História The Sweetest Thing - Capítulo 20


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Categorias Henry Cavill, Mila Kunis
Personagens Henry Cavill, Mila Kunis
Tags Amizade Colorida, Comedia, Comedia Romantica, Fbi, Henry Cavill, Mila Kunis, Nova York, Policial, Rock, Rock And Roll, Romance, Vizinhos
Visualizações 65
Palavras 5.190
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Ficção, Policial, Romance e Novela, Saga, Suspense
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, gente!

Eu demoro sim, mas eu volto sim! Tanta coisa acontecendo, final de faculdade, emprego bombando, viagens a trabalho... muita coisa nas quais tomaram, e ainda estão tomando, meu tempo.
Reta final de história que eu amo tanto e espero que gostem <3

Amo vocês!

Beijos <3

Capítulo 20 - Laços


Fanfic / Fanfiction The Sweetest Thing - Capítulo 20 - Laços

John Neeson

Escutei a porta do quarto se abrir lentamente, mas mantive meus olhos fechados. Sofya apenas resmungou, virando-se para o outro lado... e lá se vai uma manhã de sono tranquilo.

- Pai! – Senti a cama se mexer e mãos pequenas, mas fortes, me chacoalharem. – Pai, acorda!

- Hmmm. – Resmunguei.

- Pai, pai, pai, pai, pai...

- Hmm. O seu filho está te chamando. – Resmungou Sofya.

- Ele também é seu filho. – Resmunguei, a fazendo sorrir.

- Mas não fui eu quem prometi leva-los na corrida em pleno sábado de manhã.

- Pai, pai, pai! Vamos logo! – Exclamou Jack, em cima de mim.

- Tá legal, tá legal. Estou levantando. – Falei, me levantando e o pegando por um braço, enquanto a outra mão bagunçava seus cabelos enrolados.

- Eba! – Riu ele, enquanto saia da cama e ia para o banheiro. – Vou chamar o Z...

- Não, não, não. – Reclamou Sofya, o pegando o puxando de volta para cama... para seus abraços e beijos. – Não sem me dar um monte de beijos.

- Ah, mãe... nãaaaao. – Reclamou ele, enquanto ela o amassa com seu carinho materno, me fazendo rir.

- Mah. – Zyan entrou no quarto, ainda de pijamas e com o bico maior que o do irmão, que continua nos braços de Sofya.

Sofya largou Jack, que saiu correndo para fora do quarto, e agarrou Zyan, que é mais receptivo ao carinho mãe.

- Bom dia, Habib! – Exclamou ela, tascando um super beijo em sua bochecha.

- Eu preciso ir também? Doris disse que iriamos no parque...

- Se você quiser pode ficar, Z. – Falei, aparecendo no quarto, ainda vestindo minha camiseta.

- Legal! – Exclamou ele, fugindo da cama e indo para fora do quarto também.

- Mas antes de saírem todos vamos tomar café da manhã!

- Aaaaaah Mãaae!!! Mas...

Sofya sorriu, saindo da cama. Ri, a puxando para meus braços e a beijando.

- Bom dia, senhora Neeson. – Sussurrei.

- Ah, bom dia, senhor Neeson.

Ela me abraçou e funguei seus cabelos cheirosos. Nunca irei me cansar disso!

- Como podem ter crescido tão rápido? – Sussurrou ela.

- É uma pergunta que faço todos os dias.

Jack e Zyan são meninos bonitos, fortes, saudáveis e ambos estão com cinco anos. Está sendo assustador vê-los crescer tão rápido! Quando tinham três anos, eu e Sofya começamos a tentar nosso terceiro, mas, infelizmente até hoje não conseguimos, para minha frustração. A verdade é que foi doloroso para nós dois, depois de várias tentativas, nós conseguimos, mas em pouco mais de um mês, Sofya sofreu um aborto espontâneo. Isso a traumatizou muito, além de nos deixar muito abalados. Foi muito difícil para nós.

“Acordei com os gemidos dela.

- John...

Ela me chamou, de maneira estranha. Me levantei junto a ela, notando algo de errado. Estou sentindo a cama molhada. Ela apertou a barriga e joguei o lençol para fora da cama... foi então que vi tudo coberto de sangue. Oh Deus, não... ela começou a chorar e pulei da cama, a pegando em meu colo.

- Fique calma, Boneca... – Falei, tentando manter meu controle.

Por favor, por favor, por favor...”

Foi tarde demais. Meu coração se partiu quando o médico nos contou que o nosso bebê já não estava mais ali... a dor que sentimos foi horrível. Depois disso, Sofya não quis mais tentar. Já pode imaginar como foi para ela. Ela se blindou por toda a sua vida e não a culpo. Precisei lutar muito para conquista-la e ter tudo o que sempre quis: uma família. É de seu feitio preservar seus sentimentos depois que sofre alguma decepção, por isso ela disse que não tentaria mais.

Foi difícil receber sua decisão. Confesso que chorei e fiquei péssimo, porque me lembro de nossa promessa... que tentaríamos uma Bonequinha. Mas, por ver todo o seu sofrimento, aceitei, pois para mim é muito mais difícil vê-la sofrer ao tentar do que deixar essa ideia de lado. São dois anos trabalhando nisso, mas é inevitável pensar. Acho que ter uma menina se tornou meu sonho desde que descobri a gravidez de Jack. Chegamos a ter algumas conversas sobre adoção, mas nosso trauma foi tão grande, que decidimos não falar mais sobre. 

A abracei mais apertado e a olhei em seguida. Em seus olhos vejo medo e esperança, mas ainda assim, esse assunto se tornou tão delicado para nós, que hoje é impronunciável, mesmo tendo certeza que queremos as mesmas coisas.

- Certo. – Falei, evitando tristezas desnecessárias. – Vamos tomar café!

Ele assentiu, me acompanhando. A verdade é que os últimos tempos não foram fácil para nós. Para mim. Perdemos muito e confesso que odeio pensar nisso. Além de perder um sonho, perdi meu alicerce, a minha base... perdi meu avô. Olhei para sua foto em nossa sala de estar, soltando um grande suspiro. A saudade ainda é grande. Senti o aperto dela em minha mão, me trazendo a realidade. Seus olhos grandes e castanhos me tranquilizam.

- Vai ficar tudo bem. – Sussurrou ela.

Tenho certeza que vai.


***

Sofya Neeson

Mesmo sendo sábado, eu deveria estar em uma sessão de fotos hoje, mas decidi relaxar um pouco e curtir o fim de semana. São raros os momentos assim. Enquanto Doris fica de olho em Zyan, que brinca com outras crianças no parque, leio parte do editorial do próximo mês. Senti a brisa fresca em minha pele, aliviando o dia ensolarado de verão. Olhei para Zyan, que corre para lá e para cá, rindo e com uma energia de dar gosto, assim como as outras crianças ali.

Não vou mentir, me tornei uma pessoa melhor como mãe. Meus filhos são tudo em minha vida e, mesmo em minha rotina agitada, tento conciliar minha vida de gestora, esposa e mãe. E acho que foi por conta disso que tentamos ter outro bebê a algum tempo atrás... mas a vida foi um pouco cruel conosco. John sempre quis ter mais filhos, uma menina para ser mais específica. Eu achava que Jack e Zyan estavam de bom tamanho, até perceber que eles estavam crescendo rápido demais... e foi então que compartilhei esse sonho com John. Mais um filho seria a cereja do nosso bolo, ainda mais uma menina.

A dor que senti ao perder nosso bebê foi uma das piores dores que já senti na vida e me trouxe sequelas fortes. Depois disso, prometi a mim mesma que nunca mais iria tentar de novo... não suportaria a ideia de perder mais um filho. John sofreu igualmente comigo, partilhando minha dor. Meu coração se quebrou novamente quando lhe contei minha decisão, ao ver seu semblante triste e decepcionado. Ele nunca escondeu seu desejo por ter uma menina, desde a gravidez de Jack, e não poder nos dar isso é frustrante para mim.

Perdemos muito nestes últimos tempos. O luto aumentou com a morte do vovô no início deste ano, nos deixando sem rumo sem o patriarca da família Neeson estando entre nós. Vovô morreu dormindo, sem sofrer em camas de hospitais e tendo seu merecido descanso. John não lindou muito bem com sua partida e foi o que mais sentiu a perda do avô. Ele ainda está lutando contra todo este sentimento fúnebre, sendo forte por fora, mas sei que por dentro ele ainda não digeriu muito bem.

Para mim também foi difícil, mas sei que agora Ally e Larry estão juntos novamente, como ele sempre desejou... e isso me conforta, além do fato de que vovô partiu em um momento bom da família Neeson. Josh e Lily finalmente se casaram, Sam e Ben amam seu meio irmão mais novo, Archie, que tem quase a idade de Jack e Zyan. Ed e Lea decidiram não ter filhos e hoje são felizes com Tobby e Cake, seus Golden Retrievers. Lea abriu sua própria linha de roupas e hoje sua loja faz o maior sucesso pela internet. Liam e Marion continuam apaixonados um pelo outro, provando que o amor pode superar tudo. Já Miranda se casou com o senador Baldwin e continua a mesma bruxa de sempre.

Meu pai continua à frente da Antonov Inc., mesmo eu e Lory o pedindo para que ele deixe um pouco seu trabalho de lado e viva um pouco, mas ele realmente ama aquela empresa. Ao menos, Lory o colocou mais nos eixos, o tirando de sua zona de conforto e o levando para viagens românticas ou em alguma aventura pelo mundo. Eles seguem firmes e fortes, nos visitando a cada oportunidade, já que são loucos pelos meninos.

Já Preston e Shant estão firmes e fortes no tratamento para gravidez. Depois que tiveram Malcon, eles tiveram alguns probleminhas para engravidar, assim como nós, mas seguem empenhados. E por falar em Malcon... me orgulho em ter um afilhado tão afetuoso como ele. Ele vai além da sua idade, sendo uma criança completamente criativa e carinhosa. Como previmos, Jack e Malcon se tornaram melhores amigos, assim como Archie e Zyan. Quando eles se juntam o ambiente fica mais alegre... e um caos.

Zyan é o mais esperto de todos, porque tem uma lábia sem igual. Ás vezes me assusta o quanto é persuasivo com suas palavras. Meu Habib sempre foi o mais carinhoso, e fiz questão de ensina-lo sempre as suas raízes, sua cultura e sua língua mãe. Hoje, ele já entende e fala as duas línguas e entende de onde veio. Eu e John nunca escondemos dele a sua origem porque entendemos que isso só geraria mais problemas, mas sempre deixamos claro que somos os seus pais de coração e que isso nunca irá mudar.

Já Jack é realmente a cópia de John, tanto fisicamente como o gênio forte. Ele realmente é um verdadeiro Neeson, inteligente, forte, genioso, arteiro e galanteador. Ninguém segura o furacão Jack! Teimoso igual ao pai e tão mandão quanto, mas é e sempre foi meu grudezinho... meu Ursinho. Mas do que isso, Jack é o que mais se destaca entre os quatros, cuidando de todos e os defendendo de tudo... assim como John. Ele é forte e não gosta de demonstrar quando algo o incomoda ou o machuca, mas ele nunca conseguiu me esconder nada com seus olhos azuis. Ele sabe que eu sempre serei seu porto seguro, por isso quando algo não está certo, ele corre até mim.

Mas quando o assunto é se aventurar, aprontar ou fazer algo que eu nunca, jamais, autorizaria, Jack se alia a seu pai. John e Jack são os melhores amigos um do outro. Ver a relação de pai e filho dos dois aquece meu coração. John realmente o cria como herdeiro legitimo, passando todos os seus ensinamento e conhecimentos para ele, bem como seus hobbies, como a paixão por carro e cavalos. Com Zyan não é diferente, mas Zyan nunca gostou dessas coisas, como eles.

E por falar nele...

- Mah! – Disse ele, correndo até mim, ofegante. – Compra pipoca para mim? – Pediu ele.

Olhei no relógio e já está na hora de irmos.

- Claro. Mas precisamos ir agora, seu pai e seu irmão já estão indo para casa também.

- Ahh... mas, Mah...

- Você pode ficar, mas sem pipoca então. – Falei, vendo seu bico se formar.

Ele olhou para trás e vi que há uma menina sorrindo para ele. Ahh, claro... lembra quando eu falei da lábia dele? Às vezes acho que ele tem um pouco do pai em sua versão solteiro.

- Hmm, agora eu entendi. – Falei, ajoelhando e ficando de frente a ele.

Ele sorriu, sem vergonha nenhuma, dando uma piscadela.

- Vem, vamos pegar sua pipoca. – Falei, pegando em sua mão e encontrando o sorriso de Doris.

Assim que ele pegou sua pipoca, correu até a menina, oferecendo sua pipoca e se despedindo... ganhando um beijo na bochecha, que o fez sorrir quando voltava até mim. Ri, pegando sua mão novamente, indo em direção a saída do parque.

- Vamos lá, Don Juan. Ás vezes você me lembra muito seu pai.

- Ué, mas você fala que o J é igual ao Baba...

- Sim! Mas você entenderá mais quando crescer.

***

Caminhando pela calçada do nosso prédio, vi John parando o carro e saindo com uma cara não muito boa. Ao ver Jack saindo do carro, seguido por Malcon, congelei. Minhas pernas ficam bambas ao ver Jack com o braço enfaixado, correndo até mim... AI MEU DEUS DO CEÚ!

- O que aconteceu com você? MEU URSINHO! O que...?

Ele revisou os olhos, incomodado por chama-lo de Ursinho, fazendo Malcon e Zyan rirem, enquanto tateava minhas mãos por ele.

- Mãe, por favor...

- O que... mas o que aconteceu? JOHN?! – Exclamei, ainda em choque.

Olhei para John, que engoliu a seco, com medo de mim.

- Depois da corrida fomos ver a competição de skate. Ele estava brincando de skate com os outros meninos...

- É, foi irado, mãe! Papai me deixou brincar com os meninos mais velhos e eu dei um super flip na pista!

- SEU PAI O QUE?

- É, mas seu flip não deu tão certo... – Disse Malcon, apontando para o braço do amigo.

Fuzilei John com os olhos, enquanto ele ainda engole a seco, levantando as mãos para me acalmar.

- E olha só, mãe! – Disse ele, escarnando seu sorriso vermelhos de sangue... onde faltam dois dentes de leite ali.

Coloquei a mão na boca, quase tendo um sincope. SANTA MÃE DEUS, EU VOU TER UM ATAQUE.

- Vamos logo, o filme vai começar! – Exclamou Malcon, correndo para dentro, com Jack e Zyan em seu encalço.

Levantei, indo até John e o dando vários tapas.

- VOCÊ PERDEU O JUÍZO? QUER MATAR SEU FILHO?

Ele só se defende.

- Ele está inteiro! É o que importa... Boneca, por favor, SE ACALME!

- ARGH!

Entrei furiosa, o ignorando. Já percebeu que essas coisas só acontecem quando a mãe não está por perto?! ARGH!

***

- Mãe, eu bem... AI! – Gritou Jack, enquanto troco seu curativo.

- Quantos vezes eu preciso repetir para você? Nada de skate sem os itens de segurança, Jack!

- AIII, MÃE!

- Já estou acabando. – Falei, me fazendo de durona, mas com meu coração apertado em ver sua carinha de choro. – Pronto...

Ele respirou fundo, engolindo seu choro. Tão hominho!

- Eu sei que é muito legal mostrar para as crianças mais velhas que você é bom em alguma coisa, mas o que você fez foi arriscado, meu amor. – Falei, pousando minha mão em seu rostinho.

- Tudo bem, mãe... o pai já me falou isso. – Suspirou ele. – Ele disse que você mataria ele também. – Cochichou ele, me fazendo rir.

- Eu quase o matei mesmo, mas nunca faria isso. Eu amo ele.

Ele riu e o abracei, beijando sua bochecha rosada.

- Agora vamos para a cama, Ursinho. – Disse, o acompanhado para fora do banheiro do quarto dos meninos.

- Mãe, sem essa de Ursinho... – Chiou ele, bufando e caminhando pelo quarto, indo para sua cama.

- É melhor se acostumar, amigão. – Disse John, Depois de cobrir Zayn, ajudando Jack a se deitar. – Acredite em mim. – Continuou ele, falando sobre o apelido carinhoso que dei a ele e ao nosso filho, sorrindo.

Ele cobriu Jack e beijou sua testa.

- Boa noite, garotão.

- Boa noite, pai. – Respondeu Jack, enquanto seu pai bagunçava seu cabelo cacheado.

Fui até Zayn, que está quase dormindo.

- Boa noite, Habib. – Sussurrei, beijando sua testa.

- Hmm.

Me virei para Jack, que bocejava.

- Boa noite, Ursinho. – Falei, beijando sua bochecha. – Qualquer coisa, acorde a mamãe.

- E o papai. – Disse John.

Me juntei a John, saindo do quarto, enquanto ele fechava a porta.

- Pai?! – Chamou Jack.

- Sim?

- Obrigado por hoje!

AI MEU DEUS! Meu coração acabou de se derreter ainda mais. John deu seu sorriso torto, mandando uma piscadela pra Jack e fechou a porta. Ele viu meu sorriso e se aproximou de mim.

- Já estou perdoado?

Suas mãos foram para minha cintura, enquanto sinto seus beijos em meu pescoço.

- Hmm... é. Por sorte ele ainda te ama e ainda está vivo. – Falei, já sentindo a quentura entre minhas pernas.

- Sim, agora vamos para o quarto? – Sussurrou ele em meu ouvido.

- Ah vamos... – Ronronei, pulando para seu colo.

***

- Não sei não, prefiro o de chocolate. – Respondi a Shantell, enquanto ela devora seu cookie de caramelo.

- Não sabe o que está perdendo. Isso me salva quando não consigo controlar Malcon.

Olhei para o relógio, esperando a tal conversa que ela quer ter comigo bem no meio da semana, no final do mês julho, que foi super atarefado!

- E então, o que aconteceu? – Perguntei, ainda desconfiada.

Ela ainda engole um grande pedaço do seu doce, mas já vejo seu sorriso.

- Você não vai acreditar. – Começou ela, quase me matando de ansiedade.

- Me conta logo!!!

- Certo. – Disse ela, ainda de boca cheia. – Eu sei que isso é um assunto delicado... mas é que você é minha melhor amiga e...

- SHANTELL!

- Ok! Tudo bem, tudo bem... – Disse ela, vencida por minha ansiedade e insistência.

Ela respirou fundo, soltando o ar devagar. EU JURO QUE VOU...

- Eu estou grávida! – Disse ela.

Meu café quase foi parar no chão. Coloquei minha mão na boca, ainda absorvendo essa notícia.

- Ai meu Deus! – Sussurrei, sorrindo e tentando evitar as lágrimas.

- É, eu sei!!! Eu nem acreditei quando o médico me falou!

- Isso é tão maravilhoso. – Disse, indo ao seu abraço.

Eu realmente estou feliz por minha amiga, afinal será mais um bebê em nosso dia a dia. Mas a dor de não poder sentir isso novamente não me deixa em paz. A apertei, deixando minhas lágrimas caírem. Nunca seria capaz de sentir inveja de Shantell, estou muito feliz... mas queria ficar radiante assim de novo.

- Hey... – Disse ela, também limpando suas lágrimas. – Eu sei que este assunto ainda é muito delicado para você, mas...

- Está tudo bem. Eu estou muito feliz por você, mas é... é sim, esse assunto é um pouco delicado, me desculpe.

- Não tem que se desculpar... – Começou ela, tentando falar algo que não sai de sua boca.

- O que foi? – Perguntei.

Ela respirou fundo, preparando sua fala.

- Por que vocês não tentam de novo?

- Shant, já falamos sobre isso.

- Sim! Mas lembra que tudo na sua vida foi assim? Assuntos intocáveis até que você realmente decidiu arriscar? E o melhor, deu certo!

Suspirei, fugindo do seu olhar.

- Você sabe que é verdade. Deixa levar... – Disse ela, falando o que ela sempre falou para mim: Deixa levar.

- Eu não sei... não sei se suportaria outro fracasso. Não sei se aguentaria ver a dor nos olhos de John de novo.

- Eu sei que é muito difícil, mas tente. E continue a viver sua vida.

Engoli a seco, assentindo e a fazendo sorrir. Sorri, a abraçando de novo. Sim... vou deixar levar.

***

Passei a semana toda pensando na conversa com Shant. Ainda mais depois que John chegou na mesma noite falando sobre a novidade que seu amigo lhe falou, que foi a mesma novidade que recebi. Seus olhos tinham tanta esperança... suspirei, tombando na poltrona do quarto, pensativa.

O que eu faço?

- Mãe?

Escutei a voz de Jack, entrando no quarto, me olhando com uma ruga na testa.

- Oi, Ursinho.

- O que aconteceu? – Perguntou ele, ficando ao meu lado.

Respirei fundo, procurando as palavras.

- Mah?

Agora é Zyan que entra pelo quarto, tão preocupado quanto seu irmão.

- Mah... não fica triste.

Eles pegaram em minha mão, me deixando ainda mais emotiva.

- Não aconteceu nada, meus amores. A mamãe só está pensando em algumas coisas, não se preocupem.

- Você quer meu chocolate que guardei na gaveta? – Perguntou Zyan, carinhosamente.

- Não, Habib. Obrigada. Agora vá, Doris está esperando vocês. – Falei, engolindo minha emoção.

Beijei sua bochecha e ele correu para fora, mas Jack ainda continua a minha frente.

- Papai falou que eu preciso cuidar de você também. – Disse ele, me fazendo sorrir.

É impressionante como ele se parece com seu pai até neste aspecto. Ele sempre se preocupou comigo.

- Eu sei, meu amor. Eu estou bem, é só um dia ruim. – Falei, me ajoelhando a sua frente. – Isso vai passar.

Ele assentiu, me pegando de surpresa e me abraçando. O apertei, beijando seu cabelo enrolando.

- Eu amo você, mamãe.

- Eu te amo mais, Ursinho.

***

John Neeson

A chuva cai forte lá fora, e os trovões me acordaram. Puxei Sofya para meus braços novamente, a aninhando e a apertando em meu corpo. Cheirei seu cabelo, fechando os olhos de novo, mas meu sono foi por água abaixo e fico preso em meus pensamentos. Preston está nas nuvens com a gravidez de Shantell... e eu estou o invejando tanto. Não é por mal, mas ainda tenho esperança viva em meu peito. Quero isso mais do que tudo no mundo... minha família está pequena demais.

Zyan é o mais carinhoso. Ele tem uma conversa muito boa, e as vezes fico impressionando como essa criança pode ser tão bom de lábia como ele. É um bom menino, não posso ser mais grato por ele ter entrado em nossas vidas. Assim como Jack. Olho para Jack e me vejo nele... meu garoto é um Neeson nato, e sinto muito orgulho disso. Ele é duro na queda, e tive ainda mais certeza disso quando o vi levar aquele tombo na pista de skate e se levantar, mantendo sua pose em frente aos garotos mais velhos.

Confesso que tive tanto medo de vê-lo se machucar daquele jeito. Mas ele foi firme e forte, até mesmo no hospital.

“- Você poderia ter se machucado ainda mais, menino. – Disse o médico, cuidando de seu braço, enquanto Malcon está ao meu lado e mantenho meus braços cruzados.

- Eu sou um Neeson, e os Neeson são duros na queda. – Disse ele, cheio de marra... imitando minha frase, assim como seu avô, me fazendo sorrir.

- É, mas mesmo sendo um Neeson é preciso ter mais cuidado, garotão. – Falei. – Ele vai ficar bom logo, doutor?

- Foi uma luxação, mas requer alguns cuidados especiais. Em um mês ele já estará novo.

Bufei, temeroso.

- A mãe dele vai me matar. – Disse, totalmente receoso com a atitude de Sofya.

Ela vai surtar!”

E surtou mesmo, mas deu tudo certo no final. Escutei um grande trovão, que fez meus olhos abrirem novamente. Que noite! Escutei a porta se abrir e ouvi alguns passos pequenos...

- Pai?! – Sussurrou Jack.

Me soltei de Sofya, olhando para traz e encontrando dois pares de olhos arregalados de medo.

- Baba, podemos ficar aqui? – Choramingou Zayn, engolindo o choro.

Vi Sofya se levantar.

- O que aconteceu? – Sussurrou ela, ainda sonolenta.

- Mah!!! Eu estou com medo! – Exclamou Zyan, subindo na cama e correndo para o colo de sua mãe.

- Shhh, calma, meu amor... é só uma tempestade.

Voltei a olhar para Jack, que está hesitante.

- Tudo bem, garotão, vem cá. – Falei, esticando minha mão para ele, que pegou, subindo na cama.

Por sorte, a cama é grande. Eles se ajeitaram entre eu e ela, se encolhendo entre nós. Olhei para ela, que sorriu, me fazendo sorrir. Zyan está aninhado a ela, enquanto Jack está colado a mim. Estiquei meu braço a ela e entrelaçamos nossas mãos em cima deles. A noite pode estar horrível, mas de vez em quando, tempestades podem ser boas.

***

Levantei, junto a Zyan, o levando para cozinha onde Doris prepara o café. Enquanto toma seu café e eu tomo o meu, lendo o jornal do dia. Olhei para o relógio, vendo que já são quase 7h30. Voltei para o quarto para acordá-los, encontrando Jack aninhado a mãe. Desde bebê, ele tem a doce mania de dormir enrolando a mão no cabelo de sua mãe, como agora. Agora ele tem o mesmo costume que eu, dorme na mesma posição que estou acostumado a dormir. Ele está de bruços, enquanto a sua mãe mantém seus braços nele... e sua mãozinha está presa a uma mecha do cabelo dela. Por mais que eu queira continuar vendo essa cena por horas, vou ter que acordá-los. Me aproximei dela, acarinhando seu rosto e beijando sua testa.

- Boneca, está na hora.

- Hmm.

- Hmm.

Os dois resmungaram, me fazendo rir.

- Ahh não, pai! – Resmungou Jack.

- Nada disso, rapazinho. Vamos lá! Não tem escola, mas hoje você vai para o trabalho comigo.

Por conta da recuperação do seu braço, Jack tirou uma folga dos estudos, por isso decidi leva-lo comigo hoje. Ele levantou na hora, se desprendendo da sua mãe.

- Eba!!! Uhuul! Doris...

Exclamou ele, saindo em disparado para a cozinha, procurando Doris.

- Que história é essa? – Perguntou Sofya, receosa, serrando o olhar para mim e se levantando.

- Fique tranquila, hoje só vou ficar na agência.

- É bom mesmo... e é melhor trazer meu filho inteiro. – Disse ela, me fazendo sorrir enquanto vou para o closet.

- Nosso filho. E não se preocupe. – Disse, indo para o banho.

***

- Legal! – Exclamou Jack, correndo pela agência.

- Oh, John! Como ele está grande! – Disse Dora ao nos ver. – E está a sua cara!

Sorri.

- Obrigado, Dora. Meu pai já está aí?

- Já sim...

- Vovô!

- Ah! Meu garoto! – Exclamou meu pai, pegando o neto no colo. – Cada vez maior.

Caminhei até ele, o cumprimentando. Seus fios grisalhos estão ainda mais evidentes e ele está cada vez mais parecido com meu avô.

- Vovô, quando eu crescer vou ser igual a você, o bisavô Larry e ao meu pai, não é? – Perguntou Jack, nos fazendo sorrir, orgulhosos.

- É isso o que você quer, filho? – Falei, me agachando até ele, que já está no chão.

- SIM! Um dia quero ser o melhor agente, igual a você, pai! E ao vovô também!

Controlei a minha alegria num meio sorriso, erguendo a minha mão para ele num hi-5 estalado. Não vou mentir, trouxe ele aqui para que, assim como eu um dia, ele ficasse ainda mais encantando com a profissão. Como meu pai fez comigo um dia, estou passando isso a meu filho, que parece gostar disso tanto quanto eu.

- É assim que se fala, Jack Neeson! – Falei, orgulhoso do meu menino.

- Toca aqui, garotão! É isso aí. – Incentivou meu pai.

Chamei Dora para que ela viesse até nós.

- Agora, amigão. – Comecei, me abaixando e ficando a sua frente. – Dora vai te levar para conhecer a agência.

Seu sorriso é contagiante e seus olhos são reflexos dos meus.

- Mas lembre-se: se comporte. – Avisei.

- Ok!

- Vamos lá, querido. – Disse Dora, o pegando pela mão e saindo com ele.

Meu pai pegou em meu ombro, dando alguns tapas enquanto vemos ele andar pela agência, encantado.

- Estou orgulhoso, filho. – Disse ele. – Mais uma geração. Mas e Sofya, como reagiu a isso? – Perguntou ele, fazendo meu sorriso ser substituído pela feição de preocupação.

Ela vai surtar de novo e me matar quando souber.

- É, já passei por isso, duas vezes. – Disse ele, enquanto entramos em minha sala. – Sua mãe quis me matar também.

- Nem me fale, ela vai surtar. Preciso me preparar.

Ele riu, enquanto fechava a porta.

- Marion está com saudades dos meninos.

- Sim, eu sei. Vamos lá em breve. – O respondi, sentando em minha grande cadeira.

- Então quer dizer que Preston será pai novamente? – Perguntou ele, sentando-se a minha frente, dando um suspiro pesado.

E foi minha vez de suspirar.

- Sim. Estou feliz por ele. Ele e Shantell estavam tentando a algum tempo também...

- É...

Um silêncio ensurdecedor se instaurou no ambiente, nos deixando extremamente desconfortáveis. Meu pai está pensando o mesmo que eu, mas assim como eu, tem receio de falar. Então dei o primeiro passo.

- Eu sei o que está pensando, mas não posso pedir isso a ela, pai.

Ele suspirou, me olhando com esperança... e assim como vejo meu reflexo em Jack, enxergo isso nos olhos do meu pai.

- Eu entendo, filho, entendo... mas ainda tenho esperança.

- Eu também, pai. Mais do que ninguém. – Falei, suspirando.

- Tente conversar com ela novamente, filho... tenho certeza que vão chegar ao consenso.

- Não sei, pai. Vou tentar. – Disse, pensando em suas palavras. – Mas vamos ao que interessa.

- Sim, tem razão.

Mesmo passando toda a manhã falando de negócio, não pude deixar de pensar nisso a maior parte do dia. O que eu mais quero agora é outro filho... tenho certeza de que isso deixaria nossa casa mais alegre e nossa família completa.

***

- Malcon vai ter um irmão, você viu, pai? – Disse Jack, com empolgação.

Sorri, enquanto viro o carro em nossa rua.

- Sim! Legal, não é? Agora ele vai saber como é ter um irmão... como você. – Disse, o olhando.

- É! É legal, mas as vezes Zyan é um saco.

- Hey!

Ele riu, voltando a me olhar.

- Mas eu adoro ter um irmão!

- Melhor assim. – Falei, sorrindo e o fazendo rir.

Parei o carro, saindo e o ajudando sair.

- E quando vamos ter outro irmão, pai? – Perguntou ele, me fazendo parar e olhá-lo.

Suspirei, pensando em minha resposta.

- Eu não sei, amigão. – Disse, desanimado.

- Vovô! – Exclamou Jack, passando por mim correndo.

Virei para trás, encontrando Antonov de braços abertos para o neto.

- Cadê o garotão do vovô! – Exclamou ele, abraçando Jack.

- Vovô! Você veio! – Exclamou Zyan, saindo com Sofya do prédio.

- Mas é claro que eu vim, Z!

Ele abraçou os dois com carinho, levantando-se e me cumprimentando.

- Com vai, Antonov?

- Bem, bem. Vamos sair para jantar.

- Vem com a gente? – Perguntou Sofya, vindo até mim e beijando meus lábios suavemente.

- EWWW. – Reclamaram Jack e Zyan, incentivados pelo avô, que fez careta, nos fazendo rir.

- Claro.

- Então vamos, Lory já está nos esperando.

Peguei na mão dela, enquanto os meninos vão com o avô na SUV guiada por OZ. Ao entrarmos no carro, não pude me conter.

- Jack me perguntou se terá mais um irmão.

Sofya, que estava colocando o cinto de segurança, travou me olhando com medo.

- E o que você respondeu? – Perguntou ela, receosa, tentando voltar ao normal.

- Que eu não sei. – Falei, ainda a encarando, enquanto ela foge do meu olhar, focada a sua frente.

Peguei sua mão, em súplica.

- Vamos tentar de novo. – Pedi, mas ela fechou os olhos em negação. – Eu sei o quanto foi doloroso, mas precisamos nos dar essa chance novamente.

Ainda em silêncio, ela tenta controlar sua respiração.

- Por favor. – Supliquei, ainda com esperança.

- Eu não quero criar expectativas, John... é doloroso demais ver a esperança em seus olhos e não saber se isso realmente irá acontecer.

Peguei em seu rosto, encarando seus lindos olhos grandes.

- Eu sei dos riscos, sei também o quanto foi difícil, mas precisamos tentar uma última vez.

Ela suspirou, pegando minhas mãos em seu rosto... e, finalmente, assentiu, me fazendo sorrir.

- Uma última vez. – Repetiu ela.

- Sim!

Uma última vez.


Notas Finais


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