1. Spirit Fanfics >
  2. The Sorceress >
  3. Take Me To Church (Preferably In A Less Strange Church...)

História The Sorceress - Capítulo 13


Escrita por: e ThiamWolf


Notas do Autor


Como prometido <3

Capítulo 13 - Take Me To Church (Preferably In A Less Strange Church...)


Fanfic / Fanfiction The Sorceress - Capítulo 13 - Take Me To Church (Preferably In A Less Strange Church...)

No dia seguinte, minha mãe me acordou cedo. 


- Acorda! Nós vamos na igreja! - ela disse enquanto abria as persianas. O sol inundou meu quarto. Peguei o travesseiro e coloquei na cabeça. Eu ouvia minha avó cantarolar enquanto colocava um frango no forno e preparava o timer dele. Minha mãe quase nunca ia a igreja, e por um certo tempo até pensei na possibilidade dela não acreditar mais em nada (depois da morte do papai), mas aparentemente eu estava errada. 
No momento eu queria ficar o mais longe possível de igrejas devido a ocorrência dos fatos, mas minha mãe insistiu, e já que os fins de semana eram os únicos momentos em que nos víamos (ela chegava muito tarde do trabalho), aceitei. 
Coloquei um vestido branco e um chapéu que achei no guarda-roupa da minha avó. 
Fomos no carro dela. Segundo minha mãe, a igreja não ficava muito longe de casa. Mandei mensagens pra Emma enquanto estava no banco de trás, mas num domingo de manhã até eu estaria (usualmente) dormindo. 
Estava cedo demais pra que eu sentisse vontade de comer qualquer coisa. 
De qualquer forma as lojas da cidade estavam quase todas fechadas. 
Em poucos minutos comecei a ver algumas senhoras com vestidos pomposos e elegantes na mesma direção que nós, e então, logo avistei a igreja. 
Descemos do carro. Eu e minha avó ajeitamos o chapéu. Eu nem acreditava estar usando um.
Ela era grande tinha vitrais coloridos, com desenhos difíceis de decifrar. Subimos um pequeno nível de escadas e entramos na abadia. A primeira coisa que fiz quando entrei de fato na igreja foi olhar pro teto. A abóboda era pintada por desenhos clássicos, feitos a mão. Logo a frente, em cima do púlpito, havia uma mesa de madeira maciça, e sobre ela, uma cruz. 
A luz do sol passava pelos vitrais e fazia sombreador coloridos sobre o assoalho. 
Nos sentamos no banco da frente. Minha mãe se ajoelhou no genuflexório e logo minha avó fez o mesmo. Algumas mulheres também oravam nas misericórdias presas aos bancos, sussurrando palavras com os lábios fazendo um irritante ASMR. 
Um padre se encaminhou atrás do púlpito e começou a dizer palavras em latim que, supus ser uma oração. Todas se levantaram, menos eu que fui pega de surpresa. Então me levantei também e logo o padre, bispo, sacerdote ou sei lá o que fez um sinal com as mãos pra nos sentarmos. 
Durante toda a missa, senti olhos me encarando. Tentei ignorar pra não ter que virar pra trás, mas os olhos estavam quase me perfurando. Eu conseguia perceber que uma garota estava me olhando, de trás, do outro lado na outra fileira de bancos. Ela me olhava estranhamente, e quando virei pra trás, percebi que com exceção do padre, só haviam mulheres reunidas ali. 
Eram poucas, como se fossem as únicas frequentadoras da igreja.
O culto terminou, e o padre foi até a porta para dar a benção. Ele tinha um olhar sombrio que fazia jus não só a sua face, como também a sua roupa, uma espécie de quimono vermelho com diferentes símbolos. Um rosário balançava em seu pescoço, e um escapulário em sua mão abençoava as mulheres que ali passavam e faziam reverência pedindo sua benção. 
Minha avó sentiu vontade de ir no banheiro, então esperamos ela do lado de fora, embaixo de uma árvore que havia depois do portão de ferro. 
Minha mãe sorriu e acenou pra senhoras que identifiquei como as mesmas que foram lá em casa outro dia, e elas desceram os degraus vindo em nossa direção para se cumprimentarem. 
- Margareth, que bom que veio. - disse uma das senhoras. 
Minha mãe beijou o lado da face de uma outra, e elas disseram alguma coisa que as fizera rir. Tirei o celular de dentro de uma pequena bolsa de mão que carregara pendurada por uma alça do lado do meu torso, e fui ver se Emma havia respondido. 
Ouvi alguém chegar. 
- Oh, Freya. - uma das senhoras disse. Olhei pra ela. 
Bloqueei a tela do celular pra não ser mal educada, mas sinceramente não queria conversar com nenhuma delas. Elas eram estranhas. A mulher se virou e chamou uma garota para mais perto e nos apresentou. 
- Essa daqui é a Phlare, nossa sobrinha. 
A garota quis me cumprimentar.
- É um prazer. - apertamos as mãos. 
Ela cruzou os braços, exibindo uma tatuagem nos bíceps escrita em outro idioma. 
- Gostou? - ela viu que eu estava olhando. Passou os dedos por cima dela. - Fiz ano passado, nas férias. 
Tentei ler, mas não consegui. 
- O que tá escrito? - perguntei. Minha mãe ria alto. - É latim?
- Sim. É uma oração. Uma profecia bíblica, na verdade. 
Ela parecia ser daquelas meninas criadas em famílias religiosas demais pra ter uma tatuagem, mas não questionei. 
- O que está escrito? - tentei parecer interessada. 
Minha avó finalmente apareceu e me gritou. 
- Querida, me ajude a descer as escadas! 
Fui até ela e a ajudei, pegando sua bolsa e estendendo-lhe o ombro pra servir de apoio. Minha mãe se despediu das amigas. Minha avó claramente não gostava dessas senhoras, já que nem se deu o trabalho de as cumprimentar e passou longe delas. 
Dei um aceno de tchau pra Phlare que retribuiu. Fomos até o estacionamento da igreja e entramos na SUV vermelha. Minha mãe se sentou e tirou o cachecol, amarrando-o no banco, atrás de onde sentou. Minha avó tirou o chapéu e recostou a cabeça na janela. 
Só me sobraram os fones de ouvido. 
O domingo foi tão chato quanto os outros dias da semana. A única diferença é que comi frango assado. Fora isso, nada mais.

─━─━─━─ ☪─━─━─━─

As manhãs começaram a ficar cada vez mais frias. Com o inverno chegando, os professores aumentavam ainda mais a temperatura dos aquecedores. 
Durante a aula de hoje, uma menina se levantou e perguntou se alguém tinha visto Kylie. Ninguém a viu, e segundo Jack e Luke, ela não manda mais mensagens há tempos. Fiquei preocupada, pois de qualquer maneira eu me sentia responsável. 
Na hora do almoço, sentamos todos juntos. Eu, Luke, Jack e Miranda. 
- Cancelaram a aula de espanhol. - Miranda disse. 
Fizemos uma pequena comemoração, batucando na mesa (mesmo não tendo aula de espanhol juntos). 
- Vocês ficaram sabendo? - Jack perguntou. 
Todos ficaram em silêncio por um tempo, e os únicos barulhos audíveis eram o das conversações ao nosso redor. 
- O filho da professora desapareceu. 
- Sério? - perguntei. - Coitada. 
Luke me abraçou, tentando me consolar.
- Parece que tem acontecido uma série de desaparecimentos aqui. Todos de crianças menores de dez anos. 
Do outro lado da mesa, Miranda me olhou atordoada. Eu entendi o olhar na hora. 
- Aí, vamos falar de coisa boa. Os clubes estudantis abriram hoje. Vocês se inscreveram em algum? - Luke tentou mudar de assunto, tirando o clima pesado da conversa.
Jack tentou parecer empolgado pra reverter o efeito negativo da conversa anterior e tentar o deixar despercebido, esquecido - em vão, já que eu não parava de pensar nisso. 
- Eu e a Miranda já estamos no time feminino de rugby. 
- Tecnicamente - ela franziu a testa -, eu tô de reserva.
- Graças a Deus, né gata? Eu não sei como a maluca da Freya tem coragem de jogar um esporte tão violento desses. 
Nós rimos. 
- Eu gosto do rugby. Acho que é até uma forma de terapia. 
- Pode deixar que no próximo jogo vou fazer o papel do namorado fanático, de cara pintada e dedão de espuma. - Luke beijou minha testa. Sorri e olhei nos olhos dele. 
Era ótimo estar com ele, e eu me sentia bem. Ele me beijou.
Jack limpou a garganta, nos fazendo separarmos. 
- Continuando o assunto, de qualquer forma, os clubes estão aí, e eles dão digamos que um certo crédito extra.
- É, isso é verdade. - Miranda disse.
- Vocês estão inscritos em algum? - Luke perguntou. 
- Eu acho que vou me inscrever nas líderes de torcida. - Miranda disse. Senti pena dela. Ela com certeza ia ser zoada. 
- Eu já me inscrevi no clube do coral. - Jack cantarolou as palavras. 
- É a sua cara! - eu e Luke dissemos em uníssono. Nos viramos e nos encaramos. 
Melosidade demais não combina comigo...
- E você, Luke? Tá inscrito em algum?
Ele olhou pra frente, pra Jack. 
- Não, mas tô pensando em me inscrever no de natação. 
- É, faz sentido. 
Nisso todos nós concordamos. 
- Bem, já que todo mundo vai se inscrever em um, acho que vou também. 
Miranda fez uma mini comemoração com uns mini gritinhos espalhafatosos. 
- Mas definitivamente não vou pras cheers. - Miranda fechou a cara. Jack sorriu e eu pude ver suas sobrancelhas se levantarem. Ele abriu a boca pra dizer algo mas resolvi cortar sua asinha antes que ele pudesse sequer pensar em dizer o que nós dois sabíamos que ele ia. - Nem pro coral. 
- Estraga prazeres! - ele cruzou os braços como uma criança mimada. 
Luke nem sequer se deu o trabalho.
- Quais são os clubes? 
- Ai gata, tem vários. Quer ir lá conferir? 
Ponderei um pouquinho e me levantei. Peguei meu telefone em cima da bandeja com um saquinho de papel de leite e uma maçã-verde já mordida. Estendi a mão pra Jack. 
- Vigiem minha bolsa. 
- Nossas bolsas. - Jack ressaltou com o dedo indicador. 
Luke e Miranda se entreolharam e eu pude apostar que se perguntaram o que iam fazer enquanto estávamos fora. Pelo menos ela se enturmou rápido e por sorte Luke vem sido muito simpático.
Nós passamos pelo corredor e fomos procurar os anúncios nos murais. Devido ao horário de almoço, ainda não havia aglomeração. Passamos por uma redoma de vidro com os troféus adquiridos pelos times da escola ao longo dos anos, e logo chegamos na área dos murais. Várias pranchetas estavam penduradas em pregos com canetas presas em cima delas. Tinha tudo que é tipo de clube lá, e acredite, quando eu digo que tinha de tudo, é de tudo mesmo. 
Clube de jardinagem não era pra mim. Eu odeio flores. Murcham e sujam a casa, não tenho paciência. Clube de costura é muito cara de velhinha aposentada. 
A maioria dos clubes já tinham encerrado as inscrições, devido ao exceço de pessoas.
Passei os olhos em todas as pranchetas que não tinham um carimbo de lotado em cima. Meus olhos pararam por alguns segundos no clube de tiro ao alvo. Uma coisa me chamou a atenção. O nome de Phlare estava na lista. Achei estranho, até porque não sabia que ela estudava aqui. Resolvi me inscrever também. Jack me deu todo o apoio, já que eram um dos únicos clubes (legítimos e interessantes) com vagas remanescentes. 
Depois voltamos pra mesa onde estávamos. Luke e Miranda estavam conversando quando chegamos, e isso foi até interessante de se ver. 
Deixei Jack em casa, e depois fui pra minha, mas não sem antes combinar um "cházinho" das cinco com ele.

─━─━─━─ ☪─━─━─━─

Eu achava muito estranho minha mãe e minha avó mudarem de assunto assim que eu entrei pela porta de casa. E achei mais estranho ainda minha mãe passar o horário de almoço em casa.
Almocei e logo peguei minhas coisas. Ia pra minha primeira aula no clube de tiro ao alvo.
Coloquei minhas coisas em uma bolsa, e fui. 
Andei pelo corredor procurando a sala de tiro ao alvo, e assim que cheguei, vi Phlare sentada em um banco de ferro, mexendo no celular. Pensei em ir até ela pra dar um oi, mas assim que comecei a caminhar na direção dela, ela se levantou e pegou uma prancheta que estava ao seu lado, em cima de uma bolsa e foi até a frente da sala, chamando a atenção dos outros alunos, dispersos em conversações.
- Vamos começar a nova edição do clube Arrow. E para aqueles que vieram pela primeira vez, boas vindas. 
Ela usava uma jaqueta do clube, preta com uma pequena flecha amarela no peito e as iniciais da escola. Ela se virou para pegar uma caixa e a colocou em cima da mesa que estava no centro da sala. Não haviam cadeiras, estão ficamos em pé. Ela colocou a prancheta em cima da mesa e se abaixou de novo, tendo que se inclinar um pouco mais. Só então eu percebi que atrás da jaqueta, estava escrito que ela era capitã do time.
- Muito bem. Antes de irmos lá pra fora, quem não tem arco ainda?
Levantei a mão. Ela pediu ajuda para uma garota, que abriu a caixa e entregou os arcos na mão dela. Ela distribuiu os arcos, e quando chegou na minha vez, piscou o olho esquerdo e deu um pequeno sorriso. Assim que peguei o arco pude sentir seu peso. Ele era de um alumínio leve, e sua corda era preta e grossa, com uma pequena bolinha branca no meio. 
Ela fez uma chamada enquanto riscava cada nome selecionado na prancheta. Depois nos acompanhou até o pátio da escola, onde haviam vários alvos posicionados com uma distância de cerca de um metro entre eles.
Então ela vestiu uma aljava com umas dez flechas e se posicionou em frente ao primeiro alvo, chamando nossa atenção para ela. Nos juntamos ao seu redor, e ela pediu espaço.

- Vamos formar duplas. Veteranos, formem duplas com os novatos e os ajude.

Todos os novatos tinham uma dupla, e como o número de pessoas era ímpar, fui a única a ficar sem uma. Pelo menos eu tinha um alvo só pra mim.
Não pareceram notar que eu estava sem companhia, mas na verdade, ninguém ligava. Dei de costas e fui andando até o alvo que havia sobrado, com as minhas flechas na mão.

Era a primeira vez que eu pegava em um arco.
Peguei uma única flecha e coloquei as outras que tinha recebido posteriormente no chão.
Olhei para o lado para ver como os outros faziam, e tentei imitar.
Observei por um instante alvo, grande e colorido. Um desafio e tanto.
Todos pareciam ter certas proteções no braço e no peito, e também uma dedeira, encaixada como um dedal entre os dedos. Como eu me inscrevi de última hora, acabei não tendo tempo pra comprar os materiais necessários.
Encaixei a flecha entre a empunhadura e a corda. Eu acho que era a única ali que nunca tinha atirado na vida, de fato.
Puxei a corda e a levei com a mão até a bochecha, fechando o olho do lado em que a corda estava sendo esticada e mirei no alvo, enquanto a outra mão segurava no corpo do arco.
Por um segundo pode parecer que eu já tinha feito isso antes. Por alguma razão, eu sabia o que fazer e como fazer.
Eu pude me sentir tranqüila, confortável. Pude sentir o prazer de fazer algo que eu amo sem nunca ter o feito, mas como se eu tivesse o feito um milhão de vezes.
Respirei fundo e estralei meu pescoço dos dois lados, tirando a tensão sobre ele. E antes que eu pudesse soltar toda a minha respiração que antes estava presa por meus pulmões, meus dedos trêmulos já haviam soltado a corda. 

 


Notas Finais


Eu ultimamente tô amando a música THE LAST TIME da TAYLOR SWIFT. Se quiserem ouvir, ouçam. É muito boa <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...