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História The Ride - Senior Year - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


O próprio nome do cap já diz tudo né?

Boa leitura :)

Capítulo 3 - Segredos revelados


O tempo continua voando e as coisas estão cada vez melhores. Johnny ainda não fez nenhuma melhora em suas notas no último mês que eles voltaram à escola, mas tudo bem. Ele ainda tem muito tempo, certo? É fevereiro ainda. Ele tenta não pensar nisso. Ele está muito envolvido em outras coisas para se preocupar com isso.


As coisas estão indo muito bem para ele e para Daniel. Os dois ainda estão apaixonados, ainda felizes, e seu relacionamento está cada vez mais forte. Eles eram praticamente inseparáveis, eles estavam unidos pelo coração. Mas, fora isso, os treinos estavam indo bem e Daniel conseguiu se tornar um grande amigo de todos os ex-Cobras, até de Dutch, que tem sido muito mais fácil de conviver desde que decidiu mudar.


Todos eles frequentam a escola agora e as pessoas pararam de olhar feio para Daniel e Johnny. Ninguém quer mexer com seis caras que praticam karatê quase todos os dias e podem bater em alguém em um milissegundo. Nenhuma daquelas crianças eram tão estúpida, então quase não havia problemas na escola.


O único problema real de Johnny é Sid. O velho ficava o incomodando com pequenas coisas, e era irritante pra caramba, era a única coisa que o incomodava. Felizmente, ele e Laura estavam saindo hoje e não voltariam até meia-noite, então Johnny tinha a mansão inteira para ele. Bem, para si mesmo e para Daniel, a quem ele finalmente iria chamar para ir até lá. Ele pode muito bem fazer isso agora, já que ele não sabe a próxima vez que terá uma chance. Ele achava estranho que Daniel não tenha visto onde ele mora, a não ser ocasionalmente pegando-o para ir a escola. Portanto, tê-lo ali quando Sid tivesse partido seria perfeito.


— Ei, você quer ir para a minha casa hoje? Eles não estarão em casa, teremos o lugar inteiro só para nós — Johnny perguntou a Daniel durante a aula, a única aula que eles podiam sentar juntos. Johnny tinha quase certeza de que a professora estava perto de separá-los, já que falavam muito, mas eles não conseguiam evitar. Eles passavam muito tempo juntos, mas parecia que nunca era o suficiente. Desde o início das aulas, Johnny não tinha conseguido passar a noite inteira junto de Daniel, e eles não conseguiam mais ter tantos encontros como antes, já que Daniel estava tentando levar suas notas a um certo nível de “perfeição”. Era meio chato, mas mesmo que eles não pudessem passar tanto tempo juntos, ele e Daniel tentavam. Ele deseja que eles possam passar todos os dias juntos, no entanto.


Johnny estava realmente ansioso para se formar para que pudesse conseguir seu próprio lugar. E quem sabe, talvez Daniel fosse morar com ele. Dessa forma, eles seriam capazes de fazer o que quisessem exatamente quando quisessem. E sem ter que se preocupar com ninguém entrando. Mas, por enquanto, eles apenas teriam que ficar com o que tinham. De qualquer forma, eles ainda estavam juntos, e isso era tudo que importava para eles.


— Sim, porque não!? — Daniel respondeu, olhando para Johnny e sorrindo gentilmente para ele, antes de se virar para realmente prestar atenção ao que diabos o professor estava falando.


Johnny estava sentindo uma mistura de excitação e nervosismo sobre Daniel ir para sua casa. Claro que Sid não era o problema, já que Daniel iria embora antes mesmo que ele voltasse. Acontece que Daniel nunca tinha estado lá antes, você sabe, em seu quarto. E eles ficariam completamente sozinhos, com uma cama king size só para eles. Johnny não conseguia parar de sorrir quando pensava no que poderia acontecer.


~🏯


No segundo em que eles entraram na casa, os olhos de Daniel brilharam como uma criança que acabara de um presente de natal. Ele nunca tinha estado dentro de uma mansão antes. Era assim que Johnny ficou quando viu este lugar pela primeira vez, antes de perceber a pessoa horrível que era Sid. Agora ele não gostava muito deste lugar, por mais chique e bem decorado que pudesse ser.


— Puta merda, cara. Essa casa é muito bonita — Daniel continuou olhando em volta, maravilhado com o que estava ao seu redor. Ele meio que esperava viver em uma casa como esta um dia, mas sem toda a toxicidade que havia nesta. Seria bom não ter que se preocupar com dinheiro, mas, ei, a felicidade deve vir em primeiro lugar, e isso sempre seria a coisa mais importante para ele. Daniel não se importava em onde moraria no futuro, contanto que fosse feliz e que Johnny estivesse com ele. Nesse ponto, ele não conseguia imaginar um futuro sem Johnny nele.


— Eh, ela é bonita. Quer ver meu quarto? — Johnny começou a subir as escadas, gesticulando para que Daniel o seguisse. O adolescente de cabelos escuros o seguiu com entusiasmo, praticamente tropeçando em seu caminho até as escadas. Johnny riu da empolgação de Daniel e o levou para seu quarto, o que deixou Daniel ainda mais sem palavras.


Johnny observou enquanto Daniel olhava em volta, verificando todos os troféus e outras coisas que tinha ali. Enquanto fazia isso, Johnny o estava examinando, um milhão de pensamentos sujos passando por sua cabeça. Ele tinha quase certeza de que Daniel estava pensando a mesma coisa, já que agora ele estava se virando e sorrindo para ele. Daniel começou a caminhar em direção a ele, parando quando eles estavam a centímetros de distância. Esta casa era bonita, mas Johnny era a coisa mais bonita que existia. Não apenas ali, mas em todo o mundo.


— Então, o que você quer fazer? — Daniel olhou para os lábios de Johnny, já sabendo o que ele queria. Ele passou os braços ao redor do pescoço do loiro, puxando o garoto um pouco mais alto para si, para que suas testas pudessem se unir. Johnny sorriu e colocou a mão nos quadris de Daniel, antes de deixá-los deslizar por baixo de sua camisa e correr ao longo de sua pele lisa e bronzeada.


— Bem... eu só quero… — Johnny passou de uma sensação (um pouco) normal para uma sensação de extrema excitação em questão de segundos. Daniel sempre tinha esse efeito sobre ele e às vezes, realmente o deixava louco. Como agora, Johnny estava pronto para deitar no chão e fazer amor com ele ali mesmo. Eles ainda não tinham ido até o fim, mas Johnny estava realmente querendo. Daniel também queria, mas nenhum dos dois sabia quem faria o quê, então esse tópico era algo que eles geralmente evitavam. Até agora, quando seus olhos estavam se comunicando, deixando um ao outro saber o que eles queriam. Johnny queria Daniel, ali mesmo e agora.


Mas ele queria que a primeira vez, se isso fosse acontecer, fosse especial. Ele queria ir devagar (mesmo que ir devagar o deixasse louco) e tomar seu tempo para dar a Daniel o que ele realmente merecia. Puro amor, afeto e prazer.


E agora, eles estavam sozinhos nesta casa grande e eles tinham uma cama king size só para eles, e Johnny já tinha a camisa de Daniel pela metade. Então, o que eles estavam esperando?


— Você — Johnny declarou enquanto puxava a camisa de Daniel totalmente e a jogava na cama. Assim que isso foi feito, ele estava esmagando seus lábios contra os de Daniel, suas mãos agarrando rudemente a cintura do outro garoto e puxando-o para mais perto. Daniel o beijou de volta, puxando o cabelo de Johnny para aprofundar o beijo.


E assim eram os dois, sem distrações, nada em seu caminho. Eles se perdiam um no outro, seus lábios macios deslizando juntos e seus braços em volta do outro. E parecia tão certo.


A próxima coisa que Johnny soube foi que estava levantando Daniel e jogando os dois na cama, subindo em cima dele e prendendo-o no chão enquanto pousavam. Seus lábios se encontraram instantaneamente novamente, desta vez os beijos sendo mais rudes. Mas de alguma forma, eles ainda eram doces, ternos e cheios de paixão.


— Eu amo você — Johnny sussurrou entre beijos, parando para tirar a camisa. Antes mesmo de tirá-lo completamente, ele podia sentir Daniel escovando suavemente os dedos sobre seu abdômen. Ele amava aquela pequena obsessão que tinha por eles.


— Eu também te amo — Os dois riram quando Johnny subiu em cima de Daniel, beijando seu queixo enquanto o outro garoto enrolava as pernas em suas costas.


Johnny desceu para o pescoço de Daniel, sugando e mordendo até que houvesse uma marca roxa escura lá. Ele adorava ver suas marcas em Daniel, era outra maneira de deixá-lo saber que Daniel era dele, e somente dele. Daniel gemeu quando Johnny se afastou e voltou para seus lábios, engolindo seus gemidos com um beijo.


Daniel decidiu marcar Johnny também, movendo o pescoço do namorado para o lado para que ele pudesse acessá-lo. Era um ângulo estranho, dar um chupão em alguém enquanto você estava embaixo dele era meio difícil de fazer. Johnny gemia enquanto Daniel sugava e beliscava seu pescoço, e começava a mover seus quadris juntos porque ele não aguentava mais, seu corpo estava praticamente implorando por isso. Os dois estavam imediatamente se beijando de novo, as línguas se chocando enquanto eles respiravam um ao outro, saboreando o momento. Johnny percebeu que eles não haviam discutido ou brincado nem mesmo uma vez desde que chegaram ali, o que era estranho. Ele decidiu ignorar e continuar beijando Daniel, derretendo ao sentir seus lábios.


Eles estavam tão perdidos um no outro, que não ouviram a porta da frente abrir. Eles não ouviram passos subindo as escadas. Eles nem mesmo ouviram a porta abrir.


—O que diabos está acontecendo aqui?!


Essa foi a primeira coisa que ouviram. Os dois meninos se separaram instantaneamente, separando-se assim que puderam, tateando para tentar colocar as camisas de volta. Mas era tarde demais. Eles foram pegos, pela pior pessoa de todas.


— Oh merda — Johnny murmurou enquanto olhava para cima, já sabendo a quem pertencia a voz também. Era a porra do Sid.


— Responda à porra da minha pergunta! Jesus Cristo, eu sabia que havia algo de errado com você! — Sid gritou, jogando as mãos para o alto enquanto ele os encarava de forma assassina. Johnny se encolheu e se virou para Daniel, querendo estender a mão e colocar as mãos em seus braços, mas sabendo que era melhor não fazer isso depois do que Sid os pegou fazendo. Ele não queria que Sid machucasse Daniel. Ele deveria ter sentido que algo estava errado. Mas não era culpa dele, Sid não deveria estar em casa antes da meia-noite.


— Daniel, me escute, você tem que sair daqui ago-... — Johnny nunca tinha ficado tão apavorado em toda a sua vida, esta situação era pior do que os eventos após o torneio, quando seu ex-sensei praticamente tentou matar dele. Não, isso era de alguma forma totalmente pior do que isso. Desta vez não havia nenhuma testemunha e o Sr. Miyagi não estava aqui para defendê-lo de Sid. Isso era cerca de mil vezes pior.


Johnny nem conseguiu terminar a frase, Sid avançava na direção deles, o mais rápido que um velho como ele conseguia. Johnny congelou, odiando o medo que sentia dele.


— Cale a boca! — Ele gritou ao se aproximar, agarrando duramente o braço de Daniel e arrastando-o para fora da sala. Johnny queria socar Sid por colocar as mãos em Daniel, mas desistiu. Em vez disso, ele apenas os seguiu, tentando descobrir como afastar Sid de Daniel. Era como se seu pior pesadelo ganhasse vida. Porque desta vez, ele não tinha a escolha de pará-lo, e era terrível pra caralho.


— Dê o fora da minha casa, seu viado! — Daniel tentou escapar do aperto de Sid, mas era forte e não havia maneira de ele ser capaz de lutar contra um homem que pesava provavelmente cem quilos a mais do que ele. Ele também estava com medo, preocupado que Sid machucasse Johnny por sua causa.


— Pare! Deixe ele ir! — Johnny observou horrorizado Sid arrastar Daniel escada abaixo em direção à porta da frente. Johnny os seguiu e tentou agarrar o ombro de Sid, uma tentativa de afrouxar seu controle sobre Daniel para que o outro garoto pudesse sair correndo dali. Em vez disso, Johnny levou um soco nas costas com tanta força que quase caiu para trás na escada.


— Fique fora disso! Eu cuido de você quando tirar essa vadia daqui! — A expressão no rosto de Sid era tão enervante que Johnny não se atreveu a fazer outro movimento. Ele estava com medo de machucar Daniel se tentasse separá-los novamente, e ele já tinha feito o suficiente para colocá-lo em apuros.


— Daniel! Daniel, eu sinto muito! — Johnny gritou, estremecendo quando Sid jogou Daniel para fora e fechou a porta, trancando-a para que Daniel não pudesse entrar. Daniel começou a bater na porta, sabendo que provavelmente não seria capaz de quebrá-la, mas ele tentaria de qualquer maneira. Ele tinha ouvido histórias de Johnny sobre como Sid era mau e ficou petrificado com o que Sid iria fazer com Johnny, ele não conseguia controlar a respiração e não conseguia parar de gritar para ele abrir a porta. Mas é claro que Sid o ignorou e, em vez disso, voltou sua raiva para Johnny.


— Cale a boca, seu merdinha! Não acredito que você é um viado de merda! Eu sabia que você era um filho da puta inútil que tinha problemas, mas um chupador de pau? Você me enoja! — Johnny podia ouvir Daniel batendo na porta mesmo com os gritos de Sid, mas isso não o distraiu do fato de que seu padrasto estava vindo em sua direção.


Sid nunca havia batido em Johnny antes, ele tinha chegado perto, mas nunca realmente o fez, não até agora. Laura sempre o impedia antes que as coisas fossem longe demais. Mas o que quer que ela tenha dito antes não importava agora, pois Sid puxou Johnny e o empurrou com força contra a parede. O velho agarrou seu braço com força, torcendo-o nas costas.


Johnny gritou de dor quando Sid estava prestes a quebrar seu braço. Ele estava se preparando para o movimento final quando Laura entrou correndo, horrorizada com o que estava vendo.


— Sid! Solte ele! — Ela gritou, ignorando as batidas na porta e correndo para seu marido e filho. Ela tentou tirar Sid de cima de Johnny, mas não adiantou, ele era mais forte do que ela.


— Fique fora disso, mulher! — Sid gritou enquanto se virava para encará-la, puro ódio em seus olhos. O aperto no braço de Johnny afrouxou e Johnny conseguiu se afastar, tentando não reconhecer a sensação de ferroada que sentia em seu braço. Ele tentou se recompor, mas foi jogado de volta no chão nos próximos segundos. Sid agora segurava seu ombro com força, segurando-o no chão e quase puxando seu ombro para fora do lugar, como uma tentativa de impedir Johnny de escapar.


As batidas na porta finalmente pararam, e Johnny esperava que isso significasse que Daniel tivesse saído dali. Ele não queria que ele se machucasse. Ele ficaria feliz em levar uma surra por ele, morreria por ele se preciso.


Mas Daniel ainda estava de pé na varanda, tentando ouvir o que quer que estivesse acontecendo. Ele ainda tremia de medo, desejando poder, de alguma forma, entrar e ajudar Johnny.


— Por que você está fazendo isso?! — Laura perguntou, incapaz de lutar contra as lágrimas que se formavam em seus olhos. Johnny sabia que Sid iria contar a ela, mas talvez, apenas talvez, ela não o odiasse. Talvez ela não se juntasse a Sid em qualquer coisa que ele estivesse prestes a fazer com ele.


— Seu filho é uma bicha e precisa aprender uma lição! — Sid respondeu, deixando seu aperto mais forte contra o ombro de Johnny. Johnny mordeu o lábio para não estremecer de dor. Ele se sentia tão fraco, tão impotente pra caralho. Ele odiava esse sentimento de vulnerabilidade, a falta de controle estava deixando-o incontrolavelmente zangado e chateado, mas apenas consigo mesmo por ter entrado nessa situação.


— Isso não é verdade! — Laura estava confusa. Ela não se importava de quem Johnny gostava, queria que ele fosse feliz, mas tinha certeza de que ele gostava de garotas.


— Oh, mas é! Vá em frente, diga a ela o que você estava fazendo, seu merdinha! — Sid pressionou o ponto de pressão no ombro de Johnny e um gemido finalmente escapou de seus lábios. Ele sabia que se não queria que sua omoplata fosse deslocada, então teria que contar a verdade para sua mãe.


—Eu estava... ele está falando a verdade, mãe. Eu tenho um namorado — Johnny admitiu, olhando para o chão com vergonha, não querendo ver a expressão nos olhos dela. Ela ficou chocada, porque ela não esperava isso, mas principalmente, ela estava com medo do que Sid estava prestes a fazer.


— E eles iam foder lá no quarto! Não acredito que você tentou fazer aquela merda nojenta na minha casa, garoto! Seu viado de merda! — Johnny foi jogado no chão, mas antes que pudesse se levantar foi chutado de volta para baixo, com o rosto batendo no chão de mármore. Ele se arrependeu de trazer Daniel aqui, ele colocou os dois em risco. Por que ele sempre tinha que tomar decisões tão estúpidas?


— Vou dar algum juízo em você! — Foi o que ele ouviu antes de outro chute ser dado em suas costelas. Johnny queria revidar, realmente queria. Ele não era fraco, ele não era um marica, mas tudo que ele sentia era puro medo. Ele não queria saber o que aconteceria se ele tentasse lutar. Sid poderia matá-lo se quisesse.


Sid começou a bater nele até deixá-lo sem sentido. Johnny perdeu a conta do número de vezes que foi chutado nas costelas ou puxado e socado no rosto. Ele gritava a cada golpe, que era forte e cheio de puro ódio. Ele tentava se proteger, mas era inútil.


Isso trouxe de volta memórias de seus primeiros dias em Cobra Kai, onde ele levou uma surra de Kreese, porque ele era um garoto pequeno e não sabia como se defender, e ele precisava para se acostumar a lutar no 'mundo real', e essa era aparentemente a única maneira que ele poderia aprender, enfrentando pessoas maiores e mais fortes que realmente sabiam o que estavam fazendo. Era assim que ele se sentia agora, indefeso e inútil, sem ser capaz de lutar.


Ele não chorou (porque isso provavelmente iria piorar as coisas) enquanto estava acontecendo, embora tenha sido provavelmente uma das piores surras que ele já recebeu. Sid não parou de bater nele, ele continuou batendo nele sem parar, e Johnny sabia que só iria parar quando se cansasse ou quando Laura não pudesse mais olhar e implorasse para ele parar. Johnny só queria que isso acabasse.


— Sid, por favor... ele teve o suficiente — Laura implorou, praticamente soluçando neste momento. Ela se arrependia de ter se casado com Sid. Ela sabia que ele não gostava de Johnny, mas nunca pensou que ele fosse capaz de fazer algo assim.


— Vá para o seu quarto! — Sid gritou enquanto chutava Johnny nas costelas uma última vez, antes de empurrá-lo contra o chão.


Johnny nem queria saber como ele estava agora. Ele sabia que provavelmente estava coberto de hematomas, e ele podia sentir o gosto de sangue em seu lábio. Parecia impossível se levantar e subir as escadas, mas ele o fez, lutando e tropeçando a cada passo até chegar ao seu quarto.


Assim que a porta foi fechada, ele se viu no chão, soluçando violentamente. Ele odiava chorar, sempre lhe disseram que era um sinal de fraqueza, mas ele não conseguia evitar. Isso era demais. Pelo menos Daniel conseguiu escapar sem espancamentos, isso era uma coisa de que Johnny estava feliz.


Mas ele não sabia se seria capaz de ser feliz novamente. Deus sabe como as coisas seriam depois disso. Mais uma vez, Johnny se culpou por esta situação, se ele não tivesse levado Daniel ali, nada disso teria acontecido, e eles estariam juntos agora, se beijando ou se abraçando ou algo assim. Mas não, ele tinha que ir e estragar as coisas como sempre fazia. Ele havia baixado a guarda demais e agora estava pagando por isso.


O que Johnny não sabia, era que Daniel ainda estava lá fora, congelado na varanda da frente. Ele tinha acabado de ouvir seu namorado sendo espancado, ele ouviu cada grito e se sentiu tão mal que não conseguia se mover. Ele sentiu que isso era culpa dele. E ele não podia fazer nada para impedir, ele se sentia impotente.


Daniel não se mexeu até que Sid abriu uma janela e começou a gritar com ele, fazendo-o pular.


— Saia daqui agora ou eu vou te matar! Está me ouvindo, viado? Eu vou matar você! — Daniel não iria esquecer, depois do que acabara de ouvir. Ele queria entrar e ter certeza de que Johnny estava bem, e se estivesse, iria levá-lo para casa com ele e consertá-lo, mas isso parecia impossível de fazer.


Ele disparou para fora de lá, entrando em seu carro e correndo de volta para seu apartamento. Ele estava tão preocupado com Johnny e não sabia o que fazer.


~🏯


Assim que Sid foi para outro lugar, Laura subiu correndo as escadas e entrou no quarto de Johnny. Ela ficou perturbada ao ver seu filho enrolado no chão, segurando as costelas de dor e soluçando. Ela trancou a porta e correu até ele, ajoelhando-se no chão em frente a ele.


— Querido... eu sinto muito — Laura queria tanto abraçá-lo, mas não queria machucá-lo ainda mais. Ela se sentia tão mal por não ter feito nada para impedir Sid antes, mas o que ela poderia ter feito? Se ela tivesse feito algo contra ele, ele provavelmente bateria nela também. E Johnny não queria isso.


— Está doendo, mãe... — Johnny se aproximou dela e colocou a cabeça em seu ombro, e Laura interpretou isso como um convite para envolvê-lo nos braços. A dor não era a única razão pela qual ele estava chorando, novamente ele havia sido espancado várias vezes. Ele estava chorando porque se odiava e estava com medo de perder Daniel por causa disso.


— Eu sei. Eu sinto muito — Laura sussurrou enquanto esfregava suas costas, dando um beijo no topo de sua cabeça. Ela apenas o segurou por um minuto, deixando-o soluçar em seus braços e fazendo o possível para confortá-lo.


— É minha culpa. Eu não deveria ter trazido ele aqui. Eu sou tão estúpido! — Johnny gritou enquanto se afastava, enxugando as lágrimas de seus lindos olhos azuis. Laura se encolheu quando deu uma olhada completa em seu rosto, vendo o estrago que Sid havia feito. Ele tinha um olho roxo, alguns hematomas ao longo das bochechas e mandíbula e um lábio partido. Ela tinha certeza de que suas costelas e abdômen pareciam piores, mas ela não queria olhar.


— Não, você não é, querido. Você não sabia que isso iria acontecer. Não é sua culpa — Laura gentilmente colocou a mão em sua bochecha, traçando suavemente sobre os hematomas. Doia um pouco, mas Johnny gostou do toque.


— I-isso te incomoda? Que eu estou... apaixonado por um menino? — Johnny não pôde deixar de perguntar. Laura apenas balançou a cabeça. Ela teria preferido que ele estivesse com uma garota, mas apenas porque a vida seria muito mais fácil para ele se estivesse. Ela só queria que ele fosse feliz, embora isso parecesse muito distante no momento. Johnny não sabia se seria capaz de ver Daniel novamente.


— Não. Você ainda é meu filho e eu ainda te amo. Você estava tão feliz nesses últimos meses com ele, e isso é tudo que eu quero, que você seja feliz. — Laura o abraçou novamente, colocando toda a emoção em seu abraço. Johnny suspirou de alívio, pelo menos ela não o odiava. Mas ele não pôde deixar de pensar em Daniel. O que iria acontecer com eles agora? Ele estava apavorado só de pensar no que Sid faria com ele. Ele o mandaria embora para um daqueles lugares de conversão de que Johnny tinha ouvido falar, ou o deixaria trancado em casa?


— Laura! Afaste-se desse merda agora! E livre-se do telefone fixo dele para que ele não ligue para ninguém! Vamos! — Sid gritou descendo as escadas, fazendo Laura pular para longe de seu filho. Johnny se encolheu com a aspereza em sua voz. Ele pode não ter se defendido, mas com certeza iria defendê-la se aquele idiota ousasse colocar um dedo nela.


— Eu sinto muito — Laura disse e se levantou, puxando o telefone da parede e levando-o para baixo. Ela lançou-lhe um olhar de desculpas ao fechar a porta, como se fosse para deixar Johnny saber que ela não queria isso. Ele sabia que ela não queria, mas não havia nada que ela pudesse fazer.


Tudo o que Johnny podia fazer era sentar ali e esperar. Não havia como ele escapar de casa agora. Se ele saísse do quarto, Sid simplesmente o faria voltar, ou ele observaria cada movimento seu. E não era como se ele pudesse pular da janela, já que era muito alto e Johnny não queria se quebrar mais.


Ele deixou seus pensamentos vagarem para Daniel, se perguntando o que ele estava pensando no momento. Pelo menos ele estava seguro. Johnny tentou pensar em alguns de seus momentos felizes juntos, apenas no caso de algo ruim estar para acontecer. Ele tentou pensar em seu sorriso, sua risada, sua voz, seu toque, seu rosto. Mas ele só conseguia pensar em como seria horrível se Sid fosse forçá-los a se separarem. Ele não sabia o que iria acontecer e isso o aterrorizava.


~🏯


Enquanto isso, Daniel correu de volta para casa, correndo o mais rápido que pôde até entrar em seu apartamento. As lágrimas escorriam por seu rosto e sua respiração estava fora de controle. Ele estava tão preocupado com o que aconteceu com Johnny que não conseguia tirar os gritos da cabeça. Foi horrível ouvir seu namorado apanhar e literalmente não poder fazer nada a respeito.


Lucille estava lá quando ele abriu a porta, os olhos arregalados ao ver sua aparência abalada.


— O que é isso? O que aconteceu? — Lucille questionou enquanto corria até ele, esfregando para cima e para baixo as laterais de seus braços como uma tentativa de acalmá-lo. Não estava funcionando. Daniel ainda não conseguia fazer sua respiração voltar ao normal.


— O padrasto de J-Johnny nos pegou nos beijando e... acho que ele bateu nele. Eu podia ouvi-lo gritando e... — Daniel não conseguiu nem terminar a frase quando desabou, os sons dos gritos de Johnny repetindo em sua cabeça, a sensação de impotência crescendo novamente. Lucille olhou para ele consternada, esperando que fosse algum tipo de piada. Não era.


— Oh meu Deus — Lucille estremeceu ao pensar nisso. Johnny era como outro filho para ela, ela o amava e não o queria em qualquer tipo de dor. Ela não sabia mais o que dizer, sua mente estava a mil. Ela pensou em chamar a polícia, mas Daniel lhe contou tudo sobre como o padrasto de Johnny era rico e ela sabia que não ia funcionar, faria mais mal do que bem.


— Eu... eu tenho que ligar para ele. Eu tenho que ter certeza que ele está bem! — Daniel correu para o telefone que eles tinham na cozinha, discando o número de Johnny, que ele já havia memorizado de todas as ligações noturnas. Ele sabia que Johnny tinha seu próprio telefone fixo pessoal no quarto, mas não estava respondendo. Daniel ligou várias vezes, esperando e orando sempre que Johnny simplesmente atendesse e o avisasse que ele estava bem.


— Ele não está respondendo! — Daniel gritou quando bateu o telefone, deixando seu corpo ir de encontro ao chão. Ele puxou seu cabelo em frustração com uma mão, e a outra socou o ladrilho embaixo dele. E se Sid o tivesse espancado até o ponto de deixá-lo inconsciente ou, pior ainda, morto? Daniel começou a soluçar incontrolavelmente com o pensamento, abraçando os joelhos enquanto balançava para frente e para trás.


Lucille correu até ele, abaixando-se e abraçando-o, sentindo-o tremer em seus braços. Ela também estava preocupada com Johnny.


— Estou tão preocupado com ele, mãe... eu não sei o que fazer — Daniel soluçou enquanto enterrava o rosto no ombro de Lucille, pensando em tudo o que poderia ter acontecido. Ele não tinha como saber se Johnny estava bem ou não, e isso o estava deixando tão preocupado que estava ficando histérico. Ele sentia que ia desmaiar.


~🏯


Johnny ficou em seu quarto pelo que pareceram horas, deitado no chão, sem conseguir se levantar. Porra, ele nunca se sentiu tão mal em toda a sua vida. Ele não conseguia pensar em nada, exceto no fracasso que ele era. Sid e Kreese estavam certos, ele não era nada. Agora ele estava sozinho de novo, sem Daniel e sem nenhum de seus toques reconfortantes a que se acostumara.


Sua porta finalmente se abriu, mas ele não conseguiu olhar para ver quem era. Ele esperava que não fosse Sid ali para acabar com ele. Por mais que se odiasse, ele ainda não queria morrer. Felizmente, não era Sid, era apenas Laura.


— Desça, querido… — Ela estava um pouco abalada com a longa conversa que acabara de ter com Sid sobre o que iriam fazer com Johnny. Eles finalmente chegaram a um acordo, embora tenha sido muito convincente para que Sid concordasse, e Laura não ficou muito feliz com o que haviam combinado. Mas era definitivo, e ele disse a ela para levá-lo para baixo.


Johnny conseguiu se levantar, seguindo Laura lentamente escada abaixo e até a sala de jantar, onde Sid estava sentado em seu lugar de sempre.


— O que está acontecendo? — Johnny perguntou ao entrar, observando enquanto Laura se sentava em frente a ele e gesticulava para que Johnny fizesse o mesmo. Johnny obedeceu com relutância, olhando nervosamente de Sid para a mãe.


— Eu ia enviar você para uma terapia de conversão, porque Deus sabe que você precisa dela —Sid revirou os olhos ao ver o olhar que recebeu de Laura. Johnny sabia que não havia terminado de falar, mas a ideia de ser mandado para um lugar que iria 'consertá-lo' o deixava mal do estômago. Ele não precisava ser consertado. Ele amava Daniel, e isso não era um problema, embora Sid possa pensar assim. Ele estava errado. Ele não entendia nada sobre como era estar verdadeiramente apaixonado por alguém.


— Mas sua mãe me convenceu a lhe dar outra opção. Opção um, ir para a terapia de conversão e sentir um pouco de bom senso e depois para cá. Opção dois, continue sendo um viado fodido e dê o fora da minha casa, vá morar nas ruas sem um centavo no seu nome — Sid terminou, recostando-se na cadeira e cruzando os braços. Johnny estava começando a ficar puto. Essas eram suas opções? Ser sem-teto ou ir a alguma terapia de conversão? Foda-se. Johnny decidiu deixar sua raiva assumir o controle ao se virar para Sid, raiva aparente pela expressão em seu rosto.


— De jeito nenhum eu vou para a porra de uma terapia de conversão! — Johnny retrucou, batendo os punhos na mesa. Ele sabia que provavelmente não era inteligente, já que Sid tinha acabado de bater nele horas antes.


— Cuidado, garoto, ou vou bater em você de novo! Posso mandar você para onde eu quiser! — Sid rosnou, erguendo a mão para dar um tapa em Johnny. Laura segurou o braço dele e o abaixou, virando a cabeça para olhar para Johnny, que ainda parecia zangado.


— Johnny, por favor… apenas escolha — A seriedade em sua voz assustou Johnny. Ele teria que escolher, porque pelo menos ele tinha uma escolha, certo?


Era uma decisão difícil. Ou ele iria a alguma terapia de conversão idiota e assim perder Daniel, e ficar ali e ter estabilidade e um bom lugar para morar, e dinheiro para poder fazer o que ele quisesse. Ou ele poderia escolher ficar com Daniel e se tornar um sem-teto.


Johnny não pensou nisso por mais um minuto. Ele não iria perder Daniel, ele precisava dele. Ele não se importava se ele tinha que viver sob uma maldita ponte. Daniel o fazia feliz e ele não ia perder isso. E foda-se a terapia de conversão. A ideia de ir a algum lugar que lhe diria que ele está confuso e errado por estar apaixonado por um garoto parecia simplesmente horrível.


— Certo. Acho que vou embora — Johnny disse enquanto se levantava, examinando a reação de Sid. Ele parecia irritado. Johnny olhou para a mãe, que não parecia surpresa, mas parecia triste. Ele sentiria falta dela, mas se recusava a ir para a terapia de conversão.


Johnny sabia que tinha feito a escolha certa. Ele se virou, saiu da cozinha e tentou subir as escadas para pegar algumas coisas, mas Sid o seguiu e agarrou seu braço, puxando-o de volta para baixo. Se ele tentasse acertá-lo de novo, desta vez, Johnny reagiria, porque dessa vez ele estava saindo e Sid não teria ideia de para onde ele iria (e provavelmente não se importaria).


— Oh não, você não vai levar nada com você! Tudo o que você tem é por minha causa e não vou deixar que você pegue! Você não nem pega seu carro ou aquela maldita moto! Apenas vá! — Sid gritou enquanto arrastava Johnny para a porta. Johnny ficou meio irritado por não poder pegar nenhuma de suas coisas, nem mesmo sua carteira, que ainda tinha fotos de seu primeiro encontro com Daniel. Ele realmente não teria dinheiro, nem casa. Mas era melhor do que ir para a terapia de conversão, aqueles lugares eram horríveis.


— Dê o fora da minha casa! Você me deixa doente! — Sid empurrou Johnny em direção à porta, mas Johnny se desvencilhou e caminhou em direção à cozinha, onde sua mãe estava parada, com lágrimas escorrendo pelo rosto.


— Tchau mãe. Eu amo você — Johnny teria ido abraçá-la em despedida, mas Sid agarrou-o pelas costas da camisa e o empurrou em direção à porta.


— Nem fale com ela! Apenas vá! —Sid gritou quando Johnny correu para a porta ao ser empurrado. Johnny abriu sozinho, olhando para Sid mais uma vez antes de ir.


— Ei, Sid? Vai se fuder — E com isso, Johnny fechou a porta e começou a se afastar de casa.


— Seu merdinha! — Ele ouviu Sid gritar, mas não se importou. Johnny deu uma última olhada na casa antes de se virar. Ele sentiria falta de Laura, mas sentia que fez a escolha certa.


Johnny estava um pouco abalado com o que acabara de acontecer, não havia processado completamente, mas estava chegando lá. Ele não tinha uma casa, dinheiro, as chaves de seu Firebird ou de sua moto, ou até mesmo qualquer roupa extra.


Johnny pensou para onde iria e imediatamente pensou na casa de Daniel. Talvez ele não pudesse morar lá, mas talvez o deixassem ficar até que ele conseguisse um emprego e tivesse dinheiro suficiente para comprar seu próprio apartamento. Além disso, Daniel provavelmente queria saber se ele estava bem, se eles ficariam bem. E eles ficariam, já que Sid não podia fazer mais nada agora. Ele não tinha ideia de onde Daniel morava, e nenhuma ideia para onde Johnny estava indo.


O loiro começou a correr pela rua, ignorando a dor latejante nas pernas por causa da surra anterior. Não importa. Ele tinha que chegar até Daniel. Podia demorar um pouco, mas ele ia chegar lá. E quando o fizesse, tudo ficaria bem.


Notas Finais


Esse cap é aquele próprio meme lá, “início de um sonho / deu tudo errado”. Ai ai só tristeza viu?

Enfim, volto amanhã ou de madrugada (não sei ainda) com outro cap pro cês.

Não se esqueçam de votar na Kobra Conká no Gshow :)

Beijos 💓


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