História The Surrender Complex - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Tinker Bell, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Visualizações 104
Palavras 1.857
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: FemmeSlash, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá pessoal, essa ideia me veio assim, meio do nada e vamos ver como fica. Eu nunca escrevi algo do tipo, então o feedback de vocês é essencial.
Bem, nessa fanfic vamos tratar de questões de traumas, sexualidade e problemas com aceitação própria. Emma é interssexual e Regina tem seus traumas. Quem não gosta desse tipo de história, não precisa ler. A ideia é ajudar as pessoas que têm alguma dificuldade com tais questões.
Eu peço discrição ao ler, e que tenham uma mente aberta. To muito nervosa com a aceitação dessa história.

Música do capítulo: Weather - Novo amor

Capítulo 1 - Weather


Regina’s POV

Meu corpo estava fraco, dolorido, algo segurava minhas mãos e pés, pareciam cordas bem grossas que machucavam meus pulsos, tamanha era a força que eu fazia para tentar sair dali. O quarto onde eu estava era escuro, não era possível ver nada, mas eu ouvi seus passos, senti o cheiro fétido de bebida e logo em seguida o corpo dele pesou contra o meu.

- Quanto menos você lutar, menos vai doer. – A voz grossa e enrolada pela bebida sussurrou no meu ouvido.

O homem rasgou minhas roupas com violência. Eu gritava para ele parar. Não adiantava. Nunca adiantava. Minhas pernas foram afastadas e a dor que senti entre elas foi demais para eu gritar. Lágrimas escorriam pelo meu rosto e levavam junto toda a minha vida, o meu eu. Tudo o que restava de mim era um corpo vazio e violado por um homem sem coração.

Acordei em um pulo com o corpo banhado em suor frio. A falta de ar e as batidas aceleradas do meu coração me davam certo desespero. Respirei devagar contando os segundos, como haviam me ensinado, com o intuito de me acalmar. Afastei as cobertas apavoradamente e avaliei meu próprio corpo em busca de marcas ou machucados. É claro que foi só um sonho, um dos tantos que insistem em me assombrar, me lembrando de um passado que luto para deixar para trás.

Permitam que eu esclareça umas coisas para vocês. Meu nome é Regina Mills, e eu, com anos de tratamento psicológico, consigo dizer isso em voz alta. Eu, Regina Mills, fui violentada sexualmente pelo meu tio bêbado quando tinha 15 anos.

Meu tio nunca foi uma pessoa equilibrada, ele bebia demais, era nervoso demais, não tenho uma lembrança de festas de família em que ele estivesse bem. Não cabe dizer seu nome aqui, afinal, ele se foi, com uma overdose fatal de heroína misturada com whisky.

A violência começou quando meus pais precisaram viajar por um mês a trabalho, eu tinha a escola e não podia faltar, então me deixaram na casa dele que era o único parente próximo. Ele havia bebido muito naqueles dias, ele sempre bebia muito, eu não entendia sua necessidade de álcool e drogas, talvez algo tivesse acontecido a ele próprio e precisava se esconder atrás dessas substâncias.

Eu me lembro bem dos olhos dele, as íris verdes quase invisíveis pela pupila dilatada. O cheiro de bebida. Dá para imaginar que eu não suporto cheiro de bebida hoje em dia, não é? Aquele foi, sem dúvidas, o pior mês da minha vida. Ele não só tirou minha virgindade, ele destruiu minha inocência, minha alma, o meu ser.  Eu nunca pude contar para os meus pais. Eles eram o tipo de casal conservador e mencionar a palavra sexo já era um crime. Se eles soubessem que a princesa deles foi forçada a isso, eles desmentiriam, brigariam comigo, diriam que eu estava enlouquecendo.

Portanto, a única alternativa que encontrei, foi seguir em frente, sozinha. Me convenci de que eu era forte, que eu podia deixar aquilo para trás. É claro que não foi fácil, nunca é fácil. Hoje, com meus 25 anos, eu tenho meu próprio apartamento, uma conta bancária gorda, um consultório de psicologia, uma mente disciplinada e ninguém para conversar. Eu nunca permiti que ninguém se aproximasse romanticamente de mim. Meus muros eram altos, e eu não os abaixava por ninguém. Já havia tido relacionamentos, exclusivamente com mulheres, eu não conseguia confiar em homens o suficiente para me envolver com eles e eu sempre tive certa atração por mulheres. Ainda assim, os dois relacionamentos que tive terminaram por elas quererem sexo e eu não.

Me levantei e tomei um banho quente. Fazia frio lá fora. Envolta por um roupão, eu olhava pela janela e avistava as pessoas lá embaixo. Quantas delas já haviam passado por algo horrível?

Vestindo um sobretudo por cima da calça jeans preta e da blusa social, tranquei meu apartamento e andei até a cafeteria mais próxima perdida em meus pensamentos.

Já na cafeteria, me sentei em uma mesa próxima à janela.

- Bom dia Miss Mills, o que vai querer? – A atendente veio até mim e perguntou simpática.

- Bom dia Rose, um expresso americano, por favor.

Naquele dia em especial, eu estava extremamente cansada, os pesadelos não me deixavam descansar e traziam de volta lembranças que doíam. Mesmo assim, eu não deixava transparecer, tentava tratar as pessoas com gentileza e educação, afinal, elas não tinham culpa do meu sofrimento.

A garçonete vinha trazendo meu café quando uma loira entrou na cafeteria um tanto apressada se chocando com Rose e derrubando o meu café todo em sua própria roupa. Cobri a boca em surpresa. A funcionária começou a pedir mil desculpas para a loira enquanto eu assistia à cena rindo internamente. A mulher foi até o balcão e, com um pano dado pela garçonete, tentou limpar sua regata branca agora com manchas de café por todo o tecido.

Eu devia estar com uma expressão de divertimento porque a loira se voltou para mim com um olhar divertido e reprovador.

- Está achando graça não é senhorita? – O tom dela era brincalhão.

- Bem, eu estou achando é que você me deve um café, já que sua camiseta decidiu tomar todo o meu. – Segui a brincadeira dela.

- Huum.. – Ela fez uma expressão pensativa. – Certo. Eu pago seu café, se me disser seu nome.

Eu avaliei cuidadosamente a mulher à minha frente. Olhos claros muito profundos, porte atlético, roupas simples, calças jeans, jaqueta de couro e a regata que, agora molhada, marcava bem seu abdômen definido. Ela era, sem dúvidas, interessante.

- Regina. Mills.

A loira estendeu uma mão para mim.

- Prazer, Emma Swan. – Apertei sua mão intrigada com aquela mulher. Havia algo nela. Algo diferente, que eu não sabia explicar. Algo que fazia o mundo parecer mais bonito.

Okay, vamos com calma Regina, é só uma mulher. Mais uma que não se aproximará de mim.

A loira abusada se sentou na mesa em que eu estava e Rose trouxe nossos cafés. Na verdade Swan tomava um chocolate quente com canela. Estranha combinação que só me intrigou mais.

- Sério? Chocolate quente? Quantos anos você tem?

- Hey não julgue meus chocolates, eu não julguei seu café fervendo que caiu em mim.

- Ahm.. quanto a isso. Tome. – Tirei meu cachecol e lhe entreguei. Ela me olhou confusa. – Essa camiseta branca está praticamente transparente Swan.

Emma olhou para a própria barriga e ruborizou, algo que eu achei adorável. Pegou o cachecol de minhas mãos e se cobriu, me dando um sorriso logo em seguida.

- Obrigada.

Apesar de nunca ter visto Emma, parecia que nos conhecíamos há séculos. Nossa conversa fluiu tão facilmente que não acreditei que era eu mesma que estava ali. Onde estava a Regina calada, reclusa e inalcançável?

Naqueles vinte minutos que ficamos ali conversando, eu não me senti mais tão triste, não me senti tão danificada, tão vazia. Ali, com aquela estranha, eu pude ser eu mesma, sem passado, sem futuro. Só o que existia era o agora. E o agora tinha olhos lindos e estava me fazendo rir como ninguém nunca havia feito.

Um sentimento de conforto e felicidade me tomaram naquele momento e tudo o que eu fiz foi sorrir. Há quanto tempo não me sentia bem assim.

- Então senhorita Mills, me diga. O que vossa majestade faz para viver?

Ri do meu novo apelido.

- Eu tenho um consultório de psicologia.

- Uau uma psicóloga, eu quero um cartão, caso eu precise de uma consulta algum dia.

Eu não sabia ao certo se ela falava sério ou se só queria meu número. Por fim, dei um cartão para ela.

- Huuum, sabe eu tenho uma teoria de que todo psicólogo passou por algo difícil para trabalhar com isso. O que aconteceu com você? – Ela perguntou e abaixei o olhar.

Era hora de ir. Eu precisava ir. O ar me faltou e eu me levantei. Seu olhar confuso para mim me fez perceber o quão estranho eu estava agindo. Respirei fundo e disse educadamente.

- Eu preciso ir agora, foi um prazer miss Swan.

Saí da cafeteria antes que Emma pudesse dizer qualquer coisa.

 

Emma’s POV

Naquela manhã eu corria pelo apartamento procurando minhas roupas, estava atrasada, muito atrasada. Eu precisava estar na faculdade em vinte minutos para pagar minha inscrição da palestra de hoje. Seria com uma psicóloga renomada que falaria sobre identidade de gênero. Eu, Emma Swan, sendo interssexual, não poderia perder isso.

Na verdade minha condição foi o que me fez entrar na faculdade de psicologia. Eu nunca fui bem aceita pelos meus pais que queriam uma menina, uma menina com órgãos genitais femininos. Namorados? Bem homens não gostavam do que eu tinha, e as mulheres... digamos era tudo extremamente complicado. Então eu seguia sozinha. Meus namoros não passaram de beijos desajeitados sem o mínimo de sentimento. Mas eu, sendo uma pessoa sonhadora, não desistia da ideia de que alguém um dia fosse me aceitar.

Eu nunca lidei bem com nada disso, já fui chamada de aberração, monstro, anormal. E tudo o que pode-se imaginar. Para evitar tais coisas, a única pessoa da minha vida era minha melhor amiga Ruby. Ela era o tipo de pessoa que não liga se você é homem, mulher, lésbica, alien. Ela te trata do mesmo jeito.

Cheguei na faculdade apressada e por pouco não perco o prazo. Pagada a matrícula, decido tomar um café num estabelecimento próximo. Ao entrar no café, desastrada como sou, trombei com a garçonete e o café quente que ela levava banhou toda a minha camiseta branca.

A moça pediu desculpas e enquanto eu me limpava, avistei uma morena rindo da minha cara. Que absurdo! Ao me aproximar, meu coração errou uma batida ao perceber a beleza estonteante da mulher. Apesar de toda a pose de rainha, eu notei algo estranho ali, uma tristeza profunda talvez.

- Está achando graça não é senhorita?

Ela brincou comigo no mesmo tom e a conversa fluiu muito naturalmente. Eu sentia uma necessidade de fazer aquela mulher sorrir que não sei de onde vinha. Mas quando descobri o quanto aquele sorriso era lindo, eu não quis parar mais. Ela era psicóloga, já temos o que conversar, uma vez que estou no meu sétimo período de psicologia.

Pedi um cartão seu com a desculpa de marcar uma consulta, mas a verdade é que eu não podia perder o contato com aquela mulher. Eu queria conhecê-la, desvendá-la, aprender tudo o que há para se aprender sobre ela.

Quando perguntei o que houve com ela para decidir seguir essa profissão, a morena pareceu um tanto abalada, e me arrependi no mesmo instante. Ela saiu sem me deixar dizer nada e eu fiquei profundamente intrigada.

Fui para casa pensando em ligar e pedir desculpas, mas me faltava coragem. O dia se passou sem que Regina saísse da minha cabeça, e a noite fui para a palestra. Coloquei uma roupa mais apresentável que aparentava uma seriedade que não era minha.

Me sentei ao lado de Ruby no auditório cheio e avistei a palestrante do dia.

Não acredito!

Regina!


Notas Finais


Então pessoal, gostaram??
Me digam por favor !!!!


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