História The Stripper - Jenlisa - Capítulo 18


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Categorias (G)I-DLE, Bangtan Boys (BTS), Blackpink, Got7, Mamamoo, Red Velvet, TWICE
Personagens BamBam, Irene, Jackson, Jennie, Jeon Jungkook (Jungkook), Jisoo, Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Lisa, Minnie, Momo, Moonbyul, Personagens Originais, Rosé, Sana, Seulgi, Solar, Soyeon, Tzuyu, Yugyeom
Tags Blackpink, Jenlisa, Jennie, Lisa
Visualizações 195
Palavras 4.122
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Mistério, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


• Boa leitura

• Ignore os erros

Capítulo 18 - Conhecendo a família


Fanfic / Fanfiction The Stripper - Jenlisa - Capítulo 18 - Conhecendo a família


Lalisa Manoban's Point of views.


Eu olhava pela pequena janela do avião. O mesmo agora passava entre as nuvens, exibindo uma bela paisagem aquela tarde. Já fazia muito tempo que ir para casa de minha família não me rendia felicidade. Não que eu nãos os amasse, pelo contrario, eram uma das melhores coisas de minha vida. Só que a vida às vezes da voltas, e param na hora errada. Desde a minha infância, muita coisa havia mudado. Minhas bases, e meu porto seguro já não era tão forte assim.


Eu odiava me sentir fraca, ou frágil. Sentir que a qualquer instante eu poderia desabar. Tudo aquilo era contra minha natureza. Mas eu estava assim agora, como em todas as outras vezes no qual eu os visitei. Diferente das outras, agora alguém me ajudaria a sair dessa.


- Você tem reuniões importantes na segunda.


Ouvi a doce voz de Jennie soar ao meu lado. Tirei a atenção da paisagem lá fora, para fita-la. Ela estava linda, mesmo com uma expressão cansada e sonolenta. Por incrível que pareça, mesmo com meu costume de ser sempre reservada. Eu não estava me importando com o fato de Jennie ir junto a mim. A mulher era a saída perfeita daquele lugar, e não somente por aquilo, Srta. Kim nos últimos dias era minha melhor companhia. Ela se mostrava prestativa, fora sua conversa boa e energia positiva. Tudo o que eu precisava no meu dia a dia. Talvez com ela eu fosse diferente, ou ao menos estivesse sendo. Estranhamente Jennie me fazia relaxar, e esquecer qualquer tipo de mal que me rodeava.


- Tenho? Com quem?


Ela continuou a deslizar os dedos sobre a tela do Ipad, passando os compromissos da minha agenda.


- Com alguns interessados do Brasil. Querem conhecer seus serviços.


- Brasil? Nossa, isso é ótimo!


- Sim, já pensou? Construir uma filial brasileira?


- Nunca havia pensado nisso, mas é uma idéia boa. Vamos trabalhar muito para eles ok?


- Pode deixar comigo Sra.


Ela nunca ia perder o costume de me chamar de senhora?


Fitei a moça com um olhar acusativo.


- Que foi?


- Senhora?! - revirei os olhos.


- Desculpe, Lalisa.


Sorri para ela, que devolveu o mesmo. E então voltou a fitar o aparelho em suas mãos. Eu não entendia o que Jennie tinha para me fazer me sentir tão a vontade com ela. Me fazia sentir vontade deixar toda nossa questão profissional para simplesmente ser sua amiga.


Amiga...


Era mesmo isso que ansiava com aquela mulher? Olhei para ela sem deixar que ela percebesse. Fitando seus traços delicados e angelicais, Jennie era uma mulher doce que encantava até o mais duro coração, como o meu. Não era dúvida que ela seria a perfeita mulher para casar e ter belos filhos.


Filhos? Meu Deus Lalisa, você está viajando demais.


- Está tudo bem?


Ouvi ela falar.


- Sim, estava apenas pensando.


Sorri para a moça que assentiu, e encostou-se a sua poltrona fechando os olhos. Jennie tinha traços tão familiares, eu só precisava saber com quem.


Horas depois desembarcamos no aeroporto de Tailândia, e como de esperado. Nosso carro já estava devidamente aposto para nos levar.


- Já tinha vindo na Tailândia antes?


- Na verdade não, eu não tive a oportunidade.


- Vejo que serei a oportunidade para você conhecer muitos lugares, senhorita Kim.


Jennie sorriu sem jeito, me provocando uma pequena risada.


Jennie Kim's Point of views.


Eu estava me sentindo meio envergonhada. Lalisa e eu não tínhamos tanta intimidade a ponto de passar um final de semana juntas. Eu sabia que aquela seria a forma de fazer ela se safar do final de semana em família. Mas apesar de tudo eu estava feliz, feliz de ficar na presença dela que me fazia tão bem.


Ao sair do aeroporto vimos o carro estacionado com o motorista a nossa espera. Assim que nos viu o rapaz tratou de pegar nossas malas e guardar. Lalisa estava séria a todo instante, tirou uma pequena brincadeira, mas nada demais. O caminho até a sua casa foi puro silencio, já estava tarde, e mesmo assim as ruas ainda estavam agitadas. Turistas de um lado para o outro com suas câmeras fotográficas animados com tudo. Olhei para Lalisa que estava calada, apenas fitando a paisagem pela janela.


Será que ela estava se sentindo mal? Eu não conseguia entender por qual motivo visitar sua família era tão ruim assim, pelo que parecia ela se dava bem com todos. Algo a incomodava bastante, e tenho certeza que dividir isso comigo seria bem difícil.


Eu estava nervosa, conhecer a família Manoban não foi mérito a nenhum funcionário daquela empresa. Apesar de ouvir falar que Michael Manoban era uma pessoa de bom coração. Eu nunca tinha o visto, apenas ouvido falar. Por algum motivo desconhecido ele não comandava mais os pólos da empresa há anos.


- Você está bem? – perguntei a ela.


- Sim, por quê?


- Está muito calada.


- Não se preocupe Senhorita Kim. – ela sorriu - Chegamos!


Tirei os olhos de Lalisa, olhando para a casa, ou melhor mansão. Os Manoban realmente não gostavam de economizar em nada ao fazer seus prédios. Nada mais justo para maior empresa de imóveis do país, certo? Um enorme portão preto com sigla "M" se abriu dando visão da enorme mansão. Era de se ficar deslumbrada com tudo aquilo.


- Exagerado não é? – Lalisa perguntou sorrindo.


- Sim, mas é lindo. Seus pais na vão reclamar? Digo, de eu vir com você.


- Não Jennie não se preocupe. Vai por mim, minha família é bem diferente do que você está imaginando agora.


Ela falou rindo, tocando com o indicador em minha cabeça.


- Sabe ao menos o que estou imaginando? - perguntei curiosa.


- Sei! Você está imaginando encontrar velhos vestidos de forma super formal, cheio de frescuras. E arrogantes.


- Nossa, você leu meus pensamentos!


Lalisa soltou uma gargalhada gostosa de ouvir. O senhor parou o carro, e logo correu para abrir a porta.


- Sejam bem vindas, senhoras. – falou o homem gentilmente.


- Obrigada.


Lalisa e eu paramos diante do enorme porta da mansão Manoban. A mulher me fitou, e respirou fundo para então dizer:


- Escute, não fique com vergonha. Eles vão achar que eu tenho algo com você, mas eu vou deixar claro que não temos, pode ficar tranquila, ok?


Eu nada falei, apenas assenti.


- E outra coisa, vamos convencê-los que vamos ficar em um hotel e não aqui. Haja naturalmente, e qualquer coisa fale comigo. – ela estava falando rápido demais.


- Sra...


- Tudo vai ficar bem, eu tenho certeza que vai...


Ela parou de falar no mesmo instante em que ouviu seu nome.


- Lalisa se acalme, eu estou aqui com você. - sussurrei, olhando no fundo daqueles olhos castanhos que eu tanto amava.


- Obrigada..


Por uma fração de segundos aquela não era mais a Lalisa dominadora que eu conhecia. Essa tinha um semblante preocupado, seus olhos estavam mais claros, nervosos. Eu segurei firme a sua mão, passando força para enfrentar seja o que a provocava medo ou agonia. Até que a porta se abriu. Soltamos as mãos rapidamente, não tão rápidas a ponto de impedir que nos vissem de mãos dadas.


- Liz!


Uma garota que aparentava ter em media uns dezoito anos a abraçou com força. Se jogando nos braços de Lalisa com toda saudade. Ela tinha os cabelos castanhos claros, era branca e muito bonita.


- Que saudade de você Minnie...


- Pensei que não viria. Mas estou feliz demais que veio!


A garota falou sorrindo, enquanto se soltava dos braços de Lalisa, para logo me fitar sorridente.


- E você, como se chama?


- Me chamo Jennie Kim.


A moça apertou minha mão, e beijou meu rosto em um gesto educado.


- Seja bem vinda Jennie, me chamo Minnie Manoban, vamos entre.


Se por fora a casa dos Manoban era linda, por dentro era muito melhor. Era digna de casas de novela, mas por mais estranho que seja, tinha um ar acolhedor, como um perfeito lar de família.


- Mama, Papa! Veja quem chegou! - Minnie gritou enquanto entravamos na casa. Rapidamente uma mulher de cabelos preto, e um senhor apareceram.


- Filha! Que bom que veio! 


Falou a mulher ao se aproximando de Lalisa, abraçando a mesma com toda vontade. Era lindo ver como a família de Lalisa sentia tanta a falta dela, aquilo só aumentava mais ainda a curiosidade por saber o motivo no qual Lalisa não gostava de os visitar.


- Você fica cada dia mais linda, menina.


Michael Manoban falou enquanto abraçava Lalisa. Ela fechou os olhos, e respirou fundo, devolvendo o abraço com a mesma intensidade.


- Senti sua falta pai...


Nesse momento todos nós estávamos olhando aquela cena com o coração na mão. Eu não sabia o motivo, mas eles tinham uma conexão linda e extremamente especial.


- Senti a sua também, minha pequena!


Lalisa sorriu, e ele também. Até que o senhor colocou os olhos sobre mim.


- E você moça bonita, como se chama?


Eu sorri, tentando manter toda a tranquilidade do mundo sobre os olhos dele.


- Me chamo Jennie Kim, senhor.


- Não me chame de senhor, até parece que sou velho! Pode me chamar de Mike, Jennie! 


- Muito prazer. – falei sem jeito.


- O prazer é todo meu, Lalisa nunca trouxe uma namorada antes!


Lalisa e eu arregalamos os olhos, trocando um olhar rapidamente. Eu senti minhas bochechas esquentarem. Provavelmente eu estava corando.


- Papai, Jennie trabalha comigo, é minha assistente.


O homem fitou Lalisa como quem não acreditasse em absolutamente em nada.


- Não sabia que era esse o nome que se dava hoje em dia. Mas tudo bem!


- Mike, não deixe a moça com vergonha, por favor. – falava a mãe de Lalisa. – Me chamo Clara Manoban, seja bem vinda querida.


- Prazer senhora.


- Chegaram a tempo do jantar. Vamos?


Minnie convidou. Olhei rapidamente para Lalisa que assentiu. Assim, seguimos todos para sala de jantar. A casa era enorme, em suas paredes claras haviam muitos quadros bonitos. O comodo possuía  móveis luxuosos e sofisticados, seja lá quem decorou tinha bom gosto.


- Gostou Jennie? Digo, da decoração.


Minnie perguntou sorrindo enquanto andava ao meu lado.


- Sim, é tudo lindo.


- Eu mesma decorei, cada detalhe.


- Você tem um ótimo gosto, Srta. Manoban.


- Epa! Minnie. Nada de Srta. Manoban, deixe essas formalidades aos velhos tipo meu pai ou minha mãe.


- Eu ouvi isso, Minnie! - Clara falou mais a frente. 


Sentamos todos a mesa. Michael sentou-se na cabeceira, do seu lado direito Clara, e Minnie estavam, e do seu lado esquerdo ficamos Lalisa e eu. Diferente do que imaginei, a mesa não estaria repleta de vários tipos de talheres e taças de cristal . Tudo era simples e bonito.


- Como estão as coisas em Miami, Lalisa? - Mike falou enquanto cortava em pedaços seu filé mal passado.


- Tudo sobre controle, papai. Estamos caminhando perfeitamente bem. Fechamos um contrato importante há dias atrás com a construção de seis prédios no norte do estado.


- Isso é maravilhoso! Seis? Estou muito orgulhoso! Não tem nenhum ano que lhe coloquei lá!


Lalisa sorriu abertamente.


- A Srta. Kim foi de grande ajuda, me colocou por dentro de todos os assuntos da Manoban Industry em poucos dias.


Corei rapidamente, por que Lalisa tinha que falar de mim assim? E aqui? Senti os olhos de Mike sobre mim, como quem estivesse me analisando.


- Isso é maravilhoso, Srta. Kim, quer dizer que você conhece muito bem a empresa?


- Com a palma da mão papai. Essa mulher sabe tudo!


- Que isso senhor, eu só sei porque sou secretária da presidência.


- Gosto de trabalhar com pessoas assim, elas sempre sobem na vida!


- Vamos ficar mesmo falando de trabalho?


Minnie resmungou do outro lado, fazendo Michael e Lalisa soltarem uma sonora risada.


- Onde está Bambam?


- Ele não apareceu hoje aqui, saiu ontem a noite. Deve estar na casa do namorado.


Clara se pronunciou, enquanto tomava um gole de seu vinho tinto.


- Seu irmão não tem jeito, ontem mesmo peguei ele no colégio brigando com um coleguinha.


Michael reclamou enquanto comia. Eu senti que Lalisa ficou séria, sem mover um músculo. Olhei para Clara e Minnie que no mesmo instante ficaram caladas.


- Querido, Bambam já não é mais uma criança. Ele nem na escola está mais.


Clara falou enquanto acariciava a mão do marido que a olhava confusa.


- Tem certeza? Eu fui buscar ele ontem na escola.


- Tenho meu amor, Bambam já tem 23 anos.


Eu estava meio perdida, como ele não sabia sobre o filho? E porque Lalisa estava tão desconfortável aquele instante?


- Tudo isso? Estamos velhos querida! – Michael falou rindo.


Lalisa rapidamente se levantou da mesa, assustando todos nós.


- Eu vou ao banheiro! - ela falou saindo.


Olhei para Minnie e Clara que tinham um olhar triste, Michael ficou tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Eu sabia que Lalisa não havia ido ao banheiro, pensei em ir atrás dela e lhe ajudar, mas eu não tinha certeza se era o que ela precisava.


- Mas então Jennie, você é a secretária de Lalisa?


- Sim, eu sou a nova secretária dela.


- Ela é muito chata não é? Mandona demais! – Minnie falou rindo


- Nem tanto, até o momento Lalisa e eu nos damos super bem.


- Vocês fazem um belo casal também!


- Mike, Querido! - Clara exclamou, tocando a mão do marido.


- O quê? Estou dizendo a verdade. Diga-me filha, você é de onde? - perguntou o senhor de forma educada.


- Eu nasci na Coréia do Sul, e vim para Miami com a minha família quando eu era mais nova.


- Nossa, uma sul-coreana! Sabia que essa beleza me era familiar! Somos mais ou menos da Coréia do Sul também, acredita? E nos mudamos para Miami da mesma forma.


- Disso eu realmente não sabia. 


- Não se preocupe, você vai saber de muita coisa até ir embora.


O jantar correu tranquilamente, depois da pequena situação que até agora eu não havia entendido. Lalisa voltou à mesa, mais calada do que antes. Era de se notar seu desconforto. Mas Clara e Minnie a todo instante cuidavam de nos deixar totalmente a vontade aquela noite. Depois do jantar sentamos todos no sofá da sala, em uma conversa entretida. Minnie era uma garota muito inteligente e comunicativa, tinha idéias maduras e interessantes, Clara era bem calma, centrada, e a todo instante estava cuidando de Michael, que por sinal assistia a um jogo de basquete na TV.


- Domingo vamos fazer o aniversário do Papa!


- O quê? Festa? Jura?


Lalisa resmungou em mau humor.


- Sim, vamos fazer um jantar mais intimo que você e Jennie estão intimadas a vir!


- Minnie, não estamos em clima de festa!


- Lalisa, pare. Tente entender que a vida segue! Ele está bem, você precisa ficar também.


- Você não entende, e nem nunca vai entender garota!


As duas irmãs ficaram discutindo na minha frente até Lalisa me fitar de forma fria. Eu sabia que sua ira não era exatamente comigo, mas aquele olhar me deu calafrios.


- Vamos para um hotel, agora.


Eu apenas assenti e Lalisa saiu andando.


- Não, fique aqui Jennie.


- Desculpa Minnie, mas eu tenho que ir com sua irmã.


- Fique tranquila, ela vai ficar também. Lisa só esta passando por um problema difícil, me entende? Ela não aceita a doença do papai.


Minnie falou de forma tristonha fitando a irmã do outro lado da sala.


- Doença?


- Sim, descobrimos há um tempo atrás que ele tem Alzheimer. E devido a isso, o médico indicou que ele deixasse o trabalho. Foi difícil para todos, mas para Lalisa foi bem pior, ela sempre teve ele como ícone. E imaginar que essa doença só piora a deixa assim, frágil.


Agora sim tudo havia se explicado, desde a nossa ida ao café, notei que Lalisa falava de seu pai com um orgulho desmedido. Tinha o homem como o melhor de todos, o que ele realmente parecia ser. Michael Manoban além de um grande empresário, parecia ser um ótimo pai de família. O contrário do meu, é claro. Mas eu entendia o motivo de ela evitar estar com eles, talvez fosse mais saudável para mente de Lauren a imagem de Mike sendo o mesmo de antigamente, e não o de agora. Talvez aquela noite ela realmente precisasse ficar distante daquela casa.


- Isso é realmente muito difícil.


- Sim, nos primeiros meses foi muito complicado. Papa não aceitava de forma alguma a doença, disse que tinha um enorme trabalho a cumprir com nossas empresas. O meu irmão Bambam nunca teve vocação para ser empresário, entende? Foi quando Lalisa depois de toda decepção resolveu ser a nova toda poderosa, e comandar tudo.


- Vocês ficam bem com isso? Com ela comandar tudo? – perguntei curiosa.


- Sim, ela é a pessoa mais indicada. Lalisa é como a versão feminina e mais bonita do meu pai.


Minnie riu fraco.


- Só que ela é bem triste com isso, e ainda não conseguiu superar. As reuniões de família sempre são assim. Tensas.


- Eu imagino, eu nunca a vi assim antes. Ela é sempre tão forte e reservada.


- Sim, mas ela baixou a guarda para você, não é?


- O quê?


Olhei para a moça de forma confusa, fazendo a mesma soltar um sorriso tímido.


- Ela é mais aberta com você do que já foi com qualquer outra pessoa que não é da família.


- Eu? Não Minnie, Lalisa é minha chefa. Eu não me meto em seus assuntos particulares. - falei rapidamente.


- Jennie, Lalisa nunca, nunca trouxe uma mulher aqui antes. Nem namoradas, nem secretárias e nem sua antiga noiva. Argh.


- Nunca?


- Nunca! Lalisa aprendeu com meu pai a nunca misturar a vida pessoal com o trabalho. Eu não sei o que deu nela para lhe trazer até aqui, digamos que ela não deixa ninguém de fora adentrar sua vida pessoal.


A garota cochichou. Eu não sei o que Lalisa pensaria sobre Minnie estar me contando todas suas fraquezas aquele momento, mas com toda certeza não iria gostar nada. Eu fitei a mulher que conversava baixinho com seu pai, que parecia se divertir assistindo jogo sentado em sua poltrona macia. Ela fitava ele, analisando cada detalhe. Era tocante o olhar que ela o lançava.


- Eu já vou, papai.


- Não filha, fique aqui em nossa casa. Essa casa é sua também, e aposto que a Srta. Kim quer ficar, não é?


- Já reservamos um hotel.


- Pois desmarque. Pietro já colocou as malas em cada quarto com minhas ordens, e você fica. – o homem falou decidido.


Lalisa nada falou, apenas soltou um sorriso amarelo.


- Certo, ficarei então Sr. Manoban.


- Ótimo! Eu ainda mando aqui mocinha.


- Eu sei que sim, papa!


Lalisa se levantou e caminhou para próximo de mim, me levando até a varanda da casa, que dava de frente para o mar. A noite estava linda, as ondas quebravam violentamente no meio da escuridão. Ficamos caladas por alguns segundos apenas ouvindo o barulho do mar, quando resolvi falar.


- Se quiser posso ir para um hotel.


- De jeito nenhum, se eu vou ficar, você fica comigo.


- Eu não quero atrapalhar.


- Por favor Jennie, fique. Se quiser ir eu não vou impedir, mas estou pedindo que fique comigo.


- Lalisa...


Olhei no fundo de seus olhos, e eles tinham um brilho diferente do normal. Não era orgulhosa e nem alegre. Estavam tristes, melancólicos.


- Eu fico, tá? Fico aqui até o dia que precisar.


- Obrigada, e me desculpe por isso. Eu sei que estou sendo chata, mas é que são eles...


- Eles são maravilhosos Sra. Sua família é linda, você não deveria ficar assim.


- Você não entende, Kim.


Lalisa falando desviando o olhar do meu.


- Talvez eu não entenda, mas se precisar de mim eu vou estar aqui para você.


Falei da forma mais sincera que eu poderia me expressar. Lalisa me fitou novamente, ficando em puro silêncio.


- Posso pedir uma coisa?


Aquela pergunta que fazia seu coração disparar a mil me apenas ouvir.


- Claro, pode sim.


- Me dê um abraço, Jennie?


Eu juro que poderia me derreter inteira com aquele simples pedido. Ela queria um abraço meu, apenas meu. Eu respirei fundo, sentindo o ar escapar mais depressa dos meus pulmões. Eu nada falei, apenas assenti brevemente. Lalisa me olhava serenamente. A mulher deu um passo a frente, me fazendo sentir seus braços me envolverem forte. Inicialmente meu corpo ficou tenso, e o dela também. Mas ela relaxou assim que sentiu meus braços a sua volta. Um alivio tomou conta de mim, e aparentemente dela também. Lalisa tinha um abraço tão bom, que poderia me fazer esquecer a existência de qualquer coisa fora dali. Eu fechei os olhos, tentando prolongar aquele momento o máximo possível. Era uma situação que eu sabia que não aconteceria com frequência. A fragilidade de Lalisa não era algo que a mesma gostava de demonstrar, devido a isso, eu daria todo meu apoio quando ela resolvesse se expor de maneira tão sincera para mim. 


Eu sentia a respiração dela compassada contra mim, seu corpo quentinho me envolvendo com ternura. Por que ela tinha que ser tão maravilhosa? Porque ela tinha que me fazer gostar mais dela? Se não era exatamente comigo que ela queria algo. Tentei para de pensar, e apenas aproveitar aquele instante, até ouvir o seu maldito celular tocar. Lalisa me soltou, para logo tirar seu aparelho telefônico do bolso. Ela me fitou com um sorriso tímido e logo atendeu, colocando a chamada no viva-voz.


"Onde está você cadela? Bati na sua casa e nada de você aqui"


Soltei uma risada divertida.


- Eu disse a você que viria para casa dos meus pais na Tailândia, lembra?


" É verdade, eu tinha esquecido. Você podia ter me lembrado não é? " -  Seulgi falou fingindo estar irritada.


- Como eu iria saber que você tem problema de memória, Kang?


" Eu não tenho, ok? Tenho muitas boas memórias!"


- Só se for de suas saídas com todas aquelas mulheres.


Lalisa falou rindo ao telefone, eu apenas olhava aquela situação engraçada das duas, soltando vez ou outra uma risada.


" Quem está rindo aí? Você está com alguém, não é sua safada?! "


- Que isso mulher? eu sou uma pessoa direita. A Srta. Kim está comigo aqui.


" O que está fazendo com a minha mulher na casa dos seus pais? Fura olho! "


Corei violentamente, e Lalisa segurou o riso.


- Seulgi, talvez eu tenha esquecido de lhe avisar que o celular estar no modo de alto falante.


" Vagabunda! Você mesmo! Oi Jennie, não ligue para Lalisa, ok? Ela é louca. Não caia nos assédios dela. "


- Olá Seulgi. - falei calmamente.


" Deus sua voz é linda até por telefone, nossa Jennie, ainda me caso contigo. "


- Você não vai casar com a Srta. Kim Seulgi, não deixaria isso acontecer.


" Você não tem que se meter Manoban. Nada de se apaixonar por minha garota, eu vi primeiro! "


Naquele instante Lalisa e eu nos olhamos, e pela primeira vez eu vi a mulher corar diante de algo. Ela pigarreou algumas vezes se recompondo.


- Você já esta com sono ou bêbada? Nós falamos depois certo? Beijos Kang.


" Beijos gostosa, e isso não foi para você Lalisa. "


Fim da ligação, Lalisa colocou o celular no bolso ainda constrangida com o que Seulgi havia falado.


- Não ligue para ela, ok? Acho que deu para perceber o quanto Seulgi não é muito certa das idéias.


- Fique tranquila. Está tudo bem.


- Bom, vou levar você ao seu quarto então.


Eu apenas assenti. Lalisa me conduziu nas escadas ao enorme corredor da mansão Manoban, até o quarto onde eu ficaria. Paramos frente a porta em puro silêncio.


- Se precisar de algo, me chame. Obrigada de novo por vir comigo, Jennie.


- Já disse que não precisa me agradecer, estou feliz de ter vindo.


Lalisa sorriu.


- Estou feliz que você veio comigo.


- Ótimo então, eu prometo tentar fazer do seu final de semana melhor.


- Eu não duvido disso, boa noite Jennie.


- Boa noite senhora... quer dizer, Lalisa.


Lalisa sorriu e se afastou, deixando-me olhá-la até sumir naquele corredor imenso.


O dia hoje havia sido totalmente diferente, não existia empresa, não existia Ruby Jane. Só existia apenas Lalisa e Jennie, e seja lá aonde aquilo chegasse, eu iria até o final.


Eu faria a mesma se aproximar de mim, mas de mim de verdade. 





Notas Finais


Hey! Vocês preferem os capítulos assim como estão ou que eles fiquem um pouco menores?


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