História The Secrets of the Queen - Capítulo 3


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Categorias Orgulho e Paixão
Personagens Aurélio Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café"
Tags Aurélio Cavalcante, Aurieta, Gabriela Duarte, Julieta Bittencourt, Marcelo Faria
Visualizações 529
Palavras 3.541
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Estupro
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu não tenho palavras para descrever minha alegria e vontade de abraçar todos vocês, um por um. Esse comentários são tão lindos, inspiradores e incriveis que as vezes desejo coloca-los em um potinho e guarda-los para sempre.

Quem me conhece sabe que sou péssima em responde comentários mas amo os receber e fico imensamente grata.
Espero que aproveitem o capitulo, foi escrito com muito amor e dedicado a todas vocês.

Capítulo 3 - Peças de um passado


Onde está sua coragem? Questionou-se. Ela era a Rainha do Café, cresceu sobre a própria dor, viveu em um mundo de homens, não podia temer uma conversa. Uma verdade que já foi mostrada, apenas tinham que esclarecer os fatos e livrar-se do peso dos segredos de seu passado. Só assim para libertar-se de uma das suas inúmeras amarras, que a prendiam a um doloroso passado que nunca conseguiu esquecer.

 

Teria Aurélio e Camilo ao seu lado, segurando sua mão. Não estaria sozinha daquela vez, ninguém estava ali para julgá-la, eles apenas queriam ajuda-la.

 

Jane, Darcy, Elisabeta, Ema e Camilo a encararam. Aurélio estava ao seu lado, não seguraria sua mão ainda, apenas quando ela pedisse. A sala estava em um silencio mórbido, ninguém atrevia-se a dar a primeira palavra, não queriam força-la a falar, tudo deveria ocorrer no tempo dela, ela já havia esperado vinte anos para começar a se abrir, algumas horas não fariam grande diferença.

 

— Dona Julieta, não precisa fazer isso se não quiser — Elisabeta disse tentando reconforta-la, conhecia a história de Julieta e sabia o quão difícil era para ela.

 

— Eu não só quero como também preciso. Eu preciso falar, Elisabeta. Eu sei que todos estão imaginando sobre o que aconteceu comigo, fazendo suposições e eu quero deixar as cartas na mesa. Isso faz parte de um plano muito maior.

 

— Tudo no seu tempo, querida. — Aurélio disse tocando-a no ombro, fazendo movimentos circulares leves para acalma-la.

 

— Eu vou resumir toda a história, é muito dolorosa para ser detalhada, não quero que temem a vida assim como eu temo. Eu era uma adolescente, quinze anos, muito mais nova que qualquer um aqui nesta sala, meu pai viciou-se em jogos de azar e faliu nossa família. Quando meu pais se deram conta da nossa situação financeira não existia muita escapatória, os cobradores já batiam diariamente em nossa porta.

 

— Você destruiu nossa família. Mais um cobrador, Marcos, e desta vez foi nossa filha quem atendeu. Você entender o quão humilhante isso é? — Sua mãe gritava para o seu pai, trancados dentro do escritório sem terem noção que do lado de fora ela ouvia e sentia sozinha o impacto da notícia.

 

— Marta, eu já disse que daremos um jeito. Aliás já passava da hora de Julieta conhecer os problemas que estamos passando, porque talvez ela possa ser nossa única solução!

 

Aquelas palavras para ela, enquanto era apenas uma criança que não entendia a vida, não faziam o menor sentido.

 

— O que quer dizer com isso?

 

— Eu ainda não sei, Marta. Apenas dê-me tempo de pensar e pare de gritar nos meus ouvidos toda vez que um cobrador bate em nossa porta porque esse não foi o primeiro e não será o último.

 

— Meu pai descobriu que a única solução que tinha era casar sua única filha, que para ele não tinha muita serventia, com a pessoa que poderia ajuda-los, Osorio Bittencourt. Eu era estupida, ingênua e não acreditava que meus pais, meus próprios pais e o homem que eu conhecia desde menina me forçariam a casar. Tinha certeza de que aquela ideia duraria apenas alguns meses mais e tudo seria esquecido, motivos para rir no futuro. Osorio era um homem carrancudo de meias palavras e muito amigo de meu pai. Entretanto ninguém esqueceu e continuei prometida a ele por mais dois anos até que dei-me conta que precisava pôr um fim naquela história. Uma noite fui à casa de Osorio e propus terminar o enlace, ele não reagiu como eu queria e esperava, brigamos e quando dei por mim ele estava sobre meu corpo. Lembro de ter gritado, batido nas costas dele, implorado, rezado e rogado aos céus para morrer, não queria viver com o fardo de ser marcada. Quando ele terminou comigo, descartou-me, me mandou para casa e eu fui. Mantive tudo para mim mesma, neguei-me a passar pela humilhação de detalhar a meus pais o que tinha acontecido. Minha gravidez foi descoberta logo depois e meus pais preferiram acreditar quando ele disse que eu o tinha seduzido. Eles não me ouviram, nunca me perdoaram e acreditaram cegamente que Osorio falava a verdade, afinal eu tinha aparecido na casa dele a noite, o que mais poderia querer?

 

Julieta não conseguia encarar nenhum dos presentes. Não importava quantos anos tinham se passado, quantas vezes ela contava aquela história, doía como se uma faca tivesse sendo crava em seu peito, era a mesma dor, a mesma sensação de estar suja por dentro e por fora, com rastros de Osorio Bittencourt por todo o corpo. Podia sentir como se cada ato tivesse sendo repetido, era como se pudesse sentir as amarras dele em seus punhos e ele apertando ainda mais para assegurar-se que a deixaria ainda mais marcada.

 

— Assim ficara mais agradável e não terei que correr atrás de você todas as vezes que tentar fugir.

 

— Osorio, eu prometo, juro que não tentarei mais escapar, apenas me deixe ir ver Camilo.

 

Ele segurou seu rosto entre as mãos ásperas e apertou fazendo seus dedos largos ficarem marcados na pele branca do rosto dela.

 

— Não, ficara aqui por esta noite e aprenderá a se portar como uma mulher casada que deve obediência a seu marido, seu dono.

 

— E Camilo? Ele é somente uma bebê!

 

— Eu o trarei para o quarto quando for necessário para que você o amamente. Não há como escapar, querida. Suas mãos estão atadas, está presa a cama e a porta permanecerá trancada, porte-se bem porque não tenho certeza de que não quer despertar minha raiva. Se se portar bem amanhã tiro as cordas.

 

Olhou para a mão, que numa tentativa estupida de escapar ela mordeu.

 

— E quando poderei sair?

 

— Nem tão cedo, minha querida. Permanecerá aqui.

 

— Eu me nego a chama-lo de pai, Osorio Bittencourt era um homem desprezível, monstruoso e sádico, aterroriza-me saber que tenho o sangue dele em minhas veias.

 

— Não, Camilo! Você pode ser filho de Osorio mas nada herdou dele. Na verdade, eu acho que eu demorei um pouco para entender isso, sempre que olhava para você e via seus olhos tão semelhantes aos dele, apavorava-me com a ideia de que de alguma forma você poderia se tornar ele.

 

— Não posso culpa-la por isso.

 

— Ninguém pode culpa-la por nada, querida — Aurélio disse amorosamente ao seu lado.

 

— Mas me culpei e as vezes ainda me culpo, não só por isso, mas se eu não tivesse ido até ele, se eu tivesse esperado até o dia seguinte e se eu tivesse simplesmente falado com meu pai ou me posto antes mesmo que eles começassem a decidir por mim.

 

— Você não podia fazer nada, Julieta — Darcy disse com um aconchegante sorriso — Seus pais não ouviriam e forçariam você a casar da mesma forma e durante o casamento consequentemente você descobriria o mostro que era Osorio.

 

— Mas como uma vez eu disse a Elisabeta, não se contaminem com minha dor.

 

— A sua história prova que podemos superar qualquer coisa — Ema disse com um delicado sorriso no rosto entristecido — A senhora é realmente uma inspiração, Dona Julieta. É incrível como conseguiu superar.

 

Julieta queria poder dizer que superou completamente os traumas de seu passado, mas seria mais uma mentira então ela esforçou-se para esboçar um pequeno sorriso. Todos ali pareciam crer que, de alguma forma, ela havia superado o passado cheio de traumas, mas aparentemente Aurélio era o único que realmente conhecia a verdade e ele por sua vez não proferiu nenhuma palavra contra o que a filha disse, apenas olhou para ela e sorriu.

 

Após a conversa todos tinham suas vidas para continuar. A primeira a deixar a casa foi Elisabeta junto com Darcy, partiam para mais um dia de trabalho. Charlotte havia voltado para casa antes mesmo da conversa. Quando Camilo preparava-se para partir com Jane, Julieta foi despedir-se.

 

— Voltaremos a nos ver em breve, minha mãe.

 

— Camilo, eu estava pensando e talvez seja hora de você e Jane virem morar aqui, esta é sua casa, meu filho e nada mais justo que sua esposa e você venham morar aqui.

 

— Mamãe, eu não sei, apesar de termos reatado nossa relação eu não tenho certeza se é isso que quero agora.

 

— Mas prometemos pensar — Antecipou-se Jane com um sorriso angelical —. Prometemos pensar na possibilidade, minha sogra. Mas tenho que ir trabalhar agora, até mais.

 

Despediram-se com um beijo e Julieta viu novamente seu filho partir. Era como se aquela cena nunca fosse parar de repetir-se, Camilo deixando-a para trás. Entretanto ela conseguia entender que já passava da hora de deixar seu filho começar a voar com as próprias asas. Ela o tinha resguardado demais, temendo que o mundo fosse demasiado cruel com alguém tão sensível quanto Camilo. Ela conhecia o quão implacável podia ser a vida.

 

Regressaram a sala logo em seguida Ema e Aurélio. Eles pareciam mais felizes e a tensão que rondava Ema naquela manhã desapareceu, dando-a o ar alegre e delicado novamente.

 

— Dona Julieta, foi prazer revê-la e ter aquela conversa tão comovente, mas já é minha hora de partir de volta para o cortiço.

 

Julieta conhecia Aurélio bem o suficiente para ver e perceber quando ele entristecia-se e foi isso que aconteceu quando Ema disse que voltaria para o cortiço, que nitidamente não era o lugar dela. Julieta sentiu-se culpada, certa vez separou pai e filha e agora estava fazendo de novo. Ela havia pedido para que Aurélio morasse ali com ela enquanto a filha dele continuava em um lugar distante.

 

— Ema — Chamou pelo nome dela rapidamente e perdeu as palavras, mal teve tempo de formula-las corretamente —, agora de alguma forma e de certo modo somos uma família e eu gostaria de convida-la para morar aqui conosco.

 

A jovem abriu ligeiramente a boca sem palavras para responder. Viu o rosto do pai alegrar-se no mesmo instante e sentiu a sinceridade nas palavras de Julieta quando ela fez pedido tão inusitado.

 

— E-eu não sei o que dizer.

 

— Apenas diga que aceita e ficarei imensamente feliz. Seu lugar é com seu pai e não em um cortiço, Ema. Mesmo que ache muito honrado que você viva lá e que esteja aprendendo a crescer, você mudou e já provou isso, além do mais seria um enorme prazer ter você vivendo aqui, devolvendo a esta casa o brilho que ela perdeu quando Camilo partiu.

 

— Tenho algumas coisas a pensar, mas tem Ernesto, meu noivo e ele é muito orgulhoso.

 

— Bem, vocês são noivos e em breve casados, é natural que ele possa vir morar com você, por enquanto não no meu quarto é obvio. Mas essa é uma casa tão grande, cheia de quartos vazios que são habitados apenas pelas aranhas, penso que seria maravilhoso tê-los aqui.

 

— Então eu aceito, mas continuarei trabalhando com Ludmila e François, acho que tomei verdadeiro apresso pelo trabalho e amo de coração o que faço.

 

— Fico feliz em ouvir isso.

 

— E quero que saiba que a senhora faz patê dessa minha mudança, me incentivou a me tornar uma mulher de fibra quando eu pensei estar perdida, foi a única que iluminou meu caminho no momento escuro de desespero. Se não fosse pela senhora eu não teria me encontrado e conhecido pessoas maravilhosas naquele cortiço.

 

— Então posso contar em vê-la em breve morando aqui?

 

— Pode sim. Mas realmente preciso ir, se me atraso o François me mata. Adeus papai, adeus Dona Julieta.

 

Ela despediu-se dos dois com beijos e abraços carinhosos. Aurélio aproximou-se de Julieta enquanto ela estava distraída e a beijou, ela algumas vezes recuava diante dos seus beijos, apesar de já estar acostumada com eles, mas desta vez ela apenas aceitou, sem temer que a qualquer momento algum empregado desavisado poderia entrar na sala e pega-los naquela situação. Ela enlaçou o pescoço dele e mesmo com suas botas esforçou-se para ficar nas pontas dos pés. Os beijos de Aurélio eram tão carinhosos e ele tinha todo o cuidado do mundo antes de beija-la, talvez temesse a machucar.

 

Ela separou-se do beijo e delicadamente mordeu o próprio lábio inferior, tentando voltar a realidade, sair do mundo de fantasia e desejo para onde os beijos dele a transportavam.

 

— Temos uma vida a viver e problemas a resolver.

 

— Não que eu concorde em absoluto com o que vai fazer. Realmente magoar-se é a única forma de unir as peças de seu passado?

 

— Sim. Há muitas outras coisas que preciso fazer mas quero começar por essa. Aurélio, tem tantos segredos nesta baú cheio de histórias que você nem mesmo imagina. Há tantas dores que não posso contar agora.

 

— Mas estarei aqui quando o quiser abrir e me mostrar os segredos dentro dele.

 

— Eu o farei quando for a hora certa, já foram muitos segredos para poucos dias. Eu preciso fazer isso, preciso voltar às origens e depois quando regressar pretendo me vingar.

 

— Vingar?

 

— Você realmente achou que o que Genésia fez ficaria em pune? Uma humilhação daquelas não ficara barato, Aurélio, isso eu o asseguro.

 

Ele não gostava quando ela falava daquela forma. Parecia distante da Julieta que ele gostava de ver e ouvir, aquela ganhava um tom sombrio e distante, frio e calculista. Mas ele aprendeu a apaixonar-se por cada parte, camada e faceta daquela mulher cheia de segredos e mistérios, que ele estava disposto a desvendar.

 

— Você não pode vir comigo.

 

— O que? Julieta, por que não?

 

— Eu acho que talvez não deva sobrecarrega-lo com todos os pesos do meu passado. Eu já o fiz sofrer demais com tudo que lhe contei.

 

— Julieta, eu realmente estou sentido dor em saber de seu passado mas isso não vai me afugentar e independentemente do que diga eu vou estar aqui para compartilhar essa dor, não quero e não vou deixar que sofra sozinha.

 

— Às vezes é demais até para mim, é como carregar o peso de dois mundos sobre os ombros, carregar a história de Julieta Sampaio e Julieta Bittencourt, eu não quero que você carregue isso consigo também. Estarei partindo hoje, estou terminando de preparar a mala, partirei antes do meio dia.

 

Deu-lhe um beijo no rosto, próximo aos lábios mas estava receosa para tomar a iniciativa de beija-lo como desejava.

 

Ela subiu as escadas sem olhar para trás, não queria ver o olhar de decepção no rosto dele. Ela estava o sobrecarregando com suas dores e temia que isso o afastasse. As pessoas já tem suas próprias vidas, seus próprios problemas, não precisavam carregar os dela também.

 

Ela manteve-se no quarto e quando ele não a procurou Julieta teve certeza de que Aurélio estava chateado. Ela o dispensou e não poderia culpa-lo por estar irritado. Antes de sair ela deu uma última olhada no quarto. Tião levava suas malas para o andar de baixo, para colocá-la no carro.

 

Ela estava reunindo sua coragem, repetindo frases que a encorajassem a continuar com seu plano. Não poderia despedir-se de Camilo, mas Mercedes saberia o que fazer caso ele aparecesse. Não iria despedir-se de Aurélio também, mesmo que achasse aquilo um pouco cruel com ele.

 

— Só resta mais essa mala, dona Julieta — Informou Tião descendo as escadas novamente e Julieta pela primeira vez deu-se conta de que o empregado estava indo colocar outra mala no carro.

 

— Tião, de quem é essa mala? — Indagou parada ao lado do sofá e ele virou-se para responde-la.

 

— É minha. — Aurélio responde de coma da escada.

 

Tião entendeu aquilo como resposta suficiente para a patroa e continuou seu trabalhando, os deixando a sós.

 

— O que te disse?

 

— Ontem ou hoje? Ontem você pediu para que não largasse sua mão e para que ficasse com você enquanto falava com Camilo. Hoje, tomada por um sentimento bobo de medo de me sobrecarregar disse que preferia fazer tudo sozinha.

 

— Aurélio eu já lhe expliquei a situação.

 

— Certo, mas eu não estou disposto a acatar esse pedido. Você não está me sobrecarregando, apenas compartilhando sua dor.

 

— Às vezes você é tão insistente.

 

— Veja quem diz, a Rainha do Café, a mulher mais difícil e persistente que conheço. Não adianta lutar contra, minhas maças estão no carro, partiremos agora?

 

— Iremos partir agora.

 

Eles saíram da casa. Caminhavam até o lado de fora e inocentemente suas mãos uniram-se. Era algo instintivo que eles não percebiam mas as mãos dele sempre buscavam o calor das mãos dela e só acalmava-se quando encontrava. Acontecia o mesmo com ela e Julieta nunca se deu conta.

 

Ele a ajudou a entrar no carro e logo depois entrou, Tião esperou alguns segundos e finalmente deu partida no carro. Ela tinha coragem, precisava ter bravura e encarar parte de seu passado que fez questão de tentar esquecer.

 

Haviam peças deixadas para trás, explicações para cicatrizes do presente. Ela estava pronta para abrir com canivete as feridas que nunca cicatrizaram completamente.

 

— Tem certeza do que está fazendo?

 

— Estou, eu preciso olhar nos olhos dos meus pais e dizer-lhes tudo que está preso em minha garganta durante todos esses anos. Tudo que tentei mas nunca pude esquecer.

 

— Sabe para onde estamos indo?

 

— Obviamente. Ha muito tempo eu mandei alguém atrás deles, meus pais transformaram a mansão em uma hospedaria, continuam vivendo no mesmo lugar depois de todos esses anos.

 

— Continuou buscando por eles depois de tudo?

 

— Os mantive vigiados. Na verdade houve sempre uma corda em meu pé que me mantem atada a eles, talvez seja o sangue, eles dois tiveram um papel importante no espetáculos de horrores que foi minha vida. Compactuaram com Osorio e não acreditaram em mim.

 

— Ainda lembra deles?

 

— Vividamente. É como se pudesse vê-los aqui mesmo, entende? Minha mãe, meu pai e até mesmo minha babá. Nenhum deles foram capaz de acreditar quando contei a verdade, prefeririam negar, vendar os olhos.

 

— Você ainda está com raiva de mim ou posso aproximar-me?

 

— Eu ainda estou brava por você não me escutar, mas pode aproximar-se sim.

 

Ele sorriu a aproximou-se dela, segurando suas mãos e a olhando nos olhos.

 

— Agora todos acreditam em você e estamos do seu lado, mesmo que você não queira. Seus pais irão ouvi-la, não que importe se eles acreditam ou não, eu acredito, seu filho, seus amigos.

 

— Sabe o que eu acredito? Que você foi um presente dos céus, minha segunda chance e um apoio para quando eu precisar desabafar.

 

Aurélio beijou-lhe o topo da cabeça. Julieta tinha suas magoas, seu passado doloroso e ele entendia aquilo como ninguém, melhor que qualquer outra pessoa podia entender sobre ter passado obscuro e coisas que tenta esquecer mas que continua marcado. Assim como ela, ele tinha seus segredos escondidos no fundo do poço de suas mágoas.

 

As horas passavam-se lentamente e Tião continuava a dirigir, seguindo o endereço que sua chefe lhe passou. Julieta e Aurélio perderam-se na leitura dos livros que traziam nas malas. Ela lia recostada na janela do carro e ele mal podia concentrar-se nas palavras do livro que pareciam desconexas, sua atenção era quase absoluta nela. A forma com que os olhos de Julieta rolavam sobre as letras e como ela contraia os lábios todas as vezes que lia algum trecho aparentemente emocionante.

 

Com o passar das horas e não chegando a lugar algum Julieta deixou-se levar pelo sono que a invadir sorrateiramente. Quando Aurélio desistiu da leitura e virou-se para encara-la, ela estava com a cabeça recostada no vidro desconfortável da janela, os olhos fechados e a respiração regular enquanto o livro repousava entre suas pernas já fechado.

 

Ele a puxou lentamente para si, colocando a cabeça dela em suas perna e fazendo o corpo deitar no pequeno acento do carro, que apesar e não ser confortável era imensamente melhor que o vidro da janela. Tomou cuidado para não desperta-la enquanto a movia, mas Julieta ultimamente estava com sono pesado, talvez devido aos dias que passou sem dormir ou ao estresse emocional dos recentes acontecimentos, talvez os dois juntos. Apesar das coisas terem se acertado ainda havia muitas magoas e muitas dores.

 

A noite estava escura e o céu estrelado do lado de fora do carro, quando finalmente Tião parou. Nada mais se movimentava, apenas podia-se ouvir o silencio. A ausência de movimento a fez despertar e ela pareceu atordoada quando abriu os olhos.

 

Julieta repentinamente colocou-se sentada novamente e pela segunda vez naquele dia ele viu ela tomar a posa altiva de Rainha do Café. Ele quem saiu primeiro do carro e estendeu a mão para ela, que aceitou de bom grado.

 

A rua ainda era a mesma, as dores ainda eram as mesmas. Ela podia ouvir o canto alto dos grilos por toda parte, era o mesmo ambiente de quando era criança. Estava decidida a encontrar seus pais, falar-lhes a verdade mas perdeu a coragem no momento em que encarou o casarão que um dia foi sua casa. Aquela não era mais sua casa, assim como ela não era mais Julieta Sampaio.

 

O vento frio agitou a barra do seu vestido e ela ergueu a cabeça repetindo para si: “Você é a Rainha do Café, não é mais Julieta Sampaio, ninguém mais pode te ferir, você tem Aurélio”

 

Ela esperou toda sua vida por aquele regresso e ali estava ela.

 

Há um lugar que eu costumava conhecer. Uma semente que eu costumava semear.

Às vezes eu quero voltar e dar-lhes tudo que tenho.

Há um lugar que preciso encontrar e preciso estar lá a tempo.

Não tente mais e sem mentiras.

Eu sou muito forte, eles precisam ouvir o tenho a dizer.

(Mermaid)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Gostam do capitulo? Acham que algo precisa ser melhorado?

Como puderam ver teremos alguns flashbacks do decorrer da historia e queria saber se devo diminui-los ou se posso usa-los livremente.
Até o próximo capitulo, em breve!


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