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História The Republic - Capítulo 1


Escrita por: e Tio_Mitsuke


Notas do Autor


Essa é a minha primeira estória, eu nem sei o que escrever aqui em cima kkkk... espero que gostem dela, foi feita com muito carinho e fumação de banana. O capítulo é narrado no ponto de vista do Taehyung.

A capa foi feita por: Pkmin
Capítulo betado por: Tio_Mitsuke

Capítulo 1 - Prólogo


•Flash back On•




                   

          3 Anos atrás...


 A brisa fria da manhã assovia contra os ouvidos e sopra o alto das árvores grandes e velhas, balançando as folhas, fazendo com que algumas caiam sobre o chão coberto de vegetação molhada, sendo assim levadas pelo vento em meio ao arvoredo.


Gotas gélidas caem contra meu rosto, é a chuva mais uma vez, a mesma que me faz lacrimejar e me sentir melhor vendo que os céus também ficam tristes.


Ele se enche de nuvens quando o sol desaparece, ficando solitário e por isso troca o azul pelo cinza, chorando até que o sol volte a aquecer seu frio e iluminar seu breu, eventualmente alegrando seu dia sem cor, descolorido como as folhas dos cadernos novos na mochila. 


   O ar gelado corre pela espinha, encrespando a pele e eriçando os pelos como estacas. Coloco o capuz em reação tentando amenizar o frio, mesmo que minimamente.


Volto a olhar pra frente, percebendo que tive sorte de ficar tanto tempo olhando para o céu nebuloso sem esbarrar em alguém enquanto andava distraído, evitando um eventual constrangimento entre a multidão de estudantes que esperam o sinal ecoar, temendo voltar para suas respectivas rotinas de estudo com medo da matéria enquanto se ocupam em conversas genéricas em seus grupos.


Todos aparentam ter algo parecido, seja interesses em comum ou mesmo as duas garotas que avistei terem combinado a roupa. Semelhanças, acabam se vendo no outro de alguma forma, sendo inseguranças ou coisas que lhes atraem, mesmo que muitos não tenham sequer empatia. Bem… aquela garota que colocou um papel escrito "me chute" nas costas de uma outra menina de óculos não aparenta ter muita.


 Porém eu não estou em nenhum desses grupos, além de ser o meu primeiro dia nessa escola, já sei que não vai aparecer muita gente que queira fazer amizade com o "duas caras" - como costumam me chamar antiga escola - pelo menos quando souberem o porque desse apelido, sem contar outras séries de coisas que faço que costumam estranhar. Como, por exemplo, minha mania de chorar quando chove, coçar o nariz quando estou com vergonha ou o fato de falar demais. E não me contentando em falar demais, ainda acabo espantando alguns com meus assuntos, minhas reclamações do calor e minha vontade de que todos os dias sejam nublados e frescos - o que inclusive faz com que as pessoas se vistam muito bem e me permite usar moletons por cima do uniforme - ok… As pautas não são super estranhas, mas talvez a forma com que me expresso em decorrer delas. Acho que o fato de ser tímido e somente observar me fez disperso de como ter uma conversa que seria considerada normal, além de um "Bom dia" com um sorriso gentil ou "Você está bem?", que as vezes me fazem ter longas conversas - não tão compridas assim - com desconhecidos que aparentam tristeza, mas não querem dizer isso explicitamente. Acabo incomodando sem intenção as vezes.


Conclusão: Não sei como agir diante das pessoas, e isso é? Uma vergonha! Tipo, eu sou uma pessoa, certo? Devia ser assim tão difícil socializar? Porém minha sorte não é tão má assim. Anos atrás, fiz amigos além de Jungkook - que conheço desde criança, e poderia considerar quase como um irmão - e passamos a formar sete. Estranhamente nenhum deles era muito parecido comigo, mas como eu me dava bem com Jungkook com o tempo seus amigos passaram a se dar bem comigo também, mesmo que Jin escandaloso, Jimin briguento, Suga rabugento e J-hope mijão preferissem as suas atividades do que ter um diálogo susurrado na biblioteca enquanto ajudava meu tio - e pai de Jungkook - a arrumar os livros nas prateleiras nos sábados.


Namjoon hyung era o diferente, quase um psicólogo, acho que o único que realmente prestava atenção em tudo que eu dizia sem dormir. E nesse período de tempo passamos a ser quase irmãos de tão grudados, é uma pena que minha mãe não me deixe sair muito - lê-se praticamente nunca - e agora finalmente me mudou pra um colégio interno que nem ao menos conhecia, cheio de rostos desconhecidos. O que tem me deixado triste desde que descobri, sabendo que seria difícil sair da mansão Kim para um local que não fosse a escola ou a biblioteca, mesmo meus amigos prometendo que dariam um jeito, o que me deixou menos melancólico, sendo grato por tê-los. Mas ainda vestindo meu moletom cinzento.



— É… Um novo ambiente para me habituar e sofrer bullying, super animador... - Disse pra mim mesmo e nem mesmo aguentei não rir da minha própria desgraça, revirando os olhos e suspirando, tentando encher os pulmões de uma coragem que não é minha.


— Talvez não seja tão ruim depois... Tem gente nova pra desenhar e pod.. - Minha fala ilusória foi cortada sozinha na garganta assim que vislumbrei em volta e notei um grupo me observando meio torto, tipo "Olha só que moleque estranho parado nas escadas conversando sozinho", é o que parece, sou ótimo leitor corporal. Ok... ali está meio óbvio. 


Desviei o olhar coçando o nariz com constrangimento, arrumando a mochila nas costas, segurando firme nas alças e engolindo tão seco que pareceu arranhar minha garganta.


 Mirei os degraus desgostoso e comecei a subi-los como já deveria ter feito ao invés de parecer um retardado parado no metade da escadaria, no meio do caminho conversando com o gasparzinho, que no momento é minha única companhia… 



Ou não...



— Hum...!? M-Me desculpa, não te vi, você se machucou? - Questionei envergonhado depois de esbarrar em uma garota que não tinha visto a minha frente.


— Estou bem, obrigada… Já você parece precisar de ajuda, aparenta estar meio perdido... Está? - Pergunta a garota, me fazendo levantar a cabeça e ao fazer isso analisar sua expressão, ela não parece ter raiva no seu semblante, na verdade, seu rosto bonito é sereno, sua pele é iluminada pela matina que contorna seus traços delicados o que destaca sua palidez, com um toque avermelhado nas maçãs.


Meus punhos aparentam estar congelados com a manhã invernal, serrados nas alças da mochila como se tivessem petrificado, enquanto me perco ainda mais depois de quase derruba-la. Levo a mão até a barra cinza do moletom, subindo o zíper ao achá-lo, escutando o rápido som característico.


Ela perguntou isso mesmo?


   Olho pra baixo apertando os lábios e ainda meio acanhado, pego meu papel de transferência no bolso de trás do jeans.


Volto a mirar a garota, a vendo com o cenho franzido, enquanto me observa com certa curiosidade, como se estivesse se recordando de algo. Podia jurar que a vi arregalando os olhos por um momento, mas rapidamente abaixou a cabeça e a levantou com a expressão mudada, o que me pareceu meio estranho, mas quem sou eu pra falar isso.


— Olá. - Disse ainda com os lábios róseos curvados, em um ato gentil.


— Oi… - Coço a nuca levemente nervoso. 


 — Posso ver? - Aponta para o papel na minha mão e sem demora lhe entrego, vendo sua feição calma ao ler se tornar animada quando termina.


— Sou a representante de turma da sua sala. Bem vindo. Me chamo Rosé e você é Kim...


— Taehyung saeng-ah! - Ouço vozes gritando atrás de mim, me assusto antes de virar pra trás e fico surpreso ao ver meus seis hyungs correndo na minha direção, e as três garotas que os acompanhavam ficando para trás.


 Um sorriso praticamente rasga minha mandíbula, mesmo ainda atordoado com a surpresa. Eles realmente haviam se mudado por mim.


E me derrubam ao me abraçarem, causando risos e sorrisos, mesmo eu tendo ralado o cotovelo na queda.


Bem… Parece que meus hyung's apareceram pra iluminar meu céu, mesmo que ao olhar pra cima ele ainda esteja nublado. 


 

           •Flash back Off•


           3 anos depois



Olho pela janela do ônibus, vendo o ritmo da chuva aumentar, assim como seu som ao se chocar contra o chão asfaltado da estrada. As gotas grossas tamborilam contra as janelas e borram os faróis dos automóveis. 


Coloco os fones de ouvido, esperando a música. O toque domina os fones adentrando meus ouvidos, acompanhado de um suspiro vindo de minha boca, cuja os lábios ressecam. Me acomodo na poltrona do ônibus, e a percebo ainda mais desconfortável, fechando os olhos e apertando as pálpebras, em busca de afastar a ardência que os apossa com lembranças indevidas.


 — Não queria ir pra faculdade sem você... 


 O som do motor é ligado e uma briga sonora é iniciada com a tempestade e a música que toca nos fones. Parece que depois de dez minutos o motorista resolveu sair do banheiro e voltar a dirigir. Aumento o volume da música e inclino a poltrona.


Todos os outros estudantes já dorme em seus assentos, eu e o motorista somos os únicos acordados... Na verdade ele não parece estar muito bem acordado enquanto coça os olhos e boceja, mas não é como se eu fosse perder alguma coisa se por acaso o ônibus capotasse… O motorista bebe café em sua garrafinha térmica estampada, então no máximo vai ao banheiro algumas vezes, ocasionando em paradas. Nada que me incomode.



 [>¤BLOCO DE NOTAS¤<]


 "As vezes me lembro dos velhos tempos, das lembranças, da alegria que se transformou em tormento, da sua presença que não se faz mais presente, do seu sorriso e o perfume de flores, da sua voz… Ainda a escuto em minha cabeça, ouço seus sussurros se silenciarem em cada sonho que já tive desde que se foi, já se passaram três anos, não achei que aguentaria tanto tempo sem você, mas venho aguentando sem uma parte de mim... Sem você, eu não vivo, eu apenas sobrevivo, a cada dia pensando em diversas formas de acabar comigo para estar contigo, mas acho que você não me perdoaria se eu o fizesse. Já não me perdôo por não tê-la salvado, mesmo que eu morra por dentro todos os dias, ainda não posso tocá-la ou sentir teu cheiro me embriagar, minha punição é ficar sem você por não tê-la protegido quando deveria ter feito...".


Desligo a tela do celular depois de escrever em minhas notas, como de costume, fechando os olhos me concentrando na letra da música que cantarolo baixinho em busca de distração, sentindo o corpo pesar aos poucos, até que a música se abafasse e o sono silenciasse qualquer ruído que pudesse  ouvir.


                  °  °  °


 Pensei que não dormiria mas acabei adormecendo, coço os olhos com as costas das mãos, ainda me acostumando com a luz que insiste em atingi-los ao atravessar o vidro da janela. Os céus já não choram mais e nem ronca o motor. Estamos parados. Olho pro lado vendo os alunos tirando suas malas dos bagageiros enquanto outros conversam entre si ainda saindo do ônibus, abro a boca em um bocejo inevitável, me espreguiço sentindo os ossos estalarem, levantando da poltrona com certa dificuldade pela inclinação da mesma.


  Abro meu bagageiro pegando a mochila colocando-a nas costas. É... está um pouco mais pesada do que me recordava. Puxo a mala, não esperando que ela quase caísse em minha cabeça. 


Acabo sendo o último a descer do ônibus. Ouço um baque e levo um susto que arregala meus olhos, mas depois percebo que era apenas a porta do ônibus se fechando, reviro os olhos e volto a andar em direção a minha antiga escola... É, voltei pra esse lugar mesmo depois de tanto tempo tentando evitar as lembranças, toda a dor, os sentimentos e a sensação de incapacidade que vem junto a ele… Me junto ao bolo de alunos que escutam os avisos e regras que são passados pela diretora, os mesmos avisos que todos sabem de cor. Ligo a tela do celular e troco de música - sem esquecer de aumentar o volume - guardando depois o aparelho no bolso.


Suspiro em alívio depois da mulher terminar de falar, parecia que nunca iria acabar seu discurso, não escutei a maior parte do que disse, porém sei que os instrutores e líderes aparecem para orientar os alunos sobre os quartos, como sempre acontece. Me aproximo de um instrutor.


— Olá, você pode me informar sobre os quartos? - O instrutor levanta a cabeça desviando seu olhar que antes se focava na planilha em suas mãos e olha para mim.


— Quartos? - Questiona como se estranhasse minha pergunta, franzindo o cenho, porém logo relaxando ao que concluiu que... - Aah! Você chegou depois, é novato? - Tira essa conclusão ao perceber minha falta de informação. Rio nasal e concordo com a cabeça, mal sabe ele que na verdade eu escutava música enquanto o discurso era dado, culpa das músicas que são boas demais comparadas a voz da diretora de terno rosa. — Este ano não teremos a divisão de quartos, vocês não ficarão nos dormitórios do campus e sim em repúblicas próximas a escola. Reformas estão sendo feitas e foi decidido dessa forma. A lista com informações sobre onde você vai ficar deve ser alguma daquelas coladas na parede - Aponta para a parede onde vários alunos se acumulam. Não consigo evitar de fechar a cara em insatisfação pela notícia, deixando o rapaz com um semblante um tanto confuso, me fazendo revirar os olhos ao lhe dar as costas, começando a andar na direção em que o instrutor Informou estarem as listas. É, tenho algo a relatar sobre... Esse povo cabeçudo se enfiou na minha frente e nem ao menos consegui ver a cor do papel!


Adentro a multidão empurrando alguns, sem muita delicadeza depois de muito pedir "Licença". Finalmente enxergo o pedaço de papel que tem como título "Lista-2" e começo a procurar meu nome, sendo um dos últimos presentes nela…


"Kim Tae-hyung |Curso de Fotografia"


Suspiro cansado e retomo meu caminho tortuoso pelos corredores repleto de jovens falantes, embebidos em animação.


Andando em passos lentos até a entrada, agora saída que se que se faz convidativa com o meu pensamento de que estarei frente a frente com uma cama após passar por ela, macia e bem mais confortável que aquele banco inclinado do ônibus.


Ao menos me deixou ver a chuva, ver suas gotas grossas caindo e se esvaindo até que se acabem como lágrimas, saídas dos olhos tristonhos de um céu revolto e nebuloso, que distribui raios amedrontando alguns. 

Mesmo ganhando um pescoço dolorido, a chuva ainda me acalma com êxito.

                    

                      °  °   °


 Depois de algum tempo caminhando em busca da república, finalmente encontro a casa no fim da rua. Diferentemente de como a imaginei, parece antiga, mas aparentemente reformada enquanto substitui os dormitórios agora inativos. Na frente da residência há um velho canteiro de rosas, repleto de roseiras atrofiadas e com as folhas roídas por insetos. Além das flores há grama alta, um caminho de pedras e um balanço improvisado pendurado no galho da grande árvore em frente a entrada da casa. Sigo pela passarela de pedras e subo os dois degraus ficando em frente a porta negra com a maçaneta dourada depois de poucos passos na varanda branca.


 Suspirei e tirei minha mochila das costas, me abaixando a procura da chave que me foi entregue. Assim que a vi sorri de canto imaginando minha futura cama e o descanso que me vai proporcionar. 


 No curto período enquanto me levantei e inclinei pra pegar a mochila não me atentei em olhar a minha frente, mas assim que feito meu sorriso murchou tanto quanto as rosas do jardim.


 Olhos arregalados, o som da chave caindo no chão e Jungkook em minha frente parecendo tão espantado quanto eu…


Notas Finais


É isso... Esse ep foi meio paradinho, mas o próximo vai ser bem mais agitado :)


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