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História The risk: O dilema de Isabela e Julio - Capítulo 17


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Notas do Autor


Depois de 5 meses THE RISK VOLTOOOOOOU PODEM COMEMORAR KSKSKS gnt já aviso q vou entrar em semana de provas okay? então se eu demorar vcs já sabem!!

Capítulo 17 - Bem vinda


ISABELA

Terça chega com outra tempestade. Até o meteorologista do canal local está cansado desse clima. Quando vi o noticiário mais cedo, ele ficou encarando a câmera o tempo todo enquanto dava a previsão, como se culpasse os telespectadores pelos baldes e baldes de chuva despejados sobre a Nova Inglaterra no último mês.

Por sorte, sou poupada da caminhada do campus até minha casa porque Giulia e eu temos aula mais ou menos no mesmo horário. A minha termina uma hora antes da dela, então fico fazendo um trabalho no saguão do prédio de arte e design. Sofás confortáveis ocupam o espaço amplo, que está surpreendentemente vazio. Só tem uma garota com seu laptop em um sofá perto das janelas e eu com o meu em um sofá do outro lado, o que me dá um simulacro de privacidade enquanto espero por Giulia.

O trabalho é para a matéria de que menos gosto: roteiro de noticiário. Como não posso me formar só em esportes, minhas aulas envolvem todas as áreas de rádio e TV. Essa matéria em particular envolve escrever roteiros para telejornais, e o professor achou que seria legal me passar um tema político. O que significa que tenho que escrever sobre as últimas manobras do presidente sem saber se o professor o apoia ou não. Ele nunca revelou suas inclinações políticas, e tenho certeza de que, se eu perguntasse, viria com aquele papo sobre imparcialidade jornalística. Mas, se formos honestos, no fim do dia, todos temos um viés. E ponto final.

Escrevo cerca de quinhentas palavras antes de fazer uma pausa. Dou uma olhada no celular, mas não tenho nenhuma mensagem nova. O nome de Julio na lista me provoca. Trocamos nossos números no café ontem para não precisarmos nos comunicar pelo Insta.

Um grunhido fica preso na minha garganta

O que, o que me fez dizer a Antônio Mulder que Julio é meu namorado? Por que fiz isso? Me arrependi de mentir um nanossegundo depois, mas era tarde demais para voltar atrás. Mulder estava radiante, parecia até que eu tinha me oferecido para chupar o pau dele. Bom, provavelmente ele ficaria mais feliz em ter o pau chupado pelo Julio. 

Está gamado no cara.

E por falar em Julio, o que, O QUE o fez me chamar para sair? Ainda estou chocada, além de desconfiada de suas intenções. A noite do show provou que temos química, mas isso não significa que precisamos fazer algo a respeito. Ele é capitão de Harvard, pelo amor de Deus. Isso é imperdoável.

Uma mensagem surge enquanto estou com o celular na mão, despertando uma onda de tristeza em mim. É de Luan.

Luan: Por favor. Não sei por que está me ignorando.

Tecnicamente, não estou ignorando. Respondi à última mensagem no domingo à noite, quando voltei do Malone’s. Falei que as semanas seguintes seriam superpuxadas com as provas finais e a vida em geral, e que eu não estaria disponível. Está na cara que Luan não gostou da minha resposta.

Outra mensagem chega: Me liga.

Droga. Conheço Luan. Se não ligar, ele não vai parar de escrever. E, quando não escrevo, ele começa a ligar. E ligar. E ligar.

Lutando contra uma onda de frustração, ligo.

Oi!” O alívio dele do outro lado da linha é palpável. “Que bom que ligou.”

Ele usou alguma coisa. Sei pelo modo como fala, pelo tom sussurrado que usa quando tem merda correndo em seu sangue. Fico feliz em não poder ver seus olhos. Sempre foi a pior parte para mim, ver os olhos de Luan drogado. Era como se fosse alguém completamente diferente. O Luan Royce por quem eu estava loucamente apaixonada era substituído por um desconhecido patético. E não o deixar na mão era — é — exaustivo.

Talvez eu seja uma pessoa terrível por dizer isso, mas não me importo mais. Luan já não é responsabilidade minha. Não sou mãe dele. 

É um trabalho para os pais.

Mas a sra. Royce, uma advogada corporativa, é, e sempre foi, uma mãe ausente. Quem ficava com Luan era o pai. Depois que ele morreu, a sra. Royce não diminuiu as horas no trabalho para passar mais tempo com o filho. Continuou se matando no trabalho sem prestar atenção nele.

O único esforço que fez depois que o vício em drogas do filho ficou evidente foi tentar mandá-lo pra Vermont. Mas Luan se recusou a ir. Ele não acha que tem um vício. Só que gosta de se divertir “de vez em quando”.

Você não parece bem”, digo. “Sua respiração está alterada.”

Estou meio resfriado.”

É isso o que ele diz agora? “Então, deveria descansar.” Ouço algo que parece vento. “Está na rua?”

“Acabei de sair do Dunkin’ Donuts. Que loucura essa chuva, não?”

Reprimo um xingamento. “Você não me ligou para falar da chuva. Do que precisa, Luan? O que está rolando?”

“Eu só…” Sua voz adquire um tom agoniado. “Eu, bom, estou meio sem grana agora. O aluguel vence semana que vem e vou ter que usar todo o dinheiro da minha conta pra pagar isso. Vou ficar sem nada para comprar comida e, bom, cobrir o básico…”

Com “o básico” imagino que esteja se referindo a metanfetamina. Sinto a raiva se acumular dentro de mim. “Você mora com sua mãe”, eu o lembro. “Tenho certeza de que ela pode liberar você do aluguel desse mês.”

“Ela não está nem aí”, ele murmura. “Disse que vai me botar na rua se eu não pagar.”

“Então ainda bem que você tem dinheiro pro aluguel”, digo. “Quanto à comida, sua mãe não vai te deixar morrer de fome.”

“Por favor, só preciso de uns cinquenta, cem no máximo. Vamos, Isa.”

Luan não está pedindo por uma quantidade obscena de dinheiro, mas não ligo. Não vou dar nem um centavo mais a ele, principalmente quando sei que vai gastar com droga. Além disso, não é como se eu estivesse rolando em dinheiro. Não pago a faculdade, mas ainda tenho gastos. Aluguel, comida e “o básico”, o que não inclui metanfetamina. Tenho minhas economias dos bicos que faço como garçonete, mas não vou usá-las para financiar a autodestruição de Luan.

“Você sabe que eu ajudaria se pudesse, mas estou quebrada. Desculpa”, minto.

“Não está, não”, ele retruca. “Sei que você tem algum dinheiro, Isa. Por favor. Depois de tudo pelo que passamos, não pode simplesmente me esquecer. Estamos juntos nessa, esqueceu?”

“Não, não estamos”, digo, com a voz cortante. “Terminamos há anos, Luan. Não somos mais um casal.”

Ouço vozes ecoando no corredor e chegando ao saguão. Torço para que a aula de Giulia tenha terminado.

“Sinto muito”, digo, abrandando o tom. “Não posso te ajudar. Precisa falar com sua mãe.”

“Ela que se foda”, ele solta.

Mordo a parte interna da bochecha. “Preciso ir agora. Tenho aula”, minto. “Mas… falamos em breve. Te ligo quando as coisas melhorarem por aqui.”

Desligo antes que ele responda.

Quando Giulia aparece, forço um sorriso e torço para que não note que estou mais quieta que o normal na volta para casa. Ela não nota. Giu pode sustentar toda uma conversa sozinha, e fico grata por isso. Sei que preciso cortar Luan por completo da minha vida. Não é a primeira vez que chego a essa conclusão, mas espero que seja a última. Pra mim, não dá mais.

Quando Giulia me deixa em casa, a chuva acalmou. “Obrigada pela carona, maluca.” Dou um beijo de agradecimento na bochecha dela.

“Te amo”, Giu diz enquanto saio do carro.

Amigos que dizem “te amo” sempre que você vai embora são muito importantes. São aqueles que você precisa manter na sua vida.

Giulia sai com o carro, e dou a volta na casa até minha entrada privativa. Um pequeno lance de escada me conduz à minha entradinha e…

Plop.

Minhas botas pisam no oceano.

Tá, não é o oceano. Mas tem pelo menos uns sessenta centímetros de água acumulada ao fim dos degraus.

Meu estômago se embrulha. Merda. O porão inundou. A porra do meu apartamento está alagado.

Uma onda de pânico me impulsiona. Minhas botas de couro atravessam aquele mar e eu encaro o prejuízo, horrorizada com o que encontro.

O carpete que vai de uma ponta à outra está estragado. As pernas da mesinha de centro estão submersas, também estragadas. A parte inferior do sofá que eu comprei em uma loja de segunda mão está ensopada — e estragada. Meu futon também.

Mordo o lábio, desalentada. Por sorte, levei o laptop para a faculdade hoje. E a maior parte das minhas roupas permanece intocada, pois fica pendurada no armário, bem acima do oceano, e minha sapateira é alta, então só os pares da prateleira de baixo estão molhados. A última gaveta da cômoda está cheia de água, mas só tem pijamas e roupas que uso para ficar em casa, então não é o fim do mundo. O mais importante está nas gavetas superiores.

Mas o carpete…

Os móveis…

Isso não é nada bom.

Volto para a entrada, onde pendurei minha bolsa. Pego o celular e ligo para a proprietária, Wendy, esperando que esteja em casa. Não vi o carro dela nem o de Mark na entrada, mas Wendy costuma estacionar na garagem fechada, então talvez esteja lá em cima.

“Oi, Isa. Acabei de te ouvir chegar. Que chuva, não?”

Ela está em casa. Ainda bem. “Está chovendo aqui dentro também”, respondo, sombria. “Nem sei como dizer a você, mas inundou tudo.”

“Quê?”, Wendy exclama.

“Pois é. Melhor você vestir galochas, de preferência do tipo que vai até os joelhos, e descer aqui.”

Duas horas depois, encaramos um pesadelo. Meu apartamento está destruído.

Wendy ligou para o marido Mark para pedir ajuda. Ele saiu do trabalho mais cedo e, depois de desligar a energia para evitar, bom, nossa morte, nós três fizemos uma avaliação completa, munidos de lanternas. Mark garantiu que o seguro vai cobrir os móveis perdidos. Nenhum deles tinha salvação. Tivemos que jogar todos fora por causa dos danos causados pela água. Só empacotei os poucos itens que sobreviveram ao Grande Dilúvio.

De acordo com Mark, a casa não tem uma bomba instalada porque inundações não são comuns em Hastings. Ele e Wendy vão precisar contratar um profissional para puxar toda a água; a quantidade é tanta que aparelhos domésticos não dariam conta. Mark estimou que precisariam de pelo menos uma semana para liberar e limpar tudo, talvez duas. Sem uma limpeza adequada, haveria risco de mofo.

O que significa que tenho que ficar em outro lugar até que o processo esteja encerrado.

Ou seja, vou para a casa do meu pai.

Não é o ideal, mas é a melhor opção que tenho. Apesar da insistência de Giulia para que eu ficasse com ela, me recuso a morar na mesma casa que Mike Hollis. De jeito nenhum vou aguentar o jeito do cara e o fato de dar em cima de mim o tempo todo por um período mais prolongado. O lar deveria ser um lugar seguro, sagrado.

Os dormitórios da faculdade tampouco são uma opção. Minha amiga Helena não pode receber ninguém por mais de uma ou duas noites — a supervisora é muito rígida quanto a esse tipo de coisa. E, embora a supervisora de Dani seja mais tranquila, minha amiga mora em um quarto apertado para uma única pessoa, de modo que eu teria que ficar em um saco de dormir no chão. Por até duas semanas.

Dane-se. Na casa do meu pai, tenho meu próprio quarto, com chave na porta, e meu próprio banheiro. Posso aguentar as bobagens dele desde que tenha isso.

Ele me busca na casa de Mark e Wendy, e dez minutos depois passamos pela porta da frente da construção vitoriana. Meu pai carrega minha mala e uma sacola, enquanto eu seguro a mochila e o laptop.

“Vou levar isso pra cima”, ele diz, bruscamente, então desaparece pela escada estreita. Um momento depois, ouço seus passos fazendo o chão acima da minha cabeça ranger.

Tiro as botas e penduro o casaco, xingando o tempo em voz baixa. Tem sido meu carma há mais de um mês, mas agora ultrapassou todos os limites. Estou declarando guerra ao clima.

Subo a escada e chego ao meu quarto quando meu pai está saindo. É impressionante como a cabeça dele chega perto do batente superior da porta. Meu pai é um homem alto de ombros largos, e ouvi dizer que as fãs de hóquei da Briar babam por ele tanto quanto pelos jogadores. Só posso dizer “eca”. Não é porque meu pai é bonito que quero pensar nele em um contexto sexual.

“Tudo bem?”, ele pergunta, seco.

“Tudo. Só um pouco irritada.”

“Não culpo você.”

“Os últimos dias têm sido um pesadelo, sério. Começando pela entrevista de sexta e terminando com a inundação de hoje.”

“E a entrevista de ontem? Como foi?”

Péssima. Pelo menos até eu fingir que Julio Peña era meu namorado. Mas guardo essa parte para mim mesma. “Foi normal, mas não estou muito confiante. O cara era claramente misógino.”

Meu pai levanta uma sobrancelha escura. “Verdade?”

“Pode acreditar, se eu for contratada vai ser um milagre.” Tiro uma mecha de cabelo da cara. “Bom, estou molhada e meus pés estão congelando de ficar a tarde toda naquele porão. Posso tomar um banho?”

“Claro. Fique à vontade.”

Vou para o banheiro no fim do corredor, tiro as roupas úmidas e entro no boxe de vidro. A água quente me atinge e dou uma tremidinha de prazer. Deixo-a ainda mais quente, e quase tenho um orgasmo. Cansei de sentir frio.

Enquanto me ensaboo, penso no acordo que fiz com Julio. Foi um erro? Provavelmente. É esforço demais por um estágio não remunerado, mas se quero experiência trabalhando em um dos grandes canais de esporte enquanto estudo, só tenho duas opções: ESPN e HockeyNet. E entrar na ESPN é ainda mais difícil.

Enfio a cabeça debaixo da água e fico ali por um longo tempo. Então, imagino meu pai me dando uma bronca pelo aumento na conta e desligo o chuveiro.

Visto meu roupão felpudo, faço um turbante com a toalha na cabeça e volto para o quarto.

Como meu pai comprou este lugar quando eu não morava mais com ele, não me sinto em casa nesse quarto. Os móveis são sem graça e dá para notar a falta de itens pessoais e decoração. Até a roupa de cama é impessoal — branca e lisa, fronhas e lençóis. Como num hospital. Ou num manicômio. Na nossa casa em Westlynn, eu tinha uma daquelas camas com cabeceiras bonitas e uma colcha colorida. Tinha uma placa de madeira pintada na parede de trás que dizia PRINCESA. Meu pai tinha mandado fazer para meu aniversário de dez anos.

Me pergunto o que aconteceu com a placa. Sinto um gostinho agridoce na boca. Não me lembro do momento exato em que meu pai parou de me chamar de “princesa”. Provavelmente foi quando comecei a namorar Luan. Não foi só o meu relacionamento com meu pai que sofreu. O que começou como admiração por um jogador de hóquei talentoso se transformou em um ódio profundo que ainda perdura. Meu pai nunca perdoou Luan pelo que aconteceu entre a gente, e não tem nem um pouco de pena pelo fato de as coisas terem ido ladeira abaixo para ele. Um homem de verdade admite quando tem um problema, meu pai sempre diz.

Abro minha mala e pego meias secas, calcinha, calça legging e um suéter largo. Quando acabo de pôr a roupa, meu pai bate à porta.

“Está vestida?”

“Pode entrar.”

Ele abre a porta e apoia o corpo no batente. “O que quer jantar hoje?”

“Ah, não se preocupa”, digo, surpresa. “Não precisa cozinhar.”

“Eu não pretendia mesmo. Pensei em pedir pizza.”

Acho graça. “Você sabe que já vi a dieta que você força os jogadores a seguir, né? Enquanto isso você come pizza?”

“Você está em casa”, ele diz, dando de ombros. “É algo a celebrar.”

É mesmo? Nossas interações são tão contidas e embaraçosas que parece que somos dois desconhecidos conversando. Não há nenhum carinho entre nós. Tampouco há hostilidade, mas de fato ele não é mais o homem que me chamava de “princesa”.

“Então tá. Pizza está ótimo”, digo.

Ficamos em silêncio. Ele parece estar me examinando, procurando alguma coisa em meus olhos.

Por algum motivo, sinto que devo falar. “Sou uma adulta agora.”

Só que é exatamente o tipo de coisa que faz com que te vejam como o exato oposto.

A boca dele se contorce de leve. “Sei disso.”

“Só quero dizer que não é porque vou passar uma semana ou um pouco mais aqui que você pode vir com aquela história de ‘minha casa, minhas regras’. Não quero ter um horário para voltar.”

“E não quero que você chegue bêbada às quatro da madrugada.”

Reviro os olhos. “Não tenho esse hábito. Mas posso voltar altinha por volta da meia-noite depois de ter saído com meus amigos. E não quero sermão por causa disso.”

Meu pai passa a mão pela cabeça. Ostenta o cabelo raspado e sem qualquer firula desde que consigo lembrar. Ele não perde tempo com frivolidades. Como cabelo.

“Eu fico na minha e você fica na sua”, concluo. “Combinado?”

“Desde que não faça mal a você mesma ou a outras pessoas, não tenho motivo para interferir.”

Um nó se forma na minha garganta. Odeio que, quando me olha, ele ainda veja a garota autodestrutiva que só faz escolhas erradas. Não sou mais ela. Já faz um bom tempo.

Meu pai se vira. “Me diga quando estiver com fome que eu faço o pedido.”

Ele fecha a porta com firmeza ao sair.

Bem-vinda ao lar, penso.


Notas Finais


Isa voltou pra casa do papis dela, vamos ver noq isso vai dar ksks


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