História The Seoul Race - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Loona
Personagens GoWon, HaSeul, HeeJin, HyunJin, Kim Lip, Olivia Hye, Personagens Originais, ViVi, Yeojin
Tags Hyewon, Lipseul
Visualizações 37
Palavras 9.218
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


boanoiti

boa leitura!!

Capítulo 2 - First Challenge


Era sábado à noite.


Tradicionalmente, muitos adolescentes de Uijeongbu descolavam umas cervejas e armavam uma festa em Pride Rock.


Esta noite, porém, havia outra coisa acontecendo. Algo bem ilegal. E estava acontecendo no cinema drive-in de Uijeongbu.


A placa na entrada do drive-in era um tanto enganadora. Ela anunciava um filme de carros, um ingresso de 10 dólares, churrasquinho e rifas. Entretanto, havia outra coisa rolando ali. Algo de que os tiras não tinham sido avisados. As pessoas começaram a se reunir no interior do drive-in logo que escureceu. Apesar de cenas de Bullit, um dos melhores filmes de perseguição de carros já feitos, estarem sendo projetadas na tela enorme do drive-in, o público não estava lá para ver filme nenhum.


Estavam lá para ver uma corrida de rua.


Ou pelo menos a largada de uma.


O estacionamento do drive-in estava repleto de espectadores quando Hyejoo chegou.


Eram quase onze da noite e havia uma atmosfera inebriante de parque de diversões de interior no local. Com todo mundo de bom humor, a multidão abriu espaço de bom grado para permitir a passagem de seu Gran Torino.


No interior de seu carro altamente customizado, ela e sua equipe estavam sintonizadas no programa de Soomin no iPad de Yeojin. Elas estavam prestes a ter uma grande surpresa.


O apresentador underground estava com um ouvinte ao telefone.


“Corre um boato que a TRS vai ser realizada em Gangnam este ano” — disse essa pessoa. “É verdade, Soomin?”


“Você nunca vai saber” — respondeu Soomin. “Porque você ia contar para os policiais... e ninguém quer isso. Ninguém gosta de x-9! Não é verdade?”


O Gran Torino irrompeu em gritos e aplausos.


“E por falar nisso...” — prosseguiu Soomin. “Acabaram de chegar os resultados de Busan. Jisung acabou de postar uma vitória.”


Soomin atendeu outro telefonema.


“Por que o Jisung tem uma chance na TSR e eu não?” — perguntou a pessoa ao telefone.


Soomin explodiu.


“Porque a McLaren F1 do Jisung vale 1,2 milhão de dólares, faz 390 km/h e ele sabe o que é dirigir!” — gritou. “E você com sua banheira de parafusos com rodas não sabe. Assim falou o oráculo!”


Mais gritos e palmas da equipe da Son.


Soomin fez uma pausa e então continuou.


“Mas, sabem de uma coisa?” — sua voz estava estranhamente calma. “Esta noite meu nariz está farejando em Uijeongbu, Gyeonggi.”


Isso deixou atentos os ouvidos de todas no Gran Torino.


— Vocês estão de sacanagem comigo — falou baixo Heejin. — Ele falou mesmo Uijeongbu?


As outras a mandaram calar a boca enquanto Soomin continuava.


“Estou interessado nessa cidadezinha remota e insignificante esta noite porque Son Hyejoo e Park Seongso vão correr numa pista com cinco carros” anunciou Soomin. “Esse é um percurso muito difícil e, pelo que eu soube, Son Hyejoo é uma piloto do cacete. Mais uma Cinderela querendo um vestido para o baile. Mas estou falando sério. Se Hyejoo arranjasse um carro à altura de seu talento... ela poderia muito bem conseguir, um dia, um convite para a TSR.”


— Essa foi foda, hein? — disse Hyunjin para Hyejoo. — Primeiro Soomin baba seu ovo. Depois diz que seu carro é uma merda.


— Você quer dizer nosso carro! — Yeojin lembrou a todas.


Hyejoo deu de ombros.


— Esse é só o jeito dele — disse.


Ela finalmente encontrou um lugar para estacionar o Gran Torino e a equipe da SM desceu.


De repente, Yeojin parou onde estava, fechou os olhos e agiu como se estivesse recebendo uma espécie de mensagem do além.


Ela se virou para Hyejoo.


— Enquanto Soomin estava falando sobre você há pouco, eu tive uma visão.


— Lá vamos nós — murmurou Heejin.—

 

— Silêncio — disse Hyunjin com uma risada. — Adoro ouvir as visões da garota.


Yeojin começou:


— Eu vi água, o Sol, um farol e...


— ...e sua irmã num biquíni bem pequeno? — interveio Hyunjin com uma risada.


— Cale a boca! — repreendeu-a Yeojin. — Isso é sério.


Ela se compôs e continuou.


— Hyejoo estava nessa visão — disse ela. — E adivinhem? Ela vai ganhar a TSR.


— É mesmo? — disse Hyunjin, com sarcasmo e bom humor. — Son Hyejoo vai ganhar a corrida de rua mais importante de todas? Contra McLarens e Bugattis e... Esperem... isso vai acontecer este ano?


Hyunjin tinha razão. Sempre rolavam pequenos rachas ilegais, e eles quase exclusivamente eram disputados por automóveis comuns, que todos podiam comprar, como Camaros, Mustangs ou Gran Torinos, customizados. No entanto, a TSR era outra história, que envolvia carros estrangeiros de luxo como Lamborghinis e Bugattis. Se houvesse algum carro simples envolvido, em geral eram Mustangs GT de preços astronômicos e, talvez, num caso muito especial, um Chevy Corvette, mas isso ocorria raramente.


Como sempre acontecia, era uma questão de quem tinha grana e de quem não tinha. Se Hyejoo conseguisse recuperar tudo o que havia sido gasto no trabalho que ela e as outras investiram no seu Gran Torino, o preço do carro podia chegar a uns 20 mil dólares, algo assim. Só os pneus dos carros que competiam na TSR custavam isso.


Mesmo assim, Hyejoo gostou do entusiasmo de Yeojin.


— Obrigada pelo voto de confiança, Yeo. — disse Hyejoo, que acabara de ver seu principal adversário da noite: o piloto chamado Park Seongso. — Mas já vou ter bastante trabalho só para vencer Park.


Hyejoo acenou com a cabeça para o Pontiac GTO 1966 todo preparado de Park que estava entrando no estacionamento.


Era um carro bonito. Azul escuro, motor 383 com sobrepressão, carburador quadrangular Holley, pneus grandes, traseira erguida e um enorme sistema de exaustão.


Mas as amigas de Hyejoo estavam olhando para outra direção.


— O que é isso? — murmurou Yeojin.


Uma Mercedes SLR tinha acabado de entrar no estacionamento. Aquele era um carro muito luxuoso. Era prateado, baixo e tinha a forma de uma espécie de bala futurista com quatro rodas presas a ela. Visto na companhia de Fords Gran Torinos e Pontiacs GTOs, o SLR humilhava. Sua produção anual era limitada, e seu nível de preço estava muito acima de meio milhão de dólares.


O carro atraiu muita atenção quando parou no meio da multidão, não apenas pela sua fama, mas também pela de sua motorista.


— Merda, aquele é a Jungeun? — disse Yeojin, sem querer acreditar nas próprias palavras. — Que merda ela está fazendo por aqui?


Kim Jungeun...


Todas a conheciam havia anos; Hyejoo e ela frequentaram juntas a mesma escola no ensino médio, mas em anos diferentes. Jungeun tinha 20 e tantos anos, o corpo de um atleta profissional e era bonita. Era uma dessas pessoas que sempre têm o cabelo perfeito, o sorriso perfeito e o carro perfeito. Tudo perfeito.


Ela também era uma das pessoas mais ricas da cidade. Apesar de nunca ter ficado muito claro qual o trabalho de seu pai, ou mesmo se seu nome verdadeiro era aquele, Jungeun sempre teve dinheiro, sempre teve carros novos caríssimos e sempre teve as melhores roupas.


E sempre se destacou. Numa escola em que a maioria das garotas usavam uniforme padrão recebidos da escola, Jungeun sempre se vestia com um uniforme feito com o melhor pano da Coreia do Sul encomendado de alguém por sua família. Ela também era uma grande babaca, arrogante e faladora, mas muitas garotas não conseguiam resistir a ela.


Hyejoo e Jungeun nunca se deram bem. Elas simplesmente eram diferentes de muitas maneiras. Hyejoo era uma garota simples, de classe trabalhadora, que não gostava de falar de suas realizações. Ela não se importava em sujar as mãos. Jungeun parecia nunca ter tido um dia de trabalho honesto na vida, e se orgulhava disso.


O interesse por carros era praticamente a única coisa que tinham em comum. Isso também levou a seus muitos atritos.


Elas brigaram de socos certa vez, mas poderia ter havido muitas outras. A briga rolou no vestiário depois da aula de Educação Física, e Hyejoo deu uma surra e tanto na Kim. Contudo, não havia ninguém por perto na hora da batalha, não houve testemunhas, então, Jungeun mentiu e contou outra história sobre a briga. Por causa disso, sempre houve dúvida sobre a verdadeira vencedora da briga.


Hyejoo tinha poucos problemas com outras pessoas na cidade. Moradores locais, góticos, pessoas que gostavam de k-pop, nerds... ela se dava bem com praticamente todo mundo. Entretanto, havia uma coisa de que ela não gostava, na verdade, ela detestava, e era gente mentirosa e vaidosa, e isso era Jungeun em pessoa.


Jungeun tinha, porém, o talento exasperante de conseguir convencer muita gente de que sua versão da verdade era a certa. E era isso que a tornava tão maquiavélica. Até gente ferrada por ela no passado podia cair na dela de novo. Para ver como ela era boa. E esses otários normalmente só percebiam o que estava acontecendo quando já era tarde demais, depois que Jungeun já tinha conseguido o que queria deles.


Hyejoo já havia corrido contra Jungeun muitas vezes ao longo dos anos, durante o ensino médio e depois. E não importava o carro de luxo que Jungeun estivesse exibindo no momento. Hyejo sempre a derrotava. Pelo menos isso não se discutia.


Entretanto, com o passar do tempo, Jungeun conseguiu trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, para aperfeiçoar sua técnica de pilotagem, enquanto Hyejoo tinha um emprego normal. Em decorrência da fortuna de sua família e dos contatos de seu pai, Jungeun tinha a oportunidade de treinar infinitamente ao volante de carros de ponta, enquanto outras garotas de sua idade eram obrigadas a trabalhar no McDonald’s.


Mergulhada na piscina aparentemente sem fundo de dinheiro do pai, ela podia pagar aulas de pilotagem com alguns dos melhores profissionais do ramo e comprar tempo de treino em algumas das maiores pistas de corrida do país.


Mais importante que isso, porém, era que Jungeun podia contar com os amigos do pai no mundo do automobilismo para colocá-la em corridas-chave. Pequenas no princípio, depois de porte médio, e depois no circuito profissional de elite.


Isso não foi surpresa, pois ela se encaixava no papel. Ela tinha o visual de uma estrela do cinema, dirigia carros muito caros, podia pagar por uma boa equipe de apoio e tinha muitos patrocinadores.


Na cultura automobilística de Uijeongbu, só Jungeun tinha alcançado o ápice.


Até agora...


**


A chegada de Jungeun para o encontro da noite foi o maior corta onda para a equipe da Son Motors. Ela fez com que sua conversa animada parasse de repente.


E as coisas só pioraram.


Assim que a Mercedes estacionou, a porta do lado do passageiro se abriu, e uma mulher atraente saltou.


Ela tinha cabelos pretos curtos, olhos atraentes e formas maravilhosas. Ela chegava a brilhar um pouco enquanto se misturava à multidão parada em torno do carro, destacando-se em meio à turba como uma luz na escuridão.


Essa era Haseul, a irmã de Yeojin. Na cidade, o adjetivo normalmente usado para descrevê-la era “gostosa”.


Hyejoo ficou triste assim que a viu. As duas tinham um passado em comum. E uma história sem final feliz.


Haseul foi braço direito de Hyejoo durante quase todo o ensino médio e por alguns anos depois. Elas eram o par de amigas “perfeitas”, estavam quase sempre juntas e, quando não estavam, passavam o tempo todo trocando mensagens de texto ou falando ao telefone. Passavam tanto tempo juntas que houve uma época em que uma terminava a frase da outra, coisa que incomodava as outras amigas.


Elas conheciam bem as famílias uma da outra. Tinham ido juntas para shows em Seoul muitas vezes. Beberam cerveja em Pride Rock. Iam a passeio nas praias de Busan.


Entretanto, durante todo o tempo, no fundo, Hyejoo nutria um sentimento pela garota e sabia que elas, na verdade, eram pessoas diferentes. As duas queriam coisas diferentes e tinham sonhos diferentes. Os dela estavam dentro da região de Gyeonggi. Manter o negócio do pai e transformá-lo numa das melhores oficinas de customização do país, uma esperança que estava rapidamente se esvaindo. Os sonhos de Haseul começavam a uns 55 quilômetros de distancia, no glamour de Seoul, deixando para trás a vida de cidade pequena.


Então um dia Haseul disse que estava gostando de uma pessoa e tinha outros planos. Ela se mudou para Seoul e Hyejoo seguiu com a vida. Não havia, porém, um dia em que ela não pensasse em sua melhor amiga, e em como as coisas poderiam ter sido.


E agora isso. Jungeun e Haseul... juntas.


Era uma combinação perfeita para acabar com Hyejoo: sua antiga melhor amiga aparecer com sua rival odiada.


— Sinto muito, Hye — disse a ela Yeojin. — Ela não me disse que vinha para casa.


— Tudo bem — disse Hyejoo, tentando se convencer disso.


Mas não era verdade.


Uma multidão logo se formou em torno da Mercedes de luxo de Jungeun. Enquanto isso, Haseul se afastou alguns passos do carro chamativo e, ao fazer isso, a multidão logo se fechou ao redor de Jungeun. A maioria era de jovens loucos por carros seduzidos por seu charme. Todos queriam tirar fotos com ela e sua Mercedes.


Ela vinha num vestido verde curto e colante com botas que iam até o meio da panturrilha, quase parecia que ela era só mais uma daquelas jovens fãs, perdida na confusão de gente, e não a garota que estava com Jungeun naquela noite.


— Acha que Jungeun veio aqui porque quer participar? — perguntou Heejin, vendo o desenrolar do pequeno drama. — Acham que ela quer correr?


— Ela que se foda — disse Hyunjin. — Não vamos deixar uma Mercedes de 450 mil dólares entrar nessa corrida.


— Está mais para 600 mil — corrigiu-a Vivi, sofrendo ao admirar penosamente o carro de Jungeun. — E isso sem contar as adaptações.


— Talvez ela só tenha vindo para ver como uma piloto de verdade dirige — disse Heejin cheia de marra. — Talvez ela aprenda alguma coisa por aqui.


Hyejoo sacudiu a cabeça diante da conversa.


— Esse mulher correu na Indy — disse ela as amigas. — Não dá para fazer mais que isso.


— É — disse Vivi. — Mas ela só durou uma temporada e meia na Indy.


— Em outras palavras, ela era uma merda — disse Heejin.


Contudo, Hyejoo não parava de sacudir a cabeça.


— Ela chegou entre os cinco primeiros em três provas — disse ela. — Ela não é uma merda. Longe disso. Ela sabe o que faz.


— Mas você precisa lembrar que ela tirou um cara da pista durante uma bandeira amarela... não dá pra jogar mais sujo que isso. Foi por isso que a baniram.


Era mais uma atitude com a cara de Jungeun.


Heejin se virou para Yeojin.


— Dizer que sua irmã estava “meio que” saindo com Kim Jungeun era uma coisa — disse ela. — Mas ver que ela está mesmo saindo com ela? Isso é totalmente diferente. Isso é ruim pra cacete.


— É um pesadelo, isso sim — disse Yeojin com desgosto.


Enquanto isso, a festa e a babação em torno de Jungeun continuavam animadas. Ela dava autógrafos com a paciência da estrela de Hollywood mais simpática. Posava para fotos com os moradores locais sorridente, rindo sem parar. Em determinado momento, tentou puxar Haseul para uma das fotos, porém, ela só posou com relutância. Foi o máximo que conseguiu fazer só para conseguir manter o sorriso.


Enquanto a equipe da Son não conseguia tirar os olhos daquela ceninha, Hyejoo era mais afetada por ela do que o resto; mas ninguém estava gostando.


— Se seu pai tivesse a grana que o pai dela tinha — disse Vivi a Hyejoo. — Você também estaria participando de corridas oficiais.


Hyejoo só deu de ombros. Quem sabe?


— E ia ganhar dela — acrescentou Heejin. — Como ganhou todas as vezes em que as duas competiram no mano a mano.


Hyejoo sacudiu a cabeça de novo. Essa a atingiu fundo.


— Nem todas — disse com tristeza.


Ela estava olhando para Haseul quando disse isso, e agora ela a tinha visto do outro lado do estacionamento. Seus olhos se cruzaram.


Haseul quebrou o encanto acenando para ela. Tudo o que ela conseguiu fazer foi responder com um aceno de cabeça.


Foi quando ela veio andando em sua direção.


— Ah, merda — disse Vivi. — Isso não vai prestar.


Logo cercaram Hyejoo.


— Vamos nessa, Hye.— disse Heejin, tentando tirar Hyejoo da linha de visão dela. — Você não precisa da distração.


Contudo, Hyejoo sacudiu de novo a cabeça.


— Tudo bem — disse ela. — Estou tranquila.


Suas palavras, porém, não convenceram ninguém, nem a ela mesma.


Vivi virou-se para Hyunjin e Heejin.


— É melhor irmos andando. — disse a ela, olhando para seu relógio. — A corrida vai começar daqui a pouco.


Hyunjin sorriu, balançou os braços às costas como se fossem asas e começou a cantar.


— “I believe I can fly... I believe I can touch the sky...”


Com isso, Hyunjin foi embora “voando”, fingindo ser uma espécie de passarinho humano.


Era Hyunjin sendo Hyunjin.


No instante seguinte, Haseul chegou.


Ela era ainda mais bonita de perto, mas também era muito tímida.


— E aí, gente — disse ela com simpatia. — Oi, Yeojin.


— Oi — respondeu, tão baixo que quase não deu para ouvir. Ela não a via fazia um bom tempo.


Elas se abraçaram e Haseul perguntou a ela:


— Você vai correr hoje?


— Vou — respondeu ela sem alongar.


— Bem... tome cuidado, está bem? — ela disse com sinceridade.


Yeojin balançou a cabeça. Então Haseul virou-se para Hyejoo. A mais nova se tocou e caiu fora. Hyejoo e Haseul ficaram sozinhas.


Ela tocou o braço dela, apenas por um instante, mas isso enviou uma onda de choque por todo seu corpo.


— Oi, Hyejoo — ela disse, tentando sorrir.


— Haseul — disse Hyejoo com um aceno de cabeça, tentando manter a pose.


— Fiquei muito triste quando soube do seu pai — ela disse com delicadeza. — Você recebeu as flores, não recebeu?


Hyejoo balançou a cabeça outra vez. Aquilo estava muito desconfortável. Fez-se um longo silêncio. Ela ficou encarando o chão, e Haseul olhando fixamente para ela. Ela havia parado de tentar sorrir. A expressão em seus olhos dizia tudo. Ela devia ter ficado nessa cidadezinha...


Haseul rompeu o silêncio.


— Obrigada por cuidar de Yeojin — ela disse.


Hyejoo apenas deu de ombros.


— Gosto de fazer isso. Ela é como uma irmã mais nova para mim.


O sorriso dela voltou por um instante.


— Como vai a oficina? — perguntou, tentando parecer animada. Na verdade, era mais difícil para Haseul falar com Hyejoo do que o contrário.


— Bem — mentiu Hyejoo. — Tá tudo indo numa boa...


Haseul ficou um pouco surpresa ao ouvir isso.


— É mesmo? Que bom...


Ela estava fazendo o máximo que podia para ocultar o ceticismo em sua voz. Fez-se outro silêncio estranho. Dessa vez foi Hyejoo quem o quebrou.


— E aí, como está a cidade grande? — perguntou a ela.


— Eu acho que diferente do que eu esperava — respondeu. — Mas não é isso aqui, com certeza.


Hyejoo deu um sorriso forçado.


— Você ainda é alérgica a Uijeongbu?


Haseul quase riu.


— Você ainda se acha engraçada, hein? — disse ela. — Bem, vou dizer uma coisa: ainda sobraram algumas coisas em Uijeongbu de que eu gosto muito.


Hyejoo sacudiu um pouco a cabeça.


— Parece que você achou o que estava procurando.


Haseul sabia sobre o que ela estava falando: Jungeun.


— Estou levando as coisas bem devagar — ela disse, quase como se precisasse convencer a si mesma.


Hyejoo a olhou bem nos olhos.


— Jungeun não é uma pessoa que leva nada devagar — disse ela, pronunciando cuidadosamente cada sílaba.


Ela a olhou de volta.


— Então você devia ter agido um pouco mais rápido — ela a repreendeu.


Um terceiro silêncio estranho, mas dessa vez seus olhares estavam fixos um no outro.


— Foi isso que você veio aqui me dizer? — perguntou ela num murmúrio áspero.


Ela sacudiu a cabeça.


— Não, não foi — ela respondeu. — Na verdade, Jungeun quer falar uma coisa com você. Uma coisa importante.


— Eu duvido disso — disse Hyejoo.


— É verdade — disse ela. — Mas só depois da corrida. Eu não quero distrair você.


Hyejoo tinha aguentado o suficiente.


— Então você devia ter ficado em Seoul. — disse para Haseul.


E com isso, ela foi embora.


**


Era quase meia-noite.


Vivi estava parada embaixo da passagem elevada de Uijeongbu, a linha de chegada da corrida que estava prestes a começar. As equipes de todos os carros que iam competir estavam paradas ali por perto.


Heejin também estava lá, trabalhando em seu notebook.


O celular de Vivi tocou. Era Hyejoo, que ainda estava no drive-in.


— Qual a sua situação? — perguntou a ela Hyejoo.


— Estamos em posição na linha de chegada — respondeu Vivi. — Como está se sentindo?


— Estou bem — disse Hyejoo. — Vocês fecharam a estrada?


— Bem, a Hyunjin está lá em cima — disse Vivi. — Ou pelo menos eu acho que está. Espere aí...


Vivi apertou um botão no aparelho de rádio.


— Mentirosa Um — chamou ela no microfone. — Está na escuta?


A voz característica de Hyunjin veio pelo pequeno alto-falante do rádio.—


— Isso de novo, não — reclamou ela. — Por que você tem que me chamar por essa merda de nome?


— Eu não faria isso... — disse a ela Vivi. — Se você simplesmente parasse de contar às pessoas que pilotava helicópteros Apache quando seu pai estava no exército.


— Ele era mecânico da aviação do exército — respondeu Hyunjin irritada. — E uma vez dei uma volta num Apache. Eu só falei isso.


Contudo, isso já era um feito e tanto, e era por isso que os outros da equipe da Son Motor tinham suas dúvidas sobre o fato.


Os Apaches eram os helicópteros de combate mais poderosos do mundo. Um Apache era como um tanque com um rotor girando no teto. Eles podiam carregar centenas de quilos de bombas, mísseis ou foguetes. Cada um também era equipado com um enorme canhão automático, uma arma que podia causar danos sérios em praticamente qualquer coisa. Um Apache podia sem dúvida acabar com seu dia se você estivesse do lado errado de suas armas.


Não era só o que eles carregavam, porém, que tornavam os Apaches tão temíveis. O helicóptero podia voar a mais de 150 km/h, podia fazer loops (coisa rara para um helicóptero), podia voar a grande altitude por horas e em geral podia fazer muitas das manobras características dos caças a jato. Só os melhores pilotos da aviação do exército eram qualificados para pilotá-los.


Enfim, ao mesmo tempo em que era uma pessoa legal, Hyunjin era conhecido por exagerar, e desde que tinha voltado de uma experiencia militar com seu pai, suas mentiras pareceram ficar ainda maiores. Por isso suas parceiras eram céticas em relação à sua afirmação de ter dado um passeio pilotando um Apache.


— Eu sei o que você falou — disse a ela agora Vivi. — É que eu simplesmente não acredito em você.


O desespero de Hyunjin veio transmitido em alto e bom som.


— Só porque meu pai era chefe de equipe de mecânicos de helicóptero não significa que eu não sei pilotar um helicóptero — disse ela.


— Está bem, Mentirosa Um — disse Vivi, com ênfase nas duas últimas palavras. — Como você quiser. Agora, por favor, qual é a situação?


Hyunjin era cheia de histórias duvidosas, mas pelo menos uma delas era verdade. Ela sabia pilotar um avião. Era onde ela estava agora. Na cabine de um Cessna Skyhawk, voando acima do percurso previsto.


Mesmo que o Cessna Skyhawk nada tivesse a ver com um Apache, era preciso alguma habilidade para pilotá-lo. Ele tinha um motor grande, podia voar a mais de 250 km/h e a mais de 5 km de altura. Enquanto o Cessna estava entre os aviões mais populares já construídos, só um piloto que sabia o que estava fazendo podia pilotá-lo com segurança à noite.


Hyunjin olhou para fora por cima dos controles do Cessna, estudando um pequeno monitor de vídeo que mostrava uma visão noturna do percurso da corrida abaixo. A disputa seria em ruas públicas, o que não significava apenas dirigir com rapidez em grandes retas. Quase metade do traçado levava os motoristas por alguns dos becos e das ruas laterais mais estreitos de Uijeongbu. Lugares com muitas esquinas bruscas e curvas fechadas. Como atravessar aquele caminho de ratos era parte da estratégia (e do perigo) geral do evento.


A tarefa de Hyunjin lá em cima era ficar de vigia contra carros da polícia ou carros civis, ou qualquer tipo de veículo que pudesse entrar no caminho da corrida. Isso era fundamental, pois a velocidade dos veículos envolvidos podia chegar a 230 km/h.


— Parece bom — finalmente Hyunjin fez o relatório. — Parece que a maior parte de Uijeongbu foi para a cama.


— Certo, Mentirosa Um — respondeu Vivi.


— Ei, você está com vontade de morrer, cria de Hong Kong? — Hyunjin berrou para ela — Meu nome no rádio é “Hyunjin”. Entendeu? Me chame de “Hyunjin” ou...


— Ou o quê? — perguntou Vivi rindo.


— Ou vou jogar essa merda de pássaro mecânico em cima da sua cabeça que nem um kamikaze — respondeu Hyunjin.


**


Faltavam minutos para o início da corrida.


No drive-in, Hyejoo tirou um pacote de dinheiro do bolso e o contou rapidamente.


Mil dólares. Era muita grana para ela. A hipoteca da oficina. Os salários da equipe. Encomendar suprimentos e peças de carros. Pagar a conta de luz. Os mil dólares poderiam ter um uso mais adequado.


Mas Hyejoo, de repente, se viu no modo sobrevivência. Poucos segundos antes da morte do pai, ela prometera a si mesma que faria o possível e o impossível para impedir que a Son Motors fechasse. Por isso, em tempos de desespero, eram necessárias medidas desesperadas. Ela sabia que era hora de usar suas habilidades de piloto para alguma coisa melhor do que curtir a excitação de correr a mais de 200 km/h. Ela sabia que era a hora de manter a palavra dada ao pai.


Contou o dinheiro mais uma vez e então se juntou aos outros corredores num círculo perto do posto dos organizadores da corrida.


Ia ser uma corrida pela caixa, uma box race como o evento era conhecido nos círculos underground. Era simples. Uma taxa de inscrição predeterminada era colocada em uma caixa por todos os participantes. Quem ganhasse a corrida levava todo o conteúdo da caixa.


Um dos organizadores do evento estava segurando a caixa.


— Todo mundo conhece as regras — disse para eles. — Não há handicap nesta corrida: ninguém sai com nenhuma distância de vantagem. Vocês vão largar parados. O primeiro para-choque a cruzar a linha de chegada é o vencedor.


Hyejoo pensou nisso por apenas mais um instante, então jogou seu dinheiro dentro da caixa. Os outros quatro corredores fizeram o mesmo.


Eles seriam adversários formidáveis. Park estava com seu GTO, e Yeojin ia pilotar seu Camaro 68 lindo com o motor de Corvette 7.5. Uma garota bonita chamada Jennie ia dirigir um Porsche cupê com um motor de 3,1 litros muito modificado com 300 cavalos de potência sob o capô, uma usina de força para um carro tão pequeno; e um cara chamado Eunwoo ia pilotar um BMW 3.0 E9 com motor de 3,2 litros modificado que fazia 310 cavalos, mais uma vez, muita potência para um modelo pequeno, um peso-pena. Hyejoo sabia que nenhum deles seria fácil.


Com o dinheiro no lugar, o organizador da corrida ofereceu a Hyejoo cinco cartas de baralho.


— Quer fazer as honras, Son? — perguntou a Hyejoo.


— Por que não? — respondeu, indiferente.


Os carros iam largar alinhados em duas filas. Eles iam tirar as posições nas cartas.


Hyejoo conferiu as cartas. Eram todas de paus. Do ás ao cinco. Ela as virou para baixo e as embaralhou rapidamente.


— Tudo certo? — o organizador perguntou aos outros. — Todos concordam que as cartas estão limpas?


Todos balançaram a cabeça concordando.


— Ok, Seongso — disse o organizador. — Você pega a primeira.


O Park escolheu uma carta. Ele a virou e revelou o dois de paus.


— Nada mau — disse com um sorriso.


Yeojin foi a segunda.


Ela cruzou os dedos das duas mãos, pareceu fazer uma breve oração e então pegou sua carta. Foi o ás.


— Yes! — gritou. — Os espíritos estão comigo!


Como Yeojin tinha tirado o ás, e Park o dois, eles formariam a primeira fila, primeira e segunda posição.


Jennie foi a seguinte. Ela tirou o três de paus.


— Podia ser pior — disse ela.


Agora só faltavam Eunwoo e Hyejoo, e Hyejoo não estava animada. Ela esperava largar nas primeiras posições, mas agora isso era impossível.


Eunwoo tirou o cinco de paus, e seus ombros se curvaram muito. Hyejoo não se sentiu muito melhor, pois isso a deixou com o quatro, em outras palavras, ela ia largar na segunda fila, ao lado de Jennie..


Era melhor que ser o último como Eunwoo, mas não muito.


— Ok, está feito — disse o organizador da corrida. — Sugiro que vocês peguem rapidamente seus carros pra gente começar logo com isso.


Hyejoo ligou para Vivi enquanto voltava para o carro.


— Quarto lugar — disse a Vivi quando ela atendeu. — Segunda fila, ao lado de Jennie.


Ela ouviu Vivi resmungar do outro lado.


— E Yeojin, onde está? — perguntou ela a Hyejoo.


— Aquela baixinha tirou o ás — falou com humor soturno.


— Bem, pelo menos ficou em família — respondeu Vivi.


— Eu sei — disse Hyejoo. — Mas não é a oficina dela que estamos tentando salvar.


— Está bem, você não precisa que eu diga isso a você — aconselhou-a Vivi. — Mas você vai ter de escolher os seus pontos. Não se apresse, e aí ataque firme quando vir a oportunidade. Durante o resto do tempo, só mantenha a calma.


— Copiado, câmbio e desligo — respondeu Hyejoo, rindo.


Hyejoo desligou e Vivi passou a informação da posição para Heejin.


— Não é um desastre — disse Heejin. — Ela já superou coisa pior.


Além de botar o Gran Torino de Hyejoo na melhor forma em que ele jamais esteve, a equipe da Son também havia instalado uma câmera de vídeo no parachoque dianteiro. Tudo o que a câmera visse ia ser transmitido para o notebook ligado de Heejin. Assim a equipe poderia acompanhar cada movimento que Hyejoo fizesse. Seria como estar no carro com ela.


Heejin apertou algumas teclas no notebook, e num instante elas estavam olhando para a imagem do vídeo transmitido ao vivo do local da largada da corrida lá no drive-in. Depois de alguns ruídos de estática, o sinal firmou e ficou extremamente claro. Ele mostrava o que tinha sobrado da multidão no estacionamento do drive-in (muitos deles agora estavam seguindo para a linha de chegada) assim como imagens fantasmagóricas de luzes próximas que brilhavam estranhamente na noite.


— Situação? — berrou Vivi no microfone.


— Ainda tudo limpo. — foi a resposta de Hyunjin. — Nada de polícia. Nenhum civil. Ninguém no caminho.


Isso era bom. Em corridas como aquela, era sempre melhor para todos os envolvidos que a pista estivesse “limpa”.


As equipes dos outros quatro carros estavam por perto. Vivi berrou para eles:


— Nossos olhos no céu dizem que está tudo limpo. Showtime.


Entretanto, de repente, Vivi sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem. Ela se virou e viu Kim Jungeun, logo quem, parada atrás dela. Era como se ela tivesse surgido do nada.


— Cai fora — Vivi disse.


— Pra que a pressa, Vivi? — respondeu Jungeun. — Somos todas irmãs, aqui, irmãs na velocidade, não é?


— Não conheço ninguém que queira ser sua irmã — cortou-a Vivi.


Jungeun apenas riu. Ela apontou para o notebook de Heejin e para a imagem ao vivo da câmera no para-choque de Hyejoo.


— Se importa de eu dar uma olhada?


— Não pode comprar um pra você? — perguntou Heejin sem paciência. — Por que está enchendo nosso saco?


Jungeun deu de ombros.


— Deixei meu notebook na outra Mercedes — disse ela. — Você sabe, a SL550?


Em qualquer outra hora, isso seria suficiente para Heejin ou Vivi derrubarem Jungeun ou pelo menos lhe dar um tapa no meio da cara. Entretanto, estavam rolando outras coisas ali. Aquele não era apenas mais um racha. Havia muita coisa em jogo. Se Hyejoo não ganhasse, a Son Motors, sua segunda casa por muitos anos, provavelmente deixaria de existir.


Além disso, a corrida já ia começar.


Então, aquela não era a hora de começar uma briga. Era a hora de olhar para o que realmente importava e deixar para lá as coisas de menos importância.


Mesmo a contragosto, deixaram que Jungeun assistisse à corrida com elas.


**


Na linha de partida, que ficava na rua bem em frente à entrada do drive-in, Yeojin tinha manobrado com habilidade seu Camaro e parado ao lado do GTO de Park, formando a primeira fila daquela corrida.


Jennie chegou com seu Porsche e o parou lado a lado com o Gran Torino de Hyejoo, completando a segunda fila. A BMW 3.0 de Eunwoo fechava o grid na terceira fila.


Após um sinal dos organizadores, os pilotos começaram a aumentar o giro de seus motores. O barulho logo ficou ensurdecedor, como o ronco de um trovão distante. O ar da noite se enchia com a fumaça de escapamento e a poeira que subia. Cada piloto fez um sinal de positivo com o polegar. Estavam todos prontos para largar.


Então os cinco pilotos concentraram sua atenção em algo à direita. Seus músculos ficaram tensos e rígidos. Estavam todos uma pilha de nervos. Por um bom motivo.


À distância, um trem de carga se aproximava. Seu ronco mecânico monótono aumentava rapidamente. O grito de seu apito atravessava a noite conforme se aproximava.


De repente, ele apareceu depois de fazer a curva. Seus faróis ultrafortes cortaram a escuridão.


No exato momento em que o facho de luz surgiu, a aceleração combinada dos cinco motores chegou ao auge.


Os pneus, então, começaram a girar, levantando mais fumaça no ar. O nível de decibéis chegou ao máximo. Um dos organizadores da corrida deixou cair um lenço, e todos os cinco carros repentinamente largaram como numa explosão.


Yeojin foi quem largou melhor, foi quase bem demais. Seu Camaro foi direto para a primeira curva à direita e chegou lá bem antes de todos os outros.


Contudo, ela dobrou essa primeira esquina com agressividade demais, escapando mais do que pretendia, e quase capotou em uma vala. Foi apenas um pequeno atraso, mas mesmo a perda de um instante podia custar muito nesse tipo de corrida. E para provar isso, o erro de Yeojin permitiu que Seongso pegasse o lado interno. O Park pisou fundo e logo estava a boa distância de Yeojin.


Enquanto isso, só dois segundos atrás, Jennie e Eunwoo viraram aquela primeira esquina fundamental com drifts violentos também, mas com um pouco mais de controle.


À frente, havia uma descida reta.


Depois dela, um entroncamento com a linha férrea.


**


Pouco mais de um quilômetro ao Norte da largada, o trem de carga CSX 12, que ia em direção depósito principal de Seoul, seguia bem no horário.


O trem era formado por 32 vagões de carga puxados por duas enormes locomotivas a diesel, cada uma ostentando 4.000 cavalos. Naquele momento, o Número 12 estava viajando a 90 km/h, sua velocidade média, e o horário de chegada ao depósito estava previsto para 0h35.


Assim que passou passou pela curva, ele reduziu a velocidade para 70 km/h, mas só temporariamente. Depois da curva, havia uma descida gradual que se estendia por vários quilômetros. Assim que o trem chegasse a esse trecho dos trilhos, sua velocidade subiria para 105 km/h, a mais alta em todo o trajeto de 130 km.


Como o mais importante nos trens era se manter no horário, esse aumento de velocidade estava previsto no trajeto que o Número 12 percorria três vezes por semana. Então, como todas as outras vezes que esse trem noturno atravessava Uijeongbu, ele deveria passar pelo entroncamento com a avenida e chegar lá exatamente à 0h05.


O entroncamento com a linha férrea ficava a menos de dois quilômetros do drive-in de Uijeongbu. O cruzamento tinha muitas luzes de sinalização e uma campainha de alarme que tocava muito alto sempre que um trem se aproximava. Ele também tinha ao lado uma cruz padrão branca com as extremidades vermelhas num poste alto e uma placa ao nível da rua que aconselhava todos a olhar para os dois lados.


No entanto, o cruzamento não era interrompido. Ele não tinha cancelas. Ficava num local tão isolado, numa rua tão pouco utilizada, que o departamento de transportes da província de Gyeonggi muito tempo atrás considerou desnecessária sua instalação.


À 0h04, o cruzamento ganhou vida. Suas luzes vermelhas começaram a piscar, e o sinal de alerta começou a soar loucamente. Contudo, nenhum dos cinco competidores, agora a menos de 500 metros, tirou o pé do acelerador quando esse movimento começou.


Muito pelo contrário. Todos estavam indo o mais depressa possível na direção do entroncamento com a ferrovia.


Como o Gran Torino de Hyejoo, a equipe do trem tinha uma câmera de vídeo presa à frente da locomotiva. Mas diferentemente da câmera do para-choque de Hyejoo, a do trem tinha equipamento de visão noturna de raios infravermelhos, o que permitia que a tripulação do trem visse qualquer fonte de calor estranha que pudesse surgir em seu caminho a mais de um quilômetro de distância.


E, nesse momento, a tripulação do trem via cinco bolhas de calor extremamente brilhantes descendo a rua em alta velocidade, seguindo direto para o cruzamento.


— Esses vagabundos! — disse o maquinista. — De novo, não!


De repente, a noite foi cortada por um som que abafou até o ronco dos motores dos cinco carros de corrida.


Era o CSX Número 12 acionando sua buzina de colisão. A tripulação do trem já havia visto esse tipo de coisa antes: jovens malucos em carros tunados vendo quem tinha mais coragem para atravessar a linha bem em frente de seu trem em velocidade. Eles sabiam como isso era loucamente perigoso. Por isso estavam tocando a buzina de emergência por tanto tempo e tão alto, mesmo que os carros estivessem a apenas segundos de chegar ao cruzamento.


Entretanto, a buzina não surtiu efeito. Nenhum dos pilotos mostrou nenhum sinal de reduzir. Se estavam fazendo algo era tentar ir mais rápido.


**


O Camaro de Yeojin foi o primeiro a passar zunindo pelo cruzamento da linha férrea.


Ele atingiu o leito elevado dos trilhos com tanta força e tão rápido que saiu do chão por alguns bons segundos. E aí aterrissou com a mesma violência com que subiu, batendo na pista asfaltada. Seus amortecedores ultrarresistentes, porém, seguraram a pancada como anunciavam, e ele saiu ileso. Yeojin reduziu uma marcha, para recuperar um pouco da velocidade perdida enquanto voava, ganhou potência e logo estava novamente a 180 km/h — e ainda tranquilamente no primeiro lugar.


Contudo, nesse tipo de corrida, estar tranquilamente na ponta era apenas uma questão de centímetros. O GTO de Park estava grudado ao para-choque traseiro de Yeojin, a menos de 5cm, quando Yeojin saiu voando sobre os trilhos e, ao seguir as manobras dela, Seongso também decolou.


Ele aterrissou, como Yeojin, com força e velocidade, batendo um pouco o chassi no chão, mas sem causar nada além de uma breve tempestade de fagulhas antes de recuperar o ritmo. Pisando no acelerador até o fundo, ele assegurou sua segunda posição tranquila num instante, colado na traseira de Yeojin.


Poucos segundos atrás deles vinham Jennie e Hyejoo. Estavam pescoço a pescoço ao se aproximar do cruzamento com a linha férrea, correndo lado a lado a uns 170 km/h. Hyejoo, porém, estava num ponto muito perigoso. Estava mais perto do trem que se aproximava, e se algo desse errado, ela seria atingida primeiro.


O farol extremamente forte da locomotiva a cegou quando encheu o interior do Gran Torino. Era como se o próprio sol estivesse entrando pela janela do carona. No entanto, agora não havia como recuar, e Hyejoo sabia disso. Era impossível parar a tempo. Ela não tinha como desviar para sair do caminho. Ela tinha de ser mais rápida que o trem ou seria esmagada por ele.


Ela passou roncando pelos trilhos elevados uma fração de segundo depois. Jennie cruzou a linha um instante apenas a sua frente. As duas saíram do chão. Apesar de ela estar um milésimo à frente, se o trem tivesse atingido Hyejoo, ela seria morta em um milésimo depois, também.


Entretanto, nada disso aconteceu. As duas passaram pelos trilhos, e a adrenalina que corria pelo corpo de Hyejoo era diferente de tudo o que havia sentido antes. Ela nunca havia estado tão perto de ser morta numa corrida ou em nenhum outro lugar. Ela tinha passado a poucos centímetros de ser desintegrada pelo trem, mas essa corrida dentro da corrida, carro contra locomotiva, ela venceu.


Ela e Jennie tocaram o solo ao mesmo tempo, criando uma tempestade dupla de fumaça e fagulhas. Naquele instante, Hyejoo, com o rosto iluminado pelas centelhas provocadas por elas, olhou para Jennie. Ficou surpresa ao vê-la olhando para si, com a mesma expressão de excitação e alívio no rosto que ela tinha certeza ter no seu.


As expressões gêmeas diziam tudo...


É por isso que corremos.


**


Eunwoo, porém, ainda estava no último lugar.


Condenado pela péssima posição de largada, soube assim que viu os primeiros quatro corredores passarem pelo cruzamento que não havia como fazer o mesmo a tempo.


Tudo acontece rapidamente quando se corre a 180 km/h, às vezes mais rápido do que o cérebro humano pode processar. Eunwoo estava apenas a uns 5 metros do cruzamento quando o CSX Número 12 começou a passar. Sua buzina de emergência ainda estava tocando, mesmo assim o garoto estava seguindo direto na direção dele, a segundos de uma colisão. Ele puxou o freio de emergência e travou os freios, mas não foi suficiente. Ainda estava rápido demais para evitar o desastre.


No instante seguinte, virou o volante violentamente para a direita, o que o lançou num meio cavalo de pau que, entre muita fumaça e poeira, o deixou em paralelo aos trilhos, com o lado do motorista virado para o trem, não onde ele queria estar. Desesperado, pisou no freio com os dois pés e o carro deslizou sem controle. Aí ele virou o volante violentamente de novo, dessa vez para a esquerda, o que o fez rodar descontroladamente na outra direção. Ele girou 180 graus e parou tão perto do cruzamento que seu retrovisor foi atingido pelo trem. O espelho estilhaçou a janela do motorista, cobrindo-o de pedaços de vidro.


Tudo aconteceu em apenas três segundos, e a primeira coisa que Eunwoo fez foi conferir a virilha. Não estava molhada, graças a Deus, nem mesmo úmida.


Estava fora da corrida, e tinha perdido 1.000 dólares, mas pelo menos estava vivo. E seco.


**


Agora havia apenas quatro, e eles estavam correndo praticamente dois a dois, para-choque contra para-choque, pelo resto da avenida.


Chegaram a uma esquina brusca. Yeojin e Seongso fizeram drifts lado a lado, mas o GTO de Park saiu um pouco de controle quando suas rodas passaram sobre terra.


Ele tentou corrigir o problema, mas foi obrigado a dar uma guinada para a direita. Havia carros estacionados no acostamento, e ele ficou a segundos de se chocar contra eles.


Hyejoo e Jennie viram o que estava acontecendo e tentaram tirar proveito da situação. Com Park encrencado, as duas aceleraram para fazer a curva ao mesmo tempo, quase botando os três carros lado a lado, mas Seongso era um piloto excelente. Ele se recuperou depressa e numa fração de segundo estava de volta à rua. Ele imediatamente ficou entre Jennie e Hyejoo, quase arrebentando a parte dianteira direita do carro de Hyejoo ao fazer isso.


Hyejoo sacudiu a cabeça, frustrada. Jennie tinha conseguido ultrapassar Park e ficar no segundo lugar, mas a manobra inteligente de Hyejoo, além de fechar a porta para Park, a empurrou de volta para o quarto lugar.


No entanto, Hyejoo tinha um plano.


Ela sabia que havia uma curva fechada à frente. Era uma entrada à direita que passava por um pequeno túnel de concreto, seguida por uma curva à esquerda. Hyejoo estrategicamente abriu e se colocou na parte externa, numa boa posição para fazer a primeira curva. E então esperou.


Ainda na primeira posição, Yeojin fez a curva com precisão. Jennie agora estava bem atrás dela. Contudo, quando ela entrou na curva à direita, a presença de Park, colado em sua traseira, a fez abrir demais. Ela perdeu o controle por um instante, e seu carro correu sobre detritos acumulados na entrada do túnel.


Isso fez com que Jennie reduzisse o suficiente para que Park recuperasse e segundo lugar. Enquanto isso, com seu plano atrapalhado, Hyejoo foi forçada a frear no túnel para evitar o lixo que caía.


Quando a fumaça baixou, ela ainda estava em quarto lugar e sem condições de recuperar terreno.


Os quatro carros entraram na Rota Baixa, uma autoestrada reta e estreita, e finalmente liberaram seus motores para chegarem a velocidades de verdade. Todos os quatro logo estavam rodando a mais de 230 km/h.


Eles passaram zunindo por um entroncamento desolado como se estivessem correndo à velocidade do som. Então chegaram a uma passagem de nível separados por apenas milésimos de segundo. Os carros passaram por ela a quase 240 km/h. Agora, diante deles, havia a pequena e tranquila cidadezinha de Uijeongbu.


E, então, começaram os problemas...


Naquele momento, lá em cima no avião, Hyunjin viu uma coisa.


Ela imediatamente pegou o microfone.


— Fiquem alertas... — disse ela.— Tem tráfego à frente. Repito... Tem tráfego à frente!


Os quatro corredores, ainda na estrada, estavam se aproximando de um trevo grande quando Hyejoo recebeu a mensagem de Hyunjin.


Todos ainda estavam correndo a cerca de 240 km/h quando viram os primeiros sinais de vida. Havia alguns carros civis circulando, projetando algumas luzes de trânsito na estrada.


Isso não preocupou Park, nem Yeojin. Eles passaram pelos carros como se estivessem parados, fazendo drifts alucinadamente e pegando quase em perpendicular o entroncamento seguinte.


Jennie não teve a mesma sorte. Ela teve de desviar para evitar um dos carros civis em seu caminho, perdeu o controle e seu carro saiu girando. Era a oportunidade pela qual Hyejoo estava esperando. Ela acelerou e passou pelo espaço mínimo entre Jennie e um veículo de passeio.


E assim conquistou a terceira posição, deixando Jennie para trás.


Heejin, à espera na linha de chegada, estava acompanhando a corrida no seu notebook. Vivi estava assistindo por cima de seu ombro. Jungeun também.


Elas tinham visto a imagem do para-choque de Hyejoo passar pelo o cruzamento mais que perigoso e depois acelerar loucamente para conquistar o terceiro lugar.


— Essa foi por pouco — disse Jungeun. — Ela teve sorte nessa.


— Isso não é sorte — retrucou Vivi. — Hyejoo, a nossa garota, é paciente. Ela espera os momentos certos.


Hyejoo estava sempre no controle total, e Heejin e Vivi sabiam disso.


Jungeun apenas riu.


— Claro, gente — disse ela achando graça.


Passava da meia-noite, e as ruas de Uijeongbu estavam desertas.


Mas não por muito tempo.


O barulho dos carros chegando em velocidade soava como a aproximação de uma formação de aviões a jato; o ruído trovejante logo começou a ecoar pelos prédios trancados do centro adormecido.


Com Jennie fora, sobravam apenas três corredores. Park agora estava em primeiro. Yeojin estava bem colada em sua traseira. Hyejoo vinha logo atrás. Era aí que a corrida mudava radicalmente. As retas tinham terminado. Agora o percurso chegava a uma rede de becos e ruas secundárias na parte velha da cidadezinha.


Os três entraram fazendo drifts e cantando pneu alto na primeira ruela, alcançando novas dimensões com essa cacofonia. O beco atrás da rua principal era estreito, e depois de entrar nele, não havia como ultrapassar. Nesse ponto, era mais como dirigir numa pista de obstáculos do que numa corrida, mas todos os três pilotos eram excelentes nisso.


Alguns segundos depois, todos os três saíram do beco, roncando pela Rua 19 e entrando na ruela seguinte. Fagulhas voavam por todos os lados; seus chassis estavam rasgando o velho pavimento de asfalto, mas nenhum dos três ousava reduzir.


Ao saírem do segundo beco, chegaram a uma curva fechada. Apesar de ela não ser muito mais larga que o beco, em segundos todos os três estavam descendo por ela a mais de 170 km/h.


Yeojin conseguiu retomar a liderança na saída. Park ficou para trás porque saiu demais de traseira na hora de fazer a curva, mas ainda estava bem perto em segundo, com Hyejoo colada atrás dele em terceira.


Estava tudo bem. A reputação de Hyejoo era de paciência e oportunismo. Seu talento era o de saber quando agir e sua maior qualidade era não se estressar se uma manobra não desse certo, porque logo à frente sempre haveria outras oportunidades. E naquele instante, voando por aquela rua, Hyejoo resolveu agir.


Ela acelerou fundo e, no instante seguinte, quase bateu em Yeojin ao tentar ultrapassar Seongso. Um momento depois disso, os três patinaram de lado para virar numa ruela.


Todos os três saíram de traseira violentamente, e a manobra evoluiu para uma curva de 180 graus enquanto passavam roncando por um grande estacionamento. Yeojin estava dirigindo de um jeito que parecia capaz de controlar as manobras de Park, reagindo a ele a cada movimento. Ao fazer isso, contudo, Yeojin também impedia que Hyejoo passasse pelos dois. Foi uma manobra bem-sucedida e muito corajosa da baixinha. Como resultado, saíram da ruela na mesma posição em que entraram.


Agora estavam de novo em uma rua um pouco mais larga chamada. Dali eles aceleraram na direção da estátua localizada no centro da praça da cidade. Os três contornaram a estátua num cavalo de pau de 180 graus, mas Park ganhou a faixa preferencial. Ele pisou fundo e, numa explosão de potência, pulou na frente de Yeojin.


O ruído, de novo, era maravilhoso ou assustador, dependendo de seu ponto de vista. E depois de contornar a estátua, eles seguiram para frente, visando o lugar com pistas duplas, que ficava logo em seguida.


Todos os três imediatamente pegaram a faixa da esquerda. Esse era outro ponto na corrida pelo qual Hyejoo estava esperando. Hora de tentar outro ataque. Ela puxou bruscamente o volante e pegou a faixa da direita. Seu principal objetivo era ultrapassar Yeojin.


E estava prestes a fazer isso quando, à frente, um caminhão de limpeza de ruas lentíssimo encheu seu campo de visão. Estava bloqueando completamente seu caminho. Só havia uma coisa a fazer. Ela aumentou o giro do motor quase ao máximo, engrenou uma marcha mais alta e foi com tudo, quase no limite. Nesse instante, ela reduziu a distância entre Yeojin e o caminhão de limpeza. Aí começou a contar:


— Três... dois... um...


No último instante, Hyejoo acelerou tudo, ultrapassou Yeojin e jogou o carro cantando pneus de volta para a faixa da esquerda, tudo num único movimento suave.


E, num átimo, ela estava na segunda posição.


Ela deu uma olhada no retrovisor. Yeojin agora estava colada em sua traseira, furiosa por Hyejoo tê-la enganado com tamanha habilidade, especialmente depois de Park ter feito o mesmo com ela momentos antes.


— Desculpe, minha pequena — gritou Hyejoo com um sorriso — O mundo é assim.


Passaram-se alguns segundos e, então, todos os três entraram cantando pneus em outro beco. Esse começava numa avenida. Eles estavam de volta no caminho de ratos em alta velocidade, mas Park acelerou um pouco demais e raspou a lateral num prédio de tijolos a poucos metros da entrada do beco. Isso fez com que ele reduzisse o suficiente para Hyejoo colar em sua traseira.


Hyejoo sentia como se estivesse correndo à velocidade da luz dentro do beco, que adiante ela sabia que ia começar a se alargar. Hora de agir de novo. Ela moveu o volante com força para a esquerda e pegou o lado externo da pista, esperando começar a curva de saída do beco antes e assim ganhar mais terreno sobre Park.


Segundos depois, os três carros saíram zunindo da ruela, e seus pneus cantaram ao virar à esquerda na Avenida, que era uma via de mão única. A manobra de Hyejoo tinha funcionado. Ela ganhara a faixa interna e agora estava em boa posição para tentar conquistar a ponta. Entretanto, saindo do nada ela viu um mendigo empurrando um carrinho de compras descer da calçada e entrar bem em seu caminho.


Hyejoo estava tão grudada ao lado de Park que não teve escolha além de passar por cima do carrinho de compras.


O carrinho explodiu em um milhão de pedaços no instante em que ela o acertou, espalhando pedaços por todo o seu carro. Ao ver os restos do metal voando pelo ar, Yeojin desviou no último momento possível e escapou por pouco da chuva de trapos e lixo.


Essa foi por muito pouco, pensou Hyejoo.


Ela gritou no Rádio.


— Hyunjin!


Hyunjin respondeu igualmente rápido.


— Vi que você ia conseguir resolver sozinha, amiga — disse ela. — Sem problemas!


Os três carros entraram ruidosamente à esquerda na rua Popular fazendo drifts e se depararam com um carro de passeio vindo direto na direção deles na mão contrária.


Hyejoo aproveitou a oportunidade para se aproximar um pouquinho mais da traseira de Park, deixando Yeojin para trás. Essa posição permitia que Hyejoo pegasse o vácuo de Park conforme se aproximavam juntos do carro que vinha em sua direção.


Hyejoo decidiu de novo que era hora de agir. Assim que passou do carro de passeio, ela jogou seu carro para o lado errado da rua. Agora tinha reduzido para terceira marcha; seu motor gritava. Engrenou a quarta. O motor gritou de novo, mas a mudança fez com que ela ganhasse velocidade e fosse lançada para a frente e passasse pelo para-choque traseiro esquerdo de Park. Hyejoo pisou no acelerador até o fundo e no mesmo instante estava lado a lado com o GTO.


De repente, estavam se aproximando da passagem elevada, a chegada iluminada por sinalizadores.


Era o final.


A linha de chegada passou num borrão.


Hyejoo jogou tudo o que podia. Assim que acabaram de passar sob a passagem elevada, ela olhou rapidamente para a esquerda e viu a frente do carro de Park menos de 20cm atrás dela.


Um segundo depois disso, tinha acabado.


Hyejoo havia vencido.


Mas não houve tempo para comemorações, pois Hyunjin de repente começou a gritar no rádio.


— Convenção de rosquinhas!


Seu aviso não precisava de tradução, mas Heejin traduziu mesmo assim.


— A polícia! — berrou ela.


Com essa palavra, os corredores, seus carros e suas equipes simplesmente desapareceram.


Quando um carro de polícia apareceu na linha de chegada alguns momentos depois com a sirene berrando, as únicas coisas que restavam eram alguns sinalizadores já queimados mas ainda fumegantes.


Notas Finais


espero que estejam gostando, comentários são bem vindos, até o próximo cap!!<33


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...