História The Residence - Capítulo 23


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Categorias Bruna Marquezine, Cristiano Ronaldo, Gabriel Jesus, James Rodríguez, Marcelo Vieira, Marco Reus, Mats Hummels, Neymar, Philippe Coutinho, Roberto Firmino, Toni Kroos
Personagens Cristiano Ronaldo, Gabriel Jesus, James Rodríguez, Mats Hummels, Neymar, Personagens Originais, Philippe Coutinho
Tags Drama, Grey's Anatomy, Medicina, Neytinho, Romance
Visualizações 293
Palavras 3.756
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi meus amores, turu bom?

Gente, confesso que esse capítulo foi bem difícil e o que eu mais gostei de escrever KSJKSJSK quando vocês lerem até uma boa parte dele, vão entender do que eu estou falando.

Espero que vocês gostem, beijos e boa leitura!

Capítulo 23 - 23.1 - Como salvar uma vida - Parte 2


“Rápido, ajudem aqui!”

“O que raios aconteceu naquele quarto?”

Todos que estavam em volta de Philippe repetiam a mesma pergunta. Situações na qual o médico foi encontrado não eram comuns. Philippe foi levado para outra sala diferente da de Austin e começou a receber atendimento. Ainda estava inconsciente quando foi levado para lá com ajuda dos enfermeiros e nem tinha percebido que Bruna era quem estava responsável por ele.

Aos poucos, foi acordando novamente, mas a sensação de sufocamento ainda permanecia. Estava com um corte no supercílio e um pequeno roxo abaixo de seu olho esquerdo. Philippe estava sentindo uma pressão contra o seu tórax e depois que se acostumou á luz novamente, enxergou alguns enfermeiros, James e Firmino a sua direita e Bruna a sua esquerda. A sensação ruim de como se fosse parar de respirar estava passando graças a um tubo de oxigênio que estava em seu nariz.

Percebendo que Philippe tinha acordado, Bruna pegou a lanterna e levantou as pálpebras de Coutinho para ver suas pupilas. James chegou ao lado de Philippe e segurou a mão do interno.

— Philippe? — James perguntou para ver se o amigo já tinha recuperado sua total consciência.

— O que ‘tá acontecendo comigo? — Philippe perguntou ao se referir a seu estado e tentando levantar, mas sentiu uma dor forte.

— Coutinho, você está com um hemotórax. Estamos drenando um pouco do sangue que está acumulado entre os seus pulmões para podermos te levar para a cirurgia. — Bruna respondeu e fez com que Philippe encostasse sua cabeça contra o travesseiro novamente. O interno apenas assentiu com a cabeça. — Você está com outras lesões no baço e nas costelas, então eu preciso que você não se mexa tanto.

— Quanto tempo eu fiquei apagado? — Philippe começou a fazer novas perguntas.

— Uma hora e meia. — Bruna respondeu e Philippe arregalou seus olhos. — Você só ficou esse tempo todo porque nós te anestesiamos para colocar o dreno. — Ela explicou.

— Fica calmo. — Roberto disse para Philippe.

— Philippe, o que foi que aconteceu? — James questionou e Bruna cruzou seus braços. Antes que Philippe pudesse responder, Bruna começou a caminhar em direção a porta.

— Rodríguez, Firmino. Preciso dar uma palavra com vocês. — Ela disse e os dois internos a seguiram para fora da sala. Philippe tentou manter-se tranquilo dentro da sala.

— Ei... — James iria falar, mas foi interrompido por Bruna.

— Ele acabou de acordar. Não sabemos o que aconteceu entre ele e o paciente e muito obviamente que não foi algo bom, mas perguntar pra ele justamente agora só vai agitá-lo. — Bruna repreendeu James. — O deixe descansar um pouco e depois pergunte o que aconteceu, isso se a policia não fizer antes.

— Espera, desde quando se preocupa tanto com ele? Achei que não gostasse do Philippe. — James mordeu a sua própria língua quando falou e xingou-se mentalmente por ter dito aquilo. Roberto colocou sua mão contra a sua testa, demonstrando indignação com a fala de James.

— Desde que ele virou meu paciente, há uma hora. Acho que você sabe que nós somos médicos Rodríguez, fizemos um juramento. Não é porque ele dormiu com o meu ex que significa que eu tenho que o deixar morrer. — Bruna afirmou e manteve sua expressão séria. O Pager da médica tocou e ela o verificou por alguns segundos. — Preciso ir ver um paciente do pós-operatório. Fiquem observando ele e me chamem se notarem qualquer agravamento.

Depois do pedido de Bruna, os dois internos retornaram para a sala. Philippe permaneceu em silêncio, mesmo com a presença dos dois amigos ali ao seu lado. Firmino estava verificando o nível de sangue no dreno enquanto James ficou guardando algumas coisas no armário. Philippe suspirou por alguns segundos e decidiu falar algo.

— Ele me atacou. — A voz de Philippe saiu extremamente fraca, fazendo com que James e Roberto não entendessem direito o que ele havia dito.

— Como? — Os dois perguntaram ao mesmo tempo.

— O paciente me atacou. — Philippe repetiu e os dois internos conseguiram ouvir sua afirmação com mais clareza, aparentando estarem chocados com que Philippe lhes contara. — Sinceramente, só queria saber o que eu fiz de errado para que chegasse a esse ponto.

— Não foi sua culpa. — James disse. — Nós ficamos sabendo sobre o que ele fez com o irmão, ele foi burro de te atacar.

— Ele já vai sair daqui direto pra gaiola, isso é certo. — Firmino suspirou.

— O que aconteceu com ele? Ele só parou de me bater porque começou a se sentir mal. — Philippe disse e sua voz começou a enfraquecer novamente.

— Não sei bem o que aconteceu, mas o Ferrie está na cirurgia com ele. — James explicou e afastou-se um pouco de Philippe, indo ver os resultados dos exames dele no painel.

— Você vai ficar bem. Foi só um susto. — Roberto tentou acalmar Philippe e o interno apenas assentiu com a sua afirmação.

James chamou Roberto para dar uma olhada no exame, enquanto Philippe permaneceu ali. Ele esperava acreditar que teria sido somente um susto, mas o que aconteceria em alguns minutos depois poderia tirar isso de sua cabeça.

Mesmo com o oxigênio, começou a sentir-se com falta de ar e a sua pressão começou a cair, e novamente a sensação de como se seu peito fosse explodir voltou. Nisso, os monitores começaram a sinalizar de que algo estava errado com Philippe e de imediato James e Firmino correram para darem atenção ao amigo.

— Acho que ele está entrando em choque hipovolêmico. Chama a Marquezine! — Roberto disse depois de colocar o seu estetoscópio em volta de seu pescoço após usá-lo em Philippe.

Prontamente, Bruna correu para a sala depois de ter sido chamada. Não tiveram outra escolha, a não ser levar Philippe direto para a cirurgia.

●●●

A duas salas de cirurgia de distância, Neymar estava ressecando um tumor em uma paciente de vinte anos. Caterina também estava presente na cirurgia. O neurologista tinha uma habilidade muito grande para ressecar tumores no cérebro; afinal era o que mais gostava de fazer.

Faltava pouco para que ele terminasse a cirurgia. Distraiu-se por alguns segundos quando sentiu que a porta da sala foi aberta. Roberto colocou só uma parte do seu corpo para dentro da sala enquanto segurava uma máscara contra sua boca. Olhou para Caterina e Neymar antes de poder falar algo.

— Doutor, posso falar com a doutora Hernandéz? — Firmino perguntou e Neymar o fitou por alguns segundos.

— É muito importante? — Junior perguntou.

— Muito. — Roberto afirmou e Caterina olhou para Neymar por alguns segundos, este que suspirou e voltou sua atenção para o crânio da paciente.

— Um minuto. — O médico disse para Caterina, que apenas assentiu e saiu dali, indo em direção á porta. A interna saiu um pouco para fora da sala para falar com o interno.

— O que houve? — Caterina perguntou a Roberto. Ele respirou fundo e fitou a namorada.

— O Philippe foi atacado por um paciente. — Firmino contou. Uma expressão de choque rapidamente tomou conta do rosto de Caterina.

— O quê?! — A interna perguntou. — Ah meu Deus, e como ele está?

— Mal. Ele entrou em choque hipovolêmico por causa de um hemotórax, a Bruna está na cirurgia com ele. — Ele explicou e Caterina fechou seus olhos por alguns segundos, tentando acreditar no que tinha acabado de ouvir. — Tenta não ficar tão nervosa e não conta agora pro Neymar. Espera ele terminar a cirurgia e diz o que aconteceu.

— Está bem. — Caterina suspirou e engoliu em seco.

— Preciso voltar pra lá. — Firmino baixou a máscara de Caterina e depositou um selinho nos lábios da interna, em seguida colocando a máscara contra a boca dela novamente. — Te amo.

Caterina retornou a sala de cirurgia, aparentando estar tensa e Neymar notou isso logo que a interna voltou para o seu lado. Preferiu ficar sem comentar nada com ela, no entanto, sua curiosidade foi maior que ele mesmo.

— Aconteceu alguma coisa, Hernandéz? — Neymar perguntou.

— Não, não aconteceu nada muito de relevante. — Ela mentiu. — Por que a pergunta?

— Sei lá, você parece estar nervosa. — Junior afirmou e Caterina engoliu em seco.

— Impressão sua. — A interna disfarçou suas reações.

Prosseguiram normalmente com a cirurgia. Em quarenta e cinco minutos, finalizaram a cirurgia e Neymar deixou com que levassem a paciente para a sala de recuperação. Caterina saiu primeiro da sala e foi se lavar. Poucos minutos depois, Neymar foi até a área das pias e começou o mesmo processo.

Caterina tirou a sua máscara e a jogou no lixo. Lembrou-se do que Firmino tinha lhe pedido e respirou fundo, fechando os seus olhos em seguida e balançando sua cabeça. Neymar estranhou sua reação e encarou a interna por alguns segundos, até que ela percebesse o olhar do neurologista sobre ela.

— Eu sei que nós não somos tão próximos, mas você é amiga do meu namorado e nós somos colegas de profissão. Pode me falar o que está acontecendo, eu sei que você não está bem. — Neymar encostou seu corpo contra a pia. Caterina suspirou e olhou para ele.

— Então, é justamente sobre ele. — Ela afirmou e automaticamente, Neymar já estranhou sua afirmação.

— Como assim?

— O Philippe foi atacado por um paciente que ele estava cuidando e parece que a coisa foi bem séria. — A interna contou, e automaticamente ficou visível uma expressão assustada de Neymar em seu rosto. — Eu não sei bem o que aconteceu, mas sei que a doutora Marquezine está com ele na sala de cirurgia.

— Ai caralho. — Neymar bateu suas mãos contra o seu próprio rosto. — Por que você não me disse antes?! — O médico perguntou nervoso consigo mesmo.

— Eu não ia te falar isso no meio de uma cirurgia, olha o estado que você está ficando! — Caterina exclamou. — Desculpa, eu estou nervosa também.

— Em que sala ele está? — Neymar começou a se desesperar. Caterina ficou em silêncio porque não havia entendido o que Neymar tinha dito. — Caterina?!

— O quê?

— Em que sala ele está? — Ele perguntou novamente.

— Eu não sei! — Caterina disse e Neymar começou a caminhar em direção á porta. — Espera aonde você vai?!

— Vou procurar ele! — Neymar não deixou com que Caterina dissesse qualquer coisa e fechou a porta com força ao sair.

A interna correu atrás do médico pelo corredor. Neymar encontrou a sala de cirurgia em que Philippe estava e adentrou a sala, fazendo com que todos que ali estavam presentes levassem um susto com a sua presença. Caterina logo chegou e segurou o braço do médico.

— Neymar, sai da sala. — Bruna pediu e desviou seu olhar para o tórax aberto de Philippe.

— Me deixa ficar, por favor! — Neymar insistiu e Bruna suspirou.

— Você não pode ficar aqui. Hernandéz leve ele para fora, faz o favor? — Bruna reafirmou e Neymar bufou, já sentindo que seus olhos estavam ardendo e pesando. Caterina evitou pressionar sua mão contra o braço dele e o encarou.

— Vamos pro lavatório. Você não vai ficar tão distante dele. — Caterina sussurrou, convencendo Neymar a deixar a sala.

A interna e o médico seguiram para onde ficavam os lavatórios, ou seja, em frente à sala de cirurgia. Neymar sentou no chão e encostou-se na parede, puxando seus joelhos contra seu corpo. Caterina fez o mesmo ao seu lado. Neymar estava com um olhar fixo para o vidro da janela, por mais que não pudesse enxergar o que estava acontecendo do outro lado.

O silêncio estava tomando conta dali. A preocupação dos dois era tão grande que nem conseguiam abrir a boca para falar um com o outro. Enquanto isso, Bruna estava fazendo de tudo para evitar com a hemorragia que Philippe estava se agravasse. Nesse tempo, James deixou a cirurgia para ir falar com a polícia, já que ele sabia o que tinha acontecido com Philippe. Nisso, Firmino permaneceu na cirurgia.

Duas horas se passaram. A única vez que Neymar saiu da sala foi para assinar a alta de um paciente. Quando voltou, Neymar já estava sentindo que uma dor de cabeça iria começar. Caterina suspirou e olhou para o neurologista novamente.

— Tem uma música do The Fray que se chama “How to Save a Life”. Maravilhosa, inclusive. — Caterina quebrou o silêncio entre os dois. — O Philippe que me mostrou ela, eu não conhecia. Agora eu lembrei da letra dela e eu estou tipo “meu Deus, que encaixe é esse?”.

— Há algumas horas atrás estávamos juntos e ele estava bem, agora está numa cama de cirurgia. — Neymar desabafou e coçou seus olhos. — Senhor amado, eu não quero perder ele.

— Ele é forte, ele vai sair disso. — Caterina afirmou e Neymar a encarou. — Pode cair um raio no Philippe e ele aguenta. Ele vai ficar bem.

— Eu sei, mas eu não deixo de ficar nervoso e preocupado com isso. — Ele disse, tentando não chorar. Caterina percebeu isso e tocou na mão de Neymar, como uma forma de conforto a ele.

O silêncio dos dois voltou novamente. Neymar estava suspirando a cada um minuto, e isso era uma característica dele de quando ele ficava nervoso. No entanto, a atenção dos dois automaticamente voltou-se para a sala de cirurgia quando ouviram o som dos sinais dos monitores decaindo. Encararam-se rapidamente e levantaram, correndo para dentro da sala.

— A pressão dele está muito baixa. — Bruna afirmou, mas mudou totalmente sua ideia quando o monitor cardíaco indicou um ponto de interrogação ao invés de sinais de batimentos. — Droga!

Uma parada cardíaca. Neymar sentia lágrimas grossas escorrendo pelo seu rosto enquanto todos ali lutavam para que fizessem com que Philippe deixasse aquele quadro. Caterina entrou para ajudar, mas ele ficou ali, parado. Começou a sentir-se de “escanteio” e fez o mesmo que a interna fez, mas obviamente, sem ninguém ter lhe chamado. Decidiu parar de chorar, pois sabia que isso não ajudaria.

Bruna decidiu não falar nada, mas vendo o desespero que Neymar estava para salvar Philippe, ela chegou à conclusão de que ele realmente amava Philippe e que ela jamais mudaria isso. Nem em seus mais lindos sonhos, ela conseguiria fazê-lo amar ela da mesma maneira que amava Coutinho. Isso era tudo.

Os minutos estavam se passando, mas Philippe não reagia. Nisso, a agonia tanto de Neymar quanto de Bruna estavam aumentando. Um dos assistentes de cirurgia já estava perdendo a paciência devido à insistência da médica em ressuscitar Philippe.

— Doutora Marquezine, ele já está parado há cinco minutos. Já o perdemos e o que você está fazendo está fora da prudência médica. — O assistente afirmou e tanto Bruna quanto Neymar o encararam.

Ignoraram o assistente e continuaram prosseguindo com as manobras de ressuscitação. Àquela altura, os olhos de Neymar não eram os únicos que começaram a marejar. Philippe não estava reagindo, nem aos choques e nem as substâncias que estavam sendo usadas para ressuscitá-lo.

Neymar fitou Bruna por alguns segundos, ainda ouvindo o barulho da falta de sinal. Sua ficha estava prestes a cair, mas, Bruna tomou uma atitude que ele não esperava.

— Dane-se a prudência! — Bruna disse e Caterina chegou a arquear suas sobrancelhas quando ouviu aquilo. — Ele mal viveu a vida dele e tem uma carreira inteira pela frente. Antes de ele ser só um paciente, ele tem amigos, família e uma pessoa que ama ele. — Ela afirmou, surpreendendo Neymar pela sua reação. — Então eu não vou deixar com que esse garoto morra senhor Luiz. Da mesma forma que eu nunca deixei com que alguns pacientes meus morressem, com ele não vai ser diferente.

Dito isso, iniciaram novamente todo aquele processo. Tentaram duas vezes e foi somente na terceira tentativa que Philippe reagiu e seus batimentos cardíacos começaram a voltar, assim como a sua pressão. Bruna, Roberto, Caterina e principalmente Neymar, suspiraram de alívio.  

Philippe estava vivo.

●●●

Algumas horas se passaram desde aqueles momentos de tensão nas salas de cirurgia. O cansaço era visível no rosto dos médicos e dos internos. Um plantão que era para ser apenas de trinta e seis horas tinha passado disso.

Em uma das salas de recuperação de cirurgia, Gabriel estava avaliando Austin. O rapaz começou a acordar aos poucos e notou a presença do interno ali, enquanto ele anotava algumas coisas no prontuário dele. Jesus sorriu quando Clarke acordou e caminhou em direção a ele.

— Como está se sentindo, Austin? — Gabriel perguntou ao rapaz.

— Estranho. Meu peito está doendo. — Ele respondeu.

— É normal que doa, porque o efeito da anestesia já deve ter passado. — Gabriel afirmou e deu uma olhada no curativo que Austin estava.

— O que aconteceu comigo? E o meu irmão?

— Você teve um tamponamento cardíaco, provavelmente causado por uma hemorragia interna. O seu irmão está bem, melhor do que nós dois. — Gabriel disse e sentou na ponta da cama de Austin. — Sabe, o doutor Ferrie fez um belíssimo trabalho em você hoje. Um médico assumidamente gay operou você, enquanto o ex-namorado dele que você espancou quase morreu numa cama de cirurgia. — Logo que Jesus disse aquilo, Austin aparentou ficar chocado e ao mesmo tempo, com certo nojo.

— Você está de brincadeira comigo? — Austin perguntou.

— Não. — Gabriel abriu um sorriso falso e levantou da cama. — Então da próxima vez que você tratar seu preconceito como algo normal e oprimir alguém pelo simples fato da pessoa não ser igual a você, lembre-se disso. Porque cá entre nós... — Jesus pausou um pouco da sua fala para poder respirar fundo. — Eu posso ter feito um juramento no dia da minha formatura, mas eu juro que se você estivesse sozinho comigo naquela sala, eu abria uma exceção, quebrava minha ética e provavelmente você estaria a sete palmos abaixo da terra há essas horas.

Com a afirmação de Gabriel, Austin arregalou seus olhos. O interno soltou um riso fraco e fez a volta na cama do paciente, dando toques de leve na corrente da algema que estava presa ao pulso de Clarke.

— Isso é pelo Eric e pelo doutor Coutinho. — Gabriel referiu-se a algema. — Tenha ótimos dias na prisão, Austin.

●●●

— Ele ainda não acordou?

A pergunta tinha sido feita por Adrien, logo que ele se aproximou de Bruna, que estava encostada contra o balcão da sala de espera. A médica estava quase dormindo ali, mantendo-se acordada somente pelo cheiro de café que exalava de seu copo. Ela voltou sua atenção para dentro do quarto de Coutinho e em seguida para Ferrie.

— Não. — Ela suspirou. — Se ele não acordar nas próximas três horas, talvez nem acorde mais.

— Por quê? — Adrien demonstrou preocupação.

— Ele ficou muito tempo em um quadro de parada cardíaca, não sabemos o quanto isso pode ter afetado as atividades cerebrais dele. — Bruna disse, cogitando a hipótese de sequelas ou pior, de morte cerebral. — Eu definitivamente espero que não tenha acontecido isso, não passei por tudo aquilo pra ele morrer.

— Merda... — Adrien colocou a mão contra o seu rosto e balançou sua cabeça negativamente. — Eu só queria saber o que leva uma pessoa ser tão preconceituosa ao ponto de fazer isso com alguém. Imagina os traumas que o irmão daquele cara vai ficar por causa dele.

— Me impressiono por você ter não o deixado morrer. — Bruna comentou.

— Se eu não tivesse feito o juramento de Hipócrates, teria deixado mesmo. — Adrien suspirou.

Os dois médicos ficaram em silêncio quando viram Neymar adentrando o quarto sendo seguido pelos outros internos de Cristiano. Os amigos de Philippe ficaram por pouco tempo dentro do quarto, saindo em poucos minutos depois que Neymar pediu para que ele pudesse ficar sozinho com Coutinho. Neymar olhou para fora da sala, notando a presença de Bruna e Adrien no balcão.  

— Vamos sair daqui. Ele não vai ficar confortável com nós dois olhando. — Adrien disse e Bruna apenas assentiu. Logo, deixaram o andar.

Neymar puxou uma cadeira que estava no canto do quarto para o lado da cama de Philippe. O observando, parecia que Philippe somente estava dormindo normalmente e que em poucos segundos ele acordaria e tudo ficaria bem. Era o que Neymar desejava.

— Phil... — Junior segurou a mão do interno. — Eu não quero te perder. Eu não posso perder você.

Neymar tocou no rosto de Philippe e sentiu que ele estava quentinho. Ficou passando sua mão pelos cabelos do interno e suspirou.

— Por favor, acorda logo. Eu amo você. — O médico depositou um beijo demorado na testa de Philippe e voltou a sentar na cadeira, encostando-se contra a cama.

Neymar permaneceu daquela maneira pelos quinze minutos que se passaram. Naquele meio tempo, Thiago e Alisson foram falar com o médico e logo saíram, ficando de frente para a sala. Ele estava quase dormindo quando sentiu um aperto de leve em sua mão. Levantou sua cabeça e notou que os olhos de Philippe estavam abrindo aos poucos.

O interno estava ainda bem confuso e sentia sua visão embaçar facilmente, não reconhecendo Neymar por alguns segundos. Quando se acostumou com o seu campo de visão e retomou sua consciência, reconheceu o médico. Neymar suspirou de alívio e abriu um sorriso. Philippe tentava falar algo, mas o tubo que estava em sua boca para ajudar respirar estava lhe atrapalhando. O interno começou a direcionar suas mãos ao tubo e Thiago voltou para a sala.

— Ele quer tirar o tubo. — Neymar disse. Thiago fez uma análise rápida em Philippe.

— Tudo bem, ele já está conseguindo respirar sozinho. — Thiago afirmou e começou a tirar o tubo. Philippe tossiu um pouco e pediu um copo de água. — Que susto você nos deu hein, garoto!

— Que ruim. — Philippe ironizou depois de ter tomado um gole da água. Sua voz ainda estava rouca e fraca.

— Vou deixar vocês sozinhos. — Thiago piscou para Neymar, que apenas agradeceu e sentou na cama ao lado de Philippe.

— Como você está se sentindo? — Neymar o questionou e Philippe mudou seu semblante.

— Fraco. — Philippe suspirou e apertou a mão de Neymar. — Você...

— Eu fiquei o tempo todo da cirurgia até agora do seu lado. Você não tem noção do quanto eu me desesperei quando você quase morreu na minha frente. — Neymar disse, deixando Philippe sem reação. — Eu sei que você acabou de acordar de tudo isso, mas eu quero dizer que eu... Eu amo você, e independente do que acontecer, quero estar sempre do seu lado.

Philippe ficou sem o que responder. Ele somente ficou fitando Neymar depois de ouvir tudo aquilo. Poucas vezes foi que ele recebeu uma declaração daquelas e que tenha sido sincera. Neymar estava sendo sincero, o que fez com que ele abrisse um sorriso envergonhado.

Os dois começaram a se aproximar ao mesmo tempo e Neymar encostou com seus lábios nos de Philippe, iniciando um beijo calmo. Thiago e Alisson observavam aquela cena de longe e sorriram um para o outro, felizes por entenderem de que as coisas estavam indo bem. Neymar e Coutinho separaram-se e o neurologista depositou um beijo na testa do interno, enquanto o menor lhe abraçava.

— Eu também te amo. — Philippe declarou.


Notas Finais


Neymar desesperado pelo Coutinho, Philippe tendo uma parada cardíaca mas quem quase morreu fomos nós
Gabriel representando todo mundo KJKSJS melhor pessoa <3

A primeira temporada ainda não acabou gente, vai ter somente +1 capítulo pra mostrar como as coisas se sucederam depois disso tudo e vou finalizar essa primeira parte da fanfic.

Deixem comentários para eu saber o que eu posso melhorar, sugestões, se estão gostando, etc.
Até o próximo capítulo, beijinhos! <3


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