História The Second Face of the Devil - Capítulo 21


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Categorias Happy Tree Friends
Personagens Buddhist Monkey, Cub, Cuddles, Disco Bear, Flaky, Flippy, Giggles, Handy, Lammy, Lifty, Lumpy, Mime, Mouse Ka-boom, Mr. Pickles, Nutty, Personagens Originais, Petunia, Pop, Russell, Shifty, Sneaky, Sniffles, Splendid, The Mole, Toothy, Truffles
Tags Assassinato, D4rky, Desmembramento, Guerra, Happy Tree Friends, Htf, Linguagem Imprópria, Morte, Romance, Sangue, Sofrimento, Temas Maduros, Tortura, Tragedia, Tsfotd
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Palavras 5.321
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Festa, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shounen, Slash, Sobrenatural, Steampunk, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 21 - Stolen Innocence


Fanfic / Fanfiction The Second Face of the Devil - Capítulo 21 - Stolen Innocence

Ao ouvir tais palavras sendo proferidas da boca do herói, o soldado quase não conseguiu conter o riso. O mascarado, por sua vez, arqueou uma das sobrancelhas e permaneceu em silêncio, fitando o outro enquanto se perguntava mentalmente o que era tão engraçado. 

É claro que Flippy achou aquilo hilário, o super-herói chegando e fazendo o maior escândalo por uma notícia daquelas. Não que tal comunicado fosse irrelevante, muito pelo contrário, mas era apenas o fato de que Splendid sempre fora muito exagerado e aquele deveria ser apenas mais um de seus momentos "fazendo tempestade em copo d'água", por assim dizer. 

— O quê? O que é tão engraçado? — perguntou ríspido diante da expressão do rapaz que visivelmente debochava do outro. 

— Ah Splendid, relaxa... — o veterano caminhou até o sofá. — Você sempre se desesperou por pouca coisa, tenho certeza que a Flaky... 

O azulado interrompeu-lhe a fala, com um puxão pelo braço direito que impediu o outro de sentar-se no móvel. Flippy parou e fitou o mais velho, meio assustado. 

— Ela saiu ontem a tarde e não voltou até agora. Eu já liguei pro celular dela seis vezes e ela não atende! — depois de dizer, soltou o braço do colega, com um olhar sério. 

O mais novo parou e fitou o chão, pensativo. Particularmente, ele achava aquilo um grande exagero da parte do super-herói, tinha certeza que Flaky estava bem e não precisava ficar dando satisfação sempre que sai para algum lugar, pensava que era apenas exagero do outro, mas nunca se sabe. Na sua visão, Splendid não passava de um namorado possessivo. 

— 'Tá. — fez uma pausa, respirando fundo. — E por que você acha que eu tenho alguma coisa haver com isso?

O silêncio pairou tenso antes do azulado, responder. 

— Só achei que ela pudesse estar aqui. 

— E isso é motivo pra chegar praticamente arrombando a porta da minha casa?! — elevou seu tom de voz, visivelmente irritado. 

Splendid abriu a boca, procurando por algo que pudesse dizer. Um pedido de desculpas seria ideal, e inclusive era o que Flippy esperava do herói, mas esse era muito orgulhoso para se desculpar, então apenas mudou de assunto. 

— Olha, de qualquer maneira... Você vai me ajudar a encontrar ela, ou não?

— Sim, mas se ela estiver em segurança e não for nada demais, você me deve um pedido de desculpas. 

O azulado revirou os olhos e bufou. Não assentiu e nem protestou sobre as condições do soldado. Flippy simplesmente ignorou aquele ato um tanto quando infantil, e tornou a falar. 

— Onde ela te disse que ia? 

— No hospital. 

— Hospital? — repetiu franzindo o cenho. — Por quê? 

— Ver a Petunia. Os médicos ligaram e disseram pra Flaky ir pra lá com urgência... — desviou o olhar. 

Como assim, urgência? O que aquilo significava? Será que havia algo de errado com Petty, ou era só um alarme falso? Não, não poderia ser... Os médicos não dariam alarme falso, sequer a comunicaram se não tivessem certeza de nada. A menos que tenha sido realmente um alarme falso feito de propósito, para atrair Flaky para lá. Flippy sentiu seu coração falhar por um instante, não estava gostando nem um pouco de tal raciocínio, entretanto, aquela lógica fazia muito sentido. 

Rezou mentalmente, pedindo a quem quer que fosse e implorando para que suas amigas estivessem bem. 

— Você já foi pro hospital? Talvez ela ainda esteja lá. — perguntou, tentando manter a calma. 

— Já, ela não tava lá. Por isso vim pra cá. 

Flippy respirou fundo, sua respiração também falhava. Então parece que, desta vez, Splendid estava realmente ciente da situação antes de sair por aí, desesperado. Passou as mãos pelos fios esverdeados, sentindo o nervosismo correr por suas veias e começou a bater freneticamente com pé no chão, enquanto pensava em algo. Sua mente já estava acelerada assim como seu coração, então era difícil de raciocinar rapidamente, mas mesmo assim tentava pensar em algo, qualquer coisa que fosse ajudar. 

— O.k,vamos fazer assim... Já que você voa e é mais rápido, procura por ela pela cidade. Eu vou ligar pros nossos amigos e ver se algum deles sabe de alguma coisa. — deu de ombros, vendo assim, esta como a única solução. 

— Certo! — Splendid já aceitou sem questionamentos, sua impaciência era visível. 

Antes de sair pela porta, retirou o celular do bolso e entregou-o à Flippy. O herói sabia que o veterano não possuía um celular, então era óbvio que precisaria de um aparelho telefônico para realizar as chamadas. 
Não teve tempo de agradecer, pois Splendid saira voando com pressa para fora da casa em direção ao céu azul, desaparecendo em instantes. Ele era super rápido, tinha uma super visão e uma super audição, se ele se esforçasse um pouco, conseguiria facilmente encontrar a ruiva se ela estivesse gritando por socorro ou simplesmente perdida — o que era a menos provável das opções. E apesar do desespero, deviam tentar permanecer calmos, o que, naquelas circunstâncias, era meio complicado. 

Flippy fitou por alguns segundos o celular que tinha em suas mãos trêmulas, e então desbloqueou a tela, entrando na lista de contatos e procurando por algum número que pudesse ligar. O primeiro da lista era Cuddles; e não, não era uma opção ligar para aquele número, já que a ligação jamais seria atendida. O soldado apertou ainda mais o aparelho que tinha em mãos, ao se lembrar de todas as tragédias e mortes que vem acontecendo recentemente, e apenas pensar que Flaky poderia ser a próxima à falecer, seu corpo se afogava em centenas de sensações horrivelmente desconfortáveis. Balançou a cabeça, afastando momentaneamente qualquer pensamento que podia ter; afinal, cada segundo que desperdiçava cogitando sobre o que teria acontecido, era um segundo que poderia estar sendo usado para salvar a garota. 
Por fim procurou o número de algum amigo que estivesse vivo e selecionou no dispositivo a opção de realizar uma chamada, aguardando que a pessoa do outro lado da linha atendesse a ligação. Quando o fizeram, Flippy perguntou se a pessoa havia visto Flaky ou se tinha notícias dela, dando como explicação uma desculpa esfarrapada qualquer, afinal não queria correr o risco de alertar a cidade inteira à toa, isso era mais a cara do Splendid. Fez isso várias e várias vezes, ligando para diversos contatos salvos na agenda do celular, entretanto, toda e qualquer pessoa que ele ligava, falava a mesma coisa; ou dizia que não sabia de Flaky ou que a única coisa que sabiam era que ela havia ido visitar Petunia no hospital. 
Quando por fim desligou a chamada realizada ao último contato da lista, Splendid reapareceu no céu, indo em direção onde Flippy se encontrava, pousando rapidamente do lado de fora da casa e seguindo para dentro da residência. 

— Alguma noticia da Flaky? — perguntou aflito, enquanto cruzava a porta. 

— Nada além do que já sabemos. — deu de ombros, lhe estendendo o celular. — E você? 

— Nada... — pegou o eletrônico e guardou de volta em seu bolso, soltando um suspiro desanimado. — E agora? 

— Se você não sabe, imagine eu. 

Ao dizer, jogou o corpo contra o estofado do sofá, fitando o teto. Splendid por sua vez, permaneceu de pé, olhando cabisbaixo para seus tênis baratos e meio desgastados. 
Um silêncio mórbido dominou o ambiente por longos minutos, até que de repente Flippy levanta-se do móvel com um salto e uma expressão eufórica. O herói mal teve tempo de questionar qualquer coisa, o outro começou a falar. 

— Eu tive uma idéia! — ao ouvir aquilo, o azulado pareceu se animar um pouco. — Por que a gente não vai à polícia? Como eu não pensei nisso antes...?! — Levou sua mão à testa, dando-lhe um tapa. 

A idéia era meio óbvia para uma situação daquelas, e mesmo assim Flippy se culpava e se questionava como não havia pensado nisso antes, considerando que essa seria a primeira idéia que uma pessoa normal teria. Mas a verdade é que eles não eram pessoas normais, de qualquer maneira. Talvez isso fosse uma desculpa. 
Enfim, ao escutar a sugestão do amigo, Did revirou os olhos e bufou, diferente da reação que Flippy esperava, e esse faziu as sobrancelhas, confuso. 

— Polícia? Pode esquecer, de jeito nenhum. — deu as costas ao mais novo. 

— Por que não? A polícia pode ajudar, vai ser muito melhor e mais rápido! 

— NÃO! A polícia não vai ajudar em nada, Flippy. Se duvidar, é capaz dela até atrapalhar. 

— E por quê? 

— A polícia não é a mesma desde que o melhor policial da cidade deixou o cargo dele, e com o Disco Bear morto agora, então... — fez uma pausa, dando um longo suspiro arrastado. — A qualidade do serviço policial decaiu muito. 

— O melhor policial da cidade? De quem você tá falando? 

Splendid abriu a boca para explicar, mas som algum saira dela. Fechou-a, balançando a cabeça numa expressão meio tensa. 

— N-não importa! De qualquer maneira, a gente não vai pra polícia! 

— Ótimo! — ironizou, com um pouco de raiva evidente na voz. — Que outra idéia você tem então? 

— Sei lá... — deu ombros. — Tentar ligar pra Flaky, mais uma vez? 

Flippy iria contestar e dizer que seria inútil já que ela não atendeu das outras seis vezes, mas ao invés disso simplesmente desconsiderou tal opção e deixou que o azulado retirasse novamente o celular de seu bolso e procurasse o número da ruiva, discando para ela logo em seguida. A ligação se iniciou, junto com o som da chamada em espera, aguardando a pessoa que atenderia do outro lado. Alguns segundos ouvindo o barulho que fora posto em viva-voz, todavia aqueles instantes mais pareciam horas, momentos de agonia que eram forçados a aguentar, pelo menos até que alguém do outro lado da linha atendesse. E assim o fizeram. 

— FLAKY!!! — os dois rapazes praticamente gritaram juntos de excitação, ao ouvir o telefone ser atendido. 

Hahahahaha... — mas aquela risada não pertencia à ruiva. 

Os dois rapazes se entreolharam, assustados e confusos. Se aquele era o número da ruiva, então por que outra pessoa atendera ao telefone? Um mau pressentimento percorreu a espinha de ambos os garotos. 

— Quem é você e o que fez com a Flaky?! — Flippy adiantou-se e perguntou num tom de voz mais baixo, nada ansioso pela resposta. 

Você não é o Splendid... — a voz misteriosa, afirmara, um tanto quanto decepcionada. — Cadê o super-herói? 

— O que você quer comigo?! — Splendid rosnou entre dentes. 

Ah, você está aí. E o outro com você, seria...? 

— Flippy. E quem é você? — tornou a perguntar à voz que lhe era familiar. 

Flippy. Você ouviu isso, Lifty? Dois coelhos numa cajadada só! — O rapaz ignorou a pergunta e falou, rindo logo em seguida. 

— Lifty...? — Splendid sussurrou. Poucos segundos foram necessários para que o herói descobrisse quem era do outro lado da linha. — SHIFTY, SEU FILHO DA PUTA! CADÊ A FLAKY?! 

Calma aí, plágio do super homem, sua namoradinha tá bem, relaxa. 

— ME DEIXA FALAR COM ELA, AGORA! — o azulado estava muito exaltado e visivelmente com raiva. Flippy apenas ouvia e observava o amigo, sem dizer nada. 

Ok, se é o que você quer... — mesmo que não pudessem ver, o tom de voz que fora usado pelo Raccoon deixava evidente que ele tinha um sorriso malandro nos lábios. Alguns segundos em silêncio e uma voz feminina viera ao telefone, entretanto nada dizia, eram apenas resmungos abafados. — Hmmm! Hmhm! Hhhmmmm! 

— Flaky? FLAKY?! — O mais velho já gritava outra vez, desesperado. — EU TÔ INDO TE SALVAR, NÃO SE PREOCUPE! 

Escuta aqui, ôh Did. — antes que o outro pudesse desligar a ligação, Shifty começou. — A gente quer todo o dinheiro da sua conta bancária e da conta do Flippy, pela garota. Se não for dar o dinheiro, é melhor nem aparecer aqui. 

— Filho ‘duma puta... — xingou, baixo. Mesmo que o ladrão tenha ouvido aquele insulto, ele ignorou.

Você tem até amanhã de manhã, e é melhor não fazer a gente esperar. 

O fora da lei não deu oportunidade para que nenhum dos dois rapazes dissesse qualquer outra coisa e finalizou a ligação, importando-se com mais nada. Virou-se para seu gêmeo e fitou-o, orgulhoso de seu feito. Seu irmão, por outro lado, estava recostado num canto, sozinho e cabisbaixo, aparentemente pensativo. A confiança do gêmeo mais velho se esvaiu de seu semblante e ele se dirigiu até o mais novo. 

— Que foi, Lif? 'Cê não ‘tá legal desde que a gente sequestrou a pequena. 

— Eu não concordei com isso, Shif. É maneira suja de fazer dinheiro. 

— E vai me dizer que roubar é uma maneira honesta de conseguir dinheiro? — Perguntou, e o outro não apenas fitou-o por alguns instantes. — Ah, qual é? O que importa é que a gente vai conseguir grana, no final. 

— Eu sou um ladrão, não um sequestrador. Além disso, grana ‘pra quê? ‘Pra pagar a fiança? — soou meio irritado. 

— Não! — "Seu idiota" xingou-lhe mentalmente. — Pra gastar em jóias, bebidas e prostitutas. 

— Prostitutas. — repetiu em um timbre incrédulo. — Pra que você precisa de prostitutas, Shif? Quando você tem a mim...? 

Puxou o mais velho, pegando-o de surpresa num beijo selvagem, que foi retribuído com desejo. Os gêmeos pressionavam seus lábios um contra o outro, a mão de Lifty trazia o corpo de Shifty para mais perto, pela cintura, enquanto ele envolvia o pescoço do mais novo com seus braços. A temperatura do ambiente parecia aumentar conforme os corpos se roçavam cada vez mais, com luxúria explícita em cada movimento. O beijo ia se aprofundando, e a cada segundo pareciam ansiar por mais, porém o ar se fez necessário, então acabaram por interromper o ato, respirando ofegantes e capturando o máximo de oxigênio que seus pulmões lhe permitiriam. Naquele instante, apenas um fio de saliva ainda conectava suas bocas. 

— Você não gosta de foder seu irmãozinho? — perguntou, usando um tom de voz baixo e sedutor.

— Eu amo te foder com força, maninho... — aproximou-se dos lábios do mais novo outra vez, ameaçando um beijo, porém recuou. — Mas... 

— "Mas" o quê? Eu não sou o suficiente ‘pra te satisfazer? — perguntou Lifty, num semblante tristonho e meio revoltado. 

— Não é isso, é que... Sabe, eu gosto de foder uma bucetinha de vez em quando... — voltou seu olhar para a garota amordaçada. — Principalmente uma virgem. 

Flaky, que até agora apenas ouvia a conversa, arregalou os olhos, sentindo um arrepio lhe correr a espinha assim que percebeu o olhar malicioso de Shifty para ela. Se remexeu desesperadamente, tentando se livrar das algemas que lhe prendiam à parede, mas era inútil. O som das correntes sendo agitadas ecoou pelo ambiente, junto com os murmúrios incompreensíveis vindo da boca amordaçada da pequena. Eventualmente, parou de tentar se libertar, ainda tremendo por inteiro, de medo e desespero em relação aos gêmeos. 

Lifty, compreendendo o duplo sentido por trás da frase proferida pelo irmão, protestou. 

— ‘Tá falando sério? Se eu fosse você, não faria isso. Ela é namorada de um super-herói e a paixão de ex-soldado psicopata! Além disso, acha mesmo que eles não vão ficar sabendo? — alertou o mais novo. 

O sermão fora completamente ignorado pelo de chapéu. 

— Não quer se juntar a mim? — perguntou, olhos simples fingindo petulância. 

— Não, Shifty. — foi ríspido, cuspindo as palavras. — Além disso, como eu disse, sou um ladrão, não sou um sequestrador, e muito menos um estuprador. 

— Não é todo dia que a gente tem a chance de comer uma virgem. — ele nem ouviu o que mais novo disse. 

— ‘Tá. Tanto faz, faça o que quiser. Mas depois, assuma as consequências de seus atos. 

Cansou-se, desistiu finalmente de alertá-lo ou fazê-lo mudar de idéia. Sabia que seu irmão era cabeça dura e não o ouviria, de qualquer maneira, então tentar convencer-lhe de que aquilo era errado seria uma perda de tempo. Embora tenha desistido de persuadir o irmão, não apoiava aquele estupro, muito pelo contrário, repugnava mortalmente tal ato, e não podia crer que seu irmão iria realizar algo tão grotesco. Entretanto, não era capaz de contrariar as vontades e decisões do mais velho, e muito menos pará-lo. Algo dentro de si lhe consumia; um receio muito grande de Shifty abandonar-lhe outra vez, pois estavam juntos outra vez, e o Raccoon não queria se separar, não outra vez. Devido à todas essas circunstâncias, não impediu, apenas ficou recostado onde estava e deixou que o irmão fosse em direção ao crime hediondo. 

As pernas da menor foram forçadas a se abrir, pelos braços fortes de Shifty. Ele sorriu perverso, um sorriso repleto de perversão e malícia. E ela, pobre coitada, implorou com os olhos por uma misericórdia que não lhe fora concedida. Então inutilmente se debatia, chorava e tentava gritar, enquanto sentia aquelas mãos nojentas passeando por seu corpo alvo e frágil. 

Nojo. Repulsa. Ódio. Trauma. Dor. Sofrimento. Súplica por misericórdia. 

"Me perdoa, Flaky..." Lifty lamentou em silêncio, enquanto ouvia com desprezo, a agonia da ruiva. 

[ Enquanto isso... ] 

Antes que ele ou Flippy pudessem dizer mais alguma coisa, a ligação fora encerrada pela pessoa do outro lado. Splendid bufou de raiva e quase arremessou seu celular ao chão, mas conteve-se ao lembrar-se do custo do objeto. Em seguida guardou novamente o aparelho no bolso e levou as mãos até seus fios azuis, passando seus dedos por ali, impaciente. Tomou alguns segundos para se acalmar, enquanto o soldado lhe fitava com o canto do olho. 

— 'Bora. — disse, dando as costas ao veterano, que andou alguns passos para lhe alcançar. 

— "Bora" pra onde? 

— Salvar a Flaky, seu imbecil. Aonde mais a gente iria? 

— E você sabe onde ela ‘tá, por acaso? 

— Tenho um palpite. — Sem deixar uma brecha para que o outro respondesse-lhe, se dirigiu até sua retaguarda e agarrou-o por trás, pela cintura. — Segura firme. 

Levantou voo e consequentemente erguendo o esverdeado, que soltou um grito ao perceber a altura em que se encontrava agora. Não era tão alto assim, mas seria capaz de fraturar alguns ossos, se caísse dali. Segurou firmemente os pulsos do rapaz que lhe agarrava pela cintura e rezou baixinho para que ele não o soltasse. Estava bem tenso no começo, mas logo foi capaz de relaxar e aproveitar o vento gélido que soprava contra seu rosto. Sorriu, rindo baixo. Aquilo até que era divertido. E ao notar o contentamento de Flippy, Splendid também se permitiu sorrir de canto, afinal ele não era o menino chato, mal-humorado e possessivo que todos achavam que ele era, tinha sim seu lado divertido, ele apenas... Não demonstrava muito, por certos motivos. 

Enfim, sobrevoaram toda a cidade, percorrendo o curso que fora mentalmente traçado por Splendid até chegar a uma casa específica, bem próxima aos limites da cidade; era uma residência meio velha e aparentemente abandonada, mas se Did dizia que era lá que os gêmeos estavam, estão Flippy confiava. Não que tivesse outra escolha. Pousaram sobre a grama escura do quintal e o herói soltou a cintura do mais novo. Não ousaram perder mais um segundo sequer e correram em disparada para dentro da casa. Splendid foi na frente, arrombando a porta de entrada, enquanto Flippy o seguia. Ao reparar que o cômodo em que se encontravam estava desprovido de pessoas, o super-heroí parou e fez um gesto que silenciosamente pedia para Flippy fazer o mesmo, e ele obedeceu. 

— Quieto. — sussurrou. 

Flippy, sem questionamento algum, apenas calou-se. Não sabia o que se passava na cabeça do super-heroí naquele instante, mas se queria mesmo salvar Flaky, deveria confiar nele.
Did permaneceu imóvel por alguns segundos, sua respiração era curta e baixa, não ousava mexer um músculo; por fim, pode ouvir barulhos vindos do porão da casa, e acabou por concluir que era lá que Flaky deveria estar. 

— Por aqui! — virou-se subitamente para o soldado, apenas para dizer, pois assim que o fez, saiu na frente, praticamente correndo. 

Sem mais tempo a perder. 

Correram pelos cômodos da casa, Splendid na frente e Flippy atrás, até chegarem numa porta ao final de um corredor escondido, quase imperceptível. O azulado abriu a porta com tudo, desferindo um chute violento contra a madeira, e assim que a porta revelou o cômodo que havia do outro lado, os dois rapazes encontraram um cenário deplorável; uma escada velha de madeira que permitia que descessem até o porão, e lá dentro, o domínio da imagem da pobreza e da antiguidade, envelhecendo e apodrecendo. 
Mas uma coisa, apenas uma coisa foi capaz de atrair totalmente a atenção do veterano, que fitava tal cena, horrorizado; diante de si, a sua amada ruivinha, presa, acorrentada e amordaçada, de pernas abertas para um dos gêmeos — que estava com seu órgão genital exposto — e um líquido branco que escorria da intimidade de ambos. Mas o pior de tudo, era a feição da menina; desespero, nojo, agonia, medo... Flippy conhecia aquela feição. Sabia muito bem o que menina estava sentindo naquele exato momento, afinal, já havia vivênciado algo similar, e lhe doía demasiado o coração, apenas por saber que agora, sua amada teve sua inocência roubada para sempre. 

Irromper o porão e se deparar com aquela cena, fez com que os corpos de Flippy e Splendid entrassem em choque e parassem de se mover imediatamente. Os gêmeos também foram pegos de abruptidão, o que fez com que demorassem alguns míseros segundos para poder raciocinar e reagir. Shifty rapidamente sacou sua arma e antes que os rapazes ali dessem conta do que estava acontecendo, a mira da pistola apontava para suas cabeças. Lifty acompanhou os movimentos do irmão, mas um pouco mais desinteressado que o mais velho. Secretamente, agradecia em silêncio pela chegada daqueles dois, por aquilo finalmente cessou o sofrimento da pequenina. 

— OPA, OPA, OPA! Melhor não moverem um músculo... — começou Shifty, com a pistola apontada para os rapazes, mas inesperadamente, voltou à arma para a ruiva. — Senão eu atiro. — sorriu perverso. 

— Shifty, seu filho da puta... — Splendid rosnou entre dentes. — Eu vou... 

— Não vai nada! — botou um pouco de pressão nos dedos contra o gatilho, ainda sem disparar o objeto letal. — Cadê a porra do dinheiro, Did? Eu realmente espero que não tenha resolvido dar as caras sem nenhum tostão... 

E o resto daquela conversa, bem... Flippy não pode ouvir. Estava concentrado demais, fitando os próprios pés enquanto tentava manter o controle. Sua respiração era muito pesada e extremamente densa, ele suava demasiado, um suor frio e seu corpo inteiro se tremia, tentar se estabilizar naquela situação não permitia que ouvisse qualquer coisa ao seu redor. Mas diante da cena de um estupro que acabara de ocorrer e uma arma apontada para si, era praticamente impossível manter o controle, ele não aguentaria por muito mais tempo... E não aguentou. Seus olhos esmeralda desapareceram, e ao invés da cor verde, agora eram orbes amareladas; sedentas por sangue.

Num piscar de olhos, o veterano praticamente voou de onde estava para cima do gêmeo de chapéu; esse foi pego de surpresa, mal conseguiu reagir e virar a arma para atirar no rapaz, pois quando se deu conta, estava no chão do porão, trocando socos com Flippy — e cá entre nós, o Raccoon mais apanhava do que batia — e sua pistola já estava longe do alcance de suas mãos. 

Splendid obviamente não ficou parado observando, quando viu a deixa, também partiu para cima de Lifty, que assim como o irmão, foi pego de surpresa e agora apanhava do herói. Como Did era obviamente mais forte que Lif por conta dos super poderes, o ladrão foi facilmente imobilizado com um simples chute no estômago. Aproveitou o tempo que o outro permaneceu impotente e correu para libertar sua namorada, usando sua visão raio laser para derreter a tranca das algemas que prendiam os pulsos da menina. Ela, pobre coitada, temia de medo, os olhos fechados com força, encolhida contra a parede frua na qual estava encostada. 

— Flaky... — sussurrou a ela. — Sou eu, Splendid. 

A menor ergueu um pouco o rosto e se permitiu abrir os olhos, apenas um pouco. Quando se deparou com o namorado diante de si, abriu um sorriso enorme e pulou em seus braços, agarrando-o com força. Did retribuir o abraço apertado, sentindo o alívio lhe preencher ao ter sua garota de volta, em seus braços. Ela começou a chorar e soluçar, incapaz de dizer qualquer coisa. 

— Shh... Tá tudo bem, eu tô aqui agora. — passos seus dedos por entre os fios vermelhos da pequena. Algumas caspas saíram de lá. 

Ele permaneceu ali, agarrado com ela por alguns instantes, alisando-lhe o cabelo para acalmá-la. Queria permanecer assim para sempre, com sua amada em seus braços, sentindo o calor que emanava de seu pequeno e delicado corpinho, para não soltá-la nunca mais, mas não podia, precisavam sair daquele lugar; ele, Flaky e Flippy. Óbvio, não podia se esquecer do amigo. Splendid passou seu braço direito por baixo dos joelhos da moça enquanto o seu esquerdo segurava as costas dela, em seguida levantou-se e virou para o veterano; ele ainda espancava Shifty que não reagia mais, parecia estar agora inconsciente. Splendid sentia um ódio imensurável pelos gêmeos e queria vê-los sofrerem e serem espancados até a morte, mas lhe agradava mais uma a visão de ambos apodrecendo na cadeia até o último dia de suas vidas. Entretanto, aquela foi uma surra merecida, não se arrependera de não intervir. 

— Flippy. — dirigiu-se ao soldado, enquanto carregava a namorada no colo, como se ela fosse uma noiva. — Já chega, vamos chamar e polícia e dar o fora daqui. 

Flippy lentamente virou a cabeça para o herói, fixando seus olhos nos dele. Ao ser encarado pelo esverdeado, Did sentiu uma sensação horrível, era como se estivesse sendo encarado pelo próprio diabo. 

"O que aconteceu com os olhos dele...?" 

Subitamente, o veterano abre um sorriso sinistro, — aqueles de fazer um arrepio correr pela espinha — agarra uma faca do exército que estava oculta em sua roupa e parte para cima de Splendid. Foi certamente um ato inesperado, Flippy era rápido, mas o suficiente para que Splendid não conseguisse desviar. O único dano que tomou, foi um corte no braço direito, que rasgou tanto sua roupa, quanto um pouco de sua pele. Um filete de sangue escorreu do ferimento recém aberto, manchando o tecido da jaqueta com o líquido rubro. 

— FLIPPY?! 

Outra tentativa falha de acertá-lo com a faca. Falha, mas quase certeira. O azulado estava surpreso e confuso com aquela atitude repentina, quer dizer, por que seu amigo faria isso, do nada? Era o que o herói se perguntava. 

— Flippy, o que é que 'cê tá fazendo? — Outro golpe investido contra si. — Mas que porra...? 

Did levitou no ar e deu impulso para trás, se afastando do esverdeado, que correu atrás. Outro golpe, outro desvio, mais uma investida, mais uma esquiva. 

"O que deu nele...?" pensou, enquanto evitava o soldado mais uma vez. 

Ele não tinha tempo para brincadeiras. Olhou para a porta atrás de si e resolveu sair, levar Flaky para longe dali, afinal, não podia lutar ou tirar satisfações com a garota em seus braços, seja lá o que veterano estava disposto a fazer. 

Repousou os pés no chão e girou, em seguida correndo para a saída da casa, enquanto ainda era perseguido pelo maníaco. O homem investiu com a faca, traçando um enorme risco no ar, que por pouco não acertou Spledid. Repetiu o ato mais algumas vezes enquanto prosseguia lhe caçando, acertando a parede da residência, vez ou outra. Finalmente o azulado alcançou a saída, pulando para fora da casa e flutuando no ar, subindo em direção ao céu. Quando se permitiu olhar para baixo, lá estava Flippy no gramado, sua expressão refletindo toda sua ira naquelas grandes orbes douradas. Um objeto prateado fora arremessado em sua direção, e novamente o herói se safou, por questão de centímetros. Did suspirou com alívio por ter escapado. 

Agora, voava tranquilo sob os céus de Happy Tree Town, sem um maníaco lhe perseguindo. Entretanto, aquilo não estava acabado, ele precisaria voltar lá e descobrir o que aconteceu com Flippy. Apesar de tudo, o esverdeado ainda era seu amigo, e iria salvá-lo, assim como salvava todo e qualquer habitante daquela cidade. MAS, Flippy teria que esperar, a prioridade do azulado era outra; Flaky. Após toda aquela confusão, abaixou o rosto para que pudesse fitar a namorada, apenas pra se deparar com aquele belo rosto dormindo em paz. Splendid deixou um sorriso de pena cortar seu rosto, que carregava um semblante taciturno. O rastro das lágrimas ainda era visível em sua pele pálida, portanto o garoto concluiu que ela havia chorado até adormecer. Sentiu um aperto no peito, mas ignorou, já estava perto de seu destino. 

Por fim chegou à uma árvore; não uma qualquer, aquela era a árvore onde havia uma casa apoiada nos troncos, o lar de Splendont. 
O herói se enfiou por entre os galhos até achar a janela da pequena casinha de madeira e então entrou, se espremendo um pouco para passar por ali. Quando pousou no chão da casinha, se deparou com Dont dormindo em um canto qualquer, recostado a parede. O azulado ficou estático por alguns segundos, observando o irmão desacordado. Odiava ter que fazer aquilo, mas não havia outra pessoa em quem pudesse confiar, naquele momento. 
Dont abriu um dos olhos, apenas um pouco, e fitou Splendid de relance. O mais velho percebeu que o outro havia acordado, e sem dizer nenhuma palavra, se aproximou em passos calmos, se ajoelhou e deixou a namorada sobre o colo do ruivo. 

— Cuide dela até eu voltar. — falou enquanto se levantava. — E NÃO tente nenhuma gracinha. 

O irmão mais novo nada fez, além de alternar seu foco entre a garota em seus braços e rapaz de pé em sua frente. Também permanente mudo, sem dizer nenhuma palavra. De sua boca, saíra apenas um pequeno sorriso. 

O herói já estava para se retirar da casa em miniatura, quando sua atenção fora propositadamente atraída pela voz grave de Dont. 

— Se a pessoa com quem estiver lidando for Flippy, eu aconselho que desmaie ele. — falou sem expressão alguma, e então fez uma fez pausa. — Ou você pode beijá-lo. Talvez funcione. 

Splendid travou, arregalou os olhos e permaneceu onde estava, impressionado. Silenciosamente se perguntava como Dont sabia daquilo. Ficou ali, por vários minutos procurando por uma resposta, mas nada pode encontrar. O silêncio se fez presente diante daquela situação ligeiramente tensa, e a única coisa que se ouvia ali, era o vento sussurrando em seus ouvidos e soprando seus cabelos. Após se conformar que não encontraria uma reposta por si só, Did acabou por deixar aquela questão de lado, ao menos por enquanto. Já havia entregado Flaky à alguém parcialmente de sua confiança, agora sua precisava lidar com Flippy. Balançou a cabeça, despertando dos próprios pensamentos e então pulou da janela, deixando o único cômodo daquela casa.

O ruivo deu de ombros e desviou o olhar, em seguida ajeitando a mulher em seus braços, para que ela ficasse mais confortável. Segurou-a da mesma maneira que seu irmão seguraria; como se ela fosse feita de vidro e estivesse prestes a quebrar. Fitou-a, apenas observando sua beleza imensurável. 

Do lado de fora, lá estava Splendid, atravessando os céus da (já não tão) pacata cidade. Mas aquela questão lhe martelava a mente, e de uma coisa o herói tinha certeza. 

"Esse cara sabe de alguma coisa que eu não sei..." 

[ CONTINUA... ] 


Notas Finais


Esse capítulo faz algumas referências à uma fanfic que e a ~WeirdLittleGirl escrevemos juntos. Caso esteja interessado em ler, aqui está o link:

https://spiritfanfics.com/historia/cops-and-robbers-3530111


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