História The Red Line - (Long Imagine Kim SeokJin) - Capítulo 23


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jung Hoseok (J-Hope), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Bts, Exército, Imagine Jin, Medicina, Romance, Seokjin
Visualizações 60
Palavras 3.748
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa tarde manas (os)!

Segue mais um capítulo, espero que gostem.


Boa leitura á todos!

Capítulo 23 - Dream.


Fanfic / Fanfiction The Red Line - (Long Imagine Kim SeokJin) - Capítulo 23 - Dream.

 

Fazia quanto tempo que estava ali? Fazia quanto tempo que tinha anoitecido? Via as luzes da cidade acendendo uma a uma e aos poucos uma Seul iluminada surgia. Desde que voltara para Seul aquele tinha se tornado seu lugar preferido. Quase ninguém subia ao telhado do hospital e só ali ele conseguia oxigênio suficiente para aliviar seus pulmões. Para aliviar o sufoco que enfrentava dia após dia.

As palavras do pai de Soo Yun martelavam sua cabeça. Já tinha tempo demais que aquele ódio o estava consumindo. Pensou, pensou e pensou. Quanto valeria alimentar aquele monstro? Quanto valeria ir adiante com aquela história? O quanto se machucaria e machucaria outras pessoas? SeokJin sabia que todo relacionamento que não acaba com separação, acaba em morte. Tudo sempre... Sempre desmorona no final. Ele já estava em ruínas, valeria a pena passar por tudo de novo? Apenas por vingança?

Não que Soo Yun não merecesse, merecia muito mais. No entanto, ele estava muito machucado. Estava ferido demais para continuar com aquilo, para entrar no jogo do pai tirano. Arrogância tem que ser merecida.

Olhou para o espaço todo e lembrou-se de Soo Yun parada diante do parapeito, estava coberta de sangue. Num outro momento estavam juntos, ela o abraçou forte. Ele não disse, mas estava com medo de realizar a cirurgia de Yoongi e perdê-lo em sua mesa. Queria apenas acalmá-la, então se aquietou.

Sophie.

Sua pequena garota loira de cabelos encaracolados. A garota que fez tudo por ele, e por quem ele daria a própria vida. A pessoa que esteve ao seu lado em seu momento mais sombrio. Torcia para que onde quer que ela estivesse, olhasse por ele e se mantivesse em sua memória detalhista. Que seu toque quente e delicado permanecesse nas mãos precisas do cirurgião.

- Por você meu amor.

Nada do que fizesse traria Sophie de volta, poderia se vingar de Soo Yun para sempre, mas no final somente ele sairia perdendo. Tinha consciência disso. Ela pagaria de um jeito ou de outro, a vida a faria pagar.

...

Soo Yun dirigia rapidamente.  Queria chegar ao hospital o quanto antes, Hoseok havia ligado de repente e tudo o que ela fez foi correr. Via as imagens ao seu lado passar como borrões, o coração disparado e as pernas trêmulas não estavam colaborando. Estava nervosa e sequer sabia o por que.

Yoongi estava acordado depois de meses, estava bem e finalmente poderia conversar com ele. Dizer que sentia muito, por tudo. Exatamente tudo. Teria que consertar seus erros de um jeito ou de outro, muitas pessoas estavam sofrendo por sua culpa.

Não queria encontrar Jin e sabia que não encontraria. Mas tinha medo de encontrar com os pais do rapaz. Não que fosse um problema, de qualquer forma, sentia-se envergonhada. Estacionou na frente do hospital e correu escada á cima.

- Eu já posso vê-lo? – Soo Yun soltou ofegante a Hoseok que já aguardava no corredor.

- Ainda não, precisamos conversar. – Encarou a garota e respirou fundo. – Vamos para minha sala.

- Hobie eu estou ficando assustada. Ele está bem? Ainda está acordado certo?

- Sim Soo, ele está bem. E acordado também, sente-se!

O médico fechou a porta e foi para sua mesa de onde pegou uma prancheta com diversos papéis.

- O que é isso?

- Hoje pela manhã eu fiz todos os exames. Fiz questão de estar presente acompanhando todos eles.

- O Jin estava?

- Não, o Jin não chegou perto do Yoongi uma vez sequer. Afastou-se do caso e passou para outro médico.

- Tem ideia do por quê? – Riu. – Que pergunta mais besta né?

- Vamos ao que interessa, nós vamos ter que fazer outra cirurgia no Yoongi. Aparentemente um coágulo está se formando e temos que tirá-lo antes que fique maior. No demais ele está bem fisicamente.

- Oh graças a Deus! – Soo Yun sentiu os olhos se encharcarem.

- Calma Soo, ainda não terminei. – Fez uma pausa pressionando os lábios e pôde ler o desespero nos olhos lacrimejantes. – Nós sabíamos que poderiam haver perdas cognitivas e houve. Ele perdeu 65% da visão de um olho e ainda tenho que esperar outro resultado, mas a audição também foi um pouco afetada. Não tanto quanto a visão, mas acredito que com os tratamentos corretos poderemos recuperar pelo menos parte disso.

- Se tiver mais alguma notícia ruim, o que eu acho que tem, me diga logo. Por favor!

- Ele não tem memória.

- Mas ele me reconheceu! – Soo Yun levantou num salto. O coração parecia bater na palma da mão.

- Soo fique calma! – Segurou a amiga pelos ombros. – Ele tinha acabado de acordar, não sabia o que tinha acontecido até uma enfermeira explicar para ele. De repente uma mulher linda entra no quarto chorando, era obvio que ele ia ficar emotivo e encarar. Ainda não temos certeza de quanto disso foi atingido. Se é a longo, curto prazo ou permanente.

- Os pais dele estiveram aqui?

- Sim, estiveram e ele não os reconheceu. Foi aí que percebemos que não era confusão mental, era perda de memórias. A princípio acreditei sim que ele teria perda de memória recente, mas não se lembrar dos pais é um pouco mais complicado. Talvez possa ser estresse pós-traumático e isso passe logo.

- Ou não, certo? – Soo Yun sentou. – Mas que droga!

- Soo ele está vivo! Está vivo e bem. Isso é o mais importante, ele pode recomeçar. Ele pode se lembrar aos poucos, não é motivo para ficar tão chateada!

- Eu posso vê-lo?

Hoseok jamais entenderia e ela já tinha desistido de explicar. Queria chorar, mas respirou fundo e se conteve. Dizem que os olhos são espelhos da alma, e a dela estava inundada. Dizem que chorar faz bem, mas não faz. Te deixa mais triste principalmente porque ultimamente Soo Yun tinha que encontrar motivos para chorar, apenas para disfarçar. Negava-se a entregar o jogo. Não iria chorar por quem quer que fosse.

Mas tudo bem chorar se estivesse vendo um vídeo triste no youtube, certo? Sim, totalmente certo. E era assim que ela iria continuar. Mentindo para todos e para si mesma. E quando perguntassem: você está triste? Por que está chorando? Ela apenas sorriria e responderia: Estou triste sim – Uma meia verdade – acabei de ver um vídeo triste – Que era parte mentira.

- Claro que pode.

Queria ir para o céu. Sim, era o que queria, mas sabia que provavelmente Deus barraria sua entrada. Já tinha se conformado com isso. Tentava ser boa, tentava fazer as coisas de forma correta. Tentava ajudar o próximo, mas sentia-se má. Sentia que seu eu, aquela Soo Yun que ninguém conseguia ver, era o mal puro e genuíno. E embora fosse capaz de esconder seu lado negro e dissimulado de tudo, não poderia esconder de si mesma.

Ou dos olhos daquele para quem pedia e implorava toda noite, para que as pessoas ao seu redor não se machucassem por sua culpa.

É o que dizem na psicologia: existe essa parte que só você conhece e os outros não. E aquela que infelizmente todo mundo conhece e você nem faz ideia que existe. É sinistro, porém real.

- Fique desse lado. – Hoseok posicionou um banquinho para ela ao lado da cama do rapaz que já encarava curioso. – Vou sair, se precisar de algo aperte esse botão.

- Quando tempo eu tenho Hobie?

- Não muito Soo, está fora do horário de visita. Talvez uns quinze minutos.

- Está perfeito, obrigada.

- Por nada. – Deu-lhe as costas e antes de sair ainda disse. – Soo, não o deixe muito emotivo.

A garota apenas assentiu vendo o médico se retirar e o quarto da UTI ficar vazio. Ali estavam apenas Yoongi e outro paciente ainda em coma do outro lado.

- Oi! – Ela disse tímida enquanto ele a encarava. – Você me conhece?

No entanto Yoongi não se movia, apenas olhava paralisado.

- Tudo bem, vamos fazer assim. – Segurou a mão dele com cuidado e quando apertou, ele apertou de volta. – Eu quero te dizer algumas coisas e fazer algumas perguntas. Se a resposta for afirmativa você aperta minha mão, ok?

Sentiu o garoto apertar, no entanto continuava inexpressivo. Estava muito magro e mais pálido do que já era.

- Você me conhece?

Nada.

- Você sabe quem é?

Nada.

- Se lembra do por que está aqui?

Nada.

- Lembra-se de qualquer coisa que seja? Qualquer flash ou lapso de memória?

Nada.

Soo Yun percebeu que aquilo seria mais difícil do que pensou.

- Meu nome é Lee Soo Yun, sou capitã. – Pigarreou constrangida. – Exército. – Então viu o entendimento no olhar do rapaz. – Você é meu... Primeiro tenente. Nos conhecemos na academia e nos tornamos amigos desde então. Está entendendo?

Yoongi apertou sua mão suavemente e um frio percorreu sua espinha. Era assustador, ele continuava encarando-a sem piscar, como se fosse um boneco.

- Nós somos próximos Yoongi, e durante uma missão na fronteira você salvou a minha vida. Eu sinto muito por isso. Você está nessa cama por minha culpa! – Soo Yun sentiu as lágrimas descerem desobedientes. – Você não vai entender agora, mas eu sou uma decepção desde o início Yoongi. Eu sou um fardo que você não precisa carregar. Eu fiz tudo errado, eu faço tudo errado e estou aqui implorando que me perdoe. – Sentiu o rapaz apertar sua mão novamente e sorriu. – Como você pode ser tão bom mesmo sem lembrar-se de quem era?

Viu o rapaz abrir a boca e fechar novamente. Queria falar, ela percebeu. Ele se mexia inquieto e apertava sua mão. Pressionou os lábios e com dificuldade entrelaçou os dedos com os dela. A princípio Soo Yun pensou que ele estava lhe dando conforto, mas sua expressão era de dúvida.

- Você quer saber sobre nossa relação? – Sentiu o aperto firme e sorriu. – Nós fomos namorados, mais que isso, fomos noivos. Mas minha família não te aceita, digo, meu pai. E sua família não me aceita.

Viu o rapaz quase esboçar um sorriso cínico. Que saudade sentia daquele sorriso!

- Mas, a diferença é que para você as coisas eram bem mais difíceis, uma vez que meu pai é coronel. – Riu. – Enfim, nós brigamos e terminamos uns três dias antes do tiroteio acontecer.

Soo Yun viu Hoseok aparecer no vidro e suspirou.

- Eu tenho que ir, mas volto para te contar mais. – Deu um beijo na testa do rapaz e saiu rapidamente.

Antes que não conseguisse suportar o peso dos próprios sentimentos. O que Soo Yun mais tentou a vida toda, foi provar o quanto era forte. O quanto era imune ao destino, mas Soo Yun sabia o que era a dor.

É interessante, por assim dizer, você acha que pode suportá-la, mas um dia percebe que não pode. E é nesse exato momento, nessa lacuna entre a luz e a escuridão que você se perde no próprio limbo. Dá várias e várias voltas para descobrir que está simplesmente andando em círculos e nunca vai chegar a lugar algum.

Se é triste?

É sim.

Soo Yun sentia-se miseravelmente perdida e desamparada. Jogara seu orgulho num poço sem fim e insistia de frente com um espelho embaçado: Vai. Ficar. Tudo. Bem.

Uma mentira tão deliciosamente obsoleta quanto um raro e empoeirado disco de vinil.

...

Depois de um determinado tempo brincando com a vida nós acabamos percebendo diversas coisas. Por exemplo: todos os problemas do mundo. Qual é a causa de todos os problemas do mudo? Você sabe?

Eu sei.

Falta e/ou falha na comunicação.

País X entrou em guerra com o país Y, por quê? Ou não houve um diálogo, ou o tal diálogo falhou e pronto. Soo Yun sempre pensou assim, sempre acreditou que esse era o grande motivo de praticamente todas as catástrofes mundiais. Até mesmo com seu pai, se eles conseguissem se comunicar ela poderia entender o por que dele fazer a vida dela um inferno. Seria tudo mais simples.

De qualquer forma era isso, brigas acontecem assim: Interpretações distintas do mesmo acontecimento. Pronto, fim.

- Respira fundo! – Hoseok pediu á garota sentada na maca. Colocou o estetoscópio na altura do pulmão, mais em baixo, mais em cima. – Respira fundo de novo e solta o ar bem lentamente.

- Respirar deveria cansar? – Soo Yun perguntou curiosa.

- Depende, para algumas pessoas sim. – Hoseok ficou de frente para ela, que sentada estava da sua altura. Uma situação nada fácil de lidar. – Prende a respiração por dois segundos, preciso ouvir seu coração.

Soo Yun obedeceu.

- Fez o exame de sangue que eu pedi?

- Sim, passei com a enfermeira Sun antes de vir para cá.

- Ótimo. Bom Soo, felizmente sua gripe não atingiu um princípio de pneumonia. Isso significa que seu pulmão está bem, sem nenhum indício de secreção. Seu coração está em perfeito estado, não sei como, mas está.

- Como assim não sabe como? – Soo Yun abotoou a farda por cima da regata.

- Ah sei lá, nós saímos para jantar. Vivemos altas emoções e tudo mais, era para ele estar disparado, palpitando forte... – Piscou e Soo Yun riu.

- Mas que piadista você, não?

Hoseok apenas sorriu.

- Vamos esperar seu exame de sangue e vou poder te falar com mais propriedade, mas aparentemente está tudo bem Soo. Possivelmente você vá ter que tomar os remédios por um mês ou dois, mudar a alimentação também. E em breve vai estar saudável novamente.

- Obrigada Hobie, quando esses exames ficam prontos?

- Pode voltar aqui essa tarde que já terei os resultados. – Hoseok viu Soo Yun se preparar para descer da maca e a segurou. – Soo já faz uma semana, você não vai ver o Yoongi? Você disse a ele que voltaria, pensei que tivesse mais a dizer.

- Eu tenho mais a dizer, mas preciso de coragem suficiente para voltar a encará-lo. Aquele dia fui no calor do momento, de qualquer forma eu falarei com ele e terminarei de...

Soo Yun não conseguiu terminar a frase, foi interrompida por um Taehyung extremamente irritado.

- QUANDO IA ME CONTAR LEE SOO YUN? HEIN? QUANDO IA ME FALAR? QUANDO ESTIVESSE ENTRANDO NO AVIÃO? – Taehyung pegou a irmã pelo ombro como se fosse uma boneca e colocou de frente para ele. Soo Yun não mudou a expressão, apenas o encarava fria.

- Taehyung cale essa boca, isso é um hospital! Inferno! – Nari ainda estava com a farda e seu jaleco por cima. De certo tinha seguido o amigo. -  Fale baixo! – Pediu e Taehyung pareceu respirar.

- Eu ia conversar com você. – Soo Yun deu de ombros.

- Ah você ia? – Taehyung afastou. – Eu estou muito, mas muito irritado Soo Yun. Não me provoque.

- Tae. – A irmã suspirou e deu um passo a frente enlaçando a cintura do irmão. – Eu não posso mais ficar aqui.

- Você não pode simplesmente me deixar para trás! Eu vou com você. – Taehyung afastou a irmã encarando-a. – Você ia com o Yoongi, então eu vou no lugar dele.

- Ir para onde? – Hoseok resolveu se intrometer.

- Não Tae, eu não vou te arrastar para isso. – Soo Yun abraçou o irmão de novo.

- Você não pode me impedir, eu vou falar com o major. – Saiu do abraço da irmã sem olhar para trás.

Nari o seguiu sem dizer tchau e Hoseok ainda estava paralisado tentando entender tudo aquilo.

- Soo...

- África Hobie, recebi uma proposta de ir com o Yoongi para a África. Estávamos analisando as possibilidades e eu até tinha desistido. Mas agora vejo que as coisas acontecem no momento certo.

- Acha que esse é o momento certo para deixar tudo para trás e fugir?

- Não estou fugindo.

- Sim você está e não se faça de desentendida. Sabe muito bem do que estou falando! Você sequer deu uma chance a si mesma e agora vai sair do país?

- Eu vou seguir minha vida Hoseok, vou seguir meu caminho em paz! Longe do meu pai, longe do Jin, longe do Yoongi.

- Yoongi, que bom que tocou no nome dele. O cara que deu a vida por você e que está acordado há uma semana.

- Hobie, não me faça discutir com você. As coisas estão difíceis para mim, eu estou sofrendo! – Soo Yun sentou na cadeira do acompanhando na ponta da maca e Hoseok ajoelhou-se á sua frente.

- Soo você não pode ir! Por favor, me diz que vai pensar sobre isso. Eu posso te ajudar!

- Ninguém pode Hobie, estou fadada a ser um fantoche na mão do meu pai. O cara que era meu noivo está sem memória, e o cara que eu pensei que me faria feliz partiu meu coração. Não posso mais com isso, não posso mais ser machucada e machucar as pessoas que estão ao meu redor e não tem culpa de nada.

- Não Soo, não! Olha só...vamos sair para jantar e conversamos sobre isso. – Hoseok debruçou no colo camuflado da garota. – Por favor!

Soo Yun desabou junto com Hoseok. Não sabia exatamente porque, mas tinha que deixar todo aquele peso sair de seus ombros.

- Eu tenho que voltar para o quartel Hobie, quando eu vier para ver os exames nós conversamos.

- Quanto tempo?

- Acredito que até umas 19h estou aqui.

- Não Soo Yun, quanto tempo vai levar esse trabalho na África?

- De cinco á sete anos. Depende.

- Eu vou com você! – Levantou distraído. – É isso, eles sempre precisam de médicos. Eu sou clínico geral, eles me aceitarão!

- Não Hoseok, para com isso.

- Você não pode me impedir, vou falar com o major.  – Imitou Taehyung e saiu da sala deixando a garota sozinha.

Soo Yun encarou a porta durante um tempo esperando que ele fosse voltar, mas não voltou. Quando teve certeza que estava sozinha, levou as duas mãos ao rosto e chorou.

Não queria, odiava chorar, mas estava cada vez mais difícil com a idade. Chorou toda a dor que estava sentindo, chorou toda mágoa, toda culpa, todo sofrimento, toda perda, toda decepção.

Queria muito uma bebida forte, tão forte que a fizesse apagar. Tão forte que a fizesse esquecer o próprio nome.

Lembrou do líquido suspeito de Taehyung, será que ele teria mais?

Será que ela poderia beber com a medicação que estava tomando?

Seria possível que ela apagasse de vez? Lentamente. Gradativamente, como alguém que pega no sono?

...

- Dr. Jin, está tudo bem? – O homem encarava o chefe assustado.

Jin estava petrificado encarando os monitores.

- Dr. Jin?

- S-sim está tudo bem, eu só precisava confirmar se o áudio também estava funcionando. – Jin pigarreou.

- O que está te preocupando Jin? – O outro médico na sala perguntou ao amigo.

- Eu não atendi a uma moça um dia desses, passei direto e Hoseok a atendeu. Queria ver se as câmeras pegaram e se tinham áudio.

- Seu pai instalou câmeras no hospital todo Jin, depois dos processos por negligência ele não teve alternativa.

- Todas tem áudio Kang?

- Não senhor. – O monitor quem respondeu. – Só as que ficam nos consultórios e nos quartos têm áudio e vídeo. As dos corredores só mostram a imagem Dr. Jin.

- Quem é essa moça que estava com o Hoseok? – Kang perguntou curioso ao ver a reação de Jin.

- É noiva do Tenente em coma. – Jin respondeu seco.

- Noiva? Tem certeza? – O médico riu. – Achei o irmão dela bem petulante.

- Chega Kang. – Jin pediu entre dentes. Toda calma que vinha cultivando aquela semana se esvaiu num piscar de olhos. Todo entendimento se tornou ódio outra vez.

Ele tentando encarar os fatos de frente como um adulto e Soo Yun fugindo feito uma garota mimada? Depois de todos os erros que tinha cometido ia simplesmente sair do país fingindo que nada tinha acontecido, e pior, levando Hoseok Junto? E Hoseok? Estaria apaixonado por ela?

Maldita hora em que entrou naquela sala de vídeo. Tirou o celular do jaleco e encarou. Não iria deixar passar.

...

- VOCÊ FEZ O QUE? – Soo Yun gritou dando um soco na mesa de madeira maciça.

- Isso mesmo que você ouviu, eu vetei essa sua missão. Você não vai a lugar algum sem minha permissão garota insolente, eu sou seu pai e seu superior.

- VOCÊ NÃO É MEU SUPERIOR E TÃO POUCO MEU PAI!

O homem levantou lentamente e a encarou com a frieza de um demônio desalmado.

- Não levante a voz para mim ou eu parto essa sua cara ao meio garota.

- Eu quero ver você me impedir de fazer qualquer coisa seu velho desgraçado do inferno! – Soo Yun sorriu diabólica. – Só tente!

O pai sorriu com desdém e Soo Yun sentiu as sobrancelhas franzirem involuntariamente.

- Eu já formalizei o contrato com SeokJin sua inútil.

- C-como é? – Sentiu o baque no peito e deu um passo para trás. Iria partir para cima do pai a qualquer momento, mas precisava ouvir o que ele tinha a dizer antes.

- Isso mesmo que você ouviu, seu precioso SeokJin veio aqui ainda há pouco formalizar o contrato e adivinhe só? Ele aceitou TODOS os meus termos. – Gargalhou.

Soo Yun respirou fundo e encarou um retrato que ficava na parede atrás do pai. Desde que se lembrava, aquele retrato estava ali: ele e os companheiros na academia militar. Via os dedos do tempo em cada detalhe. Na borda da moldura simples que nunca fora trocada, no branco que se tornara amarelo. Nos olhos de cada um daqueles jovens.

E ali estava bem na sua frente. As linhas de expressões duras e cruéis. De fato a crueldade não parava apenas no rosto que deveria ser de um senhor cansado da jornada da vida, querendo paz e felicidade.

A crueldade estava nas linhas, nas palavras que ele dispensava sem pudor. Nas mãos pouco calejadas recuperadas com o tempo. E principalmente no coração, ou pelo menos no lugar onde deveria ter algo como isso. Por que as coisas tinham que ser assim?

Por que sua vida tinha que ser assim?

Então seu fim seria isso? Não conseguiria provar seu valor de fato. Não conseguiria ser livre e estava fadada a casar com o homem que amava, mas que na verdade estava apenas se unindo ao seu pai para transformar sua vida num completo inferno.

Apenas por vingança.

Naquele momento, pela primeira vez em toda sua vida Soo Yun esqueceu-se de todos os sonhos e objetivos que tinha.

Ali naquele momento, pela primeira vez em toda sua vida...

Soo Yun apenas queria desistir.

Estava cansada de lutar.


Notas Finais


E a revisão non ecziste! ASHUASHUASUHASU

~Kisses


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