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História The Ritual - Capítulo 3


Escrita por: MellowKyn

Notas do Autor


Heyy! Aqui estou eu antes do esperado, com a postagem do extra como havia prometido!
Fiquei com preguiça de dividir em duas partes, e por isso será grande kk espero que gostem

Desejo a todos uma ótima leitura o(*^▽^*)┛

Capítulo 3 - Extra - O Festival Dos Fogos


– Não acredito que você permaneceu com ele, esse não era o nosso acordo! – Reclamava Tomioka, enquanto fuzilava o outro deus com seus olhos.

– Isso não é justo! Eu queria passar mais tempo com ele! – Choramingava Misturi enquanto era consolada por Obanai.

–  Você ainda teve a ousadia de rosnar para ele! Você não deveria ter feito isso com o meu garoto – Acusou Kyojuro enciumado por não ter passado muito tempo ao lado de Tanjiro.

– Tsk. Não enche – Rosnou Sanemi.

– Acalmem-se, brigar não adianta em nada. Agora já foi, Tanjiro está de volta ao vilarejo. - Sendo a mais racional, Kocho rebate. Mesmo estando levemente enciumada por não passar o resto do dia com seu sol.

– Quero vê-lo novamente. – Muichiro suspirou. Todos concordaram com a afirmação.

– Proponho que devemos nos encontrar com ele – Uzui disse.

– Quer que vamos para o vilarejo? Vai estar cheio de humanos, não gosto da ideia. – Obanai deu sua opinião, mesmo querendo passar mais tempo com Tanjiro, a ideia de ser cercado por pessoas o incomoda.

– Não acha que por nosso sol, tal sacrifício não vale a pena?– Kocho rebate, não era muito chegada nos humanos, todavia não se importaria de passar por isso só para estar ao lado do Kamado.

– Podemos ir agora? – A deusa do amor perguntou animada. Estava com tanta saudade do ruivo que não escondia sua ansiedade em vê-lo logo. Não era a única, pois todos os demais deuses também estavam na mesma situação. Bastou poucas horas para todos se apegarem a Tanjiro. Até mesmo Gyomei, que não demonstrava muito gostava de ter o Kamado por perto.

– Uma aparição assim poderia chamar muita atenção, não seria nada extravagante da nossa parte trazer algum perigo ao sol.

O que Uzui dissera deixou todos refletindo, até que a atenção foi tomada por Rengoku e sua fala animada – Vou convidar meu garoto para ir ao festival dos fogos!

– Se você for todos nós iremos. Não se esqueça do combinado – Giyuu disse estreitando os olhos, mesmo que internamente esteja sorrindo ao imaginar ir a um festival com Tanjiro.

– Não me parece uma má ideia. É comum que em festivais venham pessoas de outros lugares. Certo. – Bateu as mãos para chamar a atenção de todos. – Iremos ao festival dos fogos.

– Todos iremos passar um tempo com Tanjiro. – Mitsuri dizia alegre.

– E não poderemos interferir quando um estiver com ele. É para respeitar o tempo, certo Sanemi?– Muichiro pronunciava silabando enquanto encarava o deus do vento.

– Tanto Faz. – Resmungou.

– Com certeza serei o primeiro, com meu jeito extravagante chamarei a atenção dele. – Uzui se vangloriava.

Os demais deuses não gostaram nada disso, iniciando assim uma grande discussão sobre quem seria o primeiro a acompanhar o humano no festival.
 

Algumas semanas após os eventos na montanha, o vilarejo preparava-se para iniciar o tão aguardado festival dos fogos, que celebravam aos céus todos seus agradecimentos pela proteção dos deuses. A cidade ficava imensamente colorida, com lanternas de diversas cores e formas que iluminavam as ruas. Os enfeites das residências apresentavam origamis dourados referentes a cada divindade, além da presença de máscaras, que eram a principal característica da comemoração.

Comércios ocupam todas as ruas, trazendo barracas de vendas e diversos jogos, para alegrar ainda mais o festival. Apresentações podem ser vistas por diversos pontos, desde dançarinos a pequenas encenações teatrais. Nesta temporada, era comum que pessoas de várias cidades próximas fossem para a aldeia assistir e participar dessas comemorações, o festival é tradicional na região.

Faziam apenas algumas horas para o início da comemoração, que duraria por volta de 5 dias, os Kamados estavam terminando de se arrumarem para participarem da comemoração. Tanjiro usava um yukata verde, suas longas mangas eram preenchidas por desenhos que lembravam o céu, seus fios bordô estavam presos em um rabo de cavalo, combinado com os brincos hanafuda. Sua mãe e seus irmãos também estavam prontos, apenas davam os toques finais em suas vestes.

Chegando ao local, os menores ficaram deslumbrados, pedindo para irem à diversas partes, Kie, Nezuko e Tanjiro se dividiram para poderem levar as crianças até onde queriam. A matriarca Kamado foi responsável por tomar conta do pequeno Rokuta e  de Takeo, que insistiram em ver as apresentações no palco principal. Enquanto a irmã de olhos rosados acompanhou Shigeru até a barraca de maçã caramelizada, o primogênito Kamado levou Hanako consigo para andarem juntos pelo festival.

Os irmãos estavam conversando animadamente, ao mesmo tempo que aproveitavam o clima de comemoração permeando o ambiente. O que chamou a atenção da mais nova, e fez Tanjiro ser levado para a mesma foi uma bela máscara de raposa, a qual Hanako se encantou e pediu para seu irmão. Saindo do comércio, não contavam que uma senhorita esbarraria neles, a mesma envergonhada se desculpou e ao encontrar os olhos vermelhos, corou mais do que estava.

Um pouco confusos, mas preocupados com a dama, resolveram acompanhá-la até um dos bancos da praça central. A mulher possuía longos cabelos rosas, tendo as pontas esverdeadas e usava um belíssimo quimono rosado com detalhes de cerejeiras. Carregava consigo um wagasa da mesma cor que sua veste.

A rosada se desculpava por os ter incomodado, entretanto os Kamados apenas sorriam acolhedores e perguntavam a ela se era sua primeira vez no festival, ao terem a confirmação, trocaram olhares animados e decidiram guiá-la, mostrando seus lugares favoritos. A partir daí o trio acabou permanecendo junto, e pararam  de caminhar para comer mochi sakura, sendo levados por Mitsuri Kanroji, a moça que os acompanhava. Ela agia de forma empolgada, parecendo até mesmo ser mais nova que Hanako, pois fazia de tudo para chamar a atenção do ruivo. Estavam caminhando tranquilos, até que a moça lhes pediu licença, dizendo que estaria indo por agora. Despediram-se com um forte abraço protagonizado pela mulher, que sussurrou a Tanjiro que logo mais se encontrariam novamente.

Voltando ao ponto onde se separam dos demais familiares, reencontaram o resto dos Kamados, Kie carregava um Rokuta sonolento, já Nezuko andava com Shigeru cambaleando de sono, por fim decidiram levar os mais novos de volta a residência Kamado antes dos fogos iniciarem. Tanjiro se ofereceu para levar os irmãos, todavia sua mãe e irmã o disseram para permanecer lá e aproveitar o evento.

Não tivera escolha, as mulheres estavam determinadas em fazer isso, por isso apenas concordou e as desejou um bom retorno. Caminhou novamente para a praça central, onde fora abordado por um homem alto com cabelos lembrando chamas e olhos incrivelmente quentes e gentis. O mesmo se aproximou e ofereceu uma maçã doce, normalmente não aceitaria coisas de estranhos tão facilmente, mas não sentiu malícia naquele homem em nenhum momento. Seu cheiro era familiar também, de uma forma aconchegante e confortável.

– Obrigado… – Disse incerto, pois não sabia o nome do então desconhecido

– Kyojuro Rengoku. – Respondeu animadamente.

–  Obrigado Rengoku-san. Sou Kamado Tanjiro – O homem sorriu largo, aproveitando o momento perguntou para o ruivo, se este poderia o guiar pelo festival, tendo em vista que essa seria sua primeira vez nesta comemoração. Como uma boa alma pura que era, Tanjiro aceitou.

Caminhou ao lado do homem explicando o propósito do festival, e qual o significado por trás das decorações em forma de animais. Rengoku em nenhum momento parecia não se importar com o que falava, pelo contrário manteve seus orbes dourados avermelhados centrados em tudo que o Kamado dizia. Esse olhar penetrante, fez momentaneamente Tanjiro se lembrar da coruja que encontrou na floresta, não somente ela mas como o cervo também. Tanto Mitsuri-san como Rengoku-san possuíam o mesmo cheiro daqueles animais. Além da energia suave que encobria suas presenças, assim como os bichinhos.

Percebendo o silêncio do mais novo, Rengoku acariciou os fios escarlates para assim conseguir fazer Tanjiro voltar a si. O ruivo sorriu um pouco envergonhado e pediu desculpas pela distração. Permaneceram juntos até que o loiro  o levantou e deu-lhe um abraço apertado. 

– Terei que ir por agora meu menino, mas nos veremos novamente. – Despediu-se sumindo em meio a multidão.

Tanjiro permaneceu incerto, mas não tardou em se dirigir para a área de apresentações. Estava ocorrendo uma encenação sobre o primeiro Kamado encontrando com o deuses e iniciando o ritual que logo mais se tornaria tradição no vilarejo. O local estava cheio, por isso estava tendo dificuldade em assistir a apresentação, quando aleatoriamente fora colocado sob os ombros largos de um homem com fios platinados.

– Hum, com licença. - Dizia enquanto cutucava os braços enormes que o prendiam no alto.  Este olhou sob os ombros, e encontrou os olhos avermelhados de Tanjiro. O ruivo sorriu desajeitado e perguntou se a pessoa poderia colocá-lo no chão.

– Sou Tengen Uzui, gracinha. Não precisa me agradecer, apenas aproveite a visão extravagante que estou te proporcionando.. – Sorria largo dizendo as palavras. O Kamado ficou ainda mais envergonhado, e mesmo pedindo novamente para que Tengen o colocasse no chão, o platinado o manteve ali até que a apresentação terminasse.

Ao descer dos ombros do homem, percebeu o quão alto este era e o quão elegante este de vestia. Suas vestes consistiam em um yukata azulado preenchido por desenhos de flores, por cima usava um haori vermelho que destacava ainda mais Tengen ao meio da multidão.

O albino permaneceu consigo andando pelas tendas, por mais que fosse um  galanteador, o tratou com imenso respeito e carinho. Parecia ser uma pessoa que gostava de atenção, sempre agindo de forma chamativa e extravagante. Tengen o lembrava bastante aquele tigre, principalmente a tatuagem que o mesmo possuía no olho, era idêntica a do animal. A energia caótica e travessa também era a mesma.

Assim como os outros dois, chegou o momento em que Uzui o deixou, mas antes disso fez questão de pegar uma de suas mãos e tocá-la levemente com os lábios, deixando um pequeno selar. Esse ato o deixará completamente corado. Sentou-se em um dos assentos para acalmar as batidas de seu coração.

O evento principal do festival aconteceria em duas horas, ainda tinha tempo para aproveitar mais um pouco a festividade, enquanto pensava no que fazer fora tirado de seus pensamentos pela presença de uma serpente branca subindo em seu colo. O animal o encarava enquanto balançava sua língua para fora, passou os dedos pelas escamas da cobra, e a mesma pareceu gostar bastante, até que foram interrompidos por um homem de cabelos negros e olhos heterocromáticos.

– Kaburamaru! – Chamou pelo animal, que virou a cabeça para o mesmo, antes de voltar a se esfregar sobre os dedos de Tanjiro. – Desculpe-me pela falta de modos dele. – O homem parecia  envergonhado pela atitude da cobra. 

O Kamado apenas sorriu e disse que não havia nenhum problema. Não demorou para que ambos se apresentassem, o homem mascarado se chamava Iguro Obanai, sua presença era calma e ele parecia ser o tipo de pessoa que não falava muito. Sendo assim, era Tanjiro puxava os assuntos e fazia a conversa de ambos fluir. Permaneceram todo esse tempo sentados, com Kaburamaru ainda no colo do Kamado, chegando ao ponto em que a serpente subiu até seu pescoço, onde permaneceu até o momento.

Iguro se aproximava lentamente para perto, chegando até mesmo a tocar a bochecha do ruivo, preocupado com a reação do humano, disfarçou para parecer um acidente. Estava tão constrangido de sua ação que não tardou em pegar a cobra e se despedir do Kamado, nem dando chance dele falar algo.

Iria dizer a Obanai que não havia sido nada demais, todavia o homem e seu animal já haviam sumido. Suspirou, estava gostando de ter companhia no festival. Não estava acostumado a passar este sem alguém junto, sendo normalmente sua família a companhia para a comemoração.

Estava próximo ao templo, talvez fosse hora de fazer suas preces antes dos fogos. Caminhou até o local, agachou-se em uma almofada disponível e passou a agradecer. Tendo sua concentração interrompida por uma grande presença ao seu lado, abrindo devagar o olho esquerdo para espiar, viu um grande homem de cabelos negros com uma grande cicatriz na testa, pelo pouco que observou este parecia ser cego e completamente devoto, levando em conta sua postura e os adereços em seus braços e pescoço.

Enquanto se levantava, acabou escorregando na yukata, antecipando o tombo fechou os olhos, todavia não sentira o impacto do chão, pelo contrário, fora segurado por mãos grandes e largas que o protegeram da queda. Abrindo os olhos se depara com o homem que estava ao seu lado o segurando, levantou-se corretamente e agradeceu, antes de saírem do templo, o homem se apresentou como Gyomei Himejima, assim como o outro o Kamado também se apresentou.

Um pensamento engraçado passou por sua cabeça, estranhamente Gyomei lhe lembrava um grande urso, talvez fosse por seu tamanho ou pelo aroma da floresta que emanava dele. Dando-se por si, o grande homem já havia sumido do seu lado.

Estava confuso, como poderia alguém como Himejima sumir tão rapidamente? Ignorando pensamentos frívolos, caminhou lentamente pelo jardim aos fundos da construção, deparando-se com uma pequena borboleta roxa, que o cercava e voava em direção à trilha ladrilhada. Observando a ação do inseto, decidiu seguí-lo até que esta o leva em direção à uma bela mulher de cabelos negros e pontas púrpuras.

A mesma estava sentada no deck de madeira, com suas vestes arroxeadas preenchidas por desenhos de pequenas borboletas balançando sob o vento, os movimentos que sua yukata fazia pareciam o balançar suave das asas de uma borboleta. Era uma visão de tirar o fôlego de qualquer um.

Ficou tão encantado pela cena, que nem reparou quando a moça parou bem em sua frente. Esta riu suavemente antes de puxá-lo para o local onde  outrora estava sentada. Tanjiro apenas se deixou guiar pela mulher de olhos púrpura. Saindo do transe em que havia entrado, apresentou-se para a senhorita, que não tardou em dizer seu nome, Shinobu Kocho era como se chamava.

Aproveitaram aqueles minutos da noite para conversarem um pouco e compartilharem algumas experiências em comum. Quando o Kamado dera por si, a lua já se aproximava do centro do céu, logo mais os fogos seriam lançados e iluminariam os céus com suas cores vibrantes. Levantou-se e convidou Kocho para o acompanhar para assistir os fogos, a mulher ficou envergonhada e apenas disse que logo mais se encontrariam antes de se despedir deixando um beijo suave na bochecha de Tanjiro.

Ao virar de costas de volta para a trilha, já não sentirá mais a presença e muito menos o cheiro de Shinobu, ela já havia partido.

Ao voltar para as rua movimentada, surpreendeu-se por encontrar um menino perdido e sozinho em meia a multidão, seus fios eram negros como a noite e as pontas eram turquesa, seus olhos lembrava-lhe uma tumalina recém polida de tão brilhantes que eram. Aproximou-se lentamente até chegar ao lado do jovem, colocou uma de suas mãos suavemente sob os ombros do garoto.

Os olhos perdidos iluminam-se ao escutar a doce voz. O garoto então virou-se para encontrar os olhos carmins os quais pertenciam ao garoto de cabelos bordô.

– Sou Kamado Tanjirou, precisa de ajuda para achar os seus pais? – Perguntou preocupado, se perguntava como ficaria se visse um de seus irmãos perdidos no meio do festival. Uma faísca de preocupação contornava seu coração, precisava ajudar o jovem a encontrar seus responsáveis.

 – Não…sou Tokito Muichiro. – O garoto não proferiu mais nenhuma outra palavra, apenas certificou-se de segurar uma das mão de Tanjirou e se deixando levar pelo Kamado de olhos bordô. Que permanecia atento a qualquer adulto que parecesse ter perdido alguém.

Andaram bastante, cruzando multidões e passando por barracas de comida, onde Tanjirou fez questão de comprar alguns doces para Tokito, deixando o jovem de cabelos negros ainda mais encantado pelo outro. O ruivo definitivamente era o anjo mais puro e caloroso que já conheceu em todo seu tempo de existência. Nenhum outro humano se comparava á Tanjirou Kamado.

Uma pena que seu tempo com o ser mais precioso de todo o mundo havia acabado, se não fosse pelo maldilto acordo entre os deuses ele passaria o resto da noite ao lado de Tanjirou. O ruivo não o deixaria ir com facilidade, pois ainda estava preocupado por conta da falta de seus “responsáveis”, por isso fingiu ver seus parentes em meio a grande multidão em volta da apresentação teatral. 

O Kamado ficará surpreso e mais tranquilo por saber que Tokito havia encontrado seus pais, entretanto, quando fora seguir o garoto o perdeu de vista em meio a lotação de pessoas. Seu coração apertou um pouco por não saber se o moreno encontrou sua família, mas visto que o perdera totalmente de vista significa que já havia ido.

Um toque pesado pairou sob seu ombro esquerdo, ao virar-se, se deparou certos olhos púrpuras e uma face repleta por cicatrizes, o homem também possuía fios brancos espalhados por sua face. Sua expressão era rígida mas ao encontrar os belíssimos olhos bordô, seu semblante se tornou mais suave, subiu um pouco mais seu toque até chegar nos fios vermelhos que estavam fortemente presos em um rabo de cavalo.

A presença e o toque inesperado surpreenderam Tanjiro, que ficou acanhado por receber esses afagos de um estranho. Não é como se o homem tivesse intenções maliciosas, apenas era um pouco diferente. O albino tocou suavemente uma de suas mãos antes de levá-la aos lábios em um beijo suave. – Sou Shinazugawa Sanemi, é um prazer te conhecer.

Corava fortemente, a presença daquele homem era tão forte e seu olhar era penetrante, como se não perdesse nenhum dos movimentos de Tanjiro. – K-Kamado Tanjirou, é um prazer conhecê-lo Shinazugawa-san! – Reverenciou educadamente o homem.

O contínuo toque lhe deixava cada vez mais envergonhado, chegando ao ponto que a vermelhidão se estendia até seu pescoço. – Posso ajudá-lo, Shinazugawa-san?

O albino expressava surpresa, não se dera conta que continuava a acariciar os fios bordô, até ser trazido para a realidade ao escutar seu nome sendo proferido por Tanjiro. Limpou a garganta, antes de afastar suas mãos do cabelo do menor, e se recompor. Perguntou ao ruivo,  se este poderia lhe acompanhar até a tenda que vendia ohagis, o que foi prontamente aceito pelo Kamado. Sentaram-se em uma das mesas, onde aguardavam a pequena porção de bolinhos de arroz envoltos e pasta de feijão doce,  durante o tempo em que esperavam, Tanjiro responderá todas as dúvidas do platinado, muitas dessas que envolviam as cores favoritas de tanjiro, comidas prediletas e entre outros assuntos sobre o Kamado.

Estavam entretidos, tanto o ruivo por estar animadamente falando sobre sua família, como Sanemi por se deliciar com os ohagis, enquanto escutava atentamente o que Tanjiro falava, aproveitava ao máximo aquele momento. Todavia sua hora estava para terminar, teria que ir, caso o contrário dos demais deuses, se irritariam consigo e lhe encheriam a paciência, principalmente Giyuu, que ainda não havia passado seu tempo com o Kamado, durante o festival dos fogos.

  Logo que terminaram, o deus do vento anunciou sua partida, se despedindo do ruivo com afagos suaves em seus fios bordos, além de levar uma de suas mechas até os lábios, depositando um beijo no local. O jovem Kamado, surpreendeu-se  novamente com a ação, e se despediu com um leve aceno e uma vermelhidão por sua face.

A lua já brilhava próxima ao centro da noite estrelada, logo mais os fogos seriam soltos e clareariam o véu noturno, louvando os deuses e suas proteções contra as forças malignas. Tanjiro estava distraído, observando o céu e imaginando o futuro cenário das pólvoras estourando aos céus, até que fora distraído por uma figura mascarada, que se aproximava calmamente. 

O homem possúia uma estatura média, levando em conta os demais com quem passou o festival, seus cabelos negros estavam firmemente amarrados, vestia um yukata azulado com detalhes nas bordas que lembravam ondas, além do haori negro por cima de suas vestes.

A figura se aproximou, chegando a ficar alguns centímetros de distância do ruivo. Cuidadosamente removeu a máscara, revelando a pele pálida e os olhos safiras que possuía, além do pequeno sorriso que adornava seu rosto. Tanjiro sorriu largo, reconhecendo aquele cheiro, era a última que sobrara, a raposa negra, a qual foi a primeira a lhe guiar pela floresta.

  No começo pensava que era apenas uma pequena coincidência, e que os cheiros deveriam ser fruto de sua imaginação ou a combinação de aromas que cercava as redondezas, entretanto com o fluir da noite percebeu que aqueles que o estavam acompanhando, nada mais eram do que os deuses da montanha. As criaturas em forma de animais que garantem não somente sua segurança, mas como a de seu vilarejo, seres místicos banhados pela eternidade. 

Sorriu docemente para o deus, antes de se apresentar como Tanjiro Kamado, e este retribuiu o comprimento dizendo baixo seu nome, Giyuu Tomioka. Ao fim das apresentações, puxou o homem de cabelos negros pelo braço, o guiando por volta do rio seisei ruten, onde crianças e adultos juntavam-se para observar os fogos que se iniciariam.

O Kamado o levou até o local, que “considerava o melhor” para observar os fogos, em uma pequena colina acima do nível do rio, que dava vista para quase todo o festival. Ambos sentaram-se para aproveitar o momento, onde vários e vários fogos de artifício estouraram pelo céu, colorindo como nunca a escuridão que cobria aquela noite. Giyuu observava encantado, os olhos bordos brilhando conforme as pólvoras explodiam pelo ar, era uma visão que guardaria por toda a eternidade, assim como aqueles momentos em que passou ao lado de Tanjiro.

Sua hora estava por terminar, já era hora de acompanhar o Kamado de volta pra casa, todavia o peso em seu ombros lhe fez pensar duas vezes antes de se levantar. Tanjiro havia adormecido antes mesmo dos fogos terminarem, o jovem humano deveria estar cansado por andar tanto naquela noite. Ofereceu um sorriso pequeno antes de deixar um selar na cicatriz que cobria o rosto do menino.

Permanecia com o Kamado escorado em si, estava com receio de acordar o ruivo ao mudar de posição para carregá-lo, de volta pra casa, contudo seus planos foram por água abaixo pelas presenças que surgiram à sua volta, não precisava nem fazer esforço para saber quem eram.

–  Pensei que teria mais tempo. –  Suspirou contrariado.

–  Não seja tão egoísta, Tomioka-san. Nós todos concordamos com isso –  Kocho sorria ladino, ao mesmo tempo que se aproximava o suficiente para acariciar os fios vermelhos.

–  Kyaaa! Ele está tão fofo! –  Mitsuri exclamou, enquanto sorria largamente dizendo para todos como Tanjiro era adorável. Obanai estava ao lado concordando com as falas da rosada, não tirando seus olhos heterocromáticos do menino por nenhum momento.

Kyoujuro foi o primeiro a tomar a iniciativa de tentar carregar o Kamado, entretanto Tengen fora mais rápido, não tardando em segurar Tanjiro em seus braços. Os demais deuses que até então estavam distraídos discutindo para ver quem carregaria o jovem, foram surpreendidos por Uzui, que já guardava o menino em volta de seus braços. Derrotados, e sem poderem reclamar, uma vez que queriam evitar acordar o pedacinho de sol que dormia tranquilamente, as divindades partiram em direção a residência dos Kamados.

Ao chegarem ao local, suavemente bateram na porta, onde foram recebidos por Kie, que os encarou em completo choque, não tardando em se ajoelhar no chão e cumprimentar os deuses. Sim, ela sabia quem eram,  já ouvira muitas histórias sobre os deuses, além de seu marido, que já havia presenciado estar na presença das divindades. 

–  Por favor, se levante –  Shinobu dizia suavemente, ao mesmo tempo que auxiliava a mulher a se levantar. Kie estava surpresa mas feliz, seu filho estava bem, não somente isso como fora abençoado pela proteção dos deuses, era claro que eles haviam escolhido Tanjiro como companheiro de alma.

–  Cuidem bem do meu menino, ele é um dos meus maiores tesouros –  Pronunciava ao olhar para um Tanjiro adormecido em volta dos braços da divindade tigre. Os deuses confirmaram com a cabeça e disseram palavras suaves sobre a importância do Kamado para eles, e como sua simples existência tornava a imortalidade algo bom.

Kie permitiu que o levassem para o quarto de Tanjiro, o depositando cuidadosamente em seu futon, evitando que o mesmo acordasse no processo. Como despedida, cada um dos deuses deixou um de seus amuletos em forma de animais, e palavras de carinho, antes de partirem sobre o brilho do luar.

   Na manhã seguinte, o ruivo se deparou com os mesmo objetos que havia deixado para os deuses em volta de sua cama, lhe fazendo sorrir e acreditar que a noite daquele festival não foi um sonho, mas sim uma realidade inesquecível, o qual apreciou muito estar do lado dos deuses.

Estava feliz, não poderia estar mais alegre por saber que tinha tantas pessoas que o apreciavam, e cuidariam de si, mesmo de longe. A sensação de ser amado nunca foi tão aconchegante, nunca poderia imaginar que cumprir o ritual lhe traria tantas coisas boas, no fim assim como as lendas diziam, seus grandes corações eram a maior benção concedida pelos céus.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado!! Deu um trabalhinho mas o resultado valeu a pena! Com isso chego ao fim desta short-fic, esse extra era a última parte planejada, e a qual eu mais anisava em terminar, bom, espero que o resultado os agrade!

Desculpa caso tenha algum erro de ortografia, eu revisei mas pode acontecer de eu esquecer ou pular alguns, por isso, caso achem deixem nos comentários para que eu posso corrigir!<(_ _)>

Nos vemos numa próxima história!


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