História The Speed of love - Capítulo 11


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Categorias Orphan Black
Personagens Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier, Felix "Fee" Dawkins, Paul Dierden, Siobhan Sadler "Sra. S"
Tags Cophine, Cosima, Delphine, Orphanblack, Paul, Shay
Visualizações 150
Palavras 3.513
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


"Cabelos de fogo
como brasas no inverno.
Meu coração queima." - Stephen King (IT)

Boa Leitura!

Capítulo 11 - Delphine IV


O silêncio carrega em si o vazio primordial e contemplativo tal qual o espaço, sustentando o vácuo. Carrega também a urgência do pensamento, como se diante da quietude sepulcral fossemos levados a ouvir o burburinho das próprias ideias, como se a completa ausência de som fosse incômoda e imperativa. Sendo assim, poucas pessoas suportam tal silêncio, em ouvir apenas os poucos sons da respiração e do martelar do coração no peito, pondo-se logo a suprimir todas as subjetividades que o silêncio as impele. Imediatamente ligam suas televisões, celulares, conversam com animais de estimação e até mesmo arriscam ouvir o som da própria voz; afinal, o silêncio é o escuro, a tela em branco, e qualquer ruído é melhor que descobrir quantos desconhecidos podem surgir dele.

Entretanto, naquele ambiente o silêncio se comportava de maneira atípica, existiam sons que quebravam a cadência de pensamentos, por vezes algum grupo passava entre gargalhadas enquanto carros paravam ao longo do estacionamento. E mesmo que pudessem despertar a atenção de Delphine, a qual jazia inerte por trás do volante, não produziam uma cacofonia alta o suficiente para calar os pensamentos que brotavam e se alastravam pelas ideias.

Algo a incapacitava, a impedia de mover as próprias pernas e sair ao encontro de Cosima, era como se o silêncio que por muitas ocasiões se fez amigo, agora houvesse se personificado em um carcereiro. Era opressivo imaginar contando a ela, a mulher que clamava para si o que houvesse em seu peito, do ar, ao coração; cada um dos demônios que lhe perseguiam, nomeando medos e evidenciando limites.

(Ela ligou, ela deu o primeiro passo)

Delphine lembrava do momento exato que decidiu partilhar com Cosima seu passado, em como palpou na brisa matinal a tensão que a cercava e no comportamento de seus corpos ao se tocarem em luxúria. Fora diferente daquela primeira vez juntas no hotel, havia desejo, havia paixão, mas também havia algo oculto no lençol de seus olhos verdejantes, uma curiosidade incômoda que quebrava aos poucos a tranquilidade que lhe parecia tão genuína.

Via-a irromper diante de si, inflando o corpo em uma fúria tão incomum que parecia transformá-la em outra mulher, mostrando uma faceta que Delphine jamais imaginaria ver de Cosima. Quis toma-la em seus braços ali mesmo no meio daquele quarto fantasmagórico e pálido, quis expurgar de seu corpo a insegurança que cerceava seus gestos. Podia senti-la, pesando os passos em sua direção, ponderando por onde ir e o que fazer.

O dever a chamou enquanto sentia a mão quente e tenra de Cosima em seu peito, enquanto seus olhos falavam entre si e suas bocas permaneciam reclusas em um silêncio surpreso. Enquanto o único som que cortava aquele momento era o abafado ritmo do coração dentro de seu corpo, acelerado, voraz e intrínseco. Era como se suas veias absorvessem o que corria pelo olhar de Cosima, como se sua essência passasse de seus dedos para a alma de Delphine.

(Silêncio)

A decisão de então tornar Cosima de fato uma personagem de sua infeliz e mórbida história fora tomada do momento que saiu de seu aconchegante lar até a ligação que por fim selou o caminho a ser traçado. Sabia que ocultar de Cosima seus mistérios e tentar camuflar seu passado era garantir que um dia ela lhe escaparia pelos dedos, não era justo esconder-se sob os panos de uma realidade alternativa como se fossem uma distração, elas eram demasiado reais para isso.

Desde então um silêncio desconfortável se instalou entre elas, como se ambas esperassem uma tempestade de dimensões apocalípticas atingi-las. A preocupação de Delphine com o silêncio não era estar em um ambiente com os poucos sons de sua respiração ofegante, e sim a ausência de sons nefasta entre ela e Cosima. Não havia harmonia naquele distanciamento, pela primeira vez viu então o silêncio trazer consigo o caos.

(Caos)

Pensamentos invasivos e indesejados permeavam sua cabeça com frequência, muitos deles relacionados com Paul, o qual parecia farejar algo muito errado, errado demais. As discussões haviam cessado desde aquele encontro durante o congresso, após deixar Cosima no aeroporto. Pouco se falavam, pouco se tocavam, os gestos e maneiras eram ocas e ambos se comportavam com estranheza, era como se ele fosse um homem que procurava vestir uma máscara que já não lhe cabia.

O que segurava Delphine firme por qualquer razão entre a simpatia e a pena, bem ali, pelas axilas com os pés dançando no ar; era Charlotte, ela havia se apegado a menina de forma perigosa e mortal. Espelhava-se nela por seu passado assombroso, sentia que se aproximavam e que dava a ela algum tipo de conforto diante do abandono da mãe e a negligência do pai. A muralha intransponível que se interpunha entre arrumar as malas e destruir a paz perturbadora que havia se instaurado, era uma menina, aquela menina de cabelos negros trançados e um olhar carregado de melancolia.

Mas embrenha-se no meio dessas divagações uma austera e inexorável constatação, via-se então procurando qualquer fato absurdo dentre sua vida incomum e repleta de fardos pesados, algo que pudesse explicar sua inércia. Tentava justificar a ausência de bravura diante da irremediável mudança, sabia que sua vida teria uma virada apoteótica, ponderava os conflitos que se desenrolariam a partir dela, e principalmente, tinha um medo ancestral de que Cosima não pudesse se atrair pela mulher que realmente era, um coração de coelho sob a pele de um leão.

O carro então pareceu pequeno e uma sensação claustrofóbica surgiu, Delphine fechou os olhos e se abraçou ao volante tentando aos poucos domar os pensamentos que se espalhavam e infectavam cada parte de suas ideias. Mordia os lábios em ansiedade a simples menção de que Cosima estava em algum lugar daquela orla. Sentia o corpo esquentar e o peito formigar ao passo que sua cabeça aos poucos se calava, respirou fundo ofegante e aliviada e saiu do carro.

Era um sábado, alguns dias após a última ligação e um dia após a mensagem de Cosima escolhendo o local do encontro. Era uma praia conhecida como “Quai de l’Horloge”, e não era exatamente uma praia no sentido canônico da palavra. Localizava-se no antigo porto de Montreal e ficava aberta durante o fim da primavera e todo o verão canadense. Ao lado do estacionamento erigia-se a torre do relógio apontando o eminente fim de tarde, portanto, pôs-se a caminhar pelo asfalto já morno em direção ao final do elevado. 

A brisa era fresca e lenta movimentando o que tocava com languidez, ao fim do estacionamento, uma pequena escadaria levava a parte baixa, na qual pessoas se apinhavam curtindo o fim de tarde e desfrutando o frescor marinho do cais. Ao fundo, desenhando o cenário, a ponte de arcos, moldurada pela paisagem urbana de prédios e algumas poucas árvores intrusas. Observando tal paisagem, amurada na grade entre a areia artificial e o mar parado, estava Cosima.

Uma ironia percorreu o momento, em como os papéis haviam se invertido, como uma licença poética da própria vida. Cosima usava o mesmo vestido daquela noite, e Delphine não pode reprimir a sensação que ele lhe causava, uma nostalgia mista a sensualidade que ele lhe atribuía. Se demorou ali no topo da escada contemplando Cosima a distância, havia aprendido a observá-la em suas mais diversas nuances, fosse escrevendo, dormindo, aninhada em seu corpo ou com a mão em seu peito; mas ainda adorava, com todo o fervor que ela lhe despertava, vê-la perdida em pensamentos.

O céu era uma aquarela, exibia tons alaranjados leves com algumas nuvens dispersas escorrendo por ele; o sol aos poucos buscava refúgio no horizonte, e banhava uma cor acolhedora o que estivesse ao seu alcance. Assim como naquela noite da exposição de Felix, Delphine tinha a vaga sensação de que Cosima pertencia a uma tela de pintura.

Desceu as escadas por fim desviando de um menino que empilhava alguns brinquedos por ali, construtor de suas próprias fantasias, Delphine sorriu levemente e ajeitou os cachos que lhe cobriam o rosto. Ao tocar a areia com os pés, tirou as sandálias que calçava para andar confortavelmente, e caminhou lentamente até parar atrás de Cosima. O ar carregava uma espécie de eletricidade palpável, como se pudessem sentir a presença uma da outra sem ao menos se tocar.

Hesitou por um momento observando as curvas do corpo de Cosima, nos dreadlocks presos no topo da cabeça escorrendo em uma cascata exótica. Suspirou em fascínio e buscou no ar que inflava seus pulmões alguma espécie de coragem, deu assim os primeiros passos, desviando de um casal que lhe cortou o caminho, e andou até ela sentindo o coração explodindo em ansiedade como se fosse a primeira vez que se encontrariam.

-Senhorita Niehaus. – Disse Delphine abraçando-a por trás.

-Deus, Delphine! – Cosima respondeu em um sobressalto e virou para encará-la. – Que susto! – Sorriu ao vê-la.

-Você fica adorável perdida em pensamentos. – Delphine mordeu os lábios dando-lhe um beijo na testa.

-Você está atrasada...bem atrasada por sinal. – Cosima suavizou o tom brincando com uma de seus cachos dourados. – Pensei de você não vir.

-Eu demorei um tempo pra terminar algumas coisas no hospital e o caminho foi bem lento. – Delphine sentiu o corpo ficar tenso com a lembrança do trajeto e dos passos que dera até ali. – Essa semana quase não nos falamos.

-Eu precisava refletir algumas coisas e a forma que eu agi com você não foi uma das melhores. Sem contar que escrevi muito, está crescendo cada vez mais, Del. – Cosima depositou suas mãos na cintura de Delphine e deu a ela um sorriso largo.

-Ela já ganhou um nome? – Delphine perguntara vidrada nos lábios de Cosima.

-Eu sinto que ela vai se chamar Sarah, mas sinto também que terei que pensar em muitos outros nomes. – Cosima começara a gesticular daquele jeito fervoroso como se estivesse escrevendo versos no ar. – Inclusive muitas ideias estão vindo ao mesmo tempo, e pelo que quero criar vou pedir a ajuda de um amigo da Berkeley.

-O biólogo? – Delphine estreitou os olhos em uma pose de dúvida.

-Sim! Ele mesmo, aparentemente vou precisar de uma ajuda acadêmica para construir essa “já não tão pequena história”. – Cosima respondeu desenhando aspas no ar. – E você como passou essa semana?

-Foi bem cheia, passei a maior parte do tempo no hospital basicamente sendo uma médica zumbi, como você gosta de falar. – Delphine apontou para ela em uma constatação cômica. – Eu senti sua falta.

-E eu a sua. – Cosima se pôs na ponta dos pés para permitir que seus lábios se tocassem.

Foi um beijo carregado de entrelinhas, como se gritasse cada um dos sentimentos tatuados em seus corações. Estavam novamente em sincronia, estavam novamente permitindo que suas almas se tocassem ao passo que suas mãos percorriam seus corpos apenas para garantir que aquele momento era real. Quando seus lábios se soltaram em relutância, Delphine puxou Cosima para um abraço desesperado e soluçante, queria sentir seu calor, o seu cheiro, ter certeza da onipresença que as permeava desde que seus olhares se cruzaram.

-Hey, Del. Está tudo bem? – Cosima se afastou apenas o suficiente para olhá-la nos olhos.

-Só estou um pouco nervosa. – Delphine dizia sentindo o peito formigar com mais intensidade.

-E por quê? – O olhar de Cosima era indecifrável deixando Delphine ainda mais angustiada.

-Porque eu não sei se o que eu vou te contar vai te agradar. – Delphine desviou do olhar de Cosima pelo temor do que encontrar naquele mar de jade.

-Ali atrás tem uns lugares para sentar, assim a gente pode conversar melhor. – Cosima estendeu a mão à Delphine em uma expressão serena.

-Vamos então, Cos. – Delphine aceitou o gesto e sentiu os dedos serem entrelaçados.

Permitiu-se então ser conduzida através do ambiente não prestando muito a atenção nos detalhes que o compunham, a cabeça ribombava em um ritmo frenético enquanto sentia o calor de Cosima em sua mão. Era o laço que precisava liga-la ao presente sem ser sugada pelas próprias ideias, pois estava acostumada a viver com as dores que lhe permeavam e salgavam seu corpo, mas temia perder Cosima para cada uma delas.

(O que diria a ela?)

Percebeu que havia chegado a área descrita por Cosima quando enfim viu algumas espreguiçadeiras enfileiradas ao longo da outra lateral do cais. Era um ambiente mais intimista e a visão do horizonte era tão bonita quanto a que presenciou no topo da escadaria. Avistaram uma vazia pela metade do caminho e seguiram até chegar nela, Cosima por fim sentou-se em cima da própria perna, apenas organizando o vestido durante o gesto. Delphine se sentou de frente para ela apenas para constatar que sempre a olharia como se fosse a primeira.

Se encararam durante bastante tempo como se procurassem o que dizer, ou como dizer. Andavam sob gelo fino, entre perturbar o silêncio que se estendia entre elas e encarar algo inteiramente novo que provavelmente as arremessaria diante de abismos e na escuridão total. E mesmo diante da estranheza, mantinham algo relativamente pacífico e despreocupado.

-Del, eu...não sei como começar porque fui eu que te trouxe aqui. – Cosima começou a falar por fim fitando os olhos de Delphine. – Me desculpe.

-Pelo que? – Delphine parecia confusa. – Você não tem pelo que se desculpar.

-Eu agi no impulso da última vez que estivemos juntos, e eu normalmente não agiria assim. – Cosima ria com ironia. – Mas eu acho que muita coisa, desde aquela sacada, não tem sido normal. Seria injusto esconder de você que eu tenho estado insegura, pelo menos é o que meus amigos dizem.

-E por que acha que está insegura? – Delphine fechou o cenho em dúvida.

-Eu acho que tenho medo das coisas que te cercam e que são infladas de mistérios. – Cosima ria esboçando nervosismo.  

-Cos, eu achei que você agiu da forma certa, eu omiti sim muitas coisas de você. Uma parte minha que eu não gosto, te arrastei para minha vida e... – Delphine começava a gesticular quando sentiu a mão de Cosima na sua.

-Eu acho que eu sou vacinada, tenho total controle das minhas faculdades mentais e sou maior de idade, então você não me arrastou para nada. – Cosima se aproximou dela e tomou as mãos de Delphine nas suas. – Vamos fazer assim, podemos ir aos poucos, você pode me contar um pouco hoje e um pouco depois, eu só não quero que você se esconda de mim, Del.

-Justo. – Delphine exibia ainda um semblante preocupado e apertava levemente as mãos de Cosima buscando no gesto algum tipo de conforto. – O que quer saber?

-Sinceramente? – Cosima respirou profundamente.

-Sim, sinceramente. – Delphine apertava os lábios em ansiedade.

-Quando nos despedimos no aeroporto, você me deu o náutilo. – Cosima então puxou o cordão e o levantou entre os dedos de uma mão. – Mas a sua reação foi diferente, eu enxerguei algo em seus olhos. O que era?

-Você disse por partes, certo? – Delphine sentia algo gelado cortar seu corpo enquanto Cosima enunciava as palavras.

-Certo. – Cosima continuava olhando para ela tentando ler seus olhos e enxergar através deles.

-Eu tenho uma relação muito...instável com a minha família, e meu pai era a única pessoa com a qual eu podia ser eu mesma. Ele morreu quando eu fiz 18 anos, em um acidente de carro. – Delphine sentia as lágrimas rolarem ao deixar sair aquelas dores, nomeá-las e dividi-las com Cosima.

-E sua mãe? – Cosima perguntou soando intrínseca.

-Ainda não estou pronta pra falar da minha mãe. – Delphine tentou esconder a expressão de seu rosto atrás de mil máscaras.

-E porque eu sentiria vergonha de você por isso? – Cosima parecia confusa.

-Porque envolve Paul. – Delphine apertou mais suas mãos. – Eu não posso dizer tudo pra você de uma vez, nem conseguiria. Mas eu devo ao menos esclarecer isso. Então quero saber, até onde ele te incomoda?

-Um pouco, Del, porque sinto que temos algo muito forte, mas ao mesmo tempo você continua a dividir uma vida com ele, e pelo que sei vocês nem são casados ou algo do tipo. – Cosima se calou exalando o ar em um assopro irritadiço.

-Eu conheci Paul em um momento difícil da minha vida quando alguns conflitos dentro da minha família atingiram seu ápice. Ele se tornou meu amigo, entrou na minha vida, e conseguiu apaziguar muitos desses conflitos. – Delphine falava como se as palavras fossem brotando, como se não estivesse tendo muito controle sobre elas.

-E daí hoje está tudo muito tranquilo e você não quer estragar isso? – Cosima perguntou contrariada e com um tom derrotado. – Que conflitos são esses, Del?

-Não é isso, minha vida não é tranquila, nunca foi, mesmo com Paul. Demorei a perceber isso, eu precisei de você pra enxergar isso. – Delphine não conseguia mais se manter impassível e sentia as lágrimas subirem-lhe aos olhos. – A minha história não é bonita, Cos, e tudo começou quando eu era bem pequena.

-E o que isso quer dizer? Que você vai me manter ali, a margem da sua vida até se cansar de mim ou surgirem “mais conflitos”? – Cosima falava com dor, como se acreditasse no que dizia.

-Não, significa que eu só preciso de coragem suficiente para dar um fim a esses conflitos, que eu quero você, e vou lutar por você. – Delphine se aproximou ainda mais de Cosima e buscou as mãos dela beijando-lhe as palmas.

Cosima exibia a expressão de alguém que viu diante de si a revelação de um grande mistério da vida e não sabe muito bem o que fazer com ele. Os olhos dela eram de um choque febril, mostrando que seu “eu” dançava por aí em algum lugar da galáxia, que sua mente vagava por outro lugar muito distante de seu corpo.

-Eu te julguei e me sinto mal isso. – Disse Cosima sacudindo levemente a cabeça, despertando do torpor.

-Eu sei que julgou, mas não te culpo por isso. Eu mesma não tenho gostado muito de viver uma vida dupla. Tampouco te envolver nela. – Delphine buscou sentir o rosto de Cosima entre suas mãos e buscou seu olhar. – Eu vivi a minha vida inteira dessa forma, então estou perdida no que fazer e em como fazer.

-Del, o que aconteceu com você? – Cosima suavizou a própria expressão sentindo as mãos de Delphine em seu rosto.

-Eu não sei, Cos, só sei que desde que você chegou eu ganhei um novo par de olhos. – Delphine sorria levemente, mordendo os lábios em seguida.

-Já é um começo, e mesmo sendo impulsiva...pouca coisa. – Cosima tinha uma expressão cômica, mas ao mesmo tempo compreensiva. – Eu quero estar com você, Del, eu nunca senti isso na minha vida, e talvez eu não saiba muito como agir, eu sou apressada, impaciente e você talvez esteja aqui para me ensinar isso.

-Cos, eu... – Delphine não foi capaz de lutar contra as próprias emoções.

Cosima a puxou para um abraço, Delphine então deixou que os olhos transbordassem, derramando ali todas as dores que lhe perseguiam. Então entendeu que aquela mulher em cada um dos seus impulsos, mistérios e transparências; era seu porto seguro, seu Norte. Segurou-a bem firme, deixando que o gesto falasse por si, como se ambas selassem um passo ainda mais firme diante da vida.

-Desafie-os, Delphine, viva a sua vida com cada gota de paixão que eu sei que você tem. – Cosima a puxou pelo rosto buscando seus lábios em um beijo molhado e repleto de nuances não ditas. – E eles nunca terão você.

Delphine avançou para um beijo ainda mais voraz, deixando transparecer ali o que em palavras não seriam capazes de nomear. Deixaram então seus lábios se tocarem, suas línguas se explorarem e suas almas dançarem, era como se o beijo fosse o verbo, a ação, o imperativo. Não existia mais mundo, passado ou futuro, o que precisavam e eram estava a um toque de distância.

-Eu vou lutar por você, por mim, por nós. – Delphine disse interrompendo o beijo.

-Eu vou lutar com você. – Cosima respondeu com algo que Delphine enxergou pela primeira vez, segurança. – Uau, que pôr do sol... – Cosima disse se perdendo no horizonte.

-Aqui é muito bonito... – Delphine se virou para encarar o que tinha prendido a atenção de Cosima.

Por fim levantou de seu lugar e se sentou atrás de Cosima abraçando-a por trás, o cheiro almiscarado que ela exalava se fazia ainda mais presente e marcante em suas narinas. O calor que ela emanava em seus braços, os dedos dela desenhando padrões sob a pele que a envolvia; marcavam ainda mais profundamente sua alma. No horizonte o sol se recolhia em sem sono diário sendo aplaudido por quem o observava naquele antigo porto.

Diante da visão distante do crepúsculo, Delphine percebeu que o céu havia sido sua bússola e que ele imortalizava e testemunhava cada um dos seus passos, principalmente os dados rumo a Cosima. Elas eram a personificação do cosmos, disso já não tinha mais dúvida, era magnético, como se uma linha invisível as ligasse profundamente, tal qual um mapa. Seja lá o que fosse, lutaria, desafiaria, se tornaria força da natureza como havia prometido a si mesma. Afinal, o céu agora se encontrava em seus braços, Cosima era seu sol e estrelas, onipresente, do despertar ao sono exausto.

(Existe algo mais poderoso que isso?)


Notas Finais


A autora atrasa e não surpreende ninguém. To perdoada?
Demorei muito, demais, e sou muito Gandalf com ascendente em Cosima Niehaus, então vocês já sabem que atraso é meu nome e sobrenome. Teve Bagulhos Sinistros, Mindhunter e ENEM deu tempo de escrever. //Desculpem o humor A Praça é Nossa, é mais forte que eu
Espero que estejam gostando da história, e de longe esse foi o capítulo que mais gostei de escrever, qualquer crítica estamos ai, que Masbro abençoe vocês. <3


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