História The Queen - Capítulo 31


Escrita por: ~

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Palavras 2.689
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 31 - A mulher relógio


O que esta acontecendo ? Onde eu estou ? ... Quem em sou ? Tudo está tão confuso pra mim, será que isso é bom ? Será que é mal ? Meus olhos se abriam aos poucos, e uma claridade veio a tona e minha visão melhorava aos poucos. Me sentia diferente. Por que eu me sentia diferente ? Me sentia mais livre e leve. Como se algo que pesava no meu corpo tivesse sumido. Percebo que estou deitada numa grama com rosas vermelhas á minha volta, aos poucos vou me levantando e vou enxergando o castelo á minha frente. Era o Palácio dos Sonhos. O que será que estou fazendo aqui ? Não me lembro de ter ido dormir. Começo a andar pelo jardim do Palácio e encontra uma mulher sentada em um banco apreciando as rosas do jardim. A mulher tinha cabelos loiros claros, quase brancos, e usava um vestido branco lindo, na sua cabeça havia uma coroa. Aquela era... Mamãe ?

Minha mãe percebeu minha presença e deu um enorme sorriso e veio ao meu encontro, me dando um abraço.

- Minha querida, como você evoluiu. - Disse minha mãe me abraçando mais forte. Eu retribui o abraço mas ainda estava confusa.

- Eu não entendo. Pensei que você tinha morrido... - Falei logo após o nosso abraço.

- E morri. Quando você morre sua alma vem para o Palácio dos Sonhos. - Explicou ela.

- Espera ! Alma ?! Eu morri ?! - Perguntei confusa.

- Querida Iracebeth, você não se lembra de nada mesmo, não é ?

Um flashback passou pela minha mente e me lembrei de algo. O Gloriandei ! Amberly havia me apunhalado pelas costas. Ela me matou, e eu morri nos braços do Tempo. Agora minha consciência estava voltando.

- Aí meu Deus, eu estou morta. - Ofeguei.

- Também fiquei histérica quando soube da minha morte, mas me acostumei rápido.

- Eu perdi... - Sussurrava pra mim mesma. - Todos confiaram em mim e eu perdi a guerra. Mirana deve estar arrasada.

- Sente um pouco, filha.

Minha mãe me guiou até o banco e nos sentamos. Me sentia tão arrependida e tão fraca. Eu não deveria ter baixado a guarda naquele momento. Eu devia ter verificado se inimigo ainda estava vivo. Como fui idiota !

- Eu preciso voltar... - Segurei os ombros da minha mãe. - Me diga como voltar !

- Filha, não tem como voltar. Você morreu. Não tem como mudar o passado...

- Mas pode aprender com ele. - Interrompeu um homem de cabelos negros e pele pálida. Ele me lembrava uma pessoa. - Isso é o que eu sempre digo. - Continuou o homem se aproximando de mim e da minha mãe. - Princesa Iracebeth, não é ? - Perguntou o homem.

- Sim. - Confirmei.

- Nossa ! Quando te conheci você era apenas um bebê. Mas na minha época você não tinha nascido ainda.

- Como ? - Perguntei não entendo o que aquele homem queria dizer. Mas o sotaque dele era familiar pra mim.

- Tic tack, tic tack. O relógio não para de trabalhar, ele marca as horas sem parar. Tic tack, tic tack. - Cantarolava o homem pegando um relógio de bolso em suas mãos ignorando minha pergunta.

Aquele relógio, o desing dele, eu conhecia aqueles traços. Será que é ele ?

- Você é o pai do Tempo ? - Perguntei.

O homem olhou pra mim confuso.

- Quem ? - Perguntou ele sem entender.

- Tempo. Um homem com cabelos negros como os seus e metade relógio. - Expliquei.

O homem caiu na gargalhada.

- Está falando do Sacha ? - Perguntou o homem.

- Sacha ?

- Meu filho.

- Será que estamos falando da mesma pessoa ? - Perguntei.

- Esse tal de... Tempo. Tem os cabelos negros e pele pálida como eu ? - Perguntou o homem.

- Sim. - Respondi.

- Ele é metade relógio, na cabeça e no peito ?

- Sim.

- Ele tem um sotaque ?

- Sim.

- Então é o meu filho.

- Mas Sacha não é o nome dele. - Lembrei.

- Era o nome dele, até que ele resolveu trocar quando virou um homem metade lata. Prazer em conhecê-la, sou Tomas. - Disse o homem estendendo a mão para mim. Apertei sua mão.

- Isso é muito estranho. - Comentei. - Num dia estou viva e no outro estou morta conversando com outros mortos.

Tomas deu outra gargalhada.

- É a vida, opa ! Perdão. É a morte. - Corrigiu Tomas.

- Eu queria fazer alguma coisa. Amberly não pode pegar a coroa. - Falei me lembrando outra vez da nossa batalha.

- Amberly ?! Não me diga que aquela galinha está viva ?! - Perguntou Tomas surpreso.

- Tomas ! - Exclamou minha mãe. - Mais respeito !

- Perdão. Eu quiz dizer piranha. - Corrigiu Tomas.

Minha mãe deu um tampão em Tomas e soltei uma risadinha.

- Mas é verdade. Aquela megera ! Me matou e agora está prestes a matar toda Wonderland. - Disse Tomas num tom sério.

- Eu não vou permitir. - Falei. Só não sei como eu iria fazer isso.

- Princesa, você está morta. Mortinha. Não tem como voltar para o mundo dos vivos. E se algum dia alguém souber ressuscitar os mortos, por favor me avise. - Ironizou Tomas.

- Eu sinto que algo está pra acontecer. Sinto que tenho uma chance. - Falei colocando a mão em meu peito. Que estranho, eu não estava sentindo o meu coração. Será que era o fato de eu estar morta ? Ou tem algo á mais.

- Temos que ter fé no exército de Mirana. - Disse minha mãe. - Só sua irmã pode parar Amberly agora.

- Mirana é corajosa, mas não é tão forte.

- Então Wonderland está na merda. - Disse Tomas lamentando.

- TOMAS ! - Gritou minha mãe dando mais um tapa em Tomas.

- AI ! - Exclamou ele.

Fiquei quieta por uns minutos. Pensando num jeito de voltar. Mas acho que era impossível. Fechei meus olhos para não chorar na frente da minha mãe e do Tomas. De repente ouço um barulho de "tic tack" de um relógio. Eu e minha mãe olhamos para Tomas que ficou nos encarando.

- Não sou eu. - Disse ele mostrando o seu relógio. De fato aquele som não vinha do relógio de Tomas. Senti algo dentro do meu peito e coloquei minha mão em cima dele, sentindo aquele tic tack se repetindo várias vezes. O que houve comigo ? Por que tem um relógio dentro de mim ? Meu corpo começou a ter um brilho anormal, parecia até que eu estava virando uma lâmpada humana.

- O QUE É ISSO ?! - Perguntei num grito.

- Parece que o seu trabalho na terra dos vivos ainda não está feito. - Falou Helena aparecendo do nada.

- HELENA ! - Gritei ao vê-la.

Corri até ela e a abracei com todas as minhas forças possíveis.

- Calma, calma. Eu tô morta mas ainda sinto dor. - Ironizou Helena quando eu a apertava sem querer.

- Desculpa. - Falei olhando para os seus olhos azuis.

- Está pronta ?

- Pronta pra quê ? - Perguntei já sentindo uma lágrima cair dos meus olhos, eu estava tão feliz em vê Helena de novo. Pensei que aquela vez seria a nossa última.

- Pra voltar. Acho que alguém não desistiu de você. - Respondeu Helena com um sorriso bobo.

Pensei nele naquela hora.

- Tempo. - Sussurrei.

- Parece que meu filho superou o pai dele. - Comentou Tomas todo orgulhoso.

Olhei para minhas mãos e elas desapareciam aos poucos, como algumas partes do meu corpo.

- Se tiver algo á dizer, é melhor falar antes que você suma de vez. - Disse Helena.

- Eu só quero lhe agradecer por ter me treinado. Você foi uma grande inspiração pra mim, e eu tenho orgulho de você, Helena. - Desabafei.

Helena deu seu lindo sorriso, o que me fez ficar mais feliz ainda.

- Irace, quero lhe falar algo antes que você parta. - Falou minha mãe se aproximando de mim. - Sei que não fui uma boa mãe, depois do seu acidente eu dei mais atenção a Mirana quando na verdade eu devia ter cuidado de você. Eu me arrependo de ter te tratado como se fosse uma pessoa ruim, eu sabia que você no fundo era uma garota doce e gentil. E sei que você é forte, e que irá se tornar uma boa rainha um dia.

Após ouvir as palavras da minha mãe mais lágrimas caíram, minha vida foi difícil, muito difícil, e ao ouvir as palavras sinceras da minha mãe eu senti um peso enorme saindo do meu corpo e me deixando em paz.

- Obrigada, mãe. - Segurei na mão dela. - Eu te perdôo.

- Bem, já que ta todo mundo se despedindo, acho que vou tentar isso também. - Disse Tomas vindo até mim. - Princesa, não te conheço muito bem, mas com certeza o meu filho a ama muito. Eu sinto o amor dele dentro de você. Vocês estão conectados, e devem ter um ao outro para sempre. Nada na vida é fácil, você tem que ser forte para derrubar as paredes que te prendem para alcançar seus objetivos. Fico feliz que meu filho tenha encontrado um amor verdadeiro, e confio em você para cuidar dele por mim. - Tomas pegou seu relógio de bolso e deu para mim. - Quero que fique com isso. Digamos que é um presente de casamento adiantado.

Soltei um riso meigo que foi retribuído por Tomas.

- Obrigada. - Agradeci.

- Eu que agradeço, finalmente meu filho poderá ser feliz com alguém que o ame.

Olhei para Tomas, depois pra minha mãe e por último... Helena.

Antes de eu desaparecer por completo, Helena se aproximou de mim e sussurrou.

- Nós vamos te proteger. Prometo.

Nós ? O que Helena quiz dizer com "nós" ? Helena fez um sinal com a cabeça para mim olhar para trás e quando me virei me deparei com Osana e Edith com seus sorriso meigos para mim, e Helena se juntou com suas irmãs. A visão das irmãs de Tarot, foi a última coisa que tive antes de tudo ficar escuro.

Aquele som de "tic tack" voltou a soar em meus ouvidos. Meus olhos estavam fechados, e meu corpo estava gelado. Mas isso não me incomodava, é como se aquele frio fizesse parte de mim. Onde será que eu estava agora ? Ainda estava no Palácio dos sonhos ? Abri meus olhos aos poucos, minha respiração voltou ao normal e pouco a pouco consegui me mexer. Quando meus olhos se abriram totalmente, tive uma consciência de onde eu estava. Era o castelo do Tempo. Por que estou aqui ? Ao me sentar percebi que eu estava numa espécie de... máquina ? Eu estava dentro de uma máquina ? Eu usava um vestido vermelho vinho e meus cabelos estavam soltos. Wilkins estava na minha frente com suas mãos cobrindo os seus olhos. O que deu nele ?

- Wilkins ? - O chamei.

Wilkins aos poucos tirava suas mãos de seus olhos e ficou muito admirado ao me ver. Fiquei um pouco confusa.

- S-senhorita...Iracebeth. É v-você mesmo ? - Gaguejou Wilkins.

- Claro que sou eu. O que aconteceu ? Por que estou aqui ? Onde está o Tempo ?

- Majestade calma, são muitas perguntas e eu ainda estou tentando meu recuperar ! - Disse Wilkins colocando a mão em seu peito. - Eu não acredito. A máquina do senhor Tempo foi mais poderosa do que eu imaginei. Como você está diferente, majestade.

- Diferente como ? - Perguntei não entendo o comentário de Wilkins. Ele me olhava como seu eu fosse uma coisa fantástica que ele nunca tinha visto antes.

- Por favor, siga-me. - Pediu Wilkins.

Ele me levou até o corredor onde havia o espelho no qual Alice havia partido da última vez.

- Tenho que dizer, majestade. A senhorita está muito bela. - Falou Wilkins tímido.

Fiquei de frente ao espelho e quase perdi o controle das minhas pernas. Meus olhos ficaram tão arregalados que quase caíram do meu rosto. Aquela mulher do reflexo era eu ? Era eu mesmo ? Minha pele estava branca mas macia, meu cabelo estava mais vermelho do que antes. Meus lábios estavam avermelhados naturalmente, o coração que eu tinha neles havia sumido. A sombra azul que eu tinha em meu olhos agora havia sumido e sido substituída por uma sombra escura realçando os meus novos olhos. Os meus olhos que antes eram castanhos escuros, agora eram azuis como o do Tempo. Eles eram tão azuis e brilhantes. Minha sombrancelhas havia crescido e estava bem desenhada. Em outras palavras, eu estava linda. Pela primeira vez me senti linda. Coloquei minha mão em meu próprio rosto, queria ter certeza de que aquilo não era um sonho. Foi aí que me dei conta. A minha cabeça ! Estava normal ! Ela não era enorme. Agora eu tinha uma cabeça normal como a de todo mundo ! Lágrimas de alegria caíram dos meus olhos.

- Como que eu fiquei assim ? - Perguntei ao Wilkins quase num sussurro.

- Foi a máquina, ela cura qualquer coisa. Com certeza a doença que você tinha na cabeça foi curada como a doença que meu senhor teve há duzentos anos atrás. - Respondeu Wilkins. 

- Pelo visto essa máquina curou tudo em mim. - Ironizei vendo o meu novo rosto.

Coloquei minha mão em meu peito e senti aquele "tic tack" outra vez. Abaixei um pouco a parte de cima do meu vestido e vi um relógio substituindo o meu coração. Ai meu Deus ! Eu sou como o Tempo ! Sou uma mulher metade  relógio e...Imortal.

- O que aconteceu enquanto eu estava inconsciente ? - Perguntei para Wilkins.

- Depois que você morreu, o meu senhor não aceitou isso tão fácil. Meu senhor trouxe seu cadáver até aqui e colocou dentro daquela máquina. No primeiro dia, meu senhor retirou seu coração e colocou esse relógio que ele havia construído. Esse relógio seria um dos presentes que Tempo iria dar pra você, mas vocês tinham brigado, então, ele guardou. Ele então aproveitou e modificou o relógio para ser o seu novo coração. Você ficou inconsciente por três dias, e o meu senhor quase acreditou que o seu trabalho havia sido em vão. Mas parece que não foi, já que você está viva outra vez, e desta vez, não vai precisar se preocupar em morrer tão cedo. Agora você é imortal, como o meu senhor. - Respondeu Wilkins.

- Ele não desistiu de mim. - Falei para mim mesma com um sorriso em meu rosto. - Depois de tudo o que aconteceu entre nós, ele nunca desistiu de mim.

- Ele a ama mais do que qualquer coisa.

- Onde ele está agora ?

- Ele foi ajudar sua irmã a defender Marmorial. Amberly está atacando de novo. - Falou Wilkins preocupado.

- Preciso ir a Marmorial.. 

- ESPERE !

Wilkins segurou meu pé antes que eu partisse.

- Você ainda não se recuperou direito. E lutar contra Amberly é impossível. Ela trouxe as Ruínas desta vez, o exército dela está mais forte do que antes.

- Então parece que vamos ter que fazer um plano B. Temos que pensar em algo forte o suficiente para lutar ao nosso lado.

- Quem poderia ser forte o bastante para nos ajudar ?

Pensei por alguns momentos. Até que uma ideia veio na minha cabeça. Era maluca, porém, poderia dar certo.

- Wilkins, você sabe onde está a Cronoesfera ? 

- Sim. Por que ? - Perguntou Wilkins me olhando desconfiado. - Não está pensando em viajar no Tempo está ?

- Estou. E pretendo trazer alguém conosco.

- E quem seria esse alguém ? - Perguntou Wilkins com medo da resposta.

Um sorriso malandro se abriu em meus lábios.

- O meu bebê. Jaguadarte.

 

Continua...

 



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