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História The Royalty - A princesa perdida (Jeon Jungkook) - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Capítulo 5 - A história de Antonella


Fanfic / Fanfiction The Royalty - A princesa perdida (Jeon Jungkook) - Capítulo 6 - Capítulo 5 - A história de Antonella

“Aprender a voar como pássaros e a nadar como peixes;

mas ainda não aprendemos a conviver como irmãos.”

— Martin Luther King

 

— Sabe, Sarah, nem sempre houveram todos esses reinos, hoje em dia temos cerca de cento e oitenta e nove impérios a mais do que a séculos atrás.

— Nossa são muitos reinos. 

— Antigamente as pessoas não tinham o conhecimento territorial que temos hoje. Naquela época não se sabiam da grandiosidade do mundo, por isso só existiam quatro reinos de grande influência: Blanc, Violet, Vert e Jaune. 

— Verão passado fomos para Jaune, não fomos? 

—Fomos passar as férias lá, mas sabe porque esses reinos receberam esses nomes de cores? 

— Sim, aprendi na aula de geografia com a madame Katherine. É por causa de suas estações do ano mais marcantes.

— Está certíssima. 

— Mas, Charlotte, se só existem quatro estações, como teve nome suficiente para todos os impérios que existem hoje? 

— Porque depois eles começaram a usar outro critério: expertises. 

— Qual é a de Rouge?

— Bom, Sarah, nós possuímos o maior exército do mundo, então vulgarmente eles colocaram que nossa expertise é matar, Rouge significa vermelho, a cor do sangue. 

— Que triste.

— Nem tanto. Tem seu lado bom: ninguém tem coragem de entrar em guerra conosco.

— Entendi.

— Mas retornando ao assunto. Hoje lhe contarei a história de Antonella, uma menina que deu tudo de si para criar o seu próprio reino. 

— Não acredito que você vai me contar uma história para dormir. 

— Pois acredite, pequena Sarah. Vamos começar! — Se deitaram na cama de uma maneira confortável. — Rouge ainda não existia naquele século, então uma menina nascida em Blanc, igualzinha a você, mudou tudo. Ela havia descoberto algo que ninguém esperava. — Fez uma pausa para ter certeza que a pequena infanta estava prestando atenção no assunto. 

— O que ela descobriu, mamãe? — Sarah não tivera a intenção de chamar Charlotte daquela maneira tão afetiva, mas foi mais forte do que ela. A princesinha necessitava desse amor materno e a rainha era o mais próximo que ela tinha de uma mãe. 

Charlotte esperava ficar brava no segundo em que escutou aquilo daquela menina que era fruto do amor de seus inimigos, mas a verdade é que aquilo encheu seu coração de amor e ternura, porque ela sempre quisera ter uma filha, entretanto nunca foi capaz de ter uma. A rainha tinha um problema nas trompas uterinas e, de fato, ter seu filho. Christian, fora um milagre divino, uma vez que suas chances de engravidar eram mínimas. 

— O nome dela era Antonella e ela era uma criança de apenas dez anos, inocente, mas muito inteligente e principalmente sonhadora. Igualzinha a você.

— Não, ela não é nada parecida comigo. Ela era inteligente e eu não sou. — Sarah era extremamente insegura. Ela não conseguia compreender o porquê dos pais de Christian não gostarem dela e a tratarem daquela forma, então ela costumava culpar a si mesma. 

A alteza, mesmo depois de saber que aquelas pessoas a tinham arrancado de sua família, ela sempre os admirou muito, porque naquele momento eles eram sua família. Sarah os idolatrava, achavam eles perfeitos e a partir do momento em que eles começaram a desprezar a garota ela pôs em sua cabecinha que não era suficientemente boa para estar naquele grupo. 

Desde então Sarah começou a cobrar de si mesma apenas a perfeição e nada além disso, e assim, talvez, ela fosse digna do amor de Charlotte e Arthur. 

— Como assim, você não é inteligente? Mas é claro que você é! 

— Não sou não!

— É sim!

— Não sou não! — A cada vez que Sarah revidava ela ia aumentando seu tom de voz. Estava ficando irritada, porque se tinha uma coisa que ela odiava era ser contrariada, mesmo quando a outra coisa é um elogio.

— É sim e não se atreva a dizer o contrário, mocinha, porque se não vou te deixar de castigo nesse quarto aqui até você perceber o quão incoerente é sua fala. — Sarah era orgulhosa, fato, mas não a ponto de arriscar sua liberdade daquela forma, então o silêncio prevaleceu naquele quarto, junto a um clima tenso. — Posso saber o porquê de você não se achar inteligente?

— Não, não pode. — Sabe quando você diz algo e se arrepende antes mesmo de acabar de falar? Foi exatamente isso que aconteceu com Sarah, mas já era tarde demais para abortar a missão. 

— Tudo bem, acho que me expressei mal antes. Irei mudar minha frase. Você tem exatos três segundos para me contar se não você vai se arrepender para o resto de sua vidinha! — E lá estava Charlotte colocando Sarah contra parede e mais uma vez o silêncio gritava naquele cômodo.

— É a única explicação.

— Para que?

— Para vocês não gostarem de mim.

— Vocês?

— É, você e o papa… Arthur.

— Como assim, não gostarem de você? — Naquele instante a única coisa que passava na cabeça da princesa era: “para uma pessoa tão boa com raciocínio e tão esperta como Charlotte, ela está bem lenta para entender o que estou querendo dizer”. 

— É que vocês me tratam como um lixo. Eu só tenho vocês, mas parece que não ligam pra isso, não se importam. Me arrancaram da minha família de verdade. Tem noção do que eu passo todo dia, sabendo que meus pais de verdade nem devem se lembrar de que eu existo? Talvez porque eles acham que estou morta. — Aquele discurso todo tinha calado a boca de Charlotte. 

Ela estava sem palavras, estava em choque, paralisada e Sarah sentiu orgulho no peito por ter conseguido fazer isso.

— Isso não é verdade, nós não te odiamos! — Tentou se  justificar. — Desculpe-me se em algum momento você se sentiu pouco amada, mas é que esse é o nosso jeito. Somos assim, é nossa natureza. — Suspirou ainda atordoada com que acabara de escutar sair da boca daquela menina tão dócil. — Você me perdoa? — Sarah estava ofegante tinha falado tudo de uma vez sem recuperar o fôlego.

— Eu te perdoo. — Respondeu já com a respiração normalizada. — Mas com uma condição… — A aflição ficou evidente no rosto de Charlotte, que estava preocupada demais com a resposta da princesa para tentar mascarar aquele sentimento. — Você tem que terminar de me contar a história. — Sarah sorriu junto a Charlotte, que soltou o ar que nem sabia que segurava, e assim, ambas se aconchegaram na cama da mais nova para prosseguir com a tradição.

— Você me paga, peste. Quase tive um infarto sabia? — Fez cócegas na criança que gargalhou. — Olha, Sarah, eu e Arthur não vamos conseguir mudar completamente de uma hora para outra, mas mesmo assim isso não quer dizer que não gostamos de você. Entendeu?

— Entendi.

— Então vamos voltar para a história. Antonella, por ser muito sonhadora…

— Eu também sou sonhadora. 

— Sarah, se você for ficar me interrompendo eu não vou terminar de contar a história. 

— Perdão. — Desculpou-se cabisbaixa. 

— Não, não se desculpe, eu que preciso ter mais paciência. — Respirou fundo tentando se acalmar. — Continuando. Por ser muito sonhadora, Antonella, tinha muitos desejos. Uns maiores que os outros, porém tinha uma coisa em específico que ela mataria para ter. Ela sonhava em ser uma princesa, como você! — Tocou com seu indicador o nariz de Sarah a fazendo sorrir docemente. — Mas tinha um problema. Antonella vinha de uma família de camponeses, muito simples, sem parentesco algum com a realeza, ou seja, as chances dela virar uma princesa eram praticamente nulas. O máximo que ela conseguiria ser era a princesa do reino de sua imaginação. 

— Coitada dela.

— Pois é, Sarah, mas essa é a vida. Só que Antonella não se conformava com isso, então ela começou a bolar planos na cabeça. O que você acha, Sarah, que uma camponesa pode fazer para se tornar rainha? 

— Não sei, criar um reino para ela?

— Exatamente! Para uma pobre e nada influente camponesa se tornar uma princesa e rainha algum dia, ela teria que começar tudo do zero, construindo seu próprio império. 

— Nossa que complicado.

— Mas a vontade dela era maior, Sarah, e foi isso que tornou tudo possível. Para dar início a todo o plano ela tinha que estudar os reinos, para tirar uma base de como seria o seu, porque todo reinado tem que seguir um certo padrão e regras. Ela analisou minuciosamente os quatro que já existiam. Ela estudou tanto eles que se a colocassem para governar sozinha um deles, ela faria tudo tranquilamente. Ela ficou aprendendo sobre todos os impérios, inclusive o seu próprio, por três anos e quando completou treze anos ela finalmente chegou algum lugar, um lugar perigoso que ela nunca imaginaria. Ela chegou à conclusão que todos tinham pontos fracos, pontos cegos e ela conseguiu descobrir cada um de cada reino e anotou tudo num diário. — Fez uma pausa para descansar um pouco. 

— E aí, o que aconteceu?

— No dia seguinte ela pegou esse caderninho e mostrou tudo para sua mãe, Samantha, que olhando para todas aquelas anotações que tinha na sua frente, percebeu que tinha todos os reinos em suas mãos e sem pensar duas vezes apoiou sua filha, porque ambas queriam sair daquela miséria de vida. Mas tinha um porém, o objetivo daquilo tudo era poder iniciar um império onde Antonella fosse a rainha, mas uma rainha não é uma rainha sem seus súditos e a menina que já estava quase completando seus quatorze anos não tinha seguidores. 

— Ichi, então ela não conseguiu criar o reino dela?

— Não, ela conseguiu sim.

— Mas como?

— Boa pergunta, Sarah, mas quem vai responder ela é você. Como?

— Conseguindo súditos?

— Bingo! Mas eu te pergunto: como ela conseguiria seguidores assim do nada?

— Como?

— Naquela época, Blanc estava com alguns problemas. Muita gente estava morrendo por causa da gripe, então o rei começou a obrigar todos os cidadãos a tomarem uma vacina contra a gripe. Mas todo mundo estava assustados, além do fato de que eles não sabiam o que as vacinas faziam. Muita gente não concordava com as providências do rei e Antonella usou aquilo a favor dela. — Explicou pacientemente. — Como ela era nova demais na época, ela sabia que se convocasse a todos ninguém daria atenção, mas se sua mãe, uma adulta, fizesse, talvez elas conseguissem algo. Então elas investiram na ideia. 

— E deu certo? O que elas falaram? O que aconteceu?

— Tenha calma, Sarah. Tenha calma. — Charlotte, que sentia sua garganta seca, antes de retornar a contar a história, elevou sua voz recorrendo a uma de suas várias empregadas. — Ada, traga-me um copo de água na temperatura ambiente, por gentileza. 

— Sim, majestade. — Obedeceu a servente só saindo do quarto após a reverência de respeito à figura superior. 

— Tudo bem, enquanto Ada não chega, vamos retomar ao que estávamos falando antes. — Respirou fundo ao mesmo tempo que organizava as palavras em sua cabeça, para que a história fluísse da melhor maneira possível. — Antonella, era muito esperta, ela tinha uma capacidade intelectual muito alta e, Sarah, pelo o que eu pude observar, você tem essa mesma capacidade. Você formula textos incríveis nas aulas de redação da madame Daphne, recentemente pedi para dar uma olhada em seus rascunhos e fiquei impressionada com sua capacidade de encaixar as palavras umas nas outras. Você transmite seus sentimentos pelas letras no papel. Enquanto lia seus textos podia sentir o que você sentia quando escreveu aquilo. 

— Muito obrigada, Charlotte. — Agradeceu sem graça, porém sem conseguir tirar aquele sorriso orgulhoso de seu rosto. 

— Sabe, eu não vou te morder se você me chamar de mãe, durante essa noite. — E pensar que aquela simples frase depois de entrarem pelo ouvido da infanta explodiram em milhões de sensações em seu peito. 

Por um momento a menina achou que tinha escutado errado, não conseguia acreditar naquilo. 

— Não fique muito feliz, porque isso não vai durar muito. É só por hoje, me escutou? — A rainha era muito orgulhosa para falar uma coisa como aquela e deixar por isso, mas era tarde demais, Sarah não ia conseguir tirar aquela sensação quente no peito. 

— Tudo bem, mamãe. 

— Mamãe já é um pouco demais, não acha? Vamos ficar em território seguro, princesa. Mãe já está bom. 

— Por mim tudo bem!

— Vamos continuar com a história…

— Majestade? — Vera, uma outra serva bateu na porta com o objetivo de chamar a atenção da rainha. — Aqui está sua água. — Vera era uma velhinha de 74 anos que trabalhou a vida toda para a família Schmitz. Ela fora dama de companhia da mãe de Heidi, Elisabeth, depois fora dama de Heidi, em seguida de Charlotte e mais para frente seria de Sarah.

A subalterna retirou da bandeja um copo de cristal posicionando no criado mudo, em seguida pegando a jarra e enchendo o copo. 

— Agradecida, Vera. A senhora não acha que está muito tarde para estar acordada? Deveria estar descansando, ainda mais depois daquele susto que deu em nós, mês passado. — A idosa teve um infarto e por ser muito querida para a família real teve os melhores atendimentos médicos possíveis. 

O tempo de repouso era de um mês, o que já tinha passado, porém o rei e a rainha não queriam arriscar a saúde da senhora, sobretudo ela era teimosa demais e amava seu trabalho. 

— Já estou me dirigindo para meu quarto, contudo foi de minha vontade vir até aqui para dar um beijo de boa noite na pequena Sarah. — Sarah e Christian eram duas crianças agitadas e na maioria das vezes as babás acabavam não dando conta das duas crianças, ainda mais quando estavam juntas, por conseguinte Vera, por ser uma pessoa com muita experiência ficava no dever de cuidar de ambos quando as aias não aguentavam. 

Fora como uma mãe para os dois infantes. 

— Boa noite, senhora. 

— Boa noite, minha pequena Sarah. Durma com os anjos. — Selou carinhosamente a testa da criança.  — Boa noite, majestade.  

— Boa noite, Vera e já para cama. 

— Só irei ir no quarto de Christian e irei direcionar-me para meus aposentos. 

— Tudo bem. 

— Boa noite. — E assim Vera se retirou do quarto depois da reverência.

— Agora vamos voltar, onde tínhamos parado? — A soberana tomou um gole de sua água e voltou a se aconchegar no meio dos cobertores. 

— Estávamos falando do quanto Antonella era esperta. 

— Ah sim, Antonella formulou um texto incrível, bem organizado e articulado para conquistar possíveis seguidores e funcionou. Ela captou a atenção de muitas pessoas graças ao seu texto muito bem organizado, mas sabe o que realmente conquistou todas aquelas pessoas que mais tarde seguiram-nas? — Negou a alteza não querendo perder mais tempo, desesperadamente curiosa para saber o final daquilo tudo. 

— Não, não sei, mãe. 

 — Esperança, Sarah. O discurso que Antonella fez estava abarrotado de esperança. Ela deu isso aos cidadãos de Blanc, porque era exatamente o que faltava neles, naquele momento. — Aquilo tocou a princesa. Fora uma frase que tinha certeza que lembraria para o resto de sua vida. 

— Espavoridos com a possibilidade de estarem vivos num dia e mortos no outro tinha esgotado as esperanças da população e Antonella arranjou uma forma de devolvê-los aquilo. — Uma ótima estratégia, teve que concordar a infanta. — Mas teve um problema. — Sempre tem um problema!

— Antonella e sua mãe foram muito descuidadas, então um dia o pai da menina, Davi, encontrou suas anotações e foi tirar satisfação com Samantha, que explicou toda a situação para o mesmo, porém ele não tinha confiança naquele plano e a vontade de sair daquela vida indigna era muito maior do a vontade de arriscar que tudo aquilo desse errado, então…

— Então ele roubou o diário e entregou ao rei de Blanc em troca de uma vida melhor. — Interrompeu Sarah recebendo um olhar repreensor da mais velha, que não durou muito, logo sendo substituído por um pequeno sorriso. 

— Bom, ele tentou. Viu como você é esperta? Uma menina da sua idade não teria capacidade suficiente para decifrar coisas como essas. — Suspirou. — Antonella foi mais rápida e previu o que poderia acontecer, então ela atualizou a mãe e a mesma assassinou seu próprio marido. 

— O que? Por que? 

—  Porque foi necessário. Davi tinha agendado uma reunião com os governadores de Blanc e planejava entregar tudo aquilo pelo qual sua filha tinha trabalhado arduamente por anos para conseguir. 

— Mas…

— Mas nada, Sarah. Coloque isso nessa sua cabecinha bondosa. Às vezes temos que tomar decisões difíceis, mas essenciais para o sucesso. E sabe o porquê de tomarmos essa decisão? — Sarah era sensível e naquele ponto já tinha seus olhinhos verdes cheios de lágrimas quando respondeu a pergunta de Charlotte com uma negação. — Por que nada é melhor que o sucesso, nada é mais importante que o sucesso! Me entendeu, Sarah? Lembre-se disso, porque algum dia irá precisar usar! — E a infanta guardou aquilo, memorizou cada palavra que a rainha tinha dito, pois sabia que ela querendo ou não, chegaria o dia em que iria governar aquele reino e teria que usar aquela conversa. 

— Entendi, mãe.

— Que bom, porque todo dia depois dessa noite irei te perguntar o que aprendeu com essa história e espero do fundo do meu coração de pedra que possa repetir o que acabei de lhe dizer.

— Irei conseguir, prometo..

— Fico feliz. Mas continuemos com a história. — Anuiu satisfeita. — Depois da morte de Davi, Antonella e Samantha seguiram em frente e prosseguiram com o próximo passo do plano: arranjar o território para começar sua tão esperada monarquia. Mais uma vez Antonella estudou. Estudou sobre os mapas do planeta e ela sabia que tinha muito mais do que aquilo que os mapas mostravam. Ela, que já estava com seus 16 anos, planejou uma expedição para além das fronteiras de Blanc, ela iria liderar tudo junto a um senhor de mais ou menos 60 anos, cartógrafo, que possuía os mapas decorados em sua cabeça e que mais para frente poderia desenhar o reino que seria criado.  

— Foram só os dois? 

— Inicialmente sim, só para reconhecer o terreno, mas uma vez que acharam, levaram mais pessoas. 

— E a mãe de Antonella? 

— Samantha teve que ficar em Blanc para cuidar da casa e trabalhar, porque aquele dinheiro que ela estava recebendo faria toda a falta mais tarde. — Explicou a soberana. — Depois de ter os súditos e o local já desenhado no mapa-múndi, a única coisa que faltava para que o sonho de Antonella finalmente se realizasse foi a estrutura do reino. Precisavam construir suas casas e o castelo é claro. — Mas como elas fariam isso? Como, Sarah? 

— Elas tinham de ter construtores entres os cidadãos que conquistou.

— E ela tinha, Sarah, ela tinha vinte e seis construtores, além de cinco arquitetos, só que não eram só eles que faziam o trabalho, todos ajudaram de alguma forma principalmente os cinquenta e seis militares que estavam entre seus seguidores.

— Nossa quanto militares. 

— Pois é. E foi por causa desses homens que Rouge recebeu esse nome. Cor do sangue. Temos o maior exército do mundo, ninguém se atreve a iniciar uma guerra com nós porque sabem que vamos os derrotar..

— A gente bota medo em todo mundo?

— A gente bota medo em todo mundo. — Riram. 

— Gostei disso. 

— Pouco a pouco o reinado foi tomando forma, todos, inclusive Antonella e Samantha juntaram dinheiro para comprar os materiais de construção em Blanc e o processo foi acelerando cada vez que as meninas conseguiam novos cidadãos e em cinco anos o império estava de pé. O castelo ainda não tinha sido feito, porém já tinham o projeto, um pouco diferente do que ele é hoje, menos luxuosos, mas ainda sim algo. Quando Antonella fez vinte e quatro anos as construções para o castelo se iniciaram.

— Enquanto isso, onde as duas dormiram, mãe?  

— Bom, quando a vila ainda não estava de pé todos dormiam em umas espécies de barracas, mas depois de tudo pronto, as duas dormiram em uma casinha simples iguais as antigas delas em Blanc, até que seu futuro lar estivesse finalizado.  

— Entendi. 

— Mais tarde elas foram morar no castelo e Antonella finalmente tinha realizado seu sonho. Naquele ponto todo o mundo já conhecia Rouge e decidiram marcar uma reunião entre todos os reinos para que os acordos fossem feitos e o nome fosse decidido e foi nesse encontro que Antonella se apaixonou pelo príncipe de Jaune, Enzo, com quem mais tarde, se casou e teve três filhos: dois meninos e uma menina. 

— E eles viveram felizes para sempre?

— Mais ou menos. Antonella foi assassinada quatro anos depois, a mandato de Blanc. O rei tinha descoberto do diário e queria ele a todo custo. — Deu de ombros. — Desde então Rouge e Blanc sempre tiveram uma rivalidade muito grande, mas eu e Arthur queríamos acabar com isso…

— Juntando os herdeiros dos dois reinos matrimonialmente.

— Sim, mas seus pais não aceitaram.

— Então vocês me sequestraram?

— Bom isso foi uma decisão um pouco precipitada, mas aconteceu o que aconteceu e aqui estamos nós. — Tapou a boca quando bocejou. — Sarah, pouco tempo antes de Antonella morrer ela escondeu o diário num lugar completamente desconhecido, um lugar onde ninguém jamais encontraria sem a ajuda dela. Contudo ela, junto aquele mesmo cartógrafo que adicionou Rouge ao mapa-múndi, desenhou um minúsculo, quase microscópico, mapa com a localização do caderno e escondeu em um anel. Um anel que ganhou de sua mãe pouco antes dela morrer de câncer. Guardou o pequeno papel debaixo do diamante central.

— Que melancólico.

— Sarah, estou lhe dizendo isso porque algum dia você receberá esse anel. Essa jóia pula uma geração e você terá a honra de carregá-lo no seu dedo e guardar esse segredo com sua vida. — Charlotte sorriu tentando amenizar a tensão que estava no ar. — Eu não recebi o anel, não tenho ele comigo, por isso quem lhe entregara será Heidi, que atualmente está o guardando e quando ela achar que está pronta lhe entregará. — Sarah estava com seus olhos arregalados, não sabia se era capaz de cuidar de uma coisa tão importante como aquela. Era muito para raciocinar. 

— Mãe, eu não sei se consigo.

— O que? Mas é claro que você consegue! Sei que não temos o mesmo sangue, mas querendo você ou não eu quem te criei, e te criei para ser uma guerreira, uma rainha. Você é uma  Schmitz, Sarah. Então levante esse rosto e diga-me que consegue e que fará seu melhor para proteger esse segredo e só usá-lo em emergência. Uma puta de uma emergência se me permite dizer. — O silêncio reinou pelo quarto. — Vamos, Sarah. Respire fundo e repita comigo.

— Tudo bem.

— Eu…

— Eu…

— Sarah Schmitz…

— Sarah Schmitz…

— Sou uma guerreira…

— Sou uma guerreira…

— E consigo fazer qualquer coisa, porque sou foda, uma puta rainha.

— Mãe, não posso falar essas palavras, elas são feias.

— Hoje eu deixo, hoje você pode. — Acenou a cabeça incentivando a infanta a repetir. 

— Eu, Sarah Schmitz, sou uma guerreira e consigo fazer tudo, porque sou foda, uma puta rainha.

— Isso mesmo, essa é a minha garota. — Inclinou-se para selar a testa da princesa. — Agora vá dormir minha guerreira, porque amanhã será um dia cheio e precisa estar descansada. Finalmente iremos começar seu treinamento com espadas. — Se levantou da cama da infanta. 

— Tudo bem. Boa noite, mamãe. — Falou enquanto se ajeitava na cama sentindo suas pálpebras pesarem e se levar pelo sono.

Charlotte esperou um tempo antes de se retirar do cômodo.

Ficou observando o delicado rosto de Sarah à luz da lua por um tempo, se arrependendo de seus atos que tanto a afetariam futuramente. Não estava se referindo ao seu comportamento nada materno, mas uma coisa muito pior. Uma decisão difícil que ela e seu marido tomaram para o bem da espécie humana, mas que por um erro de cálculo se tornou letal e que agora já não tinha mais volta. 

O vírus já tinha sido biologicamente criado, mas estavam o segurando o máximo possível em Vert, seu local de origem. Mas era de conhecimento real que não conseguiriam continuar dessa forma e uma vez que além das fronteiras de Vert não teria como pará-lo. 

A doença iria atacar pouco a pouco a população mundial e não tinham como obstar. 

Aquela geração estava prestes a presenciar o fim da humanidade. 

— Boa noite, minha filha. Espero que algum dia possa me perdoar por todos meus erros. — Assim, a imperatriz apagou o abajur e saiu do quarto fechando a porta atrás de si.

 


 

 

 

 


Notas Finais




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