História The Soul's Vibration - Chaelisa - Capítulo 6


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Categorias Blackpink
Personagens Lisa, Rosé
Tags Blackpink, Chaelisa, Lésbico, Yuri
Visualizações 51
Palavras 2.804
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Desculpa a demora. Apesar de ter levado um bom tempo para escrever esse capítulo, no final não ficou tão bom quanto eu queria ;( Espero que vocês gostem mesmo assim 💛

Capítulo 6 - Renascimento


O vento insistia em bagunçar os cabelos escuros de Lisa e Momo. Agora a segunda dirigia em seu carro conversível de volta para a faculdade, enquanto cantarolava todas as músicas que tocavam no rádio. A primeira não disse nada desde que saiu do parque, estava ocupada demais se preocupando com o futuro, um futuro onde temia não poder ter a oportunidade de cumprir sua promessa com Chaeyoung.

- Você sabe que eu não fiz de propósito.- Começou Lisa, tomando forças para falar. A Hirai rapidamente parou de cantar "Somebody that I used to know", de Gotye, e virou para a Manoban levantando as sobrancelhas logo antes de voltar a prestar atenção no trânsito.- Você e seus amigos me colocaram em um puta relacionamento abusivo, e sim...- Suspirou antes de continuar, desviando o olhar para as ruas.- eu tenho um puta medo de enfrentar vocês. Realmente esqueceu de todas as chantagens emocionais, pressões psicológicas, ofensas ou ameaças que vocês fizeram comigo? Não se faça de  cínica agora!

Cuspiu as palavras e a japonesa apenas murmurou um "hm" em resposta, e Lisa não soube reconhecer se era de indiferença ou por não saber como responder. Seu coração doía, tinha conquistado a confiança de Chaeyoung e doía vê-la ficar desapontada com a imagem que tinha criado dela. Apesar de tudo, sabia que já era hora para Roseanne reconhecer também seus defeitos, não ficar presa em uma ilusão que ela criou; a tailandesa sempre sentiu que era nada além de covarde, e não a salvadora que a neozelandesa pensou que ela seria.

Sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, não era do tipo sensível, mas confiança era algo que realmente valorizava. As secou rapidamente então, não queria que a outra a visse assim, mas as malditas insistiam em descer; tinha perdido o controle sobre elas há um bom tempo.

Para se distrair, começou a observar as ruas, lojas, pessoas e tudo que podia ser encontrado pela as ruas iluminadas pelo o natal que se aproximava de Sydney, o que funcionou bem. Percebeu um homem sentado em um banco enquanto segurava em uma mão um café e na outra uma foto enquanto sorria; concluiu que provavelmente era de alguém amado.

Virou seu olhar para um casal que discutia enquanto a mulher tinha lágrima nos olhos e o homem cobria seu rosto com suas mãos. Deveria ser um término.

Então percebeu duas crianças com sua família, enquanto apontavam para uma vitrine de uma loja de música, sorrindo. Espera, uma loja de música?

- Momo!- Gritou e a menina a olhou assustada.- Para o carro, agora!- Mandou e a Hirai freiou o veículo bruscamente, fazendo com que as rodas fizessem um som extremamente perturbador. Lisa pulou por cima da porta e foi até a mesma vitrine, lendo o que chamou atenção de seus olhos curiosos:

"Promoção Black Friday, apenas nesse final de semana: 30% de desconto em qualquer um dos produtos a seguir:

Amplificador musical para instrumentos de percussão ou eletrônicos [...]."

- Caralho!- Murmurou perplexa, agradecendo mentalmente à deusa da sorte, universo, buda, jesus ou seja lá quem estivesse a ajudando naquele momento. Nem terminou de checar os outros produtos, apenas entrou dentro da loja e disse ofegante para o primeiro funcionário no qual tropeçou- Aquele amplificador musical, também é útil para pessoas surdas?

- Perdão?- Perguntou sem entender a pronúncia acelerada de Lalisa.

- Eu tenho uma amiga surda e ela perdeu totalmente a audição há um tempo, mas costumava a tocar piano antes do acidente.- Explicou.- Você acha que o amplificador seria útil para ela perceber as vibrações das cordas do piano? Ela tem uma certa dificuldade com os pianos da nossa faculdade.

- Ah, sim!- Pegou a caixa do aparelho e tirou da caixa para explicar como funcionava.- Senhorita...

- Lalisa.- Completou.- Lalisa Manoban.

- Senhorita Manoban, eu diria que seria muito útil para essa sua amiga.- Apontou para a abertura do amplificador.- Esse aparelho tem como utilidade ou aumentar a vibração das ondas sonoras do instrumentos de percussão, tais esses como bateria ou o piano, mas também tem como colocar um cabo como esse e aumentar o volume de instrumentos eletrônicos, caso ela também toque algum que não seja dessa categoria.

Os olhos de Lisa brilharam em esperança, nem prestou atenção no restante da explicação, já tinha entendido o suficiente. Era daquilo que Roseanne precisava.

- Nenhuma pessoa comprou este amplificador para propósitos como este, mas entendo o bastante de música para te assegurar que vai funcionar.- Finalizou.- Se não estiver satisfeita, pode devolver até 30 dias.

- E quanto custa?- Perguntou torcendo o nariz, não querendo ouvir a resposta de certo modo.

- Bem, o suporte com o amplificador mais os cabos.- Pegou uma calculadora e fez as contas.- Ficariam quatro mil dólares, mas como nesse final de semana os produtos estão 30% mais baratos, o preço fica 2.800.

O queixo de Lisa caiu, esperava que fosse caro, mas não tão além do que imaginava. Mesmo que tivesse o dinheiro necessário, não conseguiria comprar o seu piano no dia seguinte. Pensou por alguns segundos antes de decidir;

- Eu vou comprar.- Mal hesitou em dizer. Sabia que Roseanne desejou voltar a tocar por anos, e com certeza sua vontade era maior do que a própria de ter um piano. Afinal, ela poderia tocar sempre que quisesse na faculdade, Chaeyoung não podia. Pagou e levou a sacola para o carro, fazendo com que a Hirai arregalasse os olhos para o tamanho da caixa que havia dentro dela. Conhecia a Manoban o suficiente para saber que o que tinha ali dentro era algo para a garota surda, então decidiu não perguntar nada; não era do tipo invasiva.

Logo chegaram na faculdade e a tailandesa saiu do carro, murmurando um "obrigada" antes de voltar a caminhar, mas a japonesa segurou no seu pulso chamando pelo o seu nome:

- Lisa!- A mesma virou para trás, olhando nos olhos negros de Momo.- Boa sorte...- Desejou quase em um sussurro, e Lalisa assentiu sorrindo fraco, enxergando a antiga Hirai ali por alguns segundos. Correu para dentro do campus e perguntou sobre a de cabelos claros para todos os poucos estudantes no qual esbarrava, e os mesmos sempre a olhavam estranho e negavam com a cabeça, afirmando que não haviam a visto.

Foi direto para o dormitório, cruzando os dedos para que ela estivesse lá, mas ao abrir a porta a única coisa que encontrou foi sua bolsa. Um bom sinal, pensou, as chances dela estar na faculdade aumentaram.

Pensou em todos os lugares que ela poderia estar: O pátio? Não, ela nunca arriscaria ser pega naquele estado. No banheiro? Também não, pelo o mesmo motivo do anterior. Na sala 205? Bem, as salas ficavam trancadas nos finais de semana, até que se lembrou...

- A diretora!- Concluiu então que Chaeyoung estaria na sala do piano, a 205. Percebeu nesses poucos dias que as duas eram muito próximas, e a Ahn nunca negaria um pedido da Roseanne. Também percebia que a única coisa que a acalmava era a música, mesmo que indiretamente; se não pudesse ouví-la, o mais próximo que chegaria seria o seu melhor amigo: o piano.

Em passos apressados chegou em frente àquela grande porta, que agora parecia algo realmente assustador para ela. Com a mão trêmula, abaixou a maçaneta, sorrindo ao ver que a porta realmente estava aberta. Abriu devagar e viu Chaeyoung debruçada sobre a cauda do piano agora fechada, sem chorar mais, apenas fungava baixinho.

Se aproximou da garota e pensou se deveria abraçá-la, chamar sua atenção ou esperar que ela a notasse, mas então excluiu todas as alternativas anteriores e abriu a cauda do instrumento, fazendo com que a Neozelandesa tivesse um sobressalto e se levantasse contra vontade, olhando assustada para Lalisa. A última abriu a caixa do aparelho e rapidamente o posicionou, dando a base para que Chaeyoung segurasse, e a mesma logo recuou recebendo um olhar insistente da tailandesa, como se dissesse que ia ficar tudo bem.

Se sentou na cadeira de couro e dedilhou as teclas sem tocá-las, pensando em qual música tocar. Listou todo o seu repertório em sua mente, decidindo que seria a música que prometeu que tocaria para a outra pianista quando ela voltasse a lembrar das composições: Arabesque No. 1, de Claude Debussy.

Rosé a encarava confusa, deixando sua curiosidade ser matada quando sentiu as ondas sonoras vibrarem em suas mãos, percorrendo pelo o seu corpo a fazendo sentir cócegas. Não demorou muito para entender do que se tratava, e quando o fez, sentiu os olhos se encherem de lágrimas novamente. Não conseguia acreditar na capacidade de Lisa em sempre acertar tudo, e na hora certa.

Deixou ser levada pela a sensação, recebendo o som em seu corpo, rezando para que o interpretasse. Pensou, pensou e pensou; tinha que lembrar de alguma música, algumas notas, qualquer coisa relacionada àquilo que Lisa tocava com a alma, e quando desistiu acreditando que nada daquilo funcionaria, as primeiras imagens vieram em sua mente.

Estava em uma orquestra, na Nova Zelândia, logo se lembrou que foi a primeira que foi. Tinha exatos nove anos, foi seu presente de aniversário e um dos melhores que já recebeu. Também se recordou que era uma compilação dos melhores pianistas que já existiram: Bach, Chopin, Schumann, Liszt, Beethoven, Mozart... Mas aquilo a lembrava de uma apresentação específica, com um compositor que tinha certeza que conhecia mas com uma música que provavelmente não lembrava o nome. Lembra-se de ter se emocionado, assim como se emocionou nas outras inúmeras peças- sempre foi uma garota emotiva.

As lembranças se intensificaram. A paixão do pianista com os violinos, flautas, cellos, clarinetes e todos os outros instrumentos que tocavam como se fossem apenas um só, se misturavam com a paixão de Lisa em uma representação visível, de cores. Só esperava que as notas chegassem até si para que o show estivesse completo. 

Estava arrepiada, e faziam anos que não se sentia assim.

Se concentrou em tudo que podia ser lido de suas memórias. O compasso que o maestro marcava, o movimento das mãos do pianista, tentar perceber quais instrumentos tocavam em uma parte e quais tocavam em outras. E quando tudo isso a alcançou, ela percebeu que deveria ter se preparado melhor.

Ela abriu os olhos e os arregalou, olhando estática para Lisa que estranhou as lágrimas em dobro que desciam dos olhos de Rosé. Ela tocou a última nota e levantou desanimada, abraçando Chaeyoung por trás acariciando sua cabeça para a acalmar. Fez ela olhar para si e disse calma:

- Está tudo bem, Chaeng.- Limpou a água debaixo dos seus olhos.- Eu sabia que não ia funcionar, eu comprei em uma loja qualquer e não era certeza que daria certo. Eu vou devolver amanhã e a gente vai dar um outro jeito, ok?

Rosé balançou a cabeça negativamente, segurando a camiseta de Lisa para esconder seu rosto em seu peito, deixando as lágrimas continuarem a cair. A tailandesa sentiu vontade de chorar junto com ela e pedir desculpas por tudo o que havia acontecido naquele dia, até que ouviu a voz de Roseanne pela a primeira vez.

Seu corpo totalmente travou, seu queixo caiu e seu coração acelerou. Saia da boca da menina surda a melodia exata do que havia acabado de tocar. Park Chaeyoung cantarolava Arabesque.

Lalisa sentiu suas mãos tremerem, colocou uma delas no queixo de Rosé e levantou seu rosto, vendo um sorriso enorme ali. Não pôde aguentar, seus olhos  também lacrimejaram e levantou sua sobrancelha, perguntando se era verdade mesmo e a outra assentiu.

Rapidamente se levantou e passou seus dedos no próprio cabelo, ainda sem processar que realmente tinha funcionado. Puxou Rosé, que não conseguia mais conter a emoção, e ela deixou ser levada pelo o seu choro e Lisa para outro abraço; não haviam palavras que definissem o que as duas sentiam naquele momento.

A chuva passou, os trovões pararam de gritar. Tudo finalmente fazia sentido.

A paixão, a emoção, o motivo de Debussy ser considerado um compositor revolucionário, a personalidade do piano da sala 205 assim como o som de Lisa, e principalmente, sua vontade de voltar para casa e passar o resto do dia e noite estudando piano contra a vontade de nunca sair daquele teatro... Tudo havia sido descoberto em uma noite, e Chaeyoung não poderia ter tido descoberta melhor. Ela se sentiu viva novamente, ela finalmente se sentiu viva novamente.

No dia 30 de novembro de 2019, Roseanne Park tinha renascido.

Agora as duas pianistas se sentavam contra a parede, abaixo da janela, Lisa com as pernas abertas enquanto a loira se sentava entre elas de costas. A tailandesa passava seus dedos entre os fios claros, enquanto Rosé continuava a cantarolar a música de Claude. A voz da Park era a coisa mais linda que Lalisa já tinha ouvido, jurou.

Virou a garota para si e desviou o olhar para o outro lado, com vergonha de dizer:

- Desculpa por hoje mais cedo. Eu fui totalmente covarde e no final das contas, já era tarde demais. Eu não deveria ter deixado eles chegarem naquele ponto, e muito menos ter medo deles.- Falou sincera, e a garota balançou novamente a cabeça negativamente e respondeu.

- Você provavelmente teve um motivo para isso, assim como eu tive o meu para não enfrentá-los também.- Segurou sua mão.- Além de que eu também fui bem infantil em te tratar daquele jeito antes de sair, você não tinha culpa nenhuma, pelo o contrário, era a única que me entenderia.- Pausou espalmando sua mão sobre o seu peito, sentindo as batidas do seu coração para mostrar para a tailandesa o que ela havia a ensinado. Tinha virado um costume escutá-las assim desde aquele dia, e a Manoban corou achando aquilo adorável.- Apesar de tudo, você teve comigo algo que nenhum professor, médico, amigo, parente ou colega teve. Você teve paciência, você tentou todos os dias me ajudar, não desistiu e olhe...- Sorriu.- Em menos de um mês, você conseguiu realizar o único desejo que eu tinha, algo que ninguém conseguiu nos últimos dez anos.

Parou por alguns segundos para observar a reação de Lisa, que não sabia nem o que dizer. Riu da forma que os olhos delas estavam levemente  arregalados assim como os lábios levemente abertos.

- Eu não queria que meus pais gastassem milhares de dólares em exames, cirurgias ou aparelhos auditivos. Eu não queria que eles se preocupassem com escolas para surdos ou com as dificuldades que viriam.- Explicou.- Eu não ligo em ser surda, pelo o contrário! Acredite se quiser, mas não é algo tão ruim assim.- Riu.- A única coisa que me importava era a música e você foi a única que entendeu isso, e não levou menos de um dia para isso. Obrigada mesmo.

- Eu...- Lisa não sabia o que dizer. Não imaginava ter um sentimento bem mais profundo por trás do que Chaeyoung queria, e ficou feliz por ter comprado aquele aparelho. Precisaria comprar um buquê de flores para o funcionário que o vendeu ele. Balançou a cabeça e riu, dizendo que não tinha feito nada de mais.- Aliás, o que você vai fazer após voltar a tocar?

- Boa pergunta.- Nunca tinha pensado depois da parte tocar, sempre pareceu ser um sonho distante.- Acho que começaria aqui na Austrália mesmo, voltaria para as competições e tentaria tocar o coração das pessoas como antigamente.- Ambas sorriram.- Então eu gostaria de viajar pelo o mundo para conhecer um pouco da música de cada país, e se der certo, ensinar música de graça para quem não pode pagar. Sempre sonhei com isso.

- Uau, Chaeng. Isso seria incrível!

- Seria mesmo.- Sorriu.- E você?

- Eu gostaria de assumir a escola dos meus pais, primeiramente.- Respondeu.- Levar para outros estados e quem sabe para o mundo todo? Gostaria que toda a comunidade surda soubesse como música é incrível em todos os sentidos. 

- Sua família é incrível, Lisa. Um dia me leve para conhecer a escola deles.- Disse, logo mudando de assuntunto.- E eu não sei como conseguiria viajar pelo o mundo inteiro sem ter você por perto. Posso te levar comigo?

- As portas sempre estarão abertas para você.- Suspirou, seu coração acelerado.- E sim. Mesmo que você não pedisse, Rosie.

Nada mais precisava ser dito naquela noite. Todos os sentimentos e palavras agora se misturavam e já diziam por si próprios. Ambas perceberam à luz da lua, que banhava vagamente a sala, que pertenciariam uma à outra. 

Observação: Roseanne tinha desenvolvido um novo sentimento. E dessa vez, esse não estava relacionado à sua paixão pela a música. 


Notas Finais


Obrigada por ler! O que acharam do capítulo? E também o que acharam da nova capa?


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