História The selection - Capítulo 36


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Categorias Fairy Tail, Naruto
Personagens Lucy Heartfilia, Natsu Dragneel
Tags Gale, Galu, Gruvia, Jerza, Nali, Nalu
Visualizações 231
Palavras 4.250
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Harem, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 36 - A Elite-Halloween IV


Fanfic / Fanfiction The selection - Capítulo 36 - A Elite-Halloween IV

A FESTA DE HALLOWEEN FOI TÃO INCRÍVEL quanto Natsu tinha prometido. Quando adentrei o Grande Salão, com Mavis ao meu lado, fiquei pasma com toda aquela beleza diante de meus olhos. Tudo era dourado. Enfeites de parede, joias brilhantes sobre os candelabros, copos, pratos, e até a comida: tudo tinha toques de ouro. Nada era menos do que magnífico.

Um aparelho de som tocava música pop, mas, no canto do salão, uma pequena banda aguardava o momento de tocar as danças tradicionais que tínhamos aprendido. Câmeras – de foto e vídeo – espalhavam-se pelo ambiente. Sem dúvida, a festa seria o destaque da programação de Fiore no dia seguinte. Impossível existir uma comemoração como aquela. Imaginei por uns instantes como seria se eu estivesse aqui até o Natal.

As fantasias estavam maravilhosas. Juvia estava de anjo, dançando com o soldado Fulbuster . Sua fantasia tinha até asas – pareciam feitas de papel brilhante – que pendiam das suas costas. Lissana usava um vestido curto feito de penas; a pluma comprida na parte de trás de sua cabeça indicava que a fantasia era de pavão.

Mirajane estava ao lado de Cana, e ambas pareciam ter combinado: o corpete do vestido de Cana estava coberto de flores abertas, ao passo que a saia de pregas era feita de tule azul. O vestido de Mirajane era dourado como o salão e recoberto com camadas e camadas de folhas. Chutei que estavam fantasiadas de primavera e outono. Uma ideia fofa.

A herança asiática de Ultear foi explorada ao máximo. Seu vestido de seda era um exagero perto das roupas discretas que ela costumava usar. As mangas longas e drapejadas eram dramáticas ao extremo, e sua capacidade de andar com todos aqueles enfeites na cabeça me impressionou. Ultear não era de chamar a atenção, mas naquela noite estava linda, com um ar de rainha.

Espalhados pelo salão, estavam parentes e amigos, também fantasiados, e mesmo os guardas estavam bem-vestidos. Vi um jogador de beisebol, um vaqueiro, alguém de terno com um crachá em que se lia GAVRIL FADAYE. Um dos guardas ousou ao ponto de botar um vestido de mulher; estava rodeado por um punhado de meninas que morriam de rir. Muitos dos outros guardas, no entanto, estavam com a versão de gala de seus uniformes, que consistia simplesmente em calças vincadas brancas e casaca azul. Usavam luvas, mas não chapéu, o que ajudava a distingui-los dos guardas em serviço que rondavam o salão.

— Então, o que você está achando? — perguntei a Mavis, mas quando me virei ela já tinha desaparecido na multidão para explorar o lugar.

Comecei a rir sozinha enquanto tentava identificar seu vestidinho bufante no salão. Quando ela me disse que queria ir à festa fantasiada de noiva – “tipo as da TV” – achei que era piada. Mas ela ficou simplesmente ótima de véu.

— Olá, senhorita Lucy — alguém sussurrou em minha orelha.

Voltei à realidade e ao me virar para responder deparei com Gajel ao meu lado com seu uniforme de gala.

— Você me assustou! — reclamei, com a mão no coração como se isso fosse diminuir seu ritmo.

Gajel apenas riu.

— Gostei da fantasia — ele disse, com um tom simpático.

— Obrigada. Também gostei.

Coco tinha me transformado em uma borboleta. Meu vestido, bem ajustado, era de um material esvoaçante, com a barra preta ondulando à minha volta. Uma máscara minúscula imitando asas de borboleta me cobria o rosto e criava um ar misterioso.

— Por que você não se fantasiou? — perguntei. — Não conseguiu pensar em algo?

Gajel sacudiu os ombros.

— Prefiro o uniforme.

— Hmm.

Me parecia triste desperdiçar esse ótimo pretexto para uma extravagância. Aliás, Gajel tinha menos oportunidades nesse sentido do que eu. Por que não aproveitar?

— Só vim para dar um “oi”, ver como você estava.

— Legal — repliquei. Me sentia tão estranha.

— Ah — ele disse, descontente. — Tudo bem, então.

Talvez ele esperasse uma resposta melhor depois do que dissera no outro dia, mas eu ainda não estava preparada para dizer nada. Gajel se despediu com um aceno e saiu para falar com outro guarda, que o abraçou como um irmão. Comecei a pensar se o fato de ele ser um guarda lhe dava uma sensação de pertencer a uma família, como a que eu tinha adquirido na Seleção.

Logo em seguida, Juvia e Ultear me encontraram e me arrastaram para a pista de dança. Enquanto eu balançava o corpo – com cuidado para não acertar ninguém – avistei Gajel no canto da pista, conversando com minha mãe e Mavis. Minha mãe passou a mão na manga da camisa dele, para ajeitá-la, talvez, e Mavis estava radiante. Podia imaginar as duas dizendo a ele como estava bonito de uniforme, como sua mãe ficaria orgulhosa se o visse. Ele devolveu o sorriso, e dava para notar que também estava muito contente com os elogios. Gajel e eu éramos duas raridades: uma Cinco e um Seis arrancados de suas vidas monótonas e colocados no palácio. A Seleção transformava tanto a minha vida que eu me esquecia de apreciar esses momentos.

Dancei num círculo com algumas das outras meninas e com outros guardas, até que a música parou e o DJ começou a falar:

— Senhoritas da Seleção, cavalheiros da guarda, amigos e parentes da família real: por favor, deem as boas-vindas ao rei Ignel, à rainha Grandeeney e ao príncipe Natsu Dragnel !

A banda explodiu em notas musicais, e todos reverenciamos e inclinamos a cabeça para a passagem da família real. Aparentemente, o rei estava vestido de rei, só que de outro país. Não captei a diferença. O vestido da rainha era de um azul tão escuro que parecia preto, e ainda estava enfeitado com brilhantes de alto a baixo. Parecia o céu de noite. E Natsu, beirando o ridículo, estava de pirata. Sua calça estava cheia de rasgões, e ele usava uma camisa folgada com um colete por cima e uma bandana na cabeça. Para impressionar mais ainda, ele tinha ficado um ou dois dias sem se barbear, de modo que uma sombra de pelos castanhos em forma de sorriso cobria a metade de baixo de seu rosto.

O DJ nos pediu para abrir espaço na pista para o rei e a rainha terem sua primeira dança. Natsu se afastou e permaneceu ao lado de Mirajane e Cana, sussurrando coisas para ambas, que riam. Por fim, notei que ele estava como que inspecionando o salão. Não sei se procurava por mim, mas não queria ser pega olhando para ele. Ajeitei a saia do vestido e voltei os olhos para os pais de Natsu. O rei e a rainha pareciam bem felizes.

Pensei sobre a Seleção, sobre a loucura de tudo aquilo, mas não podia contestar seus resultados: o rei Ignel e a rainha Grandeeney pareciam feitos um para o outro. Ele parecia enérgico, e ela compensava isso com sua natureza calma. Ela era uma ouvinte silenciosa, ao passo que ele sempre parecia ter algo a dizer. Embora tudo aquilo merecesse ser considerado arcaico e errado, funcionava.

Será que, durante a Seleção deles, tinha existido algum momento em que eles se distanciaram, como eu sentia Natsu se distanciar de mim? Por que ele não tinha feito sequer uma tentativa de me ver em meio aos encontros com todas as outras? Talvez seja esse o motivo de ele ter falado com meu pai: explicar por que ele precisava me mandar embora. Natsu era uma pessoa educada; certamente faria uma coisa assim.

Corri os olhos pela multidão, à procura de Aspen. No meio desse gesto, vi que meu pai tinha acabado de chegar; estava de braços dados com a minha mãe, no outro lado do salão. Mavis estava ao pé de Juvia, que a abraçava por trás, como uma irmã; os vestidos brancos de ambas brilhavam ainda mais com a luz. Não me surpreendia o fato de as duas se darem tão bem em menos de um dia. Respirei fundo. Onde estaria Gajel?

Olhei para trás – era minha última tentativa – e lá estava ele, bem atrás de mim, sempre à minha espera. Quando nossos olhos se encontraram, ele piscou para mim, e esse gesto levantou meu astral.

Assim que o rei e a rainha terminaram, todos fomos à pista de dança. Os guardas passavam de lá para cá e logo arrumavam um par. Natsu permanecia em pé, no canto, com Mirajane e Cana. Fiquei na esperança de que ele me tirasse para dançar. Eu é que não queria chamá-lo. Controlei os nervos, ajeitei o vestido e andei em direção a Natsu. Decidi ao menos lhe dar a chance do convite. Abri caminho pela pista de dança com a intenção de entrar na conversa dos três. Já estava perto o bastante para dizer algo quando Natsu olhou para Cana.

— Quer dançar? — ele perguntou.

Ela riu e inclinou a cabeça para o lado como se sua resposta fosse a coisa mais óbvia do mundo. Já eu, passei reto por eles, com os olhos cravados na mesa de chocolates, como se ela fosse meu destino desde o começo. Fiquei de costas para todos enquanto comia aqueles doces maravilhosos, com a esperança de que ninguém reparasse em minhas bochechas vermelhas.

Depois de umas seis músicas, o soldado Fulbuster surgiu. Como Gajel, ele escolhera usar seu uniforme.

— Senhorita Lucy — disse ele, inclinando a cabeça — posso ter a honra desta dança?

Sua voz era alegre e terna. Me senti contaminada por seu entusiasmo e não pensei duas vezes antes de pegar em sua mão.

— Com certeza, senhor — respondi. — Devo preveni-lo, porém, de que não sou muito boa.

— Não tem problema. Iremos devagar.

Seu sorriso era tão convidativo que eu nem me preocupei com a minha péssima aptidão para dança. Me deixei levar alegremente para a pista.

A música era animada, assim como a personalidade dele. Ele falou o tempo todo e foi difícil acompanhar seu ritmo.

— Você parece completamente recuperada da nossa trombada do outro dia — brincou Fulbuster.

— Foi uma pena você não ter me machucado — repliquei. — Se estivesse de muletas, pelo menos não precisaria dançar.

Ele riu.

— Fico feliz em ver que de fato você é engraçada, como todos dizem. Falam também que você é a favorita do príncipe — disse, como se a opinião do príncipe fosse de conhecimento comum.

— Não estou sabendo disso.

Parte de mim ficava com muito ódio quando as pessoas falavam isso. Outra parte ansiava para que ainda fosse verdade.

Olhei por cima do ombro do soldado Fulbuster e vi Gajel e Lissana dançando. Senti um nó no estômago.

— Parece que você se dá bem com quase todo mundo. Alguém me disse até que durante o último ataque você levou suas criadas consigo para o abrigo da família real. É verdade?

Ele parecia maravilhado. Para mim, tinha sido completamente normal naquele dia proteger as garotas que eu adorava, mas todo mundo considerava meu ato como ousado ou estranho.

— Eu não podia deixá-las para trás — expliquei.

Ele balançou a cabeça, espantado.

— Você é uma verdadeira dama.

— Obrigada — respondi, corando.

Fiquei esbaforida depois da música e fui sentar em uma das muitas mesas espalhadas pelo salão. Me servi do ponche de laranja e comecei a me abanar com um guardanapo enquanto observava as pessoas dançarem na pista. Vi Natsu com Ultear. Pareciam felizes em meio aos rodopios. Ele já tinha dançado duas vezes com Ultear e nada de vir atrás de mim.

Levei tempo para descobrir onde Gajel estava no salão; havia vários homens de uniforme. Por fim, o encontrei em um canto, conversando com Lissana . Ela piscava para ele com um sorriso charmoso nos lábios.

Quem ela pensava que era? Me levantei para mandá-la parar, mas tomei consciência do que esse gesto acarretaria para Gajel e para mim, antes de dar o primeiro passo. Me sentei novamente e voltei a bebericar meu ponche. Quando a música acabou, andei rapidamente na direção de Gajel. Queria ficar próxima o bastante para que ele pudesse me tirar para dançar.

Foi o que ele fez. E foi bom, porque acho que eu não teria conseguido segurar meu gênio.

— Mas que diabos foi aquilo? — perguntei em voz baixa, mas claramente indignada.

— Aquilo o quê?

— Lissana esfregando as mãos pelo seu corpo!

— Alguém está com ciúmes — cantou ele em meu ouvido.

— Ah, sem essa! Ela não pode agir assim. É contra as regras!

Olhei ao redor para me certificar de que ninguém, principalmente meus pais, notaria o tom íntimo da nossa conversa. Vi minha mãe sentada, conversando com a mãe de Cana. Meu pai tinha sumido.

— Isso vindo de você? — disse Gajel em tom de gozação, jogando a cabeça para trás. — Se não estamos juntos, você não pode me proibir de falar com ninguém.

Fiz uma careta de raiva.

— Você sabe que não é assim.

— Como é, então? — ele sussurrou. — Quando penso em você, nunca sei se devo insistir ou deixar pra lá — depois balançou a cabeça. — Não quero desistir, mas se posso ter esperanças, me diga.

Dava para notar o esforço que fazia para manter o rosto tão calmo, para esconder a tristeza na voz. Aquilo também me machucava. Pensar em pôr fim em tudo era como uma facada no peito.

Respirei fundo e confessei.

— Ele tem me evitado. Diz oi e tal, mas tem dado muita atenção às outras meninas ultimamente. Acho que cheguei a pensar que ele gostava de mim de verdade.

Gajel parou de dançar por uns instantes, chocado com minhas palavras. Se recuperou logo e passou a contemplar meu rosto.

— Não tinha percebido que era esse o problema — disse, calmamente. — Você sabe que quero ficar com você, só que não quero vê-la magoada.

— Obrigada — agradeci, encolhendo os ombros. — Me sinto a mais idiota.

Gajel me puxou para si, mantendo ainda uma distância respeitosa ente nós, embora eu soubesse não ser esse o seu desejo.

— Acredite em mim, Lu: qualquer homem que deixe passar a chance de ficar com você é o idiota de verdade.

— Você tentou deixar passar essa chance — lembrei a ele.

— É por isso que sei — afirmou, com um sorriso.

Fiquei feliz de termos podido fazer piada sobre o assunto.

Olhei por cima do ombro de Gajel e vi Natsu dançando com Mirajane . De novo. Por acaso, ele não me chamaria nem para uma dança?

Gajel falou no meu ouvido.

— Você sabe o que essa festa me lembra?

— O quê?

— O aniversário de dezesseis anos de Fern Tally.

Olhei para ele como se fosse louco. Me lembrava da festa de dezesseis anos de Fern. Fern era uma Seis, e às vezes ajudava minha família quando a mãe de Gajel estava ocupada demais para nos atender. Seu aniversário de dezesseis anos foi uns sete meses depois de Gajel e eu termos começado a namorar. Nós dois fomos convidados, mas não foi bem uma festa. Um bolo e água, o rádio ligado porque ela não tinha discos, sob a luz fraca do porão inacabado. O diferencial foi essa ter sido a primeira festa em que estive, a não ser pelas festas de família: a garotada do bairro sozinha naquele lugar. E como foi empolgante. Mas não dava para compará-la ao esplendor do que acontecia ao nosso redor no grande salão.

— Como esta festa pode ser parecida com aquela? — perguntei, cética.

Gajel engoliu em seco e falou:

— Nós dançamos. Lembra? Fiquei tão orgulhoso de ter você em meus braços na frente de outras pessoas. Mesmo parecendo que você estava tendo uma convulsão — ele concluiu, piscando para mim.

Aquelas palavras agitaram meu coração. Eu me lembrava daquele dia. Vivi aquela festa na minha cabeça por semanas.

E, de repente, milhares de segredos que Gajel e eu tínhamos construído e guardado entre nós inundaram minha mente: os nomes escolhidos para nossos filhos imaginários; nossa casa na árvore; o lugar atrás do pescoço onde ele sentia cócegas; os bilhetes escritos e escondidos; minhas tentativas fracassadas de fazer sabão caseiro; as partidas de jogo da velha que jogávamos num tabuleiro invisível em sua barriga e usando o dedo para marcar as jogadas... As partidas em que esquecíamos nossas jogadas invisíveis... Os jogos que ele sempre me deixava ganhar.

— Me diga que vai esperar por mim. Se você esperar por mim, lu, posso aguentar qualquer coisa — sussurrou ele.

A música seguinte foi uma canção tradicional, e um soldado que estava próximo me chamou para dançar. Eu estava arrasada. Deixei tanto Gajel quanto eu própria sem respostas.

A noite continuou, e mais de uma vez me peguei caçando Gajel com o olhar. Embora eu tentasse parecer natural, apostaria que qualquer pessoa atenta teria notado, em especial meu pai, se estivesse no salão. Mas ele parecia mais interessado em passear pelo palácio em vez de dançar.

Tentei me distrair com a festa e provavelmente dancei com todos os garotos do salão, exceto Natsu. Me sentei para descansar meus pés exaustos, e foi nesse momento que ouvi uma voz ao meu lado.

— Senhorita?

Me virei, e Natsu continuou:

— Posso ter a honra desta dança?

O sentimento, aquela coisa impossível de definir, percorreu meu corpo. Por mais rejeitada que me sentisse, por mais vergonha que tivesse passado, quando ele me ofereceu aqueles instantes com ele, tive de aceitá-los.

— Claro.

Ele tomou minha mão e me conduziu à pista. A banda começou a tocar uma música lenta. Senti uma pontada de felicidade. Ele não parecia irritado ou incomodado. Pelo contrário, Natsu me puxou para tão perto de si que pude sentir seu perfume e sua barba rala contra minha bochecha.

— Fiquei imaginando se conseguiria ao menos uma dança com você — comentei, tentando soar brincalhona.

Natsu deu um jeito de me puxar ainda mais para si.

— Eu estava guardando este momento. Passei um tempo com todas as outras garotas para acabar logo com minhas obrigações. Agora, posso desfrutar do resto da noite com você.

Corei, como sempre acontecia quando ele me dizia coisas assim. Às vezes, suas palavras eram como poemas de um verso só. Não me lembro de tê-lo ouvido falar assim comigo ao longo da semana anterior. Meu coração acelerou.

— Você está perfeita, Lucy . Linda demais para estar nos braços de um pirata desleixado.

Achei graça e comentei:

— Mas que fantasia você usaria para combinarmos? De árvore?

— No mínimo, de algum tipo de arbusto.

— Pagaria para ver você vestido de arbusto! — falei, entre risos.

— Ano que vem — ele prometeu.

Olhei para ele. Ano que vem?

— Você gostaria? Gostaria de outra festa de Halloween no próximo mês de outubro? — perguntou Natsu.

— E eu estarei aqui no próximo mês de outubro?

Natsu parou de dançar.

— Por que não estaria?

Encolhi os ombros.

— Você me evitou a semana toda. Saiu com outras meninas. E... vi você e meu pai conversando. Pensei que talvez você estivesse lhe contando que teria de dar um pé na filha dele.

Engoli em seco. Não ia chorar ali.

— Lucy .

— Entendi. Alguém tem que sair. Eu sou uma Cinco, Juvia é a favorita do povo...

— Lucy , chega — ele protestou com a voz serena. — Eu sou um idiota. Não fazia ideia de que você veria as coisas assim. Pensei que você estava segura na sua condição.

Havia algo aí que ainda não fazia sentido para mim. Natsu respirou fundo.

— Você quer saber a verdade? Eu estava tentando dar uma chance para as meninas competirem. Desde o começo, só olhava para você, só queria você.

Ao ouvir essas palavras, corei mais uma vez. Natsu prosseguiu:

— Quando você me revelou seus sentimentos, fiquei tão aliviado que parte de mim não acreditou. Ainda me esforço para aceitar que aquilo foi real. Você ficaria surpresa se soubesse como é raro eu conseguir algo que eu queira de verdade.

Os olhos de Natsu escondiam alguma coisa, uma tristeza que ele não estava preparado para expressar. Ele afastou aqueles pensamentos e continuou sua explicação:

— Tinha medo de estar errado, de você mudar de ideia a qualquer minuto. Procurei uma alternativa adequada, mas a verdade é... — Natsu me olhou firmemente nos olhos — que só existe você. Talvez eu não esteja procurando de verdade, talvez elas não sirvam para mim. Não importa. Só sei que quero você. E isso me assusta. Esperava que você fosse voltar atrás, implorar para sair.

Levei uns momentos para recuperar o fôlego. De repente, todo aquele tempo afastada dele me pareceu diferente. Compreendia essa sensação: de que era bom demais para ser verdade, bom demais para confiar. Me sentia assim todos os dias em que estava com ele.

— Natsu , isso não vai acontecer — sussurrei, com a boca próxima ao pescoço dele. — No máximo, você vai perceber que não sou boa o suficiente.

Os lábios dele chegaram ao meu ouvido.

— Você é perfeita.

Puxei-o contra meu peito, e ele fez o mesmo. Ficamos mais próximos do que nunca. No fundo da minha mente, uma voz me dizia que estávamos em um salão lotado, que ali, em algum lugar, estava minha mãe, provavelmente desmaiando com a cena. Mas nada importava. Naquele momento, parecíamos ser as únicas duas pessoas no mundo.

Afastei um pouco o rosto para ver Natsu, e percebi que para isso teria que limpar as lágrimas dos olhos. Só que eu gostava daquelas lágrimas.

Natsu explicou tudo.

— Quero que as coisas aconteçam no tempo certo. Logo que eu anunciar a dispensada de amanhã, para a alegria do povo e de meu pai. Não quero apressá-la, de forma alguma. Quero que você veja a suíte da princesa, que fica bem ao lado da minha — ele disse, em voz baixa.

Fiquei um pouco zonza só de pensar que ficaria tão perto dele o tempo todo.

— Você deveria começar escolhendo o que vai querer dentro dela. Quero que você se sinta completamente à vontade. Você também terá que escolher mais algumas criadas, e decidir se vai querer sua família no palácio ou em uma casa aqui perto. Vou ajudá-la em tudo.

Uma batida fraca do meu coração me sussurrava: “E Gajel?”. Só que eu estava tão entregue a Natsu que mal a escutei.

— Em breve, quando eu encerrar a Seleção, quando pedir sua mão em casamento, quero que isso seja tão fácil quanto respirar para você. Prometo fazer tudo que estiver ao meu alcance para que as coisas sejam assim. O que você precisar, o que você quiser: basta dizer, e farei tudo que puder para ajudá-la.

Fiquei chocada. Natsu me entendia tão bem. Sabia como eu estava nervosa com aquele compromisso, como me amedrontava a perspectiva de ser princesa. Ele estava disposto a me dar até o último segundo que podia e, até lá, me encher de todos os presentes possíveis. Tive outra vez a sensação de que era impossível crer que aquilo estava acontecendo.

— Isso não é justo, Natsu — eu murmurei. — O que eu seria capaz de dar em troca?

Ele abriu um sorriso.

— Tudo o que quero é que você prometa ficar comigo, ser minha. Às vezes, você não parece real. Me prometa que vai ficar.

— Claro que prometo.

Depois disso, apoiei a cabeça sobre seu ombro e dançamos agarrados uma música atrás da outra. Houve um momento em que meu olhar e o de Mavis se cruzaram; ela parecia prestes a morrer de felicidade por nos ver juntos. Minha mãe e meu pai também nos viram, sendo que meu pai sacudia a cabeça como se dissesse “e você achando que ia ser mandada embora”.

E então algo me veio à cabeça.

— Natsu? — chamei, levantando os olhos para ele.

— Sim, querida?

Ser chamada daquele jeito me fazia sorrir.

— Por que você estava conversando com meu pai?

Natsu achou graça na pergunta.

— Ele sabe das minhas intenções. E saiba que ele as aprova de coração, desde que você seja feliz. Foi essa a única condição dele. Assegurei a ele que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para vê-la feliz, e disse que você já parecia feliz de estar aqui.

— E estou.

Senti o peito de Natsu inflar.

— Então ele e eu já temos o que precisamos.

A mão de Natsu deslizou para o fim das minhas costas, me incentivando a não me afastar dele. Seu toque me revelava tantas coisas. Eu sabia que aquilo era real, que estava acontecendo, que eu podia acreditar. Eu sabia que abriria mão das amizades feitas no palácio se necessário, embora tivesse certeza de que Juvia não se importaria nem um pouco com a derrota. E sabia que teria que extinguir a chama que mantinha acesa para Gajel em meu coração. Seria um processo lento, e eu teria de contar para Natsu. Ainda assim, eu a apagaria.

Porque então eu era dele. Eu sabia. Nunca estive tão certa.

Pela primeira vez, eu via. Via o corredor, os convidados se levantando, e Natsu de pé, na outra ponta. Graças àquele toque, tudo fazia sentido.

A festa avançou pela madrugada, até Natsu arrastar nós seis para a sacada na frente do palácio para que pudéssemos ter a melhor visão dos fogos de artifício. Lissana tropeçava pelos degraus de mármore, enquanto Cana tinha arranjado um chapéu de algum guarda infeliz. O champanhe rolava solto, e Natsu comemorava antecipadamente nosso noivado com uma garrafa apenas para ele.

Assim que os fogos iluminaram o céu, Natsu ergueu sua garrafa.

— Um brinde! — exclamou.

Nós erguemos as taças e esperamos ansiosas. Notei que a taça de Ultear estava manchada com o batom preto que ela tinha usado. Até mesmo Juvia levantava sua taça, discretamente, bebericando em vez de dar goles grandes.

— A todas vocês, belas senhoritas. E à minha futura esposa! — Natsu puxou.

As garotas vibraram; cada uma pensou que o brinde era para si. Só que eu sabia a verdade. Quando todas baixaram as taças, vi Natsu – meu quase noivo – me dando uma piscadela antes de beber mais um gole de champanhe. O brilho e a emoção ao longo da noite inteira eram estonteantes. Era como se uma fogueira de felicidade me engolisse por completo.

Não podia imaginar nada forte o bastante para roubar aquela felicidade.



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