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História The Society - Capítulo 6


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Capítulo 6 - The first prison


Fanfic / Fanfiction The Society - Capítulo 6 - The first prison

-Oi Mads! –Campbell falou e então deu uma olhada em volta. -Uau, você arrumou praticamente tudo aqui pelo visto... Que bom que está cumprindo as listas de trabalho, algumas pessoas se esqueceram e as coisas estão ficando meio bagunçadas por aqui.

-É. –eu falei sem dar muita conversa e soltei as coisas. -Posso te ajudar em alguma coisa? O que você quer? –perguntei.

-Na verdade eu estava passando por perto e resolvi vir vê-la. Eu estava com saudades, você andou meio sumida depois do baile. –ele falou e eu franzi o cenho antes de rir com deboche e dar de ombros me perguntando se ele havia se esquecido por um momento do que aconteceu. Houve uma morte depois do baile. -Acabei de ir à casa da Allie entregar a minha arma.

-Que bom... –respondi simplesmente. -E olha, eu estou ocupada, sem tempo para os seus joguinhos, então se não precisa de nada, pode ir embora agora. –ele riu e enfiou as mãos nos bolsos do jeans preto que ele usava.

-Sabe... A Elle está morando comigo agora. –ele falou e eu assenti por já saber sobre isso. -Ela é um amor sabia? Gosta das brincadeiras que eu e você fazíamos antes e realmente, sem roupa alguma, é muito melhor. –eu soltei um suspiro e franzi o cenho em sua direção.

-O que quer com ela, Campbell? –eu perguntei.

-Eu acho que eu a amo. –ele respondeu andando pela clinica e olhando tudo enquanto eu continuava com o cenho franzido pensando no que ele acabou de falar.

-Ama? Você não ama ninguém. –eu disse obviamente.

-Eu amei você. –Campbell disse se virando na minha direção e me olhando. -Mais do que a minha própria vida, Mads e você partiu o meu coração me trocando por um jogador otário de futebol. –ele continuou e eu assenti confirmando. -Sabe... Quando as coisas piorarem, o Grizz não vai conseguir manter você segura... Nem o seu irmão. Eu sou o único que pode fazer isso e no fundo você sabe que eu não teria medo, nem seria covarde ao se tratar de proteger você.

-Eu sei me defender muito bem e você sabe... –falei e ele riu assentindo. -Aliás, eu tive que aprender por sua causa. –ele me olhou sorrindo de lado e assentiu mais uma vez.

-É, vamos ver no futuro. –ele respondeu olhando os bichos de pelúcia da ala pediátrica e soltou um suspiro.

-Campbell, você matou a Cassandra? –eu perguntei logo de uma vez para tirar isso da minha cabeça e cruzei os meus braços esperando a resposta quando ele olhou na minha direção. -Ou teve algo haver com isso?

-Acha que eu a matei? –ele me perguntou franzindo o cenho. -Vai se fuder, Madeline.

-Essa não é a resposta. –eu falei negando com a cabeça e ele riu fraco.

-Mads, acha que eu seria capaz de fazer algo assim? –Campbell perguntou se aproximando e eu me mantive no mesmo lugar. -Você me conhece melhor do que todos aqui.

-Sim, e é por isso que eu estou perguntando a você. –falei e ele riu com deboche.

-Não está falando sério, está? –ele me perguntou e eu neguei mais uma vez.

-Não é a resposta também. –eu disse sussurrando.

-Você sabe que não fui eu. –ele falou. -Eu estava com a Elle à noite toda, ela pode confirmar. Além do mais, eu teria sido bem mais criativo. –ele continuou e eu o olhei assustada quando o mesmo mencionou algo assim. -Jesus, sua cara! Eu estou brincando, Madeline. –ele veio na minha direção e a porta foi aberta por Luke e Grizz o que acabou fazendo Campbell parar no meio do caminho. Nós dois os encaramos e eles se entreolharam antes de voltarem a olhar para nós dois.

-Algum problema por aqui? –Grizz perguntou ao ver minha cara.

-Na verdade não... Eu e a Maddie aqui só estávamos esclarecendo algumas coisas. –Campbell disse e eu o olhei com uma cara de tédio. -Minha visita foi um agrado... A gente se vê por aí pessoal. –ele saiu andando passando pela porta e eu revirei meus olhos agradecendo por ele já ter ido.

-Céus... –eu sussurrei fechando meus olhos brevemente.

-O que ele queria com você? –meu irmão perguntou se aproximando.

-Encher o saco como ele sempre faz. –eu respondi. -Olha, eu espero que não estejam sentindo nada... Eu ainda não li todas as bulas dos remédios e etc. –foi a primeira coisa que eu disse após respirar fundo e olhei a mochila que eles carregavam. -O que é isso?

-Hmmm... Passamos nas casas para recolhermos as armas como a Allie pediu. –Luke disse e eu assenti voltando a fazer o que eu fazia antes deles chegarem. -Eu... Não consegui abrir o cofre do papai em que ele guarda as armas e não achei a que você pegou durante a briga.

-É eu... A guardei no cofre e troquei a senha para vocês não terem que pegá-las também. Helena concordou. –eu falei e os dois se entreolharam estranhamente.

-Mads, precisamos recolhê-las. –Grizz disse. -Não é permitido ninguém ficar com armas. Precisamos delas.

-Porque a Allie pediu? –eu perguntei de volta de arqueei uma sobrancelha. -Não, não precisam. Qual a garantia que vocês têm que não há mais armas nas casas das pessoas que vocês já recolheram? Isso é burrice e perda de tempo. –eu continuei.

-Madeline! –Luke falou em um tom mais sério e eu o olhei com um pouco de tédio.

-Não vai me fazer mudar idéia, Luke... –respondi obviamente. -Olha, eu entendo que a Allie esteja com medo do que aconteceu e nós também, mas ela terá vocês o tempo todo do lado dela para proteger ela de algo que rolou e nem sequer sabemos o motivo. O que acontece é que isso pode acontecer com qualquer um aqui porque ninguém segue as regras. E se quando estiverem com ela, alguém entra na nossa casa? Ou ataque a Helena na volta da igreja ou me ataque?... Eu não vou ficar sentada esperando a morte vir então é não. Não vou te dar a senha do cofre e ponto final. –os dois soltaram um suspiro e meu irmão saiu andando emburrado como sempre que ouvia um “não”. Grizz o acompanhou com o olhar e então voltou a me olhar. -Ele vai superar. –falei por conhecer meu irmão melhor do que ninguém.

-Ele e Helena já brigaram hoje por isso. –Grizz falou enfiando as mãos no bolso do moletom vinho e eu dei de ombros sem saber o que dizer em relação a isso.

-Não podem ter o controle de tudo. –eu disse. -A pessoa ainda não foi pega. Ninguém aqui está seguro ainda e só porque vocês foram eleitos Guardas não quer dizer que são mesmo. O que farão se alguém atacá-los? É estupidez. –ele assentiu e soltou suspiro cansado.

-Vamos... Eu vou acompanhar você até em casa e então você vai me contar direito o que o Campbell queria. –ele disse e eu assenti com a cabeça pegando minhas coisas e indo até o mesmo.

**

Quando fui até a casa de Allie durante a noite, eu estava sentada de frente para ela na mesa com uma arma entre nós duas. Will estava na porta e eu soltei um suspiro olhando a garota loira que se perguntava o que eu queria.

-O meu namorado e o meu irmão estão recolhendo armas para você. –eu disse de inicio. -Brigamos por causa disso. E o Luke não sabe mais a senha do cofre em que meu pai guardava as dele, porque eu a troquei. Então mesmo que pegue essa daqui, têm outras na minha casa. –continuei.

-Aonde quer chegar, Madeline? –Allie me perguntou.

-Qualquer um que quiser esconder armas de você, irá esconder. –eu falei. -É moleza. Você só vai pegar as armas das pessoas que querem que você as ache.

-Sabe... De todas as pessoas... Eu diria que parece meio inconsistente. –ela disse. -Com a campanha que você fez no começo desse ano sobre o porte de armas e sobre a violência causada por elas. Você até ajudou a Helena a organizar uma oração na capela da escola para guiar essas pessoas. –eu assenti com a cabeça e dei de ombros.

-Rezar ajuda com algumas coisas... As outras, você mesmo as resolve. –eu falei.

-O que vai fazer com isso? –ela perguntou apontando para a arma. -Vai caçar o bandido? Vai trocar tiros no meio da rua? –eu ri com deboche e neguei. -Então o que?! Armas não trazem segurança. Trazem a morte.

-Você pediu ao meu irmão e ao meu namorado para ficarem 24 horas ao seu lado para se certificarem de que ficará segura. –eu disse. -Promete deixar eu e a Helena seguras também? –ela me olhou por alguns segundos e negou com a cabeça.

-Sabe que não posso fazer isso. –ela respondeu.

-Então não. –eu disse puxando a arma na minha direção. -Eu não vou entregá-las. E o que você planeja fazer com elas? Com as armas que recolheu? –perguntei franzindo o cenho. -Não é por não confiar em você, mas porque tem que ser a única da cidade a ter um arsenal?

-Eu vou destruí-las. –Allie respondeu e eu assenti.

-Bem, não as minhas. –eu disse e me levantei pegando a arma. -Isso é burrice ok? –eu dei as costas a ela e eu passei por Will que estava na porta.

Eu soltei um suspiro e então saí da casa caminhando em direção a igreja onde aconteceria a noite do cinema que foi organizada por Elle e Kelly. Eu vi a fila para entrar com Grizz revistando as bolsas de todo mundo enquanto meu irmão checava as pessoas e comecei a ir até ele calmamente. -Uau... Segurança máxima pelo visto. –eu disse ficando ao lado dele e o mesmo sorriu de lado antes de continuar revistando. Eu esperei as pessoas entrarem e então caminhamos juntos para dentro da igreja. Eu segurei a sua mão indo até o banco em que Elle estava e quando me sentei, sorri para a mesma. -Oi. –eu disse e ela sorriu quando o filme começou. -Tem bastante gente. –sussurrei e ela assentiu.

-Sim, eu achei que não viriam por medo do que aconteceu. –ela respondeu. -Mas, vieram.

-É. Tem mais gente hoje do que nas pregações da Helena. –eu falei e nós duas rimos baixo. -Isso é ótimo. As pessoas precisam disso para se distrair. –continuei e olhei em volta. -Cadê o Campbell? –perguntei ao notar que ele não estava por aqui.

-O Campbell? Ah, ele não quis vir hoje. –ela respondeu e eu assenti sabendo que isso não era mesmo o tipo de coisa que ele fazia. Ele odeia multidões.

-Ah. Bom, é legal sair sozinha de vez em quando. –eu falei e a mesma assentiu concordando. -Vocês estão bem? –perguntei e ela me olhou abrindo um sorrisinho de lado.

-Sim, estamos... Ele é um doce. –ela respondeu e eu franzi o cenho assentindo relutantemente. Nós voltamos a olhar para o telão e Grizz se escorou em mim abrindo um saco de pipoca de microondas.

O filme encerrou duas horas depois e eu fui para a casa de Allie acompanhando Sam e Becca enquanto a guarda acompanhava a loira que estava com Gordie e Will. Eu me sentei no colo de Grizz na poltrona da sala de estar e olhei para o grupo que por algum motivo começou a falar de Campbell e seu comportamento nos últimos dias. Como muitos haviam reparado, ele estava quieto e bonzinho demais.

-Tem uma razão para a qual nunca tivemos um cachorro. –Sam falou através de gestos enquanto Becca ia traduzindo para os outros que aqui estavam. -Tivemos um passarinho quando eu era pequeno. Era amarelo e verde. O Oliver. Um dia, ele sumiu da gaiola, e fui lá fora ver se ele tinha fugido porque a janela estava aberta. Eu vi Campbell brincando com ele. –ele continuou e um flashback de eu sendo afogada em uma banheira voltou a minha cabeça o que fez meus olhos se encherem de lágrimas ao pensar nas coisas que ele já fez comigo. -Ele cortou as asas dele. Completamente. E ficou olhando enquanto ele tentava fugir. Tentando voar com os cotos sangrando... Ele ficava se desequilibrando e caindo... Meus pais tentavam esconder a verdade das pessoas. Fingiam que ele era apenas uma criança difícil. Uma versão normal de criança problemática. Anti-social e mal-humorado... Mas Campbell não é uma versão normal de nada. Ele passou por testes. Ele é um psicopata. –o meu coração começou a acelerar e o meu corpo se arrepiou por eu me lembrar de cada cena do meu namoro com ele, algo que parecia uma prisão que nunca iria ter fim. Sam me olhou e então respirou fundo. -Você sabe disso, não sabe? –ele perguntou e todos me olharam. As lágrimas escorreram pelo meu rosto e então eu assenti relutantemente antes de enxugar o meu rosto em um gesto rápido.

-Mas... Vocês namoraram, não namoraram? –Will perguntou tentando entender e eu assenti mais uma vez.

-É, mas eu não tive a chance de saber disso igual a vocês. Quando Sam falou que os pais deles escondiam a verdade, eles esconderam de mim e até da minha família. Meus pais e Luke surtariam se soubessem de algo assim e o Sam não mentiu... Campbell não é uma pessoa normal, nem de longe. –eu respondi e olhei para Grizz. -Desculpa por não contar antes, é que...

-Contar o que? –ele me perguntou com uma cara estranha e eu funguei antes de me lembrar mais uma vez das cenas.

-Quando eu e Campbell namoramos... Eu percebi que ele tinha comportamentos estranhos e tudo mais, às vezes estávamos na casa dele e ele surtava do nada e destruía as coisas igual a maquete que eu havia feito do Nixon em que eu cheguei na escola mentindo que havia a deixado cair pela escada... Um dia eu chorei na escola por não agüentar mais a mudança repentina de humor que ele tinha. –eu contei e mais lágrimas escorreram pelo meu rosto. -Grizz percebeu e veio falar comigo no intervalo. Ele me deu um bilhete com uma frase de Esquilo. Campbell acabou vendo e quando fomos para casa dele, eu coloquei na minha cabeça que eu iria terminar com ele por saber que nada daquilo estava me fazendo bem. Campbell achou que era por causa do Grizz e iniciou uma discussão enquanto a banheira do quarto dele enchia para ele tomar banho. Eu peguei minhas coisas para ir para casa e então ele me segurou pelo braço, me levou até o banheiro, e me afogou repetidas vezes até que eu me desculpasse. –o grupo me olhou assustado e eu engoli em seco olhando a expressão que estava no rosto de Grizz ao me olhar. Era algo misturado com pânico, medo e ódio ao mesmo tempo, de uma maneira que eu nunca havia visto. -Eu só não morri porque Sam percebeu o que acontecia e me salvou. Eu pedi para ele não contar para ninguém sobre isso e eu também não contei porque os pais dele me pediram quando souberam o que aconteceu. Eles achavam que ele seria preso ou algo do tipo... Então, eu mantive isso comigo até hoje.

-Porra. –Grizz falou se levantando após me colocar de lado e andou de um lado para o outro enquanto eu respirava fundo tentando me acalmar. -Porque não me contou?! Eu poderia...

-Eu estava com medo, tudo bem?!Eu achava que ele iria me matar se eu espalhasse isso. –eu respondi com uma voz de choro. -E foi há muito tempo... Nem se passava pela minha cabeça que iríamos namorar ou algo do tipo. –ele soltou uma respiração pesada e passou a mão nos cabelos.

-E agora esse cara fica andando por aí como se nada tivesse acontecido? –Grizz me perguntou. -Freqüentando o mesmo lugar que a gente e indo te ver na clínica como uma visita? –eu abri a boca para falar algo, mas nada saiu porque não tinha o que ser dito ou justificado. -Ele precisa ficar longe de você. Longe da Elle e de todos aqui.

-Não podemos fazer nada contra ele... Isso aconteceu antes e anos atrás. –Allie disse e eu a olhei indignada por ver que nenhuma ajuda viria dela. -Não podemos condenar alguém por algo que ela fez no passado.

-Não está falando sério, está? –Grizz perguntou se virando para ela.

-Pessoal, o que temos que saber é que ele não pensa como nós, não sente como nós. –Sam disse entrando no meio. -Ele não sente culpa ou empatia.  Ele consegue imitar essas coisas, mas não sente de verdade.

-Quer dizer que ele matou a Cassandra? –Will perguntou e eu o olhei.

-Eu não sei. Eu só sei que ele é um monstro e que estamos presos nesse lugar com ele. –Sam respondeu e eu soltei uma respiração pesada que eu nem sabia que eu a segurava. Grizz se sentou ao meu lado novamente e eu cobri meu rosto com minhas mãos tremulas enquanto eu sentia minha respiração ofegante como se fosse um ataque de pânico. As cenas continuavam voltando na minha cabeça sem parar e ao pensar que o mesmo poderia estar acontecendo com Elle eu comecei a balançar minhas pernas freneticamente me perguntando o que eu seria capaz de fazer com Campbell caso eu precisasse pará-lo. Eu mordi minhas bochechas com um pouco de força e fechei meus olhos fortemente sentindo Grizz me abraçando e dando um beijo na minha cabeça.

-O Luke sabe? –ele perguntou e eu neguei limpando outra lagrima que escorreu.

-Não, e também não pode saber... –eu respondi e o olhei. -Meu irmão iria querer matá-lo e ele pode acabar se machucando... Se o Campbell matou Cassandra, ele pode muito bem fazer com outra pessoa. –eu falei e vi quando Allie nos olhou. -Vamos torcer para que a Elle não acabe morta por causa disso também. –falei como uma indireta e saí andando para ir para casa. -Boa noite pessoal, mas eu preciso ir.

**

Eu entrei correndo na casa de Allie na manhã seguinte e enxuguei o meu rosto molhado por causa da chuva que caia. Eu sorri assim que vi Grizz sentado no balcão da cozinha com Becca e me aproximei deles o abraçando por trás.

-Oi... Está super frio lá fora e chovendo como se não fosse parar. Eu só queria ficar na minha cama hoje. –eu falei e nós dois nos beijamos depois que ele riu e me abraçou. -Oi Becca.

-Oi Maddie... Como estão às coisas na clinica? –ela me perguntou tomando o seu café da manhã e eu sorri dando de ombros.

-Caminhando, porém uma bagunça ainda. –eu respondi e Will, Luke, e Allie chegaram à cozinha conversando. Nós nos cumprimentamos e olhamos quando Gordie desceu as escadas em passos rápidos e veio até nós.

-Gente... –ele começou aparentando estar um pouco ansioso e assustado ao mesmo tempo. -Harry veio até mim para conversarmos, ele disse que quem matou a Cassandra foi o Dewey. –eu franzi o cenho com essa conversa e nós nos entreolhamos confusos por esse assunto repentino ainda mais vindo do Harry.

-Ele falou o que?! –Will perguntou sem entender ao se apoiar no balcão.

-Ele disse que temos que procurar por uma arma na casa do Dewey. –Gordie confirmou.

-Dewey, quer dizer o Greg? –eu perguntei e olhei para o meu irmão colocando um pó rosa claro em um copo de liquidificador. -Ei, você vai mesmo fazer um shake de proteína agora, Luke?

-Não. –ele respondeu soltando as coisas e eu o encarei obviamente para que ele parasse e prestasse atenção no assunto que estávamos falando.

-Porque o Harry não veio contar para a gente? –Allie perguntou franzindo o cenho e olhando para Gordie que se apoiou no balcão.

-O Harry é um covarde. –Will respondeu revirando seus olhos.

-Porque a Cassandra? Greg nem a conhecia. Porque ele faria isso? –Allie perguntou pensativa e eu olhei para Grizz quando ele abriu a boca para responder.

-Harry pode ter incitado ou o fez confessar para não suspeitarem dele. –ele disse.

-Tipo um controle mental. –meu irmão falou e Grizz concordou mostrando que podia ser mesmo isso.

-Gordie você acredita no Harry? –eu perguntei ao garoto.

-Pode parecer estranho, mas sim Mads. Ele parecia bem transtornado quando me procurou. –ele respondeu e eu assenti dando de ombros.

-Não importa. Temos que prender o Dewey. –Will falou e nós o encaramos nos perguntando se ele estava mesmo falando sério.

-Prender? –eu perguntei franzindo o cenho.

-Como assim prendê-lo? –Allie perguntou. -Está falando do tipo... Capturá-lo na rua?

-Sim. Se ele confessou... –Will começou.

-E se o Harry mentiu? –Becca perguntou sugerindo essa opção.

-Não podemos arriscar. Dewey pode machucar alguém. –Will continuou. -Temos que prendê-lo e procurar a arma na casa dele para o Gordie comparar com as balas que ele tirou da Cassandra. –Allie assentiu e olhou para Luke.

-Acha que pode cuidar disso? –Allie perguntou ao meu irmão que deu de ombros.

-Posso, se levantamos bem cedo de manhã. –ele respondeu.

-Batida de madrugada. –Grizz disse.

-É, antes de amanhecer, pegar de surpresa. –Luke continuou e eu pensei no assunto me perguntando se isso iria dar certo.

-É. Eu tenho algemas. –Grizz falou de imediato e todos nós o olhamos.

-Algemas de verdade? –meu irmão perguntou com uma cara estranha. -Ou algemas que vem na fantasia de dia das bruxas?

-Não, algemas de verdade. –ele respondeu e eu fiz uma cara de riso quando Grizz me olhou e piscou para mim o que fez todos eles nos olharem. Meu irmão franziu o cenho na minha direção e eu soltei um suspiro.

-Olha, é só dizer obrigado. –eu falei. -Está bem? Sim.

Na manhã seguinte, as 5h30, eu olhava Grizz e Luke retirando Dewey de dentro da casa em que Harry morava. Eu usava um casaco por ainda estar de pijamas devido ao tempo frio e nublado de West Ham e encarava a cena de braços cruzados olhando o garoto algemado sendo encaminhado até o Ranger Rover do Luke estacionado não muito longe da entrada. Eu havia acordado junto com o alarme deles, e não havia conseguido voltar a dormir pela ansiedade em que eu estava em saber que eles estavam vindo o pegar.

-Está aqui, mano. –Jason falou entregando a caixa com uma arma para Gordie que estava mais a frente. -Use a sua ciência nisso. –eu engoli em seco me entreolhando com Helena que apenas acompanhava a cena assim como eu, e após deixarem o garoto magrelo que aparentava estar com medo, dentro do carro, eles vieram na nossa direção.

-Ok, ele está bem ali... Onde o colocaremos Allie? –Grizz perguntou retirando a sua touca e a colocando na minha cabeça antes de me abraçar de lado por causa do frio. A garota ficou em silencio e nós nos entreolhamos.

-Podemos colocá-lo em um banheiro? –ela perguntou e eu franzi o cenho fazendo uma cara estranha.

-Sério? Não pensaram em um lugar para colocar o menino? –eu perguntei enfiando minhas mãos no meu casaco para aquecê-las.

-Não, Madeline. Eu nunca prendi alguém antes, você já? –Allie respondeu obviamente e eu a olhei.

-Por acaso você já ouviu a frase “pensar antes de agir”? –eu perguntei de volta e revirei meus olhos.

-De todo jeito, não podemos colocá-lo em um banheiro. Tranca por dentro. –Grizz falou.

-Talvez numa sala da escola. –Will sugeriu.

-Ei. Não podemos deixá-lo no carro? Com a janela meio aberta? –Jason perguntou e nós o encaramos.

-Cara, ele não é o maltipoo da sua mãe. –Clark falou e um silêncio se instalou com todos pensando.

-Me dá minhas chaves. –meu irmão pediu a Grizz e ele enfiou a mão em um dos bolsos para procurá-la.

-O que vai fazer? –Will perguntou.

-Me encontrem na minha casa. Tenho uma idéia. –Luke respondeu e nós dois nos entreolhamos. Ele saiu andando e eu franzi o cenho indo atrás dele em passos rápidos.

-Luke, o que você vai fazer? –eu perguntei entrando no banco do passageiro e dando uma breve olhada no garoto no banco de trás enquanto Grizz entrava do lado dele.

-Podemos colocá-lo na adega do papai. –ele respondeu e eu me entreolhei com ele antes de soltar um suspiro enquanto meu irmão começava a dirigir até a nossa casa.

-É bom ele não mexer no Lafite ou o meu pai enlouquece. –eu falei olhando Luke trancando o garoto lá dentro quando nós chegamos.

-Mano! Como nunca falou que tinha tanto vinho aqui? –Jason disse descendo as escadas animado e eu revirei os olhos cruzando os meus braços e encarando o garoto preso do outro lado da parede de vidro.

-Não é apenas vinho, Jason. É uma coleção. –meu irmão respondeu ironizando e eu soltei um suspiro.

-Precisam arrumar alguém para trazer comida e água. –Allie falou.

-Luke, pode trazer alguém? Para ficar de olho nele. –Will falou e meu irmão assentiu.

-Sim, faremos turnos. –ele respondeu e eu me virei para eles.

-Como ele vai usar o banheiro? –eu perguntei. -É lá em cima.

-Podemos deixar um balde. –Grizz disse e eu o olhei me perguntando se ele estava falando mesmo sério. -É a única opção. Ele pode machucar alguém igual fez com a Cassandra.

-Porque eu não me sinto melhor? –Allie perguntou.

-Ele vai ficar aqui por quanto tempo? –eu perguntei para Luke em um tom baixo. -Ele não pode ficar aqui para sempre porque eu não vou conseguir dormir sabendo que esse garoto está aqui embaixo...

-Vamos decidir isso. –Luke respondeu e eu assenti.

-Ok, mas sem fazer da nossa adega uma cela de prisão se precisar novamente. –eu sussurrei. -É... Estranho. –continuei e ele assentiu para mim.

-Vou resolver. –ele falou.

-Mandem uma mensagem para todos dizendo que vamos nos encontrar na igreja. –Allie falou indo em direção as escadas. -Quero a presença de todos.


Notas Finais


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