História The Student - Capítulo 34


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Categorias Star Wars
Personagens Finn, General Hux, Kylo Ren, Leia Organa, Luke Skywalker, Personagens Originais, Poe Dameron, Rey
Tags Amor Proibido, Ben Solo, Estudante, Hentai, Kylo Ren, Rey, Reyben, Reylo, Reylo Student, Star Wars
Visualizações 76
Palavras 6.385
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello There!
Mais um capítulo gostosinho saindo do forno para vocês. Eu espero que gostem.

Eu me senti o Mickey escrevendo-o, pois ele contém alguns elementos surpresa que usaremos mais tarde 😉
Fiquem de olho nas informações jogadas, pois elas não estão aí à toa.

Boa leitura!

Capítulo 34 - XXXIII - Band-aid


Fanfic / Fanfiction The Student - Capítulo 34 - XXXIII - Band-aid

Ben saboreou seu café recém passado. Ele demorou a encontrar o pote de pó de café e quando o encontrou, ainda precisou lavar uma panela e limpar o fogão, para conseguir ferver a água. Tudo estava absolutamente nojento naquela cozinha imunda que não via uma faxina há semanas. Ele ficou aliviado e contente em descobrir que havia uma embalagem intacta de filtros de papel.

Enquanto a água fervia, ele tirou toda a louça suja que estava espalhada pelo cômodo e a organizou na pia, passou um pano humedecido na mesa para tirar o pó e os restos de alimento para que ele pudesse se sentar e pôs o lixo da pia para fora, com lixeira e tudo; o chorume e a comida podre estavam infestando tudo com seu fedor.

— Não entendo como não há ratos andando livremente pela sua cozinha, Dameron — disse ele, puxando a cadeira e se sentando finalmente na mesa. Olhou ao redor. Ainda estava tudo tão sujo, mesmo com a limpeza muito superficial que ele fez. E não fizera por Poe, mas porque estava tão incomodado que se não tivesse um compromisso para mais tarde, acharia balde, vassoura e esfregão e obrigaria Poe a limpar com ele toda a casa, começando pela cozinha.

Isso, inclusive, seria bom para ele. Ocupar as mãos é um ótimo jeito de acalmar a mente.

Mas ele não fazia nada disso.

Poe ficava o dia todo sem fazer quase nada, dividindo seu tempo entre assistir esportes e corroer-se em uma culpa dura e interminável. Ele tinha bolsas debaixo dos olhos e Ben não sabia se ele andava chorando; porém, não restava dúvidas de que não estava dormindo direito.

— Não há ratos nessa casa. Eight caça todos. — Ele caminhou devagar até a mesa e puxou a outra cadeira ao lado de Ben; esticou o braço para alcançar a garrafa de café.

— É bom saber disso, além de que o gato tem com o que se alimentar — disse ele, em tom de brincadeira.

— Eight não está passando fome, Solo. Para o seu governo, ele come até melhor do que eu. Estamos todos bem, não é amigão? — Ele olhou para o gato aconchegando-se aos seus pés, controlando o quase instinto de falar com ele com voz de bebê. Mas ele não fazia isso na frente das pessoas e com certeza não faria na presença de Ben. — Não se preocupe.

— Eu devo? — Ben indagou abaixando sua xícara. — Francamente, Dameron, você está péssimo.

— Obrigado pela parte que me toca.

— Eu sinto muito que esteja passando por isso, de verdade. Mas nem tudo é culpa sua.

— Isso é o que todo mundo vive me dizendo ultimamente... — Depositou a caneca na mesa cuidadosamente, observando o líquido preto em seu interior com pouco interesse. — Estranho, por que não consigo acreditar?

Ben suspirou. Seria difícil ter qualquer diálogo com ele sobre este assunto tão espinhoso. Entendia como ele se sentia, de certo modo. Ele também se culpou por muito tempo por coisas que fugiam do seu controle, como o abandono de seu pai, por exemplo.

Durante muitos anos, Ben não conseguia pensar em outra coisa senão o que ele teria feito de tão ruim para que seu pai desejasse partir sem dar um único adeus. Que filho mau ele deveria ter sido! Ele pensava. Foi sempre rebelde, malcriado, respondão, e outros tantos adjetivos que Winter saberia enumerar melhor do que ele. Han não deve ter aguentado, e ele, em protesto, ficou muito mais rebelde do que era antes.

Ele lidou com essa dor da pior forma que podia até não suportar mais gritar “FODA-SE!” para o Universo. Ele não se importaria mais. E foi a melhor decisão, em sua própria opinião. Não se importar era muito menos doloroso do que remoer algo que não tinha conserto, mas para isso foi necessário grande esforço. Fingir que está tudo bem quando nada está, essa sua rotina diária. Foi como colocar um band-aid numa ferida com pus.

E durante muito tempo foi assim. Ele envelheceu, entrou na faculdade, deixou de ser um jovem inconsequente e pouco a pouco foi se tornando mais responsável e maduro. Snoke também exigiu muito dele. No entanto, ao lembrar-se de sua reação ao ver o estranho na rua no dia em que conheceu Ella, o band-aid começou se soltar e Ben se deu conta de que aquela ferida nunca havia cicatrizado de verdade. Ainda sangrava, tinha muito pus, e doía como o inferno. Ele só tinha se esquecido disso.

Talvez, pondo numa balança, sua situação não seja semelhante a dele. Mas ele podia imaginar e isso não o impedia de compreendê-lo. Poe não sofreu com um abandono dos pais, pois eles morreram e deixaram apenas sua lembrança para ele se apegar – o que por si só já suficiente para ser traumático.

Sabia que ele se culpava por ter sido dele a ideia da corrida, e que se não tivesse ido em frente, talvez Paige estivesse viva agora. Era uma situação realmente muito complicada. Mas Ben não estava ali para julgá-lo, ele não estava em posição para isso e não era hipócrita de dar alguém seu julgamento se ele mesmo era um colecionador de decisões erradas, problemas pessoais e traumas internos.

— Sabe Ben — Poe disse —, você foi o único que de fato não mudou comigo.

— Como assim?

— Todos são tão gentis comigo, me dando suas palavras doces, mas eu vejo o julgamento em seus olhos. Todos acham que sou um irresponsável, mas não têm coragem de me dizer diretamente. Você não. Você já chegou me xingando porque a cozinha está imunda, que a casa está fedendo a merda de gato e abrindo todas as janelas.

— Eu precisava de oxigênio — retrucou bebendo um gole de seu café. A boca levemente retorcida para cima em um sorriso lateral.

— Olha, para um cara com um nariz desse tamanho...

— Se você terminar essa frase eu vou enfiar a areia cagada da caixa de Eight pela sua goela e te fazer engolir.

— Está bem! — Levantou os braços em sinal de rendição. Então riu. Ben não falava realmente sério e riu também. — Babaca!

— De volta aos velhos tempos. — Riram mais um pouco.

Deu-se conta de que aquela era sua primeira risada desde o fatídico acidente. Ele nem ao menos estava sorrindo antes de Ben aparecer e eles tornarem à dinâmica da relação deles de quando eram jovens e ainda moravam sob o mesmo teto. Com vida adulta e depois de cada um ir para seu canto distanciou um pouco os dois.

Poe procurou um espaço na pia onde pudesse colocar a caneca. A louça suja tinha se acumulado demais e ele precisava fazer algo respeito disso imediatamente, no entanto, ele escolheu colocar sua caneca na bancada ao lado e voltou a se sentar à mesa. Puxou Eight para seu colo e afagou sua cabecinha.

Ele estava enorme, tinha crescido bastante e não era mais um filhote. Poe beijou seu focinho, ele ronronava alto e esfregava a cabeça no peito do dono.

A companhia do felino era a razão de Poe ainda não ter ficado maluco. A única coisa em que ele se ocupou nas últimas semanas foi em cuidar de Eight com ainda mais dedicação. Está certo que a casa está imunda e ele não troca a areia onde ele faz suas necessidades há alguns dias, mas ele estava limpo e bem alimentado; o pelo mantinha-se brilhante e ele era tão gordo que parecia uma bola cabeluda laranja e branca. Aquela criatura redonda e esperta era quem mais lhe amava e precisava dele e essa relação com o próprio pet é o mais próximo que ele terá em sua vida de paternidade.

— Ele é muito apegado a você — Ben comentou, abrindo um pote de biscoitos e cheirando. O cheiro parece não o ter agradado ou ele não confiava na qualidade do alimento, pois fechou novamente o pote e o deixou de lado. Talvez algumas baratas tenham passado por ali à noite, ele preferia não arriscar.

— Ele é. Ele tem adorado esses dias que tenho ficado em casa.

— Uma hora você vai precisar sair e enfrentar o mundo, Dameron. Talvez até lave a louça suja e ponha a roupa para lavar antes. — Acrescentou uma nota de humor à última frase.

— Eu não sei se estou pronto... Para sair sabe. E o Eight não me condena com os seus olhos. — Ele encara o animal enquanto diz isso. Eight abriu os olhos e encarou o dono, então tornou a fechá-los para apreciar a carícia que Poe fazia em seu pescoço, esfregando a cabeça em sua mão procurando por mais daquele carinho. Tudo que Poe viu em seus olhos naquela fração de segundos foi amor. O amor que um animal sente por seu dono, genuíno e incondicional.

Isso o emociona um pouco.

— Eu também não estou lhe julgando. Mas estou preocupado com você, Dameron. Você não está nada bem.

E não estava mesmo.

— Eu sei... E não precisa se preocupar comigo, eu vou ficar bem.

— Tem certeza?

— Eu tenho.

Não tinha.

Um silêncio caiu entre eles. Ben terminou seu café e lavou sua caneca, diferentemente de Poe. Em seguida retirou-se para os fundos do quintal apenas para fazer uma ligação. Isso não passou despercebido pelo outro.

Ficando só com seus pensamentos e com Eight em seu colo, os pensamentos de Dameron viajaram novamente para a noite da festa. Tantas coisas que ele faria diferente e não é capaz de enumerar. Contudo, sem dúvida alguma, a corrida era a maior coisa de que ele se arrependia.

Todos eles estavam meio alterados por conta da bebida e mesmo sabendo que as corridas são perigosas mesmo estando sóbrios, eles arriscaram confiando que nada aconteceria e sairiam ilesos. “Nunca aconteceu nada de ruim antes, por que aconteceria agora?” Essa confiança tola foi o erro deles. O erro dele. Agiu como um jovem que não pensa no dia de amanhã e vive a vida como se não precisasse se preocupar com nada.

Acontece que ele não era mais nenhum jovem.

Poe tinha trinta e cinco anos recém completados, mas nunca soube viver como um adulto responsável. Não é à toa que Leia o considerasse um moleque.

Ele tinha muito a aprender ainda.

Quem sabe Ben esteja certo. Uma hora ele teria que sair da toca e enfrentar seus problemas como adultos fazem, de parar de agir como se não existisse o depois, sem se importar com as consequências de seus atos. Mas em tese tudo é muito bonito. Tudo é tão simples, é só chegar e fazer. Se essa fosse uma vida utópica, Poe levantaria daquela cadeira cheio de determinação, bateria as mãos uma na outra e começaria a mudar sua vida e todos os seus problemas se resolveriam. Mas essa é a vida real! Ela é dura e cruel. Não é como se ele fosse ter qualquer tipo de moleza.

Ele não conseguia nem pensar no momento em que ficasse cara a cara com Rose Tico depois de tudo o que houve sem que isso lhe enchesse de angústia e vergonha. Ele não se sentia capaz de ficar de frente com Jacen Syndulla sabendo que ele recebeu alta há dois dias, que deixou o hospital numa cadeira de rodas e que os médicos lhe deram poucas esperanças de voltar a andar.

Ele também soube por Wexley que finalmente contaram a ele sobre Paige e sua reação foi péssima. Jacen era apaixonado por Paige, todo mundo sabia disso. Ele gostava de provocá-la, de brincar com suas investidas, manter a coisa divertida e leve. Nunca foi correspondido, é fato, mas ele era louco por ela e Paige nunca o tratou mal. Poe não é capaz de imaginar como ele deve estar se sentindo agora.

Como ele vai enfrentar todas as pessoas que decepcionou? Como ele foi capaz de brincar com as vidas de duas pessoas que ele dizia amar como irmãos?

— Maldição! — resmungou. Levantou-se abruptamente e Eight escorregou de seu colo, caindo em pé. — Maldição! — ele gritou.

Agarrou o pote de biscoitos que Ben tinha negligenciado e atirou na parede oposta a ele, que se estilhaçou, assustando o gato. Chutou a cadeira, pegou a caneca que ele tinha usado para tomar café – que era a coisa mais próxima ao alcance de seu braço – e atirou contra a parede novamente, sem parar de gritar:

— Maldição! Caralho do inferno! Maldição, maldição!

Não era para as coisas terem terminado assim. Ele deveria estar sofrendo ainda com a ressaca, rir de doer a barriga ao se lembrar de uma batalha de karaokê ridícula que tivessem no meio da festa, talvez até pegado uma candidíase por causa do seu ritual estúpido de fazer todos os convidados beijarem o aniversariante antes de irem embora. Era assim que ele imaginava comemorar seus trinta e cinco anos. Porém, a realidade tende a ser decepcionante.

Chutou a outra cadeira da mesa e quebrou mais algumas louças que estavam largadas sobre a pia. Quando achou que seu rompante de destruição estava na hora de chegar ao fim, ele passou as mãos pelos cabelos que estavam mais compridos e pela cara, onde os pelos da barba também estavam maiores. Respirou fundo tentando se controlar. Ele sabia que se arrependeria depois de ter quebrado seus próprios utensílios, mas era isso ou fazer um ato destrutivo conta si mesmo.

Aquilo não estava certo. Aquela situação, aquela atitude. Não combinava com ele... Tudo que ele queria, e precisava, era voltar a ser o Poe de antes: determinado, esperançoso, divertido, de espírito livre e alma bondosa, que aquele sorriso que ele sabia que era contagiante voltasse a brilhar em seu rosto. Mas mais responsável e ponderado. Sim, isso seria bom.

Pressionou as mãos contra as órbitas oculares e quando abriu os olhos, percebeu Ben parado no liame da porta, observando-o.

— Você já terminou? — perguntou.

— Sim — respondeu não muito feliz.

— Sente-se melhor?

Ele hesitou um pouco, mas por fim confessa: — Não. Não me sinto melhor. Eu só... Só queria extravasar toda essa raiva. Não aguento mais!

— Eu compreendo. — Ben guardou o celular que estava na mão em seu bolso e caminhou até Poe. — Você sente raiva de si mesmo, e é muito pior do que sentir por outra pessoa. E acredite quando eu digo que é muito mais fácil perdoar os outros do que a si mesmo. Mas quebrar as suas cadeiras não vai remover sua culpa, nem trazer Paige Tico de volta ou curar as pernas de Jacen Syndulla.

— Então o que sugere que eu faça? — perguntou com tom de raiva, mas estava muito ansioso pela resposta.

— Lide com isso, é a sua única saída. Aceite as consequências, aprenda com seus erros para não os repetir e tente remediar as coisas de alguma forma.

— Como assim?

— O acidente aconteceu, e não há nada que você possa fazer sobre isso. Não pode retornar ao passado, você então precisa enterrá-lo, destruí-lo, e então poderá reerguer-se de sobre os escombros.

— Você fala como se fosse fácil, não é como simplesmente colocar um band-aid e tudo estará certo. — Ele abaixou a cabeça, fitando o chão por um instante.

— Não tem que ser fácil — respondeu —, tem que ser funcional. Eu coloquei um band-aid na ferida que Han Solo fez em mim, foi fácil, mas adivinha só? Nunca cicatrizou de verdade. Ainda dói e ainda sangra. Então, meu último conselho a você é usar o meu caso como exemplo do que não deve ser feito.

Poe encarou-o por alguns segundos. Ele sabia que aquele era um terreno perigoso de pisar, porém, foi o próprio Ben que tocou no assunto, logo, achou seguro ir adiante.

— Você nunca falou sobre seu pai comigo antes, nem naquela época. — Ben virou o corpo em noventa graus e olhou para a cadeira quebrada. — Eu lembro de sempre te dar abertura para conversar comigo, ou desabafar, sei lá... Mas você preferia ficar sozinho, fechado em si mesmo... — E acrescentou com cuidado: — Eu via o quanto você estava sofrendo, mas não podia fazer nada, além de te dar o espaço que você exigia e ao mesmo mostrar que estava ao seu lado. Sabe, eu sei como é perder um pai.

— Você de longe foi o mais compreensivo — Ben redarguiu. — Poe, já faz quinze anos... E eu não me orgulho nem um pouco disso, mas preferia que ele tivesse morrido a feito o que ele fez. Eu teria aceitado, pelo menos.

— Eu não entendo...

— O que você não entende?

— Han ter ido embora, abandonado a família... Eu via o quanto ele amava vocês.

— Mas como você testemunhou, ele não amava tanto assim.

— Não faz sentido, um dia ele estava lá, e no outro sumiu. Desapareceu durante a madrugada como fumaça.

Ele se lembra como se fosse ontem do dia que perceberam que Han havia ido embora. Lembra-se do desespero de Leia pensando que o marido tivesse sofrido algum acidente ou sido sequestrado. Luke foi o primeiro a verbalizar o verdadeiro medo da irmã, que a qualquer momento Han fosse encontrado morto. Todavia, a verdade não tardou a chegar.

Se ele fechar os olhos ele pode ver claro em sua mente um Ben Solo adolescente entrando inopinadamente na biblioteca e atirando um bilhete sobre a mesa, Leia olhando do bilhete para o filho e do filho para o bilhete antes de reunir coragem para pegá-lo.

“Desculpem-me, não posso ficar para o jantar.

H.S.”

— Ele foi embora! — Ben declarou. Os olhos vermelhos derretidos por lágrimas que não quis derramar.

Leia levou um tempo, o espaço que quase meio-minuto, para processar a informação. Era como se sua mente se negasse a acreditar. E ainda negando ela correu para o quarto que dividia com o marido. Poe a seguiu, a priori preocupado que a madrinha pudesse fazer alguma coisa e já pronto para intervir.

Porém, o que viu foi Leia abrir a parte de Han no guarda-roupas e descobrir que metade de suas roupas e alguns pertences pessoais tinham sumido, assim como uma mala. Ele tinha juntado o essencial e fugido.

Leia estava sem chão. Ele sabia disso quando a viu se sentar lentamente na beira da cama, afogando um soluço e respirando forte. Luke apareceu na porta ao lado de Poe e Leia se deu conta da presença de outras pessoas.

— Irmã... — Luke começou a dizer, porém não soube como continuar. Os olhos de Leia escancaravam o desespero de seu coração. Então ele se aproximou e tentou abraçá-la, mas ela negou o abraço.

— Deixem-me!

Foram tempos difíceis naquela casa e Ben foi de longe quem pior reagiu. Ele foi rebelde e agressivo com todos à sua volta, sobrou até para o primo de criação várias vezes.

Recorda-se que na época Leia contratou um detetive para descobrir o possível paradeiro do marido e o que teria acontecido com ele, porém, nada encontraram, para o seu total desgosto. Foi impossível para ela, durante muito tempo, voltar a dormir naquele quarto que tudo lembrava a Han.

Como o homem que foi casado com ela durante dezessete anos, que esteve ao seu durante os momentos mais difícil pelos quais passou e que era aquele com que compartilhava um amor verdadeiro e intenso, some como fumaça na calada da noite enquanto todos estão dormindo? Horas antes de cair no sono, nos braços do marido, eles tiveram uma noite de amor inesquecível e mágica. A melhor de toda a sua vida juntos. E de repente, todo o encanto se desfaz.

Não conseguia aceitar. Não fazia sentido! Alguma coisa estava muito errada em toda aquela história. Ela tinha certeza que havia uma razão para isso que ela não sabia, algo que o marido não compartilhou com ela.

Não restando outra escolha além de seguir em frente, ela se dedicou cada vez mais ao seu trabalho, numa tentativa de escape da realidade que vivia em sua família.

De volta ao presente, Ben meneava a cabeça levemente para os lados, olhando para o nada. O questionamento de Poe foi o mesmo dele durante muito tempo. Ele também achava que seu pai o amava, mas descobriu que não. Do contrário, ele teria ficado.

— Agora não importa mais — disse Ben. — O passado está no passado e não há nada que possa ser feito. Han deve estar há sete palmos do chão agora, em algum cemitério de uma cidadezinha pitoresca e esquecida por Deus.

— Isso é uma coisa muito cruel de se dizer do próprio pai.

— Por acaso não foi cruel o que ele fez a mim e a minha mãe? — Tornou os olhos para Poe e o encarou com o olhar furioso. — Sabe o quanto a minha mãe sofreu? Sabe quantas vezes eu a peguei chorando e ela mentia descaradamente na minha cara que não era por causa daquele desgraçado?

Leia.

A questão era ela.

Ben foi muito magoado sim pelo pai, todavia, toda a sua raiva era em razão dele ter magoado sua mãe. Isso que mais lhe revoltada e lhe enchia de ódio. Ver com seus próprios olhos pelo que a mulher que lhe deu a vida passou, por causa deste crápula, era imperdoável.

— Eu sei, Solo — Poe prosseguiu. — Eu morava com vocês, sei como a barra foi pesada naquela época. É só que... — Desistiu de terminar a frase e começou outra: — Você nem certeza se ele está realmente morto, ele pode estar por aí.

— Se estiver mesmo eu espero que ele tenha a decência de não voltar a dar as caras, pois eu juro por Deus, Dameron, que se o ver na minha frente eu quebro a cara dele!

— Ei, calma! — Poe apressou-se em dizer. — Eu sei o quanto isso é delicado, mas não vamos mais falar nesse assunto. Ok?

Ben se sentiu um pouco envergonhado do seu pequeno ataque de fúria e abaixou a cabeça constrangido. Respirou fundo e controlou suas emoções destrutivas.

Não importa como ou por quem esse assunto seja trazido à tona, falar do pai sempre consegue tirá-lo do sério de uma forma que nem uma outra coisa faz. Não é de admirar que ele tenha tido uma crise de pânico só por imaginar ter visto o pai na rua, quando tudo não passou de sua imaginação.

Ben passou a mão na cara e caminhou até uma das cadeiras que jazia no chão, pegando-a e passando a examiná-la. — Acho que ainda tem concerto.

 Não foi preciso dizer mais nada para Poe entender que o assunto estava encerrado.

 

[...]

 

Na cozinha de Poe Dameron, havia uma televisão antiga de quatorze polegadas pendurada na parede sobre uma pequena tábua grossa e larga de madeira, que ele colocou ali especificamente para segurá-la. Ele gostava de assistir os noticiários e os jogos enquanto estava preparando uma refeição ou lavando os pratos. A imagem e o som não podiam se comparar à Smart TV LED 60 UHD que estava na sala, em que ele podia assistir tanto à TV à cabo como Netflix e Youtube. Mesmo assim, servia para o propósito que ele lhe deu.

Poe ouvia as notícias, e volta e meia olhava para o casal de apresentadores do telejornal, enquanto limpava a cozinha. Finalmente Ben o convenceu de limpar aquela bagunça; concordava agora que a situação de sua cozinha era precária, dado ao trabalho que estava tendo para limpar. Ele jogou as cadeiras quebradas no quintal, dizendo que depois veria o que faria com elas, se as concertava ou se jogava no lixo destinado a reciclagem, limpou os cacos de vidro e os descartou enrolados em jornal.

Buscou outras duas cadeiras da sala de jantar e colocou-as na da cozinha temporariamente. Ben sentou-se em uma delas e ficou calado por um tempo, mas de dois em dois minutos olhava o celular. Não havia mensagens nem ligações perdidas de Rey; ele já estava ficando preocupado e aborrecido. Até que aproveitou o momento que o jornalista esportivo falava os placares dos jogos do fim de semana para cortar de vez aquele silêncio desconfortável. "Você acha que a Primeira Ordem vai ganhar o campeonato?”, “Eles são bons, mas os Rebeldes vão vencer”, foi o início da nova pauta. Uma dose de trivialidade para resgatar a leveza daquele encontro.

Ainda falavam quando o jornalista esportivo encerrou a sua parte e despediu-se dos apresentadores, houve uma pausa para o intervalo e logo após os comerciais, a primeira reportagem era sobre a prisão do líder da maior facção criminosa daquela região do país.

— Olha o tamanho desse cara! — Poe exclamou. Ben olhou para o pequeno televisor, sentindo dificuldade de ler as letrinhas pequenas na parte inferior da tela; sentiu falta de seus óculos. Desistindo de ler o que estava escrito, focou apenas nas imagens de dois policiais federais conduzindo um homem muito gordo algemado.

— Quem é esse?

— Pelos céus, Ben! É Jabba, o Hutt. Você nunca ouviu falar nele?

— Para ser franco, eu não tenho certeza. Só acho o nome familiar.

— É porque ele é o cabeça dos Hutt, aquela facção muito perigosa e famosa. — Poe olha para a TV. — Ninguém nunca tinha o visto, dizem que só quem trabalhava diretamente para ele. Finalmente o desgraçado foi pego.

Ben levantou-se e chegou mais perto da TV para ouvir melhor. Poe percebeu e aumentou o volume, e voltou a lavar os pratos.

“...os agentes federais conseguiram informações privilegiadas que levaram ao cumprimento de mais uma fase da Operação Carbonita, que desmantelou a facção criminosa Hutt, liderada por Jabba, que será levado a julgamento...”

Enquanto a mulher continuava falando, Poe perguntou a Ben: — Você acha que ele vai ficar preso?

— Pouco provável — respondeu ele. — Existe muita corrupção dentro da polícia e a Justiça não é justa como deveria ser.

 Hm... Você está certo. — Poe abaixou a cabeça e esfregou com mais força uma tampa, sentindo-se um pouco envergonhado. Ele só estava ali, lavando suas panelas sujas há dias ao invés de atrás das grades por causa de Leia e do seu advogado, porque a Justiça não é justa, e não porque era um inocente.

Ben percebeu um pouco tarde demais que o que disse teve efeitos em Poe.

— Oh... Sinto muito, Dameron! Eu não quis...

— Não, tudo bem. Deixa isso para lá.

“...a Operação Carbonita deu-se início com a investigação de uma série de assassinatos suspeitos, no que segundo as autoridades, seria uma queima de arquivo...”

— Essa gente é perigosa — Poe falou.

— Sim.

“...apesar de alguns permanecerem fugitivos, segundo o delegado que dirige a operação é uma questão de tempo até serem todos presos. A Operação Carbonita já vinha sendo realizada há oito meses, mas só agora com a prisão de Jabba, as notícias foram divulgadas...”

Ben pegou seu celular novamente, desbloqueou a tela e bufou. Nada. O que teria acontecido? Já eram quase dez horas na noite. Ainda estava com Luke? Enviou uma mensagem, tentando entrar em contato, mas ela nem ao menos recebeu e a última vez que esteve online foi às sete e meia da noite.

— Esperando a mensagem de alguém? — Sobressaltou-se momentaneamente com a pergunta de Poe, que tinha acabado de passar por ele para guardar algumas vasilhas no armário. O raciocínio foi rápido.

— Sim, é do meu trabalho. Amanhã haveria uma reunião importante onde serão apresentados os candidatos para a eleição do novo coordenador e até agora não tive resposta de ninguém da coordenação se a reunião foi adiada ou não.

— Ah... É que você olha tanto para esse celular, que pensei que era uma gatinha. — Sorriu e piscou o olho para o outro.

— Não, claro que não.

— Bem, eu não entendo nada disso, mas você pretende se candidatar?

— Estou pensando... Na verdade, eu não sei porque queria estar afastado da universidade já no próximo semestre. Quero muito fazer doutorado.

— Se a minha opinião vale de alguma coisa, eu acho que você deveria sim fazer esse doutorado, em outro estado de preferência. Quem sabe até arruma uma namorada por lá — brincou.

— Não tem como alguém como eu pensar em namoro quando estou empenhado em meus estudos, Dameron, principalmente quando começar a escrever a tese — ele disse naturalmente. Não tinha como Poe duvidar dele.

De fato, Ben estava mesmo interessado em fazer um doutorado, de preferência em outro estado ou até mesmo fora do país. Contudo, o que lhe segurava ali mesmo era Rey. A ideia de ficar longe dela, em outro lugar, parecia loucura aos seus olhos, e simplesmente insuportável. Seu único desejo naquele momento era reconquistá-la, tê-la junto a si e lhe propor ir com ele para longe de Coruscant.

No entanto, mais vinte minutos se passaram e Rey ainda não tinha retornado a ligação ou mandado nenhuma mensagem. A que Ben enviou nunca foi recebida por ela. Tudo isso somado a uma sensação ruim que estava sentindo o deixavam cada vez mais nervoso. E ele estava com medo de Poe começar a desconfiar de algo, porém, era normal sempre que se encontravam, conversarem até altas horas, com um deles indo embora depois da meia-noite ou uma da manhã, e contava com isso para não levantar mais suspeitas. Se bem que procurar por novas notificações no celular de cinco em cinco minutos não estava adiantando muito.

— Acho que a essa hora ninguém vai mandar mensagem — ele disse, como uma desculpa para seu comportamento estranho.

— Talvez avisem amanhã cedo.

— Sim, é possível.

Dez minutos depois, Ben estava convicto de que algo aconteceu para Rey não entrar em contato. Não era normal e ele a conhece o suficiente para ter certeza que ela não daria um bolo nele. Rey avisaria se não quisesse que ele fosse mais. E também tinha certeza de que a sensação ruim que sentia não era paranoia da sua cabeça. Não, algo aconteceu com ela, e só de imaginar o que poderia ter sido, ele estava ficando louco de preocupação.

O nervosismo era nítido na forma como ele roía as unhas. Dameron já tinha percebido isso, não havia engolido nenhuma das desculpas dele, porém, fingia que sim. Ele viu Ben crescer, moraram na mesma casa por anos. Não era tão simples assim seu primo de criação mentir para ele sem que ele perceba. Por respeito, guardou seus pensamentos apenas para si mesmo e não delatou que sabia que ele mentia. Se Ben não queria contar, tinha os motivos dele. E os dois sempre foram muito bons em respeitar a privacidade um do outro.

— Você quer uma cerveja? — Poe ofereceu.

— Quero sim — gritou Ben do corredor que levava à sala. Sentou-se no sofá e ligou a televisão, cuja imagem e som nem se comparavam às quatorze polegadas da tevê da cozinha.

Em instantes Poe chegava à sala com duas garrafas de cerveja, entregando uma para Ben. — Aqui, bem geladinha.

— Obrigado.

Brindaram. Poe sentou-se na poltrona colorida que ficava do lado do sofá e esticou as pernas, descansando os pés sobre a mesinha de centro.

Bem que Solo tentou relaxar, mas era difícil com Rey em seus pensamentos e ficando a cada segundo mais preocupado com ela. “O que eu estou fazendo?”, perguntou-se. “Tomando cerveja com Dameron enquanto pode ter acontecido alguma coisa com ela?” Em circunstâncias normais, ele já teria ido atrás dela. Contudo, iria demorar-se ali mais um pouco apenas o tempo de terminar a cerveja, então se despediria de Poe e com isso ele não desconfiaria de nada.

Foi então que o telefone tocou em seu bolso. Ele atendeu um pouco mais rápido do que deveria, apenas a tempo de olhar rapidamente para o número de telefone na tela. Era um número não registrado em sua agenda, mas ele atendeu mesmo assim.

— Alô?

— Ben?

Prendeu a respiração por um segundo e fechou os olhos quando reconheceu a voz.

A inconfundível voz de sua Rey.

O esboço de um sorriso em seus lábios surgiu em seus lábios, e foi necessário muito autocontrole para controlar-se, pois sentia o olhar de Poe sobre si.

— Sou eu. — A própria voz saiu em um tom mais ou menos aceitável.

— Eu deveria ter ligado mais cedo, me desculpe... É que aconteceu uma coisa...

— Como assim aconteceu alguma coisa? — Pôs-se de pé. — O que houve? Você está bem?

— Calma, eu estou bem... Meu celular descarregou, foi por isso que não estou ligando por ele.

— Tudo bem, onde você está?

— Estou em um hospital...

— Hospital?! — exclamou subindo dois tons na voz. Dessa vez mandou às favas seu autocontrole; dane-se a presença de outra pessoa.

— Calma, eu estou bem... Mas... É o Luke, Ben.

— Luke?

Poe colocou a sua cerveja sobre a mesa de centro e ficou de pé.

— Ele passou muito mal hoje mais cedo — disse com a voz chorosa. — Não sabíamos o que fazer e fizemos a única coisa que estava ao nosso alcance, que é trazê-lo ao hospital.

— Em que hospital você estão? — perguntou. Colocou sua cerveja que estava congelando seus dedos junto com a de Poe e já olhava ao redor procurando sua jaqueta.

— Espera aí, Solo. Como assim hospital? O que houve com o Skywalker? — Poe perguntou.

— Eu o levei para o hospital que ficava mais próximo de onde ele mora, mas só puderam fazer os primeiros socorros. O transferiram hoje mesmo para o Hospital Central de Manari. — Ben engoliu em seco nesse momento. Aquele hospital era especializado em câncer, doenças cerebrovasculares e Patologia. — Ele está lá dentro há horas, ainda não vieram nos dizer nada e estou aflita... Não sei o que fazer.

— Escuta, minha mãe, a irmã dele, ela já sabe?

“O que foi?” — Poe mexeu apenas os lábios para fazer a pergunta, visivelmente preocupado. Ben mostrou-lhe o dedo indicador, pedindo um momento.

— O Arthur está entrando em contato com ela agora mesmo. — Rey fez uma pausa, o que só deixou Ben mais nervoso. — Vocês precisam vir para cá, Ben. O quanto antes... Ben... Eu não sei se ele passa dessa noite. — Ela afogou um soluço. Sua voz esganiçada chegou aos ouvidos de Ben como um soco direto no estômago. — E não precisa se preocupar conosco, pois se perguntarem, eu sou a assistente do Luke que por coincidência também é sua aluna, que avisou a você enquanto o Arthur ligava para a sua mãe.

Ben encontrou sua jaqueta e a vestiu rapidamente sem tirar o celular do ouvido, apenas trocando-o de mão em mão. — Estou indo para aí agora mesmo. Qualquer coisa me mantenha informado, por favor.

— Ben — insistiu Poe Dameron.

— Está bem, quando você chegar estarei aqui te esperando.

— Ok. — Ben desligou, guardou o celular e pegou sua carteira e chaves.

Poe logo colocou-se na frente dele. — Ben, pelo amor de Deus, o que aconteceu com o Luke? Quem era?

— Era a assistente dele. Luke passou mal e está internado.

— Virgem santíssima!

— Eu tenho que ir para lá agora, já avisaram minha mãe e ela vai precisar de mim.

— Espera, eu vou com você! — Poe disse, e correu para as escadas. — Só me dá um segundo!

Desceu num instante vestido numa jaqueta e calçado sapatos. Correu de novo para a cozinha e encheu as tigelas de Eight de água e ração. Pegou as chaves de casa e a carteira e encontrou Ben já ligando o carro, sentando-se no banco do carona. Era a primeira vez que entrava num carro desde que voltou para casa. Era também a primeira vez que saia de casa desde o acidente. Entretanto, não era momento para pensar nisso.

Cinco minutos depois, o celular de Ben bipou com o som especial de uma mensagem de Rey, pois tinha editado um toque específico para saber quando era ela que lhe mandava mensagens. Ele arriscou ver a mensagem mesmo dirigindo.

 

Rey | 23h37min

Consegui um carregador.

Acabaram de trazê-lo. Está sedado e intubado. :’(

Ala 3, enfermaria 19.

 

Ben respondeu com o emoji de afirmativo com o polegar. Assim que chegou, uma das primeiras coisas que viu foi o carro de Leia já estava parado bem em frente, com o seu chofer escorado na lateral dele fumando um cigarro. “Ela entrou, senhor. Pediu para esperar”, ele dissera. Quando entrou, encontrou de fato a mãe, junto ao balcão de atendimento conversando com uma mulher de cabelo ruivo.

— Mãe! — exclamou ele. Leia virou-se e assim que viu o filho correu ao seu encontro.

— Ben! — Ele se inclinou e ela o abraçou forte, enlaçando seu pescoço com os braços — Que bom que você está aqui! Arthur me ligou e eu corri para cá. — Apartou o abraço e olhou para ele. — Como soube?

— A assistente do Luke ligou para mim, na mesma hora que ele lhe avisava — respondeu.

— Entendi. — Viu que Poe estava com ele e sorriu, indo ao seu encontro. — Poe, meu querido, você veio! Obrigada por estar aqui. — Também o abraçou. — Venha, temos que pegar nossos crachás. — Chamou os dois com um aceno da mão.

Minutos depois eles subiam para o terceiro andar, onde ficava a Ala 3. Quando saíam do elevador, Arthur vinha ao encontro deles. — Ah, até que enfim estão aqui! Já estava descendo...

— Onde está o meu irmão, Arthur? — Leia interpelou-o.

— Ali, enfermaria 19. — Apontou com o dedo. A senhora Organa deu dois passos na direção do quarto, mas Arthur entrou na frente. — Leia, tem algumas coisas que você precisa saber antes de entrar lá.

— O que meu irmão está fazendo nesse hospital especializado em tratamento de câncer, por exemplo? — perguntou, afiada, mas a aparente ira apenas mascarava o medo e desespero que haviam lhe acometido.

— Sim... Mas você precisa se acalmar.

Leia ia retrucar que estava calma, que precisava ver o irmão e que ele saísse da frente, no entanto, quando uma bela jovem se aproximou deles, um pouco acanhada, Leia fitou-a um tanto quanto surpresa, pois aquela deveria ser a assistente de Luke que Ben falara e que o próprio irmão já tinha mencionado por alto. Ela era muito mais jovem do que Leia tinha imaginado. E bonita. Era um pouco mais alta e esguia do que ela, e vestia uma calça jeans com uma simples camiseta branca.

Poe foi o primeiro a falar.

— Rey?

Ben imediatamente voltou a cabeça na direção que ela vinha. Encararam-se por três segundos que valeram como uma vida inteira, dizendo um ao outro tantas coisas naquele rápido olhar, que seria impossível verbalizá-las.

Como sentiu falta daqueles olhos esverdeados e curiosos. Viu-se encurtando o espaço entre eles e a puxando para um abraço possessivo, e beijou seu rosto inteiro deixando a boca por último, para depois sentir o cheiro de seus cabelos, e ainda não seria suficiente para matar a saudade.

Porém, foi quando ela virou o rosto que se deu conta que nada disso aconteceu. Ele apenas imaginou tudo.

A atenção dela estava agora em Poe Dameron e naquela mulher parada à sua frente: Leia Organa em pessoa.


Notas Finais


Sinto que talvez eu tenha me empolgado demais no ponto de vista do Poe, mas eu gostei muito do resultado. E foi necessário. E agora a Rey finalmente sabe quem é a mãe de Ben e a família do Luke descobrirá a verdade.
Não percam os próximos capítulos dessa novela mexicana espacial!

O que vocês acharam? Deixem-me saber. Gostaria de ouvir suas teorias.

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Beijos de luz! 😘


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