História The Sweet Escape - Capítulo 32


Escrita por: ~

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Categorias Academia de Vampiros (Vampire Academy)
Personagens Adrian Ivashkov, Christian Ozera, Dimitri Belikov, Rosemarie "Rose" Hathaway, Tasha Ozera, Vasilisa "Lissa" Dragomir
Tags Abe Mazur, Dimitri Belikov, Romitri, Rose Hathaway, Vampire Academy
Visualizações 257
Palavras 6.028
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 32 - The Unforgiven


How can I be lost, if I've got nowhere to go? 

Search for seas of gold 

How come it's got so cold? 

How can I be lost? 

In remembrance I relive 

And how can I blame you, 

When it's me I can't forgive? 

The Unforgiven III - Metallica

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Dimitri's Pov

Abe abaixou a cabeça sem saber como responder a pergunta de Rose. Eu encostei a testa na porta sentindo o peso do mundo em meus ombros, isso está mesmo acontecendo? A Dra Adams avisou que a chance de Rose ficar paraplégica era de mais de 90%, mas...

- Eu vou chamar um médico - Abe declarou visivelmente afetado.

- Eu não vou mais andar, não é? - Ela soluçou.

- Princesa... - Ele voltou a se sentar.

Eu deveria estar ali, era eu que deveria estar apoiando Rose nesse momento. Mas eu soube o que eu precisava fazer. Eu me afastei da porta, eu tinha que conseguir um médico, eu tinha que fazer alguma coisa pra ajudar. Qualquer coisa.

- Dimitri... - Janine quase esbarrou comigo quando eu dobrei o corredor apressado.

- Rose acordou - Eu contei. - Avise o Sr Mazur que eu fui chamar um médico.

- Claro, mas... - Eu não fiquei para ouvir a resposta.

A médica saberia o que fazer, eu tenho certeza. Ela disse que teria um último recurso caso isso acontecesse.

- Com licença, eu procuro a Dra Adams - Eu parei uma enfermeira.

- Algum problema? - Ela franziu o cenho.

- Minha esposa acordou e...

- Quarto 328, certo? - Ela confirmou.

- Sim.

- Eu vou chama-la imediatamente - A mulher me tranquilizou - Apenas volte para o quarto Senhor.

- Obrigado - Eu suspirei.

- Na próxima vez, você pode usar o botão de emergência para nos chamar - Ela avisou. - Não precisa deixa-la.

Eu voltei até o quarto pensando no que eu deveria fazer. Ela disse que não queria me ver ainda, eu devo insistir e ignorar seu desejo? Deus, eu preciso vê-la, mesmo que por alguns minutos, mas isso vai causar dor a ela?

O que eu faço!?

Eu me encostei na parede oposta à porta do quarto de Rose, pegando meu celular em seguida.

- Sim? - A voz de Karo me confortou.

- Karo, Mama está aí? - Eu questionei em minha língua materna, atraindo a atenção de algumas enfermeiras que estavam em um balcão próximo.

- Dimka, está tudo bem? - Ela questionou preocupada. - É cedo pra você, não é?

- Eu só preciso falar com ela...

- Ela não está... Dimka, o que está errado? - Ela insistiu.

- Rose sofreu um acidente. - Eu acabei contando por fim.

- Ohh Dimka.. ela está bem? - Karo questionou enquanto a Dra Adams entrava no quarto de Rose acompanhada de um enfermeiro.

- Foi minha culpa Karo - Eu soltei agoniado - Nós brigamos e ela pegou o carro e..

- Dimitri, você não pode se culpar - Minha irmã me cortou - Acidentes acontecem.

- Ela pode não voltar a andar, Karo - Eu gemi.

- Dimka...

- Eu nunca vou me perdoar se isso acontecer - Eu respirei fundo.

- Eu queria estar aí com você, Dimka - Ela fungou - Deve estar sendo horrível pra você.

- Eu preciso ir - Eu respondi ao notar uma movimentação no quarto.

A porta se abriu e a Médica saiu com o enfermeiro empurrando Rose em uma maca. Nossos olhares se cruzaram por um momento, Rose tinha os olhos vermelhos e ainda marejados. Ela virou a cabeça mantendo nosso contato visual.

- A reação dela não foi das melhores - Janine comentou parando ao meu lado.

- O que a médica disse? - Eu questionei

- Estão levando ela para fazer alguns exames - Ela explicou - Vamos descobrir se é algo permanente ou não.

Eu absorvi aquela informação em silêncio. Abe estava parado à porta do quarto me encarando com uma expressão nem um pouco feliz, algum dia eles vão me perdoar? Eu mereço esse perdão?

- Vamos tomar um café, Dimitri? - Janine convidou.

- Eu não sei.. - Eu observei Abe.

- Não ligue pra ele - Ela deu de ombros - Você mexeu na menina dos olhos dele, ele está irritado. Mas sabe o que é melhor pra filha.

Eu a segui até a cafeteria imaginando o que ela poderia querer comigo. Porque ela parece estar sendo tão compreensiva?

- Uma coisa que eu aprendi nessa situação, é que o café é o nosso melhor amigo - Ela comentou ao seu sentar em uma das mesas, pedindo um expresso.

- Você tem mais experiencia nisso do que eu. - Eu suspirei pedindo o mesmo.

- Em ficar em hospitais com Rosemarie? - Ela sorriu - Com certeza eu tenho. Ela sempre tinha algum osso quebrado, uma concussão...

- Mas agora...

- Agora é diferente... Eu sei - Ela respirou fundo - Rosemarie vai precisar de força Dimitri, independente do que acontecer.

- Porque nós estamos aqui, Sra Mazur? - Eu questionei.

- Me chame de Janine - Ela pediu. - E eu estou apenas tentando fazer o meu trabalho de mãe, Belikov. Ibrahim cuida de Rose quando ela está doente, eu resolvo os problemas...

- E eu sou um problema.. - Eu constatei.

- É o que eu estou tentando descobrir - Ela deu de ombros.

- Você quer saber sobre o nosso acordo? - Eu perguntei me sentindo desconfortável.

- Eu sabia - Ela soou despreocupada me surpreendendo.

- Como?

- Eu ouvi vocês dois conversando - Ela explicou sorrindo depois que um rapaz deixou duas pequenas xícaras em nossa mesa - na noite que você deu o anel a ela. Você estava com medo de levar um tapa se tentasse beija-la.

Eu não pude me impedir de sorrir com a lembrança daquele dia, sentindo meu coração se entristecer em seguida. Eu vou voltar a beija-la algum dia?

- Porque você a deixou fazer isso, se sabia o que estávamos fazendo? - Eu tentei mudar meu foco.

- Rosemarie sempre abominou casamentos, Dimitri - Ela relatou - Era praticamente impossível leva-la às festas de nossos amigos e, você tem três irmãs, deve saber do que estou falando, as garotas gostam de brincar.

- Sim, minhas irmãs brincavam de casamento o tempo todo - Eu comentei - principalmente a mais velha, as vezes ela me vestia como noivo.

- Vasilisa tem o casamento planejado nos mínimos detalhes desde os oito anos - Ela continuou - Mas Rose odiava ter que fazer parte disso. Inúmeras vezes eu tive que consolar a garota porque Rosemarie tinha estragado seu casamento.

- Ela parece o tipo de garota que faria isso - Eu sorri.

- Eu já tinha aceitado o fato de que eu nunca iria no casamento de minha filha, então imagine a minha surpresa ao descobrir que ela iria se casar e que estava animada com isso.

Eu me lembrei dos meses que antecederam nosso casamento, todos os preparativos, e Rose definitivamente estava feliz com aquilo tudo, era impossível imaginar que ela repudiava tanto a ideia de se casar.

- Eu decidi observar vocês dois e no dia que nós fomos experimentar o vestido de noiva e ela ficou toda alvoroçada procurando um que você gostasse, porque ela queria que você a achasse bonita... Bem, ali eu decidi que era melhor não interferir - Ela terminou de beber o expresso enquanto o meu permanecia intocado.

- E você se arrependeu disso? - Eu a encarei.

- Vamos direto ao ponto Dimitri. - Ela retribuiu o meu olhar - Eu não estou aqui para te julgar, te perdoar, te culpar ou o que quer que seja. Como eu disse, eu estou aqui para resolver um problema.

Eu permaneci calado, esperando que ela se explicasse. Se eu não sou o problema, o que ela quer resolver comigo?

- Eu já falei Dimitri, Rose vai precisar de apoio nesse momento - Ela continuou - Por mais que ela esteja chateada, ela precisa que você esteja ao lado dela.

- Eu só estou dando um tempo a ela - Eu desviei o olhar. - Ela precisa..

- Não, ela não precisa - Ela me interrompeu - É claro que você não vai chegar lá e exigir que tudo seja como antes, mas se manter longe como você está fazendo não é o melhor pra ela.

- Como você sabe? - Eu murmurei. Ela não entende o que aconteceu, pra ela é fácil. A culpa não foi dela, Rose quer que ela esteja ali a apoiando.

- Porque eu sou a mãe dela - A mulher me olhou como se eu estivesse sendo ridículo. - E porque hoje, enquanto ela recebia a noticia, por mais que eu e Abe estivéssemos ali, ela não parava de olhar para a porta. Você acha que eu não vi como ela te olhou quando a levaram?

- O Sr Mazur não quer que eu me aproxime - Eu apontei - Ele deixou isso bem claro.

- Eu me resolvo com o Ibrahim - ela respondeu com rispidez - eu só preciso saber quando você vai parar de ficar se lamentando pelos cantos e cuidar da minha filha!

- Eu só preciso...

- Eu não me importo com o que você precisa Dimitri - Ela me interrompeu novamente. - Eu estou aqui para fazer o melhor por Rosemarie, eu não te julgo pelo o que aconteceu, mas se você não é capaz de cumprir o que jurou em seus votos, então apenas se afaste e deixe que eu e Ibrahim cuidemos disso. Eu mesmo compro sua passagem de volta para a Rússia, isso pouparia muito trabalho ao meu marido que está tentando encontrar uma forma de te deportar sem envolver Rose.

- Eu nunca a abandonaria - Eu garanti. Ela realmente pensa que eu seria capaz de fazer algo assim?

- Então eu agradeço se você deixar sua auto piedade de lado e se focar na minha filha agora, Dimitri - Ela cruzou os braços - Você é capaz de fazer isso?

- Sim - Eu respirei fundo. - Mas eu duvido que o Sr Mazur vá concordar.

- Eu já disse, isso é problema meu - Ela se levantou. - Aproveite que Rosemarie vai passar a tarde fazendo exames e vá para casa tomar banho. Esteja apresentável quando ela voltar.

- Obrigado Janine - Eu respondi sinceramente também me levantando.

Ela tem razão, Rose precisa de mim agora, e isso faz parte de minha redenção.

Eu segui seu conselho, Eu voltei ao apartamento, tomei banho, me barbeei e comi alguma coisa antes de retornar ao hospital. Pelo menos Janine não acha que o melhor é que eu me afaste de vez de Rose.

Eu cheguei ao hospital no meio da tarde, Rose já tinha terminado os exames e eu segui até seu quarto decidido a conversar com ela, mas acabei me detendo na porta ao notar algumas pessoas lá dentro. Talvez eu deva esperar até que ela esteja sozinha.

- Ou você pode parar de inventar desculpas - Eu murmurei abrindo a porta, entrando em silencio e me colocando em um canto do quarto.

Abe imediatamente me lançou um olhar irritado enquanto Lissa e Christian preferiram ignorar minha presença, mas a pessoa que me interessava mal piscava ao me encarar.

- Ok - Janine se levantou - Acho que todos precisamos fazer alguma coisa em outro lugar.

- Eu não.. - Abe começou.

- Vamos Ibrahim, hoje você vai dormir em casa. - Ela o interrompeu, ele saiu me lançando um olhar desagradável enquanto Lissa não se moveu.

- Janine eu não acho... - Ela reclamou.

- Vasilisa, os dois podem se resolver sozinhos. Vamos - Janine insistiu em um tom que não deixava espaço para discussão.

- Vamos Liss - Christian suspirou - Janine tem razão.

Eu esperei até que todos saíssem e fechassem a porta, Rose permanecia calada me observando. Eu me aproximei cuidadosamente da cama, notando a morena desviar o olhar para suas mãos.

- Desculpe não vir antes - Eu experimentei.

- Estava ocupado com algo mais importante? - Ela continuou olhando para suas mãos.

- Não existe nada mais importante do que você, Rose - Eu garanti. - Como você está se sentindo?

- Ótima, você soube da novidade? - Ela ergueu a cabeça me encarando pela primeira vez desde que ficamos sozinhos.

- Rose - Eu gemi quando ela forçou um sorriso apesar dos olhos marejados.

- Não, está tudo bem, sério - Ela limpou uma lágrima com rapidez tentando fingir alegria - Eu tenho certeza que me pai vai conseguir a melhor cadeira de rodas pra mim.

Eu tentei segurar sua mão ao ouvir um soluço sentido vindo da garota, mas ela a puxou para longe do meu alcance com rispidez.

- Rose, eu sinto muito - Eu supliquei. - Eu..

- Eu não preciso da sua pena, Dimitri - Ela respondeu em um tom acido.

Eu fechei os olhos e me apoiei na grade de sua cama, abaixando a cabeça em seguida.

- O quanto você me odeia, Rose? - Eu questionei aflito

- O que? - Ela piscou confusa, soltando mais algumas lágrimas.

- Você me odeia o suficiente para querer que eu suma da sua vida? - Eu continuei no mesmo tom. E se ela decidir que o melhor é que eu me afaste? Eu vou respeitar o desejo dela?

Rose voltou a encarar suas mãos, eu notei algumas lagrimas caindo no lençol enquanto eu esperava alguma resposta.

- Você quer que eu vá? - Eu insisti.

- Eu odeio não conseguir te odiar - Ela me encarou com os olhos vermelhos. - Porque você fez aquilo?

- Eu errei em não te contar, eu sinto muito. - Eu puxei a poltrona para próximo de sua cama, me sentando ali. - Eu não achei que fosse importante.

- Você achou que fosse importante quando ela apareceu seminua no seu quarto? - Ela me fitou.

- Eu..

- Se eu não tivesse visto, você acharia importante me contar? - Ela voltou a limpar o rosto.

- É claro que sim - Eu garanti.

- E como eu posso confiar que você não está falando apenas o que eu quero ouvir? - Ela desviou o olhar. - Eu confiei em você e você quebrou isso...

- Eu cometi um erro - Eu implorei. - Mas eu sinto muito, se eu pudesse voltar no tempo...

- Mas você não pode - Ela me cortou.

- Algum dia você vai me perdoar por isso? - Eu desviei o olhar, piscando para afastar as lágrimas.

Ela se manteve em silencio, nós dois vamos terminar assim? Esse é o fim?

- Quais foram os resultados dos exames? - Eu questionei tentando quebrar o silencio.

- Eu vou passar por uma cirurgia pela manhã - Ela informou - Tem 20% de chances de dar certo...

- 20% é bom - Eu garanti.

- Você é um péssimo mentiroso, Dimitri - Ela abaixou a cabeça - Não me diga que tudo vai ficar bem.

- Mesmo se não ficar, eu vou estar ao seu lado - Eu tentei segurar sua mão novamente.

Rose recolheu a mão, desviando o olhar.

- Ok, sem te tocar.. Eu vou esperar até você estar pronta pra isso - Eu comentei desanimado - Eu vou só ficar aqui, eu vou cuidar de tudo o que você precisar.

- Eu já disse que não preciso da sua pena - Ela me encarou.

- Eu não preciso ter pena de você - Eu garanti - Mas eu jurei na frente de inúmeras pessoas que estaria ao seu lado em todas as situações, e é o que eu vou fazer.

- Eu ainda vou voltar para a casa do meu pai - Eu desafiou.

- Eu vou passar o maior tempo possível lá - Eu dei de ombros - Mesmo correndo o risco de ser morto por seu pai.

- E hoje? - Ela mordeu o lábio.

- Eu não vou sair desse quarto - Eu respondi - É melhor se acostumar com a minha presença.

Nós passamos alguns momentos em silêncio. Rose parecia completamente disposta a me ignorar, mas pelo menos eu estava ali com ela.

- Você... - Ela começou.

- Sim?

- Não precisa ser hoje - Ela mordeu o lábio - Mas você pode trazer o meu notebook pra mim? Eu perdi o celular e é meio entediante tudo isso...

- Quer o meu? - Eu ofereci - Você pode entrar na internet...

- Obrigada - Ela sorriu minimamente enquanto eu estendia o celular a ela.

Nós não conversamos muito depois disso. Ela devolveu o celular quando eu recebi uma ligação de minha mãe. Mais tarde o efeito dos analgésicos passaram e suas dores se tornaram quase que insuportáveis, a enfermeira aplicou uma nova dose a deixando sonolenta. Rose dormiu até o dia seguinte, eu me mantive desperto o tempo todo, observando minha esposa ali deitada.

Abe apareceu assim que amanheceu, Rose iria pra cirurgia em breve e eu decidi voltar ao apartamento para buscar seu notebook, assim eu poderia voltar rápido para acompanhar a cirurgia e recuperação.

Eu estava procurando o cabo do notebook pelo apartamento quando ouvi o som da campainha. Quem poderia ser? O porteiro não me avisou nada.

Eu abri a porta me surpreendendo ao encontrar o Sr Elliot Reed parado ali. Ele trabalhava na imigração e nos fez uma visita na semana do casamento, mas depois não tivemos mais notícias dele.

- Bom dia Sr Belikov - Ele me cumprimentou com um olhar sério.

- Bom dia Sr Reed, eu posso ajudar? - Eu franzi o cenho.

- Nós precisamos conversar, Sr Belikov - Ele entrou no apartamento. Ok, porque ele precisa apareceu quando estou com pressa?

- No momento eu estou ocupado, eu posso ir no seu escritório depois? - Eu voltei a procurar o carregador do notebook.

- Nós recebemos uma denuncia, Sr Belikov. - Ele me ignorou.

- Uma denuncia? - Eu o encarei confuso.

- Sim, uma denuncia de que você e sua esposa se casaram apenas para que você conseguisse um visto permanente, Sr Belikov - Ele se aproximou. - E como você deve saber, isso é crime.

Era só o que faltava! Porque alguém nos denunciaria? Rose... Ela já está passando por tantas coisas e agora isso.

Será que foi o Ivashkov? Ele não faria isso sabendo que ela seria presa, apesar de tudo, ele se preocupa com ela.

- Você tem algo a me dizer? - O homem estreitou os olhos.

- Hmm, sim.. Isso é ridículo - Eu tentei soar indignado enfim encontrando o carregador embaixo do sofá. - Não sei quem fez essa denuncia, mas fizeram apenas com que perdesse o seu tempo. E agora eu preciso sair.

- Eu não estou aqui para brincadeiras, Sr Belikov - Ele rosnou enquanto eu me abaixava para pegar o carregador. - Nós podemos te enviar permanentemente para a Rússia e prender Rosemarie.

- E você acha que eu estou brincando? - Eu me endireitei sentindo a irritação tomar conta de mim. - Minha esposa sofreu um acidente e está passando por uma cirurgia nesse exato momento, e enquanto nós passamos por tudo isso, alguém se acha no direito de fazer uma denuncia desse tipo, então Sr Reed, sinto muito mas eu não tenho tempo pra isso no momento.

- Talvez seja melhor eu voltar depois - O homem respondeu desconcertado - Quando os dois estiverem em casa.

- Obrigado pela compreensão - Eu murmurei o guiando até a porta.

- Eu espero que vocês realmente não estejam mentindo, Belikov. Porque nós vamos descobrir se estiver. - Ele avisou antes de partir.

Eu fechei a porta assim que ele saiu, sentindo a grande necessidade de bater a cabeça de alguém na parede. Como alguém pode fazer isso com a Rose? Já não basta tudo o que ela está passando, ainda corre o risco de ser presa?

Eu segui pensativo para o hospital. Teria alguma maneira de evitar que isso acontecesse? Eu teria que conversar com Abe e Janine, Rose não poderia seguir com seu plano de voltar para a casa do pai. Não com essa suspeita sobre nós.

Quando eu cheguei ao hospital, quase duas horas depois, Rose já estava em cirurgia. Eu me juntei aos Mazurs enquanto esperávamos por noticias. Como eu posso contar o que está acontecendo para eles? Eu não vou poder ficar calado sobre isso.

Mas qual a chance de isso piorar de vez minha situação com Abe? Eu o observei pensando em minhas opções.

- Porque você não fala de uma vez o que você quer, Belikov? - Abe resmungou.

- Como?

- Você está me olhando desde que chegou - Ele apontou - Então eu presumo que você queira alguma coisa.

- Nós estamos com um problema - Eu respondi desconfortável atraindo a total atenção dos dois.

- Nós quem? - Abe franziu o cenho.

- Rose e eu - Eu suspirei. - Um agente da imigração me visitou hoje, ele disse que fomos denunciados.

- Como é? - Abe rosnou.

- Quem denunciou vocês? - Janine questionou surpresa.

- Eu não sei, eu disse que se enganaram e que eu precisava voltar ao hospital. Mas não imagino quem poderia ter feito isso.

- Pra quem você contou? - Janine me fitou séria.

- Eu não contei para ninguém, nem mesmo Ivan sabia. Rose contou para Vasilisa.

- Lissa não faria isso - Janine mordeu o lábio - Aquele dia Adrian e Christian descobriram e você conversou com Nathan, Ibrahim.

- Nathan... - Eu comecei.

- Ele não seria burro de mandar minha filha pra cadeia - Abe revirou os olhos. Ele tem razão nisso. - Qual é o nome desse agente que você falou, filho?

- Elliot Reed - Eu respondi - Porque?

- Existem maneiras mais simples de descobrir quem fez a denuncia - Ele se levantou - Eu vou cuidar disso.

- Rose terá que voltar pra casa comigo quando tiver alta - Eu murmurei fazendo o homem parar.

- O que você disse? - Ele me fitou com irritação.

- A denuncia já foi feita - Eu expliquei - nós não podemos simplesmente passar a morar em casas diferentes.

- Se você acha que vai usar isso pra chegar até Rose, você está muito enganado, Belikov - Ele se aproximou de mim de forma ameaçadora.

- Não é essa a questão, Sr Mazur. - Eu respirei fundo - Eu não quero que Rose seja prejudicada. Apenas isso.

- Minha filha ficará na minha casa - Ele rosnou.

- Ele tem razão Ibrahim - Janine respirou fundo - Seria suspeito se Rose voltasse para nossa casa, se alguém sabe do acordo, provavelmente sabe dos planos dela acerca do divorcio também. Mesmo se conseguíssemos provar que o casamento deles foi verdadeiro, não seria difícil alegar que os dois estão separados. Seria fraude da mesma forma.

- Ele machucou nossa filha, Janie. - Abe se virou para a mulher - Você quer que eu ignore isso?

- Não, eu quero que você se lembre do que conversamos ontem - Ela retrucou - Sobre o melhor para nossa filha.

Os dois passaram um tempo se encarando, até que abe se virou novamente em minha direção.

- O que vai acontecer agora é o seguinte, Belikov - Ele abaixou o tom - Rose vai voltar para casa com você. E você vai cuidar dela.. Eu vou visitar minha filha todos os dias, e se eu encontrar algo de errado com ela, se ela estiver chorando, se ela reclamar que você não deu atenção suficiente a ela, a tratou mal, arrumou outra mulher, o que for.

- Eu nunca faria nada disso - Eu respirei fundo - Eu amo sua filha.

- Não me interrompa - Ele ameaçou - Se ela tiver algum machucado, se ela for mordida pela cachorra ou arranhada pelo gato, se ela quebrar uma unha e se sentir triste por isso, eu vou culpar você, e então nossa conversa não será tão agradável quanto essa. Estamos entendidos?

A cirurgia de Rose durou um pouco mais de seis horas. Quando finalmente pudemos vê-la, já tinha anoitecido. Ela passaria dois dias na UTI e três dias no quarto, se tudo desse certo, no fim de semana eu a levaria para casa e finalmente poderia começar a tentar obter seu perdão.

Eu voltei para o apartamento a noite, sabendo que não poderia ficar o tempo todo com ela enquanto estivesse na UTI. Eu me senti completamente perdido ao me ver naquele apartamento sozinho. Eu estava cansado, já era terça feira e eu não dormia direito desde sábado, mas eu não conseguiria dormir ali sozinho. Eu segui até nosso quarto, decidindo levar algumas coisas para o quarto do primeiro andar. Nós ainda não tínhamos certeza sobre o sucesso da cirurgia, e mesmo que tivesse sido bem sucedida, Rose demoraria um pouco para conseguir voltar a andar. Eu acabei adormecendo no sofá perto das quatro da manhã.

Abe, Janine e eu chegamos à conclusão que seria melhor contar sobre a denuncia apenas quando ela voltasse para o quarto, para que não atrapalhasse sua recuperação. Eu visitei Rose pela manhã, e não tinha muito o que fazer pelo resto do dia até o próximo horário de visita, então decidi ir até a editora ver como estavam as coisas.

Assim que as portas do elevador se abriram, Mia me encarou com surpresa. Seu olhar se transformou em desprezo em seguida, me ignorando quando eu a cumprimentei. Acho que no fim eu terei que me acostumar com isso. Eu caminhei até meu escritório percebendo que todos me seguiam com o olhar. O que eles sabem sobre o que aconteceu?

Eu me tranquei no escritório tentando em vão me concentrar no trabalho. Rose estava presente em cada maldito canto daquele lugar, tudo fazia que eu me lembrasse de nossos momentos juntos, e nossa situação atual.

Eu estava disposto a sair e tentar trabalhar em outro lugar, como o parque talvez, quando uma batida na porta chamou minha atenção. Eve, uma de nossas colunistas entrou me observando com uma expressão preocupada.

- Sr Belikov.. - Ela me cumprimentou.

- Bom dia Eve, no que eu posso ajuda-la? - Eu deixei meu trabalho de lado.

- Hmm, eu fiquei sabendo sobre o acidente - Ela começou desconcertada - Eu só queria dizer que eu sinto muito e espero que Rosemarie melhore logo.

- Obrigado Eve - Eu respondi.

- Se o senhor precisar de qualquer coisa, nós todos estaremos aqui - Ela continuou. - Como ela está?

- Ela passou por uma cirurgia - Eu informei querendo mudar de assunto - Você precisa de alguma coisa?

- Não, eu só queria saber se Rose está bem - Ela mordeu o lábio. - Dizem que o Sr Mazur não estava em seu melhor humor hoje, então ninguém se atreveu a perguntar nada.

- Ela está bem - Eu respirei fundo - É o que precisam saber, eu não quero nenhuma fofoca envolvendo o nome da minha esposa, estamos entendidos?

- Sim senhor - Ela se virou para sair, quase esbarrando com Mia que estava passando pela porta. - Desculpe.

- Sr Belikov, O Sr Mazur deseja vê-lo agora. - Ela murmurou antes de sair.

Porque ele quer me ver? Não nos vimos o suficiente nos últimos dias?

Eu me levantei seguindo desanimado para fora. Eu odiava ser o alvo das atenções e parece que ninguém estava disposto a fingir que era apenas um dia normal de trabalho.

Eu entrei mais uma vez no elevador, subindo até o escritório de Abe. Assim que as portas do elevador se abriram a recepcionista me ofereceu um sorriso educado enquanto me avaliava. Ela pediu que eu aguardasse um momento enquanto Abe terminava uma reunião com Stan Alto. Eu me sentia inquieto e não estava disposto a simplesmente me sentar e fingir que estava tudo normal. Abe não me chamaria aqui por nada. Aconteceu algo com Rose? Não, eles teriam me avisado, não teriam?

Eu decidi beber um pouco de água para passar o tempo. Ele me chamou aqui, então essa reunião com Stan não deve durar tanto. O bebedor ficava em outro corredor, eu segui até lá, mas quando eu estava quase dobrando o corredor eu ouvi algumas vozes.

- Você não deveria falar isso - uma voz masculina sussurrou - Ela é filha do chefe.

- Só estou falando, de cadeira de rodas ou não, eu aposto que continua gostosa - essa foi a resposta, fazendo meu sangue ferver, eu me aproximei de forma silenciosa, encontrando Jesse conversando com um outro rapaz da equipe de Stan ali.

Aquilo já era demais. Eu caminhei em sua direção, chamando a atenção do outro rapaz. Minha mão envolveu a parte de trás de sua cabeça a puxando para trás, o pegando completamente de surpresa, e antes que ele pudesse ter qualquer reação eu empurrei sua cabeça com força contra a parede.

Jesse escorregou para o chão, se virando em minha direção com um olhar confuso e o nariz sangrando. Eu o segurei pelo colarinho da camisa, o levantando do chão antes de esmurrar seu rosto, descontando nele toda a frustração que estava sentindo nos últimos dias.

- Eu te avisei o que aconteceria caso eu te ouvisse falando da minha esposa mais uma vez - Eu rosnei enquanto ele tentava se soltar. - Teria sido melhor pra você se tivesse aprendido a respeita-la.

Um par de mãos tentou me afastar do Zeklos, me obrigando a solta-lo. O rapaz deslizou para o chão enquanto eu me libertava de Stan Alto e avançava novamente. Mas uma mão em meu ombro, me segurando com firmeza impediu que eu continuasse.

- É o suficiente, filho - Abe declarou com calma me puxando para trás - Não me obrigue a chamar os seguranças.

- S-sr Mazur - O rapaz que o acompanhava balbuciou chocado.

- O que está acontecendo aqui? - Stan rosnou enquanto Jesse tentava se sentar ainda desnorteado.

- Ele é louco - Jesse ofegou - Ele chegou do nada e...

- Eu te avisei que se você desrespeitasse Rose mais uma vez - Eu tentei avançar novamente em sua direção sendo impedido por Stan.

- Então alguém estava falando sobre minha filha? - Abe alternou o olhar entre nós.

- Não Sr Mazur - Jesse arregalou os olhos - Eu nunca faria isso.

- Seu filho da puta mentiroso. - Eu rosnei.

- Temos uma maneira simples de descobrir isso - Stan revirou os olhos. - Thomas, você estava aqui. Jesse falou ou não alguma coisa sobre Rosemarie Mazur?

Eu estava prestes a corrigi-lo sobre o sobrenome de Rose, mas não seria relevante no momento.

- E-eu... - O rapaz alternou o olhar entre Jesse e Stan sem saber o que responder.

- Thomas, certo? - Abe o chamou - Olhe pra mim, filho...

O rapaz se virou para Abe, completamente chocado.

- Você é novo aqui, Thomas? - Abe questionou.

- Sim senhor - Ele confirmou - Comecei há menos de um mês.

- Você deveria ter me apresentado o rapaz Stan - Abe comentou - Sabe que eu gosto de conhecer as pessoas que trabalham em minha editora.

- Sinto muito Sr Mazur...

- Thomas, quanto à pergunta que Stan te fez... - Ele sorriu - Eu sugiro que você pense bem antes de responder, você parece ser um rapaz jovem, está iniciando sua carreira agora. Não iria querer estragar tudo, não é?

- Não senhor, eu não quero. - Ele respondeu.

- Maravilhoso - Abe alargou seu sorriso - Então me diga Thomas, o Sr Zeklos falou ou não algo inapropriado sobre minha filha?

- Sim Senhor - Thomas enfim suspirou diante do olhar suplicante de Jesse - Ele falou que Rosemarie continua gostosa mesmo de cadeira de rodas.

- Sr Mazur, não foi o que eu quis dizer - Jesse suplicou se apoiando na parede para se levantar.

- Ohhh - Abe se virou para Jesse, mantendo o sorriso apesar de ter um brilho perigoso no olhar - Um elogio... Minha filha está na UTI nesse exato momento correndo o risco de não voltar a andar, mas talvez eu deva avisa-la que vai ficar tudo bem, afinal Jesse Zeklos ainda a considera gostosa, mesmo na cadeira de rodas..

- Eu sinto muito Sr Mazur - Jesse implorou.

- Stan, resolva isso - O sorriso do turco sumiu instantaneamente - Belikov, vamos.

Ele virou as costas, seguindo de volta ao seu escritório. Minha mão estava suja com o sangue daquele babaca, eu me perguntava quais seriam as chances de eu ter tempo para limpar a mão antes.

- Ele terá sorte se conseguir um emprego em um tabloide de quinta categoria - Abe rosnou ao entrar em seu escritório - Talvez eu deva fazer uma reunião, explicando o que acontecerá se eu ouvir alguém fazendo piadas sobre a condição de Rosemarie.

- Eu sinto muito por isso, Sr Mazur - Stan nos alcançou - Você pode ter certeza que ele está morto profissionalmente.

- Vá lavar sua mão, Belikov - Abe reclamou - Eu não quero que você suje nada em meu escritório. 

Eu segui sua recomendação, percebendo que tinha esfolado um pouco a mão enquanto socava o maldito. Valeu a pena. Eu retirei o paletó que acabou sujo de sangue e arregacei as mangas da camisa, também sujas. Talvez seja melhor eu ir pra casa depois dessa reunião.

Eu retornei ao escritório de Abe e me sentei ao lado de Stan, estranhando o fato dele continuar ali.

- Ok, vamos direto ao assunto - Abe murmurou irritado - Eu estive conversando com Janine ontem, Belikov. Nós chegamos à conclusão que será melhor se Stan te substituir na edição da revista.

Eu o encarei chocado enquanto recebia aquela noticia. Ele está falando sério??? Ele vai realmente me demitir por conta do que aconteceu?

- Como? - Eu balbuciei.

- Eu vou cuidar de tudo, não se preocupe Belikov - Stan afirmou.

- Mas...

- Eu estou te colocando de licença, Dimitri - Abe esclareceu - Eu não gosto da ideia da minha filha sozinha naquele apartamento o dia inteiro. Assim que ela estiver melhor você pode voltar a assumir o seu posto.

- Oh.. - Eu não sabia como me sentir em relação a isso. Bem, era ótimo eu ter todo o tempo para cuidar de Rose.. Mas era estranho pensar que eu não iria trabalhar mais.

- Eu pensei em pedir para você trabalhar essa semana, passar tudo para Stan, mas depois dessa pequena demonstração de controle, acho que será melhor se você se afastar imediatamente - Ele deu de ombros.

- Imediatamente? - Eu franzi o cenho. - Isso quer dizer..

- Que você pode ir pra casa, se livrar dessas roupas ensanguentadas e não voltar mais - Ele bocejou - E isso é tudo que eu tenho para resolver com vocês..

- Obrigado Sr Mazur - Stan apertou a mão do turco, eu segui seu exemplo antes de sair de seu escritório e seguir em direção ao elevador.

Nós dois permanecemos em silencio até que as portas do elevador se fechassem.

- Eu sinto muito pela garota Dimitri - Stan comentou. - Eu tenho certeza que ela ficará bem logo.

- Obrigado - Eu suspirei.

- E mais uma vez, eu sinto muito pelo Zeklos - Ele respirou fundo - Eu vou ter que contratar alguém para ficar no lugar dele e cuidar de duas revistas... Isso vai ser uma droga...

- Desculpe por te dar mais trabalho - Eu pedi.

- Você precisa desse tempo - Ele deu de ombros - Não se preocupe, eu vou tentar manter tudo no mesmo Nível de sempre.

- Eu posso te passar algumas informações por E-mail. - Eu afirmei antes de sair do elevador para buscar minha pasta em meu escritório. Ou antigo escritório, não sei.

- Ótimo, me mande tudo o que conseguir - Ele pediu.

Eu o deixei ali.

É isso... A partir de agora, minha vida literalmente se resume a Rose.



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