História The Red Prince - Capítulo 16


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Fluffy, LGBT, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 16 - 16


Depois de muito discutir com Jimin, acabei por ceder e deixei que ele preparasse algo para eu comer. Mesmo afirmando que poderia jantar em casa ao sair, ele insistiu que iria apenas ferver macarrão instantâneo e que preparar um para mim lhe arrancaria nem o mínimo esforço. E como o Park era muito melhor do que eu quando se tratava de discussões, não demorei para sentar em frente ao seu balcão e esperar a refeição. Fiquei um pouco triste por ele fazer logo isso para a janta, pois era algo extremamente simples e rápido de se fazer e parte de mim queria vê-lo usando um avental, como minha família costumava usar para cozinhar. Será que a família Park usava aventais na cozinha? Não sabia se cozinhar de avental era algo comum ou só coisa de minha família.

- Jungkook?

Jimin se virou para mim e percebi que tinha aquele tom cansado usual, que ele usava frequentemente quando já me chamara uma série de vezes. Desviei os olhos de seu armário, que notei já estar encarando há um tempo, e indaguei o que queria.

- Eu pedi para você pegar minha mochila para mim. - repetiu, fazendo um movimento com a cabeça em direção a porta da entrada. Sem perder tempo, eu levantei e andei até a porta, para pegar a mochila jogada ao lado da mesma. Não pude deixar de achar graça ao notar Sejeon, que me seguiu aos pulos. – Agora, pode dar meu celular para Sejeon? Está no menor bolso da mochila.

- Tem certeza...? Ela é tão nova, não tem medo de ter seu celular quebrado? - inquiri, me sentindo um pouco mal ao ver a expressão chateada da garotinha assim que terminei de falar. Mas, ora, era a realidade. Crianças não eram conhecidas pelo cuidado que tinham com objetos.

- Pode dar, ela já mexeu no meu celular várias vezes. - assegurou Jimin, da cozinha. Entreguei o citado para a criança e ela o agarrou com um grande sorriso no rosto, correndo para cozinha com o aparelho em mãos. Quando voltei a me sentar no balcão, o Park continuou: - Sejeon gosta de ouvir música quando está aqui, então ela sempre pede a para eu colocar para ela. Até que um dia decidi ensiná-la a fazer isso sozinha.

- Hm-hum.

Assisti a garota se sentar em uma das cadeiras da mesa de jantar, balançando as perninhas no ar, enquanto sorria para a tela brilhante. Logo, ela pousou o celular na mesa, com todo o cuidado que seus dedinhos miúdos permitiam, e uma melodia muito familiar começou a tocar. Reconheci como uma música que já ouvi alguma vez em um filme americano, apenas não sabia qual.

- Cara, você está muito distraído hoje. - comentou Jimin, se afastando do fogão. Ele começou a tirar seu blazer e, enquanto tirava seus braços das mangas, se virou para mim. Deduzi que o vapor do macarrão fervendo deveria estar o matando de calor. - Desde de que estávamos na escola, você parece estar perdido em outro planeta. Aconteceu alguma coisa, para estar pensando tanto?

- Não, não aconteceu nada. Acho que só estou me distraindo com mais facilidade ultimamente. - admiti. - Já está acontecendo desde cedo, Jungyeon comentou a mesma coisa.

- Por causa de seu negócio com cores?

-Não. Ou melhor, sim. Muitas das vezes, mas não todas. Como posso me explicar... - respondi, me enrolando um pouco. - Eu começo a pensar em algo, esse pensamento leva a outro e acabo ficando preso em uma corrente de pensamentos que muitas das vezes nem estão muito relacionados. Aí, o pensamento que começa a corrente ou em que ela termina costuma envolver meu "negócio com cores". Sempre acabo voltando a isso de um jeito ou de outro.

- Esse pensamento é tipo o príncipe-regente da sua mente. Ele vai ficar ali até alguém mais importante aparecer.

- Pra ser sincero, acho que não faço ideia do que um príncipe-regente faz.

- Eu tenho uma ideia, mas não sei explicar. - revelou, rindo.

Jimin desligou a boca do fogão com uma mão, enquanto a outra pegava um dos potes dos três Cup Noodles que ele usou para colocar a "refeição". Enquanto ele botava o macarrão no pote, a música de seu celular mudou para uma outra que soava tão antiga quanto a anterior. Me perguntei se o gosto musical do Park se tratava apenas de músicas criadas antes do século XXI; entretanto, por mais que aquele não fosse bem o meu tipo favorito de música, gostei de vê-lo se envolvendo no ritmo. Ele balançava levemente de um lado para o outro, mexendo a cabeça na batida da música e cantando junto a letra. Cantava baixo demais para que eu pudesse ouvir sua voz, mas alto o suficiente para que eu fosse capaz de ao menos perceber que o fazia. Sejeon também se juntou a ele, cantarolando um conjunto de palavras inventadas para tentar acompanhar a música aparentemente americana, mesmo sem saber nem entender a letra.

Aquela cena era tão adorável e doméstica que não consegui evitar sorrir. Antes que eu pudesse me conter, já estava fazendo o tipo de pergunta que eu, até então, fazia apenas à minha família.

- Qual você acha que seria a cor das coisas adoráveis?

O garoto do vermelho se virou para mim ao ouvir minha súbita pergunta, com um olhar curioso. Em seguida, franziu o cenho, como se só então entendesse o que quis dizer.

- Pensei que você desse cores apenas para emoções e sentimentos. - disse, com as sobrancelhas ainda juntas. Ele pôs dois potes de macarrão na mesa e fez um sinal para que me sentasse, o que fiz com fiz de prontidão. – “Coisas adoráveis” é o tipo de coisa que merece cores?

- Acho que eu me expressei mal. Quando digo isso, quero dizer a fofura. – apressei-me em corrigir. – Talvez a inocência, a pureza. Como posso dizer? Esse sentimento de ingenuidade infantil que achamos pertencer apenas à crianças, mas vez por outra surge como pequenos vislumbres em nossas ações. Acho que não tenho uma palavra exata para descrever, mas que cor você daria para isso?

Jimin sentou ao meu lado, nos entregando nossos pauzinhos com uma expressão pensativa. Ele se pôs a remexer seu macarrão por alguns segundos, observando o claro vapor que saía do mesmo como se ela pudesse lhe dar alguma resposta. A música de seu celular mudou mais uma vez e a reconheci imediatamente como You Can Be The Boss, de Lana Del Rey. Era uma música que, assim como todas da cantora, eu adorava e por pouco não fiz um comentário sobre isso com o Park. Contudo, eu queria ouvir sua resposta mais do tudo, pois aquela era oficialmente a primeira vez que meu prezado garoto do vermelho entrava naquele meu jogo de cores. Nunca cortaria seu raciocínio em um momento tão precioso.

- Olha, quando você fala em pureza, consigo pensar apenas em branco.

Balancei a cabeça em negação, quase de imediato.

- Branco é tédio, hyung. – apontei, um tanto decepcionado. – Tente outra vez.

- Então... Verde, talvez?

- Não, hyung! Verde é horrível! – neguei.

- Ora, eu nunca fiz isso antes. Você pediu minha ajuda para ficar criticando o que escolho? – reclamou, frustrado.

- Não tenho culpa se você só escolhe cores que já tem significados.

Sejeon riu de minha resposta, o que me deu um leve susto. A garota havia ficado tão na dela até então, apenas balançando no ritmo das músicas que tocavam sem falar uma palavra, que acabei por esquecer que ela ao menos estava ali.

Já Jimin, mantinha os olhos nela o tempo todo, para ter certeza de que a criança não faria nada preocupante; mesmo que ainda me desse sua atenção. Era notável que o Park gostava muito da garotinha. Isso refletia no eye smile que deu para ela, quando a mesma balançou seu cabelo e acertou o próprio olho com uma mecha.

- Ai, coitada. - lamentou Jimin, apesar do riso. Ele tirou uma xuxinha do pulso dela e prendeu seu curto cabelo em um pequeno rabo de cavalo. Ele pegou parte de sua franja e ajeitou atrás de suas orelhas, com o cenho franzido. - Cara, sua mãe deveria cortar logo seu cabelo. Se sua franja crescer mais do que isso, você não conseguir enxergar direito!

Só nesse momento que pensei em algo que deveria ter pensado desde que pisara na casa do Park: quem era aquela garota? Ou melhor, o que ela era de Jimin? Enquanto o garoto do vermelho procurava por algo para comer, acabei assumindo que a garota era sua irmã mais nova, sem me importar ou pensar muito nesse assunto. Mas Jimin não tinha irmãos. Na verdade, ele sempre deixava claro que sua mãe era sua única família.

Eu estranhava um pouco a concepção de família que Jimin tinha. Conversamos sobre sua família pouquíssimas vezes, por ser um assunto que ele não parecia gostar muito de falar. E quando falávamos sobre isso, era muito difícil saber o que era mentira e o que era verdade. Já dissera que nunca conhecera nenhum avô, primo ou tio; mas depois dizia que só esquecera do rosto deles. Dissera que sua mãe, por algum motivo, odiava o resto da família Park e sempre o afastou de seus outro familiares; depois dissera que, por mais que ela sentisse falta da família, eles não podiam voltar. E quando eu o pressionava sobre por que não podiam voltar, ele apenas afirmava não estar falando sério.

O pior mistério de todos era seu pai.

Primeiro, Jimin dissera que seu pai estava internado por conta de uma doença grave. Após isso, quando comentei novamente sobre isso, dissera que ele morava muito longe e nunca o via. Outra vez, o garoto de vermelho insinuou que nem ele mesmo sabia onde estava o pai. Por fim, cheguei à conclusão de que seu progenitor deveria estar morto, para que o garoto se esforçasse daquela forma para que eu deixasse o assunto de lado. Além de que Jimin não costumava contar tantas mentiras sobre um mesmo assunto, pelo menos era isso que eu observara até então, com toda a atenção zelosa que tinha pelo garoto do vermelho.

Certas vezes, me assustava perceber o quão pouco eu sabia dele. Sempre que me surgia a ilusão de que o conhecia melhor, uma curta reflexão já era capaz de me lembrar que sabia de quase nada sobre o mundo de Jimin.

- Hyung, o que Sejeon é de você? - indaguei, enquanto o mais velho voltava ao seu lugar. Pela expressão travessa que ele assumiu, me apressei para continuar: - Se disser que ela é sua filha ou qualquer merda dessa, eu vou embora.

Jimin gargalhou alto com a minha condição, largando seus pauzinhos no pote do macarrão, para cobrir sua boca com a mão e ainda me dar um leve tapa. Sorri abertamente ao ver mais uma vez seus olhos sorridentes; adorava quando o Park estava de bom humor, tudo parecia fazê-lo sorrir.

- Que horror, Jungkook. É isso que você pensa de mim? - debochou. Nem verbalizei minha resposta, apenas revirei os olhos. - Relaxa, ela é só a filha da nossa vizinha. Ela é mãe solteira e tudo mais, então quando ela precisa fazer alguma coisa e não pode levar a filha, a gente se habilita a ser babá de Sejeon por um tempo. Apesar que minha mãe não é a pessoa mais adequada para esse trabalho, agora. Sabe o que quero dizer.

Eu realmente não entendia como Jimin conseguia alfinetar a própria mãe tantas vezes, sem ficar mais chateado do que já estava com a situação da mesma. Era como se sentisse mais raiva do que mágoa.

Enquanto eu ponderava sobre Jimin, sua família e cores, ele já esvaziou seu Cup Noodles e o levantou para jogá-lo fora. Isso sempre me deixava confuso quando acontecia. Jimin que comera muito rápido ou eu que atrasara minha refeição ao viajar no meus pensamentos? Meu pote ainda estava na metade.

- Acho que você tem razão. - comentei, voltando a comer. Havia esfriado um pouco. - Estou meio perdido, hoje.

- Ainda está pensando na cor?

Apenas assenti. Não era apenas naquilo que pensava, mas pelo menos estava na lista.

- Então, eu estava pensando aqui e pensei em duas. - disse, virado de costas para mim. - Que tal azul-bebê?

Ele parecia estar fazendo algo na pia, mas não havia nenhuma louça desde a última vez que eu observara. Me estiquei um pouco para ver o que fazia e percebi que esvaziava uma garrafa de vidro verde, jogando todo o conteúdo no ralo da pia. Franzi o cenho com sua tarefa esquisita, mas ainda o respondi:

- Azul-bebê é pena. Qual é a outra que você pensou?

Jimin abriu a geladeira e pegou duas garrafas juntas, dessa vez.

- Tenho certeza que você já tem algum significado para essa cor. Mas já pensou em rosa?

Emudeci assim que ouvi sua sugestão, sentindo um misto de surpresa e indignação comigo mesmo. Como rosa nunca havia se passado por minha cabeça? Finalmente parando para pensar sobre isso, era a primeira vez que eu pensara em rosa desde que começara a pensar em cores para elementos de minha vida. Era a cor de um dos batons mais usados por Jimin, como pude negligenciá-la por tanto tempo?

- ...Não é muito bom? - inquiriu Jimin, depois de alguns segundos encarando meu silêncio. – Vou ver se consigo pensar em outra.

- Não, é perfeito! - exclamei.

Sem conter minha animação, levantei de minha cadeira e me postei ao seu lado. Eu não conseguia controlar minha empolgação ou sequer meu sorriso. Aquela era a primeira que alguém me ajudava de verdade a pensar em uma cor. Em todas as cores anteriores, tive que chegar à elas sozinho e, mesmo se pedisse ajuda para meus irmãos, eles perdiam interesse em pouco tempo e me deixavam para encontrar uma resposta sozinho. O fato de ter sido justo o garoto do vermelho a me mostrar uma pequena luz me deixava ainda mais feliz.

Contudo, nem me dei o trabalho de o explicar o porquê de minha súbita imensidão de alegria. Não queria que ele me achasse esquisito, já que sabia que era estranho me animar tanto por algo tão pequeno.

- Rosa! Como nunca pensei nessa cor?! - continuei, incrédulo. - Céus, me sinto tão idiota!

- Acho que somos dois idiotas, então. - retrucou, sorrindo pequeno. - Só consegui pensar nessa porque é a cor favorita de Sejeon.

O Park se aproximou da citada e apertou sua bochecha, ignorando as reclamações da garota. Ele assumiu aquele tom infantil e adorável usado para se falar com crianças ou cachorros, algo que nunca pensei que veria Jimin fazer. Ele não mentiu quando disse que adorava crianças.

- Tem algo mais puro e inocente do que essa coisa fofa? - disse, segurando o riso.

- Para com isso, ChimChim! - resmungou a pobre garota, enquanto tanto ele ria da cara dela.

- Um dos lados bons de crescer é que você pode se vingar da vida, fazendo coisas de tias chatas em outras crianças e fazer que elas sintam o mesmo desconforto que você já sentiu.

- Credo, hyung! - disse, fingindo estar horrorizado. Mas, um segundo depois, entreguei a atuação ao rir. - Mentira, eu já sabia disso. Como acha que eu trato meus irmãos? Junghoon é o que mais sofre em minhas mãos.

- Depois o malvado sou eu. - caçoou.

Ele voltou para a pia e pegou a terceira garrafa, a abrindo sem dificuldade, para logo jogar o líquido fora. Eu temia estragar o clima descontraído que tínhamos na cozinha, mas era difícil ignorar meu creme de curiosidade. Ainda mais quando se tratava de Jimin.

- Hyung, por que está jogando essas cervejas fora? - falei, num tom cauteloso.

Jimin pareceu ponderar por um segundo e, assim que deu de ombros, eu já sabia que estava prestes a mentir. Suspirei e voltei a olhar a bebida alaranjada descendo pelo ralo, me perguntando que desculpa ele me daria para encobrir um possível problema de verdade.

- Eu só não gosto dessa marca.

Claro que não gostava.


Notas Finais


Eu sei que demorei meses (literalmente) para postar um novo capítulo, mas por um tempo eu não consegui escrever nenhuma de minhas fics. Minha cabeça estava cheia de plots aleatórios e eu não queria escrever nenhum deles para não me desviar das fanfics que eu já estava postando; porém, não conseguia escrever nenhuma das fanfics que eu estava postando, por causa das ideias que eu tinha na cabeça. Por isso, acabei resumindo todas as ideias em uma pasta e acabou se tornando 31 documentos e sinceramente nem sei se o número vai aumentar.
Quando terminei de "me livrar" de todas as ideias que eu tinha em minha cabeça, consegui voltar a escrever as fanfics que postava, mas das três, deixei apenas essa de lado. Não só porque não sentia a mesma criatividade para essa história, que eu sentia para as outras. Mas também porque os capítulos estão se aproximando cada vez mais de uma parte que eu não me sinto muito confiante para escrever, por ser algo que nunca escrevi antes e tenho medo de não sair tão bom quanto eu gostaria. Me desculpe por ter demorado e enrolado tanto :(


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