar. Saltei do veículo um pouco atônito e logo me deparei com o amontoado de adolescentes que convergiam para a instituição. Por mais que soubesse que as pessoas seguiam pela entrada sem se importar com o que acontecia ao redor sentia meu rosto em brasas, como se todos estivessem olhando fixamente para mim. os acontecimentos que marcaram  a última vez que estivera ali preenchendo minha mente como que em câmera lenta. Vacilei por um momento pensando em me virar e correr até a proteção do meu lar, mas logo senti os dedos tão conhecidos se enlaçarem aos meus e a voz cristalina num sussurro

- Não ouse soltar a minha mão! Afinal não é todo dia que posso desfilar com um garoto tão bonito pelos corredores. 

 

Pisquei um pouco atônito tentando entender o que se passava naquele breve momento. Alois me presenteava com um daqueles sorrisos carinhosos que são capazes de aguentar todo o peso do mundo, numa clara tentativa  me de dar suporte para dar aqueles pequenos passos tão cheios de significado. Confesso que uma grande parte de mim queria pular no colo do loiro e chorar até desidratar, ou se fosse possível, até voltar no tempo e me impedir de fazer as burradas que destruíram minha família, entretanto, tudo que consegui fazer foi olhá-lo com cara de poucos amigos e retrucar 

 

- E quem te disse que eu tô disponível pra sair desfilando por aí? - bufei - Vamos logo antes que mais gente nos veja agarrados desse jeito!

 

Avancei em passos largos arrastando o loiro, ainda de mãos dadas que resmungava logo atrás. Adentramos a sala ainda com poucos alunos, já que faltavam bons minutos para o começo das aulas. Lizzy nos aguardava sentada em uma das cadeiras da fileira do canto com um sorriso estampado de orelha a orelha. A loira abraçava uma pelúcia gigante que combinava exatamente com a aura fofa que emanava dela.

 

- Oi Ciel -   A moça se adiantou - Faz bastante tempo que não nos vemos…

 

Lizzy era uma mulher realmente bonita. Os cachos loiros fartos caiam numa cascata por suas costas. As madeixas decoradas com presilhas temáticas de bichinhos conferiam a ela uma aparência infantil, intensificada pelos grandes olhos verdes como duas esmeraldas. Entretanto, o  que mais a destacava dentre as outras pessoas era a maneira peculiar que a jovem se vestia. Parecia uma boneca com o uniforme customizado com a saia mais longa e ampla, acompanhada de meias 3/4 brancas e sapatos de salto decorados laços e corações. 

Antes que pudesse sequer desejar um bom dia  a jovem continuou

 

- Como hoje é um dia importante - Olhei-a interrogativo e jovem se explicou - Nós estávamos esperando ansiosos pelo seu retorno… Para comemorar, eu trouxe presentes  - Elizabeth se levantou e me estendeu uma bonita caixa de chocolates finos embrulhados num laço vermelho - Além dos chocolates, trouxe também o Usagi-chan pra te fazer companhia quando eu e o Alois não estivermos por perto - indicou o coelho de pelúcia que segurava anteriormente. - Ele está sentado no seu lugar, mas podemos pegar uma cadeira pra ele e vocês assistirem a aula e…

- Espera - Interrompi gesticulando apressado - Eu não vou ficar com esse bicho gigante do meu lado… Nem levar ele pra lugar nenhum! - Reclamei envergonhado com a situação - Eu só quero um retorno discreto… Quero ser o mais invisível possível. E isso não combina em nada com pelúcias gigantes. Achei que isso estivessem bem claro - Fuzilei Alois com os olhos, que a essa altura já estava roxo de tanto rir   

- Eu falei com ela Cieruuu - O loiro disse ainda rindo -  Mas você sabe que quando a Lizzy se empolga ninguém consegue parar ela… -  Deu de ombros.

- Lizzy, some com esse bicho daqui antes que mais gente apareça!

- Mas Ciel… -  A loira fez um biquinho mal humorado - O Usagi-chan não vai gostar  de ficar sozinho no armário - Justificou usando sua lógica própria

- Brinquedos não sentem nada Elizabeth! - Pontuei chateado - Pega logo esse treco que eu quero sentar!

- Você sabia que coisas fofas melhoram o humor?  - Deu sua cartada final.

- Só se for o seu! Meu humor já é estragado por natureza - Peguei a pelúcia da mesa e coloquei na mesa da jovem.

- Você é malvado!- Lizzy reclamou com os olhos marejados. - Vou pedir pra Paula entregar na sua casa… - Pegou o coelho fulminando e saiu da sala batendo os saltos no piso. 

- Pega leve com ela! - Alois me advertiu tomando a caixa de chocolates de mim e abrindo-a - Ela ficou péssima por não estar aqui quando tudo aconteceu.

- Eu sei...-  Mas detesto essas ideias “fofas”dela. São chamativas demais! - Reclamei - Só quero passar despercebido… 

 

Peguei um chocolate da caixa seguido por Alois e passamos a comer em silêncio. A irritação se dissipando conforme apreciava o gosto doce do chocolate. Passados alguns minutos a loira retornou cabisbaixa para a sala agora mais povoada. Passou por nós em silêncio e se sentou logo atrás, na cadeira marcada por sua mochila. 

 

- Lizzy - Chamei - Os chocolates estão deliciosos, coma também -  Estendi a caixa para que ela pegasse. Fui respondido com um olhar receoso e mal humorado - Vamos, coma logo! - Eu mesmo peguei uma das pequenas trufas e encostei em seus lábios. A jovem abocanhou o doce ruborizando imediatamente com o gesto - Obrigada pelo presente, eu gostei muito - Elizabeth assentiu sorridente, as bochechas se tornando cada vez mais rubras.  

 

Logo o professor entrou na sala anunciando o início das aulas. Nos endireitamos em nossos lugares sem trocar mais palavras. Abri o caderno disposto a transcrever a variedade de letras e números dispostos no quadro, mas me sentia cada vez mais distante do que se passava no ambiente, por fim, me perdi em pensamentos aleatórios, rabiscando nas bordas da página do caderno pelos minutos seguintes. 

Despertei somente quando o sinal do intervalo tocou. A movimentação dos alunos entrando e saindo do cômodo me deixou um pouco desconfortável. Alois como sempre, se mantinha agarrado fielmente no celular, ao passo que Elizabeth conversava com algumas meninas mais ao fundo da sala. Alcancei meu próprio telefone observando as notificações despreocupadamente. o alerta do email me chamou atenção por conta de seu remetente. Senti meus batimentos cardíacos se anteciparem em ansiedade, afinal, fazia milênios que não tinha notícias sobre meu pai. usualmente quem me trazia notícias era Tanaka, sempre enfatizando como a rotina do chefe dos Phantomhive era corrida, e que, por conta disso era difícil se comunicar regularmente.

Abri a mensagem não mais preocupado com o que se passava ao redor.

 

Olá Ciel, 

 

Tanaka me informou que você finalmente concordou em começar com o acompanhamento psicológico e que já têm se sentido melhor.  Também fui noticiado que decidiu retornar ao colégio a partir de hoje. Já adianto que pessoalmente liguei para o diretor pedindo-lhe que não o importunasse com assuntos referentes aos motivos de seu afastamento, e que se, por quaisquer motivos, você ainda não se sinta adaptado, deveria imediatamente retornar ao regime de estudos especiais com aulas em casa.

Aproveito por fim para avisar que não retornarei para casa no próximo semestre. A expansão da companhia está me consumindo integralmente e preciso acompanhar de perto para que tudo seja feito de acordo com os padrões de qualidade da família Phantomhive.

Como não estarei em casa no seu aniversário providenciei o envio do seu presente por uma transportadora particular. Deve chegar dentro de algumas semanas. Não achei prudente enviar passagens para que você viesse por conta da sua longa ausência do ambiente escolar. Não quero que perca o ano e manche seu histórico escolar impecável. 

Em breve mando mais notícias.

 

Vincent Phantomhive

 

Terminei a leitura já sentindo as lágrimas rolarem soltas por meu rosto. Então quer dizer que mais três longos meses se arrastariam até que o grande Vincent Phantomhive se lembrasse que seu filho precisava de atenção e cuidados… Se bem que depois de mais de um semestre sem vê-lo eu já suspeitava que eu não fosse um motivo forte o suficiente para fazê-lo voltar ao lar. 

 

- O que houve, Ciel? - Alois me chamou, a destra encostando no meu ombro. Sequer havia notado que o loiro havia se levantado, muito menos que prestava atenção em mim até ser destacado de meu torpor.

- Eu acho melhor ir pra casa - Disse firme limpando as lágrimas que insistiam em cair e comecei a juntar meu material. 

- Como assim? - Lizzy interveio, provavelmente a conversa havia chamado sua atenção também - Ainda temos outras aulas hoje, Ciel

- Eu sei - Concordei - Mas não estou me sentindo bem. Talvez tenha me precipitado em voltar aqui. Preciso de mais um tempo para lidar com as minhas questões .

 

Vi ambos assentirem visivelmente abalados e decepcionados. 

 

- Vamos lá -  Alois me chamou -  Vou ligar para o Tanaka vir nos buscar - Disse pegando o celular e discando os números com certa agilidade.

- Termina de assistir às aulas.. Quero ficar um pouco sozinho. Quando acabar aqui você pode ir lá em casa se quiser. - O loiro assentiu em concordância.

- Tudo bem, mas eu não abro mão de esperar lá for contigo, pelo menos… Assim que acabar aqui eu vou direto te encontrar. - Assenti cabisbaixo pronto pra ir antes que o intervalo acabasse

- Ciel - Lizzy se pronunciou. Virei-me para atendê-la e fui recebido com um abraço apertado e acolhedor, exatamente o que precisava naquele momento - Nós te amamos muito e estamos aqui por você! Nunca se esqueça disso. 

Assenti novamente sentindo o retorno da umidade constrangedora. Me despedi brevemente e fui acompanhado até a saída apoiado na figura mais alta que me amparava com devoção. Quando o carro tão conhecido parou na frente da instituição fui colocado no interior do veículo e um selo breve foi depositado no topo da minha cabeça.

- Daqui a pouco estarei lá contigo. Tente descansar. - Alois se afastou e bateu a porta do automóvel. 

 

O trajeto foi feito totalmente em silêncio. Entrei na mansão e fui direto para meu quarto, me jogando na cama e me enrolando nos cobertores. Aos poucos as lágrimas cessaram e fui tomado por um sentimento de solidão terrível. 

Alcancei o celular esquecido no bolso da calça e abri as lista de contatos procurando número de Sebastian discando sem pensar duas vezes. 

- Sebastian? - Confirmei logo que a chamada foi atendida

- Sim. Com quem falo? - A voz tão conhecida se fez presente. 

- Ciel. 

- Ah,  sim - Ouvia com clareza sua respiração enquanto esperava que eu desse continuidade ao assunto, o que não consegui fazer  - Está tudo bem?

 - Não - Me limitei pontualmente a responder, já sentindo as lágrimas rolarem novamente por meu rosto

- O que houve? Você está podendo conversar agora? - Senti uma pontada de preocupação na voz do analista

- Não sei se quero conversar agora… Não estou me sentindo bem. - Disse com a voz trêmula por conta do choro abafado

- Você está chorando? - Sebastian perguntou - Ciel, você está sozinho?

- Uhum - Respondi entre soluços

- Talvez não seja uma boa ideia ficar sozinho se você não está se sentindo bem… - O moreno pontuou sensato. 

- Não se preocupe. Terei companhia em duas horas… - Respirei fundo tentando controlar a agitação.

- O que posso fazer por você então? - Perguntou

- Você acha podemos adiantar a sessão para hoje?

- Claro, me dá só um minuto pra eu dar uma olhada na agenda de hoje - Esperei até a voz se pronunciar novamente. - Tenho uma lacuna 15 horas, dá pra você? 

- Dá sim - Concordei 

- Você vai ficar bem até lá? - O terapeuta perguntou - Tem certeza que não quer conversar agora? 

- Não! Eu já estou me sentindo melhor…. Obrigada pela disponibilidade. Nos vemos mais tarde.  

- Disponha sempre que precisar. Espero você mais tarde.

- Até mais, Sebastian

- Até, Ciel. Cuide-se.

Desliguei a ligação programando um alarme para não perder o horário da consulta. Me despi do uniforme pesado e voltei para a cama agora apenas com a peça de roupa íntima, me aninhando no cobertor buscando calor e conforto e me permiti adormecer, em um sono pesado e nada tranquilo

 


Notas Finais


Me desculpem caso haja algum erro, revisei apenas superficialmente.

Deixem suas impressões nos comentários. No próximo capítulo veremos um pouquinho da evolução do caso clínico do Ciel e algum momentos dele em casa com o Alois. Não deixem de acompanhar!

Nos vemos no próximo,
Beijão <3


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