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História The Ripper - Johnlock. - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O Colégio Compton


 O Colégio Compton era um lugar bonito, apesar de tudo. Possuía grandes árvores no pátio, e os prédios cinzentos faziam contraste com o esverdeado das folhagens. Quando a primavera era próspera, algo um pouco raro nos arredores de Londres, surgia flores amarelas e brancas por todas as partes, dando um aspecto classicistas e romântico.

 Os estudantes, todos homens, tinham que andar às voltas com uniformes de paletó marrom e gravatas vermelhas; isso dava a escola um aspecto de prisão de alta elite. Contudo, segundo mestres os quais não podíamos questionar, aquilo representava, de alguma forma, respeito.

Os dormitórios eram pequenos, possuindo espaço apenas para as camas, sempre duas, e uma minúscula mesa de estudos, com lamparinas à moda de Edison, dando ao cômodo uma iluminação amarelada de dar dor de cabeça. A ideia de ser daquele jeito, era para fazer os estudantes aproveitarem o grande e desenvolvido Ateneu, uma palavrinha chique para biblioteca. Possuía estantes polidas da mais fina e requintada madeira, dispostas uma ou lado, repleta de livro de todos e gêneros e com uma variedade de idiomas. Possuía lâmpadas a gás e elétrica, para servir ao gosto particular de cada um. E, também, tinha aos cantos exemplos das mais modernas tecnologias: maquinas analíticas, que podiam encontrar qualquer pessoa registrada por meio de um simples cartão perfurado. Conjuntos de telégrafos, um ao lado do outro, para os estudantes enviarem mensagens aos seus parentes. Maquinas de escrever, onde alunos com letras ilegíveis faziam trabalhos tipografado, facilitando a leitura dos professores.

Eu ia para lá com uma frequência maior que a dos outros alunos, devo-lhe admitir. Gostava de sentar-me à luz de baixa intensidade, e ler aquele infinito acervo. Os romances policiais eram meus favoritos, principalmente escritos por Edgar Allan Poe, o criador dos romances policiais. Não era muito popular, e não perdia muito ao preferir isolar-me mesmo aos fins de semana. De fato, eu possuía somente um amigo, o Sherlock Holmes, mas ser seu amigo significava, de certo modo, mas tempo no ateneu.

Sherlock era uma alma peculiar. Às vezes, permanecia dias sem dirigir-me uma palavra, não por raiva, mas por estar muito concentrado em seus próprios pensamentos. Ele não era fã das matérias tradicionais escolares, pois possuía suas próprias faculdades mentais; era excepcionalmente bom em análise, observação e dedução, transformando-o em uma versão real dos detetives que tanto lia – apesar de o mesmo sempre afirmar que era melhor que todos já escritos. Seus olhos eram de um tom muito azul, e descantavam-se ao seu cabelo escuro. Era alto, e sua magreza excessiva dava-o uma impressão ainda mais esbelta. Seus traços faciais eram muito bem marcados, o que o fazia parecer rígido. Era uma pessoa difícil de lidar, e eu era a única pessoa com quem ele “perdia tempo” conversando. Sempre dizia que eu era uma boa companhia com um pensamento, apesar de medíocre, interessante; desse modo, arrastava-me com ele, mesmo que em silencio, por todos lados, e, muitas das vezes, terminava-nos no ateneu.

Íamos, quase sempre, para ler fatos espalhafatosos dos jornais. Ele concentrava-se em todos os pequenos detalhes, e ficava bravo ao perceber que a polícia, o órgão mais corrupto da cidade, não se preocupava com detalhes como o tamanho das pegadas e cinzas dos charutos. Tentava-me explicar seus pensamentos, sempre completando que não são completos e precisos, pois não observava a cena do crime, algo essencial para uma boa dedução; “nunca teorize sem os devidos fatos”, ele dizia-me. Seus olhos brilhavam como de uma criança em dia Natal, e seu gosto peculiar por assassinatos faziam com que muitos o achasse esquisito. E em um certo dia, um menino gorducho e com cabelos louros, Anderson Gregson, chamou-o de psicopata e aberração.

Quando ocorreu esse infortuno, encontrávamos, pela espécie de um milagre, no pátio, junto com os outros estudantes. Estávamos mais afastados, claro, sentados ao pé de um grande pé de laranja que nunca havia dado um fruto se quer. Líamos a edição matutina do The Guardian. Sherlock possuía uma expressão mais alegre que o normal ao ler notícias sobre crimes: o jornal descrevia sobre o novo serial killer que assolava Londres. Já havia matado duas mulheres em Whitechapel; seu modus operandi de, após matar a mulher enforcada, cortar a mulher em várias partes, o fez receber o nome de “Jack, o Estripador”. Ninguém sabia quem era, seu nome ou coisas do tipo, e as caricaturas e os nomes foram uma mera representação artística dos jornais para aumentar o sensacionalismo.

- Mas que incrível! – Exclamou Sherlock –duas mulheres mortas no mesmo lugar. Com certeza terá a terceira. Mulheres pobres, olhe John. Será que é vingança? Por causa de traumas do passado?

- Bem trágico. Pobre mulheres – respondi, horrorizado pela notícia.

- Claro, claro. Mas isso pode por minhas faculdades mentais em uso! Eu não aguento mais manter minha mente em ócio! Isso mata-me por dentro!

Antes que eu abrisse minha boca para responder, Anderson, que jogava futebol, aproximou-se de nós com um riso estranho e apoiou os braços musculosos na árvore.

- Você é um esquisito, Holmes – ele anunciou. – Sabia disso? É uma aberração – seu grupinho, que, apesar de ainda estarem um pouco afastado e na posição de futebol, escutavam todas as provocações – e se acha inteligente!

- Eu sou inteligente – respondeu meu companheiro, adquirindo uma súbita expressão de raiva.

- Não é o que seu teste de botânica mostrou.

- Olhe, não é só porque eu não sou como você e perco meu tempo adquirindo conhecimentos inúteis e sem aplicações práticas que não sou inteligente. Na verdade, saber exatamente o que é e o que não é útil torna-me ainda inteligente, principalmente de pessoas estúpidas como você!

Anderson adquiriu uma coloração avermelhada de raiva, aproximando sua aparência de um porco. Ele aproximou-se de meu companheiro e o deu um forte chute no tórax. Era nítido que Sherlock havia sentido muita dor, e devido ao seu físico quase que esquelético, corria o risco de ter quebrado algumas costelas. Porém, ele não demonstrou nada.

- Um psicopata que gosta de se divertir com tragédias, isso que você é – respondeu Anderson, indo embora logo em seguida.

Sherlock, sem dizer uma palavra, levantou-se e começou a caminhar para dentro do prédio. Com uma velocidade surpreendente, foi para o dormitório. Eu cheguei pouco tempo depois. Ele havia trancado a porta, mas como dividíamos o mesmo quarto, possuía a chave.

- Sherlock, está tudo bem? Ele te machucou? – Perguntei ao abrir a porta.

- Não, estou bem – ele respondeu. Sua voz estava tremula, como se estivesse prestes a chorar.

- O inferno que está! – Exclamei, aproximando-se dele e o analisando de perto – conte-me o que aconteceu, Sherlock. Você não é uma máquina, é normal que sinta emoções humanas!

- Eu estou tão cansando dessa escola, John! Eu odeio esse lugar! Eu odeio essa rotina monótona que somos obrigados a seguir! – Uma lágrima escorreu de seus olhos, mas foi a única – Todos os dias, todo santo dia, eu acordo depressivo pelo simples fato de ter acordado. Eu sei que será tudo igual ao dia anterior, e eu não aguento mais isso!

- Sherlock...

- Eu vou fugir desse inferno de Dante!



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