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História The Ripper - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


Não deu pra postar semana passada, então tá aí hoje, o último antes de entrar em hiatus.

Boa leitura.
Bem vindos aos novos leitores💕

Capítulo 10 - Be mine and we'll destroy the sky


Meu coração está triste e solitário

Por você eu suspiro, para você, querida, apenas

Por que você ainda não viu isso?

Eu sou todo para você, corpo e alma

Minha vida, um naufrágio que você está fazendo

Você sabe que eu só sou seu por apenas quem quiser 

Eu ficaria feliz em render eu mesmo para você, corpo e alma

Body and Soul- Borgore

  Sakura estava deitada em sua cama enquanto lia os exemplares que comprara de todos os livros existentes do senhor Uchiha. Estava empenhada em ter argumentos contra ele, já que não iria deixar barato todas as ofensas dirigidas a ela pelo mesmo. 

Ali em sua mão direita estava o primeiro livro dele, O Vampiro e a Bruxa, publicado em 1867. 20 anos atrás

Ele devia ser bem jovem. Qual é a idade dele, afinal? 

Não se interessou muito pelo título, então foi pegar o próximo, que se chamava "Os Sete Infernos". Abriu o livro. 

               Os Sete Infernos 


                Escrito por: Sasuke 

Publicado em 1870 pelo jornal "Natchmann". 


Sakura parou e pensou um pouco. O jornal que publicava suas histórias era o mesmo: "Natchmann", nome alemão. Ele foi para a Áustria tão cedo assim? 

"É melhor reinar no inferno do que servir no céu." 

            O Paraíso Perdido- John Milton 

O trecho do livro de Milton se encontrava na primeira página do livro, e na próxima já se iniciava a história. 

"Todos os dias eram os mesmos: perseguir, encontrar, manipular e matar. 

'Ora, onde está tua dignidade, Mathieu?' O padre sempre me perguntava. 

'Está no Inferno.' Eu lhe respondia. 

Mas não era uma resposta atravessada. Era a mais pura e genuína verdade. Minha dignidade está no Inferno. No terceiro inferno, para ser mais específico. Estás curioso acerca dos outros seis? Venha e acompanhe-me nesta leitura. 

Eu me chamo Mathieu, e sou o guardião-demônio do terceiro inferno."

E terminou a primeira página. 

O próximo ela também deixou de ler pois não se interessou pelo título:" Mamãe não me ama". 

Ou será que deveria dar uma olhadinha?

TUMTUMTUM

Batidas na porta ecoaram pelo quarto da mulher, e ela escondeu todos os 6 livros debaixo de sua cama. 

— Pois não? 

— Menina Sakura, seu tio a chama para o almoço. — A voz gentil e calma de Dorothy anuncia. 

— Sim, estou indo. — É tudo que ela ia responder, mas uma súbita curiosidade cruzou sua mente. — Dorothy, o senhor Sasuke estará conosco na mesa? 

— Eu sinceramente não sei, senhorita, só fica enfurnado naquele quarto rabiscando papel o dia todo. Na madrugada, na manhã, toda hora! 

— Rabiscando papel? 

— Sim, só nos últimos 3 dias se foram 4 sacos plásticos cheios de papéis amassados. 

— E o que têm neles? 

— Ah, sabe que não sou de olhar as coisas alheias, minha querida. 

— Pois eu sou. Entregue para mim os próximos papéis amassados que ele tiver, por favor. 

Dorothy pausou um pouco antes de responder, bastante aturdida com o pedido da mulher. Qual seria o interesse dela naquele monte de lixo?

— Ah, está certo, senhorita Sakura. Bem, se apresse, Sir Kakashi irá enlouquecer a mim e a senhorita caso demore mais 1 segundinho! — E os saltos dela no assoalho foram se afastando. 

Sasuke estava escrevendo em papéis o dia todo? Ele é um escritor, afinal de contas. O senhor Uchiha está escrevendo uma nova história.

Sakura estava além de curiosa para saber o conteúdo do novo conto, já que Sasuke sempre colocava implicitamente o que estava acontecendo em sua vida nos livros que escrevia, ela notara. Senhor escritor, senhor escritor, o que anda fazendo? 



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Descendo as escadas, ela já conseguia ver o tio sentado na mesma cadeira de sempre. Surpreendentemente também podia ser mirado o senhor Uchiha, na ponta mais extrema das oito cadeiras. Isolado, como sempre gostava de estar. 

Estavam em pé, afinal o desjejum só se iniciava quando todos o que deveriam estar na mesa estivessem lá. 

Kakashi e Sasuke se sentaram finalmente quando Sakura se sentou em sua usual cadeira, de frente para o tio. 

Dorothy então começou a servir o almoço, que era frango ao curry, e se ajeitou ao lado de uma cadeira vazia do centro, preparada caso alguém a comandasse fazer alguma coisa. 

— Eu não esperava que nos acompanhasse neste almoço, senhor Sasuke. — Sakura alfinetou o homem a fim de ver suas expressões faciais diante de pressão, ou se ele conseguia descobrir que ela já sabia que ele estava escrevendo algo novo. 

— Estou com fome, tenho necessidades básicas assim como qualquer outro humano. — Sasuke respondeu ríspido, e nem percebera que havia julgado mal a pergunta de Sakura. Ela só queria saber realmente o que perguntara, e Sasuke interpretou como se a mulher estivesse o chamando de alguma criatura sobrenatural, como se não pudesse sentir fome por sê-lo, por isso deu um forte ênfase em "humano". 

Kakashi percebeu o clima tenso, então pigarreou e tratou de iniciar algum assunto… saudável? Bem, para ele qualquer coisa serviria melhor do que ver sua sobrinha e — quem ele gostaria que entrasse na família como marido dela — estarem discutindo. 

— Bom, alguma notícia a mais que eu não saiba sobre Meredith Reginald? Algo nos jornais? 

— Não, tio. Aliás, já nos disse tudo que sabe? Quando irá finalmente entrar como detetive? — Sakura perguntou, agradecida em seu âmago pela troca de assunto. 

— Isto, eu não sei. Faço parceria com o senhor Nara, mas ele está bem perturbado, ainda é cedo para o homem se aventurar totalmente nestes casos. Ademais, participará em outro caso. 

— Outro caso? Deveras estranho. Um investigador nunca se apodera de dois casos ao mesmo tempo. — Sakura rebateu após cortar o peito da carne e levá-lo a boca com um garfo dourado. 

— De fato, mas…— Kakashi foi interrompido por Sasuke, que abruptamente se levantou. Saiu de lá a passos firmes, subindo a escada. 

Sakura e Kakashi se entreolharam surpresos, e Kakashi suspirou e franziu o cenho, se voltando para o frango partido em seu prato logo em seguida. Dorothy balançou a cabeça de um lado para o outro, e apontou para o senhor Hatake. 

— O que tem eu? 

— Ele deve de ser algum parente perdido do senhor, Sir Kakashi. Tamanha semelhança me é espantosa! Dois malucos coléricos! 

— Eu não sou maluco e nem colérico!

— Oh sim, é pior, é os dois! — A velha exclamou, não segurando a risadinha boa que Sakura tanto gostava de ouvir, pois a fazia rir também. Era sempre divertido rir do tio, mas essa alegria toda só durou até Dorothy continuar. — E este senhor Sasuke pode vir a ser um parente mesmo, estas espiadas de canto de olho para a senhorita Haruno… Ah, eu conheço os homens!



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Após o almoço, Sakura foi para se recolher em seu quarto, mas teve uma surpresa ao adentrar o recinto. O senhor Sasuke Uchiha estava sentado em sua cama, olhando fixamente para a janela, mais especificamente para o jardim que rodeava o gazebo detrás da casa. 

— O que faz aqui? — Sakura perguntou, aproximando-se lentamente. 

Sasuke não respondeu, mas a olhou assim que vira a aproximação da Haruno. 

— Senhor Uchiha, devo repetir a questão. O que faz sozinho no quarto de uma dama quando ela está ausente? 

— Precisava falar contigo. — A voz dele estava mais suave do que o normal. Na verdade, ele parecia uma criança pedindo conselhos a sua mãe. 

Sakura se sentou ao seu lado, e deu um sorriso de conforto, mesmo que não soubesse o que ele estivesse sentindo. Fez um sinal com a mão para que ele prosseguisse. 

— Tu falou a verdade ontem ao… insinuar que sou o assassino? — Sasuke mexeu com as mãos, exatamente como Sakura já tinha avistado que ele fazia. 

Além disso, a pergunta a pegou de supetão, então ela arfou em surpresa. Por que o que ela disse o afetou? 

A opinião dela afetar a Sasuke Uchiha, sempre tão calmo e seguro de si mesmo? Ela não sabia dizê-lo. 

— Eu… eu…. senhor Uchiha, por quê pergunta-me tal coisa? 

— Só responda-me… te imploro. 

— Eu não sei… 

Parecendo decepcionado, Sasuke se levantou e desatou a olhar pela janela de novo. De repente, Sakura ouviu um riso de escárnio vindo dele. 

— Sakura, há certas coisas que preciso falar, mas tens de confiar piamente em minhas palavras. Poderia fazer isto? 

O ar ficou sereno quando Sakura sorriu gentilmente para Sasuke, e a porta foi trancada por ela assim que se levantou para olhar direto nas turmalinas do Uchiha quando ele começasse a falar. Era como se ela fosse a Sakura de 20 anos perguntando ao tio do porquê sempre que ela se aproximava de Itachi, algo de ruim acontecia. 

— Deixe-me contá-la um segredo, senhorita Haruno. Meus receios são genuínos para com a noite, quando não estou acordado… — Ele declarou bem baixinho, desejando interiormente que ela não tivesse ouvido. Mas Sasuke precisava que mais alguém além dele mesmo soubesse de seus fantasmas, e ela parecia alguém… similar? 

Ele só sentia ser ela a pessoa do qual ele queria ouvir no momento, alguém tão maldito quanto ele era. 

— Está somente dormindo então, senhor Sasuke. Deixe a noite para os que lhe pertencem. 

— Sim, por esta razão digo qual o meu medo com essa conjuntura; demônios são criaturas noturnas, e eu sou cheio deles! — Sasuke estava sendo franco, sincero como não o era há muito tempo. Estava sofrendo dizendo cada sílaba que havia proferido para a senhorita Haruno, pois o lembrava que não poderia fingir o tempo inteiro.  Se lembrar do quão fodida era sua vida e que seus medos eram maiores do que a quantidade de estrelas descritas por Galileu o fazia se sentir ameaçado diante das pessoas. 

Mais assustador é que era inimaginável o dia em que ele poderia se abrir de coração, alma e corpo. O medo de ser usado novamente, de ter sido tão inocente para crer que as pessoas se importariam com ele sem esperar nada em troca… 

Mas ao olhar para as esmeraldas brilhantes da mulher em sua frente, ele conseguia dizer cada palavra que prometera para si mesmo manter gravada exclusivamente em seu coração. 

Esmeraldas? Não, joias de pedra água-marinha. Sakura Haruno tinha os olhos verdes para um observador qualquer, mas para alguém que se aproximasse demais deles, como o senhor Uchiha fazia agora, eles eram azuis claros acima da pupila. Azuis como a cor de um lago cristalino que havia perto de minha casa na infância. 

Sakura corou com o apropinquamento, então deu um passo não muito certeiro para trás. 

— E-então está acordado ou dormindo, senhor? — Resolvera voltar ao assunto antes que caísse na frente dele, tamanha vergonha. Se sentiu uma garotinha envergonhada e virgem enquanto estava sendo estudada tão intensamente pelo ébano brilhante e grande dos olhos do escritor. 

— Quem sabe? — Após respondê-la, Sasuke se virou para se retirar do quarto. Todavia, Sakura apertou seu pulso, fazendo-o parar de súbito. Aproximando-se sorrateiramente até o ouvido direito do Uchiha, ela sussurrou, com uma voz sensual demais para Sasuke, as seguintes palavras:

— Abrace seus demônios, senhor Escritor. — Sasuke se virou para ela, e agora Sakura realmente parecia mais do que ela mesma, como se fosse a própria personificação de Lilith. Um sorriso aberto, porém sugestivo demais. Olhos pegando fogo, o chamando para fazer algo de errado. Não eram nem esmeraldas e nem água-marinha, e sim paixão. Emanavam calor. 

Ela era bonita demais, e isso era inegável até para ele, que nunca fora dado demais aos prazeres da carne. Nunca fora dado a nada que fizesse parte deste espectro, na realidade. Sua "doença", como o Doutor Hoffmann dizia, não permitia que sentisse atração sexual para com as pessoas. 

Se soltou do aperto dela antes que fizesse algo que se arrependeria… 

ou não



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Shikamaru já havia havia passado 2 dias seguidos à morte de Meredith Reginald se entupindo de bebidas e cigarros, exatamente como Kakashi o advertira para não fazer. 

Por muitas horas ficou jogado em sua cama, pensando no quão cruel Deus foi ao permitir que uma mulher tão pura quanto Meredith morresse. Isso também o fazia lembrar das coisas ditas pelo Senhor Sasuke… 

Meredith cometeu algum pecado, segundo ele. Um pecado tão grave que a fez ser morta por Jack, o Estripador. 

O coração fora totalmente arrancado, como o de Andrea Hoffmann. Era surreal o ponto que um homem — ou seita — chegava para ser tão fiel às histórias do americano. 

Mas Shikamaru já disse para si mesmo infinitas vezes em frente ao espelho: Tu, Shikamaru Nara, não irás falhar neste caso. Irás até o inferno para descobrir tudo sobre Sasuke. 

E ele iria. E ninguém o iria parar. 

Qual o melhor lugar para se começar do que visitar os vizinhos dele na residência que fora queimada? Nenhum, então era para lá que ele se dirigia, com seu inseparável bloco de papel e pena, preparado para desmascarar o escritor. 

Surpreendentemente, o lugar onde o senhor Sasuke morava antes de ser queimado não era exatamente uma casa, parecia mais um chalé, devido ao formato triangular — ou era para ser, se não estivesse quase todo quebrado — do telhado. 

Era pequena, a fachada tinha uma porta preta que estava metade queimada, tornando esta metade inexistente. As telhas, feitas de barro, estavam completamente destruídas no chão, onde tudo estava negro e cinza. A ardósia que compunha o lugar estava junto das cinzas. Resumindo, tudo era cinza e sem vida, exatamente como Shikamaru achava apropriado descrever a presença do antigo residente do casebre. 

Imensamente marcante e única, mas sem vida

Um fantasma preso ao mundo dos vivos, cuja alma e coração estavam eternamente enjaulados no cruel purgatório da escuridão. 

Cativo de sua própria existência, o americano parecia sempre lamentar-se de poder respire e ter um coração que palpita. 

Um rei suicida. 

Parando de pensar no quão poeticamente melancólico era Sasuke, Shikamaru lembrou-se da ideia de antes, que era ter uma conversa com os moradores, mas entrar ali pareceu uma boa ideia. Respirou bastante fundo antes de prosseguir. 

Adentrando o lugar, o Nara conseguia ver os móveis quebrados e pretos de fogo, o sofá de luxo não tinha nada senão um braço restando. 

No centro da sala, os restos do que foi uma fogueira, junto da pintura de uma mulher de cabelos e olhos negros. Devia ser sua mãe. Mas, a pintura estava perfeita, por quê o senhor Sasuke não a pegou quando esteve ali? 

Deixando a pintura no chão onde a encontrou, Shikamaru continuou procurando por mais coisas. 

Sir Sarutobi havia encontrado o diário dele no quarto. Shikamaru o olhou aquisitivo quando ele o dissera, mas Asuma disse ter encontrado o diário lá depois que o local fora queimado. O Nara acreditou, afinal não tinha nenhum motivo para Sir Sarutobi atear fogo na casa de Sasuke. Mas ainda era curioso o porquê dele querer investigá-lo a ponto de pegar seu diário. 

O ex-detetive entrou no quarto de Sasuke, cujo podiam ser vistos a madeira de sua mesa de escritor, os estrados de sua cama e muitos itens que não poderiam ser avistados devido à queima. 

Pelo menos não avistados por alguém que não tenha os olhos de águia de Shikamaru Nara. 

Um papel estava jogado no chão junto dos vidros quebrados da janela. Um papel de medicação, aparentemente. 


O doutor Sigmund Freud altamente recomenda o uso de morfina para quando a dor persistir, no entanto suas articulações espinhais e podálicas estão aquém de dor, elas o estão matando aos poucos, senhor Uchiha. Peço que use cocaína unida ao lítio antes de adormecer. 

Recomendação passada pelo Doutor Orochimaru Hoffmann, Instituto para Crianças com Casos Raros, número 35, Viena- Áustria. 

O papel datava ser de 1862, 15 anos atrás. Ele devia ser bem novo na época caso sua idade  atual faça jus à sua aparência. 

 Shikamaru leu a tudo detalhadamente, tratando de guardar cada informação contida na receita. 

O mais rápido possível teria que se preparar para uma longa viagem de trem até Viena. 


Notas Finais


É isto, não sei quando o hiatus vai acabar.
Obrigada por quem acompanha e comenta sempre❤️


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