História The Seven Deadly Helpers - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Original, Pecados Capitais, Sobrenatural
Visualizações 5
Palavras 1.872
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, esse é um estilo diferente do que eu estou acostumada a escrever. Então eu espero que gostem e me digam o que posso melhorar, obrigada e boa leitura <3

Outros lugares onde podem me encontrar:

Twitter: baddest_seok
Curious Cat: baddest_seok
Tumblr: moon--stonee.tumblr.com
Inkspired: coffeeandblackcats

Capítulo 1 - Introduções pt.1


   Ok aqui está eu. Em uma cidade desconhecida, observando a casa nova que comprei alguns meses atrás. Ah, que falta de educação a minha, sou Luke Smith e tenho 27 anos. Você vê, algumas circunstâncias me levaram para muito longe de minha cidade natal, então comecemos minha história do início.

   Desde quando eu era criança, as pessoas diziam à minha família que eu não era normal. Que crianças deveriam brincar e sair para ver a luz do dia e não ficarem enfurnadas em seus quartos sem falar com outras crianças. Meus pais nunca levaram muito a sério, pois achavam que isso seria passageiro.

   Mas não passou.

   Pelo contrário, como eu descobriria mais tarde, tudo em minha vida só piorava. Crises de ansiedade ainda muito jovem, choros quase intermináveis quando eu tinha que falar com outras pessoas e por aí vai. Foi aí que meus pais tiveram a brilhante ideia de me apresentar quem seria meu melhor/pior amigo daí para frente.

   O divã do psicólogo.

   Um resumo: síndrome de Asperger.

   Vou inserir o que o meu eu de 10 anos de idade conseguiu entender da conversa entre a minha mãe e Jared, meu psicólogo. Aparentemente o mundo é diferente para mim do que para as outras pessoas, o que dificulta a minha comunicação em meio social. Até aí tudo bem, meus pais até que aceitaram na boa e comecei o tratamento.

   Tudo ia às mil maravilhas até o ensino médio. Ah, ensino médio, seu grande filho da puta. Aparentemente alguém deixou escapar que eu tenho a síndrome e então o resquício de salvação que eu tinha foi por água abaixo. Eu sofri bullying até de pessoas que eu nunca tinha visto; perseguiram-me em redes sociais, na escola, na biblioteca da cidade e até na porta da minha casa.

   Obviamente eu já não era muito feliz antes disso, porque ser tratado com desdém ou pena por conta da situação que eu me encontro não é muito agradável. O meu ponto aqui é que não demorou muito para que toda essa merda desse espaço para a depressão.

   As poucas vezes que eu saía do quarto foram ficando raras e deixaram de existir; no meu segundo ano do ensino médio eu cheguei a faltar um mês inteiro de aulas por medo de apanhar e por conta dos xingamentos. Meus pais morriam de preocupação todos os dias, mas eles estavam tão perdidos quanto eu. Até que chegou um dia que tudo deixou de fazer sentido para mim e o bullying já não me afetava mais. Eu só fiquei absorto no meio de toda a depressão esperando que algo acontecesse, de repente um caminhão bateria em mim no caminho para a casa.

   E toda a minha vida foi se passando no piloto automático até a faculdade. Eu não tinha a menor ideia de qual curso fazer para me tornar um autor de quadrinhos, mas eventualmente eu cheguei lá. Não preciso dizer que foi outra desgraça. Atolado de trabalhos, provas e pessoas falsas mantive-me no mesmo padrão do ensino médio.

   E aí algo pior me assolou quando terminei o segundo inferno: o mercado de trabalho. Uma vez encontrei um cara com quem fiz amizade e este me garantiu que conhecia um editor que olharia minha primeira história em quadrinhos. No fim esse editor era ele. E o filho da puta roubou a minha história e publicou como dele. Ainda bem que não fez sucesso.

   Então, cansado de tantos desastres que me assolaram na maldita Liverpool, eu decidi que iria para longe. E aqui estamos novamente, no começo dessa história e em uma cidade do País de Gales chamada Cardiff. Eu não sei por que escolhi exatamente este lugar, mas me parecia uma boa ficar isolado e trabalhando à distância com uma editora que quis comprar e publicar meus trabalhos.

   Com um suspiro pesado, destranquei a porta de madeira maciça e acendi a luz do hall de entrada. Madeira, madeira, madeira. Piso de madeira, escada de madeira, rodapé de madeira. Tudo bem que assim é mais quente no inverno, mas vamos com calma. Adentrei mais um pouco com minha bagagem e acabei topando com a sala de estar que é um tanto aconchegante; vejo que os móveis originais se encontravam ali e em ótimo estado. Estranho para uma casa tão velha ainda possuir móveis tão velhos quanto.

   Desisti da ideia e apenas subi para vasculhar os quartos. Dois no total, o principal e um cômodo menor. Observei o principal, uma cama grande, um armário espaçoso e uma cômoda. É, dá para o gasto. Posicionei minhas malas sobre a cama de madeira escura e as encarei, pensando por onde começar a guardar minhas roupas.

— Que preguiça do caralho de arrumar isso.

— Concordo, por que não tirar uma soneca?

   Um arrepio percorreu minha espinha, fazendo com que eu me virasse na velocidade da luz.

— Tem alguém aí?

   Silêncio.

   Era só o que me faltava. Além de ser um bosta agora eu sou um bosta maluco. Com receio, resolvi ignorar a voz que com certeza foi coisa da minha cabeça ferrada.

— O que faço agora? – Olho no pequeno relógio de pulso. – Bom, não está tão tarde e eu preciso comprar comida, ir ao supermercado parece uma boa.

   Sorri com minha própria ideia. Eu sou um gênio. Abri uma das bolsas que carregava comigo e puxei um casaco mais grosso, pegando também a carteira da mochila. Todo serelepe desci as escadas rumo à porta. Parando no lugar quando minha mão alcançou a maçaneta.

   E se perceberem que eu tenho a síndrome? E se me julgarem como faziam em Liverpool? Será que eu posso mesmo sair de casa?

— Talvez não tenha sido uma boa ideia sair da casa de meus pais, afinal.

   Recuei da porta, mas senti algo em meus ombros. Algo como mãos me empurrando de volta para o lugar do qual eu havia saído. Que porra foi essa? Olhei ao redor com os olhos arregalados. Encarei a maçaneta novamente, colocando minha mão sobre ela e respirando fundo.

   “Entenda, Luke, a depressão é difícil. Não há nada de poético sobre ficar trancado em um quarto escuro por dias, não é bonito ter fobia de falar com outras pessoas ou sair de casa. Sei como, em alguns dias, tudo o que você quer é sumir, em outros que tudo isso passe logo; sei como alguns dias parecem pior do que outros. Mas por mais difícil que seja agora, você precisa tentar.

   É, Jared é um verdadeiro poeta, eu sei. Isso foi o que ele me disse um ano antes da minha decisão de vir para cá. Reconheço que ele tem razão, então vou tentar.

   Girei a maçaneta lentamente e puxei a porta pesada, encarei a semi-escuridão da rua do lado de fora e, depois de 10 minutos de um monólogo torturante, pisei na calçada.

   Só uma coisa passa pela minha cabeça nesse momento, e é:

   Que frio do cacete.

   Tremendo, caminhei até o carro na entrada da garagem. Completamente desesperado pelo frio, mal consegui colocar a chave na ignição e dar partida no carro. Foi uma verdadeira vitória quando consegui.

   Os caminhos de ida e volta ao mercado até que foram tranqüilos. Claro, tirando a minha vontade de gritar e sair correndo para vomitar em um canto algumas vezes. Mas o que interessa é que eu consegui! Vim até mesmo batucando os dedos no volante.

   Ao entrar na casa com as sacolas depois de algumas batidinhas de dedo no carro, olhei pelo hall de novo. Finalmente em casa! Isso é a felicidade? Fui até a cozinha depois dessa e coloquei tudo no lugar, separando alguns ingredientes para uma macarronada no jantar. Animado como nunca, coloquei a água na panela e esta última no fogão, pronto para começar o meu primeiro jantar na casa nova. Mas me dei conta de uma coisa.

   Eu não sei cozinhar.

   Com as mãos no cabelo, comecei a me desesperar novamente. O que fazer? Será que atear fogo na casa e observá-la queimar até as cinzas enquanto fico sentado em uma cadeira de praia é uma boa ideia? Então, uma luz se acendeu em minha cabeça. É para situações assim que existe a internet.

   Mais do que depressa, corri para pegar o celular e voltei à cozinha em tempo recorde. E depois de muitas voltas no vídeo, e de quase queimar tudo umas três vezes, finalmente tive a minha tão cobiçada macarronada. Não ficaram lá aquelas coisas, obviamente, mas comi como nunca. Ainda sobrou um pouco para o almoço do dia seguinte.

   Lavei as louças e encaminhei-me para o banheiro. Não sem antes pegar roupas limpas e uma toalha, certamente. De banho tomado, devidamente cheiroso e dentes escovados, fui ao meu lugar preferido no mundo inteiro: a cama.

   Joguei-me nela depois de retirar as malas e me cobri até o pescoço. Eu pareço uma bolota de tantos cobertores, mas estou ótimo. Fechei os olhos ainda sorrindo... Para abri-los alguns minutos depois. O cansaço de minha viagem esvaiu-se em pura inquietação. Como se eu tivesse bebido barris e barris de café puro e sem açúcar. Comecei a virar de um lado para o outro na cama infinitas vezes até olhar no relógio do pequeno criado-mudo.

   00:16 am.

   Não acredito que já se passou tanto tempo. Mas depois de tanto encara os números mudando no relógio digital, minhas pálpebras começaram a ficarem pesadas. Quando estava quase pegando no sono, eu ouvi.

   Louças se batendo umas contra as outras, como se alguém mexesse nos pratos. Talheres se mexendo. Passos fracos. Alguém está na cozinha.

   Devo investigar? Talvez sim, vai que é um serial killer há essa hora. Antes mesmo de pensar com clareza, me vi na porta da cozinha tentando enxergar o intruso e, depois de muito tempo o vi. Na geladeira procurando por alguma coisa. Observei o terreno. Merda, nada por perto para usar como arma. Só me resta uma coisa a fazer.

— Parado aí, seu merda.

   Quê?

   O homem então se ergueu da posição que estava. Estatura média, um pouco acima do peso, cabelos castanhos pelo que deu para ver, a pele... Acinzentada? Olhei para o intruso que se virou lentamente. A expressão dele era estranha no escuro, então me movi rápido para acender a luz. Nada além de choque passou pelo meu rosto.

   Ele tinha padrões de desenhos estranhos pelo rosto, à pele realmente cinza e os olhos alaranjados. Vestido em uma camisa social branca, um casaco marrom e calças jeans, ele apenas me encarou.

   Nada além de um grito agudo escapou por minha garganta, infestando o cômodo.

— Ei, sem gritaria, já viu que horas são? E a propósito, parabéns pelo macarrão. Para uma primeira tentativa ficou ótimo.

   Quê?

   Como ele sabe do macarrão?

— Ah, digamos que eu já estivesse aqui antes de você, por isso sei das coisas.

   Ele lê mentes?

   A cada constatação eu só ficava mais encolhido em um canto.

— Bem, você está bem mal mesmo hein garoto? Olha só para você, poderia engordar um pouco mais.

— E você é quem? Um nutricionista incluso na casa? Um inquilino bêbado?

   O homem de voz ríspida soltou um suspiro e coçou a nuca.

— Sinto muito por não ter me apresentado. Moro aqui com meus seis irmãos desde quando essa casa foi construída em 1646. O meu nome é Gula.

   Hã?



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